domingo, 8 de janeiro de 2017

Um quiproquó:

Ontem, estando a ler, deparei-me com este termo que já não ouvia há muito tempo, talvez há muitos anos!
Quiproquó, palavra engraçada e musical, ao ser pronunciada, que nos põe a imaginar coisas especiais e mirabolantes, divago eu, dando por mim a sonhar com a minha mãe ainda nova...
Recebia uma cliente, pois era costureira, para uma prova, e de joelhos , sobre um pequeno tapete, tentava ajeitar a saia , da senhora impaciente e agastada com o resultado do trabalho e então a minha mãe afogueada e, também descontente, dizia:
-Houve aqui um pequeno quiproquó, estou em crer que dizia quiprocó, com estas medidas... e lá se munia da sua caixa de alfinetes e da sua agulha e linhas de alinhavar para levar aquela peça de vestuário para o corpo da exigente cliente.
E depois de muitos quiproquós, lá ficava o trabalho certo e pronto para os pespontos finais e para a Clara, que sou eu,  tirar os alinhavos, coser a bainha, fazer os arremates ou remates  finais e passar com pano húmido, para ficar tudo impecável e agradar a cliente. E eu esforçava-me muito, oh, como me esforçava, porque afinal era o produto daquele trabalho que me iria pagar as propinas e os livros para eu tirar o meu curso! 
Naquela altura, definia, na minha cabeça, esta palavra como insignificância ou pormenor de pouca importância, mais tarde fiquei a saber que afinal a palavra tem a ver com pequenos enganos, equívocos ou confusões e que vem do latim "quid pro quo" que significa trocar uma coisa por outra.
Tenho a certeza que a minha mãe não sabia latim, e que até talvez nem tivesse plena noção do significado do termo, e também tenho a certeza de que ela se esforçou muito por mim, do que nunca me esqueço, e também sei, por experiência própria que a vida é feita de muitos quiproquós  que no fundo são marcas que afinal somadas constituem o sentido da vida humana, e nos fazem aprender e crescer até ao fim.   



sábado, 31 de dezembro de 2016

Sábado 31 de Dezembro de 2016
No findar do ano... 
Neste último dia do ano quero meditar contigo no facto de termos, ao longo de 2016, mudado de algum modo, quer fisicamente quer psicologicamente. Aprendemos, esquecemos , sofremos, tivemos perdas irreversíveis na nossa família, vizinhos ou amigos, ao mesmo tempo também algumas famílias foram bafejadas com o aparecimento de um novo membro porque, onde há vida há morte, contudo, nunca deixamos de ser quem somos 
É difícil viver, mas quantos mais obstáculos enfrentamos, quanto mais difíceis são os problemas com que nos deparamos,
quanto maior o medo da morte, mais a gente luta para continuar viva e  maior é a nossa força assim como  a vontade de vencer. 
Então, apesar do que se passou em 2016, vamos formular o propósito de lutar para continuarmos vivos em todas as vertentes:
Vamos abusar do entusiasmo, da alegria, da boa-vontade e tentar esquecer e ou não dar demasiada importância às faltas que naturalmente vamos sentir no ano novo ,acredito que é das dificuldades que nos virá a força de viver este novo ano de 2017...

BOAS ENTRADAS!!!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Pinceladas de cor e amor










Pintei o meu quintal
Com pinceladas de cor,
Pintei o meu quintal
Com pinceladas de amor,
Para receber o Menino
Para receber o  redentor...
E o meu quintal pintalgado
Muito alegre e decorado, 
À Natureza dava vivas
Ao redentor dava graças...
E graças vos dou Deus Menino
Bebé lindo e pequenino,
Que no meu quintal nasceste
E que ao Mundo vieste,
Para trazer uma luz diferente
A mim e a toda a gente!

Clara Faria da Rosa,
Natal de 2016

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Boas Festas em qualquer altura do ano!!



Boas Festas para todos , e que os sinos repiquem nos vossos corações, neste Natal e no Ano Novo, claro que não terão sempre o mesmo timbre nem a mesma cadência porque a vida é feita de altos e baixos, mas é mesmo assim, isso significa que o ser humano está sujeito a grandes diferenças de carácter e que cada um aceita a vida à sua maneira. 
Que no ano prestes a chegar todos nós tenhamos o direito de alcançar o conforto moral e físico assim como o equilíbrio a que temos direito, para sermos felizes
Boas Festas e Bom Ano,  hoje e em qualquer altura do ano!

domingo, 25 de dezembro de 2016

A ubiquidade do Menino


Meti  meu lindo Menino
Em redoma de vidro fino,
Muito bem acomodado
Para ficar bem guardado.

Só que este ubíquo Menino
Estando na redoma de vidro fino,
Ao mesmo tempo vai-se embora
Está em toda a parte à mesma hora.

Ele sobeja nos campos
Nos mares, rios e oceanos,
Espalhando votos de alegria
E também muita magia.

Ele nasceu no Brasil, no Senegal,
Na Rússia e em Portugal,  
E também na Itália e em França
Como promessa de esperança.

Tão longos braços tem o Menino
Que mesmo sendo pequenino
Este grande Mundo abraça
Com sua Divina graça.

 É luz e espírito candente,
É fogo, é chama ardente,
É a imagem da perfeição
Que guia meu pobre coração.

Ai meu lindo e doce Menino
Fica na tua redoma de vidro fino,
Mas em simultâneo vai-te embora 
Por este triste Mundo Fora!

Clara Faria da Rosa
25/12/2016

Nota: Ubiquidade-Capacidade ou propriedade de estar ao mesmo tempo em toda a parte ou em diversos lugares.


sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Quando se escreviam cartas e postais de Natal:
Bicas de Cabo Verde, 23 de Dezembro de 2016
Cara/o amiga/o
Ainda te lembras do tempo em que não usufruíamos destas modernices do computador que nos permite enviar uma mensagem num ai, sem precisarmos sair de casa, nem comprar selo e sem termos de esperar pelo simpático carteiro? E do tempo em que não tínhamos telefone em casa, muito menos telemóvel, o que nos obrigava a recorrer aos correios ou aos postos públicos quando havia estrita necessidade de se comunicar com alguém ou quando queríamos dar as Boas-Festas e desejar um Feliz Ano Novo?
Tempos que já lá vão que deram origem a inovações como os e mails, facebooks e outras simpáticas facilidades que mudaram as nossas vidas!
Pois hoje deu-me para reflectir e sonhar com coisas deliciosamente antiquadas como cartas, cartões de aniversário e postais de Natal a jorrarem de um marco do correio de um avermelhado luzidio e de uma sumptuosidade imponente de quem manobra a vida dos seres humanos ...
Pensei então que para mim, nunca foi fastidioso escrever cartas ou cartões e sempre considerei que as mesmas eram e são uma maneira de revelarmos com profundidade e intimismo o que nos vai no fundo do coração, assim como um veículo que nos liga ao nosso receptor de forma carinhosa e profunda e um meio de evasão da rotina quotidiana.
Até dos envelopes me lembro com saudade e de como ficava a olhar para eles quando os recebia, tentando adivinhar quantas páginas tinham, e as mensagens que continham .
Pelo Natal recebíamos muitos postais com ilustrações encantadoras que nos faziam sorrir e sonhar e logo corríamos a decorar a cómoda ou a árvore de natal com os mesmos.
Postas estas considerações sobre cartas e quejandos termino esta, não sem antes te desejar que tenhas recebido e enviado muitas cartas e postais de natal , que a consoada te corra de feição, o bacalhau não esteja salgado, o peru seja tenro e coradinho e que não te esqueças que esta festa celebra o nascimento do Menino Jesus . Quero também desejar-te que no Ano Novo continues a entusiasmar-te com determinação pela vida pois se te acomodares e desinteressares é sinal que a coisa não vai bem ...
Adeus e até à volta do correio,
Com um grande e saudoso abraço
A amiga
Clara Faria da Rosa
P.S. Esqueci-me de dizer que te convido a vir cá tomar um chá e que tenho alguns licores variados e um apetitoso e bem apresentado bolo de Natal que a minha amiga Maria José  me enviou pelo correio, à semelhança do ano anterior, com um belo e festivo laçarote e um cartão vistoso, aromatizado com muita amizade e carinho, por isso estás convidada/o a vir à mijinha do Menino.
O meu menino mija!!|

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Isis ao Sol

A nossa cadela Isis, ao sol, a recuperar forças para o Natal.

Compota de Natal

Esta é uma sobremesa que costumo fazer todos os anos para a  ceia de Natal e que fica para o dia de Natal pois não se estraga com facilidade, é muito bom a acompanhar bolo de figo , de Natal,ou qualquer outro bolo ou simples, num bonito pratinho ou taça com motivos de Natal 


Cá vai!

Mais ou menos 25 figos
Mais ou menos 250g. de ameixas secas
Uma embalagem de passas de uva
4 ou 5 maçães ( reineta) para serem ácidas, às lâminas, não muito finas.
casca de limão
Vinho tinto de boa qualidade (Bonzinho) Entendes?-1 copo
2 ou 3 colhere de açúcar ( a gosto)
Água - 2 copos 
2 paus de canela


Ferve-se o vinho com a água, o açúcar e os paus de canela, quando levanta fervura adicionam-se os figos ( sem o pé), quando incha juntam-se os restantes ingredientes
Aguarda-se que a maçã adquira a cor do vinho e apaga-se a chama.
Pode ser servido quente ou frio, mas na consoada ou na passagem do ano sabe bem quentinho.
Espero que te saiba tão bem como o sabor que tem  o carinho que te dedico !!!
Um beijinho de BOAS _ FESTAS

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Recordando o Natal de 1988


Era eu uma  mãe feliz, havia oito meses, quando a catequese de Bicas de Cabo Verde na freguesia se São Pedro de Angra, numa atitude pedagógica resolveu dar forma  ao acontecimento histórico que foi a Natividade e a sua mensagem  de paz na terra e de boa vontade para todos os homens.
Deste modo, o meu filho representou o Menino , a Isa Ferreira com o seu manto azul personificou a Virgem Maria, O Paulo Fialho foi são José e os anjos que acompanhavam esta cena eram a Rosarinho Vieira que já não está entre nós, voou para fazer companhia aos outros anjos, e para nos deixar com o coração apertadinho de saudade, e sua prima Vera Goulart . Este quadro recebia os pastores, os outros alunos da catequese, com oferendas e dizeres ao Menino . Já lá vão vinte e oito anos, já são todos adultos, mas eu vou lembrar este episódio para sempre, do dia em que as Bicas de Cabo Verde, na sua pequenez e simplicidade, e os seus poucos habitantes souberam celebrar um nascimento tão importante. 
Desde então, já vivi muitos natais, mas em cada ano recordo saudosamente este natal de de 1988 e a nossa querida  Rosarinho que deve estar junto dos outros anjos, seus pares, a velar por nós.







segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Cartões de Natal :

 - A sua e a minha história!

Longe vão os tempos em que, por esta altura do ano, os serões eram passados a escrever e ou a ler postais de natal, recebíamos muitos e a minha mãe costumava decorar um pinheiro com lindos cartões recebidos da América, depois quando tive a minha própria casa também a decorava com eles, agora já não os recebo, pudera, também já não os mando como costumava fazer... O telefone, o telemóvel e a Internet fizeram com que, em alguns casos, esse encantador hábito fosse um pouco ultrapassado, no entanto, noticiou-se hoje queos carteiros iriam entregar milhões de mensagens de Natal.
 Quando ouvi esta notícia lembrei-me de uma anedota em cartoon em que a senhora à porta de casa agradecia ao carteiro e lhe desejava Bom Natal, nem queiram ver a carranca do desgraçado, carregado de correspondência... Na verdade, os correios e os seus funcionários são bastante sobrecarregados nesta época, penso que alguns carteiros ficarão fartos do Natal e das encomendas, cartões e mensagens que têm que entregar no endereço próprio.
Segundo breve pesquisa fiquei sabendo que estes cartões que variam nos desenhos, cores e que têm sempre uma mensagem de esperança e alegria e um cunho de mimo de quem os envia para quem os recebe,  tiveram a sua origem no séc.XIX, no ano de 1843 por iniciativa de Henry Cole, director de um museu em Londres que todos os anos costumava escrever longas cartas aos seus amigos, com votos de boas-festas, como nesse ano não tivesse tempo de escrever  cartas, pediu a um amigo, John C. Horsley que lhe desenhasse um cartão com uma mensagem para imprimir para substituir os votos anuais. Com o passar do tempo, este facto deu origem a um grande negócio e acrescentou este encantador e fantasioso costume às tradições de Natal .
Na verdade, há cartões lindíssimos , nos mais variados tipos de papel e que por vezes custam bastante caro. Sei que os amigos merecem isso e muito mais, numa época como esta, mas quanto a mim nada mais delicioso do que fazer os nossos próprios cartões, com algum material que se compre ou então, com material reciclado.
Se os nossos amigos receberem uma mensagem feita e decorada pelas nossas próprias mãos, naturalmente vão perceber o carinho e gosto que pusemos naquele trabalho e o quanto gostamos deles.
Costumava fazer isso, influenciada pelos trabalhos que tinha que desenvolver com os meus alunos, mas isso, infelizmente,  "foi chão que deu uvas" agora as novas tecnologias permitem-nos contactar com amigos e familiares de forma rápida e eficaz. Fico contudo, sempre um pouco nostálgica ao pensar nos tempos antigos, e vou à caixa onde guardo dezenas  desses lindos exemplares, para matar saudades dos tempos antigos, e daqueles que os enviaram mas que já não estão entre nós.
Aqui te mostro alguns dos meus cartões vintage do Natal de 1970



   

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Acabadas de fazer:

Donas Amélias:


Todos os anos, pelo Natal,  faço Donas Amélias, hoje cumpri o ritual, não sei porquê, tenho sempre a sensação de que estes deliciosos bolinhos são próprios do Natal, talvez pelas carasterísticas de alguns dos seus ingredientes, mas na verdade parece que a sua origem não tem nada a ver com esta festa, pois segundo os entendidos esta especialidade começou assim:


"Primeiro que tudo havia a terra prestimosa; chegaram depois as gentes que fabricaram os cereais;  de longe, das Índias Orientais e Ocidentais, aportaram mais tarde as preciosas  especiarias, gostos exóticos, aromáticos, estranhos.
Portuguêsmente, as gentes caldearam os elementos; e das suas mãos sábias e ternurentas e magníficas assomavam iguarias de descoberta.
Certo dia, D. Amélia a rainha, veio à ilha. As gentes da Terceira ofertaram-lhe os bolos melhores da rondura do seu horizonte.
e em honra da rainha se chamam agora, Donas Amélias! "


Pois foi assim que depois de anos essa  "iguaria de descoberta", chegou até mim vinda das mãos das nossa ancestrais e eu que sou muito de tradições e de gostar de preseverar o legado dos nossos antepassados  imito-os, confeccionando muitas vezes estes saborosos bolos, cuja receita te quero passar.

5oogr. de açúcar
250gr. de manteiga amolecida

10 ovos (5 com clara e 5 sem clara)
3 ou 4 colheres das de sopa de mel de cana
250gr. de farinha de milho amarelo, peneirada
100 gr. de corintos
50 gr. de cidrão picadinho
1 colher das de sopa de canela
Noz moscada - facultativo

Bate-se a manteiga com o açúcar, juntam-se os ovos e vai-se batendo, em seguida adiciona-se o mel e a canela e depois a farinha e metadae das passas e do cidrão.
As restantes passas e cidrão envolvem-se em farinha e reservam-se.
Formas untadas em óleo ( use um pincel ) e enchem-se pouco mais de meio.
Em cada forma põem-se umas passa e um pouco de cidrão. 


Vão a cozer, desenformam-se e envolvem-se em açúcar confeiteiro e colocam-se em formas de papel. Fácil!
O pior mesmo é lavar e limpar as  danadas das forminhas...


Ps: estes ingredientes dão cerca de 40 bolos.

E agora, vai uma Dona Amélia com um cházinho?

domingo, 11 de dezembro de 2016

O Espírito de Natal:

                                                   

No Natal há um alarido de cores
E também uma panóplia de perfumes,
No Natal há beleza nas coisas rudes
E os homens esquecem seus queixumes... 

No Natal há lindos gestos de amor
Em cada casa e em cada flor,
No Natal ao Senhor damos louvor
E veneramos o nosso criador... 

No Natal impera a candura,
E o luar acende o Mundo
Onde não se vê  amargura...  

No Natal não há solidão,
Mas um sentimento profundo
De alegria e muita gratidão!

Clara Faria da Rosa
Natal de 2016

sábado, 10 de dezembro de 2016

E as cameleiras floriram...

Uma lenda de natal:



Fico sempre extasiada quando, por esta altura, e de um dia para o outro, nas cameleiras do meu quintal começam a brotar lindas e coloridas camélias. Este ano não foi excepção e, apesar do mau tempo que se tem verificado, ontem deparei-me com os arbustos pintalgados de vários cambiantes cor-de-rosa. Foi aí que me lembrei de uma lenda de natal, relacionada com esta linda flor, que li há muitos anos, e que vou tentar contar,  assim a minha memória o permita! 
Há muitos muitos anos, quando todos os seres da terra falavam, num dia de Inverno  curto , frio e cinzento o vento falou aos animais, às árvores,às aves e aos arbustos e disse:
- Esta noite todos devem ficar alerta porque grande coisa vai acontecer, o quê, ou onde, não sei, mas grande coisa será, haverá um sinal, e todos devem rejubilar e dar graças porque tudo vai mudar...
Contudo, os animais, as árvores e os arbustos  duvidaram desdenhosamente do vento, e foram um a um adormecendo, com excepção de um pequeno passarinho que disse para consigo:
-Alguém tem de ficar acordado para rejubilar e dar graças , se realmente algo de extraordinário acontecer, ficarei alerta!
Nenhum arbusto ou árvore permitiu que neles se empoleirasse pois queriam dormir descansados, foi aí que um arbusto alto e sem folhas tendo pena do pobrezinho lhe disse:
- Não me importo, empoleira-te num dos meus ramos, e os dois ficaremos acordados, à espera dessa novidade!
Pela meia-noite  uma luz forte, dourada, inexplicável, apareceu, atravessou  os céus e desapareceu nos confins do mundo. E o pássaro e a árvore deram graças até de madrugada e quando as outras criaturas foram acordando, ficaram maravilhadas com com as flores lindas e cintilantes como rubis e com as folhas verde-esmeralda que adornavam  os arbustos e com um pássaro com uma plumagem escarlate, cor que representa a coragem e a firmeza, que cantava no cimo do arbusto.
É por isso que como recompensa da fé a árvore passou a ter folhas verdes, a cor da vida, e flores vermelhas, a cor do sacrifício e é por isso, acredito, que todos os anos as cameleiras se enchem de flores para que eu possa decorar a minha casa, embora este centro ainda seja muito pobre, porque as camélias ainda são poucas, mas acredito e tenho fé que mais, muitas mais, aparecerão e tenho persistência e firmeza para esperar!  


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Ladainha à Senhora da Conceição

Doce senhora minha
Que de Portugal és rainha,
Dirige teu olhar profundo
Para este pobre mundo!

Senhora da Conceição
Estende tua nobre mão,
Aos pobres e desamparados
Aos tristes e isolados!

Mãe de toda a humanidade
Incute em nós a humildade,
Faz que o amor nunca morra
E que haja paz sobre a terra!

Tu és a Virgem das virgens
A senhora das origens,
Traz aos povos a bondade
Afasta de todos a maldade! 

Hoje é teu dia Senhora
Todos pelo mundo fora
Hosanas nas alturas clamam
E perante ti se curvam!

Desta terra és padroeira 
Faz dela grande clareira,
Onde em cada lar haja calor 
E em cada coração muito amor!

É com  afecto profundo, Senhora
Neste dia especial, e nesta hora,
Que vimos à tua presença, celestial
Para rogar: - Salvai Portugal!

Clara Faria da Rosa,8/12/2016




terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Os meus meninos de biscuit:





São lindos estes  meninos
Que a minha casa alegram,
Muito bem comportados
Um nascimento anunciam...
Batem palmas,cantam, dançam,
Muito alegres e rosados,
Os nossos olhos encantam,
Meus meninos  abençoados... 
Os seus instrumentos tocam,
Porque é tempo de alegria,
Porque é tempo de ternura,
E porque a beleza é magia
Que afasta a amargura...
São um primor estes meninos,
Que cantam, dançam e tocam,
Hinos de glória e louvor
Ao  Deus-Menino redentor...
- Ai meus ricos meninos
Nunca deixem de encantar,
Nunca deixem de anunciar,
Que há sempre  um resplendor,
Bem podemos acreditar,
Que ilumina cada interior!

Clara Faria da Rosa,
Natal de 2016 









segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Pela boca morre o peixe:

Este provérbio, tão bem conhecido de todos nós, tem a ver com bocas, sim bocas, grandes ou pequenas, bonitas ou feias, novas velhas ou nem tanto assim, e reporta-nos a situações de pesca profissional, desportiva, ou artesanal em que o pescador coloca o isco no anzol para atrair o peixe que  atraído pela cor, cheiro, ou pelo instinto de sobrevivência, abre a boca e zás é logo fisgado e era uma vez um peixe, isto  lembra-nos que do mesmo modo que o peixe abriu a boca e comeu o que não devia também nós muitas vezes abrimos demasiado a boca, dizemos o que não devíamos e depois pronto, as palavras são como o vento e não voltam atrás...
Pois eu, à semelhança dos peixes, quando era nova, abria demasiado a boca e criticava as senhoras que gostavam de se enfeitar demasiado com colares, brincos e outros adereços ao gosto da época.
- Parecem árvores de natal - dizia.
- É porque gostam - respondia a minha mãe.
Bem, o tempo foi passando, o meu gosto mudando, e vá de usar tudo o que tenho, para não morrer sem usar as minhas coisas, justifico-me. A situação chegou a tal ponto que, actualmente no Natal, gosto de usar na lapela do casaco um apontamento natalício como que a dar as boas - festas a quem encontro, até uma pequena árvore de natal, Imagina!
Agora já não critico, calo-me muito bem caladinha, porque me lembro sempre deste provérbio e de outro relacionado com o assunto em questão: 
- até velho se aprende!
E eu aprendi que é bom manter a boca fechada ou falar com moderação mas  também que, na nossa caminhada pela vida fora deixamos pegadas  de vários tipos, algumas são quase invisíveis, outras  nas quais nem reparamos, mas que constituem o sentido da nossa vida , e uma das características da minha vida, da minha caminhada, do meu ser, é esta fantasia que foi desabrochando no meu interior e que parece que se alonga, que se alastra, que se desdobra com a idade.  
Aqui vão os meus natalinos ou natalícios  "broches" francesismo que eu prefiro substituir por pregadeira ou alfinete de peito, expressões bem portuguesas  que ficam bem ao peito de qualquer mulher, em Jeito de votos de um bom advento!