sexta-feira, 26 de agosto de 2016

No dia Mundial do Cão


Assinala-se hoje o dia Mundial do cão, o qual se destina a sensibilizar as pessoas, de um modo geral, para o reconhecimento de que há muitos animais que precisam de ser ajudados, adoptados, tratados , resgatados...
É por isso que te apresento a Isis, uma cadela ainda muito nova, maluca, mimosa e às vezes endiabrada, com cerca de seis meses, do meu filho, que ao partir a deixou connosco. O facto de termos ficado com ela não foi consensual da minha parte, porque eu previa que não viriam grandes coisas desta convivência forçada. Não há tapete, sapato ou chinelo que se possa deixar despreocupadamente à porta, porque o seu fim está à vista, depois a roupa no estendal parece que a põe nervosa, e se não formos por ela, era uma vez roupa branca, e a preocupação das vacinas, da esterilização, da comida, da água, e de quem a tratará se tivermos de fazer uma ausência mais prolongada, esta arte de viver em comum com esta cadela ainda tem que ser bastante aprimorada, concluo...
Mas, e há sempre um mas em qualquer história, acontece que quando ela olha para nós, quando a sua pelagem acastanhada e luzidia reflecte a luz do sol, quando abana a sua cauda de contentamento por estar junto de nós, ou nos tenta lamber as mãos num impulso que nos parece de carinho e gratidão, quando de manhã abrimos a porta e ela está bem "estatelada"  sobre o tapete que entretanto já roeu, parece que uns pequenos sinos repicam alegremente e os sons se espalham ao nosso redor e nós esquecemos que ela não foi muito desejada, as maldades que faz, as vezes que tem fugido e nos obriga a andar à sua procura, o dinheiro que temos gasto com ela e pensamos que valeu bem o preço e as arrelias. 
Normalmente, quando saímos, ela fica sempre junto ao portão à nossa espera, no outro dia estivemos fora desde as nove horas da manhã ate às dez horas da noite, e ela esteve sempre lá, muito enroscada, segundo nos disseram, e sem comer nem beber água, haverá algum amigo capaz de semelhante proeza?
Está-me a parecer que esta cadela endiabrada,  vai ser um remédio, um tranquilizante, uma panaceia, sem efeitos colaterais, para a nossa vida futura...

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Visita ao museu da presidência da República, em Belém

 No dia 17, Domingo, do  passado mês de Julho fui visitar este museu, inaugurado há precisamente 12 anos o qual é um grande veículo de divulgação da instituição presidencial portuguesa.
Lá podemos ver um património histórico  de milhares de peças  que testemunham a vida e a actividade política e pública dos dezoito presidentes da república portuguesa desde 1910 até hoje:
Objectos pessoais, condecorações, bustos e retratos oficiais, presentes de estado e documentação.
Este museu quanto a mim, tem uma forte componente pedagógica especialmente nesta exposição permanente em que nos é dado contactar com as diferentes fases da República portuguesa em especial o seu papel, evolução assim como a vida e acção política dos seus intervenientes.
E depois deste banho de cultura, nada melhor do que entrar numa das mais tradicionais pastelarias de Belém para  comprar os afamados Pasteis!










terça-feira, 23 de agosto de 2016

Como todos os que me conhecem bem sabem, adoro chapéus, de Inverno de Verão de palha ou de feltro, não interessa é um chapéu...Aqui é que entra a história de que te quero falar:
Num dia invernoso saí de chapéu, um lindo e airoso chapéu de feltro de um verde garrafa muito escuro e fui visitar uns amigos que ao chegar me disseram:
-Estás muito bonita, com o teu chapéu à zamparina!
Fique admirada sem saber se o comentário era elogioso ou depreciativo. Então, decidi investigar o significado e a origem da expressão, pois hão-de chamar-me nomes mas eu ao menos hei-de saber o que querem dizer! Sou assim, curiosa...
À zamparina quer então dizer:
De forma atabalhoada, coisa mal feita, mal amanhada, mas também correspondia, em tempos idos, e em linguagem de moda à forma como se usava o chapéu ligeiramente inclinado para a frente, cobrindo um pouco a orelha direita, uma forma inusitada de usar o chapéu nos séculos XVIII e XIX.
E a responsável de tudo isto, quer dizer, desta expressão, é a senhora cuja gravura mostro que foi uma muito famosa cantora de ópera que veio de Veneza para Portugal em 1772, no tempo do Marquês de Pombal Chamada ANNA ZAMPERINI, uma figura muito controversa que ficou famosa pelos seus dotes artísticos, teatrais e musicais, pela sua irreverência, inusitada à época, e pelo seu poder de sedução que incluía o uso do chapéu inclinado. Parece que Anna Zamperini se enamorou do filho do Marquês de Pombal o qual desagradado com este romance a mandou atabalhoadamente de volta para a Itália e interrompeu a contratação de mulheres estrangeiras, para dançar e ou cantar nos palcos portugueses.
Assim, e concluindo, passou a chamar-se a forma como se usa o chapéu mas também uma coisa feita de forma atabalhoada isto é a forma como foi feita a expulsão da cantora Anna Zamperini de Portugal.
E cá estou eu numa tarde soalheira, mas fria, do final de Janeiro, passeando pela baixa de Lisboa com o meu chapéu à zamparina , que agora já sabemos que é à "Zamperini" 
Enquanto passeava ia pensando, também, se Anna Zamperini teria passeado com o seu amado, o filho do marquês de Pombal, por aquelas ruas, o que terá sido pouco provável, devido ao caos que se vivia na altura com a reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755


Meia-Idade!

O que é a meia-idade...
Fazer-se o que se entende,,,nunca!
Não é segredo para ninguém que fiz anos no passado dia 12, pois fiz questão de o apregoar bem alto e fui parabaneada por amigos, conhecidos e familiares, o que agradeço do fundo do coração, recebi alguns presentes, enfim, passou-se o dia. Contudo, com esta história dos meus anos tenho meditado mais no assunto e para me consolar penso que a idade é como o whisky, quanto mais velho melhor e que os móveis antigos são os mais valiosos.
Tretas! A verdade verdadinha é que segundo várias cabeças pensantes meia-idade é:
"Quando tudo começa a estalar: cotovelos, joelhos e pescoço".
"Quando percebemos que nunca viveremos o suficiente para experimentarmos todas as receitas que passámos os últimos 30 anos a compilar".
" Quando é não só mais tarde do que pensamos, mas mais cedo do que imaginamos".
"Quando estamos perante duas tentações e escolhemos a que nos leva para casa mais cedo".
E pronto, está tudo dito, resta viver conforme as circunstâncias e conforme a cabeça de cada um ditar!
O que eu te posso dizer, por experiência própria, é que nunca atingimos a idade de fazermos o que bem entendermos, há sempre algo que nos condiciona!!!:

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

 -O que é que é, que mal entra em casa, se põe logo à janela?


Como o título sugere, hoje vou falar de botões e é por isso, que estou aqui, toda pimpolha, com a minha pregadeira feita de botões, isto porque sempre apreciei estes objectos pequenos ou maiores, redondos ou quadrados usados para fechar e ajustar a roupa ao corpo ou e ainda por motivos estéticos.
Segundo a Wikipédia, há indícios da existência dos botões desde 3000 anos A.C. contudo, o fabrico efectivo dos mesmos, remonta ao século XIII, tendo-se desenvolvido e florescido esta indústria de fabrico de botões em França nos séculos XV e XVI.
No livro " O Botão ao Longo dos Tempos", pode ler-se que já no século XIV o botão fazia parte dos objectos úteis, e daí passou para ornamento; Conta ainda, o mesmo livro que, os gibões da nobreza, por volta do reinado de  Henrique III, eram guarnecidos com botões de ouro, prata e pérolas .
Vai daí, e depois de tantos anos  e tanta evolução, deu-me para procurar lindos e antigos  botões  em forma de flor, e de os colocar não à janela, mas numa renda antiga fazendo uma linda, sóbria e requintada pregadeira, que me preza muito. 
Gosto de guardar botões antigos, de roupa que já não se usa, porque eles lembram-me sempre uma história, uma roupa, uma festa, ou uma pessoa. Nesta caixa, se me debruçar a valer sobre o seu conteúdo, posso ver a minha vida passar, assim como  a da minha mãe,  porque contém botões de há muito tempo, apesar de eu gastar muitos, em trabalhos que faço.
E agora, vamos combinar fazer nas nossa vidas, o que eu faço com os botões, aproveitemos o que nos acontece de melhor, e façamos um "bouquêt" para pôr ao peito, o resto deixemos bem no fundo, mas bem lá no fundo, para que não nos incomode nem nos faça mal! 






Figos e gramática



Quando olho a minha enorme e antiga figueira lembro-me da minha mãe, que adorava figos com pão, lembro-me do Natal em que usamos comer figos passados, do melaço que faço com as suas cascas, dos figos pretos, que costumava ir untar e apanhar com a minha avó, numa figueira que ainda existe, mas que já não produz por não ser tratada, de figos pingo de mel, figos cristalizados,  figos secos...Lembro-me também de ter lido, não sei onde, que a figueira é a primeira planta descrita na Bíblia, quando Adão se veste com as suas folhas, ao notar que está nu, e nós a pensarmos que havia sido uma folha de videira! Enfim, lembro-me desses deliciosos frutos carnudos e suculentos que nos deliciam a todos. Mas isso é só lembrança, é só o que sucede quando olho de relance, acontece porém que hoje olhei e vi, sim porque há uma grande diferença entre o olhar e o ver...Vi que alguns dos figos da minha figueira já estão amarelinhos, macios, luzidios e de biquinho avermelhado a rir-se para mim... Foi então aí que entrou em acção  a dita gramática e, comecei a pensar com os meus botões, que é como quem diz comigo própria:
-Figos lampos, ou lampeiros, temporões, prematuros, antónimos de  frutos serôdios, aqueles que aparecem ou que amadurecem no fim da estação própria...
E para não ser serôdia, pois sempre gostei de estar em cima do acontecimento, aproveitando o que verifiquei hoje de manhã, logo, toda lampeira, temporã, isto é no tempo próprio, apressei-me a dar-te conta deste "importantíssimo" facto gramatical, que não salvará o Mundo, mas que teve o privilégio de me pôr a pensar, assim como a ti, espero, pois todos nós sabemos que uma das  principais e mais importantes vantagens do ser humano é pensar pela própria cabeça, o que  ajuda a que se mantenha lúcido e mentalmente activo! 

sábado, 20 de agosto de 2016

O Mundo, tão grande e tão pequeno!

Hoje, Sábado de manhã, dou uma volta pela baixa de Angra e deparo-me com uma montra decorada conforme podes ver na fotografia, resquícios das nossas  Sanjoaninas  que, muito a propósito, assinalaram os 250 anos da instalação da capitania geral no palácio dos Capitães Generais em Angra o que fez desta cidade, capital dos Açores. As rotas e o comércio marítimo, a defesa da coroa , Angra capital no meio do Atlântico  e a mais alta condecoração portuguesa,  o colar de torre e espada, foram temas que povoaram as nossas artérias principais por essa altura. embora já decorridos dois meses , dei por mim a pensar em tudo isto, também porque ando a ler o livro de João Gago da Câmara " Dos Vulcões ao Desterro" apresentado ao público angrense no dia 16 de Junho p.p., o qual trata da emigração e dos laços históricos entre os Açores e a ilha de Santa Catarina, no Sul do Brasil. Costumes, tradições, maneiras de ser, de falar, para lá levados pelos nossos antepassados,tudo pode ser captado nas crónicas do autor o qual, a certa altura, e para não me alongar muito , diz o seguinte acerca da renda de bilros lembrada na montra que me despoletou este pobre escrito:
- "...Vem do relacionamento dos povos do Ocidente com os povos do Oriente, na época dos descobrimentos marítimos, tendo tido grande expressão nos arquipélago da Madeira e dos Açores, Principalmente originária da China, esta arte chega à ilha de Santa Catarina através da emigração açoriana , acontecida em meados do séc. XVIII.
A renda de bilros é trabalhada com pontos no ar, sem o suporte de tecido. Os fios são presos de um lado a uma das extremidades do bilro e a outra extremidade é presa por  alfinetes num cartão, com o desenho da renda pretendida, fixo numa almofada..."
 A olhar para aquela montra concluo que é bem verdade o que diz João Gago da Câmara  no último parágrafo da página 26 do seu livro. " O povo quando parte, leva consigo o que mais gosta e o gostar de um povo dura para sempre.", e apetece-me ainda acrescentar: na verdade, para a cultura, para a saudade, para o saber e para a resiliência do emigrante açoriano, não há fronteiras e o Mundo não é tão grande como pensamos...

Faz hoje CINCO anos...
A ausência que aumentou a amizade
No início da década de sessenta, tinha eu já feito o ensino primário, e o chamado ciclo preparatório e estava a frequentar o Curso de Formação Feminina na querida e extinta Escola Industrial e Comercial que funcionou nesta cidade de Angra do Heroísmo, entre 1885 e 1978. Era um estabelecimento de ensino técnico/profissional, tendo sido a 1ª escola deste tipo a existir nos Açores e formado muitos operários especializados e técnicos comerciais e industriais, oferecendo também cursos de Formação Feminina. Esta escola secundária funcionou no palacete do Comendador Silveira e Paulo ou Palacete dos Africanos situado ao cimo da Rua do Galo, junto à igreja de Nossa Senhora da Conceição e foi integrado no Liceu de Angra do Heroísmo por força de um Decreto de Abril de 1978.
Foi, portanto, este estabelecimento e este curso que eu frequentei antes de ingressar na escola do Magistério Primário de Angra, pois o meu sonho era ser professora mas os meus pais, especialmente a minha mãe, mais atenta a estas coisas, entenderam que frequentando primeiro este curso ficava com mais competências e mais preparada para a vida. E em boa hora o fizeram pois eu senti-me muito feliz nesse período da minha vida. Adorava o lindo edifício para onde me dirigia todos os dias, que comparado com a simplicidade das casas rurais da minha freguesia era uma coisa sumptuosa, e respeitava todos os meus professores e gostava de todas as colegas que se foram tornando amigas e factores de satisfação e confiança na minha vida. Sei que é humanamente impossível dizer quando começa uma amizade, contudo o facto de ter sido aceite pelas minhas colegas de turma com delicadeza, carinho e tal como era , foi para mim um elogio e um factor de satisfação que me deu coragem e força para continuar a caminhada.
Nunca somos suficientemente ricos que possamos viver sem um amigo e eu era rica e feliz com aquelas amigas!
O tempo foi passando, cada uma foi para o seu lado, seguindo o seu destino, algumas já partiram desta vida, outras emigraram, mas a ausência não fez diminuir a amizade, aumentou-a porque era autêntica e genuína tal como o vento, que apaga a vela por ser fraca, e ateia os fogos que são fortes.
Pois uma dessas amigas, radicada na Califórnia, Maria da Conceição Dias da Silva, esteve de passagem pelos nossos Açores e pela nossa cidade, faz cinco anos, e nós quisemos dizer-lhe isso mesmo, que a amizade e admiração aumenta com a distância quando é verdadeira, reunimo-nos com ela, a almoçar, num restaurante da nossa cidade e passeamos pela nossa marina, despretensiosas, despreocupadas e alegres como se fossemos as adolescentes de então.
Antes porém ao almoço dissemos à amiga Conceição que: Amizade:
Amizade é brisa suave,
Que ultrapassa os verdes montes,
Atravessa mares e oceanos
Palmilha Planícies e vales
Resiste ao tempo, aos anos…
Amizade é vento forte,
Que abana os mais distraídos,
Lembrando os tempos passados
Na cumplicidade vividos,
Com nostalgia recordados…
Amizade é um vento húmido,
Que entranha todo o nosso ser,
Transformando a ausência em presença,
E nos faz de saudade estremecer,
Envolvendo o amigo na lembrança…
Amizade é ventania,
Que ao passar do tempo resiste,
À Distância que a vida obriga
E à ausência que existe
E faz da saudade cantiga...
Esta nossa amizade,
Foi brisa suave,
Foi vento forte e húmido
E ventania….
Resistiu ao tempo,
À ausência,
À distância
À Vida…
E trouxe-nos este belo momento
Que não queremos esquecer…
Guarda-lo-êmos no pensamento
Enquanto pudermos viver!!!
Pois foi isto que dissemos à amiga Conceição Dias da Silva, por entre comoção e algumas lágrimas, com um pedido do grupo para que voltasse, o que infelizmente ainda não aconteceu, para podermos, mais uma vez, estar com ela numa tarde tão agradável com a que vivemos naquela tarde de 2011, faz hoje cinco anos!
A nossa colega e amiga Conceição Dias em 1963, antes de emigrar:
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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

32º Festival Internacional de Folclore:

Muito se tem dito e muitas fotos  se têm mostrado do 32º festival internacional de folclore realizado em Angra do Heroísmo, Terceira,Açores, este ano denominado de FOLK AZORES , por ser um festival internacional, e com muita razão, pois foi um acontecimento que não se pode deixar passar ao largo.
Tendo plena noção de que não podemos ficar à espera do conhecimento,antes pelo contrário, devemos sim, ir até ele , estive lá, no espectáculo de encerramento,na praça de  touros da ilha Terceira, em que se exibiram grupos folclóricos e etnográficos da América, Europa e Oceânia e de países como Colômbia, Equador, Eslováquia, Espanha, França,Itália, México, Nova Zelândia, Polónia, Roménia, Sérvia, e ainda O grupo de folclore de Machico da ilha da Madeira, sendo o espectáculo iniciado pela exibição do grupo local , Grupo de Bailes da Canção Regional Terceirense a comemorar este ano as suas bodas de ouro.  
O espectáculo iniciou-se com a apresentação de uma orquestra em que foram intervenientes músicos das várias nacionalidades presentes interpretando músicas regionais dos Açores e terminou, em jeito de despedida, com uma coreografia,  à qual não assisti, mas que depreendo ter sido, à semelhança dos anos anteriores um fim digno do espectáculo precedente .
Foi uma noite de cultura memorável que contou com o entusiasmo de todos os presentes, milhares de pessoas, que naturalmente compreendiam  e sabiam   que o que cada grupo representava era  a sua herança cultural e que com o seu esforço a nível individual e colectivo se dedicam a manter viva essa chama da identidade do seu país e a de passar adiante as suas culturas!
Um ano mais, um aplauso, mais que merecido,  ao COFIT ( Comité Organizador de Festivais Internacionais da Ilha Terceira) pelo excelente trabalho despendido na organização deste maravilhoso evento.


















domingo, 14 de agosto de 2016

Tourada à corda na ilha Terceira

Tourada no porto de São Mateus:
Chegaram ao porto os toiros. Os foguetes subiram no ar em grandes e estrelados estoiros: - Pum!Pum!Pum!---
O povo apareceu e, como que por magia, logo se juntou enorme, colorida e barulhenta multidão. Não era um ruído desagradável, mas sim um ruído característico, peculiar, tradicional, que aos ouvidos dos terceirenses soa a música...
O rapaz dos cestos faz o seu trabalho e alguém chama:
-Eh, rapaz, que tens aí?
-Favas, pipocas, batatas e milho torrado...
-Olha o toiro, foge rapaz!
Lá foi o desgraçado, veloz, lampeiro mas não o suficiente... o chão ficou pejado dos pequenos sacos da sua mercadoria e logo todo se chegaram para ajudar.
Os pastores de camisão branco, com o logótipo da ganaderia para a qual trabalham, calças de cotim, e chapéu de abas, de feltro preto, agarravam a corda e orientavam o toiro, no sentido de este não ir para além do percurso estipulado e marcado na estrada, com largas faixas brancas, homens valentes, que por vezes, também passam os seus sustos...
Os capinhas apareciam sem se saber de onde, e eram aplaudidos pela sua valentia e os rapazes eram agarrados à força, levados pelos amigos para a água. Uma brincadeira que já é tradição e muitos deles já vão preparados e a contar com isso e nadam junto do touro, que entra na água e se espaneja a gostar daquele banho refrescante
No ar havia um cheirinho peculiar às bifanas e aos outros petiscos da tascas, e o céu, a terra e o mar conjugaram-se para que aquela tarde de tourada fosse perfeita.
Não faltou nada, até as mulheres nas tapadas, nos barcos e negros calhaus davam gritos histéricos de aflição quando um capinha, mais afoito, corria certo perigo!
São assim as touradas à corda na ilha Terceira, Açores, onde à roda da ilha, que é mais ou menos redonda se podem apreciar em canadas, portos, areais, largos e ruas , umas mais afamadas do que outras mas todas ocasião de divertimento, convívio e catarse das labutas e canseiras do dia a dia, assim como um grande contributo para a economia da ilha.

sábado, 13 de agosto de 2016

Até ao quentinho dourado do Sol...
Ontem foi o dia do meu 68º aniversário, deveria estar triste porque na sociedade actual sobrevaloriza-se sobremaneira a juventude e a beleza que lhe está subjacente, em detrimento da sabedoria, da experiência, da capacidade de amar, tolerar, desculpar e ajudar ; Contudo, não estou nada triste, pelo contrário, sinto-me contente e realizada. Embora saiba que não posso viver eternamente, isso para mim não é importante, o que quero é viver bem enquanto puder. Não quero nem devo queixar-me da vida porque não sei como será a morte...
Ao olhar para trás vejo que caí muitas vezes, mas que consegui levantar-me outras tantas, que disse sempre o que pensava ser o mais correcto, tentei dar sempre o máximo nos projectos profissionais ou comunitários em que me envolvi, tentando conservar-me fiel ao meu carácter, sempre consciente de que podia estar enganada mas que como qualquer cidadão tinha e tenho o direito de estar enganada .
É por tudo isto que digo que estou feliz, contente comigo própria, e com a minha vida, que vou pintando com as cores que mais me agradam, não esquecendo nunca que nas árvores, mesmo após chuvadas abundantes e fortes rajadas de ventos, há sempre folhas resistentes, que se agarram tenazmente aos ramos para nos darem exemplos de força voluntariosa e de grande tenacidade.
É isso mesmo, força, voluntariedade e tenacidade, nos sessenta, nos setenta, nos oitenta, nos noventa, até que o vento, de mansinho, leve a folha por entre as nuvens de algodão , raios de

 luar, brilhos de estrelas, até ao quentinho e dourado do Sol!

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Em dia de aniversário: Reflexões:

Há um provérbio, creio que brasileiro, que diz o seguinte:
- "O longe só é longe se você não for lá" ...
Hoje pus-me a pensar nesta grande verdade, e no que ela encerra de sabedoria e lembrei-me que quando era criança e jovem adolescente, pensava que os sessenta, setenta, e oitenta anos estavam tão longe, mas mesmo tão longe, que tinha a certeza,  nunca os faria, nunca os teria , seria sempre jovem, saudável, ágil e protegida pelos mais velhos, pois tinha a certeza de que estes tinham nascido assim, e estariam sempre lá, como que fazendo uma barreira que não me deixaria avançar na idade.Contudo hoje, dia em que celebro o meu sexagésimo oitavo aniversário, constato que isso afinal não estava assim tão longe, e que cheguei aqui mais rapidamente do que imaginava ser possível, deixou de ser longe, porque cheguei cá, conforme dizia  o provérbio...Estes anos passaram como uma aragem forte e determinada que não pediu licença a ninguém para passar nem mesmo a mim dona da minha vida! Agora resta ir até mais à frente, mais longe, o que segundo a minha experiência, passará também mais depressa do que aquilo que desejo. A propósito, e como não há nada como o sentido de humor para nos ajudar a aceitar e a ultrapassar certas angústia conto uma anedota engraçada que li algures:
- Uma senhora entrou numa loja e pediu à balconista  um metro de elástico. Aí a empregada, abriu uma gaveta, pegou num minúsculo pedaço de elástico, colocou-o sobre o metro de madeira, esticou-o, esticou-o ao máximo, até ele atingir a medida certa,  e disse à cliente que olhava estupefacta:
- A senhora está com muita sorte, só sobrou mesmo este metro! 
É uma história engraçada da qual me quero lembrar nos anos que tenho pela frente para viver, porque quero esticá-los, esticá-los, esticá-los, com muita força,com muita determinação, com muita alegria, com muita serenidade e assertividade, até que o elástico da minha vida não resista , rebente e me catapulte para além das nuvens, para junto das estrelas onde me lembrarei com carinho e saudade dos problemas, desaires, alegrias e conquistas que vivi ao longo da minha vida, da minha família e dos meus amigos com quem espero contar ainda por vários anos, assim o elástico da vida o permita!