domingo, 2 de setembro de 2018

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Vão-se lá entender os adultos! 

Estes são os meu avós paternos Maria Borges de Meneses 1895-1969 e António Machado de Almeida 1880-1949 que viveram e criaram os seus filhos  em Santa luzia da Praia da Vitória, ilha Terceira. Por hoje ser dia de festa nesta localidade, deu-me para pensar neles, sobretudo na minha avó pois do meu avô  não tenho memórias, por ter falecido, tinha eu um ano.
Ia sempre passar as festas para casa da minha avó, o que para mim era uma alegria, pois era também uma oportunidade de conviver com os meus primos.
Guardo na minha memória muitas histórias desses tempos e hoje lembrei-me especialmente que no dia da procissão, depois do jantar, a minha avó vestia a sua casaca de brocado preto e a sua saia castanha, ajeitava o seu pelo com ganchos de osso e alisava bem o cabelo que prendia com bonitas travessas, punha a sua sombrinha no braço, pegava no missal e no seu terço e lá me levava a reboque para a missa - de - festa e sermão.
Era um martírio para mim, porque a avó era do tempo em que não havia carros e, por isso, tinha tendência para andar no meio da estrada e eu tinha que estar continuamente a puxá-la para a berma da estrada pois os carros dos americanos da base da Lajes, ali ao pé, quase no quintal, ferviam!
Na igreja era só gente de idade e adultos, as roupas cheiravam a naftalina e eu , aos pés da minha avó, sentada no pequeno banquinho de ajoelhar, olhava para o púlpito, para os torneados de madeira com uns anjinhos todos pretos, até as asas, e para o pregador, atónita, sem perceber nada, mas parecendo-me, a certa altura, perceber que ele ameaçava os presentes! Mas porquê se eu até fazia tudo o que me mandavam e rezava à noite as minhas orações?

- Avó, ele está zangado comigo?
-Cala-te rapariga, isto não são assuntos para ti!!!
Vão-se lá entender os adultos...

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Eu bem que desconfiava!

 Eu bem que desconfiava, quando colocava esta manta ou colcha, na minha varanda para a engalanar por ocasião da festa da localidade que ela, embora na minha posse há muito, não tinha nada a ver com o artesanato local...
 Fui adiando esta dúvida até que agora, depois de uma  conversa com uma amiga muito entendida nestas matérias, e de a seu conselho fazer uma pesquisa no Google, concluí que esta linda peça, é uma colcha de feltro, artesanato de Nisa, que é uma vila alentejana situada no distrito de Portalegre em Portugal Continental.
 São os únicos trabalhos de Nisa onde se utiliza a máquina de costura para, após um minucioso trabalho de recorte de folhas, cachos de uvas e outros temas relativos à flora local, em feltro, serem aplicados sobre a peça chave. 
Segundo me apercebi, esta arte tradicional e popular aplica-se em toalhas de camilhas, mantas ou cobertores, barras de saias. panos para mesas, almofadões e outros.
Eu bem que desconfiava, que tinha na minha arca, uma peça muito original e de valor cultural! 

sábado, 25 de agosto de 2018

Com vinagre não se apanham moscas!




 Sempre que, nas andanças pela minha casa, os meus olhos dão com  esta lindíssima peça que, à primeira vista parece um licoreira, penso no ditado antigo:
- Com vinagre não se apanham moscas, porque afinal este utensílio em forma de garrafa de vidro transparente, muito fino, bojudo, com ressalto no fim do gargalo alongado e que apresenta uma reentrância, no fundo, para o interior, aberta na parte central, possuindo três pequenos pés em vidro e uma rolha também de vidro, muito elegante, é um mosqueiro dos princípios do séc. XX no qual se introduzia uma substância  doce que atraía as moscas que lá ficavam presas. Penso que a rosca no gargalo servia para se pendurar com um barbante no tecto e lá ficava, o dito cujo, à espera das moscas... 
Pois é, ao olhá-lo, dou comigo a dizer para mim própria:
Clara, deixa-te de azedumes, pois a vida é como um mosqueiro, não se compadece com azedumes que só atraem dissabores, inimizades e mal-estar afinal até as moscas são atraídas pela doçura, embora isso seja nefasto para elas!

























domingo, 19 de agosto de 2018

INCRÉIA - Uma palavra nova!

 Estou deveras incréia!
Toda a gente sabe, que fiz setenta anos no passado Domingo, não fiz segredo disso e encarreguei-me de o divulgar aos quatro ventos, que é como quem diz no meu blog e no facebook. Sendo uma data especial, um número redondo, como se costuma dizer, aproveitei para juntar vários familiares aqui de passagem, numa pequena festa. Encomendei o bolo da praxe, com o número bem presente, não fosse alguém duvidar, e toca a festejar!
Acontece, que me ofereceram um livro de uma escritora que muito aprecio: Helena Sacadura Cabral, que me apressei a ler! Logo na primeira parte encontro um termo que nunca usei nem me apercebi de alguém o ter pronunciado, até aqui, a palavra " INCRÉU" como sinónimo de incrédulo, herético ou herege. É caso para dizer que  - Até velho se aprende! ~
Apresso-me a  usar a palavra no feminino, e a dizer que me sinto "INCRÉIA" isto é incrédula com o facto  de muitas pessoas terem gasto o seu precioso tempo para me felicitarem, quer por esta via quer telefonando ou pessoalmente expressando o seu carinho com palavras doces que me fizeram muito feliz!
A todos os meus sinceros agradecimentos...
 Estou deveras incréia, nunca pensei ser merecedora de tanta amizade! 

sábado, 11 de agosto de 2018

                                                      No meu septuagésimo aniversário

Eu vos dou graças Senhor
Pelos meus setenta anos
Sinto-me muito feliz e grata,
Por tudo o recebido
Por uma vida completa...
Pelos meus setenta anos
Agradeço e dou vivas,
Pelo carinho amor e saúde
Nos meses semanas e dias...
Pelos meus setenta anos
Humildemente louvo o Senhor,
Pelas dores tristezas e mágoas
Ingratidões e faltas de calor...
Pelos meus setenta anos
Prometo, firmemente, Senhor,
Ser forte e corajosa
E fazer da vida louvor...
Pelos meus setenta anos
Prometo ainda Senhor,
Colorir e alegrar os meus dias
E dos que estão ao meu redor...
Pelos anos que me restam
Muitos ou poucos? Não sei!
Lutarei com todas as forças,
Farei da bondade lei
E pela vida darei graças

12/08/2018
Clara Faria da Rosa 






sexta-feira, 22 de junho de 2018

São João, santo festeiro:
Esta é a imagem de São João que todos os anos regressa à esquina da rua da Sé com a rua com o nome do Santo, isto em Angra do Heroísmo, Terceira Açores. É o Patrono das festas que estão a decorrer com um vasto programa as quais, por tradição, festejam o solstício de Verão, que tem lugar a 21 de Junho e é celebrado até ao fim do mês, é o momento em que, segundo os estudiosos, o Sol perde o controlo e atinge o máximo da sua força. Nessa noite a ordem das coisas é alterada e tudo pode acontecer...
São João, segundo São Lucas, foi o precursor de Cristo, tendo sido a voz que clamava no deserto, anunciando a vinda do Messias. Filho de Zacarias e Isabel, só mais tarde, depois de ter baptizado Jesus é que recebeu o cognome de "O Baptista". No calendário religioso está-lhe reservado o dia 24 de Junho por ter sido o dia do seu nascimento. Tem o titulo de santo festeiro por isso há muita festa no seu dia em especial muita dança, daí as marchas com o seu nome. Este ano em Angra do Heroísmo, atendendo ao elevado número de marchas, desfilam nas noites de 23 e 24, para que se torne menos moroso, menos cansativo e sejam melhor apreciadas..
Em Lisboa compram-se manjericos, cravos, alhos-porros e martelinhos para bater nas cabeças de quem se encontra, naturalmente, para os manter bem acordados para a folia. Comem-se sardinhas assadas, saltam-se fogueiras, enchem-se e largam-se balões, fazem-se concursos de janelas alusivas ao São João, e marchas populares em vários locais do país quero contudo, destacar aqui o que se passará em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, a minha cidade nas próximas noites que serão repletas de magia, cor alegria, criatividade, pedagogia, arte e são convívio que dificilmente se pode explicar por palavras, só vendo, vivendo, sentindo, presenciando se pode ficar com a ideia do que se passará que impregnará a alma da multidão presente da alegria atribuída a este santo.
Vem até cá, estás convidado/a, se este ano não tiveste essa possibilidade, programa a tua vida para que possas juntar-te ao povo terceirense no próximo ano!!!

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Baile de roda:
As Sanjoaninas da Terceira
Ai, são um baile de roda,
Em que todos em fileira
Ai, dançam a mesma moda.
Nas Sanjoaninas da Terceira
Ai, tudo de mão dada dança,
E Angra é um palco de primeira
Ai, onde impera a esperança.
As sanjoaninas da Terceira
Ai, são música, canto e alegria,
E é assim desta maneira
Ai, que se vive a fantasia.
Ai, eu quero ouvir as vozes da Terceira,
Ai, eu quero ouvir os sons da Terceira,
Ai, eu quero viver na Terceira,
Ai, eu quero morrer na Terceira,
Ai, eu Tenho Esperança
De que a fantasia,
Ai, não acabará na Terceira!
De que a fantasia,
Ai, viverá nas Sanjoaninas!
Clara Faria da Rosa

domingo, 3 de junho de 2018

Bicas de Cabo Verde - 2018

Em véspera da coroação: 

A Ana Soares retoca os arranjos do altar,  alinda-se a capela, coloca-se uma alva toalha no altar, mãos amigas do Divino Espírito Santo enfeitam as janelas da capela num gesto simbólico de fé e amor e reza-se no império o último terço. Amanhã, Domingo, será o dia maior desta pequena localidade que teima em manter vivas as suas tradições e o cortejo sairá pelas 11h. e 30m..Após a missa haverá coroação e distribuição de bodo a todos os presentes. 
 É caso para dizer cada terra com seu uso cada crente com sua fé!
















  

sábado, 2 de junho de 2018

Festas das Bicas 2018

Em Bicas de Cabo Verde, freguesia de São Pedro na ilha Terceira, Açores, tem-se rezado, no império, todos os dias o terço ao Divino Espírito Santo, agradecendo as graças concedidas e pedindo pelos irmãos deste império já falecidos, pelos que andam por cá  e para que o Divino desça sobre a cabeça e o coração das pessoas da localidade e se forme comissão de festas para o próximo ano e não se acabe a tradição. Ontem, finalmente, parece que se vislumbrou fumo branco e já está uma nova comissão mais ou menos delineada. Depois do terço tem-se convivido um pouco, com os que aparecem, pena que sejam poucos, mas o lugar é pequeno em tamanho e população. 
Ontem depois do terço houve lugar para uma sessão de fotografias para a posteridade.




















sexta-feira, 1 de junho de 2018

No dia Mundial da Criança / Gostava de continuar criança

Neste dia Mundial da criança dei por mim a pensar, em como foram bons os meus tempos de criança. E os teus, ainda te lembras?
O tempo em que eu era fresquinha como água da torneira, naquele tempo era água do poço, mas não interessava, nada me preocupava, não tinha responsabilidades familiares nem financeiras e tudo se desenrolava na minha ainda curta vida de uma  forma espontânea, simples e maravilhosa.
Naquele tempo, eu não me apercebia da riqueza que tinha no amor e carinho dos meus pais. Agora compreendo porque ria com gosto, por tudo e por nada, simplesmente porque estava alegre e feliz.
Quando eu era criança, sonhava com mundos coloridos e diferentes, fantasiava e imaginava o meu futuro, é por isso, calculo, que ainda sou uma pessoa criativa e fantasiosa.
Em criança eu era espontânea, impulsiva, aventureira e curiosa sem me preocupar com as reacções dos outros e nunca ofendi ninguém com isso!
Em criança eu não planificava a minha vida, nem tinha objectivos pré determinados, queria simplesmente brincar e ser criança, aceitando naturalmente, o que surgia na minha vida, confiando que o mundo me iria tratar bem e que os meus pais velariam por mim e me livrariam de todos os perigos.

Claro que não desgosto de ser adulta e da segurança que isso me oferece, porque penso que na vida todas as etapas devem ser vividas com entusiasmo e seriedade mas sempre com um pouquinho de loucura e fantasia para que nos sintamos bem com a vida e connosco.
É uma infância semelhante à que vivi que desejo, neste dia a todas as crianças do Mundo, com muito amor, confiança, espontaneidade, aventura, respeito, sonho e brincadeira.
E nós adultos, continuemos a sonhar como em criança e a tentar que todas as crianças vivam felizes e sejam tratadas com a dignidade e segurança que um ser humano merece e que todas tenham a possibilidade de absorver educação e exemplos que as façam crescer e realizar-se em plenitude para bem do seu futuro e do Mundo...
Um beijinho para todas as crianças!!!

quinta-feira, 31 de maio de 2018

 Eu Queria  Ter Um Irmão...

Um irmão não se escolhe,

Um irmão alegremente se acolhe,
Um irmão se abandona
Quando nova vida se abraça
quando novo mundo se alcança...  
Mas, mesmo assim...
Porque os olhos o mesmo viram, 
Porque os ouvidos o mesmo ouviram, 
Porque no mesmo berço se embalaram,
Porque do mesmo ventre saíram,
Quando os olhos se encontram...
Tristezas e mágoas se abandonam,
E a boca em flor se transforma
Quando meigamente se informa:
-É o meu irmão!
E é por saber tudo isto
Que desolada, não resisto
A dizer do fundo do coração,
Que dor por não ter um irmão,
Que dor por neste dia
Não ter para  te mostrar 
Do meu irmão, uma fotografia,
Da qual pudesse falar,
E ternamente, pudesse anunciar:
-É o meu irmão!

Clara Faria da Rosa
31 de Maio 
Dia do Irmão

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Foto de Clara Rosa.
À vizinha e vizinhança
Já o meu falecido pai dizia que vizinhos, às vezes, são mais do que família, por isso mesmo, porque são vizinhos, isto é, estão próximos de nós, estão ali à mão, quando precisamos, habitam na vizinhança e vê-mo-los muitas vezes, com facilidade, basta querermos!
É por tudo isso, e por hoje ser dia dos vizinhos, que te falo da Isolina Fialho, aqui à janela, toda vaidosa a mostrar um lindo trabalho que fez , foi minha colega na escola primária e agora é minha vizinha, 
basta chegar à varanda e vejo-a nas suas tarefas domésticas ou sentada à janela a fazer os seus trabalhos manuais tarefa em que é exímia. Quando preciso, basta chamá-la e ela aparece logo e ajuda com prontidão, como é muito habilidosa tem-me incentivado e ensinado na execução de alguns trabalhos.
Tenho outros vizinhos e vizinhas de quem gosto muito e respeito, porque também me tratam bem e com muito carinho, não só no dia do vizinho mas ao longo de todo o ano.
A toda a vizinhança mais ou menos próxima um caloroso bem haja e que sejam felizes, pois acredito que a felicidade dos que nos são próximos reflecte-se na nossa própria felicidade