quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Outono...

Ouves?
A folha caiu
Grávida de luz e de sol,
Com saudade lá partiu
Dourando o chão com lençol.
Ouves?
O vento apressado sopra,
Querendo ser o primeiro,
Diligente mensageiro,
Dos bons tempos de outrora.
Sentes?
O frio já arrepia,
Anunciando noites longas
De aconchego e alegria,
Encantadoras,
Mágicas, 
Calmas!

Clara Faria da Rosa


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

No Dia Internacional da Paz

A Paz é luz que aquece,
Ilumina, e engrandece...
A Paz é luz que nos guia,
Na caminhada dia-a dia.

A Paz faz-se na estrada,
Faz-se do tudo e do nada...
A Paz faz-se à  volta da mesa,
Na rua, na escola e em casa.

A  Paz faz-se na esperança,
No perdão, na tolerância,
E também na temperança.

A Paz não é arrogância,
É flor, é simples criança,
E amor em abundância!

Clara Faria da Rosa
21/09/2016
(Dia Internacional da Paz)

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Esquerdinos e destros e a tesoura da minha mãe




Calcula-se que 10 a 12% da população mundial seja esquerdina, os ditos em linguagem corrente, canhotos, ou seja os que têm mais habilidade na mão esquerda e nos membros do lado esquerdo e sofrem para se encaixar num mundo maioritariamente de destros, isto é dos que utilizam preferencialmente a mão direita.
Embora este seja um assunto que tem exigido aos especialistas muitos e aprofundados estudos, o que se refere logo à partida, é que se trata de uma predisposição genética que ao longo dos tempos causou muito sofrimento aos que a tinham, chegando-se ao ponto de punir as crianças por usarem a mão esquerda . Sabe-se que os esquerdinos têm mais tendência para a genialidade, bastando para o confirmar citar alguns esquerdinos famosos como:
-Einstein (Cientista)
-Angelina Jolie (Actriz)
-Napoleão Bonaparte (Imperador de França)
-I Newton (Cientista)
-Bill Gates ( fundador da Microsoft)  e muitos mais...
Tem cabimento citar aqui os ambidextros , aqueles que têm capacidade de utilizar igualmente as duas mãos de forma normal e com a mesma habilidade, embora eu pense que essa característica tenha a ver com questões de educação e ou foram forçadas a contrariar a sua tendência natural tornando-se versáteis em ambas as mãos.
A minha mãe era esquerdina numa época em que isso era considerado um defeito grande e grave e não havia as respostas  e os utensílios criados a pensar nessa diferença, sendo costureira de profissão, toda a vida cortou tecido com a mão esquerda, com uma tesoura fabricada para os destros, mas ela nunca desistiu, insistiu e acomodou-se de tal forma que ganhou uma calosidade no polegar esquerdo, que a acompanhou até à morte.
Guardo essa tesoura religiosamente sentindo que  merecia estar num cofre ou numa vitrine pelo que representa para mim pois foi, em parte, graças a ela que  tive possibilidade de me deslocar para a cidade e frequentar o ensino secundário e o magistério primário e também ganhar a faculdade e a capacidade de comunicar contigo de forma simples, acessível e compreensiva!
Foi  por isso que a emoldurei, e coloquei num local estratégico, para me lembrar que, quando queremos muito uma coisa, não há obstáculos que nos consigam derrubar!


sábado, 3 de setembro de 2016





Chapéus há muitos...
A propósito do meu trabalho anterior, em que falo do chapéu de Ana Zamperini, lembrei-me de uma frase, imortalizada pelo actor Vasco Santana no filme "A Canção de Lisboa", uma película a preto e branco com a duração de 1h e 58m, filme filmado em 1933 tendo sido a 1ª produção sonora integralmente realizada com meios técnicos portugueses.
Numa cena filmada no jardim Zoológico de Lisboa, Vasco Santana proferiu a célebre frase: "Chapéus há muitos, seu palerma!".
Pois é verdade, chapéus há muitos, de vários modelos, de diferentes materiais e para várias finalidades, para proteger do frio ou do calor, para decoração ou para embelezar e complementar uma toalete ou toilette ( Forma também aceite , que vem do francês, não confundir com o s. m. - o toalete( banheiro). Estes, os ditos chapéus, podem ser usados de várias maneiras com mais ou menos galantaria, enterrados na cabeça, para a frente, para trás ou sobre a orelha direita, à semelhança do que fazia Ana Zamperini, contudo o que se vem verificando é que desgraçadamente, cabeças há poucas, como diz o ditado, especialmente em pessoas que ocupam cargos de responsabilidade que mexem com o futuro de muita gente, e a minha já foi melhor do que agora, para mal dos meus pecados...Não sei porquê, a propósito de cabeças, dou por mim a pensar nas muitas cabeças que integram as várias listas, dos vários partidos às eleições regionais, umas novas, outras nem tanto, que se propõem apostar na qualificação, requalificação e desenvolvimento das várias ilhas dos Açores, só não percebo porque isso já não foi feito. pois tiveram todos oportunidades para o fazerem , terá sido falta de chapéus, de cabeças ou de vontade?

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Nas bodas de ouro da Cecília e João Couto


Caros amigos, hoje é um dia especial para vós, dia de celebrar a alegria, o amor e a amizade, conforme diziam no cartão que nos convidava a juntar-mo-nos  a vós nos cinquenta anos da vossa vida em comum,
Às vezes descuidamos as nossas amizades,  e poucas pessoas conservam as amizades antigas, contudo ao sermos colegas de trabalho permitiu-me ganhar a  tua amizade Cecília que muito prezo, muito significou para mim e que quero conservar...
Lembro-me muito do que dizias sobre a felicidade:
- Construir a felicidade dá muito trabalho!!!
Pois vocês conseguiram, construíram uma família linda, viveram ao longo destes cinquenta anos de forma exemplar e digna, ultrapassaram corajosamente e de forma airosa desaires e momentos menos bons e aí estão para nos mostrar que querendo podemos vencer! 
Parabéns e que venham muitos mais anos para mostrarem a todos que a felicidade dá trabalho mas é muito gratificante...

terça-feira, 30 de agosto de 2016


Quando a linha da vida se parte:
É, desde sempre, que me lembro desta caixa, no canto do estrado, na minha casa das Lajes; Era o trabalho leve da minha mãe!
Ao
s Domingos íamos à missa, almoçávamos, a minha mãe levantava a mesa e lavava a louça e, como não se trabalhava ao Domingo, ela sentava-se a fazer um trabalhinho leve, o seu crochet... a minha mãe sempre foi uma mulher determinada que se deu à vida e ao trabalho, não era ociosa nem sequer tinha passatempos, estou em crer que ela nem conhecia esta palavra: Passatempo...
E sempre foi assim, até ao fim, de tal modo que quando faleceu, andava a fazer uma renda para um lençol.
Partimos, mas as coisas ficam, e lá ficou a caixa, abandonada no canto do estrado, como se também tivesse perdido a vida .
Ao abri-la, deparei-me com o trabalho inacabado e pensei como a vida é repleta de imprevistos e como nós nunca consideramos que a meta foi atingida, é muito difícil considerar que a nossa actividade terminou, só se por infortúnio do destino, isso acontecer inesperadamente, como foi o caso.
Num rasgo de saudade e de impotência, perante a dura realidade, emoldurei, como recordação, o trabalho inacabado assim como a farpa com que a minha mãe fazia o seu crochet.
Já lá vão muitos anos, contudo ao olhar para estes objectos lembram-me sempre, naturalmente, a minha mãe e, como é efémera a linha que nos agarra à vida, a qual pode ser quebrada a qualquer momento.
É por isso, para que tenhamos esta realidade sempre presente, que conto esta história de uma mulher que "crochetou" a vida com muita garra e determinação, até que a linha se quebrou!

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Conversa de comadres:







Falares de outrora (Expressões usadas na freguesia da Ribeirinha, ilha Terceira Açores):
Na sequência do que ontem te dei conta acerca do trabalho realizado na escola da Ladeira Grande, os alunos fizeram uma recolha de algumas expressões, as quais empreguei, então, neste texto, tentando imitar e acertar com a realidade não sendo contudo tarefa fácil com o tempo e os meios disponíveis.
Devo dizer que não sendo um trabalho profundo,exaustivo, que necessitava de mais pesquisas, nos divertimos muito, enquanto um aluno ia ao quadro e os colegas davam palpites:
Conversa de Comadres:
-T'esconjuro! Cum Nossa Senhora!
Aqueles professores pintam a manta c'os rapazes!
É de pegar de cabeça! Fui lá só pa dá fé.E poderio de gente que tava lá?!!
-P'ra quê mulhé?...
-Pa vê a exposição, tanto linda!...
Ó mulhé, diabos te carregue, vai lá só pa dá gaitadaria de mei-moi...
Tava lá tudo de ponto em branco, inté parecia que tava in casa da minha avó, que Deus tenha; Ê sei lá, ele era alguidares,peniques de barro, roipa de tear!...
-No meu tempo na isquiola era só levá lenha; agora? Têm biche fervedoiro e a canalha atanto os professores que não sabe o que hão-de fazer...
-Ó mulhé, antes assim que nanja!
Basta que sim,muito me contaste, vou até lá.
- Adês aquela.
Escola de Ladeira Grande Junho de 1992








Conversa de comadres:






Falares de outrora (Expressões usadas na freguesia da Ribeirinha, ilha Terceira Açores):
Na sequência do que ontem te dei conta acerca do trabalho realizado na escola da Ladeira Grande, os alunos fizeram uma recolha de algumas expressões, as quais empreguei, então, neste texto, tentando imitar e acertar com a realidade não sendo contudo tarefa fácil com o tempo e os meios disponíveis.
Devo dizer que não sendo um trabalho profundo, que necessitava de mais pesquisas, nos divertimos muito, enquanto eu ia escrevendo do quadro e os alunos dando palpites:
Conversa de Comadres:
-T'esconjuro! Cum Nossa Senhora!
Aqueles professores pintam a manta c'os rapazes!
É de pegar de cabeça! Fui lá só pa dá fé.E poderio de gente que tava lá?!!
-P'ra quê mulhé?...
-Pa vê a exposição, tanto linda!...
Ó mulhé, diabos te carregue, vai lá só pa dá gaitadaria de mei-moi...
Tava lá tudo de ponto em branco, inté parecia que tava in casa da minha avó, que Deus tenha; Ê sei lá, ele era alguidares,peniques de barro, roipa de tear!...
-No meu tempo na isquiola era só levá lenha; agora? Têm biche fervedoiro e a canalha atanto os professores que não sabe o que hão-de fazer...
-Ó mulhé, antes assim que nanja!
Basta que sim,muito me contaste, vou até lá.
- Adês aquela.
Escola de Ladeira Grande Junho de 1992






domingo, 28 de agosto de 2016

Nas Festas da Ladeira Grande

A Ladeira Grande, Localidade que faz parte da freguesia da Ribeirinha na ilha Terceira, Açores, está em festa, hoje, depois de missa solene, sairá a procissão pelas ruas da localidade e São João Baptista Machado, orago da localidade, abençoará a todos do alto do seu andor, muito bem ornamentado.
Ao ver o programa das festas, lembrei-me dos tempos em que trabalhei na escola daquela localidade, das suas gentes, que tão bem me aceitaram e acarinharam e das crianças, meus alunos de então, que hoje serão homens e mulheres, muitos deles pais com responsabilidades na sociedade em que se inserem, assim o espero!
Foi então que me veio à memória o trabalho realizado ao longo do ano lectivo de 1992/93 dando cumprimento ao projecto pedagógico com o título O NOSSO MEIO/ ETNOGRAFIA : Estudo da localidade nos seguintes aspectos:
Habitação, alimentação, vestuário, festas religiosas e profanas, costumes, modos de falar... E pronto , lá se dividiram os tempos e calendarizaram os temas que se foram tratando nas diversas áreas e conforme a camada etária o permitia, o que culminou em trabalhos de pesquisa muito interessantes, trabalhos escritos que ainda conservo, trabalhos de expressão plástica e, aberta à população, numa exposição de peças antigas que contou com a colaboração dos familiares e da restante população, demonstrativas de vivências passadas nas várias vertentes.
É deste facto que quero dar conta e lembrar através deste pequeno vídeo, nestas festas da Ladeira Grande, pedindo a todos que nunca esqueçam o seu passado e a sua história, pois sem eles nunca seriam  o que são hoje nem o que serão no futuro.
 Boas festas e divirtam-se!
video

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

No dia Mundial do Cão


Assinala-se hoje o dia Mundial do cão, o qual se destina a sensibilizar as pessoas, de um modo geral, para o reconhecimento de que há muitos animais que precisam de ser ajudados, adoptados, tratados , resgatados...
É por isso que te apresento a Isis, uma cadela ainda muito nova, maluca, mimosa e às vezes endiabrada, com cerca de seis meses, do meu filho, que ao partir a deixou connosco. O facto de termos ficado com ela não foi consensual da minha parte, porque eu previa que não viriam grandes coisas desta convivência forçada. Não há tapete, sapato ou chinelo que se possa deixar despreocupadamente à porta, porque o seu fim está à vista, depois a roupa no estendal parece que a põe nervosa, e se não formos por ela, era uma vez roupa branca, e a preocupação das vacinas, da esterilização, da comida, da água, e de quem a tratará se tivermos de fazer uma ausência mais prolongada, esta arte de viver em comum com esta cadela ainda tem que ser bastante aprimorada, concluo...
Mas, e há sempre um mas em qualquer história, acontece que quando ela olha para nós, quando a sua pelagem acastanhada e luzidia reflecte a luz do sol, quando abana a sua cauda de contentamento por estar junto de nós, ou nos tenta lamber as mãos num impulso que nos parece de carinho e gratidão, quando de manhã abrimos a porta e ela está bem "estatelada"  sobre o tapete que entretanto já roeu, parece que uns pequenos sinos repicam alegremente e os sons se espalham ao nosso redor e nós esquecemos que ela não foi muito desejada, as maldades que faz, as vezes que tem fugido e nos obriga a andar à sua procura, o dinheiro que temos gasto com ela e pensamos que valeu bem o preço e as arrelias. 
Normalmente, quando saímos, ela fica sempre junto ao portão à nossa espera, no outro dia estivemos fora desde as nove horas da manhã ate às dez horas da noite, e ela esteve sempre lá, muito enroscada, segundo nos disseram, e sem comer nem beber água, haverá algum amigo capaz de semelhante proeza?
Está-me a parecer que esta cadela endiabrada,  vai ser um remédio, um tranquilizante, uma panaceia, sem efeitos colaterais, para a nossa vida futura...

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Visita ao museu da presidência da República, em Belém

 No dia 17, Domingo, do  passado mês de Julho fui visitar este museu, inaugurado há precisamente 12 anos o qual é um grande veículo de divulgação da instituição presidencial portuguesa.
Lá podemos ver um património histórico  de milhares de peças  que testemunham a vida e a actividade política e pública dos dezoito presidentes da república portuguesa desde 1910 até hoje:
Objectos pessoais, condecorações, bustos e retratos oficiais, presentes de estado e documentação.
Este museu quanto a mim, tem uma forte componente pedagógica especialmente nesta exposição permanente em que nos é dado contactar com as diferentes fases da República portuguesa em especial o seu papel, evolução assim como a vida e acção política dos seus intervenientes.
E depois deste banho de cultura, nada melhor do que entrar numa das mais tradicionais pastelarias de Belém para  comprar os afamados Pasteis!










terça-feira, 23 de agosto de 2016

Como todos os que me conhecem bem sabem, adoro chapéus, de Inverno de Verão de palha ou de feltro, não interessa é um chapéu...Aqui é que entra a história de que te quero falar:
Num dia invernoso saí de chapéu, um lindo e airoso chapéu de feltro de um verde garrafa muito escuro e fui visitar uns amigos que ao chegar me disseram:
-Estás muito bonita, com o teu chapéu à zamparina!
Fique admirada sem saber se o comentário era elogioso ou depreciativo. Então, decidi investigar o significado e a origem da expressão, pois hão-de chamar-me nomes mas eu ao menos hei-de saber o que querem dizer! Sou assim, curiosa...
À zamparina quer então dizer:
De forma atabalhoada, coisa mal feita, mal amanhada, mas também correspondia, em tempos idos, e em linguagem de moda à forma como se usava o chapéu ligeiramente inclinado para a frente, cobrindo um pouco a orelha direita, uma forma inusitada de usar o chapéu nos séculos XVIII e XIX.
E a responsável de tudo isto, quer dizer, desta expressão, é a senhora cuja gravura mostro que foi uma muito famosa cantora de ópera que veio de Veneza para Portugal em 1772, no tempo do Marquês de Pombal Chamada ANNA ZAMPERINI, uma figura muito controversa que ficou famosa pelos seus dotes artísticos, teatrais e musicais, pela sua irreverência, inusitada à época, e pelo seu poder de sedução que incluía o uso do chapéu inclinado. Parece que Anna Zamperini se enamorou do filho do Marquês de Pombal o qual desagradado com este romance a mandou atabalhoadamente de volta para a Itália e interrompeu a contratação de mulheres estrangeiras, para dançar e ou cantar nos palcos portugueses.
Assim, e concluindo, passou a chamar-se a forma como se usa o chapéu mas também uma coisa feita de forma atabalhoada isto é a forma como foi feita a expulsão da cantora Anna Zamperini de Portugal.
E cá estou eu numa tarde soalheira, mas fria, do final de Janeiro, passeando pela baixa de Lisboa com o meu chapéu à zamparina , que agora já sabemos que é à "Zamperini" 
Enquanto passeava ia pensando, também, se Anna Zamperini teria passeado com o seu amado, o filho do marquês de Pombal, por aquelas ruas, o que terá sido pouco provável, devido ao caos que se vivia na altura com a reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755