
Logo após ter aqui escrito sobre alguma permissividade que constatei ao longo da passagem da procissão da Senhora do Carmo, no passado dia 16, leio o suplemento de D.I.n.º391, Vento Norte uma crónica de Mário Machado Fraião com o título em epígrafe.
O cronista refere-se ao livro de Eça de Queirós Alves & C.ª, publicado postumamente por seu filho José Maria. Nesta novela Eça pondo em prática "o seu apurado realismo e singular observação sociológica" conta a história de Godofredo da Conceição Alves abastado comerciante lisboeta que em dia de aniversário de casamento, regressa a casa mais cedo para fazer uma surpresa à sua Lulu e encontra-a nos braços do seu sócio maioritário. Expulsando a mulher de casa Godofredo procura os amigos para que os mesmos lhe marquem um duelo que lhe limpe a honra.
No entanto estes, fizeram-no ver que afinal o caso não era assim tão grave e que ele devia acalmar pois um duelo seria a prova pública, do que realmente se passara e prejudicaria a sociedade comercial.
Aceitando o facto, o desgraçado chegou mesmo a procurar a mulher reconciliando-se, reconciliação que teve direito a namoro e segunda lua-de-mel.
Enfim, Eça que observou os hábitos do século XIX (1845/1900), já se tinha dado conta de que muitas vezes os brandos costumes caracterizam a sociedade e as pessoas acomodam-se ao jeito do mais fácil...
ALVES&C.ª DE Eça de Queirós edições ATENA , uma novela aliciante para férias.