quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Tipicidade e simbolismo

Conhecem algo mais típico, mais simbólico mais característico na Vila das Lajes ilha Terceira Açores do que um panelão de ferro ao lume a cozer milho para o dia de Pão-por-Deus, abóboras  ao sol em cima do cu do forno, ou no chiqueiro do porco feito de cantarias e a antiga pia de lavar roupa, escavada numa só pedra, vinda das Bugias das Lajes, hoje transformada em linda floreira!?
Foi esta tipicidade toda, esta simplicidade dos que souberam aprender com o passado este pôr em prática costumes ancestrais bem enraizados  na nossa cultura que presenciei em véspera de Dia-de- Todos-os-Santos:
Os meus primos  à volta do panelão, imaginem, revezavam-se para  deitar lenha, e mexer o milho, que vai ser repartido por várias famílias, levaram um dia inteiro,  e à mistura iam conversando, descansando, recebendo visitas, como eu, que iam dando palpites. Foi uma festa, foi tempo bem passado, tempo de qualidade,  e de entusiasmo, acredito, que me fez pensar que o entusiasmo é que liga o interruptor da vida...





  

Escaldadas



Aqui estão as escaldadas que se costumam fazer por cá pelo Pão-Por-Deus, em tempos idos, de fabrico caseiro,actualmente, são cada vez mais produto de fabrico industrial. Gosto muito, mas sou mais especialista no comer do que no fazer, contudo, sei que são uns bolos que levam farinha de trigo e de milho em proporções que desconheço, ovos, leite, manteiga, açúcar e erva doce, o que lhes dá um sabor muito especial. O nome de escaldadas vem do facto de esta mistura ser escaldada com água a ferver com a erva doce, há quem lhes junte também algumas sementes desta planta.
Erva doce ou funcho, é uma planta cuja semente é utilizada com fins medicinais no combate à má digestão, aos gases, dores de barriga, inchaços, resfriados e também na confecção de confeitos e no fabrico de licores.

sábado, 28 de outubro de 2017


Sou a Clara, mulher madura,
Ai, vivo alegre e contente,
Tentando espalhar ternura
E sorrisos a toda a gente...

Sou a Clara,  afugento a tristeza
Ai,  ao que tenho dou valor,
Tento apreciar a beleza
A bondade, a amizade e o amor...

Sou a Clara, a saúde valorizo
Ai, o maior bem que posso ter,
Peço sempre a Deus  meu juízo
Para o fim da caminhada  viver...

Sou a Clara, quando a saúde faltar
Ai, alegria  e sorrisos perderei
Mudarei completamente o meu pensar
Mas, com teu carinho, sempre contarei...

Clara Faria da Rosa
28/10/2017

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Os meus óculos novos:

Encomendei uns óculos novos
Não para ficar mais bonita
Não para ficar toda catita,
Encomendei uns óculos novos
Para pintar o meu país,
E vê-lo assim mais feliz!
Agora com meus óculos novos
Tudo é verde e colorido
Tudo é fresco e bem bonito...
Adoro estes óculos novos
Que escondem a tragédia
A miséria e a desgraça
A maldade e a vingança... 
Quando ponho meus óculos novos
Não vejo fumo nem fogo,
Nem bombeiros em sufoco,
Nem mortos, nem desalojados, 
Nem rostos desalentados...
Ai estes meus óculos novos
Que me permitem sonhar,
Que me permitem pensar,
Que o meu país não sofreu,
Que o meu país não ardeu!!!

Clara Faria da Rosa
17/10/2017


Dia Mundial da luta Contra a Pobreza:
Diz-se que há fome no Mundo,
Diz-se que no Mundo há pobreza,
E que há homens imundos
Sem carácter, sem nobreza...
A corrupção e falsidade,
A fraude e opressão,
A ganância e a maldade
Fazem com que falte o pão.
Falta o pão ao mendigo,
A escola à criança,
A casa ao sem abrigo
E falta também a poupança!
Há os que sabem poupar,
Outros que enchem a pança,
Outros é um tal estragar...
E a maioria sem esperança!
Os homens têm o dever
De a vida gerir com regra
P'ra com dignidade se viver
Sem pobreza, fome ou guerra...
Este dia lembra a fome e a pobreza
E o dever que temos todos
De com vontade e firmeza
Sermos conscientes, modestos e parcos!
Clara Faria da Rosa

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Heróis de Portugal ( de ontem e de hoje )

Portugal está de luto, todos estamos de luto e, de tal forma  tristes e desanimados,  que nem sabemos bem o que dizer perante esta catástrofe que  assolou, mais uma vez, o nosso país, varrendo e destruído tudo à sua frente. O inimigo chegou e  sem pedir licença, causou mortes e tragédias difíceis de esquecer e de ultrapassar. 
Perante esta triste evidência,lembrei-me que em tempo não muito distante, visitei o Museu dos Coches em Belém, onde está patente um interessante espólio usado pelos bombeiros em tempos idos. Ao deparar-me com tais alfaias não pude deixar de pensar que ou não havia fogos à altura,ou não havia florestas, ou ardia tudo, ou então os bombeiros nossos avós, eram ainda mais corajosos, mais abnegados, mais heróis do que os actuais soldados da paz, coisa que considero impossível, face ao trabalho que têm vindo a desenvolver perante o qual, na minha insignificância, me curvo e lanço um grito aos ventos, na esperança de que o mesmo chegue até eles:
- Bravo, bravo, bem hajam e obrigada pelo que têm feito pelos outros, e pelo nosso país em geral !!!
Abaixo, um pequeno apontamento, do espólio, patente ao público,no Museu dos Coches em Belém.








No dia mundial do pão

Pela televisão, fiquei sabendo que se comemora hoje dia 16, o Dia Mundial do Pão; Curiosamente, nem sabia da existência desta efeméride, mas afinal , nada é  mais justo, pois o pão é a base da alimentação de muita gente e, tanto é verdade e tão grande a sua importância, que quando rezamos a oração do pai nosso pedimos  a  Deus: " o pão nosso de cada dia nos dai hoje"
Por coincidência,comprei hoje , um  pão de milho, a chamada broa, ainda quentinho, e que prevejo delicioso!

Naturalmente, não encontraria maneira melhor de celebrar este dia,  dedicado ao pão, do que  a saborear uma boa fatia do mesmo, com chicharros fritos, pensava eu, enquanto  em simultâneo ouvia algumas crianças que ao serem questionadas, por um programa de televisão, sobre a origem do pão dizerem que o mesmo vinha do Pingo Doce, do padeiro, da pastelaria etc. Claro que falavam das suas vivências, do que vêem, do que é a vida actual...
Então, divagando, o meu pensamento leva-me à minha infância, vejo o meu pai a semear o trigo e o milho,vejo estes cereais crescerem, o dia de ceifar o trigo e as desfolhadas que se faziam no nosso quintal, ouço o chiar do carro de bois carregadinho de molhos de trigo a caminho da debulhadora,  e vejo  sacos de trigo, como os da foto, empilhados a um canto, donde a minha mãe ia tirando o suficiente, que media nas "rasoiras " cuja foto mostro, para o moleiro levar e transformar em farinha, ficando o sobejante para a sementeira do ano seguinte.Lembro a minha mãe toda empoada peneirando a farinha






para fazer o pão que amassava, de mangas arregaçadas, em alguidares de barro, sobre rodelas de trabalho louco, que fazia aos domingos , sentada no canto do estrado e lembro o cheiro do pão quentinho ao sair do forno, que a minha mãe abafava  com os abafadores, também feitos por ela, para que o pão ficasse muito maciinho, como  dizia .
Então dou por mim a pensar:
- Que infância enriquecedora foi a minha! Como estou grata por ter tido oportunidade de vivenciar tudo isto! Eram  tempos difíceis, se compararmos com as actuais facilidades,  contudo, não podemos esquecer que "sem os rochedos as ondas nunca seriam tão altas"!  

domingo, 8 de outubro de 2017

Tradição e progresso...

Terra de Bravos:
Foram as festas da Serreta, da Lapinha, da Penha de França,  de São Carlos  dos Biscoitos, isto  para citar as mais recentes, porque nesta nossa ilha Terceira, Açores, de Maio a Outubro  não há dia sem festa à volta da ilha, é só querer! É um ciclo de alegria, convívio e divertimento, como que uma catarse dos tempos e dias lentos, frios e chuvosos, que terminou ontem com  a festa das Lajes. 
 Estive lá, felizmente, e dei por mim a pensar:
-Esta é mesmo uma terra de bravos, que souberam preservar as velhas tradições, e fazer com que estas coexistam harmoniosamente com o progresso, aproveitando o facto de nascerem livres e por isso com direito a serem diferentes, deixaram e fizeram com que o que há de melhor na sua ilha subsista e continue como legado para os seus filhos!
E para os que não puderam estar lá, por estarem ausentes, doentes  ou por qualquer motivo alheio à respectiva vontade, sim,  porque acredito que qualquer terceirense que se preze gosta de ir às Lajes nestes dias, aqui fica um cheirinho como referência, porque sei que uma boa memória nunca é tão boa nem tão nítida  como uma boa imagem...









Dia Mundial da Poupança

Celebra-se hoje o dia mundial da poupança, acabo de ouvir no noticiário, onde anunciaram também que  para a maioria dos portugueses é : chapa ganha, chapa gasta...
Fiquei deveras admirada, pois não sabia que havia esta efeméride, naturalmente criada para chamar a atenção da população para a necessidade de poupar.
Fui criada a poupar, só se gastava se era extremamente  necessário e se se podia e fiquei habituada! Agora tendo uma vida mais desafogada, não consigo gastar de forma perdulária, pensando sempre se é preciso fazer aquela despesa.
 A respeito, queria contar-te uma história que li há muito tempo, mas que nunca esqueci, por ser bastante significativa para mim.
- Havia um casal que com grandes dificuldades e sacrifícios, conseguiu manter dois filhos, em simultâneo, na universidade até que estes se formaram e foram à sua vida. Então, com o orçamento mais desafogado, o marido resolveu oferecer à esposa uma noite diferente e marcou jantar num afamado restaurante. Lá foram todos elegantes, rumo a um prémio bem merecido só que as coisas não correram bem como haviam projectado porque ao entrarem no requintado espaço, a esposa começou a sentir-se muito mal , com falta de ar, tremores e suores a cobrir-lhe o rosto. Não conseguia entrar e puxava o marido para fora... Ao ser interrogada pelo marido sobre o que se estava passando esclareceu  que não conseguia entrar e gastar tanto dinheiro, que estava viciada na poupança e que tinha feito tantos sacrifícios que se tornara avarenta!!!
Não precisamos, nem devemos chegar a este ponto, porque como diziam os antigos "dias não são dias", contudo, esses mesmos antepassados também diziam que  quem não poupa nem herda não possui se não ....., e que grão a grão enche a galinha o papo, não precisavam do dia mundial da poupança, para eles todos os dias serviam, contudo os hábitos de poupança mudaram muito e os portugueses poupam muito pouco ou nada!
É preciso ter em conta que a estabilidade na vida não se conquista só com sorte, como muitos pensam, mas com muito esforço, trabalho e poupança.
Meus pais não me diziam como eu devia fazer no que respeita a esta matéria mas faziam-no e eu observava e segui-lhes as pegadas
Para se estar bem, felizes e confiantes temos que estar seguros e não ter problemas financeiros , no entanto queria frisar que esta matéria de poupança não se deve cingir à questão monetária. Poupa-se dinheiro, poupa-se na cozinha organizando-se sabiamente as refeições  e reciclando comida  isto é aproveitando o que sobrou, poupa-se a roupa. a água , a electricidade, o tempo e as palavras que quando são muitas e , por vezes a despropósito, muitas vezes caem mal...
É por isso que me vou calar, para não dizer coisas a mais e não me tornar maçadora nem gastadora de palavras, antes porém quero deixar este grito de alerta:
-  Pensa como muitas pessoas sobreviveriam e ficariam felizes apenas com aquilo que tu desdenhas, estragas e ou rejeitas...


PS: É bom termos algumas poupanças para que o governo tenha algo para nos levar! Ele ficar-nos-à  grato por isso...

sábado, 7 de outubro de 2017

Uma história da festa das Lajes:

Têm, ao que parece, sido um êxito as festas das Lajes na ilha Terceira, deste ano. O bom tempo e a boa planificação e competência, por parte das pessoas responsáveis, em muito contribuíram para isso. Muito se tem escrito, dito e fotografado e eu sempre a pensar que quando era criança e adolescente não gozava as festas como as outras pessoas, como as minhas amigas... isto porque a minha mãe era costureira e tinha sempre muito trabalho, nesta altura, e eu tinha que colaborar, já se sabe...
Um ano aconteceu que o trabalho era tanto de noite e de dia,   que a máquina não parava de pespontar até que, num acto de rebeldia, parou e não andava nem para trás nem para a frente! Imaginem o terror de minha mãe que tinha compromissos para com as clientes que, muito naturalmente, aguardavam roupas novas para se apresentarem elegantes nas festas.
E agora? Ir à cidade, para que pessoa competente a reparasse representava grande perca de tempo e atraso nos trabalhos... O que fazer?
Foi aí que, como que por milagre, uma vizinha amiga se prontificou a emprestar a sua velhinha máquina de mão, para que a situação se resolvesse. Contudo, a Senhora do Rosário não estava a favor da minha mãe e, como a máquina emprestada já era muito antiga e não estava habituada àquele ritmo de trabalho, também avariou!
Estou a ver a cara de desânimo de minha mãe, a meter a dita, numa saca de retalhos e depois a dirigir-se para a carreira rumo à cidade, para consertar a máquina, conserto que acabou por ser caríssimo porque, como era  muito antiga, precisou de várias peças novas.
-Um dinheirão,  dizia a minha mãe ao contar a história, bem diz o povo, acrescentava, que quem velho parte, novo paga! 
E foi deste modo que numas passadas festas das Lajes trabalhámos que nos matámos, embelezámos muitas senhoras e sem lucro nenhum... 
Também, diz o provérbio, que quem empresta nunca se melhora,  o que não foi o caso, pois a máquina emprestada ficou mesmo uma "máquina" que até consolava, dizia a minha falecida mãe.
E já que estamos numa de citar sábias expressões populares , que normalmente nos transmitem conhecimentos, posso acrescentar um que vem muito a propósito:
- Quem o alheio veste na praça o despe!
Também se diz que quem conta um ponto acrescenta um ponto, o que quer dizer que acrescenta sempre qualquer coisa, no entanto, como esta história é verídica, não posso acrescentar nada, mas posso mostrar-te esta relíquia que é muito anterior à história que te conto talvez a bisavó da protagonista  principal da mesma.
 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

E o amor aconteceu...


 Eu vi nas festas das Lajes
O amor acontecer,
Eu vi nas festas das Lajes
O que é o amor bem viver...
Nestas festas da Terceira
Linda ilha dos Açores,
Vi uma idosa à maneira,
Devido ao Sol e aos calores,
O seu amor resguardar
Sentado numa cadeira...
Um amor bem guardado 
E sempre muito bem cuidado
Com carinho, com respeito
Em anos e anos a eito....
E logo ali concluí:
Que o amor não são flores
Nem joias,carros ou casas
Nem despiques, nem rancores 
Nem lindas e caras oferendas...
O amor é bem cuidar, 
O amor é muito querer,
O amor é atento estar,
E o outro proteger!

Clara Faria da Rosa,
5/10/2017




quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Dia Grande para a Vila das Lajes na Ilha Terceira - Açores

A Fotografia que não foi tirada:

Hoje foi um dia grande para a Vila das Lajes na Ilha Terceira, foi o dia do seu bodo-de-leite integrado nas festividades anuais de Nossa Senhora do Rosário.
Foi um festival de cor, música, alegria e tradição, tudo isto "embrulhado" em muita fantasia e muita vontade de fazer bem, e de agradar aos locais e visitantes, por parte da comissão organizadora e dos participantes, aos quais aproveito para dar os parabéns.
Tudo esteve lindo  e à altura, desde a marcha que se apresentou no início do cortejo com as suas vozes alegres, os seus fatos de cores apelativas e uma letra muito a propósito ao que se seguiu o cortejo das lindas vacas do Ramo-Grande, muito bem escovadas e luzidias, enfeitadas com garridas flores de papel, como que num valorizar o que aqueles animais representam em termos económicos e até culturais para a localidade. 
Depois, foi tempo de homenagear as forças vivas da localidade desde as associações desportivas e juvenis, passando pelas filarmónicas, igreja e seus organismos, folclore, Museu do Carnaval, tendo sido também lembrada  a história da base das Lajes que substituiu os nossos abundantes campos de trigo -O celeiro da ilha Terceira.
jovens lindos, bem vestidos, orgulhosos do seu passado, do presente e com os olhos postos no futuro, que sonham, naturalmente, promissor, tudo isto me comoveu de tal modo que quando passou a rainha da festa fiquei  absorta, e ate certo modo embevecida, ao ver aquela linda e altiva jovem de coroa  rendilhada na cabeça, de medalhão ao pescoço e com lindas aplicações no vestido, tudo trabalhado em madeira pelo seu extremoso e habilidoso pai, fique a pensar no porquê de que enquanto há povos que se matam e guerreiam nós nos divertimos desta forma ordeira, e no que tudo aquilo representava em termos culturais, sociais e históricos, que me esqueci de tirar uma fotografia da linda e altiva rainha!
- Que me perdoe sua Alteza Real!!!