É sabido que o muro que impede os outros de entrar é o mesmo que nos impede de sair, é por isso que abro esta página, sempre que tenho possibilidade, para saltar o obstáculo que nos separa e poder ir até ti, contando-te as minhas alegrias e tristezas e mostrando-te o que é importante para mim assim como as minhas eventuais aprendizagens. Salta o muro amiga/o, vem até esta página, conta comigo!
À Margarida e José Humberto Sousa: Nas suas bodas de prata O casal muito dançou, Nas suas bodas de prata O casal muito rodopiou, Porque era dia de louvor À vida, à amizade e ao amor! Naquelas bodas de prata Toda a gente estava grata Porque a felicidade abundava, E porque o casal abraçado Sereno, o futuro esperava, E grato o passado guardava! E naquele dia especial, Naquele dia sem igual... O casal sonhava, O casal dançava, E imaginava, E desejava, Que a terra fosse sua, Que seu leito fosse a lua, E que nos braços do seu par Eternamente iam ficar!
Faz hoje um mês, o casal Cecília e João Couto celebraram as suas bodas de ouro, em simultâneo com a sua filha Margarida e o genro José Humberto Sousa que festejaram as suas bodas de prata. Depois da missa de acção de graças na igreja da sé seguiu-se uma recepção aos familiares e amigos. No pátio empedrado de uma casa solarenga, onde funciona o clube de ténis de Angra do Heroísmo, de cujas varandas pendiam lindas e alvas colchas de crochet, a minha amiga Cecília numa atitude muito pedagógica, como não podia deixar de ser, atendendo à sua longa carreira de professora e educadora, quis dar testemunho da experiência dos seus cinquenta anos de casada e fê-lo, ladeada pelo seu marido, e acompanhada pelos seus filhos, comparando a vida às ditas colchas de crochet que se foram executando ponto por ponto e que quando um ponto caía havia que levantá-lo para que tudo saísse na perfeição; e foi assim a vida deste casal ao longo destes cinquenta anos " Crochetada" um dia de cada vez, levantando-se corajosamente, quando alguma coisa corria mal, alegrando-se com os sucessos, e deste modo, ponto a ponto, foram passando os anos, construindo uma família maravilhosa, e granjeando muitas e verdadeiras amizades. Um bravo e um aplauso muito grandes, e um obrigada pelas palavras e pelo exemplo, que estou certa, muitos dos presentes prometeram, lá bem no íntimo, seguir porque compreenderam que o casamento não é o meio de homens e mulheres se abrigarem das tempestades da vida, antes porém, é a oportunidade de enfrentarem essas tempestades juntos , com esperança e serenidade!
Celebra-se hoje o dia internacional do idoso. Mas afina,l quando é que se considera um ser humano um idoso? Acho que, quando chega aquela etapa da vida em que a pessoa se sente trôpega, vacilante, se segura aos móveis, em parentes e amigos e lhe oferecem como presente de aniversário uma bengala, entrou naquela idade geriátrica em que nos hospitais se aconselha a ter paciência, a adaptar-se, a aceitar, a conformar porque afinal ter muitos anos é bom, é sinal que se sobreviveu... É verdade que existem pessoas entre os setenta e os cem anos que conseguem viver eficientemente e sozinhas e funcionam sem esforço mas isso são raras excepções. Fala-se em sabedoria adquirida, em serenidade, diz-se que ter sobrevivido é uma bênção mas o que os anos acarretam geralmente não é aquela tranquila doçura enquanto se percorre o caminho do crepúsculo, que muitos livros, que falam do assunto, anunciam . As deficiências, as dores, a dependência dos outros, a diminuição da mobilidade, da visão , da audição são condições e características desta etapa da vida que preocupam os que dela se aproximam . Creio que apesar disto, há sempre um raio de luz interior que faz a pessoa sentir-se jovem, aquele jovem que nunca cresce ! A esse raio chamaria saudade, realização pessoal, doação, experiência vivida enfim...VIDA.