terça-feira, 30 de agosto de 2016


Quando a linha da vida se parte:
É, desde sempre, que me lembro desta caixa, no canto do estrado, na minha casa das Lajes; Era o trabalho leve da minha mãe!
Ao
s Domingos íamos à missa, almoçávamos, a minha mãe levantava a mesa e lavava a louça e, como não se trabalhava ao Domingo, ela sentava-se a fazer um trabalhinho leve, o seu crochet... a minha mãe sempre foi uma mulher determinada que se deu à vida e ao trabalho, não era ociosa nem sequer tinha passatempos, estou em crer que ela nem conhecia esta palavra: Passatempo...
E sempre foi assim, até ao fim, de tal modo que quando faleceu, andava a fazer uma renda para um lençol.
Partimos, mas as coisas ficam, e lá ficou a caixa, abandonada no canto do estrado, como se também tivesse perdido a vida .
Ao abri-la, deparei-me com o trabalho inacabado e pensei como a vida é repleta de imprevistos e como nós nunca consideramos que a meta foi atingida, é muito difícil considerar que a nossa actividade terminou, só se por infortúnio do destino, isso acontecer inesperadamente, como foi o caso.
Num rasgo de saudade e de impotência, perante a dura realidade, emoldurei, como recordação, o trabalho inacabado assim como a farpa com que a minha mãe fazia o seu crochet.
Já lá vão muitos anos, contudo ao olhar para estes objectos lembram-me sempre, naturalmente, a minha mãe e, como é efémera a linha que nos agarra à vida, a qual pode ser quebrada a qualquer momento.
É por isso, para que tenhamos esta realidade sempre presente, que conto esta história de uma mulher que "crochetou" a vida com muita garra e determinação, até que a linha se quebrou!

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Conversa de comadres:







Falares de outrora (Expressões usadas na freguesia da Ribeirinha, ilha Terceira Açores):
Na sequência do que ontem te dei conta acerca do trabalho realizado na escola da Ladeira Grande, os alunos fizeram uma recolha de algumas expressões, as quais empreguei, então, neste texto, tentando imitar e acertar com a realidade não sendo contudo tarefa fácil com o tempo e os meios disponíveis.
Devo dizer que não sendo um trabalho profundo,exaustivo, que necessitava de mais pesquisas, nos divertimos muito, enquanto um aluno ia ao quadro e os colegas davam palpites:
Conversa de Comadres:
-T'esconjuro! Cum Nossa Senhora!
Aqueles professores pintam a manta c'os rapazes!
É de pegar de cabeça! Fui lá só pa dá fé.E poderio de gente que tava lá?!!
-P'ra quê mulhé?...
-Pa vê a exposição, tanto linda!...
Ó mulhé, diabos te carregue, vai lá só pa dá gaitadaria de mei-moi...
Tava lá tudo de ponto em branco, inté parecia que tava in casa da minha avó, que Deus tenha; Ê sei lá, ele era alguidares,peniques de barro, roipa de tear!...
-No meu tempo na isquiola era só levá lenha; agora? Têm biche fervedoiro e a canalha atanto os professores que não sabe o que hão-de fazer...
-Ó mulhé, antes assim que nanja!
Basta que sim,muito me contaste, vou até lá.
- Adês aquela.
Escola de Ladeira Grande Junho de 1992








Conversa de comadres:






Falares de outrora (Expressões usadas na freguesia da Ribeirinha, ilha Terceira Açores):
Na sequência do que ontem te dei conta acerca do trabalho realizado na escola da Ladeira Grande, os alunos fizeram uma recolha de algumas expressões, as quais empreguei, então, neste texto, tentando imitar e acertar com a realidade não sendo contudo tarefa fácil com o tempo e os meios disponíveis.
Devo dizer que não sendo um trabalho profundo, que necessitava de mais pesquisas, nos divertimos muito, enquanto eu ia escrevendo do quadro e os alunos dando palpites:
Conversa de Comadres:
-T'esconjuro! Cum Nossa Senhora!
Aqueles professores pintam a manta c'os rapazes!
É de pegar de cabeça! Fui lá só pa dá fé.E poderio de gente que tava lá?!!
-P'ra quê mulhé?...
-Pa vê a exposição, tanto linda!...
Ó mulhé, diabos te carregue, vai lá só pa dá gaitadaria de mei-moi...
Tava lá tudo de ponto em branco, inté parecia que tava in casa da minha avó, que Deus tenha; Ê sei lá, ele era alguidares,peniques de barro, roipa de tear!...
-No meu tempo na isquiola era só levá lenha; agora? Têm biche fervedoiro e a canalha atanto os professores que não sabe o que hão-de fazer...
-Ó mulhé, antes assim que nanja!
Basta que sim,muito me contaste, vou até lá.
- Adês aquela.
Escola de Ladeira Grande Junho de 1992






domingo, 28 de agosto de 2016

Nas Festas da Ladeira Grande

A Ladeira Grande, Localidade que faz parte da freguesia da Ribeirinha na ilha Terceira, Açores, está em festa, hoje, depois de missa solene, sairá a procissão pelas ruas da localidade e São João Baptista Machado, orago da localidade, abençoará a todos do alto do seu andor, muito bem ornamentado.
Ao ver o programa das festas, lembrei-me dos tempos em que trabalhei na escola daquela localidade, das suas gentes, que tão bem me aceitaram e acarinharam e das crianças, meus alunos de então, que hoje serão homens e mulheres, muitos deles pais com responsabilidades na sociedade em que se inserem, assim o espero!
Foi então que me veio à memória o trabalho realizado ao longo do ano lectivo de 1992/93 dando cumprimento ao projecto pedagógico com o título O NOSSO MEIO/ ETNOGRAFIA : Estudo da localidade nos seguintes aspectos:
Habitação, alimentação, vestuário, festas religiosas e profanas, costumes, modos de falar... E pronto , lá se dividiram os tempos e calendarizaram os temas que se foram tratando nas diversas áreas e conforme a camada etária o permitia, o que culminou em trabalhos de pesquisa muito interessantes, trabalhos escritos que ainda conservo, trabalhos de expressão plástica e, aberta à população, numa exposição de peças antigas que contou com a colaboração dos familiares e da restante população, demonstrativas de vivências passadas nas várias vertentes.
É deste facto que quero dar conta e lembrar através deste pequeno vídeo, nestas festas da Ladeira Grande, pedindo a todos que nunca esqueçam o seu passado e a sua história, pois sem eles nunca seriam  o que são hoje nem o que serão no futuro.
 Boas festas e divirtam-se!
video

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

No dia Mundial do Cão


Assinala-se hoje o dia Mundial do cão, o qual se destina a sensibilizar as pessoas, de um modo geral, para o reconhecimento de que há muitos animais que precisam de ser ajudados, adoptados, tratados , resgatados...
É por isso que te apresento a Isis, uma cadela ainda muito nova, maluca, mimosa e às vezes endiabrada, com cerca de seis meses, do meu filho, que ao partir a deixou connosco. O facto de termos ficado com ela não foi consensual da minha parte, porque eu previa que não viriam grandes coisas desta convivência forçada. Não há tapete, sapato ou chinelo que se possa deixar despreocupadamente à porta, porque o seu fim está à vista, depois a roupa no estendal parece que a põe nervosa, e se não formos por ela, era uma vez roupa branca, e a preocupação das vacinas, da esterilização, da comida, da água, e de quem a tratará se tivermos de fazer uma ausência mais prolongada, esta arte de viver em comum com esta cadela ainda tem que ser bastante aprimorada, concluo...
Mas, e há sempre um mas em qualquer história, acontece que quando ela olha para nós, quando a sua pelagem acastanhada e luzidia reflecte a luz do sol, quando abana a sua cauda de contentamento por estar junto de nós, ou nos tenta lamber as mãos num impulso que nos parece de carinho e gratidão, quando de manhã abrimos a porta e ela está bem "estatelada"  sobre o tapete que entretanto já roeu, parece que uns pequenos sinos repicam alegremente e os sons se espalham ao nosso redor e nós esquecemos que ela não foi muito desejada, as maldades que faz, as vezes que tem fugido e nos obriga a andar à sua procura, o dinheiro que temos gasto com ela e pensamos que valeu bem o preço e as arrelias. 
Normalmente, quando saímos, ela fica sempre junto ao portão à nossa espera, no outro dia estivemos fora desde as nove horas da manhã ate às dez horas da noite, e ela esteve sempre lá, muito enroscada, segundo nos disseram, e sem comer nem beber água, haverá algum amigo capaz de semelhante proeza?
Está-me a parecer que esta cadela endiabrada,  vai ser um remédio, um tranquilizante, uma panaceia, sem efeitos colaterais, para a nossa vida futura...

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Visita ao museu da presidência da República, em Belém

 No dia 17, Domingo, do  passado mês de Julho fui visitar este museu, inaugurado há precisamente 12 anos o qual é um grande veículo de divulgação da instituição presidencial portuguesa.
Lá podemos ver um património histórico  de milhares de peças  que testemunham a vida e a actividade política e pública dos dezoito presidentes da república portuguesa desde 1910 até hoje:
Objectos pessoais, condecorações, bustos e retratos oficiais, presentes de estado e documentação.
Este museu quanto a mim, tem uma forte componente pedagógica especialmente nesta exposição permanente em que nos é dado contactar com as diferentes fases da República portuguesa em especial o seu papel, evolução assim como a vida e acção política dos seus intervenientes.
E depois deste banho de cultura, nada melhor do que entrar numa das mais tradicionais pastelarias de Belém para  comprar os afamados Pasteis!










terça-feira, 23 de agosto de 2016

Como todos os que me conhecem bem sabem, adoro chapéus, de Inverno de Verão de palha ou de feltro, não interessa é um chapéu...Aqui é que entra a história de que te quero falar:
Num dia invernoso saí de chapéu, um lindo e airoso chapéu de feltro de um verde garrafa muito escuro e fui visitar uns amigos que ao chegar me disseram:
-Estás muito bonita, com o teu chapéu à zamparina!
Fique admirada sem saber se o comentário era elogioso ou depreciativo. Então, decidi investigar o significado e a origem da expressão, pois hão-de chamar-me nomes mas eu ao menos hei-de saber o que querem dizer! Sou assim, curiosa...
À zamparina quer então dizer:
De forma atabalhoada, coisa mal feita, mal amanhada, mas também correspondia, em tempos idos, e em linguagem de moda à forma como se usava o chapéu ligeiramente inclinado para a frente, cobrindo um pouco a orelha direita, uma forma inusitada de usar o chapéu nos séculos XVIII e XIX.
E a responsável de tudo isto, quer dizer, desta expressão, é a senhora cuja gravura mostro que foi uma muito famosa cantora de ópera que veio de Veneza para Portugal em 1772, no tempo do Marquês de Pombal Chamada ANNA ZAMPERINI, uma figura muito controversa que ficou famosa pelos seus dotes artísticos, teatrais e musicais, pela sua irreverência, inusitada à época, e pelo seu poder de sedução que incluía o uso do chapéu inclinado. Parece que Anna Zamperini se enamorou do filho do Marquês de Pombal o qual desagradado com este romance a mandou atabalhoadamente de volta para a Itália e interrompeu a contratação de mulheres estrangeiras, para dançar e ou cantar nos palcos portugueses.
Assim, e concluindo, passou a chamar-se a forma como se usa o chapéu mas também uma coisa feita de forma atabalhoada isto é a forma como foi feita a expulsão da cantora Anna Zamperini de Portugal.
E cá estou eu numa tarde soalheira, mas fria, do final de Janeiro, passeando pela baixa de Lisboa com o meu chapéu à zamparina , que agora já sabemos que é à "Zamperini" 
Enquanto passeava ia pensando, também, se Anna Zamperini teria passeado com o seu amado, o filho do marquês de Pombal, por aquelas ruas, o que terá sido pouco provável, devido ao caos que se vivia na altura com a reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755


Meia-Idade!

O que é a meia-idade...
Fazer-se o que se entende,,,nunca!
Não é segredo para ninguém que fiz anos no passado dia 12, pois fiz questão de o apregoar bem alto e fui parabaneada por amigos, conhecidos e familiares, o que agradeço do fundo do coração, recebi alguns presentes, enfim, passou-se o dia. Contudo, com esta história dos meus anos tenho meditado mais no assunto e para me consolar penso que a idade é como o whisky, quanto mais velho melhor e que os móveis antigos são os mais valiosos.
Tretas! A verdade verdadinha é que segundo várias cabeças pensantes meia-idade é:
"Quando tudo começa a estalar: cotovelos, joelhos e pescoço".
"Quando percebemos que nunca viveremos o suficiente para experimentarmos todas as receitas que passámos os últimos 30 anos a compilar".
" Quando é não só mais tarde do que pensamos, mas mais cedo do que imaginamos".
"Quando estamos perante duas tentações e escolhemos a que nos leva para casa mais cedo".
E pronto, está tudo dito, resta viver conforme as circunstâncias e conforme a cabeça de cada um ditar!
O que eu te posso dizer, por experiência própria, é que nunca atingimos a idade de fazermos o que bem entendermos, há sempre algo que nos condiciona!!!:

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

 -O que é que é, que mal entra em casa, se põe logo à janela?


Como o título sugere, hoje vou falar de botões e é por isso, que estou aqui, toda pimpolha, com a minha pregadeira feita de botões, isto porque sempre apreciei estes objectos pequenos ou maiores, redondos ou quadrados usados para fechar e ajustar a roupa ao corpo ou e ainda por motivos estéticos.
Segundo a Wikipédia, há indícios da existência dos botões desde 3000 anos A.C. contudo, o fabrico efectivo dos mesmos, remonta ao século XIII, tendo-se desenvolvido e florescido esta indústria de fabrico de botões em França nos séculos XV e XVI.
No livro " O Botão ao Longo dos Tempos", pode ler-se que já no século XIV o botão fazia parte dos objectos úteis, e daí passou para ornamento; Conta ainda, o mesmo livro que, os gibões da nobreza, por volta do reinado de  Henrique III, eram guarnecidos com botões de ouro, prata e pérolas .
Vai daí, e depois de tantos anos  e tanta evolução, deu-me para procurar lindos e antigos  botões  em forma de flor, e de os colocar não à janela, mas numa renda antiga fazendo uma linda, sóbria e requintada pregadeira, que me preza muito. 
Gosto de guardar botões antigos, de roupa que já não se usa, porque eles lembram-me sempre uma história, uma roupa, uma festa, ou uma pessoa. Nesta caixa, se me debruçar a valer sobre o seu conteúdo, posso ver a minha vida passar, assim como  a da minha mãe,  porque contém botões de há muito tempo, apesar de eu gastar muitos, em trabalhos que faço.
E agora, vamos combinar fazer nas nossa vidas, o que eu faço com os botões, aproveitemos o que nos acontece de melhor, e façamos um "bouquêt" para pôr ao peito, o resto deixemos bem no fundo, mas bem lá no fundo, para que não nos incomode nem nos faça mal! 






Figos e gramática



Quando olho a minha enorme e antiga figueira lembro-me da minha mãe, que adorava figos com pão, lembro-me do Natal em que usamos comer figos passados, do melaço que faço com as suas cascas, dos figos pretos, que costumava ir untar e apanhar com a minha avó, numa figueira que ainda existe, mas que já não produz por não ser tratada, de figos pingo de mel, figos cristalizados,  figos secos...Lembro-me também de ter lido, não sei onde, que a figueira é a primeira planta descrita na Bíblia, quando Adão se veste com as suas folhas, ao notar que está nu, e nós a pensarmos que havia sido uma folha de videira! Enfim, lembro-me desses deliciosos frutos carnudos e suculentos que nos deliciam a todos. Mas isso é só lembrança, é só o que sucede quando olho de relance, acontece porém que hoje olhei e vi, sim porque há uma grande diferença entre o olhar e o ver...Vi que alguns dos figos da minha figueira já estão amarelinhos, macios, luzidios e de biquinho avermelhado a rir-se para mim... Foi então aí que entrou em acção  a dita gramática e, comecei a pensar com os meus botões, que é como quem diz comigo própria:
-Figos lampos, ou lampeiros, temporões, prematuros, antónimos de  frutos serôdios, aqueles que aparecem ou que amadurecem no fim da estação própria...
E para não ser serôdia, pois sempre gostei de estar em cima do acontecimento, aproveitando o que verifiquei hoje de manhã, logo, toda lampeira, temporã, isto é no tempo próprio, apressei-me a dar-te conta deste "importantíssimo" facto gramatical, que não salvará o Mundo, mas que teve o privilégio de me pôr a pensar, assim como a ti, espero, pois todos nós sabemos que uma das  principais e mais importantes vantagens do ser humano é pensar pela própria cabeça, o que  ajuda a que se mantenha lúcido e mentalmente activo!