É sabido que o muro que impede os outros de entrar é o mesmo que nos impede de sair, é por isso que abro esta página, sempre que tenho possibilidade, para saltar o obstáculo que nos separa e poder ir até ti, contando-te as minhas alegrias e tristezas e mostrando-te o que é importante para mim assim como as minhas eventuais aprendizagens. Salta o muro amiga/o, vem até esta página, conta comigo!
Serapilheira é um pano de estopa grossa que normalmente é usado na embalagem de fardos, na confecção de sacos para guardar produtos hortícolas e com o qual , em tempos idos, os camponeses confeccionavam os seus trajes de trabalho. Particularmente, considero este tecido muito interessante para ser utilizado com fins artísticos e decorativos especialmente para a época de Natal. Por ser grosseiro mas maleável e barato, gosto muito de o trabalhar. Este ano, à semelhança dos anos anteriores,fiz uma pequena toalha que irá embelezar a minha casa na época festiva que se aproxima e que te quero mostrar para o caso de quereres fazer uma para ti.É muito fácil, compras o tecido com o tamanho da largura, para ficar quadrado, fazes a bainha com um ajour e agora é só pores a imaginação a funcionar; podes tirar fios e usar fitas vermelha e verde e fazer ponto de cruz e fitas nos lados ou como eu fiz este ano uma fita no meio e uma pequena e simples barra dos lados , decora com laços, fica lindo... Mãos á obra porque enquanto trabalhas já estás a viver o espírito de Natal!
Actualmente só nos apetece reclamar da situação que vivemos, resmungar contra os nossos governantes que nos levaram a essa situação, lamentar o passado e sonhar com que tudo isto se resolva para termos um futuro a curto prazo, no que não acredito, digno do nosso passado e da nossa história. É preciso ter esperança que é um sentimento que não vemos nem podemos palpar mas que vai surgindo à medida que acreditamos nela. Mas para isso temos que fazer alguma coisa temos que a exercitar e acreditar, especialmente agora que se aproxima o Natal, e eu acredito que embora tenhamos todos menos dinheiro podemos festejar esta época conforme a tradição; É por isso que já deitei mãos à obra para fazer os meus presentes e incito-te a fazer o mesmo, não vamos agora ficar sentadas, de braços cruzados, a ver a crise passar! Aqui te mostro um pano para tabuleiro que fiz para oferecer, já fiz vários e não precisas de comprar linhas novas, tenho a certeza que se procurares tens aí em casa restos que servem, também não precisas comprar galão para rematar faz como eu um ponto de grilhão que fica bonito. Diz lá se não é uma boa ideia!?
Quando me aposentei, não fiquei nada triste, embora gostasse muito da minha vida profissional, porque percebi que ia começar um novo e diferente período da minha vida, e que só tinha a ganhar com isso, porque vivia uma oportunidade de me dedicar a outros interesses . Não é o caso de me sentir contente por deixar de trabalhar porque entendo que o trabalho é a base da nossa identidade e do nosso amor próprio, mas uma oportunidade de tomar novas iniciativas no campo de pôr em prática actividades que me dão muita satisfação intrínsica . E assim foi, não fiquei à espera que acontecesse alguma coisa, de uma ocasião ou de uma oportunidade para voltar a aprender coisas novas, a reaprender, a aperfeiçoar e a alargar os meus horizontes, diversifiquei a utilização das minhas aptidões. É tudo isto, creio, que permite a qualquer pessoa, ultrapassar qualquer fase de enfado por já não estar ligado à vida profissional que o ocupou durante largos anos . É por pensar assim que nunca me sinto enfadada nem depressiva pois tenho sempre presente uma frase que li há muito e que apontei no meu caderno de notas que dizia o seguinte: " Em caso de depressão faça alguma coisa; se já estiver fazendo troque de coisa." Toda esta conversa para te dizer que pensando no Natal que se aproxima , tenho andado muitíssimo ocupada com os meus trabalhos e que fiz esta pequena toalha com motivos de Natal para usar sobre uma toalha vermelha ou verde , ficará muito bonito, especialmente quando nos sentarmos à volta da mesa a confraternizar, com alguma coisinha boa para comer,claro! P.S. Se quiseres posso passar-te o modelo.
Faz hoje oito dias, fomos ao Porto Judeu, fazer uma visita aos nossos amigos Maria de Lurdes e João Melo; São amigos de longa data a quem muito devemos e que nos dedicam muita atenção e disponibilidade, recebendo-nos sempre de uma forma e com tanta atenção que nos apetece ficar mais tempo. Maria de Lurdes logo nos ofereceu um frasco do seu doce de abóbora, feito recentemente, e uma prova com umas bolachinhas, uma delícia, disponibilizando a receita e a sua irmã apareceu com abóbora para me oferecer, para que eu pudesse testar a dita receita . Naquele momento pensei: - Se a amizade tivesse cor seria assim da cor deste doce e desta abóbora, uma cor forte e quente que permanece no nosso imaginário e no nosso coração ... No dia seguinte propús-me experimentar a receita e ficou com este aspecto:
Aqui vai o modo de fazer para o caso de quereres fazer: 1kg. de abóbora descascada e partida em cubos, 1 kg. de açúcar , sumo de três laranjas. Vai tudo ao lume brando até cozer, depois de cozido tritura-se com a varinha mágica e junta-se um pau de canela e 100gramas de nozes picadas. Vai a lume brando até fazer ponto de estrada mais ou menos forte conforme o gosto. Nota: esta é a receita certa , eu como sou um pouco aldrabona nestas coisas de culinária usei 1,5kg de abóbora para 1 kg de açúcar e ficou bom , leva é mais tempo a fazer o ponto e como não tinha nozes usei amêndoa palitada e também ficou muito bom. Claro que é fácil fazer doces e compotas e sei que não estás, naturalmente, à espera da minha receita, mas falo disto para fazer uma reflexão sobre a amizade que segundo alguém disse "é umvalor que se pode comparar a uma gota de mercúrio, é preciso manter a mão aberta para a retermos, se a fecharmos ela escapa" e não se pode deixar escapar uma boa amizade porque é um bem muito precioso! Aproveito também para lembrar que este legume fruto da aboboreira, se apresenta em várias espécies, de grande riqueza nutricional, é nativo da América do Sul. É um legume muito usado em pratos culinários porque constitui uma boa fonte de betacaroteno que é convertido pelo organismo em vitamina A e que é um antioxidante que ajuda a evitar os efeitos dos radicais livres que originam certos tipos de cancro.
Quando se é sessentona, como eu, tem-se muita coisa amealhada que por vezes nos causa confusão, mas das quais não nos queremos desfazer, porque as mesmas nos avivam recordações que não queremos perder. Nesta linha de pensamento quero falar-te das minhas bijutarias que andavam acumuladas em caixas e gavetas de tal maneira que, quando queria usar alguma peça, ou não encontrava a dita, ou então estava de tal modo misturada com as demais que levava um tempão a separá-la o que fazia com que desistisse da ideia de a usar. Muitas vezes, me apeteceu deitar tudo, ou pelo menos uma parte, para o lixo, mas sabendo, por experiência própria, que o tempo médio que decorre entre deitar fora uma coisa e em precisar desesperadamente dela é cerca de uma semana ... lá ia adiando a ideia sempre na perspectiva de encontrar uma solução para o problema! Foi então que me lembrei de um antigo e maltratado lavatório que tínhamos na garagem e como sou apologista do contínuo vir- a - ser, vir- a- fazer, com a meta sempre à frente e não atrás, isto é nuca me apego ao que já fiz, mas tenho sempre em mente outros projectos , outros porquês para viver, os quais me ajudam a enfrentar os comos com que me deparo, lá deitei mãos à obra: Martelei, lixei, dei duas mãos de Amerit, que é um produto anti-ferrugem , duas mãos de subcapa branca após o que estava pronto para o esmalte, o acabamento final. Ficou bonito, e deu-me imensa alegria pôr aquela "tralha" toda muito direitinha ; os colares pendurados, as peças pequenas na bacia, as pulseiras no prato em baixo enfim ...enquanto procedia a este trabalho dei por mim a pensar: -A criatividade, muitas vezes, consiste apenas em dar uma volta, por muito pequena que seja, aquilo que já existe!
Não te esqueças disto, conto-te esta história, numa perspectiva pedagógica, para que te atrevas a deixar brotar o ser criativo que há em ti. Agora aqui fica o antigo lavatório transformado em guarda-bijutarias: