segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

O talento de um bom vitrinista


Passeava eu, na baixa de Lisboa, quando me deparei com esta montra que  me fez parar e observar com atenção a arte do decorador, sim porque para se ser vitrinista é preciso ter preparação, sensibilidade e arte!
Na verdade, esta montra estava decorada com muita simplicidade, mas uma simplicidade apelativa. A decoração tinha tudo a ver com o tipo de estabelecimento, com o tipo de materiais existentes, que utilizava e com a época  que se queria celebrar. 
Isto é que é arte e saber em vitrinismo! Isto é que é saber lembrar e festejar a  época, assim como desejar um Bom Natal sem palavras...

domingo, 16 de dezembro de 2018

As Mães Natal da actualidade:

 A figura da Mãe Natal não tem, contrariamente à figura do Pai Natal, origem em qualquer símbolo religioso nem no catolicismo, ela aparece em meados do séc XIX, referida em certas obras literárias infantis, mais tarde , já para os finais do século XX, começou a aparecer em filmes e  desenhos animados, livros e a ser referida em certas  obras musicais. 
Era apresentada como uma velhinha anafada de cabelos brancos e sempre muito ocupada a ajudar o Pai Natal, visto a criatividade literária lhe ter atribuído o papel de ajudante do velhinho de barbas brancas... Esta pequena introdução, tem a ver com o facto de te querer contar que eu com a minha amiga Maria de Fátima Ribeiro Martins termos, na tarde do  passado sábado, desempenhado o papel de Mães Natal!
Não tínhamos roupas vermelhas, nem cabelos brancos repuxados num pêlo, nem óculos redondos na ponta do nariz mas muita vontade de embrulhar, com graciosidade e muito carinho, os "mimos" com que a comissão de festas do Império de Bicas decidiu brindar os seus colaboradores, nomeadamente os criadores de gado, que vão possibilitar a distribuição de carne pelos irmãos e quem sabe a realização de uma função, por altura da festa, se as coisas correrem bem...
Deste modo, desejamos um Feliz Natal a todos os irmão e colaboradores do Império de Bicas de Cabo Verde assim como a toda a população da localidade.
















 


sábado, 15 de dezembro de 2018

Um presente para o Menino


Pensei um presente ofertar
Ao Menino que está a chegar...
Um presente valioso, 
Um presente fabuloso!

Talvez uma caixa de jóias
Com prata fina e pérolas...
Rubis,ou um colar de ouro,
Enfim um valioso tesouro!

Mas pensando bem a fundo
Este Menino vem ao mundo...
Não à procura de riquezas,
Não à procura de grandezas!

Este Menino, esta criança
Vem-nos trazer esperança...
E vem a todos dizer,
Que vale a pena viver!

 Se vivermos com amor
Se soubermos dar louvor...
Se soubermos agradecer, 
E humildemente sofrer!

É esta a grande mensagem
Que nos transmite coragem...
Para a nossa vida aceitar.
Sabendo receber e dar!

Clara Faria da Rosa

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Sinto-me muito pequena!

 Se me perguntares:
- O que é o Natal?
Terei que responder:
-Que é a bondade
Do Menino que festejamos,
Assim como a verdade
Do Menino que esperamos,
Que é a  compreensão
Do mundo que habitamos,
E um abrir o coração
A amigos e adversários,
Que é o perdão
Do Menino que amamos
Se me perguntares:
- Mereces tudo isso?
Terei de responder:
-Que sou muito pequena
Mas estou de coração aberto,
Que sou muito pequena
E me sinto num deserto,
Que sou muito pequena
Mas tento ir no rumo certo,
Para receber e merecer
A bondade,
A compreensão, 
O amor,
O perdão...
E porque sou muito pequena
O Menino que vai fazer anos,
Olhará para mim 
Com carinho e ternura,
Rejubilaremos,
E então, serei merecedora
Dessa bondade, 
Desse amor,
E desse perdão!

Clara Faria da Rosa

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

A minha ida ao casino


O CASINO DA NOSSA VIDA




Fui ao casino jogar
Cheia de ilusão e esperança,
Queria  dinheiro ganhar
Ai, sem trabalho, sem poupança...

Fui ao casino jogar
Queria ficar rica e esbanjar,
É muito fácil sonhar...
Ai, difícil,  é  na roleta acertar!

- Dinheiro é só dinheiro
Disse para me consolar,
O importante e verdadeiro
É com  muito amor poder contar|!

Com  amor, respeito e amizade
E  com muita saúde, sobretudo
Que é a riqueza  única, de verdade
Que podemos ganhar, apesar de tudo...
Ai, no casino da nossa vida!|

Clara Faria da Rosa,
10/12/2018
 




Pintámos o nosso lugar
Com pinceladas de cor,
Pintámos o nosso lugar
Com pinceladas de amor,
Para receber o Menino
Para receber o  redentor...
E o nosso lugar pintalgado
Muito alegre e decorado, 
À Natureza dá alegres vivas
Ao redentor dá muitas graças...
E graças vos dou Deus Menino
Bebé lindo e pequenino,
Que no meu lugar nasceste
E que ao Mundo vieste,
Para trazer uma luz diferente
A mim e a toda a gente!

Clara Faria da Rosa
Dezembro de 2018

E as cameleiras floriram...

Uma lenda de natal:



Fico sempre extasiada quando, por esta altura, e de um dia para o outro, nas cameleiras do meu quintal começam a brotar lindas e coloridas camélias. Este ano não foi excepção e, apesar do mau tempo que se tem verificado, ontem deparei-me com os arbustos pintalgados de vários cambiantes cor-de-rosa. Foi aí que me lembrei de uma lenda de natal, relacionada com esta linda flor, que li há muitos anos, e que vou tentar contar,  assim a minha memória o permita! 
Há muitos muitos anos, quando todos os seres da terra falavam, num dia de Inverno  curto , frio e cinzento o vento falou aos animais, às árvores,às aves e aos arbustos e disse:
- Esta noite todos devem ficar alerta porque grande coisa vai acontecer, o quê, ou onde, não sei, mas grande coisa será, haverá um sinal, e todos devem rejubilar e dar graças porque tudo vai mudar...
Contudo, os animais, as árvores e os arbustos  duvidaram desdenhosamente do vento, e foram um a um adormecendo, com excepção de um pequeno passarinho que disse para consigo:
- Alguém tem de ficar acordado para rejubilar e dar graças , se realmente algo de extraordinário acontecer, ficarei alerta!
Nenhum arbusto ou árvore permitiu que neles se empoleirasse pois queriam dormir descansados, foi aí que um arbusto alto e sem folhas tendo pena do pobrezinho lhe disse:
- Não me importo, empoleira-te num dos meus ramos, e os dois ficaremos acordados, à espera dessa novidade!
Pela meia-noite  uma luz forte, dourada, inexplicável, apareceu, atravessou  os céus e desapareceu nos confins do mundo. E o pássaro e a árvore deram graças até de madrugada e quando as outras criaturas foram acordando, ficaram maravilhadas com com as flores lindas e cintilantes como rubis e com as folhas verde-esmeralda que adornavam  os arbustos e com um pássaro com uma plumagem escarlate, cor que representa a coragem e a firmeza, que cantava no cimo do arbusto.
É por isso que como recompensa da fé a árvore passou a ter folhas verdes, a cor da vida, e flores vermelhas, a cor do sacrifício e é por isso, acredito, que todos os anos as cameleiras se enchem de flores para que eu possa decorar a minha casa, embora este centro ainda seja muito pobre, porque as camélias ainda são poucas, mas acredito e tenho fé que mais, muitas mais, aparecerão e tenho persistência e firmeza para esperar!  

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Ladainha à Senhora da Conceição

Doce senhora minha
Que de Portugal és rainha,
Dirige teu olhar profundo
Para este pobre mundo!

Senhora da Conceição
Estende tua nobre mão,
Aos pobres e desamparados
Aos tristes e isolados!

Mãe de toda a humanidade
Incute em nós a humildade,
Faz que o amor nunca morra
E que haja paz sobre a terra!

Tu és a Virgem das virgens
A senhora das origens,
Traz aos povos a bondade
Afasta de todos a maldade! 

Hoje é teu dia Senhora
Todos pelo mundo fora
Hosanas nas alturas clamam
E perante ti se curvam!

Desta terra és padroeira 
Faz dela grande clareira,
Onde em cada lar haja calor 
E em cada coração muito amor!

É com  afecto profundo, Senhora
Neste dia especial, e nesta hora,
Que vimos à tua presença, celestial
Para rogar: - Salvai Portugal!

Clara Faria da Rosa

Bolo de Natal da Clara (receita)

 Agora que toda a gente anda numa grande azáfama para fazer o seu bolo de Natal, com a antecedência requerida para que fique húmido e muito saboroso, é com muito gosto que te passo, mais uma vez, a minha receita que acerta sempre e costuma ser muito apreciada:
 Bolo de Natal da Clara ( Receita):

Deves deixar de infusão
Quantos mais dias melhor,
Paciência e compreensão
Muita amizade e amor...

Não ligues aos dissabores,
Vive com muita humildade,
Envolvendo estes valores
Sempre com muito cuidado.

Unta a forma alegremente
Com calma e muito humor,
Verte o bolo lentamente
Fazendo da vida louvor!

O forno deve estar quente
Com um calor moderado,
E tu, sempre contente
Vivendo com muito agrado...

Resulta sempre esta receita
Que partilhada deve ser,
E se for muito bem feita
Tua vida vai crescer!...
 6º
Põe a mesa a toda a gente
Deseja um bom Natal,
Sempre alegre e contente
Aberta, simples e informal!
 7º
Quando deres a provar
Deste bolo uma fatia,
Deves sempre recordar
A amiga Clara Faria !!!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

O talhão da minha memória:

Quando, em criança, me encavalitava  neste talhão para dele tirar água, ou quando dizia para a minha mãe:- O talhão não tem água! ou ainda quando mais tarde, já adolescente, ajudava a minha mãe a transportar do poço, grandes baldes para abastecer o talhão, numa grande cumplicidade, para não se perder nada, pois ao tempo água era ouro, estava longe de pensar que a palavra talhão, regionalismo açoriano, tinha outras conotações...
Mais tarde, apercebi-me que a mesma palavra se aplica a um pedaço de terreno demarcado para cultivo isto é, uma unidade mínima de cultura numa propriedade, ou a uma porção de terreno para construção de um edifício e ainda a um pedaço de terreno num cemitério, infelizmente todos teremos a nossa última morada num talhão!
Mas eu não sabia, nem queria saber de nada disso, o que eu queria era levantar  a tampa daquele enorme e bojudo pote de barro, e de lá tirar com uma caneca de asa, feita das latas de conserva de fruta , vindas dos americanos que ao tempo habitavam a base das Lajes, na ilha Terceira, aquele regalo fresco e puro que  me saciava a sede depois de horas de brincadeira.
Veio a água canalizada, o que foi um avanço na nossa pacata vida, então o talhão virou  floreira  cujas flores nos sorriam à saída da porta do quintal, na casa da minha meninice , mudou-se o mesmo para a minha casa nas Bicas de Cabo Verde em São Pedro de Angra e não querem ver que o dito se transformou em Arranjo de Natal para nos alegrar os olhos e para te desejar umas Boas Festas de Natal:
Há lá coisa mais versátil do que um talhão de barro de Santa Maria nos Açores?!!


E os anjos disseram:
 - Não temais, eis que aqui vos trago Boa-Nova de grande alegria que o será para todo o povo!



terça-feira, 4 de dezembro de 2018


O Menino que esperamos:
O Menino que esperamos é Deus!
E Deus é a bondade,
A cor e a amizade,
E também alegria e amor,
A chuva o vento e o calor,
O perdão e serenidade,
A paz e igualdade,
A simplicidade da Natureza,
O talento, o esforço e a beleza...
É para tudo isto celebrar,
Que nos juntamos a consoar,
Para o Menino lembrar,
E porque somos filhos seus
E porque ele é Deus
E Deus é tudo isto!!!
Clara Faria da Rosa

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

A luz que ilumina e conduz
Entrámos no último mês de 2018! Muitas dificuldades encontrámos ao longo destes meses; Lutámos, trabalhámos e saltámos obstáculos difíceis, mas não desanimámos, apoiá-mo-nos na nossa experiência, na nossa família, enfim, naquilo que tínhamos e encontrámos pelo caminho. 
Ontem celebrou-se o 1º Domingo do Advento, palavra que significa vinda ou chegada. Esta época, que abarca as quatro semanas antes do Natal, tem a finalidade de se preparar a chegada de Jesus Cristo assim como as celebrações do Natal.
Deve ser um tempo de meditação, de recolhimento interior isto é de preparação para receber de forma aberta, sã, simples e luminosa aquele que consideramos o redentor! É por isso que te mostro esta lanterna e te conto a sua história:
Estava abandonada na casa onde os meus pais viveram e onde eu vivi até tomar o meu rumo, e ajudada pelo meu marido, restaura-mo-la; Foi o cabo dos trabalhos porque, quando começámos a limpá-la ela desmoronou-se, e quando pregávamos de um lado despregava-se do outro. Não foi uma tarefa fácil, mas no fim ficámos contentes. Quem sabe se nas noites escuras, sairemos à rua, de lanterna na mão, como o filósofo grego Diógenes que andava de lanterna na mão, mesmo durante o dia, à procura da sabedoria..
Era do meu pai, foi usada em tempos difíceis em que não havia electricidade, e os caminhos eram muito irregulares e cheios de obstáculos imprevisíveis, para se sair à noite , nos dias de matanças, para os ranchos, para se fazerem visitas aos familiares e vizinhos, pelo Natal, à mijinha do Menino, para se ir às novenas preparatórias para o Natal, pelo Carnaval e para ir aos ensaios das danças ou para ir muito cedo para os trabalhos da terra e tratar do gado.
A luz era fraca, mas a vontade forte, e fazia-se da fraqueza força, penso que este tempo que vivemos é um tempo idêntico , tempo de se pisarem as pegadas dos nossos antepassados que não viravam a cara às adversidades mas que sabiam encontrar a luz nem que fosse numa pobre lanterna...
Que cada um de nós saiba encontrar, neste Advento, A luz que nos permitirá estar preparados para receber com humildade mas de coração aberto e luminoso o Menino.

domingo, 4 de novembro de 2018

Estar calada

Georges Duhamel, médico, escritor e dramaturgo francês que viveu entre  1884 e 1966, nas suas obras atacava o materialismo e defendia os direitos dos indivíduos e escrevia apaixonadamente contra a guerra e suas atrocidades que ele havia vivido, pois trabalhara como cirurgião na 1ª guerra Mundial, dizia: 
"Abençoado o homem que nada tem a dizer e se cala".
Pois eu vou estar calada, por uns dias não vou ter nada que te dizer, até lá sê feliz, bem mereces!
Beijinhos.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Escaldadas



Aqui estão as escaldadas que se costumam fazer por cá pelo Pão-Por-Deus, em tempos idos, de fabrico caseiro, são cada vez mais produto de fabrico industrial. Gosto muito, mas sou mais especialista no comer do que no fazer, contudo, sei que são uns bolos que levam farinha de trigo e de milho em proporções que desconheço, ovos, leite, manteiga, açúcar e erva doce, o que lhes dá um sabor muito especial. O nome de escaldadas vem do facto de esta mistura ser escaldada com água a ferver com a erva doce, há quem lhes junte também algumas sementes desta planta.
Erva doce ou funcho, é uma planta que é utilizada com fins medicinais no combate à má digestão, aos gases, dores de barriga, inchaços, resfriados e também na confecção de confeitos e no fabrico de licores.


quarta-feira, 31 de outubro de 2018

E agora???

O antes e o depois.

Com neve ou sol no telhado,
Sou sempre a mesma mulher
Vivendo com muito agrado,
Tentando ao máximo colher
Tudo o que a vida vai dando...

Com neve ou sol no telhado,
loira, ruiva ou branquinha
Ou de acastanhados cabelos,
Sou sempre a mesma Clarinha
Dos idos e felizes tempos...

Com neve ou sol no telhado,
Não me sinto velha nem nova
Nem feia, nem mesmo bonita,
Sinto-me mulher que se renova
Quando minha vida se agita...

Com neve ou sol no telhado,
Sou uma setentona feliz,
Com  experiência bastante
Para saber de raiz
Que agradar a toda a gente
Só Deus, mas é quando calha! 

Clara Faria da Rosa
31/10/2018













sábado, 27 de outubro de 2018

Por Causa da Mudança da Hora

A história que te vou contar é muito antiga  e tem a ver com a alteração da hora , é uma história simples, mas que todos os anos era lembrada em nossa casa pela minha mãe um pouco envergonhada por ter caído num erro tão estúpido - dizia ela.
Acontece que o que nós temos de maravilhoso na vida é a capacidade de aprender com os erros  e de fazer sempre melhor, é o que ela dizia :- nunca mais comento semelhante asneira, agora vou estar mais atenta!
Mas vamos à história:  na noite que antecede a mudança da hora para o horário de Inverno, há muitos anos, não sei quantos, mas são muitos, minha mãe foi para a cama com a preocupação dessa alteração e de se levantar a horas de ir à missa da manhã - como se dizia - pelas 7 horas, porque depois da missa queria fazer o almoço e ir a Santa Luzia visitar a sua mãe, e ainda era um bocado a pé, naquela altura não havia automóveis como agora. Deitou-se, dormiu e acordou estremunhada pensando que tinha dormido muito, olhou para o pequeno relógio, na banca de cabeceira e, não se sabe como, pensou já serem horas de se levantar para ir à missa.
-O diabo tece-as! dizia ela,com uma expressão entre o zangado e o divertido.
Lá se levantou, tratou de pôr água na panela com os temperos e enquanto aguardou a fervura foi-se arranjar após o que deitou a carnina na panela, porque a minha mãe usava muito o diminutivo, ele era a , o leitinho, o pãozinho, a manteiguinha, o vestidinho... só eu a quem normalmente chamavam Clarinha era Clara quando fazia alguma maldade e ela dizia:
-Clara! Ficava em sentido, sem saber onde me meter...
Ficou a panela ao lume, porque a carne parecia dura, baixou o fogo, e saiu muito devagar para não acordar o meu pai e preocupada, porque já ia tarde para a missa.
Estranhou ao sair não encontrar nenhuma das vizinha, mas como ia atrasada...
Ao passar no cruzeiro ainda olhou para nossa senhora que dormitava no seu nicho, olhou para a casa  da senhora Albertina , do Alfarra , do Luís do Morgado, ninguém!
-Vou mesmo atrasada, pensava com os seus botões...
Tinha esperança de ver descer a rampa de casa, a senhora Nazaré do Ratinho, mas não, nem vivalma!
Sobe apressadamente os degraus da igreja e encontra a porta principal fechada. 
- O que se passa? Terá o sacristão adormecido? Estará a porta lateral aberta? Não tudo fechadinho nem um ovo!
Até aqui muito calma, deu por si com o coração aos pulos, sem compreender bem em que alhada estava metida.
-Querem ver que a missa é mais tarde hoje e eu não soube da mudança?!!
No regresso a casa quase que os pés não tocavam no chão, devagarinho entrou em casa, apagou o fogão e foi-se deitar novamente, quando pelo canto do olho vê o pequeno relógio que marcava 2 horas da madrugada, uma hora, porque a hora atrasava, e o meu pai dormia regalado sem dar conta das turbulências que se passavam à sua volta.
E então a minha mãe rematava ao contar esta história:
-Deus sabe que a minha vontade de cumprir era grande!

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

À procura do Sol!

Os meus pobres, tristes e raquíticos girassois...


Num  mês de Março, de um ano um pouco distante, fiz uma coisa que para mim foi uma tarefa "hercúlea", semei girassois! A partir daí fiquei a esperar e a sonhar com abundantes renques de grandes flores amarelas, decorando as redondezas da minha casa e alegrando nossos olhos e os dos vizinhos e visitantes. Fiei-me então na sorte que faria brotar as grandes flores amarelas com seus olhos castanhos, a espreitarem o sol... O pior foi mesmo ter incluído a sorte em meus planos!!! E esperar sentada, como se costuma dizer.
Eis senão quando vejo florir as flores do meu vizinho que me havia dado as sementes e as minhas, nada... ficaram grandes, mereciam elogios das pessoas que passavam, as outras, as do vizinho, as minhas foram brotando a custo, devagarinho, envergonhadasraquíticas... e eu decepcionada e envergonhada como as minhas flores!
Envergonhada sim, porque com a minha idade e experiência de vida, já deveria saber que essa atitude de se esperar pela sorte não dá certo; temos de lutar, trabalhar, insistir, suar para que dê certo e então o sol, as flores, a cor, a felicidade brote na nossa vida.
Não falo de projectos grandiosos, falo do dia a dia , da amizade, das relações interpessoais em família, no trabalho, na escola, falo da saúde, da nossa casa, dos estudos, do crescer... Tudo dá trabalho, tudo tem que ser regado, adubado, amado, acarinhado, para se atingir o patamar ideal que propicie êxito, resultado, bem - estar e felicidade.
Não podemos mudar a direcção dos ventos, é algo que não está ao nosso alcance, mas podemos regular a nossa vida para rumarmos a bom porto, a bom destino, fazendo o que acreditamos ser certo, aproveitando o encantamento que nos rodeia, não esquecendo que para cada problema há uma solução, basta regar os girassois e ter presente que esta flor leva a vida a girar à procura do sol.
Os meus raquíticos girassois tiveram o condão de me fazer pensar nestas coisas, não se perdeu tudo...
E tu amiga(o) , não te esqueças da minha triste experiência, aduba, rega, ama as flores que a vida te oferece e procura o sol que aquecerá o teu coração!!!

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Eu quero sorrir...

Eu quero sorrir
Para ti,
Minha amiga de verdade,
E para ti também,
Para quem sou indiferente.
Eu quero sorrir
Para os que sofrem
Terríveis e cruéis doenças, 
Do corpo, do coração ou da mente
Ou de saudade de alguém. 
Eu quero sorrir
Ao vento
Para que espalhe uma mensagem
De  alegria e esperança
E que na aragem te traga
Paz, trabalho e muito amor.
Eu quero sorrir
Ao Sol
Para que a todos aqueça
E que da terra faça brotar
Muito verde, muita cor.
Eu quero sorrir
Ao mar
Para que a espuma das ondas
Espalhe muita ternura
E apague a amargura
Dos desamparados e pobres.
Eu quero sorrir, sorrir, sorrir...
Até meus lábios gelarem,
Até meus olhos não verem,
Os indiferentes e inimigos,
Os familiares e amigos,
O vento, o sol e a espuma do mar
E os pássaros a chilrear.
Eu quero sorrir, sorrir, sorrir...
Para sempre!

Clara Faria da Rosa