segunda-feira, 22 de agosto de 2016

 -O que é que é, que mal entra em casa, se põe logo à janela?


Como o título sugere, hoje vou falar de botões e é por isso, que estou aqui, toda pimpolha, com a minha pregadeira feita de botões, isto porque sempre apreciei estes objectos pequenos ou maiores, redondos ou quadrados usados para fechar e ajustar a roupa ao corpo ou e ainda por motivos estéticos.
Segundo a Wikipédia, há indícios da existência dos botões desde 3000 anos A.C. contudo, o fabrico efectivo dos mesmos, remonta ao século XIII, tendo-se desenvolvido e florescido esta indústria de fabrico de botões em França nos séculos XV e XVI.
No livro " O Botão ao Longo dos Tempos", pode ler-se que já no século XIV o botão fazia parte dos objectos úteis, e daí passou para ornamento; Conta ainda, o mesmo livro que, os gibões da nobreza, por volta do reinado de  Henrique III, eram guarnecidos com botões de ouro, prata e pérolas .
Vai daí, e depois de tantos anos  e tanta evolução, deu-me para procurar lindos e antigos  botões  em forma de flor, e de os colocar não à janela, mas numa renda antiga fazendo uma linda, sóbria e requintada pregadeira, que me preza muito. 
Gosto de guardar botões antigos, de roupa que já não se usa, porque eles lembram-me sempre uma história, uma roupa, uma festa, ou uma pessoa. Nesta caixa, se me debruçar a valer sobre o seu conteúdo, posso ver a minha vida passar, assim como  a da minha mãe,  porque contém botões de há muito tempo, apesar de eu gastar muitos, em trabalhos que faço.
E agora, vamos combinar fazer nas nossa vidas, o que eu faço com os botões, aproveitemos o que nos acontece de melhor, e façamos um "bouquêt" para pôr ao peito, o resto deixemos bem no fundo, mas bem lá no fundo, para que não nos incomode nem nos faça mal! 






Figos e gramática



Quando olho a minha enorme e antiga figueira lembro-me da minha mãe, que adorava figos com pão, lembro-me do Natal em que usamos comer figos passados, do melaço que faço com as suas cascas, dos figos pretos, que costumava ir untar e apanhar com a minha avó, numa figueira que ainda existe, mas que já não produz por não ser tratada, de figos pingo de mel, figos cristalizados,  figos secos...Lembro-me também de ter lido, não sei onde, que a figueira é a primeira planta descrita na Bíblia, quando Adão se veste com as suas folhas, ao notar que está nu, e nós a pensarmos que havia sido uma folha de videira! Enfim, lembro-me desses deliciosos frutos carnudos e suculentos que nos deliciam a todos. Mas isso é só lembrança, é só o que sucede quando olho de relance, acontece porém que hoje olhei e vi, sim porque há uma grande diferença entre o olhar e o ver...Vi que alguns dos figos da minha figueira já estão amarelinhos, macios, luzidios e de biquinho avermelhado a rir-se para mim... Foi então aí que entrou em acção  a dita gramática e, comecei a pensar com os meus botões, que é como quem diz comigo própria:
-Figos lampos, ou lampeiros, temporões, prematuros, antónimos de  frutos serôdios, aqueles que aparecem ou que amadurecem no fim da estação própria...
E para não ser serôdia, pois sempre gostei de estar em cima do acontecimento, aproveitando o que verifiquei hoje de manhã, logo, toda lampeira, temporã, isto é no tempo próprio, apressei-me a dar-te conta deste "importantíssimo" facto gramatical, que não salvará o Mundo, mas que teve o privilégio de me pôr a pensar, assim como a ti, espero, pois todos nós sabemos que uma das  principais e mais importantes vantagens do ser humano é pensar pela própria cabeça, o que  ajuda a que se mantenha lúcido e mentalmente activo! 

sábado, 20 de agosto de 2016

O Mundo, tão grande e tão pequeno!

Hoje, Sábado de manhã, dou uma volta pela baixa de Angra e deparo-me com uma montra decorada conforme podes ver na fotografia, resquícios das nossas  Sanjoaninas  que, muito a propósito, assinalaram os 250 anos da instalação da capitania geral no palácio dos Capitães Generais em Angra o que fez desta cidade, capital dos Açores. As rotas e o comércio marítimo, a defesa da coroa , Angra capital no meio do Atlântico  e a mais alta condecoração portuguesa,  o colar de torre e espada, foram temas que povoaram as nossas artérias principais por essa altura. embora já decorridos dois meses , dei por mim a pensar em tudo isto, também porque ando a ler o livro de João Gago da Câmara " Dos Vulcões ao Desterro" apresentado ao público angrense no dia 16 de Junho p.p., o qual trata da emigração e dos laços históricos entre os Açores e a ilha de Santa Catarina, no Sul do Brasil. Costumes, tradições, maneiras de ser, de falar, para lá levados pelos nossos antepassados,tudo pode ser captado nas crónicas do autor o qual, a certa altura, e para não me alongar muito , diz o seguinte acerca da renda de bilros lembrada na montra que me despoletou este pobre escrito:
- "...Vem do relacionamento dos povos do Ocidente com os povos do Oriente, na época dos descobrimentos marítimos, tendo tido grande expressão nos arquipélago da Madeira e dos Açores, Principalmente originária da China, esta arte chega à ilha de Santa Catarina através da emigração açoriana , acontecida em meados do séc. XVIII.
A renda de bilros é trabalhada com pontos no ar, sem o suporte de tecido. Os fios são presos de um lado a uma das extremidades do bilro e a outra extremidade é presa por  alfinetes num cartão, com o desenho da renda pretendida, fixo numa almofada..."
 A olhar para aquela montra concluo que é bem verdade o que diz João Gago da Câmara  no último parágrafo da página 26 do seu livro. " O povo quando parte, leva consigo o que mais gosta e o gostar de um povo dura para sempre.", e apetece-me ainda acrescentar: na verdade, para a cultura, para a saudade, para o saber e para a resiliência do emigrante açoriano, não há fronteiras e o Mundo não é tão grande como pensamos...

Faz hoje CINCO anos...
A ausência que aumentou a amizade
No início da década de sessenta, tinha eu já feito o ensino primário, e o chamado ciclo preparatório e estava a frequentar o Curso de Formação Feminina na querida e extinta Escola Industrial e Comercial que funcionou nesta cidade de Angra do Heroísmo, entre 1885 e 1978. Era um estabelecimento de ensino técnico/profissional, tendo sido a 1ª escola deste tipo a existir nos Açores e formado muitos operários especializados e técnicos comerciais e industriais, oferecendo também cursos de Formação Feminina. Esta escola secundária funcionou no palacete do Comendador Silveira e Paulo ou Palacete dos Africanos situado ao cimo da Rua do Galo, junto à igreja de Nossa Senhora da Conceição e foi integrado no Liceu de Angra do Heroísmo por força de um Decreto de Abril de 1978.
Foi, portanto, este estabelecimento e este curso que eu frequentei antes de ingressar na escola do Magistério Primário de Angra, pois o meu sonho era ser professora mas os meus pais, especialmente a minha mãe, mais atenta a estas coisas, entenderam que frequentando primeiro este curso ficava com mais competências e mais preparada para a vida. E em boa hora o fizeram pois eu senti-me muito feliz nesse período da minha vida. Adorava o lindo edifício para onde me dirigia todos os dias, que comparado com a simplicidade das casas rurais da minha freguesia era uma coisa sumptuosa, e respeitava todos os meus professores e gostava de todas as colegas que se foram tornando amigas e factores de satisfação e confiança na minha vida. Sei que é humanamente impossível dizer quando começa uma amizade, contudo o facto de ter sido aceite pelas minhas colegas de turma com delicadeza, carinho e tal como era , foi para mim um elogio e um factor de satisfação que me deu coragem e força para continuar a caminhada.
Nunca somos suficientemente ricos que possamos viver sem um amigo e eu era rica e feliz com aquelas amigas!
O tempo foi passando, cada uma foi para o seu lado, seguindo o seu destino, algumas já partiram desta vida, outras emigraram, mas a ausência não fez diminuir a amizade, aumentou-a porque era autêntica e genuína tal como o vento, que apaga a vela por ser fraca, e ateia os fogos que são fortes.
Pois uma dessas amigas, radicada na Califórnia, Maria da Conceição Dias da Silva, esteve de passagem pelos nossos Açores e pela nossa cidade, faz cinco anos, e nós quisemos dizer-lhe isso mesmo, que a amizade e admiração aumenta com a distância quando é verdadeira, reunimo-nos com ela, a almoçar, num restaurante da nossa cidade e passeamos pela nossa marina, despretensiosas, despreocupadas e alegres como se fossemos as adolescentes de então.
Antes porém ao almoço dissemos à amiga Conceição que: Amizade:
Amizade é brisa suave,
Que ultrapassa os verdes montes,
Atravessa mares e oceanos
Palmilha Planícies e vales
Resiste ao tempo, aos anos…
Amizade é vento forte,
Que abana os mais distraídos,
Lembrando os tempos passados
Na cumplicidade vividos,
Com nostalgia recordados…
Amizade é um vento húmido,
Que entranha todo o nosso ser,
Transformando a ausência em presença,
E nos faz de saudade estremecer,
Envolvendo o amigo na lembrança…
Amizade é ventania,
Que ao passar do tempo resiste,
À Distância que a vida obriga
E à ausência que existe
E faz da saudade cantiga...
Esta nossa amizade,
Foi brisa suave,
Foi vento forte e húmido
E ventania….
Resistiu ao tempo,
À ausência,
À distância
À Vida…
E trouxe-nos este belo momento
Que não queremos esquecer…
Guarda-lo-êmos no pensamento
Enquanto pudermos viver!!!
Pois foi isto que dissemos à amiga Conceição Dias da Silva, por entre comoção e algumas lágrimas, com um pedido do grupo para que voltasse, o que infelizmente ainda não aconteceu, para podermos, mais uma vez, estar com ela numa tarde tão agradável com a que vivemos naquela tarde de 2011, faz hoje cinco anos!
A nossa colega e amiga Conceição Dias em 1963, antes de emigrar:
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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

32º Festival Internacional de Folclore:

Muito se tem dito e muitas fotos  se têm mostrado do 32º festival internacional de folclore realizado em Angra do Heroísmo, Terceira,Açores, este ano denominado de FOLK AZORES , por ser um festival internacional, e com muita razão, pois foi um acontecimento que não se pode deixar passar ao largo.
Tendo plena noção de que não podemos ficar à espera do conhecimento,antes pelo contrário, devemos sim, ir até ele , estive lá, no espectáculo de encerramento,na praça de  touros da ilha Terceira, em que se exibiram grupos folclóricos e etnográficos da América, Europa e Oceânia e de países como Colômbia, Equador, Eslováquia, Espanha, França,Itália, México, Nova Zelândia, Polónia, Roménia, Sérvia, e ainda O grupo de folclore de Machico da ilha da Madeira, sendo o espectáculo iniciado pela exibição do grupo local , Grupo de Bailes da Canção Regional Terceirense a comemorar este ano as suas bodas de ouro.  
O espectáculo iniciou-se com a apresentação de uma orquestra em que foram intervenientes músicos das várias nacionalidades presentes interpretando músicas regionais dos Açores e terminou, em jeito de despedida, com uma coreografia,  à qual não assisti, mas que depreendo ter sido, à semelhança dos anos anteriores um fim digno do espectáculo precedente .
Foi uma noite de cultura memorável que contou com o entusiasmo de todos os presentes, milhares de pessoas, que naturalmente compreendiam  e sabiam   que o que cada grupo representava era  a sua herança cultural e que com o seu esforço a nível individual e colectivo se dedicam a manter viva essa chama da identidade do seu país e a de passar adiante as suas culturas!
Um ano mais, um aplauso, mais que merecido,  ao COFIT ( Comité Organizador de Festivais Internacionais da Ilha Terceira) pelo excelente trabalho despendido na organização deste maravilhoso evento.


















domingo, 14 de agosto de 2016

Tourada à corda na ilha Terceira

Tourada no porto de São Mateus:
Chegaram ao porto os toiros. Os foguetes subiram no ar em grandes e estrelados estoiros: - Pum!Pum!Pum!---
O povo apareceu e, como que por magia, logo se juntou enorme, colorida e barulhenta multidão. Não era um ruído desagradável, mas sim um ruído característico, peculiar, tradicional, que aos ouvidos dos terceirenses soa a música...
O rapaz dos cestos faz o seu trabalho e alguém chama:
-Eh, rapaz, que tens aí?
-Favas, pipocas, batatas e milho torrado...
-Olha o toiro, foge rapaz!
Lá foi o desgraçado, veloz, lampeiro mas não o suficiente... o chão ficou pejado dos pequenos sacos da sua mercadoria e logo todo se chegaram para ajudar.
Os pastores de camisão branco, com o logótipo da ganaderia para a qual trabalham, calças de cotim, e chapéu de abas, de feltro preto, agarravam a corda e orientavam o toiro, no sentido de este não ir para além do percurso estipulado e marcado na estrada, com largas faixas brancas, homens valentes, que por vezes, também passam os seus sustos...
Os capinhas apareciam sem se saber de onde, e eram aplaudidos pela sua valentia e os rapazes eram agarrados à força, levados pelos amigos para a água. Uma brincadeira que já é tradição e muitos deles já vão preparados e a contar com isso e nadam junto do touro, que entra na água e se espaneja a gostar daquele banho refrescante
No ar havia um cheirinho peculiar às bifanas e aos outros petiscos da tascas, e o céu, a terra e o mar conjugaram-se para que aquela tarde de tourada fosse perfeita.
Não faltou nada, até as mulheres nas tapadas, nos barcos e negros calhaus davam gritos histéricos de aflição quando um capinha, mais afoito, corria certo perigo!
São assim as touradas à corda na ilha Terceira, Açores, onde à roda da ilha, que é mais ou menos redonda se podem apreciar em canadas, portos, areais, largos e ruas , umas mais afamadas do que outras mas todas ocasião de divertimento, convívio e catarse das labutas e canseiras do dia a dia, assim como um grande contributo para a economia da ilha.

sábado, 13 de agosto de 2016

Até ao quentinho dourado do Sol...
Ontem foi o dia do meu 68º aniversário, deveria estar triste porque na sociedade actual sobrevaloriza-se sobremaneira a juventude e a beleza que lhe está subjacente, em detrimento da sabedoria, da experiência, da capacidade de amar, tolerar, desculpar e ajudar ; Contudo, não estou nada triste, pelo contrário, sinto-me contente e realizada. Embora saiba que não posso viver eternamente, isso para mim não é importante, o que quero é viver bem enquanto puder. Não quero nem devo queixar-me da vida porque não sei como será a morte...
Ao olhar para trás vejo que caí muitas vezes, mas que consegui levantar-me outras tantas, que disse sempre o que pensava ser o mais correcto, tentei dar sempre o máximo nos projectos profissionais ou comunitários em que me envolvi, tentando conservar-me fiel ao meu carácter, sempre consciente de que podia estar enganada mas que como qualquer cidadão tinha e tenho o direito de estar enganada .
É por tudo isto que digo que estou feliz, contente comigo própria, e com a minha vida, que vou pintando com as cores que mais me agradam, não esquecendo nunca que nas árvores, mesmo após chuvadas abundantes e fortes rajadas de ventos, há sempre folhas resistentes, que se agarram tenazmente aos ramos para nos darem exemplos de força voluntariosa e de grande tenacidade.
É isso mesmo, força, voluntariedade e tenacidade, nos sessenta, nos setenta, nos oitenta, nos noventa, até que o vento, de mansinho, leve a folha por entre as nuvens de algodão , raios de

 luar, brilhos de estrelas, até ao quentinho e dourado do Sol!

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Em dia de aniversário: Reflexões:

Há um provérbio, creio que brasileiro, que diz o seguinte:
- "O longe só é longe se você não for lá" ...
Hoje pus-me a pensar nesta grande verdade, e no que ela encerra de sabedoria e lembrei-me que quando era criança e jovem adolescente, pensava que os sessenta, setenta, e oitenta anos estavam tão longe, mas mesmo tão longe, que tinha a certeza,  nunca os faria, nunca os teria , seria sempre jovem, saudável, ágil e protegida pelos mais velhos, pois tinha a certeza de que estes tinham nascido assim, e estariam sempre lá, como que fazendo uma barreira que não me deixaria avançar na idade.Contudo hoje, dia em que celebro o meu sexagésimo oitavo aniversário, constato que isso afinal não estava assim tão longe, e que cheguei aqui mais rapidamente do que imaginava ser possível, deixou de ser longe, porque cheguei cá, conforme dizia  o provérbio...Estes anos passaram como uma aragem forte e determinada que não pediu licença a ninguém para passar nem mesmo a mim dona da minha vida! Agora resta ir até mais à frente, mais longe, o que segundo a minha experiência, passará também mais depressa do que aquilo que desejo. A propósito, e como não há nada como o sentido de humor para nos ajudar a aceitar e a ultrapassar certas angústia conto uma anedota engraçada que li algures:
- Uma senhora entrou numa loja e pediu à balconista  um metro de elástico. Aí a empregada, abriu uma gaveta, pegou num minúsculo pedaço de elástico, colocou-o sobre o metro de madeira, esticou-o, esticou-o ao máximo, até ele atingir a medida certa,  e disse à cliente que olhava estupefacta:
- A senhora está com muita sorte, só sobrou mesmo este metro! 
É uma história engraçada da qual me quero lembrar nos anos que tenho pela frente para viver, porque quero esticá-los, esticá-los, esticá-los, com muita força,com muita determinação, com muita alegria, com muita serenidade e assertividade, até que o elástico da minha vida não resista , rebente e me catapulte para além das nuvens, para junto das estrelas onde me lembrarei com carinho e saudade dos problemas, desaires, alegrias e conquistas que vivi ao longo da minha vida, da minha família e dos meus amigos com quem espero contar ainda por vários anos, assim o elástico da vida o permita!  

  

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Heróis de Portugal ( de ontem e de hoje )

Perante a catástrofe que tem assolado o nosso país, varrendo e destruído tudo à sua frente, assim como na ilha da Madeira onde o fogo, impelido por ventos fortes, entrou, sem pedir licença, no centro histórico da mesma, causando mortes e tragédias difíceis de esquecer e de ultrapassar, lembrei-me que em tempo muito recente, mais precisamente no 3º Domingo do passado mês de Julho, visitei o Museu dos Coches em Belém, onde está patente um interessante espólio usado pelos bombeiros em tempos idos. Ao deparar-me com tal alfaias não pude deixar de pensar que ou não havia fogos à altura, ou ardia tudo, ou então os bombeiros nossos avós, eram ainda mais corajosos, mais abnegados, mais heróis do que os actuais soldados da paz, coisa que considero impossível, face ao trabalho que têm vindo a desenvolver perante o qual, na minha insignificância, me curvo e lanço um grito aos ventos, na esperança de que o mesmo chegue até eles:
- Bravo, bravo, bem hajam e obrigada pelo que têm feito pelos outros e pelo nosso país em geral !!!








O véu da minha mãe:




Estive uns tempos por  Lisboa e, como sempre, apesar do calor, a capital fervia com tanta gente, muitas raças, muitas línguas, muitas diferenças... Enfim, turistas curiosos e com vontade de aproveitar o sol de Portugal e as suas férias para regressarem a casa revigorados  e prontos para novas pelejas. Também aproveitei, e se há coisa de que eu gosto de fazer, é de entrar nas igrejas e de apreciar o seu esplendor, a sua grandiosidade, as suas características e, não o fiz sozinha, porque eram tantas as pessoas a sair e a entrar nos templos, que até parecia que o Espírito Santo tinha repentinamente descido sobre aquela multidão a qual de um momento para o outro ficara imbuída de uma fé especial. O que me impressionou, e impressiona sempre, é o à-vontade com que as pessoas entram nas igrejas apreciando as suas belezas, esquecendo que as mesmas são o "sacrário" que alberga, segundo a nossa fé, o Deus todo poderoso...
Muita máquina fotográfica, muita falta daquele misticismo que se deve vivenciar num lugar sagrado, muita falta de roupa, pois o calor era abrasador, muito homem de chapéus e bonés sem se darem ao trabalho de descobrirem a cabeça ao entrar no templo. Foi aí que me lembrei do véu de minha mãe que guardo religiosamente, muito bem dobrado, e embrulhado em papel de seda, no fundo de uma gaveta, que ela usava graciosamente quando ia à igreja, dando cumprimento a um preceito bíblico que, creio, vem do início do cristianismo e se preservou por milénios, havendo ainda, pessoas e grupos mais conservadores que conservam esse hábito que  após o Concílio Vaticano II deixou de ter carácter obrigatório.
Este uso, com referências bíblicas, assim como o de o homem ter de entrar na igreja de cabeça descoberta , eram, quanto a mim, costumes bonitos que demonstravam modéstia e respeito na presença do Senhor.
É verdade que este é um costume muito remoto, e que precisamos de fé e pureza  é no coração e estas não estão na  no exterior contudo, o nosso modo de estar e de ser pode ser um indicador  de como devemos conduzir o nosso interior.
E foi por tudo isto, e devido aos inúmeros turistas que encontrei por Lisboa, que  fui buscar o véu de minha mãe, para que ele me faça lembrar de como me devo conduzir, pois sinto muita vez uma força inexplicável que me faz desviar do caminho certo!


sexta-feira, 15 de julho de 2016

Tesouros:
Para mim, o termo tesouro, não se identifica com riquezas, dinheiro, jóias e ou ouro ,mas sim, com coisas de que gosto, que considero belas e que me alegram o dia a dia,os olhos e o coração. Ora se há coisa de que gosto muito é de louça da fábrica Raul da Bernarda, a mais antiga fábrica de louça de Alcobaça cuja fundação ronda o ano de 1875 a qual tem um espaço museológico com peças representativas dos estilos desenvolvidos, na mesma, ao longo da sua laboração.
Tenho várias peças Raul da Bernarda e embora tendo plena noção de que "as coisas mais importantes na vida não são as coisas mas as pessoas" preservo-as com cuidado e carinho porque me dão alegria e contam uma história. Acontece que recentemente tive a sorte de encontrar mais uma peça destas a um preço razoável e lá a adquiri .Muitíssimo original, com carimbo e número, com  um desenho, pintura e policromia lindos! Aqui está ela , e não penses mal de mim, por gostar destas coisas, porque eu sou como o tempo já não me importo com as criticas e tenho um lema de vida que é tentar passar o tempo sem ficar velha e esta atitude ajuda-me a passar o tempo de forma tranquila e entusiasmada sem pensar muito no que vem por aí... 




quinta-feira, 23 de junho de 2016

 São João, Santo festeiro:
Esta é a imagem de São João que todos os anos regressa à esquina da rua da Sé com a rua com o nome do Santo, isto em Angra do Heroísmo, Terceira Açores. É o Patrono das festas que estão a decorrer com um vasto programa as quais, por tradição, festejam o solstício de Verão, que tem lugar a 21 de Junho e é celebrado até ao fim do mês, é o momento em que, segundo os estudiosos, o Sol perde o controlo e atinge o máximo da sua força. Nessa noite a ordem das coisas é alterada e tudo pode acontecer...
São João, segundo São Lucas, foi o precursor de Cristo, tendo sido a voz que clamava no deserto, anunciando a vinda do Messias. Filho de Zacarias e Isabel, só mais tarde, depois de ter baptizado Jesus é que recebeu o cognome de "O Baptista". No calendário religioso está-lhe reservado o dia 24 de Junho por ter sido o dia do seu nascimento. Tem o titulo de santo festeiro por isso há muita festa no seu dia em especial muita dança, daí as marchas com o seu nome. Este ano em Angra do Heroísmo, atendendo ao elevado número de marchas, desfilam nas noites de 23 e 24, para que se torne menos moroso, menos cansativo e sejam melhor apreciadas..
Em Lisboa compram-se manjericos, cravos, alhos-porros e martelinhos para bater nas cabeças de quem se encontra, naturalmente, para os manter bem acordados para a folia. Comem-se sardinhas assadas, saltam-se fogueiras, enchem-se e largam-se balões, fazem-se concursos de janelas alusivas ao São João, e marchas populares em vários locais do país quero contudo, destacar aqui o que se passará em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, a minha cidade nas próximas noites que serão repletas
de magia, cor alegria, criatividade, pedagogia, arte e são convívio que dificilmente se pode explicar por palavras, só vendo, vivendo, sentindo, presenciando se pode ficar com a ideia do que se passará que impregnará a alma da multidão presente da alegria atribuída a este santo.
Vem até cá, estás convidado/a, se este ano não tiveste essa possibilidade, programa a tua vida para que possas juntar-te ao povo terceirense no próximo ano!!!

quinta-feira, 16 de junho de 2016

À minha amiga Lulu,( Lúcia Alves) no dia do seu aniversário

Tudo era puro então,
O nosso meigo e ingénuo olhar 
que se perdia no futuro,
O nosso sorriso franco a desfolhar 
que não antevia o mundo duro,
A água cristalina correndo p'ró mar
e nós vivendo, como fruto pouco maduro... 
Sem que nos perguntassem
Crescemos,o tempo veloz passou,
Fizemos-nos mulheres, a vida mudou,
Agora, as estrelas são diferentes
Brilham menos,  nossos olhos,
Às vezes estamos tristes, 
Desanimadas, descontentes,
Sorrimos menos,
Porque sabemos,
Porque aprendemos,
Porque adivinhamos,
Que nem sempre a água corre p'ró mar,
Que a luz não tem sempre o mesmo brilho,
Que nem sempre tudo é puro e franco.
E às vezes apetece gritar,
Ao céu, à terra e ao vento brando
Que tragam às gentes, um viver tranquilo,
Um amor e uma paz que permitam sonhar
E antevemos que o futuro,
já é menos futuro,
E antevemos um futuro escuro,
Mas não desistiremos,
Porque temos um passado,
Porque temos um presente,
E teremos um futuro,
Onde brilhou, brilha e brilhará...
Uma linda e colorida flor,
A flor da nossa amizade!

Clara Faria da Rosa,
16/06/2016