terça-feira, 21 de março de 2023

 Poesia:

A poesia lê o mundo
O homem e a alma a fundo,
A poesia vê a dor
A fome, a tristeza e o amor,
A poesia a paz canta
E a bondade que encanta,
A poesia chora a guerra
Derramada sobre a terra,
A poesia é sentimento
Que expressa o sofrimento
Com arte, sentido, emoção,
Com alma , corpo e coração.
Poesia…
É vida é saúde, é morte
É falar da alegria e da sorte
Da inveja e da maldade
Da amizade, do amor e da saudade!
Clara Faria da Rosa
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domingo, 19 de março de 2023

NAVALHAS:

 

A NAVALHA DO MEU PAI...

Hoje vou falar de navalhas, não dos mariscos muito apreciados, não por  mim, que nunca provei, mas pelos " malacozoófagos!", palavrão que define os que gostam de mariscos.

Sei que alguns que me lerem  vão sorrir com desdém por eu escrever sobre uma coisa tão insignificante, porém os mais sensíveis, esboçarão  um sorriso ternurento e lembrar-se-ão, com saudade, de pormenores passados que ficaram registados nas nossas memórias.

Pois é, falo de uma pequena faca dobrável, com lâmina de aço que se guarda numa fenda do respectivo cabo, penso que atualmente seria considerada uma  arma branca, mas, o que é certo, é que o meu pai andava sempre munido da sua navalha e nunca agrediu nem matou ninguém!

Para ele, aquilo era tudo, servia para as enxertias, para apanhar o tabaco e fazer as torcidas e posteriormente os cigarros, picava as batatas para as sementeiras e sei lá que mais! O que é certo é que nunca a deixava e se, por acaso a perdia, aquilo era um - ai jesus que não encontro a minha navalhinha! Até voltar a encontrá-la não se calava...

A navalha servia e serviu para muita coisa na vida do meu pai , só não consegue cortar a saudade, e a sua presença no meu pensamento, neste dia dedicado a todos os pais presentes e ausentes!







quarta-feira, 8 de março de 2023



Não escolhi!


Não escolhi,

Mas mulher nasci

E aceitei...

As dores, os sofrimentos,

As alegrias e bons momentos,

O perfume da maternidade,

A bondade e a maldade...

Não escolhi,

Mas mulher nasci

E aceitei...

As flores que me foram dando,

Os espinhos que foram picando,

Com força , com vontade

De a vida melhorar,

De as mulheres valorizar...

E se pudesse renascer, 

E se pudesse escolher,

Escolheria ser mulher,

E passar o que já passei,

Hoje, dia da mulher,

E todos os dias, meses e anos,

Porque as mulheres são árvores

Com raízes profundas e fortes,

Que se espalham... 

Nos dias, nos meses, nos anos,

Na vida! 


 CLARA FARIA DA ROSA,

08/MARÇO//2022

 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

 A mãe do menino sonhava:

E o o menino desfilava
Na festa de Carnaval,
E a mãe, feliz, gozava
Aquele momento especial,,,
E o Menino passava
E a mãe com comoção,,
Aquele momento guardava
No fundo do coração.
A mãe, ingénua, pensava
Que o tempo iria parar,
Mas muitos anos passaram
E o desfile agora é outro,,,
Já não é soldado o menino
Mas está sempre bem guardado
No coração de sua mãe!
Clara Faria da Rosa
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NESTE

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

 

E o amor aconteceu...


 Eu vi nas festas das Lajes
O amor acontecer,
Eu vi nas festas das Lajes
O que é o amor bem viver
Nestas festas da Terceira
Linda ilha dos Açores,
Vi uma idosa à maneira,
Devido ao Sol e aos calores,
O seu amor resguardar
Sentado numa cadeira
Um amor bem guardado 
E sempre muito bem cuidado
Com carinho, com respeito
Em anos e anos a eito
E logo ali concluí:
Que o amor não são flores
Nem joias, carros ou casas
Nem despiques, nem rancores 
Nem lindas e caras oferendas
O amor é bem cuidar, 
O amor é muito querer,
O amor é atento estar,
E o outro proteger!

Clara Faria da Rosa,

sábado, 11 de fevereiro de 2023

 


Celebrando-se hoje, 11 de Fevereiro, o dia mundial do doente, mostro-te esta pequena peça perguntando se sabes o que é. Algumas pessoas saberão para que serve, outras desconhecerão a utilidade deste objecto. O mais destacado é uma peça da vista alegre, muito fina e com um suave desenho, os outros menos elaborados, louça de Sacavém, têm a mesma função, são conhecidos por bules de acamados os quais possibilitam que, o doente deitado, possa beber alimentos líquidos sem que estes entornem como acontece com um copo vulgar. 

Neste dia dedicado ao doente, formulo votos de que não necessitemos de os usar, mas se caso for, que a providência nos proporcione um caridoso cuidador que nos sirva um caldinho, leite ou um reconfortante chá que faça esquecer, por momentos, a difícil fase que vivemos!  


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

 Em dia de compadres:


E chegaram os amigos

Que prontamente festejaram,

Depois vieram as amigas

Que alegremente repetiram...


Hoje são os compadres

Que juntos vão comemorar,

Depois virão as comadres

Que seu dia vão lembrar...


E por serem dias de alegria

Este cavalheiro aqui presente 

E sua elegante companhia


Dama de  grande requinte

O par a todos cumprimentam

E bom Carnaval  vos desejam!







quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

 

Ai que saudades do bolo amor!

 Não quero ser saudosista mas hoje deu-me uma saudade  dos Carnavais da minha meninice, é uma saudade que mói cá dentro e que me dá vontade de partilhar com alguém essas memórias que me acompanharão até ao fim.

Naquele tempo, festejava-se mais o Carnaval do que o Natal, havia sempre uma mesa preparada para quem aparecesse, ele eram as queijadas de côco e de feijão, ele eram os caramelos, os rebuçados de vinagre muito bem embrulhados em papel de seda de várias cores e com as pontas cortadas às tiras, que faziam um vistão, as filhós fritas, que a minha mãe fazia questão de ficarem com uma tira mais clara nos lados, as filhós tendidas que iam ao forno de lenha em grandes tabuleiros de lata, os coscorões feitos numa panela meia bojuda e com uma pequena cana que a minha mãe metia no meio da massa e dava um jeito contra a panela para ficarem como uma flor, e no meio da mesa o rei do nosso Carnaval - O BOLO AMOR! Que delícia, para mim, era uma coisa do outro mundo que lembro com muita saudade, da receita perdi-lhe o rasto, nem sei se alguma vez teve a honra de ser escrita, só sei que levava chocolate em pó, manteiga feita das natas, que a minha mãe aproveitava do leite das nossas vacas, e ia ao forno de lenha, numa lata redonda, pois não havia formas de alumínio, untada de banha que era o que havia. . . Não sei o que lhe punha mais para além da farinha e dos ovos, tudo caseiro, e com muito amor, daí o nome, ficava macio e húmido, uma delícia!

Tudo a postos, sobre a mais rica e bonita toalha que havia em casa, convidavam-se, familiares e amigos:

-Vem à nossa mesa!


Saudades desses tempos, do bolo , de que não tenho fotografia, e deste meu dançarino preferido do Carnaval 2001, já lá vão 22 anos.




sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Todas as árvores de natal são perfeitas:

Este ano, a saúde, a disposição e o ânimo não me permitiram fazer grandes adornos de Natal nem mesmo a tradicional árvore que em todas as casas enche a sala com uma luz quente e a casa com um aroma de Natal. Contudo, à falta de melhor e para lembrar a época e desejar-te as BOAS-FESTAS aproveitei  o que estava  mais à mão e aí está a minha árvore feita de peças de talher, não é perfeita como uma estrela nem como um cântico de Natal, mas para mim, representa bem esta época festiva e é um pretexto para te desejar saúde e alegria e que tenhas muita força e vontade para levares os teus talheres à boca com as iguarias deliciosas que vais confecionar e que te saibam bem!

Foi o melhor que consegui fazer, para mim, é a árvore de Natal perfeita deste Natal de 2022. 

FELIZ NATAL para ti e tua família.


segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Afinal, minha mãe estava enganada!

De carruagem para o céu....

Minha mãe, quando eu, jovem ou criança, estava impertinente querendo coisas que não podia ter, dizia-me muito séria: - Para o céu, não se vai de carruagem! - Naturalmente, não estava apensar em nuvens de algodão azul nem em subidas ao céu de asas a esvoaçar, queria dizer que temos que fazer sacrifícios e ser tolerantes para com os desaires da vida para nos tornarmos mais fortes e assertivos e encararmos as faltas e as dores com calma e sabedoria. Interiorizei este saber que me foi transmitido pela minha saudosa mãe e tenho-me contentado com o que a vida me vai dando, vivendo conforme as circunstâncias e aceitando as dores e os trabalhos que vêm até mim. Contudo, com  a morte da soberana da Inglaterra, a rainha Isabel, tenho-me questionado e concluído que tanto se pode atingir o auge da bondade, da simplicidade, da sabedoria, do amor ao próximo, da tolerância, de carruagem, de carro ou a pé, é só necessário calcorrear os caminhos que a vida nos depara com alegria de coração aberto e com espírito de aceitação

Que descanse em paz a rainha, decerto será lembrada pelos vindouros, não só pelas suas sumptuosas carruagens mas pela sua postura no cargo que exerceu e nos caminhos que percorreu.


 

domingo, 4 de setembro de 2022

 Vão-se lá entender os adultos! 


Estes são os meu avós maternos Maria Borges de Meneses 1895-1969 e António Machado de Almeida 1880-1949 que viveram e criaram os seus filhos em Santa luzia da Praia da Vitória, ilha Terceira. Por agora serem as festas nesta localidade, deu-me para pensar neles, sobretudo na minha avó pois do meu avô não tenho memórias, por ter falecido, tinha eu um ano.
Ia sempre passar as festas para casa da minha avó, o que para mim era uma alegria, pois era também uma oportunidade de conviver com os meus primos.
Guardo na minha memória muitas histórias desses tempos e hoje lembrei-me especialmente que no dia da procissão, depois do jantar, a minha avó vestia a sua casaca de brocado preto e a sua saia castanha, ajeitava o seu pelo com ganchos de osso e alisava bem o cabelo que prendia com bonitas travessas, punha a sua sombrinha no braço, pegava no missal e no seu terço e lá me levava a reboque para a missa - de - festa e sermão.
Era um martírio para mim, porque a avó era do tempo em que não havia carros e, por isso, tinha tendência para andar no meio da estrada e eu tinha que estar continuamente a puxá-la para a berma da estrada pois os carros dos americanos da base da Lajes, ali ao pé, quase no quintal, ferviam!
Na igreja era só gente de idade e adultos, as roupas cheiravam a naftalina e eu , aos pés da minha avó, sentada no pequeno banquinho de ajoelhar, olhava para o púlpito, para os torneados de madeira com uns anjinhos todos pretos, até as asas, e para o pregador, atónita, sem perceber nada, mas parecendo-me, a certa altura, perceber que ele ameaçava os presentes! Mas porquê se eu até fazia tudo o que me mandavam e rezava à noite as minhas orações?
- Avó, ele está zangado comigo?
-Cala-te rapariga, isto não são assuntos para ti!!!
Vão-se lá entender os adultos...