segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Festas da Praia da Vitória - 2012


No passado sábado viveu-se, mais uma noite de magia, na cidade da Praia da Vitória, ilha Terceira Açores. Como já é habitual, a cidade brindou-nos com um imaginativo e bem conseguido cortejo que nos transportou ao mundo da fantasia, mas também a outros mundos que à nossa semelhança vivem o Carnaval com grande entusiasmo e euforia.
Segundo diz Andreia Meneses, líder  da comissão organizadora  das festas da Praia 2012, " estava na altura de pôr o Carnaval da nossa terra no mesmo patamar de outros carnavais do mundo, nomeadamente o do Brasil e de Veneza ", e assim se fez , mostraram-se outros carnavais à mistura com fantasia, glamour e criatividade, isto com muita pesquisa, muito trabalho muito querer, apanágio dos terceirenses que, quando querem, não há nada nem ninguém que os impeça, e ainda bem, para que possamos usufruir de noites semelhantes às do passado sábado!!!

Carnavais do mundo:


Festas da Praia da Vitória / 2012 - diaporama flash

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Gente idosa e seus valores


Soube, através da comunicação social que a actriz portuguesa Eunice Muñoz, senhora  que muito admiro e que é referência do Teatro, televisão e cinema português, no patamar das melhores actrizes,  completou ontem 84 anos de vida.
Consultando a Wikipédia fiquei abismada com a enormíssima lista de trabalhos em que participou sempre com grande êxito. Claro que este é um caso de louvar, uma excepção que muito nos agrada conhecer e divulgar.Falo dele porque é um caso público, um exemplo; contudo, nem todos têm a mesma tenacidade embora cada pessoa, na sua área e no seu ambiente, desempenhe o seu papel.
 A propósito, pus-me a matutar como as pessoas idosas têm sido consideradas, pelo governo, uma causa de despesas médicas avultadas e um premente problema político que este não consegue ou não quer resolver nem atender, esquecendo-se do que fizeram e deram à sociedade.
Temos de nos lembrar do que trabalharam, muitas vezes com parcos recursos, criaram filhos, educaram-nos proporcionando-lhes muitas vezes formação superior, à custa de grandes sacrifícios e presentemente brindam-nos com a sua companhia  agradável e repousante, com a sua calma e muitas vezes com o seu sentido de humor baseado numa longa experiência de vida.
Os idosos, na maioria dos casos, são calmos, gentis, vagarosos mas atentos aos outros, em especial aos netos e muitos bastante tenazes e auto confiantes apesar dos problemas de saúde e não só com que se deparam.
Os idosos não deviam ser problema, para qualquer sociedade, mas sim motivo de orgulho e exemplo e  deviam ser abençoados e acarinhados porque nos lembram valores como a honestidade, a profundidade no pensar e sentir, a modéstia, a sociabilidade a linguagem polida  e um grande sentido de prioridade.
Ao fim e ao cabo, todos nós, uns mais distantes outros mais próximos, vamos caminhando para lá. Posto isto é caso para nos interrogarmos e perguntarmos:

-Como quero que o futuro me trate?
- O que tenho para transmitir aos vindouros, como idoso?
-Qual será a minha atitude, como idoso, perante a vida?
-Tendo trabalhado e descontado, pensando no futuro, está certo que o governo me considere um fardo, um problema político?

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domingo, 29 de julho de 2012

Um casamento de longo curso

Bodas de rubi ou diamante
Faz hoje quarenta anos que nos casámos!
 Quarenta anos é muita coisa, muitos dias, muitas semanas, muitos meses, muitas alegrias e ternuras partilhadas à mistura com muitos dissabores e algumas lágrimas e rancores... Mas, sobrevivemos...
Neste dia, que considero especial para nós, como pessoas e como casal , acordei e pús-me a reflectir nesta efeméride, que nos tempos que correm é um verdadeiro milagre  e sobre o que terá feito com que este casamento terá durado tantos anos...
Lembrei-me então de múltiplas e óbvias razões  como compromisso, interesses partilhados, atracção, comunicação e algo mais como o continuarmos a gostar de estar juntos, não me imagino a viver com outro homem a não ser com o meu Ivo, como costumo dizer, e entendimento. Compreendo e aceito, por vezes com alguma relutância, confesso, os interesses e gostos do meu marido, desculpo e tolero as suas falhas, como ele compreende, desculpa e tolera as minhas, mas sobretudo temos a sensibilidade, a vontade e a fé de que nos  continuaremos a ajudar um ao outro, a desculpar e a reconhecer e aceitar que há ciclos na vida e que as alegrias alternam com as tristezas.
Assim, envelheceremos juntos, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, na alegria e na tristeza. Que Deus o permita!!!

sábado, 28 de julho de 2012

Preservando a chama do amor

No passado dia 14, faz hoje quinze dias , acompanhámos este casal amigo, a Isabel e o José Martins, numa cerimónia muito bonita e tocante.
Na verdade os dois são  um casal  feliz e exemplar há longos anos; têm filhos e uma vida dentro da normalidade dos casais tradicionais. Contudo, faltava-lhes algo que só agora conseguiram concretizar; o selo da igreja católica, isto é, da igreja em que foram introduzidos pelos seus pais e em que acreditam e professam.
Chegou o dia e quando os vi na igreja, a renovarem os votos de amor e fidelidade, senti um friozinho na espinha porque,  na verdade, aquele não foi um vulgar casamento que muitas vezes se celebra levianamente, mas um compromisso de quem sabe o que está a fazer e de quem quer preservar a chama do amor que os une.
Desejo sinceramente que continuem a surpreender-se, a divertir-se a tolerar-se nos bons e maus momentos e que o seu amor e amizade amadureçam ainda mais, rumo a uma relação cada vez mais jovem e romântica.
Quero aqui lembrar que as pessoas mais felizes normalmente  são as que não têm motivo especial para o ser mas são-no, estes amigos  têm tudo,  desejo que saibam continuar a aproveitar essa ventura para sua felicidade e para exemplo dos que os rodeiam. 

Sei, que a dona  deste lindo sapatinho, que estava no casamento, costuma visitar esta página, aqui fica a imagem com muitos beijinhos e com votos de que saiba sempre dar graças a Deus, por aquilo que é, e pelo pai que tem o qual quando fala dela fá-lo sempre com um grande orgulho e muitas estrelinhas nos olhos.
Que os seus pés, com estes ou outros sapatos a levem sempre para o caminho do bem e da felicidade.

Despedida de solteiros:
Alguns amigos e familiares da Isabel e do Zé Martins Juntaram-se no sábado dia 13, num convívio informal a que chamaram de despedida de solteiros visto que este casal ia casar-se na igreja no sábado seguinte. Foi assim como que um gesto que mostrava o apreço por este casal e pelo esforço que dispenderam para conseguir concretizar o seu sonho, ter a bênção de igreja, para uma união que durava há muitos anos, na qual se realizavam e sentiam felizes.

domingo, 24 de junho de 2012

Marchas de S. João em Angra do Heroísmo

Hoje é dia de S. João. Por ter nascido a 24 de Junho em  todo o país se festeja este santo popular que nos transmitiu a mensagem de que "Devemos mudar os nossos rumos para encontrar a luz".
Longe vão os tempos em que eu , na minha freguesia natal, hoje vila das Lajes, costumava saltar as fogueiras, nas proximidades da minha casa na Aldeia Nova, com as minhas amigas dando vivas ao são João. Penso que esse hábito de se fazerem fogueiras tem a ver com a procura da luz que este santo aconselhava e ainda sinto nos meus ouvidos os vivas a S. João que ecoavam naquelas noites da minha infância e juventude assim como o calor que emanava das labaredas que se confundia com o prazer das brincadeiras e com a camaradagem meiga, desinteressada e pura que então se vivia, quem viveu tal experiência certamente perceberá o que aqui tento transmitir embora mal, porque há certas emoções que só o muito talento consegue descrever.

Agora está tudo diferente e fazem-se marchas para aclamar o santo e as pessoas que não marcham  assistem ao respectivo desfile participando com as suas palmas e o seu apreço.
Deste modo, esta noite,  assisti, na rua da Sé, em Angra do Heroísmo, ao desfilar de 20 marchas que festejavam o S. João, cada uma diferente da outra no tema, colorido, música e coreografia mas todas bonitas na sua diversidade e alegria que contagiava quem apreciava o desfile e se esquecia dos seus problemas e dores. Durante várias horas não houve lugar para tristezas nem lamentações, houve isso sim , uma vontade enorme de viver em plenitude a festa porque há que viver as oportunidades porque esta vida são dois dias e este já vai na conta, portanto toca de ver as marchas que estão mesmo a passar aqui abaixo , é só clicar e apreciar!
De registar a visita de uma marcha que nos veio alegrar  vinda da vizinha ilha de S. Miguel, que nos contagiou e impressionou com a sua boa disposição e elegante participação.

Sanjoaninas 2012 / Cortejo de abertura

Sexta feira passada o dia esteve chuvoso e triste, sentimento que se estendia aos angrenses e terceirenses em geral e sobretudo e naturalmente à comissão organizadora destas festas  por pensaram que o tempo não se propiciaria para a apresentação do desfile de abertura. Quis Deus e a metereologia que a noite estivesse aceitável e  se realizasse o cortejo . Um cortejo leve que atingiu o seu objectivo : lembrar, dignificar, vivenciar as nossas tradições e penso que, sobretudo dar um recado à juventude desta terra no sentido de se orgulharem do património dos nossos antepassados e de o perpetuarem no tempo, não esquecendo que as tradições são a nossa história, e o indicador que nos distingue dos outros povos, das outras gentes, das outras terras. Não somos uma " Maria vai com as outras" temos a nossa cultura, os nossos valores, as nossas vivências e sabemos preservá-las pelo que temos que nos orgulhar disso, dignificar, mostrar e  continuar  o que os outros criaram.
Foi uma noite agradável porque o cortejo, de um modo geral, agradou; Atendendo à conjuntura económica que se vive penso que, todos perceberam o esforço criativo e de organização que foi feito para se apresentar um trabalho digno sem se gastar muito dinheiro e conseguiram!
Sempre pensei não haver grandes segredos para o verdadeiro sucesso, basta trabalhar bastante, ter em mente os verdadeiros objectivos que se pretendem atingir, preparar meticulosamente o trabalho e sobretudo ter em mente o sucesso e os erros dos outros  para aprendermos com eles... penso que tudo isso foi feito e resultou...
Os carros, na sua simplicidade, conseguiram passar a sua mensagem e as damas, pajens, camareira, rainha e chefe do protocolo todos com uma postura digna e bonita.
A beleza, a juventude, a frescura e a alegria imperaram.
Parabéns!!!
Tânia Rocha - A rainha das Sanjoaninas 2012

O desenrolar do cortejo em fotos:

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Festas das Bicas de Cabo Verde/ 2012

O Espírito Santo é partilha e amor!

Este é o Vítor Carreiro, da comissão das festas, no meio de uma manada de vacas. Quem vê esta foto fica com a sensação de que ele é um eficiente criador de gado em vez de  técnico de farmácia que, na realidade, é a sua profissão.
A história conta-se em poucas palavras.
Para os que não sabem as festas do Espírito Santo , nos Açores, são um momento único de partilha de pão, carne e vinho. É neste espírito,  e sensibilizados por costumes ancestrais, que as comissões das festas, ao longo do ano, trabalham para que possam distribuir abundância pelos irmãos do Espírito Santo, pela sua localidade, por colaboradores e amigos.
Há os criadores que se comprometem a colaborar, tratando ao longo do ano de animais, que a comissão comprou ainda vitelos, tudo isto envolvido na fé ao Divino.
O Vítor é uma pessoa de fé mas é sobretudo uma pessoa dinâmica que se dá de corpo e alma aos projectos em que se insere. É portanto nesta e com esta atitude que ele está feliz no meio destes animais, apreciando-os e escolhendo os que são para esmolas, os que são para fazer a sopa, o cozido e as alcatras para a função no dia da coroação e os que são para vender e ajudar as restantes despesas do império, especialmente as obras de restauro por que o mesmo passou.

Tourada das Bicas de Cabo Verde 2012



---- Este painel foi feito de tecidos reciclados para alegrar a minha varanda no dia da tourada.
 
O nosso desejo, sonho e vontade de imaginar e tornar o amanhã, o futuro e o mundo melhores são a força que alimenta   o respeito pela tradição e a vontade de a preservar e perpetuar. O essencial é respeitar e amar o que os nossos antepassados nos deixaram quer sejam bens materiais ou legados culturais.
Pode viver-se sem trabalhar, sem dormir ou comer, sem transportes etc., será horrível, mas vai-se andando, contornando os obstáculos e sobrevivendo, há sempre alternativas. Quanto ao passado não o podemos renegar, ficamos desprotegidos, vazios, pobres se o desvalorizamos. Não há fuga possível, o passado e as nossas tradições são as nossas raízes, a nossa alma, a nossa história... É por isso que nas Bicas de Cabo Verde,embora sendo um pequeno lugar, todos os anos se cumpre a tradição dos seus festejos em louvor do Divino Espírito Santo com uma parte Religiosa e outra social e profana.
Terminaram Sábado, dia 16, essas festas com a sua tradicional tourada à corda, e eu, amante das tradições, sigo as pisadas dos meus pais e festejo sempre esse dia que dá lugar a um agradável convívio em nossa casa. Claro que naquele tempo as coisas eram um pouco diferentes no que toca à "paparoca", eu agora gosto de fazer uns petiscos mais rebuscados, mas não são precisos grandes coisas para se conviver, cada um faz o que quer e pode com a certeza de que nada torna uma casa e uma mesa mais acolhedoras do que a vontade de receber os amigos e os que nos visitam.
Aqui fica um apontamento de um dia agradável, embora chuvoso, em que uma vez mais se cumpriu a tradição.

sábado, 12 de maio de 2012

Liberdade mal aplicada

A palavra liberdade é muito apregoada por tudo e por nada . Todos se sentem no direito de estarem à sombra desta bandeira, muitas vezes, para procederem a seu belo prazer, prejudicando os outros e esquecendo que:
-Liberdade é a gente poder fazer o que quiser,  sem se preocupar com ninguém a não ser com o nosso marido a nossa mulher, os nossos pais, e os nossos filhos, o patrão, os professores, a polícia, a companhia de seguros de vida, o médico, as autoridades camarárias e presidenciais, os colegas de trabalho, os amigos, os inimigos, os vizinhos, os pobres e os ricos e outros que tais....
Pus-me a pensar neste assunto, depois do que se passou na noite passada, quando em vez das fortes chuvadas anunciadas pelo negrume do céu, caíram, o que me pareceu, toneladas de água, acompanhadas do ribombar de uma trovoada que parecia não ter fim. A noite inteira a chuva caiu sobre a terra já muito alagada e fez estragos à volta da ilha  que só de madrugada se deram a conhecer.
A ribeira que atravessa o nosso prédio com pomares e pastos verdejantes, que raramente corre, desta vez ganhou vida para dar vazão à grande pluviosidade; O pior foram as pessoas que habitam a montante de nós, que fizeram o que quiseram, usando a sua liberdade, sem se preocuparem com os outros e então, ao longo do tempo, foram fazendo da ribeira  lixeira. Vai daí o lixo transportado pela força das águas entulhou a ribeira que transbordou e transformou um lugar agradável e cuidado no que podes ver nas fotos que te mostro. Um horror de lamaçal misturado com lixo, árvores arrancadas, paredes derrubadas enfim, o que levou anos e gerações a fazer, desfeito numa noite, e tudo porque as pessoas não souberam usar a sua liberdade, não respeitaram os outros nem a natureza e também porque as autoridades competentes não souberam e ou não quiseram usar a sua competência fiscalizadora.
Triste, muito triste, até porque graças a Deus não houve vítimas a lamentar, mas podia muito bem ter havido!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Viver de outra maneira:


O título, vem a propósito de uma notícia publicada num jornal local ( Diário Insular), que dava conta que a junta de freguesia de Santa Bárbara, concelho de Angra do Heroísmo, nos Açores, organizou e desenvolveu, em parceria com  a escola primária e o centro de idosos, um encontro intergeracional,  no  sentido de se efectuar uma transmissão de saber no campo da cozedura do pão, numa espécie de regresso às origens ou pelo menos ao tempo das nossas avós e quiçá das nossas mães, se for caso disso. 
Estes jovens tiveram, quem sabe, um primeiro contacto com este saber e esta actividade, sendo que a mesma foi uma continuidade do estudo feito anteriormente acerca do ciclo do trigo e assim compreenderam que o pão para chegar à nossa mesa dá muitas voltas e que se estiverem em situação de aperto podem sempre tentar. À primeira não sairá muito bem, mas insistindo, lá chegarão...
Ao ler isto lembrei-me que, quem sabe, talvez seja a altura de os  mais jovens, com  mais preparação académica do que os seus antepassados, porem os seus talentos a render, aliando o seu saber intelectual ao saber fazer e assim ajudarem a ultrapassar a crise de que tanto se tem falado. Penso que além de se reaprender a cozer o pão, ainda vamos ter de reaprender muitas coisas ; Não só a viver com pouco dinheiro, mas sobretudo, a viver de outra maneira!

Aquilo em que eu acredito



Gosto de ler, adoro ler! Para mim, os livros são quase objectos de culto e adoração que nos permitem viver uma grande liberdade intelectual e cultural. Sinto uma sensação estranha ao folhear um livro, ao apreciar a textura e desenho da sua capa, ao desfrutar aquele cheiro a tinta e a papel, especialmente quando o livro é novo e, muitas vezes, privo-me de certos bens que são essenciais para certas pessoas, para poder comprar um livro que gostaria de ler, porque gosto que os livros sejam meus, para poder sublinhar e voltar a ler quando me lembro de certas passagens que me marcaram mais, enfim, só os amantes da leitura me compreenderão...
Quando tenho vagar e abro um livro, esqueço tudo, às vezes, "engulo-o" com sofreguidão, tal é a ânsia que tenho de me embrenhar naquele assunto e de me envolver com o autor/a, outras vezes vou-o "mastigando", lentamente, para poder perceber e assimilar e seguidamente digerir a matéria e com certos livros delicio-me a "saboreá-los" como se de um delicioso bombom ou requintado e fino pudim se tratasse... Acredito, que o modo como se lê um livro é muito importante, às vezes mais importante do que o próprio livro em si, pois podemos enriquecê-lo com os nossos conhecimentos, experiências e aprendizagens.
Aconteceu que, na minha recente ida a Lisboa, me deparei com o novo livro de Helena Sacadura Cabral " Aquilo em que eu acredito" e, embora os tempos não estejam para grandes gastos, lá cedi à tentação de o comprar. Saborear, degustar, sorver, sublinhar, reler e treler, serão os termos que me vêm à memória para descrever a minha atitude perante este livro, escrito de uma maneira muito simples e acessível, numa  compilação e sequência de crónicas que falam da vida, da família, da sociedade e da política, num olhar acutilante, sério, verdadeiro e profundo de uma senhora que já viveu muito e que o soube fazer!
"Aquilo em que eu acredito", um livro que saboreei, que  me disse muito , com o qual me identifico plenamente e que, poderia ter sido escrito por mim, se tivesse o engenho, a arte, a persistência e a capacidade de trabalho de Helena Sacadura Cabral.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Caridade...


Preciso ser mais caridosa, devo ser mais caridosa, tenho que ser mais caridosa. Aliás, precisamos, devemos e temos todos que ser mais caridosos.
Mas, há sempre um mas, nestes últimos tempos tenho sido pouco caridosa, pouco paciente, tenho andado mais cansada e "falta-me a tampa" muitas vezes, confesso, especialmente quando vejo injustiças e as pessoas a quererem passar por cima dos outros, desvalorizando-os e fazendo tábua rasa do valor, da sabedoria e do esforço dos mesmos, esquecendo que:

Caridade:

-É o silêncio, quando as nossas palavras podem magoar.
-É a paciência, quando o nosso vizinho é brusco.
-É a surdez, quando rebenta um escândalo.
-É a consideração, quando os outros são atingidos pelo infortúnio.
-É a prontidão, quando o dever nos chama.
-É a coragem, quando a fatalidade nos visita.

Concordo, concordo, concordo, mas muitas vezes não consigo!
Que diabo, não sou a Madre Teresa de Calcutá!

Almoço de criadores - Bicas de Cabo Verde, S. Pedro, A Heroísmo - 2012



Registei há muito tempo, no meu cadernino de notas, um provérbio muito engraçado que diz:
- Há que ter paciência, porque nunca o moinho se perde à procura do vento!
Pois foi o que se passou comigo nestes últimos tempos, tive que ter muita paciência, porque com o computador avariado não consegui abrir esta minha página para registar as minhas vivências. Contudo, não me perdi e fiz outras coisas interessantes e algumas aprendizagens que me deram muito gosto, algumas das quais vou aqui relatar, embora à posteriori, isto se a memória não me falhar...
Começo estão por falar do almoço de criadores do império de Bicas de Cabo Verde. Foi um evento em grande ao qual compareceram cerca de novecentas pessoas.
Foram servidas as tradicionais sopas acompanhadas de um belo e completo cozido, e alcatra acompanhada de massas doce e pão de leite assim como arroz doce que estava delicioso.Não faltou o tradicional vinho de cheiro dos Biscoitos e muita alegria e convívio ao som da filarmónica da Serreta e dos seus afamados passedobles.
Como a finalidade destes eventos é angariar fundos para ajudar o império, as pessoas conhecedoras da tradição , lá davam o donativo que queriam e ou podiam ou não davam se não podiam e tudo acabou em bem porque as festas do Senhor Espírito Santo têm esta característica de partilha e ajuda e são vividas num espírito de compreensão, paciência e caridade que como o moinho nunca se perdem à procura do vento...


domingo, 8 de abril de 2012

Olhar de Páscoa


 Olha as pessoas
 e vejo a Páscoa
 No brilho dos seus olhares,
 No sorriso dos seus lábios,
 No cumprir dos seus deveres,
 No ajudar os seus amigos.
 Olho à minha volta
 e vejo a Páscoa
 A Primavera  festejar,
No colorido das flores,
 Na  Natureza a pintar
A vida de todas as cores.
Olho para dentro de mim 
e vejo a Páscoa
Com  uma vontade forte
De o grande mistério anunciar,

Da vitória sobre a morte
E de a vida celebrar.
Penso na vida
e sinto a Páscoa
Como um mágico segredo
Que não consigo guardar
E anuncio sem medo
É um milagre, ressuscitar!

Domingo de Páscoa / 2012
Clara Faria da Rosa


Boa Páscoa.

Falta de experiência



Penso que não nos devemos lamentar pela nossa falta de experiência porque quando somos inexperientes ou incultos temos sempre a possibilidade de passar para outra etapa e tentar adquirir novos saberes e novas experiências, já os antigos diziam. "Aprender até morrer"
Pois quanto a mim, não esperei até morrer mas até ser sessentona para entrar na igreja de São Gonçalo em Angra do Heroísmo e ter a surpresa de uma aprendizagem agradabilíssima. Uma jóia, mesmo debaixo do meu nariz que eu nunca tinha apreciado! No Domingo de Ramos tive oportunidade de lá entrar, uma igreja de estilo barroco, uma riqueza em talha dourada e com lindos painéis de azulejos e outros mimos que terás oportunidade de apreciar se lá entrares, construída nos finais do século XVII  e princípios do século seguinte e inaugurada no ano de 1776.
Este é o meu presente de Páscoa, um incentivo a que lá entres e dês graças pelas maravilhas da nossa cidade de Angra do Heroísmo.


Não quero deixar de registar a existência de uma Senhora da Conceição, uma imagem de vestir e de roca, com um traje de uma  beleza de pormenor e riqueza surpreendentes.

Semana Maior

Depois da Quaresma,  segue-se a semana  a Semana Santa ou Semana Maior que, este ano de 2012,  está prestes a terminar.
  Esta  começa no Domingo de Ramos que inicia  um tempo forte em que os cristãos mergulham com profundidade nos acontecimentos mais marcantes da sua fé. O Tríduo Pascal são os três dias mais importantes nesta semana que vão desde a Quinta Feira Santa até à noite de Sábado no qual se celebra o mais esperado momento de toda a Quaresma, a mais esplêndida e significativa celebração entre todas as liturgias da igreja, a vigília Pascal, a festa da luz e do Cristo ressuscitado.
Celebra-se a vitória da vida sobre a morte, porque a luz venceu as trevas...
Em Angra do Heroísmo,onde resido, participei, nas cerimónia pascais. A procissão de Ramos saiu da Igreja de São Gonçalo, onde foram benzidos os ramos , percorreu algumas artérias desta cidade património mundial até à Sé Catedral. 


quarta-feira, 21 de março de 2012

Poesia














A poesia lê o mundo
O homem e a alma a fundo
A poesia vê  a dor
A fome, a tristeza e o amor
A poesia  a paz canta
E a  bondade que encanta
A poesia chora a guerra
Derramada sobre a terra
A poesia é sentimento
Que expressa o sofrimento
Com arte, sentido, emoção
Com alma ,  corpo e coração
Poesia...
 É  vida é saúde, é morte
É  falar da alegria e da sorte
Da inveja  e da maldade
Da amizade, do amor  e da saudade!

Clara Faria da Rosa
21/03/2012


Ordens são Ordens!

 Mãos ao alto!

Passamos a nossa vida a receber ordens Como:

- Não fale com a boca cheia
- Vire à esquerda
- Poupe
- Não fumar
- Aperte o cinto
- Siga
- Pare
- Insista
- Facilite o troco
- Silêncio
- Sorria
- Leia as instruções
- Não corra
- Mantenha a direita
- Não ultrapasse os 80
- Espere pelo sinal para marcar
- Bata antes de entrar
- Não perca tempo
- Atravesse na passadeira
- Cuidado com o cão
- Não ultrapasse
- Jure
- Puxe
- Empurre
- Responda hoje mesmo
- Respeite a fila
- Tire a ficha
- Espere a vez
- Toque a campainha
- Respeite o sinal
- Não deite papel no chão
- Organize-se
- Tape-se
- Destape-se

E agora uma  ordem mais moderna:

- Mãos ao alto!

Uma ordem que dificilmente imaginaríamos que se pudesse ouvir, algum dia,  aqui nesta nossa linda e pacata ilha Terceira de Jesus Cristo. Pois, já era, como dizem os jovens...
Acabo de ler no jornal local que na freguesia de São Bartolomeu, concelho de Angra, dois indivíduos assaltaram uma mercearia, levando a caixa registadora com cerca de 200 euros. A proprietária do estabelecimento, não fosse ela da terra da Brianda Pereira que lançou gado bravo, para afugentar os espanhóis, atirou-se a um dos assaltantes, conseguindo tirar- lhe o capuz, descobrindo que se tratava de uma mulher, pasme-se! Inconcebivel na nossa ilha, aqui há tempos atrás...
Agora pergunto:
- Estaremos fadados a  futuramente ter que andar com medo de sair de casa, com medo de estar em casa, com medo de sermos assaltados , com medo da própria sombra e sempre de mãos ao alto? 

terça-feira, 20 de março de 2012

O fim do Inverno


 Já se foi o Inverno
 Calmo, fantasioso, pachorrento,
 Aconchegante, poético e terno...
 Mas frio, triste, cinzento.

 Se  o Inverno se foi,
 Aquele Inverno que doi...
 Nas entranhas e na mente,
 Já a felicidade se sente.

Desejo que o Inverno  leve
A solidão que  o homem  vive
Para que  contente se aceite
E se torne completo e livre

E que o fim desta estação
Traga tonalidades lindas e mágicas,
Que aqueçam o coração
De vidas negras e  trágicas.

E que a Primavera chilreie
No mundo, na vida,  na alma,
Para que o homem saboreie
A vida plena, com calma.

E que a Natureza borde  flores 
No pano da nossa vida,
Raios de sol e amores
Com linha fina, alegre e colorida!

Clara Faria da Rosa
21 de Março de 2012





sexta-feira, 16 de março de 2012

Santos de Roca ou Imagens de Vestir

No passado fim de semana estava anunciado um encontro, no museu de Angra do Heroísmo, com o tema " Os Santos também se Vestem", integrado na exposição " Santos e Devotos"  que está em curso naquele mesmo museu. O tema era sugestivo e atendendo à minha ignorância, no assunto, resolvi ir e em boa hora o fiz, visto que aprendi muita coisa com a introdução inicial, feita de uma maneira muito descontraída e acessível pelo padre Francisco Dolores e com a abordagem ao tema por Paulo Brasil, conservador e restaurador do dito museu, um trabalho muito bem documentado, fruto de um exaustivo trabalho de pesquisa .
Sendo leiga no assunto, tive algumas dificuldades em reter as informações que foram passadas, no entanto aprendi que  no segundo concílio de Niceia em 787, foram legitimadas as imagens para veneração.
O papel educativo das imagens, ao longo dos tempos foi muito importante, sobretudo numa época em que a maioria da população era analfabeta. As imagens dos santos servem para perpetuar na memória a vida de alguém que se destacou no âmbito do que defende o cristianismo, para imitação dessa mesma pessoa e para veneração o que não se deve confundir com adoração.
Ao fim e ao cabo tudo isto é cultura pois as imagens são uma maneira de um povo se exprimir através da arte, o que normalmente esquecemos ao entrar numa igreja e quando olhamos qualquer imagem, cabe-nos a nós saber ler e interpretar essa mensagem
Ora, se a arte serve para educar, a igreja serve-se dessa arte para transmitir a sua mensagem que deve ser verosimel, comunicável e comunicada.
As imagens de vestir são uma tradição muito antiga que vem do clacissismo e surgem da tentativa do homem imitar o real isto é em vez de imitar o tecido usava-o tornando as imagens muito mais reais.
As imagens de roca que se podem observar na foto acima são imagens  simples e com características especiais que encaixam num pedestal com a forma de roca  ou dobadoira de fiar, daí o nome, e que depois são vestidas, ornamentadas e valorizadas com dignidade.
Há imagens de pleno vulto que foram transformadas em imagens de vestir e imagens de corpo inteiro ou de anatomia nas quais todos os membros são representados de forma simples  ficando explícito o uso dos tecidos. As menos conhecidas são as imagens de roca as quais possuem uma estrutura interna, em madeira, que substitui o corpo e são muito dispendiosas porque o uso dos tecidos contribui  para encarecer a peça. Estas imagens são leves e apropriadas para serem transportadas em procissões.
O aparecimento deste tipo de imagens, nos Açores está ligado às ordens Terceiras e a outras irmandades e entrou em desuso na 2ª metade do século XIX data a partir da qual as imagens são importadas do Continente e do estrangeiro.
As imagens de roca de vestir são leves, com articulações nos braços e antebraços o que permite um enriquecimento cénico variado, têm olhos de vidro, entalhados e policromados, rosto e mãos  muito delicados e elaborados.
Diz-se que a 1ª virgem vestida apareceu em Espanha , numa rocha ( Roca), Em espanhol daí o termo  Santos de Roca , uma teoria, a outra é que o termo tem a ver com o suporte que se assemelha a uma roca, como já atrás foi referido, estas imagens podem ser  de corpo inteiro, com rocas, sentadas ou de joelhos, mas nem todas as imagens são de roca.

Santa Rosa, imagem de roca e de vestir





Por altura da quaresma muitos destes santos saem à rua em procissões como a Procissão dos Passos ou do Encontro da Virgem com o seu Filho, os quais se prestam a teatralizações por serem articulados e por poderem vestir-se com roupagens apropriadas

quinta-feira, 8 de março de 2012

Ser Mulher...

Ser Mulher
Ser Mulher
É ser um mundo
Que gira à volta de Todos,
É ser profundo
Que entende os pensamentos,
É navegar
Contra e a favor dos ventos,
É alcançar
Porto seguro
E levar consigo os outros,
É ser agente
De paz, amizade e afectos,
É ser um ser
Que os seus filhos ensina
A construir o próprio mundo,
 É ser tão fundo
Que segue dos filhos os passos
Do princípio até ao fim,
É saber pintar o feio
De delicadas tonalidades,
Para o mundo transformar
Em leito macio e ternurento
Onde se possa viver
Uma verdadeira aventura,
Toda a força da ternura,
Amor, delicadeza, verdade...
E onde não haja maldade!

Clara Faria da Rosa
8 de Março de 2012
( Dia da Mulher )








A  todas as mulheres corajosas que como eu,  lutam para que o que eu digo acima seja verdade.
 Um beijinho amigo, neste dia especial

quarta-feira, 7 de março de 2012

Dez anos se passaram...


Faz hoje dez anos que faleceu o meu pai.
Dei por mim a pensar muito, muito nele, na sua vida, que no fundo foi também a minha,  e em tudo o que se passou, e concluo que foi um grande homem. Mesmo nos longos  anos da sua doença terminal foi um homem corajoso, enfrentando a situação com dignidade, mostrando sempre um sorriso alegre a quem o visitava, não sendo exigente, mostrando-se compreesivo e cooperante comigo que tinha uma vida  muito preenchida com os cuidados e acompanhamento que lhe prestava e com a minha vida familiar e profissional.
Ele, como todos os homens, chegou a esta vida com os punhos fechados prontos para a agressividade e para a luta da vida, trabalhou e lutou de forma digna e exemplar e partiu de mãos abertas porque a luta acabara, já não precisava de nada, mas tinha desempenhado bem o seu papel de pai, marido e cidadão consciente, deixando o seu exemplo de homem bom, honesto e traballhador e sobretudo  muita saudade, uma saudade que ainda doi muito!
Descansa em paz, meu pai.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Se os Portugueses fossem como os lhamas...

Lhamas ou lamas são mamíferos ruminantes da América do Sul pertencentes à família dos camelídeos.Têm pelagem longa e lanosa e são domesticados para utilizar no transporte de cargas e na produção de lã, carne e couro. Vivem nas cordilheiras dos Andes, onde a temperatura é muito baixa sendo protegidos pela sua pelagem que também os protege de arranhões e de outros ferimentos, são animais calmos, andam devagar mas irritam-se facilmente.
A informação que escrevo acima fui-a procurar na Wikipédia, agora o que não diz lá e que eu já sei há muito tempo é que são animais interessantes e curiosos porque aceitam carga até 60kg. mas exigem respeito por esse limite, quando se vêem sobrecarregadas sentam-se e ficam impassíveis, recusando-se a trabalhar, se forem forçadas ou se lhes baterem desatam aos coices e cospem os agressores muito ressentidas e furiosas.
Animal inteligente que nos leva a pensar que se os portugueses fossem como ele já há muito que estariam aos coices contra as pessoas que lhes infligem tão pesada carga de impostos sobre os seus salários e outros  rendimentos !