sexta-feira, 22 de junho de 2012

Festas das Bicas de Cabo Verde/ 2012

O Espírito Santo é partilha e amor!

Este é o Vítor Carreiro, da comissão das festas, no meio de uma manada de vacas. Quem vê esta foto fica com a sensação de que ele é um eficiente criador de gado em vez de  técnico de farmácia que, na realidade, é a sua profissão.
A história conta-se em poucas palavras.
Para os que não sabem as festas do Espírito Santo , nos Açores, são um momento único de partilha de pão, carne e vinho. É neste espírito,  e sensibilizados por costumes ancestrais, que as comissões das festas, ao longo do ano, trabalham para que possam distribuir abundância pelos irmãos do Espírito Santo, pela sua localidade, por colaboradores e amigos.
Há os criadores que se comprometem a colaborar, tratando ao longo do ano de animais, que a comissão comprou ainda vitelos, tudo isto envolvido na fé ao Divino.
O Vítor é uma pessoa de fé mas é sobretudo uma pessoa dinâmica que se dá de corpo e alma aos projectos em que se insere. É portanto nesta e com esta atitude que ele está feliz no meio destes animais, apreciando-os e escolhendo os que são para esmolas, os que são para fazer a sopa, o cozido e as alcatras para a função no dia da coroação e os que são para vender e ajudar as restantes despesas do império, especialmente as obras de restauro por que o mesmo passou.

Tourada das Bicas de Cabo Verde 2012



---- Este painel foi feito de tecidos reciclados para alegrar a minha varanda no dia da tourada.
 
O nosso desejo, sonho e vontade de imaginar e tornar o amanhã, o futuro e o mundo melhores são a força que alimenta   o respeito pela tradição e a vontade de a preservar e perpetuar. O essencial é respeitar e amar o que os nossos antepassados nos deixaram quer sejam bens materiais ou legados culturais.
Pode viver-se sem trabalhar, sem dormir ou comer, sem transportes etc., será horrível, mas vai-se andando, contornando os obstáculos e sobrevivendo, há sempre alternativas. Quanto ao passado não o podemos renegar, ficamos desprotegidos, vazios, pobres se o desvalorizamos. Não há fuga possível, o passado e as nossas tradições são as nossas raízes, a nossa alma, a nossa história... É por isso que nas Bicas de Cabo Verde,embora sendo um pequeno lugar, todos os anos se cumpre a tradição dos seus festejos em louvor do Divino Espírito Santo com uma parte Religiosa e outra social e profana.
Terminaram Sábado, dia 16, essas festas com a sua tradicional tourada à corda, e eu, amante das tradições, sigo as pisadas dos meus pais e festejo sempre esse dia que dá lugar a um agradável convívio em nossa casa. Claro que naquele tempo as coisas eram um pouco diferentes no que toca à "paparoca", eu agora gosto de fazer uns petiscos mais rebuscados, mas não são precisos grandes coisas para se conviver, cada um faz o que quer e pode com a certeza de que nada torna uma casa e uma mesa mais acolhedoras do que a vontade de receber os amigos e os que nos visitam.
Aqui fica um apontamento de um dia agradável, embora chuvoso, em que uma vez mais se cumpriu a tradição.

sábado, 12 de maio de 2012

Liberdade mal aplicada

A palavra liberdade é muito apregoada por tudo e por nada . Todos se sentem no direito de estarem à sombra desta bandeira, muitas vezes, para procederem a seu belo prazer, prejudicando os outros e esquecendo que:
-Liberdade é a gente poder fazer o que quiser,  sem se preocupar com ninguém a não ser com o nosso marido a nossa mulher, os nossos pais, e os nossos filhos, o patrão, os professores, a polícia, a companhia de seguros de vida, o médico, as autoridades camarárias e presidenciais, os colegas de trabalho, os amigos, os inimigos, os vizinhos, os pobres e os ricos e outros que tais....
Pus-me a pensar neste assunto, depois do que se passou na noite passada, quando em vez das fortes chuvadas anunciadas pelo negrume do céu, caíram, o que me pareceu, toneladas de água, acompanhadas do ribombar de uma trovoada que parecia não ter fim. A noite inteira a chuva caiu sobre a terra já muito alagada e fez estragos à volta da ilha  que só de madrugada se deram a conhecer.
A ribeira que atravessa o nosso prédio com pomares e pastos verdejantes, que raramente corre, desta vez ganhou vida para dar vazão à grande pluviosidade; O pior foram as pessoas que habitam a montante de nós, que fizeram o que quiseram, usando a sua liberdade, sem se preocuparem com os outros e então, ao longo do tempo, foram fazendo da ribeira  lixeira. Vai daí o lixo transportado pela força das águas entulhou a ribeira que transbordou e transformou um lugar agradável e cuidado no que podes ver nas fotos que te mostro. Um horror de lamaçal misturado com lixo, árvores arrancadas, paredes derrubadas enfim, o que levou anos e gerações a fazer, desfeito numa noite, e tudo porque as pessoas não souberam usar a sua liberdade, não respeitaram os outros nem a natureza e também porque as autoridades competentes não souberam e ou não quiseram usar a sua competência fiscalizadora.
Triste, muito triste, até porque graças a Deus não houve vítimas a lamentar, mas podia muito bem ter havido!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Viver de outra maneira:


O título, vem a propósito de uma notícia publicada num jornal local ( Diário Insular), que dava conta que a junta de freguesia de Santa Bárbara, concelho de Angra do Heroísmo, nos Açores, organizou e desenvolveu, em parceria com  a escola primária e o centro de idosos, um encontro intergeracional,  no  sentido de se efectuar uma transmissão de saber no campo da cozedura do pão, numa espécie de regresso às origens ou pelo menos ao tempo das nossas avós e quiçá das nossas mães, se for caso disso. 
Estes jovens tiveram, quem sabe, um primeiro contacto com este saber e esta actividade, sendo que a mesma foi uma continuidade do estudo feito anteriormente acerca do ciclo do trigo e assim compreenderam que o pão para chegar à nossa mesa dá muitas voltas e que se estiverem em situação de aperto podem sempre tentar. À primeira não sairá muito bem, mas insistindo, lá chegarão...
Ao ler isto lembrei-me que, quem sabe, talvez seja a altura de os  mais jovens, com  mais preparação académica do que os seus antepassados, porem os seus talentos a render, aliando o seu saber intelectual ao saber fazer e assim ajudarem a ultrapassar a crise de que tanto se tem falado. Penso que além de se reaprender a cozer o pão, ainda vamos ter de reaprender muitas coisas ; Não só a viver com pouco dinheiro, mas sobretudo, a viver de outra maneira!

Aquilo em que eu acredito



Gosto de ler, adoro ler! Para mim, os livros são quase objectos de culto e adoração que nos permitem viver uma grande liberdade intelectual e cultural. Sinto uma sensação estranha ao folhear um livro, ao apreciar a textura e desenho da sua capa, ao desfrutar aquele cheiro a tinta e a papel, especialmente quando o livro é novo e, muitas vezes, privo-me de certos bens que são essenciais para certas pessoas, para poder comprar um livro que gostaria de ler, porque gosto que os livros sejam meus, para poder sublinhar e voltar a ler quando me lembro de certas passagens que me marcaram mais, enfim, só os amantes da leitura me compreenderão...
Quando tenho vagar e abro um livro, esqueço tudo, às vezes, "engulo-o" com sofreguidão, tal é a ânsia que tenho de me embrenhar naquele assunto e de me envolver com o autor/a, outras vezes vou-o "mastigando", lentamente, para poder perceber e assimilar e seguidamente digerir a matéria e com certos livros delicio-me a "saboreá-los" como se de um delicioso bombom ou requintado e fino pudim se tratasse... Acredito, que o modo como se lê um livro é muito importante, às vezes mais importante do que o próprio livro em si, pois podemos enriquecê-lo com os nossos conhecimentos, experiências e aprendizagens.
Aconteceu que, na minha recente ida a Lisboa, me deparei com o novo livro de Helena Sacadura Cabral " Aquilo em que eu acredito" e, embora os tempos não estejam para grandes gastos, lá cedi à tentação de o comprar. Saborear, degustar, sorver, sublinhar, reler e treler, serão os termos que me vêm à memória para descrever a minha atitude perante este livro, escrito de uma maneira muito simples e acessível, numa  compilação e sequência de crónicas que falam da vida, da família, da sociedade e da política, num olhar acutilante, sério, verdadeiro e profundo de uma senhora que já viveu muito e que o soube fazer!
"Aquilo em que eu acredito", um livro que saboreei, que  me disse muito , com o qual me identifico plenamente e que, poderia ter sido escrito por mim, se tivesse o engenho, a arte, a persistência e a capacidade de trabalho de Helena Sacadura Cabral.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Caridade...


Preciso ser mais caridosa, devo ser mais caridosa, tenho que ser mais caridosa. Aliás, precisamos, devemos e temos todos que ser mais caridosos.
Mas, há sempre um mas, nestes últimos tempos tenho sido pouco caridosa, pouco paciente, tenho andado mais cansada e "falta-me a tampa" muitas vezes, confesso, especialmente quando vejo injustiças e as pessoas a quererem passar por cima dos outros, desvalorizando-os e fazendo tábua rasa do valor, da sabedoria e do esforço dos mesmos, esquecendo que:

Caridade:

-É o silêncio, quando as nossas palavras podem magoar.
-É a paciência, quando o nosso vizinho é brusco.
-É a surdez, quando rebenta um escândalo.
-É a consideração, quando os outros são atingidos pelo infortúnio.
-É a prontidão, quando o dever nos chama.
-É a coragem, quando a fatalidade nos visita.

Concordo, concordo, concordo, mas muitas vezes não consigo!
Que diabo, não sou a Madre Teresa de Calcutá!

Almoço de criadores - Bicas de Cabo Verde, S. Pedro, A Heroísmo - 2012



Registei há muito tempo, no meu cadernino de notas, um provérbio muito engraçado que diz:
- Há que ter paciência, porque nunca o moinho se perde à procura do vento!
Pois foi o que se passou comigo nestes últimos tempos, tive que ter muita paciência, porque com o computador avariado não consegui abrir esta minha página para registar as minhas vivências. Contudo, não me perdi e fiz outras coisas interessantes e algumas aprendizagens que me deram muito gosto, algumas das quais vou aqui relatar, embora à posteriori, isto se a memória não me falhar...
Começo estão por falar do almoço de criadores do império de Bicas de Cabo Verde. Foi um evento em grande ao qual compareceram cerca de novecentas pessoas.
Foram servidas as tradicionais sopas acompanhadas de um belo e completo cozido, e alcatra acompanhada de massas doce e pão de leite assim como arroz doce que estava delicioso.Não faltou o tradicional vinho de cheiro dos Biscoitos e muita alegria e convívio ao som da filarmónica da Serreta e dos seus afamados passedobles.
Como a finalidade destes eventos é angariar fundos para ajudar o império, as pessoas conhecedoras da tradição , lá davam o donativo que queriam e ou podiam ou não davam se não podiam e tudo acabou em bem porque as festas do Senhor Espírito Santo têm esta característica de partilha e ajuda e são vividas num espírito de compreensão, paciência e caridade que como o moinho nunca se perdem à procura do vento...


domingo, 8 de abril de 2012

Olhar de Páscoa


 Olha as pessoas
 e vejo a Páscoa
 No brilho dos seus olhares,
 No sorriso dos seus lábios,
 No cumprir dos seus deveres,
 No ajudar os seus amigos.
 Olho à minha volta
 e vejo a Páscoa
 A Primavera  festejar,
No colorido das flores,
 Na  Natureza a pintar
A vida de todas as cores.
Olho para dentro de mim 
e vejo a Páscoa
Com  uma vontade forte
De o grande mistério anunciar,

Da vitória sobre a morte
E de a vida celebrar.
Penso na vida
e sinto a Páscoa
Como um mágico segredo
Que não consigo guardar
E anuncio sem medo
É um milagre, ressuscitar!

Domingo de Páscoa / 2012
Clara Faria da Rosa


Boa Páscoa.

Falta de experiência



Penso que não nos devemos lamentar pela nossa falta de experiência porque quando somos inexperientes ou incultos temos sempre a possibilidade de passar para outra etapa e tentar adquirir novos saberes e novas experiências, já os antigos diziam. "Aprender até morrer"
Pois quanto a mim, não esperei até morrer mas até ser sessentona para entrar na igreja de São Gonçalo em Angra do Heroísmo e ter a surpresa de uma aprendizagem agradabilíssima. Uma jóia, mesmo debaixo do meu nariz que eu nunca tinha apreciado! No Domingo de Ramos tive oportunidade de lá entrar, uma igreja de estilo barroco, uma riqueza em talha dourada e com lindos painéis de azulejos e outros mimos que terás oportunidade de apreciar se lá entrares, construída nos finais do século XVII  e princípios do século seguinte e inaugurada no ano de 1776.
Este é o meu presente de Páscoa, um incentivo a que lá entres e dês graças pelas maravilhas da nossa cidade de Angra do Heroísmo.


Não quero deixar de registar a existência de uma Senhora da Conceição, uma imagem de vestir e de roca, com um traje de uma  beleza de pormenor e riqueza surpreendentes.

Semana Maior

Depois da Quaresma,  segue-se a semana  a Semana Santa ou Semana Maior que, este ano de 2012,  está prestes a terminar.
  Esta  começa no Domingo de Ramos que inicia  um tempo forte em que os cristãos mergulham com profundidade nos acontecimentos mais marcantes da sua fé. O Tríduo Pascal são os três dias mais importantes nesta semana que vão desde a Quinta Feira Santa até à noite de Sábado no qual se celebra o mais esperado momento de toda a Quaresma, a mais esplêndida e significativa celebração entre todas as liturgias da igreja, a vigília Pascal, a festa da luz e do Cristo ressuscitado.
Celebra-se a vitória da vida sobre a morte, porque a luz venceu as trevas...
Em Angra do Heroísmo,onde resido, participei, nas cerimónia pascais. A procissão de Ramos saiu da Igreja de São Gonçalo, onde foram benzidos os ramos , percorreu algumas artérias desta cidade património mundial até à Sé Catedral. 


quarta-feira, 21 de março de 2012

Poesia














A poesia lê o mundo
O homem e a alma a fundo
A poesia vê  a dor
A fome, a tristeza e o amor
A poesia  a paz canta
E a  bondade que encanta
A poesia chora a guerra
Derramada sobre a terra
A poesia é sentimento
Que expressa o sofrimento
Com arte, sentido, emoção
Com alma ,  corpo e coração
Poesia...
 É  vida é saúde, é morte
É  falar da alegria e da sorte
Da inveja  e da maldade
Da amizade, do amor  e da saudade!

Clara Faria da Rosa
21/03/2012


Ordens são Ordens!

 Mãos ao alto!

Passamos a nossa vida a receber ordens Como:

- Não fale com a boca cheia
- Vire à esquerda
- Poupe
- Não fumar
- Aperte o cinto
- Siga
- Pare
- Insista
- Facilite o troco
- Silêncio
- Sorria
- Leia as instruções
- Não corra
- Mantenha a direita
- Não ultrapasse os 80
- Espere pelo sinal para marcar
- Bata antes de entrar
- Não perca tempo
- Atravesse na passadeira
- Cuidado com o cão
- Não ultrapasse
- Jure
- Puxe
- Empurre
- Responda hoje mesmo
- Respeite a fila
- Tire a ficha
- Espere a vez
- Toque a campainha
- Respeite o sinal
- Não deite papel no chão
- Organize-se
- Tape-se
- Destape-se

E agora uma  ordem mais moderna:

- Mãos ao alto!

Uma ordem que dificilmente imaginaríamos que se pudesse ouvir, algum dia,  aqui nesta nossa linda e pacata ilha Terceira de Jesus Cristo. Pois, já era, como dizem os jovens...
Acabo de ler no jornal local que na freguesia de São Bartolomeu, concelho de Angra, dois indivíduos assaltaram uma mercearia, levando a caixa registadora com cerca de 200 euros. A proprietária do estabelecimento, não fosse ela da terra da Brianda Pereira que lançou gado bravo, para afugentar os espanhóis, atirou-se a um dos assaltantes, conseguindo tirar- lhe o capuz, descobrindo que se tratava de uma mulher, pasme-se! Inconcebivel na nossa ilha, aqui há tempos atrás...
Agora pergunto:
- Estaremos fadados a  futuramente ter que andar com medo de sair de casa, com medo de estar em casa, com medo de sermos assaltados , com medo da própria sombra e sempre de mãos ao alto? 

terça-feira, 20 de março de 2012

O fim do Inverno


 Já se foi o Inverno
 Calmo, fantasioso, pachorrento,
 Aconchegante, poético e terno...
 Mas frio, triste, cinzento.

 Se  o Inverno se foi,
 Aquele Inverno que doi...
 Nas entranhas e na mente,
 Já a felicidade se sente.

Desejo que o Inverno  leve
A solidão que  o homem  vive
Para que  contente se aceite
E se torne completo e livre

E que o fim desta estação
Traga tonalidades lindas e mágicas,
Que aqueçam o coração
De vidas negras e  trágicas.

E que a Primavera chilreie
No mundo, na vida,  na alma,
Para que o homem saboreie
A vida plena, com calma.

E que a Natureza borde  flores 
No pano da nossa vida,
Raios de sol e amores
Com linha fina, alegre e colorida!

Clara Faria da Rosa
21 de Março de 2012





sexta-feira, 16 de março de 2012

Santos de Roca ou Imagens de Vestir

No passado fim de semana estava anunciado um encontro, no museu de Angra do Heroísmo, com o tema " Os Santos também se Vestem", integrado na exposição " Santos e Devotos"  que está em curso naquele mesmo museu. O tema era sugestivo e atendendo à minha ignorância, no assunto, resolvi ir e em boa hora o fiz, visto que aprendi muita coisa com a introdução inicial, feita de uma maneira muito descontraída e acessível pelo padre Francisco Dolores e com a abordagem ao tema por Paulo Brasil, conservador e restaurador do dito museu, um trabalho muito bem documentado, fruto de um exaustivo trabalho de pesquisa .
Sendo leiga no assunto, tive algumas dificuldades em reter as informações que foram passadas, no entanto aprendi que  no segundo concílio de Niceia em 787, foram legitimadas as imagens para veneração.
O papel educativo das imagens, ao longo dos tempos foi muito importante, sobretudo numa época em que a maioria da população era analfabeta. As imagens dos santos servem para perpetuar na memória a vida de alguém que se destacou no âmbito do que defende o cristianismo, para imitação dessa mesma pessoa e para veneração o que não se deve confundir com adoração.
Ao fim e ao cabo tudo isto é cultura pois as imagens são uma maneira de um povo se exprimir através da arte, o que normalmente esquecemos ao entrar numa igreja e quando olhamos qualquer imagem, cabe-nos a nós saber ler e interpretar essa mensagem
Ora, se a arte serve para educar, a igreja serve-se dessa arte para transmitir a sua mensagem que deve ser verosimel, comunicável e comunicada.
As imagens de vestir são uma tradição muito antiga que vem do clacissismo e surgem da tentativa do homem imitar o real isto é em vez de imitar o tecido usava-o tornando as imagens muito mais reais.
As imagens de roca que se podem observar na foto acima são imagens  simples e com características especiais que encaixam num pedestal com a forma de roca  ou dobadoira de fiar, daí o nome, e que depois são vestidas, ornamentadas e valorizadas com dignidade.
Há imagens de pleno vulto que foram transformadas em imagens de vestir e imagens de corpo inteiro ou de anatomia nas quais todos os membros são representados de forma simples  ficando explícito o uso dos tecidos. As menos conhecidas são as imagens de roca as quais possuem uma estrutura interna, em madeira, que substitui o corpo e são muito dispendiosas porque o uso dos tecidos contribui  para encarecer a peça. Estas imagens são leves e apropriadas para serem transportadas em procissões.
O aparecimento deste tipo de imagens, nos Açores está ligado às ordens Terceiras e a outras irmandades e entrou em desuso na 2ª metade do século XIX data a partir da qual as imagens são importadas do Continente e do estrangeiro.
As imagens de roca de vestir são leves, com articulações nos braços e antebraços o que permite um enriquecimento cénico variado, têm olhos de vidro, entalhados e policromados, rosto e mãos  muito delicados e elaborados.
Diz-se que a 1ª virgem vestida apareceu em Espanha , numa rocha ( Roca), Em espanhol daí o termo  Santos de Roca , uma teoria, a outra é que o termo tem a ver com o suporte que se assemelha a uma roca, como já atrás foi referido, estas imagens podem ser  de corpo inteiro, com rocas, sentadas ou de joelhos, mas nem todas as imagens são de roca.

Santa Rosa, imagem de roca e de vestir





Por altura da quaresma muitos destes santos saem à rua em procissões como a Procissão dos Passos ou do Encontro da Virgem com o seu Filho, os quais se prestam a teatralizações por serem articulados e por poderem vestir-se com roupagens apropriadas

quinta-feira, 8 de março de 2012

Ser Mulher...

Ser Mulher
Ser Mulher
É ser um mundo
Que gira à volta de Todos,
É ser profundo
Que entende os pensamentos,
É navegar
Contra e a favor dos ventos,
É alcançar
Porto seguro
E levar consigo os outros,
É ser agente
De paz, amizade e afectos,
É ser um ser
Que os seus filhos ensina
A construir o próprio mundo,
 É ser tão fundo
Que segue dos filhos os passos
Do princípio até ao fim,
É saber pintar o feio
De delicadas tonalidades,
Para o mundo transformar
Em leito macio e ternurento
Onde se possa viver
Uma verdadeira aventura,
Toda a força da ternura,
Amor, delicadeza, verdade...
E onde não haja maldade!

Clara Faria da Rosa
8 de Março de 2012
( Dia da Mulher )








A  todas as mulheres corajosas que como eu,  lutam para que o que eu digo acima seja verdade.
 Um beijinho amigo, neste dia especial

quarta-feira, 7 de março de 2012

Dez anos se passaram...


Faz hoje dez anos que faleceu o meu pai.
Dei por mim a pensar muito, muito nele, na sua vida, que no fundo foi também a minha,  e em tudo o que se passou, e concluo que foi um grande homem. Mesmo nos longos  anos da sua doença terminal foi um homem corajoso, enfrentando a situação com dignidade, mostrando sempre um sorriso alegre a quem o visitava, não sendo exigente, mostrando-se compreesivo e cooperante comigo que tinha uma vida  muito preenchida com os cuidados e acompanhamento que lhe prestava e com a minha vida familiar e profissional.
Ele, como todos os homens, chegou a esta vida com os punhos fechados prontos para a agressividade e para a luta da vida, trabalhou e lutou de forma digna e exemplar e partiu de mãos abertas porque a luta acabara, já não precisava de nada, mas tinha desempenhado bem o seu papel de pai, marido e cidadão consciente, deixando o seu exemplo de homem bom, honesto e traballhador e sobretudo  muita saudade, uma saudade que ainda doi muito!
Descansa em paz, meu pai.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Se os Portugueses fossem como os lhamas...

Lhamas ou lamas são mamíferos ruminantes da América do Sul pertencentes à família dos camelídeos.Têm pelagem longa e lanosa e são domesticados para utilizar no transporte de cargas e na produção de lã, carne e couro. Vivem nas cordilheiras dos Andes, onde a temperatura é muito baixa sendo protegidos pela sua pelagem que também os protege de arranhões e de outros ferimentos, são animais calmos, andam devagar mas irritam-se facilmente.
A informação que escrevo acima fui-a procurar na Wikipédia, agora o que não diz lá e que eu já sei há muito tempo é que são animais interessantes e curiosos porque aceitam carga até 60kg. mas exigem respeito por esse limite, quando se vêem sobrecarregadas sentam-se e ficam impassíveis, recusando-se a trabalhar, se forem forçadas ou se lhes baterem desatam aos coices e cospem os agressores muito ressentidas e furiosas.
Animal inteligente que nos leva a pensar que se os portugueses fossem como ele já há muito que estariam aos coices contra as pessoas que lhes infligem tão pesada carga de impostos sobre os seus salários e outros  rendimentos !

Lentidãodesalmadaeirritante....

Alguémmeexplicaporqueseráquequandoestouaocomputadorecommuita pressaeleficalentoeirritantedestamaneira???

A coragem de casar e ter filhos




Hoje, os noticiários anunciavam que , segundo a Eurostat, em Janeiro deste ano o nº de desempregados em relação ao ano anterior, duplicou em Portugal, que somo o país da Europa com a 2ª maior taxa de desemprego, sendo o 1º a nossa vizinha Espanha, que 15% das mulheres estão desempregadas, 35% de jovens procuram emprego, 14% da população portuguesa está desempregada havendo 815.000 desempregados no nosso país, tudo isto, dizem, devido à descida do crescimento económico da zona euro.
É por isto, que ultimamente evito ouvir notícia, porque fico nervosa e a minha cabeça começa a dar voltas e a pensar em coisas para as quais não vislumbro solução.
Comecei então a pensar:
- Diz-se que a taxa de natalidade está a baixar, que há mais idosos do que jovens e que isso não é salutar para um país. Contudo, nesta época que atravessamos casar e ter filhos é quase uma opção política, se bem que uma coisa não obrigue necessariamente a outra. Em tempos idos era rotineiro formar família, actualmente são tantos, variados e agressivos os factores que estão contra isso que é preciso ter coragem e amadurecimento para dar tal passo.
Considero a vida familiar um factor importante para a força social de um país, mas parece que os governantes não pensam assim... por isso não me admiro que alguns jovens não queiram assumir essa responsabilidade pois isso pressupõe um amadurecimento intelectual, mas também responsabilidades perante as quais um pai sem emprego e uma família com míseros recursos não pode responder .
Realmente se não fossem os casais que "decidiram criar filhos, a raça humana não teria futuro, nem a sabedoria o progresso, nem a comunidade graça!"
O que fortalece a família fortalece a sociedade, é por isso um grande perigo para a nossa sociedade esta ultrajante falta de trabalho para as famílias e para os jovens que querem viver dignamente a sua vida e dar-lhes continuidade!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Juventude Beleza e Exuberância no Carnaval Terceirense


Exuberância, Juventude e beleza no Carnaval terceirense - diaporama flash (Com música)

 Perante este vídeo,não são precisas muitas palavras para  que se compreenda como se diverte, a juventude terceirense, pelo Carnaval. Muita  música, dança, teatro, convívio, alegria e beleza!
Esta é uma linda e  jovem dançarina que participou no bailinho de São Sebastião, divertindo-se e trazendo alegria a quem assistia à respectiva exibição. Como pudeste concluir, do que te mostro no trabalho antecedente, foram muitos os grupos que não esquecendo as tradições, se organizaram e  se vestiram a rigor e de acordo com o tema da respectiva  dança ou bailinho.
Fui assistir, podendo ver pela televisão ou pela net, para mim não é a mesma coisa, gosto de estar na plateia e viver intensamente o espectáculo, sentindo-me parte do mesmo.
Contudo parece-me que o espírito dos bailinhos e danças  está a ser um pouco adulterado o que até certo ponto se compreende, as pessoas mudaram, os valores, cultura e meios ao dispor são diferentes. O que interessa é que se continuem as nossas tradições e que a juventude saiba preservar este legado de valor e interesse inegualáveis.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Danças de Carnaval 2012 no Teatro Angrense

Há pessoas que fazem com que as coisas aconteçam, há as que vêem as coisas acontecer, há as que perguntam o que aconteceu, há as que criticam o que aconteceu, as que elogiam o que aconteceu e por último há as que relatam o que aconteceu.
Embora, infelizmente, não  tenha participado nas danças de Carnaval 2012, tive a sorte de as poder apreciar para agora fazer uma pequena rectrospectiva,  elogiando todo o trabalho desenvolvido pelos intervenientes, uns melhor outros pior mas sempre com vontade de agradar ao público presente e sobretudo de preservar esta tradição interessantíssima que é o Carnaval na Ilha Terceira.
Assim, durante quatro dias passei grande parte das respectivas noites a assistir ao passar destas manifestações, que podemos classificar de teatrais, apreciando a música, as mensagens, as vozes os cantares as roupas e os dons que há nesta ilha.
Vou tentar agrupar, o que vi, por dias
Sábado Gordo:

Segunda Feira Gorda No Teatro Angrense - diaporama pps
Continua com fotos da Terça Feira de carnaval

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

No dia em que eu chorei...





É curioso, como o facto de se receber um cartão a convidar para uma festa de um 80ª aniversário, nos parte o coração e nos faz chorar!
Pois foi o que me aconteceu, quando recebi  esta linda hortênsia, uma delicada alusão à terra natal da minha tia Juvelina Andrade, para quem os seus  filhos organizaram uma festa surpresa para  comemorar os seus oitenta anos .
Este  convite encheu-me de alegria por saber que a minha tia está bem e que conseguiu atingir esta bonita etapa da sua vida, mas também de tristeza, por não poder estar com a minha família materna, neste dia tão  especial
Por outro lado comecei a pensar  que a minha tia é a única, ainda viva,  deste grupo cuja foto te mostro, e que foi tirada  na década  de quarenta do século passado, mais precisamente em Setembro de 1948, no dia da procissão de Santa Luzia, é a família Almeida de Menezes, conhecida pelos "Vernizas" de Santa Luzia da Praia da Vitória, Terceira Açores .
À Esquerda está o meu pai , que à altura da foto tinha casado de pouco tempo com a minha mãe, Maria Almeida de Menezes, a filha mais velha da família, O benjamim da Família, Ernesto Almeida  de Menezes, ao centro, foi o segundo filho a falecer, no Canadá, e a minha tia Juvelina à direita entre os irmãos Narciso e  António é a única viva deste grupo.
Em baixo estão, então, os meus avós maternos e um irmão do meu avô que  vivia com eles,  ficou solteiro e tinha uma deficiência física.
Tanta saudade e tristeza, tanta coisa que já se passou, tanta amargura e também tanta felicidade..
É tudo isto que busco e que encontro na minha memória, é tudo isto que me envelhece e me faz chorar e simultâneamente me rejuvenesce quando percorro os caminhos da minha infância e juventude!
A minha tia, hoje aniversariante, casada com um mariense, José Coelho de Andrade, emigrou com a família para a Califórnia. Correram esse risco, deixando que o inesperado lhes acontecesse, mas corajosamente perceberam o milagre da vida e tiveram  a audácia necessária para enfrentar um país diferente e uma cultura nova, sabendo e percebendo que a coragem é um dom muito importante para quem procura o sucesso na linguagem do Mundo.
Já lá lhe faleceu o marido e um filho, o meu primo José António Andrade, de quem me lembro muito, e os restantes filhos um rapaz e duas raparigas estão muito bem integrados e são pessoas de sucesso que vivem os valores açorianos do trabalho, do respeito e da família, incutidos pelos seus pais. 
No Verão de 2010, vieram cá todos visitar - nos, reviver e matar saudades da terra natal, foi um tempo maravilhoso para eles e também para mim que quase fiquei com pena de terem vindo porque  fiquei ainda mais ligadas a eles, e sinto agora ainda mais saudades e mais falta desta minha família, que está tão longe fisicamente mas tão perto na minha memória e no meu coração... 

Tia Juvolina - diaporama flash

Querida tia:
Neste dia do teu octogésimo aniversário,  quero agradecer-te por existires, por tudo o que me deste e transmitiste, e por todo o amor que tens distribuído ao longo da tua vida e desejar-te que tenhas muitos anos de vida para continuares a espalhar amor à tua volta.
 Quero também desejar-te que Deus não te abandone, em todos os momentos da tua vida,  Ele nunca abandona aqueles que têm o condão de saber amar, como tú...
Um grande beijinho de parabéns!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

BOLACHAS COM SABOR A CARNAVAL

No Domingo que antecedeu o Domingo Gordo fui, com o meu marido, à praça do gado em Angra do Heroísmo, que é uma feira onde em tempos idos os lavradores se juntavam para vender e trocar os seus animais, mas que actualmente serve para isso  mas também para que os agricultores vendam os seus produtos cultivados para esse fim e ou os produtos excedentários, havendo  também  artesanato, flores, plantio, móveis e outros artigos, à venda.
Não sei como os meus olhos deram com a banca de um latoeiro, dos que estão a desaparecer, onde vejo  várias formas que brilhavam como prata, entre as quais uma linda forma de pétalas redondas como a  que a minha mãe usava para fazer bolachas Republicanas para levarmos para o salão, quando íamos ver danças  e comermos  nos intervalos para matar as "agasturas" palavra que se define como uma ligeira impaciência do estômago, como a minha mãe dizia. ´Devo esclarecer que na altura as mulheres não iam aos bares, que se chamavam botequins, por não ser próprio para uma senhora, por não haver dinheiro e porque se fossemos "matar as agasturas", perdíamos o nosso lugar, ganho por irmos cedíssimo para o local, o que não convinha, pois a minha mãe não queria perder pitada do Carnaval do Ramo Grande.
Deu-me umas saudade tão grandes das ditas bolachas e dos tempos idos que logo comprei a forminha para fazer as bolachas que para mim são bolachas de Carnaval por me transportarem àqueles dias festivos da minha infância.




Ao chegar a casa aprontei-me para fazer as bolachas Republicanas, fui procurar as receitas da minha mãe só que as receitas dela são assim mais ou menos:
Meio alqueire disto, uma quarta daquilo, uma pitada de, meio escudo de...
Enfim, falei com uma senhora de idade, que era amiga de minha mãe, fui fazendo as conversões e lá cheguei à receita e toca de as fazer, ficaram uma delícia...
Parecia mesmo que estava na minha casa das Lajes a preparar o farnel para irmos para a Sociedade passar a noite a ver danças de Carnaval
NOTA: Se te apetecer fazer estas bolachas, uma receita antiga, simples, saborosa e com sabor a tradição vai ao meu blogue de receitas , depois é só meter a mão na massa!