sábado, 19 de dezembro de 2015

A pedrinha do quintal


Numa pedra do quintal
Bem limpa e escolhida,
Fiz uma lapinha de Natal
Q'ao Menino deu guarida...
Numa pedra do quintal
Uma covinha encontrei,
E de um modo informal
O menino ajeitei...
Numa pedrinha do quintal
Pus pinhas e conchas do mar
Florinhas e muitos brilhos
Para o Menino adornar!
Mas na pedrinha do quintal
O Menino está só...
De certeza, sente-se mal
E a mim mete-me dó!
Porque na pedrinha do quintal
Faltam as figuras tradicionais,
Porque na lapinha de Natal
Falta a presença dos pais...
E na lapinha de Natal
Falta o burro e a vaquinha,
Faltam os reis e os pastores
As ovelhas e a galinha...
E também falta na lapinha
Que Francisco d'Assis criou,
Calor que aqueça o Mundo
Que o Menino muito Amou...
E falta amor e perdão
Compreensão e ajuda,
E o trabalho e o pão
Que são o esteio da vida!
Para o Ano, na lapinha
Tudo isto vou colocar,
Numa bonita pedrinha
Que no quintal hei-de encontrar!

Clara Faria da Rosa






O Menino que festejamos:


O Menino que festejamos é Deus!
E Deus é a bondade, 
A cor e a amizade,
E também alegria e amor,
A chuva o vento e o calor,
O perdão e serenidade,
Paz e igualdade,
A simplicidade da Natureza,
O talento, o esforço e a beleza...
É para tudo isto celebrar,
Que nos juntamos a consoar,
Para o Menino lembrar,
E porque somos filhos seus
E porque ele é Deus
E Deus é tudo isto!!!

Clara Faria da Rosa

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Lembras-te disto?



 Soube, através dos noticiários, do lançamento de um livro com o título em epígrafe, no mês de Novembro próximo passado o qual, ao que me foi dado compreender, porque ainda não o li, é como que uma viagem nostálgica e de um certo saudosismo pela infância e adolescência, nas décadas de 70 e 80,  dos autores Luís alegre e Pedro Mata Santos. Percebi que os mesmos  fazem  referência a muitos sectores daquele período e que tem um capítulo dedicado às brincadeiras da altura. Num irreflectido impulso, dou por mim a olhar para uma prateleira à minha beira onde , em jarras de vidro, guardo, com carinho, os berlindes com que o meu filho jogava, talvez numa tentativa de guardar a sua infância, como se isso fosse possível! E que pena não podermos guardar esses tempos num frasco bem guardado, assim como o que eu fiz com os brilhantes e coloridos berlindes!
O jogo do berlinde, como o conheço, de o ver jogar por esses pátios e terreiros das escolas desta ilha Terceira! A que jogarão agora as crianças nesses mesmos lugares? Interrogo-me...
As Três covinhas já estavam prontas, e na hora do recreio era um tal correr, de bolsos cheios de berlindes e toca de lançar, cada um o seu berlinde, para se ver quem atirava mais longe, o que ganhasse começava o jogo e lá se ia jogando para atingir os buracos sucessivamente. em linha recta e voltar para trás, quem conseguisse este feito  tinha o direito de tentar acertar no berlinde dos adversários numa tentativa de se apoderar dos respectivos berlindes. Quem tivesse muitos berlindes no bolso era muito considerado porque tinha aptidão e treino fora do comum! 
Agora faço-te um desafio:
Partilha connosco o que te veio à memória, dos teus  tempos de infância, ao leres este texto... Aceitas?



quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Sinto-me muito pequena!

 Se me perguntares:
- o que é o Natal?
Terei que responder:
-Que é a bondade
Do Menino que festejamos,
Assim como a verdade
Do Menino que esperamos,
Que é a  compreensão
Do mundo que habitamos,
E um abrir o coração
A amigos e adversários,
Que é o perdão
Do Menino que amamos
Se me perguntares:
- Mereces tudo isso?
Terei de responder:
-Que sou muito pequena
Mas estou de coração aberto,
Que sou muito pequena
E me sinto num deserto,
Que sou muito pequena
Mas tento ir no rumo certo,
Para receber e merecer
A bondade,
A compreensão, 
O amor,
O perdão...
E porque sou muito pequena
O Menino que vai fazer anos,
Olhará para mim 
Com carinho e ternura,
Rejubilaremos,
E então, serei merecedora
Dessa bondade, 
Desse amor,
E desse perdão!

Natal de 2015,
Clara Faria da Rosa


quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Um calorzinho especial:

Adoro o estilo "Vintage", aquilo que é antigo , não no sentido pejorativo, mas que se pode considerar clássico e de qualidade e que nos remete aos anos de 1930/40/50/60 e que se aplica ao vestuário, calçado,mobiliário, peças decorativas, jóias, etc.
No Sábado passado, fui a uma festa, e usei um colar de prata" vintage", como podes ver na foto. Era da minha mãe, que o comprou com muito sacrifício, e não o usou muito, porque não tinha muitas oportunidades para isso. Há tempos mandei-o reparar e limpar tendo, desde então, também poucas oportunidades para o usar, embora goste muito dele. Lá o usei e senti-me tão bem e contente que até senti um calorzinho especial no coração, como que a lembrar-me da sua primitiva dona.
Para mim há duas coisas que detêm o passar dos anos, a memória e a arte. E enquanto usei aquela peça antiga, a minha memória permaneceu no passado como que se eu tivesse dez ou quinze anos e visse a minha mãe a arranjar-se para ir a algum casamento e ou procissão e tive a sensibilidade necessária para valorizar aquele objecto vintage e ver nele a arte de um objecto clássico e de qualidade que me fez, por momentos, permanecer gostosamente, no passado da minha infância.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O guarda-chuva teimoso:

Do meu guarda-chuva velho
Fiz um arranjo de natal,
Em dourado e vermelho
E com um laço normal...
Ficou pomposo e vistoso, 
Elegante e orgulhoso, 
E de tal maneira vaidoso,
Que se agarrou ao portão
Com todas as suas forças...
E quando veio o temporal
Não houve chuva nem rajadas
Que o tirassem do pedestal!
E ele teimoso gritava:
-Só saio deste lugar
-Quando passar o Natal,
-E depois de ver entrar
-O Menino neste portal!

Natal de 2015
Clara Faria da Rosa

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Tempestade nos Açores

A tempestade varreu os Açores
Vento forte!
Ondas como montanhas!
Fortes, zangadas, violentas
Provocaram:
Muita angústia,
Muito medo,
Muitas dores...
E uma incerteza dolorosa...
Estamos no meio de nada,
Como nos poderemos defender?
Quem nos poderá ajudar?
Quando virá a calma esperada?
Como será o amanhecer?
A tempestade varria os Açores
E a agitação das ondas
Medonhas, revoltas, alterosas,
E as violentas rajadas,
Quadros assustadores,
Mas espectaculares...
Eis se não quando:
Do meio da tempestade,
Daquele cenário dantesco,
Daquele cenário destruidor,
Surgiu um corpo de mulher
Esbelta, seráfica, angelical...
E tudo acalmou, tudo serenou.
E nos Açores
As flores voltarão a florir,
E nos Açores
Os pássaros voltarão a Cantar.
E nos Açores
O homem esquecerá o medo,
O homem ganhará confiança,
E continuará a Louvar.
E continuará a amar,
O seu mar, a sua terra,
Esta terra açoriana!

Angra do Heroísmo,14 /12/ 2015
Clara faria da Rosa

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Bolo de Natal da Clara (receita)

 Agora que toda a gente anda numa grande azáfama para fazer o seu bolo de Natal, com a antecedência requerida para que fique húmido e muito saboroso, é com muito gosto que te passo a minha receita que acerta sempre e costuma ser muito apreciada:
 Bolo de Natal da Clara ( Receita):

Deves deixar de infusão
Quantos mais dias melhor,
Paciência e compreensão
Muita amizade e amor...

Não ligues aos dissabores,
Vive com muita humildade,
Envolvendo estes valores
Sempre com muito cuidado.

Unta a forma alegremente
Com calma e muito humor,
Verte o bolo lentamente
Fazendo da vida louvor!

O forno deve estar quente
Com um calor moderado,
E tu, sempre contente
Vivendo com muito agrado...

Resulta sempre esta receita
Que partilhada deve ser,
E se for muito bem feita
Tua vida vai crescer!...
 6º
Põe a mesa a toda a gente
Deseja um bom Natal,
Sempre alegre e contente
Aberta, simples e informal!
 7º
Quando deres a provar
Deste bolo uma fatia,
Deves sempre recordar
A amiga Clara Faria !!!

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A minha sementeira de Natal

Nos Açores, é tradicional, porem-se sementes a germinar, em pequenos pratinhos, para depois se porem a decorar os altarinhos do Menino Jesus e os presépios.

Normalmente, isso faz-se no dia de Santa Catarina ou no dia de  Nossa Senhora da Conceição, não me perguntes porquê, porque não sei responder ao certo, a minha resposta é: - porque já minha mãe procedia assim!
Então vêem-se pequenos pratinhos de trigo, cevada, tremoço, ervilhaca, alpista Etc., enfileirados, à espera das sementinhas darem um ar da sua graça, para irem ocupar os seus postos, nos dias de Natal...
Penso que este hábito se prende com o facto de os agricultores quererem testar as suas sementes, para na altura certa as lançarem à terra, e também pelo facto de antigamente não haver decorações de Natal à venda ( e ainda bem!) e de as pessoas instintivamente terem adaptado e adotado este lindo costume de decorarem as suas casas com estas sementes germinadas...
Já há anos que costumo cumprir a tradição, nesta área e ponho a germinar ervilhaca que é uma leguminosa forrageira de bom crescimento que proporciona, segundo os entendidos, uma eficiente cobertura protectora e melhoradora dos solos, e que pode ser usada para pastagem ou fenação. Contém muitas proteínas, resiste ao frio e mede em condições normais,cerca de 1 m. de altura.
Mas vamos ao meu assunto:
Hoje, 8 de Dezembro, estava um belo dia para sementeiras e eu aproveitei:
Depois guardei as sementeiras às escuras para ficar branquinho, e vou deitando um pouco de água em dias alternados.

 Claro que esta foto que te mostro com ervilhaca germinada é de um ano anterior porque este processo da germinação leva aí uns dez dias até estar crescida  bastante para  decorar o Deus Menino , para oferecer alguns a amigos e  enfeitar a casa. Ainda estás a tempo de fazer esta experiência, se não tens este hábito, há sempre uma primeira vez para tudo, tem em mente que muitas aprendizagens se perdem por não se tentar e vais ver que depois te sentes contente com o resultado que obterás.
 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Tomando consciência do cancro.

Fui nomeada pela minha amiga Vanda Azevedo, para colocar uma foto ou selfie durante 10 dias, no perfil e nomear outra pessoa. Perante causa tão nobre, não pude deixar de participar. Saí ao quintal, tal Mãe Natal, colori a Natureza e fotografei-a. Aqui mostro as 10 fotos que fui publicando em dias sucessivos, espero que gostes e que elas te ajudem a vivenciar o Advento e a admirar aqueles que conheces e que conseguiram ultrapassar esta doença e a lembrar os que tanto sofreram e não tiveram essa sorte!
E no fim desta maratona fotográfica à roda da minha casa, nomeei a minha amiga Neusinha Fusco, no Brasil, para dar continuidade a este projecto de forma a que ele se expanda por aquele país irmão.












O regador da minha infância

Soneto ao regador de outrora:








É da minha infância,o regador
Que pintei de cor e muita luz...
Com pouca arte, mas muito amor,
Para no Natal receber Jesus!

Este regador de outrora
Decorei com flores vistosas,
Está elegante e  fino agora
E vive no conforto de salas!

Ai como nostálgica me sinto,
Ai que saudades eu tenho,
Ai é um sentimento sem fim...

Do meu regador muito lindo,
Que brilhava como estanho,
Ao regar o meu jardim!

Clara Faria da Rosa

domingo, 6 de dezembro de 2015

O meu Menino mija!

Tradicionalmente, nos Açores, faziam-se licores caseiros e eram tantos! ( de laranja,de café, de anis, de banana,cacau, de leite, de maracujá, de poejo, de tangerina, de vinho e outros). Estes licores, alguns dos quais feitos propositadamente para o Natal, eram dados a provar  nesta época ao que se chamava a mijinha do Menino.
Convidavam-se familiares para a mijinha do Menino:
- O meu Menino Mija!
-Vai à mijinha do meu Menino!
-O meu menino não está mal das urinas!
-Vai provar a mijinha do nosso Menino!
Era um carinho, uma doçura...
E lá se faziam agradáveis visitas, para desejar as boas- festas, apreciar o presépio, armado a um canto da casa com muitas leivas e musgos e coloridas figuras de barro ou então sobre a cómoda antiga,  coberta com bonita toalha de linho e decorada com camélias, tangerinas e pratinhos de trigo a rodear o Menino, e provar a mijinha à mistura com alguns figos-passados, rebuçados caseiros, caramelos, bolacha republicana e outros doces tradicionais.
Actualmente, ainda se mantém essa tradição, embora com alguns cambiantes ...Talvez já não se façam tantos licores que são substituídos pelos comprados e os doces e aperitivos sejam de outro tipo e com novas receitas , o presépio mantém-se e o hábito de se visitarem as casa de familiares, colegas e amigos, assim como o calor humano que se gera à volta dessa tradição,  continua, felizmente!
Quanto ao meu menino, aliás aos meus meninos, estão bem saudáveis, com os aparelhinhos como Deus manda, expelindo o precioso líquido que aquecerá os amigos, neste Natal.

- O meu menino mija !!!

sábado, 5 de dezembro de 2015

E os anjos disseram:

E os anjos disseram: - Não temais, eis que aqui vos trago Boa-Nova de grande alegria que o será para todo o povo!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O Menino que Festejamos


O Menino que festejamos:

O Menino que festejamos é Deus!
E Deus é a bondade, 
A cor e a amizade,
E também alegria e amor,
A chuva o vento e o calor,
O perdão e serenidade,
Paz e igualdade,
A simplicidade da Natureza,
O talento, o esforço e a beleza...
É para tudo isto celebrar,
Que nos juntamos a consoar,
Para o Menino lembrar,
E porque somos filhos seus
E porque ele é Deus
E Deus é tudo isto!!! 

Clara Faria da Rosa,

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Breve história das decorações da árvore de Natal






Parece impossível de acreditar, mas também há modas, para a árvore de Natal.
Segundo breve pesquisa que fiz, em 1816  o hábito de decorar uma árvore para o Natal era ainda recente e o escritor alemão E.T.A. Holffmann, no seu conto  o Quebra Nozes e o Rei dos Ratos descrevia assim  uma árvopre de Natal:
" A enorme árvore de Natal tinha penduradas muitas maçãs douradas e prateadas.Amêndoas de açúcar, bombons coloridos e outros doces deliciosos brotavam como rebentos e flores por todos os ramos "
A princípio apenas se penduravam decorações comestíveis , fruta, doces e nozes balançando-se ao lado de ovos e de bolachas.
A partir do séc. XVII, as pessoas começaram a fazer decorações mais festivas como pinhas douradas, cascas de ovos,vazias,cobertas com finas fitas de latão martelado, a folha de prata era usada para fazer delicadas estrelas, borboletas e flores em botão.
Nos fins do SÉC. XIX apareceram, pela primeira vez, em Lauscha, na Turíngia bolas em tamanhos diferentes, feitas pelos sopradores de vidro, em vidro transparente ou colorido com o interior  revestido com chumbo e o exterior enfeitado com material brilhante.
Depois os artesãos conseguiram soprar grandes bolas de paredes finíssimas com a ajuda de uma chama de gás muito quente e que se podia ajustar. Depois o nitrato de prata substituíu  a camada reflectora de chumbo e nasceram assim as bolas que hoje conhecemos mas que já estão, em muitos casos a serem substituídas por outo tipo de decorações.
Durante muito tempo Lauscha foi a principal produtora de decorações de Natal até que nos anos 20, Gablon, na Boémia e os japoneses principiaram também a dedicar-se a esta indústria até  que os Estados Unidos começaram também, por volta de 1930/40 a dedicar-se à mesma indústria.
 A partir de 1900 passaram a ser consideradas de mau gosto as árvores muito carregadas e coloridas e passou a apreciar-se árvores estilizadas brancas e prateadas.
Na minha infância, em minha casa, a árvore era enfeitada com laranjas, figos passados, laços coloridos,  figuras prateadas feitas das pratas dos poucos chocolates que comíamos e guardávamos ciosamente ao longo do ano e bonecos de papel feitos por nós. E que saudades eu tenho, meu Deus!!!

 Agora, por  questões ambientais, já se fazem árvores que não são árvores e até para se ser diferente, árvores de pernas para o ar!!!


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

A luz que ilumina e conduz

Estamos a entrar no último mês de 2015! Muitos obstáculos encontramos ao longo destes meses  lutamos, trabalhamos e saltamos obstáculos difíceis mas, não desanimamos, apoia-mo-nos na nossa experiência, na nossa família, enfim, naquilo que tínhamos e encontramos o caminho.  
Ontem dia 29, teve início o Advento, palavra que significa vinda ou chegada. Esta época, que abarca as quatro semanas antes do Natal, tem a finalidade de se preparar a chegada de Jesus Cristo assim como as celebrações do Natal.
Deve ser um tempo de meditação, de recolhimento interior isto é de preparação para receber de forma aberta, sã, simples e luminosa  aquele que consideramos o redentor! É por isso que te mostro esta lanterna e te conto a sua história: 
Estava abandonada na casa onde os meus pais viveram e onde eu vivi até tomar o meu rumo, e ajudada pelo meu marido,  restaurei -a; Foi o cabo dos trabalhos porque quando comecei a limpá-la ela desmoronou-se, e quando pregávamos de um lado despregava-se do outro. Não foi uma tarefa fácil, mas no fim ficámos contentes porque sabemos que a Câmara Municipal, para contenção de despesas, está a cortar na iluminação  pública, esta está a rarear e a escassear e então, quem sabe, nas noites escuras, sairemos à rua, de lanterna na mão, como  o filósofo grego Diógenes que andava de lanterna na mão, mesmo durante o dia, à procura da sabedoria..
Era do meu pai,  foi usada em tempos também difíceis em que não havia electricidade,  e os caminhos eram muito irregulares e cheios de obstáculos imprevisíveis, para se sair à noite , nos dias de matanças, para os ranchos, para se fazerem visitas aos familiares e vizinhos, pelo Natal, à mijinha do Menino, para se ir às novenas preparatórias para o Natal, pelo Carnaval e para ir aos ensaios das danças ou para ir muito cedo para os trabalhos da terra e tratar do gado, o combustível usado penso que era óleo de peixe gato ou de baleia contudo, não tenho a certeza.
A luz era fraca, mas a vontade forte, e fazia-se da fraqueza força, penso que este tempo que vivemos é um tempo idêntico , tempo  de pisar as pegadas dos nossos antepassados que não viravam a cara às adversidades mas que sabiam encontrar a luz nem que fosse numa pobre lanterna...
Que cada um de nós saiba encontrar, neste Advento, A luz que nos permitirá estar preparados para receber com humildade mas de coração aberto e luminoso o Menino.

sábado, 28 de novembro de 2015

Uma história quase de Natal

A resposta que eu esperava

Depois de serem  podadas as árvores do nosso prédio, na altura disso; ficaram  montões de podas no meio do cerrado verdinho. Depois de secas, restava queimá-las, foi  num Domingo, tivemos a ajuda do António, que é o rapaz que trabalha as nossas terras, o meu marido muito miúdo e cumpridor foi aos bombeiros dar conhecimento e pedir a devida autorização e toda a manhã se deitou lenha para  duas grandes  fogueiras que ainda na Segunda- Feira de manhã ardiam. À tarde o António veio mudar as vacas e mudou algumas para o  cerrado em que se tinha feito uma fogueira.
 De manhã olho para lá e vejo-as muito felizes, sentadas à volta do monte de cinzas restante, lembrei-me do presépio e da vaca e do burro a olhar para a sagrada família!


Veio-me então à memória uma pergunta que eu fazia a minha mãe: 
- Porque é que eles estão tão perto do Menino? Ao que ela respondia:
 -É para O aquecer, com o seu bafo...
E a resposta ficava a martelar-me na cabeça; Como poderia ser como a minha mãe dizia se o Senhor Padre tinha dito na igreja que Jesus é luz, amor e calor!?

Hoje tive a resposta que me "encheu"... a vaca e o burro do presépio aproximavam-se do Menino para beneficiarem da luz e do calor que ele irradiava! 
Façamos como estes inteligentes animais, tenhamos fé, aproxime-mo-nos do Menino e o nosso coração ficará quente e iluminado de esperança e confiança que nos ajudarão a resolver e a ultrapassar os obstáculos, as dores e tristezas que eventualmente aparecerão no nosso caminho.

Li há tempos e algures que " Realização é a arte de se fazer um buquê com aquelas flores  que estão ao nosso alcance". Foi o que me aconteceu hoje, na falta de outro assunto resolvi falar do que estava ao meu alcance  imediato e, podes crer, sinto-me realizada por isso!