quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Ser civilizado é diferente de ser culto

Entre 1926 e 1997 viveu, em Los Angeles, nos Estados Unidos da  América, William Rotsler famoso ensaiador, actor, realizador e director de fotografia e penso que também bom cartunista. Embora não tenha a certeza desta última actividade, o que eu sei, de certeza, é que ele escreveu o seguinte:
-"Ser civilizado quer dizer que sabemos o suficiente para não comermos com as mãos, mas ser cultos significa que sabemos porque não devemos fazê-lo!" Embora esta afirmação pareça uma verdade e um dado adquirido tem, quanto a mim, muito que se lhe diga. Na  verdade, procedemos, muitas vezes de forma instintiva sem pensar porque o fazemos e sem questionar se isso é ou não bom para nós, para a nossa saúde física e ou mental, para  o ambiente, para a nossa saúde financeira e para o que nos rodeiam.
Tem esta conversa a ver com as compras de Natal e com as decorações da época, é que vamos comprar sem pensar que teríamos maneira de resolver o problema mais barato, com mais entusiasmo, de forma original e excitante , basta olharmos à nossa volta...
Ora vejamos....
O Outono fez amontoar folhas secas  por todos os lados que te vão dar, já se sabe, um trabalhão a removê-las?
Pega num arame, enfia-as muito juntinhas , junta-lhe um pouco de cor com qualquer apontamento do ano anterior e aí tens um bonito arranjo para o exterior da tua casa!

Civismo, cultura e bom gosto de mãos dadas com a vantagem de não se gastar dinheiro e com um problema resolvido com prazer!
O Sr. Rotsler sabia bem o que dizia!
Bom Natal...


CONVÍVIO DE NATAL, E.D.A. - 2012

Diz-se que uma das grandes tragédias da vida é a morte; Na verdade, em princípio, concordo com esta opinião porque gosto muito de estar por cá, de gozar a companhia dos que me são queridos , dos meus amigos e de fazer coisas que me dão prazer, sabe-se lá se depois de morrermos podemos ler um bom livro! E, se eu  estando morta, não puder ler, morro outra vez...Contudo, o que eu entendo, ser pior do que a morte, é estar viva e não gozar em plenitude essa faculdade isto é, não apreciar o que está à nossa volta, não amar as coisas boas que temos, assim como não aproveitar as oportunidades que se nos deparam e estar sempre azeda com a vida.
Tento fugir a essa atitude e agarro sempre todas as oportunidades que se me deparam, foi por isso que, mais um ano, acompanhei o meu marido ao convívio de Natal da E.D,A., empresa onde ele é funcionário.Porque vou muito lá, encontrar-me com o meu marido, quase que me sinto funcionária da empresa, às vezes digo, a brincar, que a diferença é não receber ordenado e  conheço lá  muitas pessoas que fazem o favor de me contemplarem  com a sua amizade, gentileza e carinho.
Foi um convívio muitíssimo agradável que registo aqui neste pequeno vídeo cujas imagens só revelam os factos , não a poesia , a amizade, a camaradagem e alegria que se viveu naquela noite! Só peço ao Menino cujo nascimento festejámos que me dê vida e saúde para lá estar no próximo Natal!





quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O presépio da minha infância

Penso que se pode definir este conceito de presépio, como  a representação, na tradição do Natal, do estábulo de Belém e das figuras que participaram do nascimento de Cristo, representação esta que, muitas vezes, se estende a outras cenas da vida de Cristo seguintes e a cenas características do meio envolvente.
Há presépios lindos, uns mais ricos do que outros, uns muito originais, de materiais variados, conforme o local onde são fabricados mas....embora tenha a plena convicção de que devemos respeitar o passado mas não viver nele, não resisto a dizer que do presépio que eu gosto mais é do presépio da minha infância. Já tem cerca de sessenta anos, e sei que foi comprado por três vezes, no primeiro ano a minha mãe comprou o Menino, Maria e José, no segundo ano  os Três Reis Magos e no ano seguinte mais umas figurinhas; E ainda dizem que agora  é que não há dinheiro!
Foi comprado, como é óbvio, em escudos, o Menino, com a manjedoura, custou 6 escudos e cinquenta centavos, Maria , assim como São José cinco escudos cada, os Reis Magos custaram quatro escudos cada, o burro e a vaca, foram mais baratos, dois escudos e cinquenta centavos, talvez porque se previsse que não iam permanecer no presépio infinitamente  e as outras figuras não têm registo.
  Este presépio estava em casa dos meus pais , arrumado com muita dedicação, pelas mãos de minha mãe, dentro desta caixa em forma de coração, como se fosse um tesouro! Trouxe-o para minha casa e todos os natais costumo põ-lo sobre um móvel dentro da caixa, com a tampa aberta, pelo simbolismo que isso representa. Para mim, o Natal deve estar nos nossos corações, nas nossas acções, na nossa educação, no nosso espírito.

Terá minha mãe pensado nisso quando guardou estas figuras nesta caixinha, que veio dos Estados Unidos da América, com umas guloseimas? Pois, na altura, não havia por cá, coisas tão sofisticadas... Isso não sei, mas o que sei é que nós é que construímos o nosso Natal...
Bom Natal!!!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A estrela de Belém


A estrela já brilha
Ela já vem a caminho,
Muito afoita, já cintila
À procura do Menino;
Essa estrela brilhante
Vem alegrar nossas vidas,
Vem trazer fé ao descrente,
Nestas festas natalícias;
A estrela que já brilha
Vai procurando o estábulo
Da grande natividade,
Onde em quente manjedoura
Repousa o rei da humanidade;
Essa estrela brilhante
A quem está só, traz calor,
Faz o infeliz contente,
Empresta força e fé ao doente
E é fermento d’amor!

Natal de 2012-12-11
Clara faria da Rosa

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Estrela de Natal

Estrela de Natal:
Actualmente a estrela é um símbolo de Natal, decoram-se casas e ruas com estrelas,e não há árvore de Natal sem a sua estrela isto baseado na história do evangelho de são Mateus que relata que quando Jesus nasceu , uma estrela que ficou conhecida pela estrela de Belém,  anunciou o seu nascimento e guiou os três Reis Magos do Ocidente até ao local onde se encontrava o Menino com Maria e José. Esta estrela de um brilho e esplendor anormais significa que Jesus seria a luz do Mundo|.
Embuida deste espírito bordei esta toalha de chá , com muitas estrelas que ao ser usada lembrarão a história acima referida.Cá está ela que vai ser presente de Natal e enriquecer o enxoval de  uma jovem que se vai casar e organizar o seu lar.
A respeito de enxoval gostaria de lembrar que na minha época de menina e moça não havia jovem que não possuísse uma arca de madeira, ou outro espaço apropriado, para ir acumulando o seu enxoval feito nas longas noites de Inverno ou nas tardes de Domingo. Outros tempos, outros hábitos...


sábado, 8 de dezembro de 2012

Saber governar a vida...

Anda toda a gente preocupada com a falta de dinheiro, que é um caso sério, quando se trata da subsistência das pessoas, da compra de medicamentos e ou de fazer face a compromissos que põem em causa a segurança de bens essenciais como é o caso das nossas casas e outros. Contudo, o que se fala no momento, com certa insistência é o problema de não  se poderem comprar presentes de Natal o que, para mim, não é problema. Ainda me lembro muito bem de encontrar no sapatinho que , muito crente e expectante punha junto ao lar da nossa cozinha, receber figos passados embrulhados em papel pardo, o que me parecia  um sumptuoso presente e me sabia muito bem; não fiquei nada afectada por isso e agora à distância  de sessenta anos percebo o sacrifício , o afecto e a gentileza que os meus pais aplicavam naquele  acto que, embora singelo era de uma grandeza que ainda hoje me toca.
Mas, não era bem disso que eu queria falar, o que eu queria dizer era que embora saibamos que o amor, o trabalho e a sabedoria  são fontes essenciais da nossa vida e da nossa felicidade isso só não basta, especialmente nos tempos que correm , é muito, muito , muito importante, pegar nesses elementos e, com muito discernimento, governar a nossa vida  com aquilo que temos sem nos estarmos continuamente a lamentar com a falta de dinheiro.
Não podes comprar um presente para uma amiga especial? Então segue o meu exemplo:

Arranja um pedaço de madeira , um circulo de tecido que até pode ser de uma peça de vestuário que já não uses, faz uma bainha  na qual enfias um elástico, decora a gosto  e, já está, uma base para quentes que tem a vantagem de se poder "despir" para se lavar, quando estiver suja!
Este é só um exemplo podes fazer várias para combinar com a toalha e com a louça e assim se poder variar com uma certa elegância e requinte, eu ainda quero ver se faço alguns bordados a ponto de cruz com um pequeno motivo de Natal.
Lembra-te amiga o que interessa é saber governar a nossa vida e quanto menos se gastar, em coisas supérfluas melhor!



PS: Nas fotos podes ver a parte de cima e a parte de trás com o elástico para "despires" o suporte e lavares a forra.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Serapilheira tecido para fins artísticos e decorativos

Serapilheira é um pano de estopa grossa  que normalmente é usado na embalagem de fardos, na confecção de sacos para guardar produtos hortícolas e com o qual , em tempos idos, os camponeses confeccionavam os seus trajes de trabalho.
Particularmente, considero este tecido muito interessante para ser utilizado com fins artísticos e decorativos especialmente para a época de Natal. Por ser grosseiro mas maleável e barato, gosto muito de o trabalhar.
Este ano, à semelhança dos anos anteriores,fiz uma pequena toalha que irá embelezar a minha casa na época festiva que se aproxima e que te quero mostrar para o caso de quereres fazer uma para ti.É muito fácil, compras o tecido com o tamanho da largura, para ficar quadrado, fazes a bainha com um ajour e agora é só pores a imaginação a funcionar; podes tirar fios e usar fitas  vermelha e verde e fazer  ponto de cruz e fitas nos lados ou como eu fiz este ano uma fita no meio e uma pequena e simples barra dos lados , decora com laços, fica lindo...
Mãos á obra porque enquanto trabalhas já estás a viver o espírito de Natal!



domingo, 11 de novembro de 2012

Resposta, embora pequena, à crise

Resposta, embora pequena, à crise....

Actualmente só nos apetece reclamar da situação que vivemos, resmungar contra os nossos governantes que nos levaram a essa situação, lamentar o passado e sonhar com que tudo isto se resolva para termos um futuro a curto prazo, no que não acredito, digno do nosso passado e da nossa história.
 É preciso ter esperança  que é um sentimento que não vemos nem podemos palpar mas que vai surgindo à medida que acreditamos nela.
Mas para isso temos que fazer alguma coisa temos que a exercitar e acreditar, especialmente agora que se aproxima o Natal, e eu acredito que embora tenhamos todos menos dinheiro podemos festejar esta época conforme a tradição; É por isso que já deitei mãos à obra para fazer os meus presentes e incito-te a fazer o mesmo, não vamos agora ficar sentadas, de braços cruzados,  a ver a crise passar!
Aqui te mostro um pano para tabuleiro que fiz para oferecer, já fiz vários  e não precisas de comprar linhas novas, tenho a certeza que se procurares tens aí em casa restos que servem, também não precisas comprar galão para rematar faz como eu um ponto de grilhão que fica bonito.
Diz lá se não é uma boa ideia!?

   

Superando o enfado

Quando me aposentei, não fiquei nada triste, embora gostasse muito da minha vida profissional, porque percebi que ia começar um novo e diferente período da minha vida,  e que só tinha a ganhar com isso, porque  vivia uma oportunidade de me dedicar a outros interesses .
Não é o caso de me sentir contente por  deixar de trabalhar porque entendo que o trabalho é a base da nossa identidade e do nosso amor próprio, mas uma oportunidade de tomar novas iniciativas no campo de pôr em prática actividades que me dão muita satisfação intrínsica . E assim foi, não fiquei  à espera que acontecesse  alguma coisa, de  uma ocasião  ou de  uma oportunidade para voltar a aprender coisas novas, a reaprender, a aperfeiçoar e a alargar os meus  horizontes, diversifiquei a utilização das minhas aptidões.
  É tudo isto, creio, que permite a qualquer pessoa, ultrapassar qualquer fase de enfado por já não estar ligado à vida profissional que o ocupou durante largos anos .
É por pensar assim que nunca me sinto enfadada nem depressiva pois tenho sempre presente uma frase que li há muito e que apontei no meu caderno de notas que dizia o seguinte:
" Em caso de depressão faça alguma coisa; se já estiver fazendo troque de coisa." 
Toda esta conversa para te dizer que pensando no Natal que se aproxima , tenho andado muitíssimo ocupada com os meus trabalhos e que fiz esta pequena toalha com motivos de Natal para usar sobre uma toalha vermelha ou verde , ficará muito bonito, especialmente quando nos sentarmos à volta da mesa a confraternizar, com alguma coisinha boa para comer,claro! 
P.S. Se quiseres posso passar-te o modelo.

sábado, 10 de novembro de 2012

Amizade doce e colorida

Faz hoje oito dias, fomos ao Porto Judeu, fazer uma visita aos nossos amigos  Maria de Lurdes e João Melo; São amigos de longa data a quem muito devemos e que nos dedicam muita atenção e disponibilidade,  recebendo-nos sempre de uma forma e com tanta atenção que nos apetece ficar mais tempo.
Maria de Lurdes logo nos ofereceu um frasco do seu doce de abóbora, feito recentemente, e uma prova  com umas bolachinhas, uma delícia, disponibilizando a receita e a sua irmã apareceu com abóbora para me oferecer,  para que eu pudesse testar a dita receita .
Naquele momento pensei:
-  Se a amizade tivesse cor seria assim da cor deste doce e desta abóbora, uma cor forte e quente que permanece no nosso imaginário e no nosso coração ...
No dia seguinte propús-me experimentar a receita e ficou com este aspecto:







 Aqui vai  o modo de fazer para o caso de quereres fazer:
1kg. de abóbora descascada e partida em cubos, 1 kg. de açúcar , sumo de três laranjas.
 Vai tudo ao lume brando até cozer, depois de cozido tritura-se com a varinha mágica e junta-se um pau de canela e 100gramas de nozes picadas. Vai a lume brando até fazer ponto de estrada mais ou menos forte conforme o gosto.
Nota: esta é a receita certa , eu como sou um pouco aldrabona nestas coisas de culinária  usei 1,5kg de abóbora para 1 kg de açúcar e ficou bom , leva é mais tempo a fazer o ponto e como não tinha nozes usei amêndoa palitada e também ficou muito bom.
Claro que é fácil fazer doces e compotas e sei que  não estás, naturalmente, à espera da minha receita, mas falo disto  para fazer uma reflexão sobre a amizade que segundo alguém disse "é um valor que se pode comparar a uma gota de mercúrio, é preciso manter a mão aberta para a retermos, se a fecharmos ela escapa"  e não se pode deixar escapar uma boa amizade porque é um bem muito  precioso!
Aproveito também para lembrar  que este legume fruto da aboboreira, se apresenta em várias espécies,  de grande riqueza nutricional, é nativo da América do Sul. É um legume muito usado em pratos culinários porque constitui uma boa fonte de betacaroteno que é convertido pelo organismo em vitamina A e que é um antioxidante que ajuda a evitar os efeitos dos radicais livres que originam certos tipos de cancro.

sábado, 3 de novembro de 2012

criando e adaptando...


Quando se é sessentona, como eu, tem-se muita coisa amealhada que por vezes nos causa confusão, mas das quais não nos queremos desfazer, porque as mesmas nos avivam recordações que não queremos perder. Nesta linha de pensamento quero falar-te das minhas bijutarias que andavam acumuladas em caixas e gavetas de tal maneira que, quando queria usar alguma peça, ou não encontrava a dita, ou então estava de tal modo misturada com as demais que levava um tempão a separá-la o que fazia com que desistisse da ideia de a usar.
Muitas vezes, me apeteceu deitar tudo, ou pelo menos uma parte, para o lixo, mas sabendo, por experiência própria, que o tempo médio que decorre entre deitar fora uma coisa  e em precisar desesperadamente dela é cerca de uma semana ... lá ia adiando a ideia sempre na perspectiva de encontrar uma solução para o problema!
Foi então que me lembrei de um antigo  e maltratado lavatório que tínhamos na garagem e como sou apologista do contínuo vir- a - ser, vir- a- fazer, com a meta sempre à frente  e não atrás, isto é nuca me apego ao que já fiz, mas tenho sempre em mente outros projectos , outros porquês para viver, os quais me ajudam a enfrentar os comos com que me deparo,  lá deitei mãos à obra:
Martelei, lixei, dei duas mãos de Amerit, que é um produto anti-ferrugem , duas mãos de subcapa branca após o que estava pronto para o esmalte, o acabamento final.
Ficou bonito, e deu-me imensa alegria pôr aquela "tralha" toda muito direitinha ; os colares pendurados, as peças pequenas na bacia, as pulseiras no prato em baixo enfim ...enquanto procedia a este trabalho dei por mim a pensar:
-A criatividade, muitas vezes, consiste  apenas em dar uma volta, por muito pequena que seja, aquilo que já existe! 

 Não te esqueças disto, conto-te esta história, numa perspectiva pedagógica, para que te atrevas a  deixar brotar o ser criativo que há em ti.
Agora aqui fica o antigo lavatório transformado em guarda-bijutarias:

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Dia Mundial da luta Contra a Pobreza



Diz-se que  há fome no Mundo,
Diz-se que no Mundo há pobreza,
E que há homens imundos
Sem carácter, sem nobreza...

A corrupção e falsidade,
A fraude e opressão,
A ganância e a maldade
Fazem com que falte o pão.

Falta o pão ao mendigo,
A escola à criança,
A casa ao sem abrigo
E falta também a poupança!

Há os que sabem poupar,
Outros que enchem a pança
Outros é um tal estragar...
E a maioria sem esperança!

Os homens têm  o dever
De  gerir a vida  com regra
P'ra com dignidade se viver
Sem pobreza, fome ou guerra

Este dia lembra a fome e a pobreza
E o dever que  temos todos
De com vontade e firmeza
Sermos conscientes, modestos e parcos!






quinta-feira, 13 de setembro de 2012

À minha colega e amiga Conceição Valadão que já não está entre nós.

No longínquo ano de sessenta e oito do século passado,  terminou  na escola do Magistério Primário de Angra do Heroísmo, o seu curso, um grupo  de jovens  de brilho e firmeza no olhar, que acreditava conseguir fazer tudo com o entusiasmo que lhes ia na alma porque, para os mesmos, esse entusiasmo era o fermento que os faria concretizar sonhos e esperanças e vislumbrar as estrelas com o irresistível impulso da sua juventude e da força de vontade para pôr em prática  ideias, teorias e novos conceitos de ensino  bebidos naquela escola. Eram eles .
-Alda Maria  de Almeida Nunes
-Bertilde Marília Miranda Pereira
-Clara Maria de Meneses Fernandes
-Elvira da Conceição Bretão Bulhões
-Humbelina Maria da Silva Costa
-Ivone Maria da Silva Costa
-Lourdes Maria Soares Pereira
-Maria Adelaide de Simas Borges Marcos
-Maria Bernardete Azevedo Raimundo
-Maria da Conceição Borges Dias Martins Valadão
-Maria da Conceição Borges Rodrigues
-Maria Guida Borges Ribeiro de Carvalho Duarte
-Maria José Andrade Soares
-Maria Lúcia Alves da Costa Romão
-Maria dos Santos Balra
-Nair do Carmo Costa Correia
- Pedro Graciliano Melo Cabral
-Rafael Henrique Ferreira Cota
-Raquel Maria de Melo Valadão Toste Paim

Acabado o curso, foi tempo de ir à luta, de pôr mãos à obra e assim, cada um partiu à aventura, seguindo o respectivo destino, com entusiasmo de uma realização pessoal e social que lhes trouxesse felicidade.
O tempo foi passando, foram-se perdendo nos dias , nos anos na vida, até que vinte e cinco anos volvidos, em 1993 se voltaram a reunir numa efeméride  que reavivou laços,  saudades, amizades e vontade de voltarem a estar juntos. Mas a vida é como um buquê de muitas cores , sonhos, decisões, fantasias, vontades que são  muitas vezes abafados pelos   trabalhos, pelejas, problemas... que não permitiram que essa vontade se concretizasse.
Tudo isto e muito mais me veio à mente e passou como um filme na minha memória quando  abri o jornal  e tive conhecimento de que a minha colega  Conceição Valadão já não faz parte deste grupo, não está mais entre nós!
Senti uma Tristeza e uma saudade que não consigo explicar...
Eu era tímida, calma e pouco exuberante e ela alegre, inteligente, segura, brincalhona com um sentido de humor de fazer inveja, era um exemplo de amiga e creio que continuou a espalhar essas qualidades pelas pessoas que foram convivendo com ela ao longo da vida.
De tempos a tempos precisamos presenciar uma grande  tempestade que abale a nossa vida para nos lembrarmos de como não valemos nada e de como era bom tudo o que tinhamos ; Pois foi assim, esta tempestade,  esta triste notícia, abalou-me imenso, lembrou-me a minha vulnerabilidade de " rapariga " da idade da Conceição Valadão e de como foi bom ter convivido com ela e de ter possuído a sua amizade que nunca esquecerei.
Resta-me , assim como a todos os antigos colegas, a lembrança de bons tempos e de boas amizades pois, ninguém é suficientemente rico que possa passar sem uma amiga como a saudosa Conceição.
Descansa em Paz, amiga! 
   
  Eu, com dezoito anos, e a Conceição Valadão ( à direita) nos nossos tempos de juventude. 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Festas da Praia da Vitória - 2012


No passado sábado viveu-se, mais uma noite de magia, na cidade da Praia da Vitória, ilha Terceira Açores. Como já é habitual, a cidade brindou-nos com um imaginativo e bem conseguido cortejo que nos transportou ao mundo da fantasia, mas também a outros mundos que à nossa semelhança vivem o Carnaval com grande entusiasmo e euforia.
Segundo diz Andreia Meneses, líder  da comissão organizadora  das festas da Praia 2012, " estava na altura de pôr o Carnaval da nossa terra no mesmo patamar de outros carnavais do mundo, nomeadamente o do Brasil e de Veneza ", e assim se fez , mostraram-se outros carnavais à mistura com fantasia, glamour e criatividade, isto com muita pesquisa, muito trabalho muito querer, apanágio dos terceirenses que, quando querem, não há nada nem ninguém que os impeça, e ainda bem, para que possamos usufruir de noites semelhantes às do passado sábado!!!

Carnavais do mundo:


Festas da Praia da Vitória / 2012 - diaporama flash

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Gente idosa e seus valores


Soube, através da comunicação social que a actriz portuguesa Eunice Muñoz, senhora  que muito admiro e que é referência do Teatro, televisão e cinema português, no patamar das melhores actrizes,  completou ontem 84 anos de vida.
Consultando a Wikipédia fiquei abismada com a enormíssima lista de trabalhos em que participou sempre com grande êxito. Claro que este é um caso de louvar, uma excepção que muito nos agrada conhecer e divulgar.Falo dele porque é um caso público, um exemplo; contudo, nem todos têm a mesma tenacidade embora cada pessoa, na sua área e no seu ambiente, desempenhe o seu papel.
 A propósito, pus-me a matutar como as pessoas idosas têm sido consideradas, pelo governo, uma causa de despesas médicas avultadas e um premente problema político que este não consegue ou não quer resolver nem atender, esquecendo-se do que fizeram e deram à sociedade.
Temos de nos lembrar do que trabalharam, muitas vezes com parcos recursos, criaram filhos, educaram-nos proporcionando-lhes muitas vezes formação superior, à custa de grandes sacrifícios e presentemente brindam-nos com a sua companhia  agradável e repousante, com a sua calma e muitas vezes com o seu sentido de humor baseado numa longa experiência de vida.
Os idosos, na maioria dos casos, são calmos, gentis, vagarosos mas atentos aos outros, em especial aos netos e muitos bastante tenazes e auto confiantes apesar dos problemas de saúde e não só com que se deparam.
Os idosos não deviam ser problema, para qualquer sociedade, mas sim motivo de orgulho e exemplo e  deviam ser abençoados e acarinhados porque nos lembram valores como a honestidade, a profundidade no pensar e sentir, a modéstia, a sociabilidade a linguagem polida  e um grande sentido de prioridade.
Ao fim e ao cabo, todos nós, uns mais distantes outros mais próximos, vamos caminhando para lá. Posto isto é caso para nos interrogarmos e perguntarmos:

-Como quero que o futuro me trate?
- O que tenho para transmitir aos vindouros, como idoso?
-Qual será a minha atitude, como idoso, perante a vida?
-Tendo trabalhado e descontado, pensando no futuro, está certo que o governo me considere um fardo, um problema político?

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domingo, 29 de julho de 2012

Um casamento de longo curso

Bodas de rubi ou diamante
Faz hoje quarenta anos que nos casámos!
 Quarenta anos é muita coisa, muitos dias, muitas semanas, muitos meses, muitas alegrias e ternuras partilhadas à mistura com muitos dissabores e algumas lágrimas e rancores... Mas, sobrevivemos...
Neste dia, que considero especial para nós, como pessoas e como casal , acordei e pús-me a reflectir nesta efeméride, que nos tempos que correm é um verdadeiro milagre  e sobre o que terá feito com que este casamento terá durado tantos anos...
Lembrei-me então de múltiplas e óbvias razões  como compromisso, interesses partilhados, atracção, comunicação e algo mais como o continuarmos a gostar de estar juntos, não me imagino a viver com outro homem a não ser com o meu Ivo, como costumo dizer, e entendimento. Compreendo e aceito, por vezes com alguma relutância, confesso, os interesses e gostos do meu marido, desculpo e tolero as suas falhas, como ele compreende, desculpa e tolera as minhas, mas sobretudo temos a sensibilidade, a vontade e a fé de que nos  continuaremos a ajudar um ao outro, a desculpar e a reconhecer e aceitar que há ciclos na vida e que as alegrias alternam com as tristezas.
Assim, envelheceremos juntos, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, na alegria e na tristeza. Que Deus o permita!!!

sábado, 28 de julho de 2012

Preservando a chama do amor

No passado dia 14, faz hoje quinze dias , acompanhámos este casal amigo, a Isabel e o José Martins, numa cerimónia muito bonita e tocante.
Na verdade os dois são  um casal  feliz e exemplar há longos anos; têm filhos e uma vida dentro da normalidade dos casais tradicionais. Contudo, faltava-lhes algo que só agora conseguiram concretizar; o selo da igreja católica, isto é, da igreja em que foram introduzidos pelos seus pais e em que acreditam e professam.
Chegou o dia e quando os vi na igreja, a renovarem os votos de amor e fidelidade, senti um friozinho na espinha porque,  na verdade, aquele não foi um vulgar casamento que muitas vezes se celebra levianamente, mas um compromisso de quem sabe o que está a fazer e de quem quer preservar a chama do amor que os une.
Desejo sinceramente que continuem a surpreender-se, a divertir-se a tolerar-se nos bons e maus momentos e que o seu amor e amizade amadureçam ainda mais, rumo a uma relação cada vez mais jovem e romântica.
Quero aqui lembrar que as pessoas mais felizes normalmente  são as que não têm motivo especial para o ser mas são-no, estes amigos  têm tudo,  desejo que saibam continuar a aproveitar essa ventura para sua felicidade e para exemplo dos que os rodeiam. 

Sei, que a dona  deste lindo sapatinho, que estava no casamento, costuma visitar esta página, aqui fica a imagem com muitos beijinhos e com votos de que saiba sempre dar graças a Deus, por aquilo que é, e pelo pai que tem o qual quando fala dela fá-lo sempre com um grande orgulho e muitas estrelinhas nos olhos.
Que os seus pés, com estes ou outros sapatos a levem sempre para o caminho do bem e da felicidade.

Despedida de solteiros:
Alguns amigos e familiares da Isabel e do Zé Martins Juntaram-se no sábado dia 13, num convívio informal a que chamaram de despedida de solteiros visto que este casal ia casar-se na igreja no sábado seguinte. Foi assim como que um gesto que mostrava o apreço por este casal e pelo esforço que dispenderam para conseguir concretizar o seu sonho, ter a bênção de igreja, para uma união que durava há muitos anos, na qual se realizavam e sentiam felizes.

domingo, 24 de junho de 2012

Marchas de S. João em Angra do Heroísmo

Hoje é dia de S. João. Por ter nascido a 24 de Junho em  todo o país se festeja este santo popular que nos transmitiu a mensagem de que "Devemos mudar os nossos rumos para encontrar a luz".
Longe vão os tempos em que eu , na minha freguesia natal, hoje vila das Lajes, costumava saltar as fogueiras, nas proximidades da minha casa na Aldeia Nova, com as minhas amigas dando vivas ao são João. Penso que esse hábito de se fazerem fogueiras tem a ver com a procura da luz que este santo aconselhava e ainda sinto nos meus ouvidos os vivas a S. João que ecoavam naquelas noites da minha infância e juventude assim como o calor que emanava das labaredas que se confundia com o prazer das brincadeiras e com a camaradagem meiga, desinteressada e pura que então se vivia, quem viveu tal experiência certamente perceberá o que aqui tento transmitir embora mal, porque há certas emoções que só o muito talento consegue descrever.

Agora está tudo diferente e fazem-se marchas para aclamar o santo e as pessoas que não marcham  assistem ao respectivo desfile participando com as suas palmas e o seu apreço.
Deste modo, esta noite,  assisti, na rua da Sé, em Angra do Heroísmo, ao desfilar de 20 marchas que festejavam o S. João, cada uma diferente da outra no tema, colorido, música e coreografia mas todas bonitas na sua diversidade e alegria que contagiava quem apreciava o desfile e se esquecia dos seus problemas e dores. Durante várias horas não houve lugar para tristezas nem lamentações, houve isso sim , uma vontade enorme de viver em plenitude a festa porque há que viver as oportunidades porque esta vida são dois dias e este já vai na conta, portanto toca de ver as marchas que estão mesmo a passar aqui abaixo , é só clicar e apreciar!
De registar a visita de uma marcha que nos veio alegrar  vinda da vizinha ilha de S. Miguel, que nos contagiou e impressionou com a sua boa disposição e elegante participação.

Sanjoaninas 2012 / Cortejo de abertura

Sexta feira passada o dia esteve chuvoso e triste, sentimento que se estendia aos angrenses e terceirenses em geral e sobretudo e naturalmente à comissão organizadora destas festas  por pensaram que o tempo não se propiciaria para a apresentação do desfile de abertura. Quis Deus e a metereologia que a noite estivesse aceitável e  se realizasse o cortejo . Um cortejo leve que atingiu o seu objectivo : lembrar, dignificar, vivenciar as nossas tradições e penso que, sobretudo dar um recado à juventude desta terra no sentido de se orgulharem do património dos nossos antepassados e de o perpetuarem no tempo, não esquecendo que as tradições são a nossa história, e o indicador que nos distingue dos outros povos, das outras gentes, das outras terras. Não somos uma " Maria vai com as outras" temos a nossa cultura, os nossos valores, as nossas vivências e sabemos preservá-las pelo que temos que nos orgulhar disso, dignificar, mostrar e  continuar  o que os outros criaram.
Foi uma noite agradável porque o cortejo, de um modo geral, agradou; Atendendo à conjuntura económica que se vive penso que, todos perceberam o esforço criativo e de organização que foi feito para se apresentar um trabalho digno sem se gastar muito dinheiro e conseguiram!
Sempre pensei não haver grandes segredos para o verdadeiro sucesso, basta trabalhar bastante, ter em mente os verdadeiros objectivos que se pretendem atingir, preparar meticulosamente o trabalho e sobretudo ter em mente o sucesso e os erros dos outros  para aprendermos com eles... penso que tudo isso foi feito e resultou...
Os carros, na sua simplicidade, conseguiram passar a sua mensagem e as damas, pajens, camareira, rainha e chefe do protocolo todos com uma postura digna e bonita.
A beleza, a juventude, a frescura e a alegria imperaram.
Parabéns!!!
Tânia Rocha - A rainha das Sanjoaninas 2012

O desenrolar do cortejo em fotos:

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Festas das Bicas de Cabo Verde/ 2012

O Espírito Santo é partilha e amor!

Este é o Vítor Carreiro, da comissão das festas, no meio de uma manada de vacas. Quem vê esta foto fica com a sensação de que ele é um eficiente criador de gado em vez de  técnico de farmácia que, na realidade, é a sua profissão.
A história conta-se em poucas palavras.
Para os que não sabem as festas do Espírito Santo , nos Açores, são um momento único de partilha de pão, carne e vinho. É neste espírito,  e sensibilizados por costumes ancestrais, que as comissões das festas, ao longo do ano, trabalham para que possam distribuir abundância pelos irmãos do Espírito Santo, pela sua localidade, por colaboradores e amigos.
Há os criadores que se comprometem a colaborar, tratando ao longo do ano de animais, que a comissão comprou ainda vitelos, tudo isto envolvido na fé ao Divino.
O Vítor é uma pessoa de fé mas é sobretudo uma pessoa dinâmica que se dá de corpo e alma aos projectos em que se insere. É portanto nesta e com esta atitude que ele está feliz no meio destes animais, apreciando-os e escolhendo os que são para esmolas, os que são para fazer a sopa, o cozido e as alcatras para a função no dia da coroação e os que são para vender e ajudar as restantes despesas do império, especialmente as obras de restauro por que o mesmo passou.

Tourada das Bicas de Cabo Verde 2012



---- Este painel foi feito de tecidos reciclados para alegrar a minha varanda no dia da tourada.
 
O nosso desejo, sonho e vontade de imaginar e tornar o amanhã, o futuro e o mundo melhores são a força que alimenta   o respeito pela tradição e a vontade de a preservar e perpetuar. O essencial é respeitar e amar o que os nossos antepassados nos deixaram quer sejam bens materiais ou legados culturais.
Pode viver-se sem trabalhar, sem dormir ou comer, sem transportes etc., será horrível, mas vai-se andando, contornando os obstáculos e sobrevivendo, há sempre alternativas. Quanto ao passado não o podemos renegar, ficamos desprotegidos, vazios, pobres se o desvalorizamos. Não há fuga possível, o passado e as nossas tradições são as nossas raízes, a nossa alma, a nossa história... É por isso que nas Bicas de Cabo Verde,embora sendo um pequeno lugar, todos os anos se cumpre a tradição dos seus festejos em louvor do Divino Espírito Santo com uma parte Religiosa e outra social e profana.
Terminaram Sábado, dia 16, essas festas com a sua tradicional tourada à corda, e eu, amante das tradições, sigo as pisadas dos meus pais e festejo sempre esse dia que dá lugar a um agradável convívio em nossa casa. Claro que naquele tempo as coisas eram um pouco diferentes no que toca à "paparoca", eu agora gosto de fazer uns petiscos mais rebuscados, mas não são precisos grandes coisas para se conviver, cada um faz o que quer e pode com a certeza de que nada torna uma casa e uma mesa mais acolhedoras do que a vontade de receber os amigos e os que nos visitam.
Aqui fica um apontamento de um dia agradável, embora chuvoso, em que uma vez mais se cumpriu a tradição.