E SE O TEMPO PARASSE...
E que o tempo parasse,
É sabido que o muro que impede os outros de entrar é o mesmo que nos impede de sair, é por isso que abro esta página, sempre que tenho possibilidade, para saltar o obstáculo que nos separa e poder ir até ti, contando-te as minhas alegrias e tristezas e mostrando-te o que é importante para mim assim como as minhas eventuais aprendizagens. Salta o muro amiga/o, vem até esta página, conta comigo!
E SE O TEMPO PARASSE...
Fui às cameleiras apanhar
As melhores e mais belas camélias
Para o Menino adornar,
Abençoadas roseiras...
Que o Menino enfeitaram
Que o Menino alegraram...
E entre todas aquelas flores
O Menino rejubilava,
E na nossa mesa de Natal
Na ceia da consoada
O Menino o Mundo abençoava:
-Benditos sejam os Homens
Que em mim acreditaram,
-Benditos sejam os homens
que por mim esperaram,
-Benditas as cameleiras
Que para mim se floriram,
-Benditas sejam as mãos
Que tal mimo prepararam!
Por esta longa caminhada
Que aos poucos me ensinou
A ser calma, tolerante e ponderada
Perante o presente, o futuro e o que passou.
Sinto-me grata...
Pelas perdas que me fortaleceram
E que permanecem em mim,
Pelas alegrias que me ajudaram
A fazer da vida um jardim.
Sinto-me grata...
Pelo dom da vida
Que ao longo destes anos
Me foi gentilmente oferecida
Apesar das dores e espinhos.
Sinto-me grata...
Pelas vossas mensagens calorosas,
Pela vossa amizade e carinho,
Com perfume a cravo e a rosas,
Aqui vai meu grato beijinho.
Clara Faria da Rosa,
Agosto de 2024
A CRUZ DA MINHA VIDA:
Às vezes difícil e pesada
Fui vivendo como pude,
Outras leve e dourada
Com agrado e saúde...
Certos dias de marfim
De brilho suave e cintilante,
Levo esta cruz até ao fim
Apreciando cada instante...
Todos têm a sua cruz
Fácil, leve, ou mais pesada,
À semelhança de Jesus
Tenho a cruz que me foi dada...
Quem diz que nunca a teve
Não viveu com luz e verdade,
Pena minha cruz ser breve
Já tenho dela saudade !
A minha cruz foi valiosa
Apreciei cada momento
foi fulgente e preciosa
Mesmo em tempos de tormento...
Ai vida, ai tempo, ai cruz
Ai passado tão veloz,
És rajada, chuva e onda
Quando rebentarás, minha cruz?
12/8/2024
É sobejamente sabido que dia de tourada na ilha Terceira é dia de excessos. Bebem-se algumas cervejas a mais, os homens aventuram-se à frente do touro de guarda sol em punho, as mulheres nas varandas e muros dão gritos histéricos ao presenciarem algumas situações que se lhes afiguram de algum perigo isto tudo para se não falar do 5º touro, um hábito que por cá existe que leva os donos das casas onde corre o arraial a convidarem familiares amigos e conhecidos para uma mais ou menos abundante mesa à volta da qual se convive no intervalo da tourada ou enquanto esta decorre. São momentos de agradável conversa e, por vezes, de excessos. Mas, no dia seguinte, já está tudo esquecido e, toca para a frente, que a seguir vem outra tourada...
Pois cá tivemos a nossa tourada nas Bicas de Cabo Verde no passado dia 7, com a feliz coincidência de o meu marido estar a festejar o seu aniversário daí o título deste pequeno texto, " DOIS EM UM"
Não somos pessoas de grandes excessos mas, sendo dia de aniversário, estivemos felizes com os nossos amigos e foi engraçado porque alguns iam saindo e comentavam o facto o que fez que fosse um agradável entra e sai de vários amigos e conhecidos a parabenizar o feliz aniversariante.
Aí ficam algumas fotografias que dão conta do sucedido, desejando que o meu marido possa voltar a viver esta feliz coincidência com a mesma saúde e alegria que viveu neste dia 7 de Junho de 2024, dia de "dois em um" na nossa casa.
O tempo vai passando
E nós vamos recordando...
Os anos e alguns segundos
Dias, meses, até momentos.
É a vida a passar
E nós a recordar com amargura...
Com saudade e muita ternura
Todos os que já se foram.
E no coração registamos
As alegrias, tristezas e dores,
As perdas e sofrimentos,
As conquistas e os desaires...
Mas este momento usufruímos
Com esperança e cumplicidade.
Com força e humildade,
Gratos pelo que construímos...
Embora com algumas dores
Dizemos que tudo vai bem,
Deus ouvirá nossos temores
E ajudará como ninguém!
Expectantes quanto ao futuro
Vamos apreciando o brilho do sol,
E vivendo nossa missão
Com persistência e ousadia,
Até quando? Não sabemos,
Vamos saboreando esta aventura,
Este caminho que percorremos
Do berço â sepultura!
Clara Faria da Rosa,
25/05/2024
Neste domingo, as famílias reúnem- se em torno de mesas mais ou menos requintadas, mais ou menos ricas, mais ou menos abundantes o que para o caso não interessa, o essencial é o espírito com que se reúnem que, para os cristãos, tem a ver com a celebração da vitória da vida através da morte que é uma coisa difícil de entender para quem não tem fé mas que com vontade se aceita e se compreende. Já o meu pai dizia: - A FÉ É QUE NOS SALVA!
É comum, nesta época, fazerem-se folares com ovos, enfeitarem-se ovos , e oferecerem-se amêndoas cobertas de açúcar, de várias cores e sabores, com feitio de ovo, símbolo de vida, que de certo modo lembra a ressurreição que hoje comemoramos.
Ora, como família que somos, embora muito pouco alargada, também tivemos o nosso almoço melhorado e eu, que não sou de deixar os meus créditos por mãos alheias, também fiz o meu "pospasto" palavra usada por Júlio Dinis em Uma Família Inglesa, num romance publicado em 1868, que significa sobremesa: Não foi nenhuma criação de chefe porque para isso me falta engenho e arte, mas o que faço todos os anos e a que "pomposamente" chamo "Ninho de Páscoa" - Um bolo simples, feito numa forma que tem ao centro uma concavidade, coberto de forma muito rudimentar de chocolate e com ovos moles na cavidade e claro, para celebrar a vida, ao centro, amêndoas, coloridas, doces e a desfazerem-se na boca de fabrico regional, pela firma Basílio Simões e filhos em Angra do Heroísmo.
E pronto, acabada a Páscoa, entramos na Pascoela e logo logo, temos um pé nas festas do Espírito Santo e nas festas de Verão num ciclo, numa voragem vertiginosa que nos entontece e envelhece sem nos apercebermos.
E agora só me resta desejar uma feliz Pascoela.
Não sei se, atualmente, as crianças e os jovens têm maneiras especiais de se divertirem na época de Pascoa, quanto a mim, lembro-me muito bem do jogo do Belamento ou Belamente que me divertia bastante.
Primeiro havia que encontrar o parceiro ou parceiros que quisessem jogar connosco, depois, era necessário falar com a mãe para saber se ela autorizava pois, em caso de derrota tinha que se dar o prémio ao adversário. Posto isto combinavam-se as regras e a data do início do jogo e aí começava o desassossego.
Uma vez por dia ou duas, de manhã e à tarde, lá se vigiava o adversário para se ser o primeiro a gritar bem alto, para que não houvesse dúvidas, BELAMENTO!, Por vezes, viviam-se momentos bem caricatos na ânsia de apanhar o outro jogador desprevenido...
Diariamente, fazia-se a contabilidade e numa folha de papel, iam-se registando com um simples risco ao alto os belamentos que se contavam na véspera do dia de Páscoa para se saber quem tinha mais riscos e portanto, quem era o vencedor que teria o prémio, normalmente um embrulhinho de amêndoas.
Pode parecer uma brincadeira ingénua e sem graça se comparada com os brinquedos e jogos tão sofisticados da atualidade contudo, se pensarmos bem, podemos concluir o que de riqueza ao nível do desenvolvimento isto pode trazer à pessoa: interação com os outros, a procura do momento certo, o saber esperar pela oportunidade, o registar, o comparar, o aceitar que o parceiro foi mais perspicaz, o rir com ele, enfim, parece que quem jogou o Belamento teve oportunidade de aprender a ler , um pouco, a vida!
Votos de Uma Feliz Páscoa e.... BELAMENTO!
O que te conto, faz parte da minha herança, da minha cultura e até certo ponto da cultura de Angra do Heroísmo. Acredito que, todas as famílias têm histórias que, se forem contadas, passam a fazer parte da história de todos e ajudam os mais jovens a ter a noção do passado mais afastado ou mais recente... Ou pensam que foi sempre sentar à mesa de um café e pedir uma bica ou um galão?!
E a comprovar tudo isto aqui vai o meu vetusto moinho que moía os acima citados grãos, cujo pó ia caindo na gavetinha !
Não escolhi,
Mas mulher nasci
E aceitei...
As dores, os sofrimentos,
As alegrias e bons momentos,
O perfume da maternidade,
A bondade e a maldade...
Não escolhi,
Mas mulher nasci
E aceitei...
As flores que me foram dando,
Os espinhos que foram picando,
Com força , com vontade
De a vida melhorar,
De as mulheres valorizar...
E se pudesse renascer,
E se pudesse escolher,
Escolheria ser mulher,
E passar o que já passei,
Hoje, dia da mulher,
E todos os dias, meses e anos,
Porque as mulheres são árvores
Com raízes profundas e fortes,
Que se espalham...
Nos dias, nos meses, nos anos,
Na vida!
CLARA FARIA DA ROSA,
DIA DA MULHER.
Batia, batia, batia - não havia batedeiras eléctricas - até que, como que por magia, aquele creme se transformava na mais bela manteiga que jamais viria a comer. Pode haver manteiga de muitas marcas, de muitas fábricas , com sal, sem sal, gorda e magra, se bem que eu não compreenda como é que a manteiga possa ser magra, mas não há nada que se compare àquela manteiga sobre uma fatia de pão caseiro, penso que os da minha geração me compreenderão!
Foi-se a lavoura, a vida mudou, e eu comecei a frequentar a casa dos meus sogros e não é que por acaso deparo-me com um objecto que me era estranho, um grande frasco de vidro, com umas pás de madeira na tampa, que eram introduzidas no interior do frasco e que giravam quando se rodava uma manivela com cabo também de madeira. O desconhecido objecto, segundo me disseram, fora trazido da América pelos avós do meu marido no início do século passado, década de 20, com a inscrição: DAZEY CHURN M.F.G. Nº20 - MADE IN ST. LOUIS - U.SA. 2QT e tinha a finalidade de bater manteiga.
Fiquei espantada e desiludida. Afinal, quando tínhamos vacas a dar leite do qual obtínhamos, artesanalmente, manteiga, não conhecia este precioso objecto, quando o descobri, já não havia vacas... a vida, muitas vezes, dá-nos a volta!