quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Arroz doce?







 Não, não é arroz doce,  mas tapioca um produto extraído da mandioca, usualmente preparado de forma granulada, foi-me apresentado pela minha amiga Maria José Azevedo uma picarota  que é muito aventureira nas lides culinárias e anda sempre metida em experiências  gastronómicas.

Já há dias que estava com vontade de experimentar, hoje foi o dia e não me arrependi, fica uma sobremesa gelatinosa, não muito doce, não muito calórica, rende bastante pois o produto deve estar em água cerca de uma hora e trinta minutos e é fácil de fazer.

Os colonizadores portugueses usavam a tapioca como substituta do pão e atualmente é o ingrediente principal de algumas iguarias no Brasil.

 A minha sementeira de Natal :

Nos Açores, é tradicional, porem-se sementes a germinar, em pequenos pratinhos, para depois decorarem os altarinhos do Menino Jesus e os presépios.
Normalmente, isso faz-se no dia de Santa Luzia ou no dia de Nossa Senhora da Conceição, não me perguntes porquê, porque não sei responder ao certo, a minha resposta é: - porque já minha mãe procedia assim!
Então vêem-se pequenos pratinhos de trigo, cevada, tremoço, ervilhaca, alpista Etc., enfileirados, à espera das sementinhas darem um ar da sua graça, para irem ocupar os seus postos, nos dias de Natal…
Penso que este hábito se prende com o facto de os agricultores quererem testar as suas sementes, para na altura certa as lançarem à terra, e também pelo facto de antigamente não haver decorações de Natal à venda ( e ainda bem!) e de as pessoas instintivamente terem adaptado e adotado este lindo costume de decorarem as suas casas com estas sementes germinadas…
Já há anos que costumo cumprir a tradição, nesta área e, ponho a germinar ervilhaca que é uma leguminosa forrageira de bom crescimento que proporciona, segundo os entendidos, uma eficiente cobertura protetora e melhoradora dos solos, e que pode ser usada para pastagem ou fenação. Contém muitas proteínas, resiste ao frio e mede em condições normais, cerca de 1 metro de altura.
Mas vamos ao meu assunto:
Hoje, 8 de Dezembro, está uma manhã calma, com céu nublado e vou aproveitar para as ditas sementeiras.
Depois guardei as sementeiras às escuras para ficar branquinho, e vou deitando um pouco de água em dias alternados.
Claro que esta foto que te mostro com ervilhaca germinada é de um ano anterior porque este processo da germinação leva aí uns dez dias até estar crescida bastante para decorar o Deus Menino, também ofereço a alguns amigos e decoro a casa. Ainda estás a tempo de fazer esta experiência, se não tens este hábito, há sempre uma primeira vez para tudo, tem em mente que muitas aprendizagens se perdem por não se tentar, e vais ver que depois te sentes contente com o resultado que obterás.
Zélia E Victor Carreiro, Rosa Maria Raminha Mendes e 57 outras pessoas
5 comentários
Partilhar

domingo, 5 de dezembro de 2021

 O talhão da minha memória:

Quando, em criança, me encavalitava neste talhão para dele tirar água, ou quando dizia para a minha mãe:- O talhão não tem água! ou ainda quando mais tarde, já adolescente, ajudava a minha mãe a transportar do poço, grandes baldes para abastecer o talhão, numa grande cumplicidade, para não se perder nada, pois ao tempo água era ouro, estava longe de pensar que a palavra talhão, regionalismo açoriano, tinha outras conotações...
Mais tarde, apercebi-me que a mesma palavra se aplica a um pedaço de terreno demarcado para cultivo isto é, uma unidade mínima de cultura numa propriedade, ou a uma porção de terreno para construção de um edifício e ainda a um pedaço de terreno num cemitério, infelizmente todos teremos a nossa última morada num talhão!
Mas eu não sabia, nem queria saber de nada disso, o que eu queria era levantar a tampa daquele enorme e bojudo pote de barro, e de lá tirar com uma caneca de asa, feita das latas de conserva de fruta , vindas dos americanos que ao tempo habitavam a base das Lajes, na ilha Terceira, aquele regalo fresco e puro que me saciava a sede depois de horas de brincadeira.
Veio a água canalizada, o que foi um avanço na nossa pacata vida, então o talhão virou floreira cujas flores nos sorriam à saída da porta do quintal, na casa da minha meninice,depois, mudou-se o mesmo para a minha casa nas Bicas de Cabo Verde, em São Pedro de Angra e não querem ver que o dito se transformou em Arranjo de Natal para nos alegrar os olhos e para te desejar umas Boas Festas de Natal:
Há lá coisa mais versátil do que um talhão de barro de Santa Maria nos Açores?!!
Tu, Marília Costa, Lisete Borges de Meneses e 83 outras pessoas
19 comentários
2 partilhas
Partilhar


 E os anjos disseram: 

- Não temais, eis que aqui vos trago Boa-Nova de grande alegria que o será para todo o povo!

terça-feira, 30 de novembro de 2021

 A luz que ilumina e conduz

Estamos a entrar no último mês de 2021! Muitos obstáculos encontrámos ao longo destes meses, lutámos, trabalhámos e saltámos obstáculos difíceis mas, não desanimámos, apoiámo-nos na nossa experiência, na nossa família, enfim, naquilo que tínhamos e, encontrámos o caminho. Entrámos no Advento, palavra que significa vinda ou chegada. Esta época, que abarca as quatro semanas antes do Natal, tem a finalidade de se preparar a chegada de Jesus Cristo assim como as celebrações do Natal.
Deve ser um tempo de meditação, de recolhimento interior isto é de preparação para receber de forma aberta, sã, simples e luminosa aquele que consideramos o redentor! É por isso que te mostro esta lanterna e te conto a sua história:
Estava abandonada na casa onde os meus pais viveram e onde eu vivi até tomar o meu rumo, e ajudada pelo meu marido, restaurei -a e decorei-a para a época festiva; Foi o cabo dos trabalhos porque quando comecei a limpá-la ela desmoronou-se, e quando pregávamos de um lado despregava-se do outro. Não foi uma tarefa fácil, mas no fim ficámos contentes.
Era do meu pai, foi usada em tempos difíceis em que não havia eletricidade, e os caminhos eram muito irregulares e cheios de obstáculos imprevisíveis, para se sair à noite , nos dias de matanças, para os ranchos, para se fazerem visitas aos familiares e vizinhos, pelo Natal, à mijinha do Menino, para se ir às novenas preparatórias para o Natal, pelo Carnaval e para ir aos ensaios das danças ou para ir muito cedo para os trabalhos da terra e tratar do gado, o combustível usado penso que era óleo de peixe gato ou de baleia contudo, não tenho a certeza.
A luz era fraca, mas a vontade forte, e fazia-se da fraqueza força, penso que este tempo que vivemos é um tempo idêntico , tempo de pisar as pegadas dos nossos antepassados que não viravam a cara às adversidades mas que sabiam encontrar a luz nem que fosse numa pobre lanterna...
Que cada um de nós saiba encontrar, neste Advento, A luz que nos permitirá estar preparados para receber com humildade mas de coração aberto e luminoso o Menino
Nenhuma descrição de foto disponível.
Zélia E Victor Carreiro, Gilda Lima e 23 outras pessoas
7 comentários
Partilhar

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Uma história de cuecas...


Escusado será dizer que as coisas já não são o que eram, especialmente para os da minha geração e para os da geração anterior à minha, que ainda estiverem por cá, os posteriores foram nascendo, adaptando-se e aprendendo a viver com as mudanças, nem deram por isso, até estranharão, os que porventura me lerem, esta introdução explicativa.
Em tempos idos, mais precisamente na segunda metade da década de cinquenta do século passado, não havia pronto a  vestir, era tudo feito em casa ou nas costureiras, roupa de cama, toalhas de mesa e ou de banho e de rosto, camisas de noite, combinações, corpetes, cuecas, camisas e calças de homem, fatos de homem, vestidos, saias e casacos...Enfim tudo o que fosse preciso.
Vai daí que, sendo minha mãe costureira, fazia isto tudo com exceção de fatos de homem. Certo dia, recebe uma cliente que vinha preparar-se para as festas de verão, com uma quantidade de peças de tecido, entre as quais um tecido de popelina cor-de-rosa, com umas flores muito mimosas- Estou a ver isto tudo, passados que foram  tantos anos, talvez uns sessenta e cinco.
- É para fazer cuecas- diz a cliente - mostrando o tecido cor-de-rosa e muitas rendas, para alindar o trabalho. 
-E onde está o molde? - pergunta a minha mãe, porque normalmente a cliente trazia uma peça nova ou muito bem lavada, para modelo.
-Espera Mariquinhas, era a minha mãe, que se chamava Maria mas a quem todos carinhosamente tratavam assim, vou ali à casinha e já venho...
E lá ficou a minha mãe expectante sem saber o que ia sair dali. Eis senão  quando, aparece a cliente de cuecas na mão, amarrotadas e mal cheirosas.
- Serve-te destas, para molde, porque me ficam muito boas - diz a cliente.
Estou a ver a minha mãe, de nariz franzido, a pegar nas cuecas com a ponta dos dedos e a estendê-las  sobre o papel para fazer o molde...
- Para o que eu estava destinada - dizia ela - nunca mais me apanha desprevenida, pois já enrolei o molde e escrevi o nome em letras bem grandes ! CUECAS DE ... e lá vinha o nome.
Não são estas as cuecas da história, são ainda mais antigas, mas estão muito branquinhas, foram lavadas, postas ao sol a corar e lavadas novamente, diz lá se as nossas avós não ficavam bem protegidas?!
 





 



domingo, 28 de novembro de 2021

 Uma história quase de Natal:

A resposta que eu esperava...
Depois de serem podadas as árvores do nosso prédio, na altura disso; ficaram montões de podas no meio do cerrado verdinho. Depois de secas, restava queimá-las. Foi num Domingo, tivemos a ajuda do António, que é quem trabalha as nossas terras, o meu marido muito miúdo e cumpridor foi aos bombeiros dar conhecimento e pedir a devida autorização e toda a manhã se deitou lenha para duas grandes fogueiras que ainda na Segunda- Feira de manhã ardiam. À tarde o António veio mudar as vacas e mudou algumas para o cerrado em que se tinha feito as fogueiras.
Na manhã seguinte, olho para lá e vejo-as muito felizes, sentadas à volta do monte de cinzas restante, lembrei-me do presépio e da vaca e do burro a olhar para a sagrada família!
Veio-me então à memória uma pergunta que eu fazia a minha mãe:
- Porque é que eles estão tão perto do Menino? Ao que ela respondia:
-É para O aquecer, com o seu bafo...
E a resposta ficava a martelar-me na cabeça; Como poderia ser como a minha mãe dizia se o Senhor Padre tinha dito na igreja que Jesus é luz, amor e calor!?
Hoje tive a resposta que me "encheu"... A vaca e o burro do presépio aproximavam-se do Menino para beneficiarem da luz e do calor que ele irradiava!
Façamos como estes inteligentes animais, tenhamos fé, aproximemo-nos do Menino e o nosso coração ficará quente e iluminado de esperança e confiança que nos ajudarão a resolver e a ultrapassar os obstáculos, as dores e tristezas que eventualmente aparecerão no nosso caminho.
Li há tempos e algures que " Realização é a arte de se fazer um buquê com aquelas flores que estão ao nosso alcance". Foi o que me aconteceu hoje, na falta de outro assunto resolvi falar do que estava ao meu alcance imediato e, podes crer, sinto-me realizada por isso!