É sabido que o muro que impede os outros de entrar é o mesmo que nos impede de sair, é por isso que abro esta página, sempre que tenho possibilidade, para saltar o obstáculo que nos separa e poder ir até ti, contando-te as minhas alegrias e tristezas e mostrando-te o que é importante para mim assim como as minhas eventuais aprendizagens. Salta o muro amiga/o, vem até esta página, conta comigo!
quarta-feira, 10 de março de 2021
Às vezes, ponho-me a pensar, porque é que me considero uma pessoa feliz, chegando mesmo a interrogar-me, se em caso de querer, teria a possibilidade de encontrar a infelicidade…
O problema é que eu não quero ser infeliz, agarro-me de tal forma às boas recordações e ao que tenho, no momento, de bom, que sinto assim como que uns sininos a repicar dentro de mim, como que a felicitar-me, pelo esforço que faço para encontrar a felicidade, nas pequenas coisa que vêm até mim.
Não procuro nada de extraordinário, pois através da experiência que tenho, sei que as coisas que nos dão profundo prazer e felicidade como por exemplo .a maternidade, o casamento ,o amor, o trabalho, também nos trazem responsabilidades e até riscos de perda , o que nos levará à infelicidade.
Portanto, não vou em voos de grandes altitudes , basta-me ser possuidora de uma rudimentar capacidade de sentir prazer nas coisas simples e comezinhas da vida .
Esforço-me diariamente para valorizar a possibilidade que tenho de viver como, onde e com quem quero, a saúde, a companhia de quem gosto ou dos meus amigos, os momentos de solidão, que prezo muito, e depois a alegria dos reencontros, enfim os mais variados momentos que embora simples ou insignificantes fiquem registados no meu coração, como um bom momento.
Depois de longa caminhada, concluí que o importante é ficar agradada e grata com aquilo que se tem e não esperar da vida coisas impossíveis… Não é a riqueza, nem o sucesso que nos vai trazer a felicidade, mas sim a maneira como lidamos com a nossa vida, com o que temos, com os que nos rodeiam, com o que nos acontece, valorizando sempre o que nos foi proporcionado, por muito pouco que seja!
segunda-feira, 8 de março de 2021
Em dia da Mulher
Pela boca morre o peixe:
Pois eu, à semelhança dos peixes, quando era nova, abria demasiado a boca e criticava as senhoras que gostavam de se enfeitar demasiado com colares, brincos e outros adereços ao gosto da época.
- Parecem árvores de natal - dizia.
- É porque gostam - respondia a minha mãe.
Bem, o tempo foi passando, o meu gosto mudando, e agora us tudo o que tenho, para não morrer sem usar as minhas coisas, justifico-me. A situação chegou a tal ponto que, actualmente , gosto de usar sempre, na lapela do casaco um apontamento que vou variando conforme a ocasião.
Agora já não critico, calo-me muito bem caladinha, porque me lembro sempre deste provérbio e de outro relacionado com o assunto em questão:
- até velho se aprende!
E eu aprendi que é bom manter a boca fechada, ou falar com moderação, mas também que, na nossa caminhada pela vida fora deixamos pegadas de vários tipos, algumas são quase invisíveis, outras nas quais nem reparamos, mas que constituem o sentido da nossa vida , e uma das características da minha vida, da minha caminhada, do meu ser, é esta fantasia que foi desabrochando no meu interior e que parece que se alonga, que se alastra, que se desdobra com a idade.
domingo, 7 de março de 2021
Ser Mulher…
É ser um mundo
Que gira à volta de Todos,
É ser profundo
Que entende os pensamentos,
É navegar
Contra e a favor dos ventos,
É alcançar
Porto seguro
E levar consigo os outros,
É ser agente
De paz, amizade e afectos,
É ser um ser
Que os seus filhos ensina
A construir o próprio mundo,
É ser tão fundo
Que segue dos filhos os passos
Do princípio até ao fim,
É saber pintar o feio
De delicadas tonalidades,
Para o mundo transformar
Em leito macio e ternurento
Onde se possa viver
Uma verdadeira aventura,
Toda a força da ternura,
Amor, delicadeza, verdade…
E onde não haja maldade!
De meninas a mulheres
Sorriram,
Sonharam,
Desabrocharam,
Cresceram,
Aprenderam
Floriram,
Amaram,
Deram-se…
E agora mulheres
Esperam, exigem, reclamam:
Que a vida lhes sorria,
Que a vida as recompense,
Que a vida lhes floresça,
Que a vida lhes seja leve,
Por todas as amarguras,
Por todas as dores,
Por todas as lutas,
Por todas as aprendizagens,
Por todas as lágrimas,
Por todas as dádivas!!!
7/03/2021 - Dia da Mulher
à minha amiga Lulu,
Uma amiga de sempre e para sempre e uma grande Mulher
a quem muito devo.
terça-feira, 2 de março de 2021
Chapéu à Zamparina
Como todos os que me conhecem bem sabem, adoro chapéus, de Inverno de Verão de palha ou de feltro, não interessa é um chapéu...Aqui é que entra a história de que te quero falar:
Num dia invernoso saí de chapéu, um lindo e airoso chapéu de feltro de um verde garrafa muito escuro e fui visitar uns amigos que ao chegar me disseram:-Estás muito bonita, com o teu chapéu à zamparina!
Fique admirada sem saber se o comentário era elogioso ou depreciativo. Então, decidi investigar o significado e a origem da expressão, pois hão-de chamar-me nomes mas eu ao menos hei-de saber o que querem dizer! Sou assim, curiosa...
À zamparina quer então dizer:
De forma atabalhoada, coisa mal feita, mal amanhada, mas também correspondia, em tempos idos, e em linguagem de moda à forma como se usava o chapéu ligeiramente inclinado para a frente, cobrindo um pouco a orelha direita, uma forma inusitada de usar o chapéu nos séculos XVIII e XIX.
E a responsável de tudo isto, quer dizer, desta expressão, é a senhora cuja gravura mostro que foi uma muito famosa cantora de ópera que veio de Veneza para Portugal em 1772, no tempo do Marquês de Pombal Chamada ANNA ZAMPERINI, uma figura muito controversa que ficou famosa pelos seus dotes artísticos, teatrais e musicais, pela sua irreverência, inusitada à época, e pelo seu poder de sedução que incluía o uso do chapéu inclinado. Parece que Anna Zamperini se enamorou do filho do Marquês de Pombal o qual desagradado com este romance a mandou atabalhoadamente de volta para a Itália e interrompeu a contratação de mulheres estrangeiras, para dançar e ou cantar nos palcos portugueses.
Assim, e concluindo, passou a chamar-se a forma como se usa o chapéu mas também uma coisa feita de forma atabalhoada isto é a forma como foi feita a expulsão da cantora Anna Zamperini de Portugal.
E cá estou eu numa tarde soalheira, mas fria, do final de Janeiro, passeando pela baixa de Lisboa com o meu chapéu à zamparina , que agora já sabemos que é à "Zamperini"
Enquanto passeava ia pensando, também, se Anna Zamperini teria passeado com o seu amado, o filho do marquês de Pombal, por aquelas ruas, o que terá sido pouco provável, devido ao caos que se vivia na altura com a reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021
"Domesteque"
Se houve coisa boa, saída desta pandemia, se é que pode sair algo de bom de tão triste situação, foi que este ano não se falou de gripes, aquela epidemia que costuma aparecer por esta altura do ano, com tosses, rouquidões, espirros e dores de cabeça. Não, não se falou disso porque, as pessoas estiveram confinadas, usaram máscaras e desinfetantes e tiveram outros cuidados…
Não se ouviu tossir nem espirrar e por isso a expressão normalmente usada quando alguém espirra também ficou a aguardar nova oportunidade:
-"DOMESTEQUE!"
Esta expressão sempre me fez confusão e, embora me "cheirasse" a derivado do latim, sempre pensei que havia de aprofundar o assunto, hoje, com alguma disponibilidade de tempo, levei a cabo esta tarefa e debrucei-me sobre os antigos missais e livros de orações, que guardo religiosamente, do tempo das nossas mães e avós, pois não havia senhora que se prezasse que não fosse para a igreja munida do seu missal.
Vai daí que depois de muito rebuscar, dou de caras com a Ave Maria em latim:
"Avé Maria, grátia plena, dóminus tecum, benedicta tu in muliéribus et benedictus fructus ventris tui Jesus"
Voltei à minha meninice e, vi-me ajoelhada ao lado da minha mãe, na nossa igreja das Lajes, entre a luz das velas que iluminavam o saudoso padre Gregório Rocha, de costas voltadas para os seus fieis, lá ao longe, ladeado pelo sacristão que repetia a oração num latim atabalhoado.
Estava então, explicada a minha dúvida, sempre que alguém espirra, lançamos mão dessa língua morta e saudamos a pessoa com um pomposo "domesteque" , saudação latina que se traduz pela expressão " Dóminus Tecum" - O senhor esteja contigo!
Ora digam lá se não vale a pena guardar as coisas?! Como teria eu oportunidade de aprofundar este assunto se não tivesse à mão estes velhos e preciosos livros, entre os quais se encontra o livro que usei na minha comunhão solene, de capa branca?
Um abraço amigo e DOMINUS TECUM - O SENHOR ESTEJA CONTIGO!
terça-feira, 23 de fevereiro de 2021
Dia de Festa !
domingo, 21 de fevereiro de 2021
ATÉ QUANDO?
Não queremos pensar em partir,
Nem queremos pensar em deixar,
Comprometemo-nos a serenamente viver,
E a aceitar o que há-de vir!!!
Clara Faria da Rosa,
21/02/2021
sábado, 20 de fevereiro de 2021
Esperar sentada:
No Teatro Angrense sentada
Pelas danças esperei,
De tanto esperar desesperei
Fiquei mesmo desapontada …
Nem uma dança apareceu
Por causa do vírus maldito,
Nunca tal Carnaval se viveu
Ai que tempo esquisito!
Mas vou continuar sentada
Não sou mulher de desistir
Vou guardar a gargalhada
Para o ano que há - de vir …
Não vou desesperar
Nem a tradição esquecer,
Tudo isto vai passar
Vamos voltar a viver…
E a dança vai dançar
Dança dançarino, dança,
Um tema de encantar
Um tema de muita esperança!!!
Clara Faria da Rosa,
Carnaval de 2021
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021











