Pela boca morre o peixe:
Pois eu, à semelhança dos peixes, quando era nova, abria demasiado a boca e criticava as senhoras que gostavam de se enfeitar demasiado com colares, brincos e outros adereços ao gosto da época.
- Parecem árvores de natal - dizia.
- É porque gostam - respondia a minha mãe.
Bem, o tempo foi passando, o meu gosto mudando, e agora us tudo o que tenho, para não morrer sem usar as minhas coisas, justifico-me. A situação chegou a tal ponto que, actualmente , gosto de usar sempre, na lapela do casaco um apontamento que vou variando conforme a ocasião.
Agora já não critico, calo-me muito bem caladinha, porque me lembro sempre deste provérbio e de outro relacionado com o assunto em questão:
- até velho se aprende!
E eu aprendi que é bom manter a boca fechada, ou falar com moderação, mas também que, na nossa caminhada pela vida fora deixamos pegadas de vários tipos, algumas são quase invisíveis, outras nas quais nem reparamos, mas que constituem o sentido da nossa vida , e uma das características da minha vida, da minha caminhada, do meu ser, é esta fantasia que foi desabrochando no meu interior e que parece que se alonga, que se alastra, que se desdobra com a idade.










