quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

 A Cor do Natal:




Se o Natal tivesse cor
Seria branco, dourado,
Rosado, alaranjado,
Amarelo radiante ou prateado…
Bafejaria os afortunados
Os formados e empregados.
Os saudáveis e os jovens.
Mas se um pincel o escurecesse
Com medonhos e tristes negros
Escuros roxos,
Castanhos barrentos
E vermelhos escarlate…,
Logo o Natal cairia
Em casa do pobre, do doente
Do velho abandonado e triste
E da criança sem pais,
Logo o Natal pintaria
Destas desagradáveis cores
A vida ao desempregado,
À jovem divorciada e só,
Com filhos para criar
E sem pernas para andar…
Mas se uma fada boa e linda
Olhasse o Mundo pelo Natal
E sua varinha estendesse…
Aquele dom, aquele condão,
Bordaria tudo de verde,
Um verde puro, límpido, transparente!
Com mil e um cambiantes
Opacos, brilhantes,
Claros, escuros
Alegres e irrequietos…
Que a todos transmitiriam
Aquela paz, aquele conforto,
Aquela segurança, aquele amor,
Aquela merecida esperança,
Que todos os homens anseiam,
Que todos os homens merecem,
E que a todos é devida
Hoje, no Natal e sempre!

Clara faria da Rosa

Natal de 2020








Clara Faria da Rosa

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

 

              Em dia de São Martinho:

Ontem foi dia São Martinho, mas não teve a graça dos outros anos em que geralmente festejávamos com amigos , pois é sabido que os terceirenses não perdem oportunidade de festejar seja o que for. Sentados  à mesa, nostálgicos, nem as castanhas tiveram aquele sabor dos anos anteriores e então, para animar, falámos, neste dia dedicado a este santo tão popular  que, segundo a lenda, se privou da sua capa para a dar a um mendigo, e  da igreja matriz de Pombal, a igreja de São Martinho que visitámos em tempos. Um  templo de características simples, no seu exterior, mas que ao entrarmos nos causa surpresa pela sua talha e belos altares mas sobretudo pelos seus retábulos de pedra policromada que apresentam, entre outros episódios, a história da vida de São Martinho. 
Aqui vão algumas fotografias:

                         




                                        

                 
                                                



















                      


segunda-feira, 2 de novembro de 2020

 

Em dia de finados. . .


Todos os anos, neste dia, duas ideias povoam a minha cabeça, num dilema, tentando concluir se estou praticando regras de bom viver:
- Por um lado o meu hábito de fazer planos a longo prazo, como se fosse viver para sempre, por outro lado, a certeza de que não vale a pena porque, como os turistas, estou de passagem,  à semelhança dos nossos antepassados; Sei que devo conduzir-me todos os dias, como se fosse morrer amanhã, não precisando de grandes coisas ; É o que tenho de mais certo!!!
Contudo, a arte e a civilização, fizeram dos homens algo mais do que  simples habitantes deste absurdo universo, daí o nosso apego às coisas, às pessoas e aos bens materiais e imateriais.
É um bem imaterial a recordação dos nossos pais, sogros, familiares, amigos e vizinhos que já partiram e tenho a certeza, de que eles sentem a nossa saudade e as nossas orações, em especial neste dia que lhes é dedicado.
Se as rádios e televisões, conseguem espalhar as melodias das notas de um violino sobre montanhas, mares, desertos, aldeias e cidades barulhentas, as quais  são captadas como pétalas de rosas brancas, no rarefeito éter azul, então porque não ter a certeza de que eles nos  verão, ouvirão e estarão felizes, por saberem que não os esquecemos e que em especial neste dia, endereçamos a nossa saudade, o nosso preito, a nossa homenagem, as nossas orações, até eles.

domingo, 1 de novembro de 2020

 

Tipicidade e simbolismo

Conhecem algo mais típico, mais simbólico mais característico na Vila das Lajes ilha Terceira Açores do que um panelão de ferro ao lume a cozer milho para o dia de Pão-por-Deus, abóboras  ao sol em cima do cu do forno, ou no chiqueiro do porco feito de cantarias e a antiga pia de lavar roupa, escavada numa só pedra, vinda das Bugias das Lajes, hoje transformada em linda floreira!?
Foi esta tipicidade toda, esta simplicidade dos que souberam aprender com o passado este pôr em prática costumes ancestrais bem enraizados  na nossa cultura que presenciei em véspera de Dia-de- Todos-os-Santos:
Os meus primos  à volta do panelão, imaginem, revezavam-se para  deitar lenha, e mexer o milho, que vai ser repartido por várias famílias, levaram um dia inteiro,  e à mistura iam conversando, descansando, recebendo visitas, como eu, que iam dando palpites. Foi uma festa, foi tempo bem passado, tempo de qualidade,  e de entusiasmo, acredito, que me fez pensar que o entusiasmo é que liga o interruptor da vida...





 

Escaldadas



Aqui estão as escaldadas que se costumam fazer por cá pelo Pão-Por-Deus, em tempos idos, de fabrico caseiro, são cada vez mais produto de fabrico industrial. Gosto muito, mas sou mais especialista no comer do que no fazer, contudo, sei que são uns bolos que levam farinha de trigo e de milho em proporções que desconheço, ovos, leite, manteiga, açúcar e erva doce, o que lhes dá um sabor muito especial. O nome de escaldadas vem do facto de esta mistura ser escaldada com água a ferver com a erva doce, há quem lhes junte também algumas sementes desta planta.
Erva doce ou funcho, é uma planta que é utilizada com fins medicinais no combate à má digestão, aos gases, dores de barriga, inchaços, resfriados e também na confecção de confeitos e no fabrico de licores.


segunda-feira, 26 de outubro de 2020

 À meia noite atrasou o relógio, mudámos para a hora de Inverno!

Mudanças…
Muda a Hora, muda o tempo ,
Muda o frio e o calor ,
Muda a idade e o vento,
Muda o carinho e o amor,
Muda o trabalho e a vontade
Muda a mãe natureza
Muda a coragem e a bondade
Muda a força e a beleza...
Só não muda a consciência
E uma grande evidência
De que há homens que não mudam
E os pobres e fracos humilham
São corruptos e indignos
Gananciosos e injustos...
Mas o tempo vai mudando,
como a hora, os dias, meses e anos
E cada um vai caminhando
Para uma grande mudança
Para um crepúsculo que avança
Para a decadência, para o declínio
Para o ocaso da vida!
Clara Faria da Rosa

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Hiatos...

 Com esta história de estar a recuperar a casa dos meus pais, na vila das Lajes, deparei-me com uma velha caixa de madeira que continha umas torcidas de tabaco, folhas de maçarocas de milho, e uma navalha toda enferrujada; Foi aí que me lembrei do meu pai a plantar tabaco, a recolhê-lo, a pô-lo a secar num local sombrio mas arejado, a abafá-lo com panos de lã e depois a alisá-lo bem para fazer as torcidas que eram guardadas na caixa de que te falei para na altura própria serem cortadas com a navalha muito bem amolada e assim o tabaco, muito bem picado era enrolada em folhas de milho, muito finas e aí estava o tabaco que o meu pai fumava com gosto. Saudável ? Higiénico? Não te posso dizer porque não tenho conhecimentos para isso, o que é certo é que ele não morreu por isso embora para p fim tenha passado a fumar Santa justa, um tabaco de compra de uma fábrica de tabaco micaelense. Foi aí que fiz  a relação com uma pequena caixa de madeira  exótica, muito trabalhada, com aplicações de madrepérola, que  serve para guardar cigarros e tem uma pequena e mimosa gavetinha que ao ser aberta mostra o cigarro ao fumador…

 Pus-me a pensar na palavra hiato, no titulo referida que é uma palavra que vem do latim  "hiatu" a qual tem várias aplicações, que não vêm ao caso entre as quais, agora sim, esta serve para o caso, que á a definição de interrupção no tempo e no espaço ou interrupção entre dois acontecimentos.

Grande interrupção, grande afastamento de culturas, de hábitos, grande intervalo o que não quer dizer que uns e outros não fossem felizes à sua maneira.

E aqui te mostro as antigas torcidas de tabaco, as folhas de milho, a navalha agora já muito ferrugenta, por falta de uso e a requintada caixa de cigarros, isto tudo depois de um hiato em que não contactei contigo devido a afzeres que não vêm agora ao caso.




Pus-me a pensar na palavra hiato, no titulo referida que é uma palavra que vem do latim

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Vou Até à casinha:
Esta expressão, talvez desconhecida da maior parte das pessoas que porventura me venham a ler, tem a ver com uma ida à mata, ou à privada, ou à retrete, casota oculta e retirada da casa onde as pessoas, em tempos idos, satisfaziam as suas necessidades fisiológicas.
Sempre pensei que o termo retrete vinha do francês, mas só hoje confirmei que na verdade vem da palavra francesa " Retraite" que significa retirada .
Quanto aos inventores das retretes, Rosa Ruela, jornalista da revista Visão diz que " Tanto os escoceses como os gregos dizem que foram eles. A verdade é que, numas ilhas que hoje pertencem à Escócia, existem vestígios de umas cabanas de pedra que os historiadores acreditam terem sido casas de banho no Neolítico".
E que "Na Idade Média, nalguns castelos, havia uns pequenos buracos na base das muralhas, por onde escorria a imundice. Agora, parece-nos nojento, mas devia dar jeito para afastar os cavaleiros inimigos! Até que alguém se lembrou de construir uma caixa com tampa, a lembrar as retretes dos nossos dias. Como era preciso usar um balde de água, ganhava mau cheiro facilmente. E, em 1596, há mais de 400 anos, apareceu o autoclismo."
A verdade verdadinha é que as casas de banho e as sanitas nem sempre foram o que são hoje e a comprová-lo aqui vão as fotos de uma "casinha" muito antiga e decadente, escondida pela vegetação, que havia no fundo do quintal do quinteiro,figura que actualmente não existe, porque os tempos não estão para graças, do prédio onde vivo. Levamos uns tempos a recuperá-la, porque na verdade, não era obra prioritária , mas fizemo-lo porque achamos engraçado e um contributo histórico para a posteridade. Agora só falta a tampa e a porta, o que ainda ainda vai levar o seu tempo.
Entretanto se alguém te perguntar pela pia, privada, latrina, cumua ou trono, não te admires porque só quer saber onde fica a retrete. Sim, porque ainda há muitos povos que vivem sem casa de banho, sem sanitas de porcelana, sem autoclismos e sem papel higiénico e não te rias, por favor, é por isso que o dia 19 de Novembro é o dia Mundial da retrete, instituído pelas Nações Unidas, como uma chamada de atenção para a falta de esgotos e de higiene sanitária em muitos países.

terça-feira, 30 de junho de 2020

Nada a esconder...

Lição de vida:

Li há tempos uma história, muito engraçada, que falava do nervosismo de uma jovem no primeiro dia em que foi a casa dos pais do namorado. Indo a caminho, constatou que tinha os sapatos sujos e, resolveu limpá-los com um guardanapo de papel, com que tinha embrulhado uma sandes de presunto. Ao chegar à casa do noivo foi recebida e cumprimentada com agrado pelos pais do rapaz e farejada pelo cachorro da casa que não a largou por sentir o cheiro do presunto.
Na hora da despedida, foi elogiada pelos pais do noivo que fizeram referência ao cachorro que não tinha o hábito de ser dócil e que tinha gostado dela sabendo julgar o carácter das pessoas.
-Se o cachorro gostou de você - disseram eles -  para nós isso é um sinal e será um prazer recebê-la como um novo elemento da nossa pequena família!
Estando nas Lajes, freguesia hoje vila, onde nasci e me fiz mulher, a restaurar a casa dos meus pais, lembrei-me desta história deles e do primeiro dia que me acompanharam a casa do meu noivo, hoje marido. Fomos recebidos também com muita gentileza, à semelhança da história anterior, e para nos integrarem no seu ambiente mostraram-nos as várias divisões da sua casa, grande e boa, uma casa da cidade, como se dizia na altura...
Chegou o dia de se retribuir a visita e lá vieram, em dia de festa, os novos familiares a nossa casa.
Minha mãe, que era a especialista em etiqueta, como dizia o meu pai a brincar, resolveu também mostrar a nossa casa simples mas na qual nos sentíamos muito bem e onde éramos felizes.
- Mas - disse eu - é uma casa simples, não tem nada de especial para mostrar!
- Não tem nada para mostrar, ou tem pouco para mostrar, se comparada com a vossa casa - diz o meu pai prontamente - mas também não tem  nada a esconder, o que já é muito bom!
Esta foi uma das mais importantes lições de vida que recebi do meu pai e que nunca esqueci, mesmo que tenhamos pouco a mostrar, se não tivermos nada a esconder, já é uma grande riqueza...
É por isso que estou a restaurar, com orgulho e vontade, a nossa casa das Lajes, porque ela me traz gratas e doces recordações como esta!
E aqui vai a nossa foto tirada em 1971,contemporânea desta história que te conto.


domingo, 28 de junho de 2020

Especiarias e especieiros:

Hoje fiz caldeirada para o almoço - nada de especial dirás - é verdade, contudo eu que não sou de seguir receitas pré estabelecidas,dei por mim a usar diferentes sabores, porque considero que a comida fica com um sabor incompleto sem temperos, são eles que lhe dão aquele toque de magia, aquele aroma que faz com que apreciemos o que está na travessa, terrina ou no prato.
Mas comigo as coisas não funcionam simplesmente, é um pouco mais complicado, enquanto manuseava os frascos com os temperos que ia utilizando, dou por mim a matutar em tempos recuados em que só os mais ricos tinham acesso às especiarias e em que as mesmas tinham o valor do ouro chegando-se ao ponto de serem deixadas, em testamento, quantidades de especiarias e muitas vezes eram usadas como moeda de troca ou para pagar ou subornar favores, e no tempo em que cidades europeias como Veneza e Génova cresciam em riqueza à custa das especiarias, anis estrelado, cominhos, gengibre, canela, noz-moscada, cravo da índia, pimenta, cominhos, açafrão, levando o nosso pequeno país à beira-mar plantado, conhecedor  desta fabulosa possibilidade de enriquecer, e conhecedor das rotas destes produtos até ao Oriente, a aventurarem-se e a lançarem-se numa verdadeira epopeia marítima até à Índia.
Claro que  isto não passa de uma pequena e pobre resenha do muito que haveria a dizer sobre o assunto o qual aflorei para registar o quanto temos a vida facilitada, neste capitulo, basta só ver a grande variedade de produtos que temos à nossa disposição que temos à nossa disposição o e de novos produtos resultados da combinação de várias especiarias como é o caso da paprika do caril e outros.
E agora, está à espera que eu mostre a dita caldeirada? Impossível, praticamente já quase não existe, o que te mostro são os meus especieiros lindos e antigos que, como o nome indica,são utilizados para servir especiarias na mesa.
Votos de boa semana!