É sabido que o muro que impede os outros de entrar é o mesmo que nos impede de sair, é por isso que abro esta página, sempre que tenho possibilidade, para saltar o obstáculo que nos separa e poder ir até ti, contando-te as minhas alegrias e tristezas e mostrando-te o que é importante para mim assim como as minhas eventuais aprendizagens. Salta o muro amiga/o, vem até esta página, conta comigo!
quinta-feira, 9 de abril de 2020
Em noite de ceia grande:
Sopas fritas e chá!
Tudo original...
Se Cristo partilhou a última ceia com os seus discípulos, porque não partilhar a minha memória deste dia? E porque não fazer as ditas sopas fritas só por causa do colesterol se nós sempre as comemos e os meus pais não morreram por isso...
Toca de pôr mãos à obra e aqui estão elas acab
A minha mãe não tinha Internet nem livro de receitas, lembro-me que às vezes ela anotava nuns papeis que vinham a embrulhar alguns artigos de mercearia mas a maior parte das vezes ela inventava! Por isso digo que é tudo original, a toalha era dela , podes ver o monograma bordado por suas mãos, a louça era também dela, fábrica LUSITANA e a pequena tigela onde guardo o açúcar com a canela é também dessa época, embora a tenha adquirido recentemente é MASSARELOS.
Mas vamos lá ao que interessa, as sopas fritas à moda da minha mãe!
Faz-se um polme com 3 colheres de sopa de farinha de trigo, 1,5 colher de sopa de açúcar, 3 ovos. uma pitada de sal, 1 colher das de chá de fermento em pó e leite até ficar com a consistência própria para envolver o pão, pode-se juntar umas gotinhas de baunilha, isto já é invenção minha. Pronto, parte-se o pão às fatias, eu usei papo-secos, envolve.se no polme, e leva-se a fritar em óleo bem quente, escorre-se e põe-se sobre papel absorvente, envolve-se numa mistura de açúcar e canela e pronto!
Muito simples? Pois é.
Fazias assim? Fico contente.
Vais fazer? Bom proveito!
Que tenhas uma Páscoa muito doce, dentro das possibilidades, são os meus votos.
Tudo original...
Se Cristo partilhou a última ceia com os seus discípulos, porque não partilhar a minha memória deste dia? E porque não fazer as ditas sopas fritas só por causa do colesterol se nós sempre as comemos e os meus pais não morreram por isso...
Toca de pôr mãos à obra e aqui estão elas acab
adinhas de fazer, cheirando que é um regalo à espera do chá que as vai acompanhar. Costumávamos comê-las ao chegarmos da cerimónia do Lava-pés, cerimónia que este ano não se realiza porque as igrejas estão fechadas devido ao covid 19, contudo, não quis deixar de cumprir a tradição.
A minha mãe não tinha Internet nem livro de receitas, lembro-me que às vezes ela anotava nuns papeis que vinham a embrulhar alguns artigos de mercearia mas a maior parte das vezes ela inventava! Por isso digo que é tudo original, a toalha era dela , podes ver o monograma bordado por suas mãos, a louça era também dela, fábrica LUSITANA e a pequena tigela onde guardo o açúcar com a canela é também dessa época, embora a tenha adquirido recentemente é MASSARELOS.
Mas vamos lá ao que interessa, as sopas fritas à moda da minha mãe!
Faz-se um polme com 3 colheres de sopa de farinha de trigo, 1,5 colher de sopa de açúcar, 3 ovos. uma pitada de sal, 1 colher das de chá de fermento em pó e leite até ficar com a consistência própria para envolver o pão, pode-se juntar umas gotinhas de baunilha, isto já é invenção minha. Pronto, parte-se o pão às fatias, eu usei papo-secos, envolve.se no polme, e leva-se a fritar em óleo bem quente, escorre-se e põe-se sobre papel absorvente, envolve-se numa mistura de açúcar e canela e pronto!
Muito simples? Pois é.
Fazias assim? Fico contente.
Vais fazer? Bom proveito!
Que tenhas uma Páscoa muito doce, dentro das possibilidades, são os meus votos.
terça-feira, 7 de abril de 2020
Se a tristeza fosse...
Se a tristeza fosse uma flor...
Teria as pétalas caídas,
A olhar a terra escura,
Esquecendo a frescura,
Que nos trazem nossos dias.
Se a tristeza fosse o mar...
Seria negra, revolta, escura,
Beijaria com força as rochas,
Esmagando altas ondas,
Uivando com amargura.
Se a tristeza fosse uma lágrima...
Seria viscosa, grossa, pesada,
Correria lenta e sem vontade ,
Denunciando toda a maldade,
Que a faz correr agoniada.
Se a tristeza fosse a noite...
Duraria eternamente,
Sem deixar o Sol sorrir,
Nem a maldade partir,
Num escuro permanente.
Mas..
A tristeza não é noite, nem é flor,
Não é lágrima, nem é mar,
É muitas vezes grande dor,
Que nos vem de muito AMAR!
Teria as pétalas caídas,
A olhar a terra escura,
Esquecendo a frescura,
Que nos trazem nossos dias.
Se a tristeza fosse o mar...
Seria negra, revolta, escura,
Beijaria com força as rochas,
Esmagando altas ondas,
Uivando com amargura.
Se a tristeza fosse uma lágrima...
Seria viscosa, grossa, pesada,
Correria lenta e sem vontade ,
Denunciando toda a maldade,
Que a faz correr agoniada.
Se a tristeza fosse a noite...
Duraria eternamente,
Sem deixar o Sol sorrir,
Nem a maldade partir,
Num escuro permanente.
Mas..
A tristeza não é noite, nem é flor,
Não é lágrima, nem é mar,
É muitas vezes grande dor,
Que nos vem de muito AMAR!
Clara Faria da Rosa
domingo, 5 de abril de 2020
Meu filho:
Neste dia dedicado aos filhos, podia dizer-te que foste a melhor coisa que me aconteceu na vida, que tenho muito orgulho em ti, que te amo muito e que podes sempre contar comigo enquanto Deus me emprestar vida, contudo, penso que disso estás certo pois tem sido repetido e demonstrado muitas e muitas vezes, tanto por mim como pelo teu pai que, à sua maneira, também te ama muito, não o duvides nunca mesmo para além da nossa existência...
O que quero fazer neste dia e nesta mensagem é pedir-te que sejas sempre bom e respeitador para os outros, que compreendas e ajudes os mais fracos, que respeites os teus superiores e que saibas aprender e ouvir os que têm mais experiência e sabem mais do que tu. Se fizeres o que te peço, farás os outros felizes e serás feliz e é isso que quero e que te desejo neste dia especial e todos os dias da minha vida, que sejas feliz!!!
Dia de ramos
Hoje é dia de ramos! O dia em que a igreja lembra a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, antes da sua paixão e morte.O povo cortou ramos e ramagens de árvores, para cobrir o chão onde jesus passava montado num jumento e aclamou-o com ramos de palmeiras.
Abrindo,este dia, a Semana Santa, a Igreja costuma recriar o episódio bíblico que atrás se descreve, o que não aconteceu este ano, devido à terrível pandemia que vivemos e que levou à proibição de ajuntamentos e por consequência ao fecho das igrejas que este ano não celebram as cerimónias da semana santa. Foi por isto e. seguindo outros exemplos, que coloquei um singelo ramo no meu portão para lembrar os ramos e desejar aos que passam, que são poucos, atendendo à situação que se vive, uma boa semana de Páscoa e sobretudo esperança em melhores dias.
Quando eu era criança tenho ideia de se chamar a este dia "dia de grãos" porque a minha mãe dizia que não se metiam folhas na panela, portanto, fazia-se canja com arroz, sopa de grão, papas de arroz, milho cozido etc., isto numa referência clara ,aos ramos que aclamaram Jesus!
sábado, 28 de março de 2020
Ser jovem:
Ser jovem
É ter força, saúde, alegria,
Esperança, beleza, companhia.
Ser jovem
É acreditar no futuro,
É esperar uma vida boa,
É sentir tudo a seus pés,
É sonhar um lugar merecido.
Ser jovem
É buscar um tesouro,
É buscar o amor verdadeiro,
É buscar prata e ouro,
É buscar no mundo inteiro!
É ter força, saúde, alegria,
Esperança, beleza, companhia.
Ser jovem
É acreditar no futuro,
É esperar uma vida boa,
É sentir tudo a seus pés,
É sonhar um lugar merecido.
Ser jovem
É buscar um tesouro,
É buscar o amor verdadeiro,
É buscar prata e ouro,
É buscar no mundo inteiro!
28/03/2020
Dia Nacional da Juventude
Clara Faria da Rosa
Dia Nacional da Juventude
Clara Faria da Rosa
segunda-feira, 23 de março de 2020
POSPASTO:
No limoeiro, as flores teimam em anunciar que a Primavera chegou embora na árvore ainda se possam ver lindos limões. Lembrei-me então, no passado domingo, de aproveitar alguns e fazer uma tarte de limão, aquela receita antiga de que gostamos muito e que não leva natas nem leite condensado, produtos muito usados actualmente em sobremesas...
Enquanto preparava a massa para a base lembrei-me de Júlio Dinis e de uma palavra que ele empregou que nunca tinha ouvido, a certa altura o escritor diz o seguinte:
__ " O jantar terminou como começara, silencioso e triste. Carlos foi o primeiro a levantar-se da mesa, Mr. Richard não teria, desta vez, companhia para o apreciado pospasto".
Pospasto, palavra que vem do latim - post (depois) + pastu (refeição) o que se define como sobremesa.
E lá continuei eu na confecção do meu pospasto que servi no almoço de domingo mas que , apesar de ter ficado bom, não nos soube bem como habitualmente, atendendo ao que se vive, parece que algo nos impele para baixo e nos deixa inseguros, desanimados, incrédulos, do momento que travessamos e que nunca imaginámos um dia vir a viver!
Espero, que se Deus quiser, e os homens ajudarem, no pospandemia eu possa fazer outra tarte de limão, que nos saiba melhor!
Enquanto preparava a massa para a base lembrei-me de Júlio Dinis e de uma palavra que ele empregou que nunca tinha ouvido, a certa altura o escritor diz o seguinte:
__ " O jantar terminou como começara, silencioso e triste. Carlos foi o primeiro a levantar-se da mesa, Mr. Richard não teria, desta vez, companhia para o apreciado pospasto".
Pospasto, palavra que vem do latim - post (depois) + pastu (refeição) o que se define como sobremesa.
E lá continuei eu na confecção do meu pospasto que servi no almoço de domingo mas que , apesar de ter ficado bom, não nos soube bem como habitualmente, atendendo ao que se vive, parece que algo nos impele para baixo e nos deixa inseguros, desanimados, incrédulos, do momento que travessamos e que nunca imaginámos um dia vir a viver!
Espero, que se Deus quiser, e os homens ajudarem, no pospandemia eu possa fazer outra tarte de limão, que nos saiba melhor!
domingo, 22 de março de 2020
Poesia
A poesia descreve o mundo
O homem e a alma a fundo
A poesia vê a dor
A fome, a tristeza e o amor
A poesia a paz canta
E a bondade que encanta
A poesia chora a guerra
Derramada sobre a terra
A poesia é sentimento
Que expressa o sofrimento
Com arte, sentido, emoção
Com alma , corpo e coração
Poesia...
É vida é saúde, é morte
É falar da alegria e da sorte
Da inveja e da maldade
Da amizade, do amor e da saudade!
O homem e a alma a fundo
A poesia vê a dor
A fome, a tristeza e o amor
A poesia a paz canta
E a bondade que encanta
A poesia chora a guerra
Derramada sobre a terra
A poesia é sentimento
Que expressa o sofrimento
Com arte, sentido, emoção
Com alma , corpo e coração
Poesia...
É vida é saúde, é morte
É falar da alegria e da sorte
Da inveja e da maldade
Da amizade, do amor e da saudade!
Clara Faria da Rosa
sábado, 21 de março de 2020
ZZZZZZZ, Pf,pf,pf,pf
Vivendo esta situação de clausura, para bem de todos nós, aproveitei para "visitar" um armário que estava precisando de uma arrumação séria. Tudo para fora, limpeza de prateleiras e nova arrumação, com direito a selecção do que devia ser rearrumado ou deitado fora. Não é que encontrei coisas das quais já não me lembrava?!
Uma maleta branca muito bem fechadinha fez-me voar até à minha adolescência, quando não havia cabeleireiras como agora, nem dinheiro para as frequentar, em caso de existirem...
Por sorte tive alguém que me ofereceu este conjunto e vaidosa quanto baste, para a idade, nao me cansava de o usar. Cabelo muito bem lavado com sabão azul e branco, seguia-se a difícil tarefa pôr os rolos o que, na própria cabeça, exigia alguma perícia e depois era altura do capacete ligado ao secador, ZZZZZZZZZZZZ, demorava um tempão para o cabelo secar e ficar bem enroladinho...
Tiravam-se os rolos, penteava-se o cabelo e pf,pf,pf,pf, com a laca comprada no BX, cantina dos americanos, na base aérea das Lajes, ainda lhe sinto o cheiro, não dos americanos, mas da laca!
Logo, olhava, o pequeno espelho e mentalmente perguntava:
- Então, senhorita, como se sente? Algo a apontar?
Bons tempos, não tínhamos dinheiro nem cabeleireiras mas também não tínhamos este terrível vírus, esta maldita pandemia que a todos assusta e põe o mundo em perigo!
Uma maleta branca muito bem fechadinha fez-me voar até à minha adolescência, quando não havia cabeleireiras como agora, nem dinheiro para as frequentar, em caso de existirem...
Por sorte tive alguém que me ofereceu este conjunto e vaidosa quanto baste, para a idade, nao me cansava de o usar. Cabelo muito bem lavado com sabão azul e branco, seguia-se a difícil tarefa pôr os rolos o que, na própria cabeça, exigia alguma perícia e depois era altura do capacete ligado ao secador, ZZZZZZZZZZZZ, demorava um tempão para o cabelo secar e ficar bem enroladinho...
Tiravam-se os rolos, penteava-se o cabelo e pf,pf,pf,pf, com a laca comprada no BX, cantina dos americanos, na base aérea das Lajes, ainda lhe sinto o cheiro, não dos americanos, mas da laca!
Logo, olhava, o pequeno espelho e mentalmente perguntava:
- Então, senhorita, como se sente? Algo a apontar?
Bons tempos, não tínhamos dinheiro nem cabeleireiras mas também não tínhamos este terrível vírus, esta maldita pandemia que a todos assusta e põe o mundo em perigo!
Primavera
Se eu fosse a Primavera:
____________
Ai, se eu fosse a Primavera
de verde, eu tudo pintava
um verde alegre e cintilante
e velhos e novos alegrava.
____________________
Ai, se eu fosse a Primavera
numa pincelada, num instante
a maldade e a guerra eu mudava
em bondade e paz constante.
____________________
Ai, se eu fosse a Primavera
convocaria o Sol a florir
todos os pássaros a chilrear
e os tristes e doentes a sorrir.
__________________
Ai, eu fosse a Primavera
punha bancos e flores nos jardins
e a humanidade a delirar
em diálogos, namoros e afins.
____________
Ai, se eu fosse a Primavera
de verde, eu tudo pintava
um verde alegre e cintilante
e velhos e novos alegrava.
____________________
Ai, se eu fosse a Primavera
numa pincelada, num instante
a maldade e a guerra eu mudava
em bondade e paz constante.
____________________
Ai, se eu fosse a Primavera
convocaria o Sol a florir
todos os pássaros a chilrear
e os tristes e doentes a sorrir.
__________________
Ai, eu fosse a Primavera
punha bancos e flores nos jardins
e a humanidade a delirar
em diálogos, namoros e afins.
____________________
Ai,se eu fosse a Primavera
matava sem dó nem piedade
este vírus que aflige o Mundo
e aos homens dava liberdade .
___________________
Ai, eu sou a Primavera
quero que o povo se abrace
quero que as ruas se alegrem
e que a confiança regresse...
Clara Faria da Rosa
quinta-feira, 19 de março de 2020
O meu avental bordado
Fui na função ajudar
E decidi meu avental usar,
Tinha uma corôa bordada
E senti-me abençoada...
Abençoada
Por ter saúde e ali estar
Por tantos amigos abraçar,
Pelas nossa tradições
Pelo pão e alcatra das funções...
Abençoada
Pelas sopas perfumadas
pela carne nas travessas,
Pela abundância, pelo repartir
Pela canela, no arroz- doce a luzir...
Abençoada
Pelo vinho dos Biscoitos
Pelo funcho dos confeitos,
Pela variedade do cozido
Por todo aquele colorido...
E para ser abençoada
Quero mais vezes usar
O meu avental bordado,
Quero o Espírito Santo Louvar...
Bendito, seja louvado!!!
E decidi meu avental usar,
Tinha uma corôa bordada
E senti-me abençoada...
Abençoada
Por ter saúde e ali estar
Por tantos amigos abraçar,
Pelas nossa tradições
Pelo pão e alcatra das funções...
Abençoada
Pelas sopas perfumadas
pela carne nas travessas,
Pela abundância, pelo repartir
Pela canela, no arroz- doce a luzir...
Abençoada
Pelo vinho dos Biscoitos
Pelo funcho dos confeitos,
Pela variedade do cozido
Por todo aquele colorido...
E para ser abençoada
Quero mais vezes usar
O meu avental bordado,
Quero o Espírito Santo Louvar...
Bendito, seja louvado!!!
quarta-feira, 18 de março de 2020
O rádio do meu pai:
Tenho, ao longo da minha vida lido muito, e tenho com isso aprendido alguma coisa, contudo o que vivi e o que retive na minha memória é que me tornou forte, cristã, rica e erudita . Vem esta afirmação a propósito de me lembrar, embora já se tenham passado mais de sessenta anos, como se fosse hoje, do dia em que o meu pai trouxe este rádio para casa.
O meu pai não tinha cultura musical, mas gostava muito de música, comovia-se e vi-o chorar várias vezes, ao ouvir determinadas peças de música, também gostava de ouvir notícias, o sonho dele era possuir um rádio que tivesse um bom som e onde pudesse saber o que se passava por este mundo de Deus - como dizia.
Como trabalhava para os americanos na Base aérea nº 4, nas Lajes, ilha Terceira, depois de a minha mãe ter amealhado no canto da gaveta alguns dólares, pediu a um americano amigo que lhe comprasse um rádio, tinha que ser Philips, não sei porquê tal exigência, talvez por ter ouvido falar da marca, e o amigo americano fez-lhe esse favor e ainda o veio trazer cá fora, porque tal compra era considerada contrabando e o meu pai não podia sair no Posto um com a mercadoria, ainda por cima uma compra tão grande, que dava imenso nas vistas, ainda se fossem uns chocolates americanos...
Vai daí que, quando o meu pai se apanhou na posse da dita compra, pernas para que te quero, não tardou em casa, foi um dia de alegria!
Foi esse dia e muitos outros que se seguiram, muitos serões passámos ao redor do rádio, e até quando o meu pai estava a sachar as batatas no quintal, ou sentado no muro a falar com os vizinhos e ou com os amigos, punha o rádio bem alto para que se pudesse ouvir bem.
Saudosos tempos, saudosas recordações e saudoso pai que tanto rica de memórias me deixaste!
Deixaste muitas pegadas visíveis na tua caminhada pela vida fora e algumas invisíveis que só eu posso ler e sentir, enquanto viver, bem no fundo do meu no meu coração...
O meu pai não tinha cultura musical, mas gostava muito de música, comovia-se e vi-o chorar várias vezes, ao ouvir determinadas peças de música, também gostava de ouvir notícias, o sonho dele era possuir um rádio que tivesse um bom som e onde pudesse saber o que se passava por este mundo de Deus - como dizia.
Como trabalhava para os americanos na Base aérea nº 4, nas Lajes, ilha Terceira, depois de a minha mãe ter amealhado no canto da gaveta alguns dólares, pediu a um americano amigo que lhe comprasse um rádio, tinha que ser Philips, não sei porquê tal exigência, talvez por ter ouvido falar da marca, e o amigo americano fez-lhe esse favor e ainda o veio trazer cá fora, porque tal compra era considerada contrabando e o meu pai não podia sair no Posto um com a mercadoria, ainda por cima uma compra tão grande, que dava imenso nas vistas, ainda se fossem uns chocolates americanos...
Vai daí que, quando o meu pai se apanhou na posse da dita compra, pernas para que te quero, não tardou em casa, foi um dia de alegria!
Foi esse dia e muitos outros que se seguiram, muitos serões passámos ao redor do rádio, e até quando o meu pai estava a sachar as batatas no quintal, ou sentado no muro a falar com os vizinhos e ou com os amigos, punha o rádio bem alto para que se pudesse ouvir bem.
Saudosos tempos, saudosas recordações e saudoso pai que tanto rica de memórias me deixaste!
Deixaste muitas pegadas visíveis na tua caminhada pela vida fora e algumas invisíveis que só eu posso ler e sentir, enquanto viver, bem no fundo do meu no meu coração...
quinta-feira, 5 de março de 2020
Velha louca:
Eu quero ser uma velha louca,
E comer doce algodão,
Seja no Inverno ou no Verão...
Eu quero boleia pedir,
Sem algum pejo sentir,
A carros lindos, encarnados,
Para destinos imprevistos...
Eu quero jogar no quintal à bola,
Apanhar maçãs às escondidas,
E no fundo da mala guardá-las,
Eu quero brincar com a bengala...
Eu quero alegremente viver,
Eu quero com força dançar,
Eu quero desafinadamente cantar,
Ao som da antiga vitrola...
Quero subir às árvores,
Para brindar à vida,
E tomar chá com minhas amigas,
Em lindas e raras chávenas...
Quero estar rodeada
Até ao fim da jornada
De todos os meus livros,
De todos os meus amigos,
De todos os que me são queridos ...
Quero comer biscoitos,
Docinhos diferentes e bolos,
Em vez de xaropes e remédios
Em vez de ir a hospitais e médicos...
Eu quero que Deus me dê vida,
Eu quero que Deus me dê saúde,
Para fazer tudo isto...
E ser uma velha louca!
E comer doce algodão,
Seja no Inverno ou no Verão...
Eu quero boleia pedir,
Sem algum pejo sentir,
A carros lindos, encarnados,
Para destinos imprevistos...
Eu quero jogar no quintal à bola,
Apanhar maçãs às escondidas,
E no fundo da mala guardá-las,
Eu quero brincar com a bengala...
Eu quero alegremente viver,
Eu quero com força dançar,
Eu quero desafinadamente cantar,
Ao som da antiga vitrola...
Quero subir às árvores,
Para brindar à vida,
E tomar chá com minhas amigas,
Em lindas e raras chávenas...
Quero estar rodeada
Até ao fim da jornada
De todos os meus livros,
De todos os meus amigos,
De todos os que me são queridos ...
Quero comer biscoitos,
Docinhos diferentes e bolos,
Em vez de xaropes e remédios
Em vez de ir a hospitais e médicos...
Eu quero que Deus me dê vida,
Eu quero que Deus me dê saúde,
Para fazer tudo isto...
E ser uma velha louca!
domingo, 1 de março de 2020
As mãos do amor:
Olho as minhas mãos e vejo-as:
Grosseiras, ásperas, cansadas,
Olho as minhas unhas e vejo-as:
Baças, rombas, maltratadas...
Tento escondê-las e penso:
-Onde estão aquelas mãos
Finas, esguias e lindas
E aquelas brilhantes unhas
Rosadas e bem-tratadas?
-Aquelas mãos de menina,
Meu orgulho, meu tesouro,
Aquelas unhas de ouro...
Tudo isso já se foi,
Tudo isso é passado.
Aquelas mãos de então,
já muito, muito, amaram,
já muita massa amassaram,
já muita sopa prepararam,
Já muita mesa puseram,
já muita roupa lavaram,
já muitas tartes fizeram,
já muito bolo bateram,
já muito chão varreram,
já muita cera puxaram,
já muita erva arrancaram,
já muitos pontos deram,
Já muita mão encaminharam
E a escrever puseram,
Já muita palma bateram,
já muito, muito escreveram...
Aquelas mãos do passado
Meu orgulho, meu tesouro,
já muito, muito, amaram,
Já muito muito acarinharam,
já o meu pai lavaram,
já os seus olhos fecharam,
E continuam abertas
Embora ásperas e cansadas
Para muito, muito amar
Para alegremente ajudar...
Porque amar vai muito além
De beijar docemente alguém,
Amar é agente esquecer
Que as mãos vão envelhecer
Amar é dar e amparar,
Ajudar,estar presente e prever
Que o outro vai precisar
Das nossas mãos
Ásperas e cansadas,
Das nossas mãos
Grosseiras e calejadas!
Clara Faria da Rosa
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020
Não sou malacozoófaga!
Apetecia-me ler, mas não tinha nada de novo, atendendo à minha idade, estou a esforçar-me para não comprar mais livros, o que para mim, leitora compulsiva, é um grande sacrifício! Olho para as prateleiras dos livros lidos, relidos e alguns trelidos e lanço mão de "Uma Família Inglesa" de Júlio Dinis, embrenho-me na leitura quando a certa altura Júlio Dinis diz:
-" O mercado do Porto a custo pode satisfazer as exigências dos numerosos malacazoófagos da colónia inglesa entre os quais Mr. Richard Whitestone ocupa lugar eminente"
Ups! Grito no meu subconsciente, malacazoófagos, que palavra tão estranha, e logo os meus olhos "voam" até às notas de rodapé e lá está a definição: - malacozoófago - O que gosta de mariscos.
Não sou malacozoófaga pois não fui habituada a comer mariscos, comíamos o que a terra dava que era fruto do trabalho árduo do meu pai e que a minha mãe se esmerava a pôr na mesa e não havia, ao contrário da família Whitestone, posses para comprar os produtos do mar que eram muito caros. Contudo, actualmente, por vezes compro, para o meu marido que aprecia ou quando recebemos visitas e amigos e nessas alturas uso este serviço da V.A. com lindos desenhos de mariscos que só por si despertam os sentidos!
Ora digam lá se não vale a pena ler e reler os clássicos, temos sempre oportunidade de aprender qualquer coisa, temos é de manter a mente e os olhos bem abertos...
Subscrever:
Mensagens (Atom)




















