terça-feira, 7 de abril de 2020

Se a tristeza fosse...
Se a tristeza fosse uma flor...
Teria as pétalas caídas,
A olhar a terra escura,
Esquecendo a frescura,
Que nos trazem nossos dias.
Se a tristeza fosse o mar...
Seria negra, revolta, escura,
Beijaria com força as rochas,
Esmagando altas ondas,
Uivando com amargura.
Se a tristeza fosse uma lágrima...
Seria viscosa, grossa, pesada,
Correria lenta e sem vontade ,
Denunciando toda a maldade,
Que a faz correr agoniada.
Se a tristeza fosse a noite...
Duraria eternamente,
Sem deixar o Sol sorrir,
Nem a maldade partir,
Num escuro permanente.
Mas..
A tristeza não é noite, nem é flor,
Não é lágrima, nem é mar,
É muitas vezes grande dor,
Que nos vem de muito AMAR!
Clara Faria da Rosa

domingo, 5 de abril de 2020

Meu filho:


Neste dia dedicado aos filhos, podia dizer-te que foste a melhor coisa que me aconteceu na vida, que tenho muito orgulho em ti, que te amo muito e que podes sempre contar comigo enquanto Deus me emprestar vida, contudo, penso que disso estás certo pois tem sido repetido  e demonstrado muitas e muitas vezes, tanto por mim como pelo teu pai que, à sua maneira, também te ama muito, não o duvides nunca mesmo para além da nossa existência...
O que quero fazer neste dia e nesta mensagem é pedir-te que sejas sempre bom e respeitador para os outros, que compreendas e ajudes os mais fracos, que respeites os teus superiores e que saibas aprender e ouvir os que têm mais experiência e sabem mais do que tu. Se fizeres o que te peço, farás os outros felizes e serás feliz e é isso que quero e que te desejo neste dia especial e todos os dias da minha vida, que sejas feliz!!!

Dia de ramos


Hoje é dia de ramos! O dia em que a igreja lembra a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, antes da sua paixão e morte.O povo cortou ramos e ramagens de árvores, para cobrir o chão onde jesus passava montado num jumento e aclamou-o com ramos de palmeiras.
Abrindo,este dia, a Semana Santa, a Igreja costuma recriar o episódio bíblico que atrás se descreve, o que não aconteceu este ano, devido à terrível pandemia que vivemos e que levou à proibição de ajuntamentos e por consequência ao fecho das igrejas que este ano não celebram as cerimónias da semana santa. Foi por isto e. seguindo outros exemplos, que coloquei  um singelo ramo no meu portão para lembrar os ramos e desejar aos que passam, que são poucos, atendendo à situação que se vive, uma boa semana de Páscoa e sobretudo esperança em melhores dias. 
Quando eu era criança tenho ideia de se chamar a este dia "dia de grãos" porque a minha mãe dizia que não se metiam folhas na panela, portanto, fazia-se canja com arroz, sopa de grão, papas de arroz, milho cozido etc., isto numa referência clara ,aos ramos que aclamaram Jesus!



sábado, 28 de março de 2020

Ser jovem:

Ser jovem
É ter força, saúde, alegria,
Esperança, beleza, companhia.
Ser jovem
É acreditar no futuro,
É esperar uma vida boa,
É sentir tudo a seus pés,
É sonhar um lugar merecido.
Ser jovem
É buscar um tesouro,
É buscar o amor verdadeiro,
É buscar prata e ouro,
É buscar no mundo inteiro!


28/03/2020
Dia Nacional da Juventude
Clara Faria da Rosa

segunda-feira, 23 de março de 2020

POSPASTO:

No limoeiro, as flores teimam em anunciar que a Primavera chegou embora na árvore ainda se possam ver lindos limões. Lembrei-me então, no passado domingo, de aproveitar alguns e fazer uma tarte de limão, aquela receita antiga de que gostamos muito e que não leva natas nem leite condensado, produtos muito usados actualmente em sobremesas...
Enquanto preparava a massa para a base lembrei-me de Júlio Dinis e de uma palavra que ele empregou que nunca tinha ouvido, a certa altura o escritor diz o seguinte:
__ " O jantar terminou como começara, silencioso e triste. Carlos foi o primeiro a levantar-se da mesa, Mr. Richard não teria, desta vez, companhia para o apreciado pospasto".
Pospasto, palavra que vem do latim - post (depois) + pastu (refeição) o que se define como sobremesa.
E lá continuei eu na confecção do meu pospasto que servi no almoço de domingo mas que , apesar de ter ficado bom, não nos soube bem como habitualmente, atendendo ao que se vive, parece  que algo nos impele para baixo e nos deixa inseguros,  desanimados, incrédulos, do momento que travessamos e que nunca imaginámos um dia vir a viver! 
Espero, que se Deus quiser, e os homens ajudarem, no pospandemia eu possa fazer outra tarte de limão, que nos saiba melhor!











domingo, 22 de março de 2020

Poesia
A poesia descreve o mundo
O homem e a alma a fundo
A poesia vê a dor
A fome, a tristeza e o amor
A poesia a paz canta
E a bondade que encanta
A poesia chora a guerra
Derramada sobre a terra
A poesia é sentimento
Que expressa o sofrimento
Com arte, sentido, emoção
Com alma , corpo e coração
Poesia...
É vida é saúde, é morte
É falar da alegria e da sorte
Da inveja e da maldade
Da amizade, do amor e da saudade!
Clara Faria da Rosa

sábado, 21 de março de 2020

ZZZZZZZ, Pf,pf,pf,pf

Vivendo esta situação de clausura, para bem de todos nós, aproveitei para "visitar" um armário que estava precisando de uma arrumação séria. Tudo para fora, limpeza de prateleiras e nova arrumação, com direito a selecção do que  devia ser rearrumado ou deitado fora. Não é que encontrei coisas das quais já não me lembrava?!
Uma maleta branca muito bem fechadinha fez-me voar até à minha adolescência, quando não havia cabeleireiras como agora, nem dinheiro para as frequentar, em caso de existirem...
Por sorte tive  alguém que me ofereceu este conjunto e vaidosa quanto baste, para a idade, nao me cansava de o usar. Cabelo muito bem lavado com sabão azul e branco, seguia-se a difícil tarefa pôr os rolos o que, na própria cabeça, exigia alguma perícia e depois era altura do capacete ligado ao secador, ZZZZZZZZZZZZ, demorava um tempão para o cabelo secar e ficar bem enroladinho...
Tiravam-se os rolos, penteava-se o cabelo e pf,pf,pf,pf, com a laca comprada no BX, cantina dos americanos, na base aérea das Lajes, ainda lhe sinto o cheiro, não dos americanos, mas da laca!
Logo, olhava, o pequeno espelho e mentalmente perguntava:
- Então, senhorita, como se sente? Algo a apontar?
Bons tempos, não tínhamos dinheiro nem cabeleireiras mas também não tínhamos este terrível vírus, esta maldita pandemia que a todos assusta e põe o mundo em perigo! 




Primavera
Se eu fosse a Primavera:
____________
Ai, se eu fosse a Primavera
de verde, eu tudo pintava
um verde alegre e cintilante
e velhos e novos alegrava.
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Ai, se eu fosse a Primavera
numa pincelada, num instante
a maldade e a guerra eu mudava
em bondade e paz constante.
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Ai, se eu fosse a Primavera
convocaria o Sol a florir
todos os pássaros a chilrear
e os tristes e doentes a sorrir.
__________________
Ai, eu fosse a Primavera
punha bancos e flores nos jardins
e a humanidade a delirar
em diálogos, namoros e afins.
____________________
Ai,se eu fosse a Primavera
matava sem dó nem piedade
este vírus que aflige o Mundo
e aos homens dava liberdade .
___________________
Ai, eu  sou a Primavera
quero que o povo se abrace
quero que as ruas se alegrem
e que a confiança regresse...

Clara Faria da Rosa

quinta-feira, 19 de março de 2020

O meu avental bordado

Fui na função ajudar
E decidi meu avental usar,
Tinha uma corôa bordada
E senti-me abençoada...
Abençoada
Por ter saúde e ali estar
Por tantos amigos abraçar,
Pelas nossa tradições
Pelo pão e alcatra das funções...
Abençoada
Pelas sopas perfumadas
pela carne nas travessas,
Pela abundância, pelo repartir
Pela canela,  no arroz- doce a luzir...
Abençoada
Pelo vinho dos Biscoitos
Pelo funcho dos confeitos,
Pela variedade do cozido
Por todo aquele colorido...  
E para ser abençoada
Quero mais vezes usar
O meu avental bordado,
Quero o Espírito Santo Louvar...
Bendito, seja louvado!!!

quarta-feira, 18 de março de 2020

O rádio do meu pai:

 Tenho, ao longo da minha vida lido muito, e tenho com isso aprendido alguma coisa, contudo o que vivi e o que retive na  minha memória é que me tornou forte, cristã, rica e erudita . Vem esta afirmação a propósito de me lembrar, embora já se tenham passado mais de sessenta anos, como se fosse hoje, do dia em que o meu pai trouxe este rádio para casa.
O meu pai não tinha cultura musical, mas gostava muito de música, comovia-se e vi-o chorar várias vezes, ao ouvir determinadas peças de música, também gostava de ouvir notícias, o sonho dele era possuir um rádio  que tivesse um bom som e onde pudesse saber o que se passava por este mundo de Deus - como dizia. 
Como trabalhava para os americanos na Base aérea nº 4, nas  Lajes, ilha Terceira, depois de a minha mãe ter amealhado no canto da gaveta alguns dólares, pediu a um americano amigo que lhe comprasse um rádio, tinha que ser  Philips, não sei porquê tal exigência, talvez por ter ouvido falar da marca, e o amigo americano fez-lhe esse favor e ainda o veio trazer cá fora, porque tal compra era considerada contrabando e o meu pai não podia sair no Posto um com a mercadoria, ainda por cima uma compra tão grande, que dava imenso nas vistas, ainda se fossem uns chocolates americanos...
Vai daí que, quando o meu pai se apanhou na posse da dita compra, pernas para que te quero, não tardou em casa, foi um dia de alegria!
Foi esse dia e muitos outros que se seguiram, muitos serões passámos ao redor do rádio, e até quando o meu pai estava a sachar as batatas no quintal, ou sentado no muro a falar com os vizinhos e ou com os amigos, punha o rádio bem alto para que se pudesse ouvir bem.
Saudosos tempos, saudosas recordações e saudoso pai que tanto rica de memórias me deixaste!
Deixaste muitas pegadas visíveis na tua caminhada pela vida fora e algumas invisíveis que só eu posso ler e sentir, enquanto viver, bem no fundo do meu  no meu coração...


quinta-feira, 5 de março de 2020

Velha louca:
Eu quero ser uma velha louca,
E comer doce algodão,
Seja no Inverno ou no Verão...
Eu quero boleia pedir,
Sem algum pejo sentir,
A carros lindos, encarnados,
Para destinos imprevistos...
Eu quero jogar no quintal à bola,
Apanhar maçãs às escondidas,
E no fundo da mala guardá-las,
Eu quero brincar com a bengala...
Eu quero alegremente viver,
Eu quero com força dançar,
Eu quero desafinadamente cantar,
Ao som da antiga vitrola...
Quero subir às árvores,
Para brindar à vida,
E tomar chá com minhas amigas,
Em lindas e raras chávenas...
Quero estar rodeada
Até ao fim da jornada
De todos os meus livros,
De todos os meus amigos,
De todos os que me são queridos ...
Quero comer biscoitos,
Docinhos diferentes e bolos,
Em vez de xaropes e remédios
Em vez de ir a hospitais e médicos...
Eu quero que Deus me dê vida,
Eu quero que Deus me dê saúde,
Para fazer tudo isto...
E ser uma velha louca!
Clara Faria da Rosa








domingo, 1 de março de 2020

As mãos do amor:


Olho as minhas mãos e vejo-as:
Grosseiras, ásperas, cansadas,
Olho as minhas unhas e vejo-as:
Baças, rombas, maltratadas...
Tento escondê-las e penso:
-Onde estão aquelas mãos
Finas, esguias e lindas
E aquelas brilhantes unhas
Rosadas e bem-tratadas?
-Aquelas mãos de menina,
Meu orgulho, meu tesouro,
Aquelas unhas de ouro...
Tudo isso já se foi,
Tudo isso é passado.
Aquelas mãos de então,
já muito, muito, amaram,
já muita massa amassaram,
já muita sopa prepararam,
Já muita mesa puseram,
já muita roupa lavaram,
já muitas tartes fizeram,
já muito bolo bateram,
já muito chão varreram,
já muita cera puxaram,
já muita erva arrancaram,
já muitos pontos deram,
Já muita mão encaminharam
E a escrever puseram,
Já muita palma bateram,
já muito, muito escreveram...
Aquelas mãos do passado 
Meu orgulho, meu tesouro, 
já muito, muito, amaram,
Já muito muito acarinharam,
já o meu pai lavaram,
já os seus olhos fecharam,
E continuam abertas 
Embora ásperas e cansadas
Para muito, muito amar
Para alegremente ajudar...
Porque amar vai muito além
De beijar docemente alguém,
Amar é agente esquecer
Que as mãos vão envelhecer
Amar é dar e amparar,
Ajudar,estar presente e  prever
Que o outro vai precisar
Das nossas mãos 
Ásperas e cansadas,
Das nossas mãos 
Grosseiras e calejadas!
 Clara Faria da Rosa

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Não sou malacozoófaga!


Apetecia-me ler, mas não tinha nada de novo, atendendo à  minha idade, estou a esforçar-me para não comprar mais livros, o que para mim, leitora compulsiva, é um grande sacrifício! Olho para as prateleiras dos livros lidos, relidos e alguns trelidos e lanço mão de "Uma Família Inglesa" de Júlio Dinis, embrenho-me na leitura quando a certa altura  Júlio Dinis diz: 
-" O mercado do Porto a custo pode satisfazer as exigências dos numerosos malacazoófagos da colónia inglesa entre os quais Mr. Richard Whitestone ocupa lugar eminente"
Ups! Grito no meu subconsciente, malacazoófagos, que palavra tão estranha, e logo os meus olhos "voam" até às notas de rodapé e lá está a definição: - malacozoófago - O que gosta de mariscos.
Não sou malacozoófaga pois não fui habituada a comer  mariscos, comíamos o que a terra dava que era fruto do trabalho árduo do meu pai e que a minha mãe se esmerava a pôr na mesa e não havia, ao contrário da família  Whitestone, posses para comprar os produtos do mar que eram muito caros. Contudo, actualmente, por vezes compro, para o meu marido que  aprecia ou quando recebemos visitas e amigos e nessas alturas uso este serviço da V.A. com lindos desenhos de mariscos que só por si despertam os sentidos!
Ora digam lá se não  vale a pena ler e reler os clássicos, temos sempre oportunidade de aprender qualquer coisa, temos é de manter a mente e os olhos bem abertos...

















domingo, 23 de fevereiro de 2020

Carnaval no Teatro Angrense


É neste teatro que festejo o Carnaval.  Situado na rua da Esperança em Angra do Heroísmo e que faz esquina com as escadas que dão acesso  ao mercado Duque de Bragança desta mesma cidade,  edificado num terreno  onde em  1534 existia um prédio que servia de armazém para  mercadorias, tendo sido numa caixa de fazenda,  originária da Índia,  que deflagrou a epidemia da peste, nesta ilha, que vitimou milhares de pessoas,  tendo sido o edifício, como medida profilática,  destruído pelo fogo. Passados os anos deliberou a Câmara de Angra, em 1851, aforar o dito espaço,  para ali se construir um teatro "onde pudessem os cidadãos achar decente divertimento e simultâneamente presenciar exemplos de virtude, como existiam em cidades de maior civilização". A 22 de Novembro de 1860, depois de muitas peripécias, foi finalmente inaugurado o dito "entre os acordes musicais da Harmonia Terceirense, girândolas de foguetes e um indescritível entusiasmo da população", foi reinaugurado em  1993, após cinco anos de obras, necessárias pelos danos causados pelo cismo de 1980
Este teatro tem, ao longo dos anos, conhecido noites de glória e contado com os aplausos do público que a ele acorre como os que se têm feito sentir neste Carnaval de 2017, cujos espectadores não se fazem rogados a manifestar a sua aprovação perante esta grandiosa mostra de teatro popular tão característica do nosso Carnaval terceirense.
 Este é um resumo muito pobre da interessante história deste nobre edifício onde passo quatro noites seguidas, mas foi dela que me lembrei, quando confortavelmente sentada, esperava, a noite passada, as danças de Carnaval, das quais te mostro alguns aspectos:

sábado, 22 de fevereiro de 2020


Baú das memórias: 

Nenhum ano, nenhum mês nem nenhum dia é igual ao outro, contudo, não podemos fugir deles, ficam a fazer parte de nós, da nossa história depois de os vivermos, não podemos fugir disso e muitas vezes, é difícil esquecer o nosso passado, os momentos da nossa vida que já acabaram .Hoje deu-me para relembrar, para visitar o baú das minhas memórias e este dia em que com os alunos da escola Infante D. Henrique  e as suas professoras percorri a rua da Sé, em Angra do Heroísmo com a minha colega e amiga Cecília Couto e a Fátima Couto, num quadro que pretendia  representar uma família antiga, isto em 1999, nessa passada sexta feira que antecede o Carnaval.Não tendo grande habilidade/ criatividade para fantasias, fui ao sótão da minha sogra e o resultado foi este. Saudades!