quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Tentações...







A tarde estava boa, se  comparada com a manhã, saio à rua e vou até ao pomar, olho para a goiabeira e para os respectivos frutos mas de uma forma indolente e desprendida; Aconteceu então, que um anjo bom me tocou no ombro e disse:
- Então Clara, e se aproveitasses os frutos para fazer uma compota?
Logo um anjo mau me cutucou o outro ombro dizendo:
- Deixa-te disso, os frutos ainda estão pouco maduros...
o anjo bom insistia:
- Não sejas preguiçosa, tens que os apanhar assim, para que os pássaros não os estraguem e deixá-los amadurecer em casa...
O anjo mau não desistia:
- Vai mas é descansar ou passear e deixa os frutos para os pássaros, para que vais fazer compota que só faz mal?
Então o anjo bom insistia novamente:
- Podes aproveitar alguns frutos, que ainda ficam muitos para os pássaros,  e  ficas com abundância  para rechear alguma torta ou bolo, acompanhar umas torradinhas ou então oferecer a alguém...
- Para fazer goiabada, demora imenso tempo até que fique durinha de cortar à faca e gasta muito gás! - diz o anjo mau, sem desistir de me tentar!
- Não desistas, sê forte e presta homenagem  aos colonos portugueses  no Brasil que inventaram a goiabada quando substituíram  os marmelos da marmelada pelas goiabas por não encontrarem marmelos por lá...
Foi uma luta terrível, mas  o anjo bom venceu.  Lá fui munida de um cesto apanhar as ditas goiabas, que dois dias depois já estavam bem amarelinhas e maduras   e depois tive que separar a polpa das cascas, para ferver e coar a primeira por causa das muitas sementes, picar a casca e juntar tudo , levei um bom bocado e fiquei com as mãos e unhas com muito má apresentação.
Lá foram as desgraçadas para a panela levando bastante tempo a fazer o ponto porque nestas coisas de doces sou um pouco aldrabona e nunca junto o açúcar recomendado por lei.
Não fiz marmelada dura porque isso leva muito tempo, mas fiz um doce delicioso e 
no fim, pressenti que o anjo bom, a minha consciência, se regozijava com a minha atitude e com o facto de eu, que sou um pouco preguiçosa, ter conseguido levar avante o meu projecto, de cujo resultado te mostro algumas fotos



terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Quando a linha da vida se parte:
É, desde sempre, que me lembro desta caixa, no canto do estrado, na minha casa das Lajes; Era o trabalho leve da minha mãe!
Aos Domingos íamos à missa, almoçávamos, a minha mãe levantava a mesa e lavava a louça e, como não se trabalhava ao Domingo, ela sentava-se a fazer um trabalhinho leve, o seu crochet... a minha mãe sempre foi uma mulher determinada que se deu à vida e ao trabalho, não era ociosa nem sequer tinha passatempos, estou em crer que ela nem conhecia esta palavra: Passatempo...
E sempre foi assim, até ao fim, de tal modo que quando faleceu, andava a fazer uma renda para um lençol.
Partimos, mas as coisas ficam, e lá ficou a caixa, abandonada no canto do estrado, como se também tivesse perdido a vida .
Ao abri-la, deparei-me com o trabalho inacabado e pensei como a vida é repleta de imprevistos e como nós nunca consideramos que a meta foi atingida, é muito difícil considerar que a nossa actividade terminou, só se por infortúnio do destino, isso acontecer inesperadamente, como foi o caso.
Num rasgo de saudade e de impotência, perante a dura realidade, emoldurei, como recordação, o trabalho inacabado assim como a farpa com que a minha mãe fazia o seu crochet.
Já lá vão muitos anos, contudo, ao olhar para estes objectos lembram-me sempre, naturalmente, a minha mãe e, como é efémera a linha que nos agarra à vida, a qual pode ser quebrada a qualquer momento.
É por isso, para que tenhamos esta realidade sempre presente, que conto esta história de uma mulher que "crochetou" a vida com muita garra e determinação, até que a linha se quebrou!

domingo, 26 de janeiro de 2020

Quem faz um cesto faz um cento?

Esta manhã estive a tratar a velha cesta de vimes que o meu pai usava para levar, quando ia trabalhar na vinha na Caldeira das Lajes na ilha Terceira, com a sua comida, porque ficava longe de casa. Dizia eu - estive a tratar a dita cesta, com Cuprinol contra os xilófagos, nome pomposo que se refere aos pequenos insectos que roem a madeira, isto é o caruncho.

 Vai daí, como é habitual, a minha cabeça começa a pensar nesses recuados tempos e vejo o meu pai a cortar os vimes, a pô-los de molho, a descascá-los e a levá-los para o artesão que ficava na Canada das Vinhas da vila das Lajes na ilha Terceira, Açores, era um senhor Andrade, que eu ainda conheci  e que trabalhava muito bem na arte da cestaria, isto ainda são peças feitas penso que por ele:



 E como as ideias e as palavras são como as cerejas vêm sempre umas a seguir das outras, comecei a matutar no velho aforismo ou máxima supra citado "quem faz um cesto faz um centodêem-lhe vimes e tempo" que em poucas palavras define a ideia de que quem uma vez praticou uma falta ou delito é capaz de  reincidir, se tiver oportunidade e tempo para tal. Pessoalmente sou sempre a favor do benefício da  dúvida e do acreditar que as pessoas podem cair e levantar-se, e que se levantam muito melhor e rapidamente se tiverem ajuda, pelo menos desejo muito que se cair alguma vez, como já me aconteceu, pois errar é humano, lá diz também um velho ditado, haja alguém que me estenda a mão e que acredite em mim!
Quanto aos antigos artesãos, que infelizmente estão a desaparecer, com o advento do plástico, sei que eram capazes de fazerem centos de cestos iguais, o que não sei é se todos os que faziam ou fazem cestos eram ou são capazes de fazer em vime certas miniaturas, autenticas obras de arte, como o forrar destas pequenas garrafas, que guardo carinhosamente, porque penso que para fazer esta tarefa é necessário muito engenho, arte tempo e paciência!



sábado, 25 de janeiro de 2020

A Máscara:

A máscara

Do rosto esconde:
Os olhos, a tristeza e a saudade
A idade, preocupações e maldade...
A máscara a pessoa transforma
E nova personagem aparece:
- Folgazona e irreverente,
- Trapalhona e divertida,
- Brincalhona e desinibida;
No Carnaval com a máscara
A pessoa se descobre,
Acredita ser capaz,
Acredita ser diferente...
E como num sonho liberta-se
E até se torna jovem
Quando a juventude  passou!

  
Carnaval de 2020
CLARA  FARIA DA ROSA

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Como fiquei na bancarrota:

Ia olhando e pensando:
- É só para ver, não e para comprar! 
Eis senão quando, os meus olhos batem numa pequena, rara e amorosa caixa  de um vidro que adoro. - O vidro casca de cebola,  que é muito procurado por coleccionadores e  se apresenta em  lindíssimas peças vintage  como cachepots, garrafas,  jarras e conjuntos para licores, água e vinho.
 No início do século passado, talvez na década dos anos vinte, o vidro branco transparente, era tratado quimicamente, de  modo a adquirir o tom da casca de cebola que depois podia ser gravado ou tratado com  jactos de areia que lhe conferiam artísticos desenhos.
Como podia deixar de comprar tal preciosidade, que me  lembra o passado  tranquilo, tornando-o em simultâneo presente e permanente?!!! E como deixar para trás a linda e dourada caixa que lhe fazia companhia, de louça alemã  com o carimbo BAVÁRIA?!!! 
Não resisti...
Fiquei  na bancarrota!
Esta expressão bancarrota, vem do facto de na idade média os negociantes de câmbio e empréstimos  se colocarem, nas feiras, atrás de uma mesa, para efectuarem os seus negócios, eram os avós ou trisavós dos bancos actuais, se os negócios iam mal eles quebravam a própria mesa, daí a palavra bancarrota, do italiano banca rota, que se traduz como banca partida ou banca quebrada.






segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

O arranjo de Natal que falou!

 Só ontem, acabei de guardar as decorações de Natal, os Meninos que estavam sobre as mesas,as louças que costumo usar nesta época...Enfim, tu sabes o que pretendo dizer, aos poucos foi ficando tudo mais triste, mais escuro, com pouco brilho e pouca cor o que se reflectia em mim...Só me faltava  centro de mesa que diga-se a verdade, ainda estava bastante viçoso!
Resoluta lanço mãos à obra e lá me dirijo ao dito arranjo para o lançar ao lixo, quando ouço dizer:
-Estás de tal forma  obcecada com a tua tristeza por se ter acabado o Natal que nem te dás conta de que as minhas folhas de nespereira, que apanhaste debaixo de chuva, continuam verdes e viçosas. Olha para mim e ficarás alegre, com a minha graça e  frescura e pensarás na alegria e satisfação que te trouxe e aos teus familiares e amigos que se sentaram , nestes dias, à volta desta mesa ...
Admirada reparo, com olhos de ver e constato que na verdade, não há necessidade, de o desprezar, simplesmente por causa de uma data.
- Tens razão, respondo eu, se liberdade é a gente poder fazer e pensar o que quiser, não vou pensar em algo desagradável como o fim de uma festa, que eu aprecio sobremaneira, nem vou deixar que isso me acabrunhe. Vou ser ousada e deixar que esse espírito de Natal permaneça na minha casa, com a tua ajuda, afinal não há nenhuma regra que me obrigue a deitar-te fora só porque já passamos o dia 6 de Janeiro! 
-Fico contente, respondeu-me o arranjo, por ser aceite tal como sou, um pouco ultrapassado no tempo, e continuar a ser um factor de satisfação e alegria, na tua casa e na tua vida,
-Até vai ser divertido, ter-te por mais tempo na minha vida, respondo. 
É isso que precisamos todos, aprender a  apreciar o lado divertido das coisa para nos tornarmos sábios, fortes e felizes neste novo ano de 2020.
Afinal, em teoria, o Natal  pode ser todos os dias , e eu posso ter um arranjo de Natal quando quiser, até mesmo no Carnaval que está aí a chegar!

sábado, 18 de janeiro de 2020



Sorriso
O sorriso lava-nos a alma
E alegra quem o recebe,
Um sorriso verdadeiro e calmo
A qualquer um enternece...
Ai eu quero sorrir sorrir
E que meu sorriso se espalhe
Como uma flor ao abrir
O seu perfume te orvalhe...
Enternece o velho e o novo
O pobre, o rico e o remediado
A nobreza, clero e povo
E quem está angustiado...
Ai eu quero sorrir sorrir
Até meus dias findarem
Até meu corpo partir
Até meus lábios gelarem...
Não regateies sorrisos
Nem os guardes - pensa bem!
Porque sorrisos são mimos
Que se dão e se recebem
Ai eu quero sorrir sorrir
Para ti que és minha amiga
E para quem detesta rir
Ou para ti minha inimiga...
Hoje sorrio para toda a gente
Com enorme carinho e ternura
Com amizade e muito contente
Desejando-vos muita ventura...
Ai eu quero sorrir, sorrir
Para além da minha vida,
Meus lábios hão-de florir
Mesmo depois da partida!!!
Clara Faria da Rosa
18/01/ - Dia Mundial do Sorriso

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Brincar é importante!

Ao assistir a um programa televisivo que falava da importância das crianças brincarem, e do facto de que isso desenvolve a criatividade e a fantasia, lembrei-me destes servicinhos que tenho guardados numa caixa de cartão, há tempos alargados, não o azul que é mais recente, os quais davam a oportunidade das meninas brincarem e inventarem histórias ao manusearem as pequenas peças, penso que o objectivo era, no fundo, familiarizar e educar as meninas para as tarefas domésticas e transformá-las  em perfeitas donas de casa.
Aqui falo no feminino porque no meu tempo de criança havia brincadeiras distintas para rapazes e raparigas e educava-se para a mulher ficar em casa e o homem trabalhar fora. Eram outros tempos...
 Não é disso que quero aqui falar, o que quero concluir é que muitas vezes, embora bem intencionados,queremos tornar  as nossas crianças em super-crianças, iniciando-as demasiado cedo no ensino formal,  esquecendo o direito que as mesmas têm de viver plenamente a sua infância.
Sabe-se que a criança aprende espontaneamente nas experiências diárias  sobretudo ao brincar!
Se brincaste com pequenas peças como estas, sabes do que estou a falar e decerto ainda te lembras do prazer e alegria que isso te proporcionou...

domingo, 12 de janeiro de 2020

 
11 de Janeiro/ dia Internacional do OBRIGADO/A

Eu quero dizer obrigada...
Ao sol que gentilmente me aquece,
E à Lua que pontualmente aparece,
E à Terra que tudo nos fornece
E roda roda e nunca entontece!
Eu também digo obrigada...
Aos mares que peixe nos dão,
E à vaca, à galinha e ao cão
Nosso amigo, nosso irmão,
E aos que um sorriso me dão!
Obrigada, muito obrigada...
Pela tua linda amizade,
Pela tua gentileza e bondade,
Por todos tratares com igualdade,
E por não cultivares a maldade!
E mais uma vez obrigada...
Meu Deus e meu Senhor,
Por espalhares o teu amor,
Sobre tudo ao meu redor,
O que me faz sentir melhor!
Obrigada à flor colorida
Que dá graça à minha vida,
Obrigada à ave atrevida
Que canta e a todos cativa!
Obrigada, mil vezes obrigada...
Pelo teu silêncio e resistência,
Pela tua caridosa paciência,
Pela tua coragem e consideração
E por ajudares com prontidão...
Obrigada...
Neste dia mundial,
Obrigada...
Amanhã e no futuro,
Obrigada...
Até ao fim dos meus dias!!!

Clara Faria da Rosa

sábado, 11 de janeiro de 2020

Sentes-te mal?
- Ventosas terapêuticas:
Com a chegada do Inverno, e as temperaturas a descer, logo apareceram os resfriados, as gripes, as constipações e as tosses e rouquidões. Imediatamente, a indústria farmacêutica aproveitou, como em anos anteriores, para fazer propaganda de produtos, que dizem eficazes, para fazer desaparecer esses males ou pelo menos aliviá-los...É ao ouvi-los que começo a pensar no meu pai, que por ser agricultor e lavrador, não podia fugir às intempéries, pois os animais tinham de ser tratados a horas e isso não tinha nada a ver com ventos fortes, frios, chuvas e ou nevoeiros; Vai daí que chegava muitas vezes a casa transido de frio e molhado até à medula, pois naquela altura os agasalhos e os impermeáveis não abundavam.
Parece-me que estou a ouvi-lo dizer à minha mãe:
- Havias de me pôr umas ventosas, Para ver se me levanto amanhã!
Lá ia a minha mãe, toda lampeira, buscar as ventosas que eram uma espécie de copos, mas côncavos na base, e de boca estreita e bordos largos, onde metia algodão embebido em álcool que cuidadosamente punha a arder e aplicava nas costas do meu pai. Aquilo provocava como que uma bola de pele dentro do copo, que eu à altura não entendia, mas que agora sei que o oxigénio se consumia, havia um afluxo de sangue e a circulação era activada libertando ou liberando as toxinas existentes no sangue.
E lá ficava o meu pai, deitado na cama , de costas para cima, nem um ouriço caixeiro, muito bem coberto, e no outro dia estava pronto de novo para o trabalho!
Naquela altura não havia as facilidades actuais, fazia-se e usava-se o que os antepassados faziam, a ventosaterapia, ao que julgo saber uma técnica milenar que já os índios utilizavam com chifres de animais e os chineses com copos de bambu, chegando depois essa técnica à Europa .
Penso que actualmente se estão implementando novamente estas técnicas que segundo os entendidos aliviam tensões, dores musculares e articulares e desintoxicam o organismo.
- Sentes-te mal com a chegada deste frio invernoso?
- Ventosaterapia!
Se precisares empresto-te as ventosas que tenho, são só três, mas não importa, a minha mãe improvisava com os copos da cozinha, e aí sim é que a coisa apertava, pois no dia seguinte a pele estava pejada de círculos vermelhos quase em carne viva.
Outros tempos, outras gentes...












sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

QUIPROQUÓ:

Ontem, estando a ler, deparei-me com este termo que já não ouvia há muito tempo, talvez há muitos anos!
Quiproquó, palavra engraçada e musical, ao ser pronunciada, que nos põe a imaginar coisas especiais e mirabolantes, divago eu, dando por mim a sonhar com a minha mãe ainda nova...
Recebia uma cliente, pois era costureira, para uma prova, e de joelhos , sobre um pequeno tapete, tentava ajeitar a saia , da senhora impaciente e agastada com o resultado do trabalho, e então a minha mãe afogueada e, também descontente, dizia:
-Houve aqui um pequeno quiproquó, estou em crer que dizia quiprocó, com estas medidas... e lá se munia da sua caixa de alfinetes e da sua agulha e linhas de alinhavar para levar aquela peça de vestuário para o corpo da exigente cliente.
E depois de muitos quiproquós, lá ficava o trabalho certo e pronto para os pespontos finais e para a Clara, que sou eu, tirar os alinhavos, coser a bainha, fazer os arremates ou remates finais e passar com pano húmido, para ficar tudo impecável e agradar a cliente. E eu esforçava-me muito, oh, como me esforçava, porque afinal era o produto daquele trabalho que me iria pagar as propinas e os livros para eu tirar o meu curso!
Naquela altura, definia, na minha cabeça, esta palavra como insignificância ou pormenor de pouca importância, mais tarde fiquei a saber que afinal a palavra tem a ver com pequenos enganos, equívocos ou confusões e que vem do latim "quid pro quo" que significa trocar uma coisa por outra.
Tenho a certeza que a minha mãe não sabia latim, e que até talvez nem tivesse plena noção do significado do termo, e também tenho a certeza de que ela se esforçou muito por mim, do que nunca me esqueço, e também sei, por experiência própria, que a vida é feita de muitos quiproquós que no fundo são marcas que afinal somadas constituem o sentido da vida humana, e nos fazem aprender e crescer até ao fim.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Uma visita de Natal:


Este Natal tive uma visita inesperada, que muita alegria me deu; Uma dama com mais de cem anos, de uma beleza, um requinte,e uma patine e policromia deslumbrantes. Não veio a pé, nem de avião, autocarro ou comboio mas na tampa de uma linda e antiquíssima e oitavada caixa de jóias...
Perguntarão os que me lêem, como sei a idade da inesperada visitante, ao que eu responderei que esta história tem a ver com a fundação, em 1850, da fábrica de loiça de Sacavém a qual durante vários anos marcou o quotidiano dessa povoação, celebrizando a fábrica dentro e fora de Portugal.
Anos depois a fábrica atravessou entre 1861/1863 graves problemas financeiros e acabou por ser vendida a um inglês de nome John Howorth que introduziu novas técnicas de produção e a fábrica tornou-se uma das mais importantes no ramo da produção cerâmica especialmente na produção de faiança fina de caulino.O sucesso foi tal que o rei D. Luís intitulou a fábrica de REAL FÁBRICA DE LOIÇA DE SACAVÉM.
Falecendo, em 1893, John Howorth, a sua viúva associou-se ao guarda-livros da fábrica James Gilman, que após a morte da senhora Howorth assumiu o governo da empresa.
Pela marca no fundo da caixa e respectivas características, posso saber que a mesma é do período Gilman, data à volta de 1905, por isso deduzo que a senhora que entrou na nossa casa este Natal tem mais de cem anos, e a caixa não trouxe jóias nem ouro, mas a pessoa que ma ofereceu, sabe muito bem o que valorizo, e que para mim isso não é o mais importante, mas sim a oportunidade que ela me deu para pesquisar e ficar a conhecer mais um pouco da cultura do nosso país, além de que me deu ocasião a que ao entreter-me com esta pesquisa, pusesse de parte eventuais tristezas, sensibilizando-me, distraindo-me e afastando-me de fluidos negativos.


domingo, 5 de janeiro de 2020

As toalhas de Natal que cresceram...
Esta história já não é nova, talvez até já a tenhas lido, contudo, gosto de recontá-la porque para mim tem muito significado.Então é assim:
Quando, em vésperas do Natal de 2016, encontrei umas toalhas que "me encheram as medidas" que é como quem diz, que me agradaram, apressei-me a comprá-las, tinham o comprimento certo, gostei da cor, eram de um tecido pesado e lisas só com um simples estampado a dourado com os nomes dos Reis Magos e dos presentes que levaram ao Menino, segundo reza a história. Eu, que gosto de coisas com significado, fiquei muito agradada, sendo também influenciada pelo preço que era deveras aceitável.
Fiquei à espera do Natal para usar as minhas toalhas novas quando, qual não foi a minha desilusão, verifiquei que na largura não tinham o tamanho certo, pois gosto de uma toalha farta o que não era o caso! Levei aquele  Natal inteiro a falar do meu grande desgosto que, não foi valorizado por ninguém, nem pelo meu marido, que a bem da verdade, valoriza mais o que está sobre a toalha do que o tamanho da mesma.
Logo, findo aquele Natal, prometi a mim mesma, que iria inventar uma solução para aquele "grande problema", vai daí que, resolvi desmanchar a bainha, o que me deu um trabalhão, pois estava muito bem feita e com um ponto muito miúdo e prender à volta um galão dourado. Ficaram uma toalhas lindas e fartas e eu feliz com o resultado!
Agora sabem qual foi o comentário dos meus homens sobre as minhas ricas toalhas, que tanto trabalho me deram???
-- Este ano não temos toalhas de mini-saia mas toalhas de máxi-saia!!!
Ingratos! Juro, que no futuro não vai haver toalha na mesa de Natal, se eu for capaz de cumprir esta promessa...
E ao falar neste assunto, lembrei-me que no dia de Natal de 1971, fui almoçar, pela primeira vez, acompanhada pelos meus pais, a casa dos meus sogros e, estando sentada muito direita, como ditavam as regras, na beira de um canapé, à espera de irmos para a mesa, a avó do meu marido sentou-se junto de mim e, sorrateiramente, puxou-me a minha mini-saia, sim, porque eu já usei mini-saia, não pensem que eu fui sempre setentona, o pior foi que ela não cresceu como as minhas toalhas de Natal!...
Feliz Dia de Reis!