segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Esquerdinos , destros e a tesoura da minha mãe
Calcula-se que 10 a 12% da população mundial seja esquerdina, os ditos em linguagem corrente, canhotos, ou seja os que têm mais habilidade na mão esquerda e nos membros do lado esquerdo e sofrem para se encaixar num mundo maioritariamente de destros, isto é dos que utilizam preferencialmente a mão direita.
Embora este seja um assunto que tem exigido aos especialistas muitos e aprofundados estudos, o que se refere logo à partida, é que se trata de uma predisposição genética que ao longo dos tempos causou muito sofrimento aos que a tinham, chegando-se ao ponto de punir as crianças por usarem a mão esquerda . Sabe-se que os esquerdinos têm mais tendência para a genialidade, bastando para o confirmar citar alguns esquerdinos famosos como:
-Einstein (Cientista)
-Angelina Jolie (Actriz)
-Napoleão Bonaparte (Imperador de França)
-I Newton (Cientista)
-Bill Gates ( fundador da Microsoft) e muitos mais...
Tem cabimento citar aqui os ambidestros , aqueles que têm capacidade de utilizar igualmente as duas mãos de forma normal e com a mesma habilidade, embora eu pense que essa característica tenha a ver com questões de educação e ou foram forçadas a contrariar a sua tendência natural tornando-se versáteis em ambas as mãos.
A minha mãe era esquerdina numa época em que isso era considerado um defeito grande e grave e não havia as respostas e os utensílios criados a pensar nessa diferença, sendo costureira de profissão, toda a vida cortou tecido com a mão esquerda, com uma tesoura fabricada para os destros, mas ela nunca desistiu, insistiu e acomodou-se de tal forma que ganhou uma calosidade no polegar esquerdo, que a acompanhou até à morte.
Guardo essa tesoura religiosamente sentindo que merecia estar num cofre ou numa vitrine pelo que representa para mim pois foi, em parte, graças a ela que tive possibilidade de me deslocar para a cidade e frequentar o ensino secundário e o magistério primário e também ganhar a faculdade e a capacidade de comunicar contigo de forma simples, acessível e compreensiva!
Foi por isso que a emoldurei, e coloquei num local estratégico, para me lembrar que, quando queremos muito uma coisa, não há obstáculos que nos consigam derrubar!


sábado, 13 de outubro de 2018

A vinha da Caldeira

"Quem tem rabo tem medo"
A caldeira das Lajes, na ilha Terceira, Açores, é um lugar muito calmo e pitoresco, com muitas vinhas, e um caminho pedonal que leva os caminhantes até uma agradável piscina. Tenho lá uma vinha, que é rodeada por muitas outras, abandonadas, porque os donos faleceram ou entendem que é mais fácil e mais barato, comprar vinho engarrafado nas grandes superfícies comerciais. Porque  não queremos que o nosso espaço seja infestado com as espécies que vêm dos terrenos contínuos, fomos lá com homens de trabalho, para que se fizesse uma limpeza.
Ao olhar para as curraletas, separadas com as características pedras negras de basalto, decoradas com os ramos de videira que por elas trepavam, pensei no meu pai. Sim, pensei que ele devia estar feliz, por ver a vinha, que era a menina dos seus olhos, limpa e tratada. Pensei também na azáfama dos dias que antecediam a vindima para se prepararem os balceiros, as pipas, o lagar, os cestos e tudo o mais...
Vi-me a balançar, metida no balceiro, com os meus primos, só com a cabeça de fora, e com os nossos chapéus de palha, parecíamos girassóis. Cheirei as sacas de retalhos e as cestas onde vinham os chicharros de cebolada, o pão, o sumo e o vinho para o almoço, lembrei-me dos pratos azuis de plástico, comprados propositadamente para os dias da vindima e lembrei-me de uma vizinha, amiga da minha mãe, uma mulher muito conhecida e característica, que tinha sempre uns ditos engraçados - A tia Rita Ventura, que Deus a tenha junto de si!
Lembrei-me que certo ano, a tia Rita, foi ajudar na vindima, mas como era muito gulotona, não resistiu a saltar ao prédio do vizinho para uma barrigada de figos, satisfeita de tanto figo, ala apanhar uvas, eis senão quando ouve-se uma gritaria:
Comeram tudo, comeram tudo, não ficou nada!
A desgraçada, com a consciência pesada, só se lembrou dos figos que tinha comido, deu-lhe uma tal dor de barriga que a obrigou a acocorar-se numa curraleta mais funda, à espera do que desse e viesse...
Afinal o homem gritava porque uns porcos tinham ido ao almoço, guardado à sombra de umas faias, e o que a minha mãe, com tanto gosto, preparara, já não era comestível, tivemos que voltar para casa para um almoço improvisado!
Ainda a estou  a ouvir dizer ao meu pai:
- Ai Chico, que susto, já me estava a ver na polícia, ai se o meu "home" sabe disto!...
Ao que o meu pai, aborrecido com o acontecido respondeu:
- Ora tia Rita, a tia sabe bem que  "quem tem rabo tem medo"! 











sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Criatividade e requinte na vila das Lajes:



Bodo-de-leite;

Acho que a melhor forma de explicar o que se passou na terça-feira passada, dia 9, no bodo-de-leite da vila das Lajes, ilha Terceira, Açores, é comparar o acontecimento a uma orquestra, em que um numeroso grupo de pessoas, cada um deles artista à sua maneira, e cada um deles suficientemente humilde para contribuir com o seu trabalho, com o seu talento, compreendendo que é da união que nasce a força, de modo a que o conjunto tenha vida, e seja apreciado na totalidade.
Pois o que vi e apreciei foi um espectáculo, com um fio condutor, com um pormenor, um colorido, uma alegria e requinte dignos de registo, que dificilmente será esquecido e ultrapassado.
Obrigada a todos os que participaram, cada um à sua maneira, como acima refiro e parabéns às Lajes que mais uma vez registaram a sua criatividade e o seu valor...