domingo, 8 de outubro de 2017

Tradição e progresso...

Terra de Bravos:
Foram as festas da Serreta, da Lapinha, da Penha de França,  de São Carlos  dos Biscoitos, isto  para citar as mais recentes, porque nesta nossa ilha Terceira, Açores, de Maio a Outubro  não há dia sem festa à volta da ilha, é só querer! É um ciclo de alegria, convívio e divertimento, como que uma catarse dos tempos e dias lentos, frios e chuvosos, que terminou ontem com  a festa das Lajes. 
 Estive lá, felizmente, e dei por mim a pensar:
-Esta é mesmo uma terra de bravos, que souberam preservar as velhas tradições, e fazer com que estas coexistam harmoniosamente com o progresso, aproveitando o facto de nascerem livres e por isso com direito a serem diferentes, deixaram e fizeram com que o que há de melhor na sua ilha subsista e continue como legado para os seus filhos!
E para os que não puderam estar lá, por estarem ausentes, doentes  ou por qualquer motivo alheio à respectiva vontade, sim,  porque acredito que qualquer terceirense que se preze gosta de ir às Lajes nestes dias, aqui fica um cheirinho como referência, porque sei que uma boa memória nunca é tão boa nem tão nítida  como uma boa imagem...









Dia Mundial da Poupança

Celebra-se hoje o dia mundial da poupança, acabo de ouvir no noticiário, onde anunciaram também que  para a maioria dos portugueses é : chapa ganha, chapa gasta...
Fiquei deveras admirada, pois não sabia que havia esta efeméride, naturalmente criada para chamar a atenção da população para a necessidade de poupar.
Fui criada a poupar, só se gastava se era extremamente  necessário e se se podia e fiquei habituada! Agora tendo uma vida mais desafogada, não consigo gastar de forma perdulária, pensando sempre se é preciso fazer aquela despesa.
 A respeito, queria contar-te uma história que li há muito tempo, mas que nunca esqueci, por ser bastante significativa para mim.
- Havia um casal que com grandes dificuldades e sacrifícios, conseguiu manter dois filhos, em simultâneo, na universidade até que estes se formaram e foram à sua vida. Então, com o orçamento mais desafogado, o marido resolveu oferecer à esposa uma noite diferente e marcou jantar num afamado restaurante. Lá foram todos elegantes, rumo a um prémio bem merecido só que as coisas não correram bem como haviam projectado porque ao entrarem no requintado espaço, a esposa começou a sentir-se muito mal , com falta de ar, tremores e suores a cobrir-lhe o rosto. Não conseguia entrar e puxava o marido para fora... Ao ser interrogada pelo marido sobre o que se estava passando esclareceu  que não conseguia entrar e gastar tanto dinheiro, que estava viciada na poupança e que tinha feito tantos sacrifícios que se tornara avarenta!!!
Não precisamos, nem devemos chegar a este ponto, porque como diziam os antigos "dias não são dias", contudo, esses mesmos antepassados também diziam que  quem não poupa nem herda não possui se não ....., e que grão a grão enche a galinha o papo, não precisavam do dia mundial da poupança, para eles todos os dias serviam, contudo os hábitos de poupança mudaram muito e os portugueses poupam muito pouco ou nada!
É preciso ter em conta que a estabilidade na vida não se conquista só com sorte, como muitos pensam, mas com muito esforço, trabalho e poupança.
Meus pais não me diziam como eu devia fazer no que respeita a esta matéria mas faziam-no e eu observava e segui-lhes as pegadas
Para se estar bem, felizes e confiantes temos que estar seguros e não ter problemas financeiros , no entanto queria frisar que esta matéria de poupança não se deve cingir à questão monetária. Poupa-se dinheiro, poupa-se na cozinha organizando-se sabiamente as refeições  e reciclando comida  isto é aproveitando o que sobrou, poupa-se a roupa. a água , a electricidade, o tempo e as palavras que quando são muitas e , por vezes a despropósito, muitas vezes caem mal...
É por isso que me vou calar, para não dizer coisas a mais e não me tornar maçadora nem gastadora de palavras, antes porém quero deixar este grito de alerta:
-  Pensa como muitas pessoas sobreviveriam e ficariam felizes apenas com aquilo que tu desdenhas, estragas e ou rejeitas...


PS: É bom termos algumas poupanças para que o governo tenha algo para nos levar! Ele ficar-nos-à  grato por isso...

sábado, 7 de outubro de 2017

Uma história da festa das Lajes:

Têm, ao que parece, sido um êxito as festas das Lajes na ilha Terceira, deste ano. O bom tempo e a boa planificação e competência, por parte das pessoas responsáveis, em muito contribuíram para isso. Muito se tem escrito, dito e fotografado e eu sempre a pensar que quando era criança e adolescente não gozava as festas como as outras pessoas, como as minhas amigas... isto porque a minha mãe era costureira e tinha sempre muito trabalho, nesta altura, e eu tinha que colaborar, já se sabe...
Um ano aconteceu que o trabalho era tanto de noite e de dia,   que a máquina não parava de pespontar até que, num acto de rebeldia, parou e não andava nem para trás nem para a frente! Imaginem o terror de minha mãe que tinha compromissos para com as clientes que, muito naturalmente, aguardavam roupas novas para se apresentarem elegantes nas festas.
E agora? Ir à cidade, para que pessoa competente a reparasse representava grande perca de tempo e atraso nos trabalhos... O que fazer?
Foi aí que, como que por milagre, uma vizinha amiga se prontificou a emprestar a sua velhinha máquina de mão, para que a situação se resolvesse. Contudo, a Senhora do Rosário não estava a favor da minha mãe e, como a máquina emprestada já era muito antiga e não estava habituada àquele ritmo de trabalho, também avariou!
Estou a ver a cara de desânimo de minha mãe, a meter a dita, numa saca de retalhos e depois a dirigir-se para a carreira rumo à cidade, para consertar a máquina, conserto que acabou por ser caríssimo porque, como era  muito antiga, precisou de várias peças novas.
-Um dinheirão,  dizia a minha mãe ao contar a história, bem diz o povo, acrescentava, que quem velho parte, novo paga! 
E foi deste modo que numas passadas festas das Lajes trabalhámos que nos matámos, embelezámos muitas senhoras e sem lucro nenhum... 
Também, diz o provérbio, que quem empresta nunca se melhora,  o que não foi o caso, pois a máquina emprestada ficou mesmo uma "máquina" que até consolava, dizia a minha falecida mãe.
E já que estamos numa de citar sábias expressões populares , que normalmente nos transmitem conhecimentos, posso acrescentar um que vem muito a propósito:
- Quem o alheio veste na praça o despe!
Também se diz que quem conta um ponto acrescenta um ponto, o que quer dizer que acrescenta sempre qualquer coisa, no entanto, como esta história é verídica, não posso acrescentar nada, mas posso mostrar-te esta relíquia que é muito anterior à história que te conto talvez a bisavó da protagonista  principal da mesma.
 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

E o amor aconteceu...


 Eu vi nas festas das Lajes
O amor acontecer,
Eu vi nas festas das Lajes
O que é o amor bem viver...
Nestas festas da Terceira
Linda ilha dos Açores,
Vi uma idosa à maneira,
Devido ao Sol e aos calores,
O seu amor resguardar
Sentado numa cadeira...
Um amor bem guardado 
E sempre muito bem cuidado
Com carinho, com respeito
Em anos e anos a eito....
E logo ali concluí:
Que o amor não são flores
Nem joias,carros ou casas
Nem despiques, nem rancores 
Nem lindas e caras oferendas...
O amor é bem cuidar, 
O amor é muito querer,
O amor é atento estar,
E o outro proteger!

Clara Faria da Rosa,
5/10/2017




quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Dia Grande para a Vila das Lajes na Ilha Terceira - Açores

A Fotografia que não foi tirada:

Hoje foi um dia grande para a Vila das Lajes na Ilha Terceira, foi o dia do seu bodo-de-leite integrado nas festividades anuais de Nossa Senhora do Rosário.
Foi um festival de cor, música, alegria e tradição, tudo isto "embrulhado" em muita fantasia e muita vontade de fazer bem, e de agradar aos locais e visitantes, por parte da comissão organizadora e dos participantes, aos quais aproveito para dar os parabéns.
Tudo esteve lindo  e à altura, desde a marcha que se apresentou no início do cortejo com as suas vozes alegres, os seus fatos de cores apelativas e uma letra muito a propósito ao que se seguiu o cortejo das lindas vacas do Ramo-Grande, muito bem escovadas e luzidias, enfeitadas com garridas flores de papel, como que num valorizar o que aqueles animais representam em termos económicos e até culturais para a localidade. 
Depois, foi tempo de homenagear as forças vivas da localidade desde as associações desportivas e juvenis, passando pelas filarmónicas, igreja e seus organismos, folclore, Museu do Carnaval, tendo sido também lembrada  a história da base das Lajes que substituiu os nossos abundantes campos de trigo -O celeiro da ilha Terceira.
jovens lindos, bem vestidos, orgulhosos do seu passado, do presente e com os olhos postos no futuro, que sonham, naturalmente, promissor, tudo isto me comoveu de tal modo que quando passou a rainha da festa fiquei  absorta, e ate certo modo embevecida, ao ver aquela linda e altiva jovem de coroa  rendilhada na cabeça, de medalhão ao pescoço e com lindas aplicações no vestido, tudo trabalhado em madeira pelo seu extremoso e habilidoso pai, fique a pensar no porquê de que enquanto há povos que se matam e guerreiam nós nos divertimos desta forma ordeira, e no que tudo aquilo representava em termos culturais, sociais e históricos, que me esqueci de tirar uma fotografia da linda e altiva rainha!
- Que me perdoe sua Alteza Real!!!

















sábado, 30 de setembro de 2017

Eleições autárquicas 2017

 Amanhã, 1 de Outubro, será dia de eleições autárquicas; Tenho estado atenta à respectiva campanha e à procura de  de propostas sérias, fundamentadas apresentadas por  pessoas com capacidade de resolução e que aparentem ter vontade de servir e não de servir-se,  são tantas as promessas e as propostas, dos vários quadrantes ou cores políticas  que me lembrei  de uma antiga anedota sobre eleições que reza assim:
-" Se votarem em mim, prometo construir escolas, hospitais, estradas e até uma ponte", diz o candidato, todo entusiasmado, durante a sua campanha.
- Mas nós não temos rio, na nossa terra! - diz um eleitor meio incrédulo.
- Não interessa - responde o candidato, muito entusiasmado com o seu discurso -mandarei construir um, imediatamente após as eleições. 
É que as promessas, os sorrisos, as festas, as campanhas, os brindes foram mais do que muitos, e alguns acirrados e por vezes caricatos, por parte de todos os partidos, que agora  estou com medo de ver  correr um rio, ao lado da via rápida Vitorino Nemésio, ligando a nossa cidade de Angra do Heroísmo, património mundial, à cidade vizinha da  Praia da Vitória e nós, contentes,  viajando de barquinho de  velas ao vento, decoradas com os logótipos dos partidos !
Assim Deus nos ajude, neste momento crucial que o nosso país atravessa...A ver vamos, como diz o cego, mas antes temos todos de ir cumprir o nosso dever- VOTAR!.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Os pés da romaria à Serreta:



Lá foram eles muito crentes
A caminho da Serreta,
Lá foram eles muito contentes
Levando mensagem secreta...
Uma mensagem de alegria
Uma mensagem de amor,
Levada em romaria
Com carinhoso louvor...
Lá foram eles diligentes
Um pé a seguir do outro,
Lá foram muito contentes
Com o entusiasmo ao rubro...
Depois de muito caminhar 
lá chegam ao Santuário,
Para a Senhora Louvar
Para desfilar seu rosário...
Pés ligeiros ou esforçados 
Pés que a fé sabem viver,
Pés lentos e já cansados
Foram para agradecer:
-Minha Senhora  milagreira
Sabemos do teu condão... 
Olha por nós à tua beira
À espera do teu perdão!

Os pés da Romaria
Festa da Senhora dos Milagres,- 2017 
Ilha Terceira - Açores










domingo, 27 de agosto de 2017

Comendo o inimigo:

Sempre pensei que o termo croissant fosse uma palavra francesa,  até me considerava um tanto ou quanto internacional e sofisticada quando entrava numa pastelaria e dizia toda lampeira:
-Sirva-me, por favor, um croissant e uma meia de leite. E, ao dizer isto, carregava no r e abria o i da palavra, para acentuar mais o afrancesado daquele pastel em forma de crescente!
Mas não, estava enganada, e muito! Li recentemente, que os croissants foram inventados  pelo povo austríaco, quando em 1683 os turcos invadiram Viena, como o crescente é o símbolo lunar do oriente, toca de inventar um bolo com essa forma e assim, simbolicamente, comiam o inimigo que é como quem diz, os turcos.
Vai daí, pus-me a pensar, como seria bom se inventássemos um bolo para podermos comer, embora simbolicamente, todos os que lançam fogo às florestas e que espalham a dor a morte e a destruição, todos os que lançam carros sobre os cidadãos que passeiam despreocupados nas suas merecidas horas de lazer, todos os que promovem as guerras e o ódio, todos os que lançam lixo nos locais públicos sem terem em mente que aquele local é isso mesmo, um local público, e que outros virão e encontrarão miséria e falta de civismo em vez de beleza e limpeza, todos os que tratam mal os idosos, as mulheres e as crianças, todos os que se acham superiores aos outros e  donos da verdade e todos os que exigem mais dos outros do que de si próprios, todos os que consideram que devem ser perdoados mas não sabem perdoar...
Meu Deus, tenho que acabar esta crónica, acabo de pensar, se me alongar muito,  terei direito a um bolo que me simbolize!

  

segunda-feira, 21 de agosto de 2017



Tourada na freguesia da Agualva ilha Terceira, Açores
19/08/2017
Chegaram os toiros. Os foguetes subiram no ar em grandes e estrelados estoiros: - Pum!Pum!Pum!---
O povo apareceu e, como que por magia, logo se juntou enorme, colorida e barulhenta multidão. Não era um ruído desagradável, mas sim um ruído característico, peculiar, tradicional, que aos ouvidos dos terceirenses soa a música...

O rapaz dos cestos faz o seu trabalho e alguém chama:
-Eh, rapaz, que tens aí?
-Favas, pipocas, batatas e milho torrado...
-Olha o toiro, foge rapaz!
Lá foi o desgraçado, veloz, lampeiro mas não o suficiente... o chão ficou pejado dos pequenos sacos da sua mercadoria e logo todos se chegaram para ajudar.
Os pastores de camisão branco, com o logótipo da ganaderia para a qual trabalham, calças de cotim, e chapéu de abas, de feltro preto, agarravam a corda e orientavam o toiro, no sentido de não ir para além do percurso estipulado e marcado na estrada, com largas faixas brancas, homens valentes, que por vezes, também passam os seus sustos...
Os capinhas apareciam sem se saber de onde, e eram aplaudidos pela sua valentia e no ar havia um cheirinho peculiar às bifanas e aos outros petiscos da tascas, e o céu, a terra e as gentes conjugaram-se para que aquela tarde de tourada fosse perfeita.
Não faltou nada, até as mulheres nas tapadas davam gritos histéricos de aflição quando um capinha, mais afoito, corria certo perigo! Era uma tourada de fama que 
fechava as festas da localidade na qual concorriam quatro ganaderias, só não soube qual o ganadero vencedor porque estive entretida com o quinto toiro que é o momento especial, depois das touradas, em que os donos da casa obsequeiam os seus amigos e convidados numa mesa farta à moda da Terceira na qual nada falta! 
São assim as touradas à corda na ilha Terceira, Açores, onde à roda da ilha, que é mais ou menos redonda, se podem apreciar em canadas, portos, areais, largos e ruas , umas mais afamadas do que outras, mas todas ocasião de divertimento, convívio e catarse das labutas e canseiras do dia a dia, assim como um grande contributo para a economia da ilha.