sábado, 13 de agosto de 2016

Até ao quentinho dourado do Sol...
Ontem foi o dia do meu 68º aniversário, deveria estar triste porque na sociedade actual sobrevaloriza-se sobremaneira a juventude e a beleza que lhe está subjacente, em detrimento da sabedoria, da experiência, da capacidade de amar, tolerar, desculpar e ajudar ; Contudo, não estou nada triste, pelo contrário, sinto-me contente e realizada. Embora saiba que não posso viver eternamente, isso para mim não é importante, o que quero é viver bem enquanto puder. Não quero nem devo queixar-me da vida porque não sei como será a morte...
Ao olhar para trás vejo que caí muitas vezes, mas que consegui levantar-me outras tantas, que disse sempre o que pensava ser o mais correcto, tentei dar sempre o máximo nos projectos profissionais ou comunitários em que me envolvi, tentando conservar-me fiel ao meu carácter, sempre consciente de que podia estar enganada mas que como qualquer cidadão tinha e tenho o direito de estar enganada .
É por tudo isto que digo que estou feliz, contente comigo própria, e com a minha vida, que vou pintando com as cores que mais me agradam, não esquecendo nunca que nas árvores, mesmo após chuvadas abundantes e fortes rajadas de ventos, há sempre folhas resistentes, que se agarram tenazmente aos ramos para nos darem exemplos de força voluntariosa e de grande tenacidade.
É isso mesmo, força, voluntariedade e tenacidade, nos sessenta, nos setenta, nos oitenta, nos noventa, até que o vento, de mansinho, leve a folha por entre as nuvens de algodão , raios de

 luar, brilhos de estrelas, até ao quentinho e dourado do Sol!

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Em dia de aniversário: Reflexões:

Há um provérbio, creio que brasileiro, que diz o seguinte:
- "O longe só é longe se você não for lá" ...
Hoje pus-me a pensar nesta grande verdade, e no que ela encerra de sabedoria e lembrei-me que quando era criança e jovem adolescente, pensava que os sessenta, setenta, e oitenta anos estavam tão longe, mas mesmo tão longe, que tinha a certeza,  nunca os faria, nunca os teria , seria sempre jovem, saudável, ágil e protegida pelos mais velhos, pois tinha a certeza de que estes tinham nascido assim, e estariam sempre lá, como que fazendo uma barreira que não me deixaria avançar na idade.Contudo hoje, dia em que celebro o meu sexagésimo oitavo aniversário, constato que isso afinal não estava assim tão longe, e que cheguei aqui mais rapidamente do que imaginava ser possível, deixou de ser longe, porque cheguei cá, conforme dizia  o provérbio...Estes anos passaram como uma aragem forte e determinada que não pediu licença a ninguém para passar nem mesmo a mim dona da minha vida! Agora resta ir até mais à frente, mais longe, o que segundo a minha experiência, passará também mais depressa do que aquilo que desejo. A propósito, e como não há nada como o sentido de humor para nos ajudar a aceitar e a ultrapassar certas angústia conto uma anedota engraçada que li algures:
- Uma senhora entrou numa loja e pediu à balconista  um metro de elástico. Aí a empregada, abriu uma gaveta, pegou num minúsculo pedaço de elástico, colocou-o sobre o metro de madeira, esticou-o, esticou-o ao máximo, até ele atingir a medida certa,  e disse à cliente que olhava estupefacta:
- A senhora está com muita sorte, só sobrou mesmo este metro! 
É uma história engraçada da qual me quero lembrar nos anos que tenho pela frente para viver, porque quero esticá-los, esticá-los, esticá-los, com muita força,com muita determinação, com muita alegria, com muita serenidade e assertividade, até que o elástico da minha vida não resista , rebente e me catapulte para além das nuvens, para junto das estrelas onde me lembrarei com carinho e saudade dos problemas, desaires, alegrias e conquistas que vivi ao longo da minha vida, da minha família e dos meus amigos com quem espero contar ainda por vários anos, assim o elástico da vida o permita!  

  

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Heróis de Portugal ( de ontem e de hoje )

Perante a catástrofe que tem assolado o nosso país, varrendo e destruído tudo à sua frente, assim como na ilha da Madeira onde o fogo, impelido por ventos fortes, entrou, sem pedir licença, no centro histórico da mesma, causando mortes e tragédias difíceis de esquecer e de ultrapassar, lembrei-me que em tempo muito recente, mais precisamente no 3º Domingo do passado mês de Julho, visitei o Museu dos Coches em Belém, onde está patente um interessante espólio usado pelos bombeiros em tempos idos. Ao deparar-me com tal alfaias não pude deixar de pensar que ou não havia fogos à altura, ou ardia tudo, ou então os bombeiros nossos avós, eram ainda mais corajosos, mais abnegados, mais heróis do que os actuais soldados da paz, coisa que considero impossível, face ao trabalho que têm vindo a desenvolver perante o qual, na minha insignificância, me curvo e lanço um grito aos ventos, na esperança de que o mesmo chegue até eles:
- Bravo, bravo, bem hajam e obrigada pelo que têm feito pelos outros e pelo nosso país em geral !!!








O véu da minha mãe:




Estive uns tempos por  Lisboa e, como sempre, apesar do calor, a capital fervia com tanta gente, muitas raças, muitas línguas, muitas diferenças... Enfim, turistas curiosos e com vontade de aproveitar o sol de Portugal e as suas férias para regressarem a casa revigorados  e prontos para novas pelejas. Também aproveitei, e se há coisa de que eu gosto de fazer, é de entrar nas igrejas e de apreciar o seu esplendor, a sua grandiosidade, as suas características e, não o fiz sozinha, porque eram tantas as pessoas a sair e a entrar nos templos, que até parecia que o Espírito Santo tinha repentinamente descido sobre aquela multidão a qual de um momento para o outro ficara imbuída de uma fé especial. O que me impressionou, e impressiona sempre, é o à-vontade com que as pessoas entram nas igrejas apreciando as suas belezas, esquecendo que as mesmas são o "sacrário" que alberga, segundo a nossa fé, o Deus todo poderoso...
Muita máquina fotográfica, muita falta daquele misticismo que se deve vivenciar num lugar sagrado, muita falta de roupa, pois o calor era abrasador, muito homem de chapéus e bonés sem se darem ao trabalho de descobrirem a cabeça ao entrar no templo. Foi aí que me lembrei do véu de minha mãe que guardo religiosamente, muito bem dobrado, e embrulhado em papel de seda, no fundo de uma gaveta, que ela usava graciosamente quando ia à igreja, dando cumprimento a um preceito bíblico que, creio, vem do início do cristianismo e se preservou por milénios, havendo ainda, pessoas e grupos mais conservadores que conservam esse hábito que  após o Concílio Vaticano II deixou de ter carácter obrigatório.
Este uso, com referências bíblicas, assim como o de o homem ter de entrar na igreja de cabeça descoberta , eram, quanto a mim, costumes bonitos que demonstravam modéstia e respeito na presença do Senhor.
É verdade que este é um costume muito remoto, e que precisamos de fé e pureza  é no coração e estas não estão na  no exterior contudo, o nosso modo de estar e de ser pode ser um indicador  de como devemos conduzir o nosso interior.
E foi por tudo isto, e devido aos inúmeros turistas que encontrei por Lisboa, que  fui buscar o véu de minha mãe, para que ele me faça lembrar de como me devo conduzir, pois sinto muita vez uma força inexplicável que me faz desviar do caminho certo!


sexta-feira, 15 de julho de 2016

Tesouros:
Para mim, o termo tesouro, não se identifica com riquezas, dinheiro, jóias e ou ouro ,mas sim, com coisas de que gosto, que considero belas e que me alegram o dia a dia,os olhos e o coração. Ora se há coisa de que gosto muito é de louça da fábrica Raul da Bernarda, a mais antiga fábrica de louça de Alcobaça cuja fundação ronda o ano de 1875 a qual tem um espaço museológico com peças representativas dos estilos desenvolvidos, na mesma, ao longo da sua laboração.
Tenho várias peças Raul da Bernarda e embora tendo plena noção de que "as coisas mais importantes na vida não são as coisas mas as pessoas" preservo-as com cuidado e carinho porque me dão alegria e contam uma história. Acontece que recentemente tive a sorte de encontrar mais uma peça destas a um preço razoável e lá a adquiri .Muitíssimo original, com carimbo e número, com  um desenho, pintura e policromia lindos! Aqui está ela , e não penses mal de mim, por gostar destas coisas, porque eu sou como o tempo já não me importo com as criticas e tenho um lema de vida que é tentar passar o tempo sem ficar velha e esta atitude ajuda-me a passar o tempo de forma tranquila e entusiasmada sem pensar muito no que vem por aí... 




quinta-feira, 23 de junho de 2016

 São João, Santo festeiro:
Esta é a imagem de São João que todos os anos regressa à esquina da rua da Sé com a rua com o nome do Santo, isto em Angra do Heroísmo, Terceira Açores. É o Patrono das festas que estão a decorrer com um vasto programa as quais, por tradição, festejam o solstício de Verão, que tem lugar a 21 de Junho e é celebrado até ao fim do mês, é o momento em que, segundo os estudiosos, o Sol perde o controlo e atinge o máximo da sua força. Nessa noite a ordem das coisas é alterada e tudo pode acontecer...
São João, segundo São Lucas, foi o precursor de Cristo, tendo sido a voz que clamava no deserto, anunciando a vinda do Messias. Filho de Zacarias e Isabel, só mais tarde, depois de ter baptizado Jesus é que recebeu o cognome de "O Baptista". No calendário religioso está-lhe reservado o dia 24 de Junho por ter sido o dia do seu nascimento. Tem o titulo de santo festeiro por isso há muita festa no seu dia em especial muita dança, daí as marchas com o seu nome. Este ano em Angra do Heroísmo, atendendo ao elevado número de marchas, desfilam nas noites de 23 e 24, para que se torne menos moroso, menos cansativo e sejam melhor apreciadas..
Em Lisboa compram-se manjericos, cravos, alhos-porros e martelinhos para bater nas cabeças de quem se encontra, naturalmente, para os manter bem acordados para a folia. Comem-se sardinhas assadas, saltam-se fogueiras, enchem-se e largam-se balões, fazem-se concursos de janelas alusivas ao São João, e marchas populares em vários locais do país quero contudo, destacar aqui o que se passará em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, a minha cidade nas próximas noites que serão repletas
de magia, cor alegria, criatividade, pedagogia, arte e são convívio que dificilmente se pode explicar por palavras, só vendo, vivendo, sentindo, presenciando se pode ficar com a ideia do que se passará que impregnará a alma da multidão presente da alegria atribuída a este santo.
Vem até cá, estás convidado/a, se este ano não tiveste essa possibilidade, programa a tua vida para que possas juntar-te ao povo terceirense no próximo ano!!!

quinta-feira, 16 de junho de 2016

À minha amiga Lulu,( Lúcia Alves) no dia do seu aniversário

Tudo era puro então,
O nosso meigo e ingénuo olhar 
que se perdia no futuro,
O nosso sorriso franco a desfolhar 
que não antevia o mundo duro,
A água cristalina correndo p'ró mar
e nós vivendo, como fruto pouco maduro... 
Sem que nos perguntassem
Crescemos,o tempo veloz passou,
Fizemos-nos mulheres, a vida mudou,
Agora, as estrelas são diferentes
Brilham menos,  nossos olhos,
Às vezes estamos tristes, 
Desanimadas, descontentes,
Sorrimos menos,
Porque sabemos,
Porque aprendemos,
Porque adivinhamos,
Que nem sempre a água corre p'ró mar,
Que a luz não tem sempre o mesmo brilho,
Que nem sempre tudo é puro e franco.
E às vezes apetece gritar,
Ao céu, à terra e ao vento brando
Que tragam às gentes, um viver tranquilo,
Um amor e uma paz que permitam sonhar
E antevemos que o futuro,
já é menos futuro,
E antevemos um futuro escuro,
Mas não desistiremos,
Porque temos um passado,
Porque temos um presente,
E teremos um futuro,
Onde brilhou, brilha e brilhará...
Uma linda e colorida flor,
A flor da nossa amizade!

Clara Faria da Rosa,
16/06/2016



terça-feira, 14 de junho de 2016

A luz que vai à frente:

O meu pai costumava citar muitas vezes este ditado:
-A luz que vai à frente é que alumia!
 Embora eu pense, sem fundamento científico, deixando o assunto ao cuidado dos mais sapientes na matéria, que o verbo alumiar é um arcaísmo de iluminar, sendo contudo os mesmos derivados do latim "illuminare" .
Ele queria dizer, na sua crença de católico praticante, que devemos fazer o bem, neste mundo, para depois termos direito a uma eternidade tranquila. Contudo, pensando bem, e acreditando também que devemos praticar o bem, concluí que o ditado também nos pode levar a pensar que a luz que vai à frente, é importante porque ilumina ou alumia para a frente e para trás, e portanto, ficam todos servidos.O que não se pode negar é que a luz, embora saibamos que é aquela claridade que nos é fornecida pelo astro rei, conforme as circunstâncias, e em sentido figurado, pode significar brilho, fulgor, cintilação, verdade, evidência, certeza, percepção, intuição, conhecimento, guia, orientação, coisa de grande apreço, entre outros termos que agora não me vêm à memória...
Foi por sabermos e sentirmos tudo isto que a coroação do Império das Bicas de Cabo Verde, introduziu este ano uma inovação, que já é hábito e tradição noutras localidades: O cortejo foi iniciado e orientado por dois homens empunhando  círios, querendo simbolizar o que atrás se disse, e levando  no braço lindas e alvas toalhas bordadas a "rechilieu", que farão parte do espólio do Império, pois acreditamos que o Espírito Santo é luz e tudo o que atrás se disse e também pureza e alvura como a pomba que o representa.
Tudo dito, falta só agradecer aos dois homens que aceitaram desempenhar esta função, estando certa de que compreendem sentem e vivenciam o mistério da Santíssima Trindade.






    

segunda-feira, 13 de junho de 2016

A minha nova aquisição:



Logo que os meus olhos bateram nela , foi amor à primeira vista,  decidi que tinha que ser minha e lembrei-me  ter lido algures que, no final do período "Art Déco" se verificou, na indústria vidreira em Portugal, uma tendência para aliar as características escultóricas do vidro moldado às possibilidades decorativas que o "doublé" do vidro branco e transparente permitiam", deste modo apareceram peças muito características, entre elas a minha nova e linda jarra, tenho a certeza, que apresentavam uma decoração muito peculiar com tinta escorrida entre duas camadas de vidro. Embora seja do período Art Déco, não apresenta as características do cubismo, que se apresentava com linhas geométricas  e simples, a minha nova aquisição é roliça, elegante, com uma policromia fina e atractiva que apetece tocar e apela ao nosso olhar, especialmente quando decorada com estes lindos malmequeres, que de tão dobrados parecem gerberas, apanhados no quintal da minha casa das Lajes.





 

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Sem Palavras...


Não tenho escrito nada nestes últimos quinze dias, não me tem apetecido, desde a partida da minha sogra, foi como que se o pêndulo de um relógio parasse e ao voltar a oscilar já nada é como dantes...
Tenho meditado muito, pensado que embora ela estivesse muito debilitada e o médico nos tivesse prevenido de que estava mal e que não reagira ao tratamento, embora tivesse a provecta idade de 89 anos, expressão que se define como idade avançada, adiantada, embora pensássemos que estávamos preparados para aceitar a realidade, isso não aconteceu, nunca acontece, nunca se está preparado, e tenho dado por mim a pensar  no que ela foi, no que representou para a família, nas muitas refeições que preparou, nos jantares de Natal que passámos juntos, no carinho que dispensou ao meu filho, que numa fase da vida indagava sempre o que havia para comer cá em casa e em casa da avó, para escolher qual a mesa que mais lhe agradava, pois a avó fazia-lhe sempre uns belos petiscos incluindo pratadas de batatas fritas, que ele adorava, e que em casa comia pouco, na maneira assertiva com que sempre me tratou, no primeiro dia que fui a casa dos meus sogros, com a minha mini-saia que se usava na altura , pois como sabemos a moda repete-se, e ao sentar-me no antigo canapé a avó do meu marido, sorrateiramente, me puxou a saia para baixo e todos acharam muita graça, e na noite de Natal de 2010 em que rimos muito com ela, na foto, que já falava pouco, mas que, naquela noite se aguentou mais um bocado sem ir para a caminha, como dizia, e ao receber os seus presentes, ficou um tempão grande calada para de repente dizer, muito explicita:
 - Estou sem palavras!
Pois eu, como ela, naquela recuada noite, perante a morte, essa coisa tão remota e simultaneamente tão próxima, que de repente se  torna familiar e pessoal, perante este mistério, embora queira acreditar  que a vida é eterna, embora se modifique, transforme ou mesmo possa assumir outra forma, não tenho palavras, só a certeza de que nunca me esquecerei da mulher, esposa, mãe e avó que ela foi!

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Beber água do poço:

Beber água do poço:
Esta manhã faltou água , na minha zona, por curto espaço do tempo, talvez para trabalhos de manutenção da rede pública, não sei ao certo, o que sei é que fiquei nem uma barata tonta sem saber o que fazer...
Vai daí, que me veio à memória, os tempos em que eu ia com a minha mãe ao poço tirar água, que depois transportávamos para casa em grandes baldes, cada uma do seu lado, numa agradável cumplicidade a ver se não derramávamos nada porque, naquela altura, água era ouro e ao chegar a casa era muito poupada, não era como agora que se deixa a torneira a correr e se gasta imensa só para lavar os dentes!
Também me lembrei do Senhor Teotónio Meneses, um Senhor que tinha uma casa com loja por baixo na praça em frente ao lar D. Pedro V, na Praia da Vitória onde a minha mãe ia fazer compras e do diálogo que se travou entre os dois:
- Então como vai a pequena nos estudos?- já se sabe que a pequena era eu!
-Vai indo devagarinho- respondeu a minha mãe que não era de muitos superlativos, nem de fazer grandes alardes dos resultados que eu porventura obtivesse, porque ela considerava que eu não fazia mais do que a minha obrigação...
-Ela vai conseguir- dizia o Senhor- E sabe Porquê? perguntava ele para a minha mãe ,de olhos curiosos, postos nele:
-Porque bebeu água do poço!!!
Agora era a minha vez de comentar, com os meus botões, porque na minha insignificância, não me atrevia a fazer parte daquela filosófica conversa de adultos:
-O que tem a água do poço a ver com os meus êxitos escolares???!!!!
Passaram-se os anos já não estão entre nós os interlocutores deste curioso diálogo e hoje, porque faltou água em casa dei por mim a pensar nisto tudo e a concluir que temos que saber tirar partido da situação que vivemos, até mesmo da escassez, e temos que parar e pensar que os nossos problemas não são assim tão terríveis como parecem e tornam-se mais fáceis se os encararmos de uma forma aceitável .
A arte de saber viver está no facto de nos concentrarmos nas nossa dificuldades, aceitando-as e resolvendo-as da melhor maneira possível e assim nos tornamos auto-confiantes, fortes e serenos perante a vida.
Agora é que eu percebo como foi bom para mim, acartar e beber água do poço!

terça-feira, 17 de maio de 2016

Dona Presbiopia e os meus óculos de ver ao perto

Quando fui ao oftalmologista, ficámos um pouco preocupados quando ele me informou que precisava de ser operada aos olhos, eu com certo receio da operação, embora toda a gente me dissesse ser uma operação simples e o meu marido, com medo, dizia ele, que eu passasse a ver demais, o que lhe poderia complicar a vida...
Lá fui operada,  e o médico todo contente informou que não precisava usar mais óculos, somente para ler, letrinhas miudinhas - dizia ele satisfeito!
O pior foi que, na verdade, fiquei a ver demais, e ao sair à rua  ou em recintos muito iluminados, a luz incomodava-me de tal sorte que tinha que usar lentes escuras, e quando me vi ao espelho!!?, nem imaginas a minha decepção...
A juntar a estes infortúnios, acrescento o facto de andar sempre à procura dos óculos:
- Se estou no computador e toca o telefone lá vou eu de óculos encavalitados no nariz e deixo-os lá;
- Se quero olhar para dentro da panela lá vou à procura dos óculos, que estão na mesa de cabeceira;
- Se preciso procurar um número na lista telefónica ou ler o jornal, aquid'el rei que não encontro os óculos:
- Se vou às compras e quero comparar os preços dos produtos, esqueci os óculos em casa;
Se, ao sair, levo os óculos na mala, quando chego a casa não os tiro de lá, e quando deles necessito,  já não me lembro onde estão...
Naturalmente, estás a pensar e com razão, que posso arranjar um fio para os poder pendurar ao pescoço, o que já fiz mas não resulta, na maior parte das vezes.
 E a culpada  de todos estes infortúnios sabes quem é?
Dona Presbiopia!!!
 Quando o médico todo pimpolho me disse que eu precisava de ser operada logo o interroguei:
- Mas afinal, senhor Doutor,  que mal terrível tenho eu?
Muito cheio  de si e da sua importância e sabedoria , logo pressuroso  me respondeu em voz grossa:
- A senhora sofre de presbiopia!
- Presbiopia - pensei, mas que palavra simpática, elegante, diferente e musical!
E logo eu, que sempre gostei de coisas diferentes, tinha sido bafejada com tal requinte! O que diriam as pessoas amigas e familiares quando eu toda vaidosa , os informasse:
-Tenho presbiopia!
Não quis dar parte de fraca nem que o médico me julgasse ignorante e, durante o trajecto para casa,  fui repetindo a palavra, para não me esquecer:
- Presbiopia, presbiopia, presbiopia...
Cada vez a achava mais requintada, enchia a boca e dava um certo prazer em pronunciá-la, logo a mim me havia de calhar coisa tão especial!
Ao chegar a casa, não me contive, fui ao dicionário, lá estava a palavra bem escarrapachada:
-Presbiopia: - diminuição progressiva da capacidade de ver com nitidez, provocada por perda de elasticidade do cristalino - Depois, vinha o sabor amargo da verdade, tão amargo como fel : " A palavra deriva do grego, presbus - velho"
Afinal era a PDI!!! 
  



quinta-feira, 12 de maio de 2016


BRISA DO MAR...

- Se eu fosse a brisa do mar,
Murmurava bem baixinho,
À Lua, ao Sol e à Terra,
À paz, à calma e à guerra,
Aos montes, vales e cidades...
- Eu sou a brisa do mar,
E vejo o Mundo a Girar,
E os homens a sofrer,
As mulheres a gerar,
E as crianças a crescer...
- Eu sou a brisa do mar,
 E quero pedir ao Mundo,
Que olhe bem à sua volta
E acabe com a revolta
E semeie o perdão,
O amor e a gratidão,
E ouça o meu murmurar
Que a todos quer recordar
Os valores do passado,
E que o Mundo está mudado
Com falta de uma linda flor
Que lhe traga nova cor!

Clara Faria da Rosa

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Função da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo

Aqui estou eu, toda janota, à espera do meu marido para irmos, no Domingo passado, à Função  da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo. Gosto imenso deste acontecimento pelo que representa em termos de tradição e de espiritualidade mas também pelo convívio, pois neste dia encontramos muitos conhecidos e amigos que já há muito não víamos. 
Um dos momentos a realçar foi o cortejo com o provedor e mesários  a levarem as coroas seguidos pelas mordomas que tiveram a seu cargo a organização de uma semana de festas que culminou com um lauto e tradicional almoço.Foi muito agradável, a comida estava boa, tudo muito bem organizado e decorado não faltando os  confeitos, para adoçarem o vinho de cheiro, conforme é tradicional.
Para mim o ponto alto foi a missa na igreja da Misericórdia, presidida pelo bispo de Angra D. João Lavrador, um templo belíssimo do séc. XVII, pertencente à Santa Casa da Misericórdia de Angra , classificado como imóvel de Interesse público, de uma só nave, mas com uma capela-mor muito espaçosa. Como havia muitos fiéis, subimos ao coro-alto, sobre o pára-vento, por uma linda escadaria de cantarias  e ali pudemos apreciar  a nave central e o sumptuoso órgão assim como as capelas laterais encimadas por galerias em arcadas com varandins muito trabalhados, entre outros pormenores
O provedor, após a missa, dirigiu  palavras de agradecimento e de boas-vindas a D. João lavrador, aos presentes e agradeceu também a todos os que prestaram a sua colaboração para que tudo tivesse o brilhantismo verificado, não esquecendo os irmãos que ficaram retidos na casa por doença prolongada ou por dificuldade de mobilidade o que me fez pensar que muitos dos presentes incluindo eu, logo, logo estaremos lá... Entretanto, vamos vivendo e sorrindo pois o sorriso é como que uma estrela que brilhando  ilumina a nossa vida e a dos outros!






domingo, 1 de maio de 2016

Monogramas e homenagens

 Denomina-se por monograma a união de dois nomes ou de iniciais de nomes, da mesma pessoa ou de duas pessoas diferentes, através da sobreposição ou agrupamentos artísticos e trabalhados, havendo monogramas que são autênticas peças de arte. Em tempos idos, os enchovais dos noivos eram marcados com monogramas a ponto de cruz, ou a ponto de cheio ou rechilieu, com as iniciais dos nubentes, pois aquelas peças passariam a ser um bem comum, penso que este hábito tem a ver com o facto de se mandar a roupa para as lavadeiras a qual, se fosse marcada, não corria o perigo de ser trocada; Enfim, outros tempos, outros costumes...
A propósito, e por ser dia da mãe, mostro-te um monograma com o nome da minha mãe - Maria Almeida - bordado por ela, numa toalha de lavatório que era peça usual em tempos recuados, não querendo com isto dizer que já não se usem lavatórios nem toalhas, os modelos e materiais é que são outros.
E pronto, aqui fica a minha lembrança, num jeito de homenagem a minha mãe Maria Almeida, já falecida há vinte e quatro anos, e a muitas outras Marias entre as quais a minha sogra Maria Angelina,muito grata por ter criado um filho para me dar e por ser avó do meu filho, assim como a todas as mães do mundo inteiro, quer tenham ou não o seu monograma em toalhas de lavatório, o que é um mal menor, o importante é ter-se sido mãe que é uma condição tão gratificante, prazenteira e de realização pessoal de difícil explicação! 






domingo, 24 de abril de 2016

Fomos às sopas do Espírito Santo


As sopas do Espírito Santo
Na nossa ilha Terceira
Têm Um sabor de Primeira
Ai eu gosto tanto, tanto!
As sopas do Espírito Santo
Na nossa ilha Terceira
Têm o sabor da ilha inteira
Ai elas são um espanto!
As sopas do Espírito Santo 
Em casa do Victor Carreiro
Regadas com vinho de cheiro
Ai sabiam a fé e encanto!
As sopas do Espírito Santo
Tinham um sabor apurado
A lava, maresia e prado,
Promessa, devoção e preito!


Clara Faria da Rosa,
24/Abril/2016