terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O guarda-chuva teimoso:

Do meu guarda-chuva velho
Fiz um arranjo de natal,
Em dourado e vermelho
E com um laço normal...
Ficou pomposo e vistoso, 
Elegante e orgulhoso, 
E de tal maneira vaidoso,
Que se agarrou ao portão
Com todas as suas forças...
E quando veio o temporal
Não houve chuva nem rajadas
Que o tirassem do pedestal!
E ele teimoso gritava:
-Só saio deste lugar
-Quando passar o Natal,
-E depois de ver entrar
-O Menino neste portal!

Natal de 2015
Clara Faria da Rosa

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Tempestade nos Açores

A tempestade varreu os Açores
Vento forte!
Ondas como montanhas!
Fortes, zangadas, violentas
Provocaram:
Muita angústia,
Muito medo,
Muitas dores...
E uma incerteza dolorosa...
Estamos no meio de nada,
Como nos poderemos defender?
Quem nos poderá ajudar?
Quando virá a calma esperada?
Como será o amanhecer?
A tempestade varria os Açores
E a agitação das ondas
Medonhas, revoltas, alterosas,
E as violentas rajadas,
Quadros assustadores,
Mas espectaculares...
Eis se não quando:
Do meio da tempestade,
Daquele cenário dantesco,
Daquele cenário destruidor,
Surgiu um corpo de mulher
Esbelta, seráfica, angelical...
E tudo acalmou, tudo serenou.
E nos Açores
As flores voltarão a florir,
E nos Açores
Os pássaros voltarão a Cantar.
E nos Açores
O homem esquecerá o medo,
O homem ganhará confiança,
E continuará a Louvar.
E continuará a amar,
O seu mar, a sua terra,
Esta terra açoriana!

Angra do Heroísmo,14 /12/ 2015
Clara faria da Rosa

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Bolo de Natal da Clara (receita)

 Agora que toda a gente anda numa grande azáfama para fazer o seu bolo de Natal, com a antecedência requerida para que fique húmido e muito saboroso, é com muito gosto que te passo a minha receita que acerta sempre e costuma ser muito apreciada:
 Bolo de Natal da Clara ( Receita):

Deves deixar de infusão
Quantos mais dias melhor,
Paciência e compreensão
Muita amizade e amor...

Não ligues aos dissabores,
Vive com muita humildade,
Envolvendo estes valores
Sempre com muito cuidado.

Unta a forma alegremente
Com calma e muito humor,
Verte o bolo lentamente
Fazendo da vida louvor!

O forno deve estar quente
Com um calor moderado,
E tu, sempre contente
Vivendo com muito agrado...

Resulta sempre esta receita
Que partilhada deve ser,
E se for muito bem feita
Tua vida vai crescer!...
 6º
Põe a mesa a toda a gente
Deseja um bom Natal,
Sempre alegre e contente
Aberta, simples e informal!
 7º
Quando deres a provar
Deste bolo uma fatia,
Deves sempre recordar
A amiga Clara Faria !!!

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A minha sementeira de Natal

Nos Açores, é tradicional, porem-se sementes a germinar, em pequenos pratinhos, para depois se porem a decorar os altarinhos do Menino Jesus e os presépios.

Normalmente, isso faz-se no dia de Santa Catarina ou no dia de  Nossa Senhora da Conceição, não me perguntes porquê, porque não sei responder ao certo, a minha resposta é: - porque já minha mãe procedia assim!
Então vêem-se pequenos pratinhos de trigo, cevada, tremoço, ervilhaca, alpista Etc., enfileirados, à espera das sementinhas darem um ar da sua graça, para irem ocupar os seus postos, nos dias de Natal...
Penso que este hábito se prende com o facto de os agricultores quererem testar as suas sementes, para na altura certa as lançarem à terra, e também pelo facto de antigamente não haver decorações de Natal à venda ( e ainda bem!) e de as pessoas instintivamente terem adaptado e adotado este lindo costume de decorarem as suas casas com estas sementes germinadas...
Já há anos que costumo cumprir a tradição, nesta área e ponho a germinar ervilhaca que é uma leguminosa forrageira de bom crescimento que proporciona, segundo os entendidos, uma eficiente cobertura protectora e melhoradora dos solos, e que pode ser usada para pastagem ou fenação. Contém muitas proteínas, resiste ao frio e mede em condições normais,cerca de 1 m. de altura.
Mas vamos ao meu assunto:
Hoje, 8 de Dezembro, estava um belo dia para sementeiras e eu aproveitei:
Depois guardei as sementeiras às escuras para ficar branquinho, e vou deitando um pouco de água em dias alternados.

 Claro que esta foto que te mostro com ervilhaca germinada é de um ano anterior porque este processo da germinação leva aí uns dez dias até estar crescida  bastante para  decorar o Deus Menino , para oferecer alguns a amigos e  enfeitar a casa. Ainda estás a tempo de fazer esta experiência, se não tens este hábito, há sempre uma primeira vez para tudo, tem em mente que muitas aprendizagens se perdem por não se tentar e vais ver que depois te sentes contente com o resultado que obterás.
 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Tomando consciência do cancro.

Fui nomeada pela minha amiga Vanda Azevedo, para colocar uma foto ou selfie durante 10 dias, no perfil e nomear outra pessoa. Perante causa tão nobre, não pude deixar de participar. Saí ao quintal, tal Mãe Natal, colori a Natureza e fotografei-a. Aqui mostro as 10 fotos que fui publicando em dias sucessivos, espero que gostes e que elas te ajudem a vivenciar o Advento e a admirar aqueles que conheces e que conseguiram ultrapassar esta doença e a lembrar os que tanto sofreram e não tiveram essa sorte!
E no fim desta maratona fotográfica à roda da minha casa, nomeei a minha amiga Neusinha Fusco, no Brasil, para dar continuidade a este projecto de forma a que ele se expanda por aquele país irmão.












O regador da minha infância

Soneto ao regador de outrora:








É da minha infância,o regador
Que pintei de cor e muita luz...
Com pouca arte, mas muito amor,
Para no Natal receber Jesus!

Este regador de outrora
Decorei com flores vistosas,
Está elegante e  fino agora
E vive no conforto de salas!

Ai como nostálgica me sinto,
Ai que saudades eu tenho,
Ai é um sentimento sem fim...

Do meu regador muito lindo,
Que brilhava como estanho,
Ao regar o meu jardim!

Clara Faria da Rosa

domingo, 6 de dezembro de 2015

O meu Menino mija!

Tradicionalmente, nos Açores, faziam-se licores caseiros e eram tantos! ( de laranja,de café, de anis, de banana,cacau, de leite, de maracujá, de poejo, de tangerina, de vinho e outros). Estes licores, alguns dos quais feitos propositadamente para o Natal, eram dados a provar  nesta época ao que se chamava a mijinha do Menino.
Convidavam-se familiares para a mijinha do Menino:
- O meu Menino Mija!
-Vai à mijinha do meu Menino!
-O meu menino não está mal das urinas!
-Vai provar a mijinha do nosso Menino!
Era um carinho, uma doçura...
E lá se faziam agradáveis visitas, para desejar as boas- festas, apreciar o presépio, armado a um canto da casa com muitas leivas e musgos e coloridas figuras de barro ou então sobre a cómoda antiga,  coberta com bonita toalha de linho e decorada com camélias, tangerinas e pratinhos de trigo a rodear o Menino, e provar a mijinha à mistura com alguns figos-passados, rebuçados caseiros, caramelos, bolacha republicana e outros doces tradicionais.
Actualmente, ainda se mantém essa tradição, embora com alguns cambiantes ...Talvez já não se façam tantos licores que são substituídos pelos comprados e os doces e aperitivos sejam de outro tipo e com novas receitas , o presépio mantém-se e o hábito de se visitarem as casa de familiares, colegas e amigos, assim como o calor humano que se gera à volta dessa tradição,  continua, felizmente!
Quanto ao meu menino, aliás aos meus meninos, estão bem saudáveis, com os aparelhinhos como Deus manda, expelindo o precioso líquido que aquecerá os amigos, neste Natal.

- O meu menino mija !!!

sábado, 5 de dezembro de 2015

E os anjos disseram:

E os anjos disseram: - Não temais, eis que aqui vos trago Boa-Nova de grande alegria que o será para todo o povo!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O Menino que Festejamos


O Menino que festejamos:

O Menino que festejamos é Deus!
E Deus é a bondade, 
A cor e a amizade,
E também alegria e amor,
A chuva o vento e o calor,
O perdão e serenidade,
Paz e igualdade,
A simplicidade da Natureza,
O talento, o esforço e a beleza...
É para tudo isto celebrar,
Que nos juntamos a consoar,
Para o Menino lembrar,
E porque somos filhos seus
E porque ele é Deus
E Deus é tudo isto!!! 

Clara Faria da Rosa,

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Breve história das decorações da árvore de Natal






Parece impossível de acreditar, mas também há modas, para a árvore de Natal.
Segundo breve pesquisa que fiz, em 1816  o hábito de decorar uma árvore para o Natal era ainda recente e o escritor alemão E.T.A. Holffmann, no seu conto  o Quebra Nozes e o Rei dos Ratos descrevia assim  uma árvopre de Natal:
" A enorme árvore de Natal tinha penduradas muitas maçãs douradas e prateadas.Amêndoas de açúcar, bombons coloridos e outros doces deliciosos brotavam como rebentos e flores por todos os ramos "
A princípio apenas se penduravam decorações comestíveis , fruta, doces e nozes balançando-se ao lado de ovos e de bolachas.
A partir do séc. XVII, as pessoas começaram a fazer decorações mais festivas como pinhas douradas, cascas de ovos,vazias,cobertas com finas fitas de latão martelado, a folha de prata era usada para fazer delicadas estrelas, borboletas e flores em botão.
Nos fins do SÉC. XIX apareceram, pela primeira vez, em Lauscha, na Turíngia bolas em tamanhos diferentes, feitas pelos sopradores de vidro, em vidro transparente ou colorido com o interior  revestido com chumbo e o exterior enfeitado com material brilhante.
Depois os artesãos conseguiram soprar grandes bolas de paredes finíssimas com a ajuda de uma chama de gás muito quente e que se podia ajustar. Depois o nitrato de prata substituíu  a camada reflectora de chumbo e nasceram assim as bolas que hoje conhecemos mas que já estão, em muitos casos a serem substituídas por outo tipo de decorações.
Durante muito tempo Lauscha foi a principal produtora de decorações de Natal até que nos anos 20, Gablon, na Boémia e os japoneses principiaram também a dedicar-se a esta indústria até  que os Estados Unidos começaram também, por volta de 1930/40 a dedicar-se à mesma indústria.
 A partir de 1900 passaram a ser consideradas de mau gosto as árvores muito carregadas e coloridas e passou a apreciar-se árvores estilizadas brancas e prateadas.
Na minha infância, em minha casa, a árvore era enfeitada com laranjas, figos passados, laços coloridos,  figuras prateadas feitas das pratas dos poucos chocolates que comíamos e guardávamos ciosamente ao longo do ano e bonecos de papel feitos por nós. E que saudades eu tenho, meu Deus!!!

 Agora, por  questões ambientais, já se fazem árvores que não são árvores e até para se ser diferente, árvores de pernas para o ar!!!


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

A luz que ilumina e conduz

Estamos a entrar no último mês de 2015! Muitos obstáculos encontramos ao longo destes meses  lutamos, trabalhamos e saltamos obstáculos difíceis mas, não desanimamos, apoia-mo-nos na nossa experiência, na nossa família, enfim, naquilo que tínhamos e encontramos o caminho.  
Ontem dia 29, teve início o Advento, palavra que significa vinda ou chegada. Esta época, que abarca as quatro semanas antes do Natal, tem a finalidade de se preparar a chegada de Jesus Cristo assim como as celebrações do Natal.
Deve ser um tempo de meditação, de recolhimento interior isto é de preparação para receber de forma aberta, sã, simples e luminosa  aquele que consideramos o redentor! É por isso que te mostro esta lanterna e te conto a sua história: 
Estava abandonada na casa onde os meus pais viveram e onde eu vivi até tomar o meu rumo, e ajudada pelo meu marido,  restaurei -a; Foi o cabo dos trabalhos porque quando comecei a limpá-la ela desmoronou-se, e quando pregávamos de um lado despregava-se do outro. Não foi uma tarefa fácil, mas no fim ficámos contentes porque sabemos que a Câmara Municipal, para contenção de despesas, está a cortar na iluminação  pública, esta está a rarear e a escassear e então, quem sabe, nas noites escuras, sairemos à rua, de lanterna na mão, como  o filósofo grego Diógenes que andava de lanterna na mão, mesmo durante o dia, à procura da sabedoria..
Era do meu pai,  foi usada em tempos também difíceis em que não havia electricidade,  e os caminhos eram muito irregulares e cheios de obstáculos imprevisíveis, para se sair à noite , nos dias de matanças, para os ranchos, para se fazerem visitas aos familiares e vizinhos, pelo Natal, à mijinha do Menino, para se ir às novenas preparatórias para o Natal, pelo Carnaval e para ir aos ensaios das danças ou para ir muito cedo para os trabalhos da terra e tratar do gado, o combustível usado penso que era óleo de peixe gato ou de baleia contudo, não tenho a certeza.
A luz era fraca, mas a vontade forte, e fazia-se da fraqueza força, penso que este tempo que vivemos é um tempo idêntico , tempo  de pisar as pegadas dos nossos antepassados que não viravam a cara às adversidades mas que sabiam encontrar a luz nem que fosse numa pobre lanterna...
Que cada um de nós saiba encontrar, neste Advento, A luz que nos permitirá estar preparados para receber com humildade mas de coração aberto e luminoso o Menino.

sábado, 28 de novembro de 2015

Uma história quase de Natal

A resposta que eu esperava

Depois de serem  podadas as árvores do nosso prédio, na altura disso; ficaram  montões de podas no meio do cerrado verdinho. Depois de secas, restava queimá-las, foi  num Domingo, tivemos a ajuda do António, que é o rapaz que trabalha as nossas terras, o meu marido muito miúdo e cumpridor foi aos bombeiros dar conhecimento e pedir a devida autorização e toda a manhã se deitou lenha para  duas grandes  fogueiras que ainda na Segunda- Feira de manhã ardiam. À tarde o António veio mudar as vacas e mudou algumas para o  cerrado em que se tinha feito uma fogueira.
 De manhã olho para lá e vejo-as muito felizes, sentadas à volta do monte de cinzas restante, lembrei-me do presépio e da vaca e do burro a olhar para a sagrada família!


Veio-me então à memória uma pergunta que eu fazia a minha mãe: 
- Porque é que eles estão tão perto do Menino? Ao que ela respondia:
 -É para O aquecer, com o seu bafo...
E a resposta ficava a martelar-me na cabeça; Como poderia ser como a minha mãe dizia se o Senhor Padre tinha dito na igreja que Jesus é luz, amor e calor!?

Hoje tive a resposta que me "encheu"... a vaca e o burro do presépio aproximavam-se do Menino para beneficiarem da luz e do calor que ele irradiava! 
Façamos como estes inteligentes animais, tenhamos fé, aproxime-mo-nos do Menino e o nosso coração ficará quente e iluminado de esperança e confiança que nos ajudarão a resolver e a ultrapassar os obstáculos, as dores e tristezas que eventualmente aparecerão no nosso caminho.

Li há tempos e algures que " Realização é a arte de se fazer um buquê com aquelas flores  que estão ao nosso alcance". Foi o que me aconteceu hoje, na falta de outro assunto resolvi falar do que estava ao meu alcance  imediato e, podes crer, sinto-me realizada por isso!

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Um objecto muito especial




Hoje os Estados Unidos da América  vivem um dia da gratidão a Deus, com orações e festas, pelos bons acontecimentos ocorridos ao longo do ano.A tradição ordena que ano após ano, na última quinta -feira de Novembro, feriado nacional, famílias e amigos se juntem e comemorem a abundância, as boas colheitas do ano , o amor, a gratidão.
Ao pensar nisto lembrei-me que em 1976, fui à Califórnia com o meu marido e os meus pais visitar os meus tios e primos, lá imigrados, vivia-se um clima de festa e de comemoração por se estar a celebrar o bicentenário da independência dos estados Unidos da América (1776/1976), por todo o lado se vendiam lembranças alusivas ao facto histórico, fomos a um parque chamado " Califórnia Redwoods"  e o meu pai viu-me a admirar esta chávena, que conta um pouco da história da América e  comprou-a para ma oferecer.
Os pais são assim, adivinham os desejos dos filhos... já lá vão 39 anos mas ainda sinto aquele carinho atencioso que me faz pensar, quando olho para ela, que não existe nada para além do amor verdadeiro e desinteressado, como é o amor dos nossos pais.
Desejo a todos os meus familiares e amigos, que estão a celebrar este feriado tão especial para a América, um feliz dia de acção de graças (THANKSGIVEN DAY)



quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Para ti, Mulher!

25 de Novembro - Dia internacional pela eliminação da violência contra as mulheres:
Lembrado em cada país à sua maneira, em Portugal foram organizadas  jornadas e acções de sensibilização contra este terrível mal social, espelho da falta de preparação, de sensibilidade e da brutalidade que vivem em muitos homens os quais desrespeitam as mulheres com quem vivem e que lhes geram os próprios filhos.
 Este fenómeno que frequentemente  é noticiado e que nos entra pela casa dentro através da televisão ou que mora ao lado da nossa casa ou na nossa própria casa, abrange mulheres de todas as idades, de todos os estratos sociais e económicos. Basta referir que a associação de apoio à vitima (APAV) anuncia que 81% das pessoas atendidas na sua associação são mulheres. A mesma associação anuncia ainda que atendendo à crise económica e às vigentes medidas de austeridade se receia que esta situação das mulheres se agrave em termos de violência e porque as mesmas terão mais dificuldades em reconstruir as suas vidas!
Perante este triste e deprimente quadro pouco ou nada haveria a dizer, contudo, apeteceu-me colorir um pouco a situação deste modo:


Para ti, mulher...
Que sorris, estando triste.
Para ti...
Cuja condição de mulher,
É muitas vezes 
banida.
Para ti...
Que te esqueces que és mulher
Para que os outros vivam
Em plenitude de amor
Olvidando: 
Que vêm de ti
E que sem ti não eram nada.
Para ti...
Que sorris, 
Mesmo estando triste....
Aqui vão estas flores
Porque ultrapassando tuas dores,
O Mundo tentas abraçar,
Os outros ajudar, 
O amor semear,
E o inimigo amar
E o monstro desculpar
E o animal salvar!

Clara Faria da Rosa

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Aquilo em que eu acredito



Gosto de ler, adoro ler! Para mim, os livros são quase objectos de culto e adoração que nos permitem viver uma grande liberdade intelectual e cultural. Sinto uma sensação estranha ao folhear um livro, ao apreciar a textura e desenho da sua capa, ao desfrutar aquele cheiro a tinta e a papel, especialmente quando o livro é novo e, muitas vezes, privo-me de certos bens que são essenciais para certas pessoas, para poder comprar um livro que gostaria de ler, porque gosto que os livros sejam meus, para poder sublinhar e voltar a ler quando me lembro de certas passagens que me marcaram mais, enfim, só os amantes da leitura me compreenderão.
Quando tenho vagar e abro um livro, esqueço tudo, às vezes, "engulo-o" com sofreguidão, tal é a ânsia que tenho de me embrenhar naquele assunto e de me envolver com o autor/a, outras vezes vou-o "mastigando", lentamente, para poder perceber e assimilar e seguidamente digerir a matéria e com certos livros delicio-me a "saboreá-los" como se de um delicioso bombom ou requintado e fino pudim se tratasse... Acredito, que o modo como se lê um livro é muito importante, às vezes mais importante do que o próprio livro em si, pois podemos enriquecê-lo com os nossos conhecimentos, experiências e aprendizagens.
Acontece que,  estou a  reler ou treler, sei lá, o  livro de Helena Sacadura Cabral " Aquilo em que eu acredito" Saborear, degustar, sorver, sublinhar, reler e treler, serão os termos que me vêm à memória para descrever a minha atitude perante este livro, escrito de uma maneira muito simples e acessível, numa  compilação e sequência de crónicas que falam da vida, da família, da sociedade e da política, num olhar acutilante, sério, verdadeiro e profundo de uma senhora que já viveu muito e que o soube fazer!
"Aquilo em que eu acredito", um livro que saboreei, que  me disse muito , com o qual me identifico plenamente e que, poderia ter sido escrito por mim, se tivesse o engenho, a arte, a persistência e a capacidade de trabalho de Helena Sacadura Cabral.

Ser civilizado é diferente de ser culto

Entre 1926 e 1997 viveu, em Los Angeles, nos Estados Unidos da  América, William Rotsler famoso ensaiador, actor, realizador e director de fotografia e penso que também bom cartunista. Embora não tenha a certeza desta última actividade, o que eu sei, de certeza, é que ele escreveu o seguinte:
-"Ser civilizado quer dizer que sabemos o suficiente para não comermos com as mãos, mas ser cultos significa que sabemos porque não devemos fazê-lo!" Embora esta afirmação pareça uma verdade e um dado adquirido tem, quanto a mim, muito que se lhe diga. Na  verdade, procedemos, muitas vezes de forma instintiva sem pensar porque o fazemos e sem questionar se isso é ou não bom para nós, para a nossa saúde física e ou mental, para  o ambiente, para a nossa saúde financeira e para os que nos rodeiam.
Tem esta conversa a ver com as compras de Natal e com as decorações da época, é que vamos comprar sem pensar que teríamos maneira de resolver o problema mais barato, com mais entusiasmo, de forma original e excitante , basta olharmos à nossa volta...
Ora vejamos....
O Outono fez amontoar folhas secas  por todos os lados que te vão dar, já se sabe, um trabalhão a removê-las?
Pega num arame, enfia-as muito juntinhas , junta-lhe um pouco de cor com qualquer apontamento do ano anterior e aí tens um bonito arranjo para o exterior da tua casa!

Civismo, cultura e bom gosto de mãos dadas com a vantagem de não se gastar dinheiro e com um problema resolvido com prazer!
O Sr. Rotsler sabia bem o que dizia!
Bom Advento...