quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Coisas bonitas...




Não é bonita a minha colecção de rolhas antigas?
De cristal ou de vidro, brancas ou coloridas, grandes ou pequenas, muito antigas, antigas ou mais recentes, cada uma tem a sua história e conta-nos algo de um modo de vida que está um pouco posto de parte devido ao novo estilo de vida que as pessoas vão adoptando e também devido ao aparecimento de produtos mais baratos, com novos estilos e para gostos diferentes.
Para mim estas são uma beleza e são fruto de muitos anos de procura.
Tens alguma perdida ou escondida no canto da garrafeira ou do armário ? Fala comigo!
























Conversa com a Senhora dos Milagres:







 Lá fui eu no Sábado passado em Romaria à Serreta , visitar a Senhora dos Milagres. Saí pela 16 horas e ao longo de quatro horas e meia dei o melhor de mim, palmilhei caminhos e estradas e atravessei a Boa-Hora, Terra-Chã, o Cantinho, São Mateus,  São Bartolomeu, Cinco Ribeiras, Santa Bárbara, Doze Ribeiras e parte da Serreta tendo sempre em mente que aquele sacrifício só era importante porque era feito com muito amor, muita devoção e muita fé. Cheguei cansada e ao ajoelhar-me  lá vi a Senhora no meio de flores e velas  e dei por mim a falar com ela:
-Adorada Senhora, vim porque quando amamos alguém tudo é evidente e sabemos onde devemos ir, o que devemos fazer e dizer... Creio em ti, respeito-te e sei, que estás aí recolhida a ouvir-me, assim como a toda esta multidão, que ao longo destes dias tem comparecido perante ti !
E porque creio em ti,quero-te dizer que estou triste contigo, porque tens permitido que os homens sofram tanto, que tenham que fugir dos seus países e casas à procura de vidas melhores; E as crianças, como podes permitir que sofram tanto por causa da maldade, incompetência e ganância de alguns homens maus e mal-preparados? 
-Estou aqui cansada, mas com muita fé, a discutir contigo porque não compreendo como podes permitir que os idosos sofram com falta de acessos a cuidados e  a serviços de saúde em conformidade com o que fizeram ao longo das suas vidas e com o que seu estatuto de idosos merece,  e também te quero dizer que os jovens que se esforçaram durante vários anos para  terem preparação tecnológica e científica que lhes permitisse uma vida digna dando em toca o seu trabalho e saber em prol do desenvolvimento do seu país, precisam que olhes para eles e que os ajudes e encaminhes..
Minha Senhora, isto não é um puxão de orelhas, é um alerta, é um pedido, é uma oração informal e não papagueada, para que quando desceres desse altar, e caminhares pelas ruas da tua freguesia no teu andor dourado e florido, espalhes o teu sereno e doce olhar à tua volta e tentes mudar um pouco o mundo, o sofrimento e a maldade que o invade.
Sei que não podes fazer regredir o relógio, mas podes tornar a dar-lhe corda, é isso que peço que faças, que dês corda  à beleza, ao amor, à bondade, à tolerância, à paciência e à competência dos governantes, para que a felicidade venha inundar as nossas casas, ruas aldeias e vilas e as pessoas te possam louvar com os corações repletos de amor e agradecimento ...
E, minha Senhora, prometo, para o próximo ano cá estarei, se tiver vida e saúde, espero que com uma oração de agradecimento!  


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

"DIÁLOGO COM A MORTE"

Aqui está Marie de Hennezel, nascida em 1946, formada em psicologia clínica e psicanálise que trabalhou no hospital psiquiátrico de Villejuif na década de 70, tratando de graves casos psicóticos.

Em 1986 o presidente francês Mitterrand propôs-lhe integrar e dirigir uma unidade piloto de cuidados paliativos, em Paris, a 1ª do género da Europa.
Pois é esta senhora, a autora do livro "Diálogo Com a Morte ", livro que é fruto da respectiva experiência,  junto de pessoas próximas da morte, que terminaram as suas vidas, no já referido hospital, que estou a treler ou a quatreler, não sei se o termo existe, e que sempre me fascina pelo relato profundo, sentido e real que faz da sua experiência clínica, assim como pelas suas observações tão caridosas, carinhosas e humanas que transmitem ensinamentos, e uma nova visão da maneira como os doentes terminais vivem a situação, e também do modo como quem os rodeia deve encarar aquele momento, não como um tempo absurdo ou desprovido de sentido, mas como um período de realização da pessoa que muitas vezes encara a morte, segundo Hennezel, com um espírito de curiosidade e de alívio, e da transformação do que a rodeia.
O próprio prefácio de F. Mitterrand, é um apelo à meditação e à descoberta do que se passa " no momento de maior solidão, em que o corpo debruçado à beira do infinito, estabelece um outro tempo, fora das medidas habituais", sendo então a altura em que os doentes "Graças à ajuda de uma presença, permitem que o desespero e a dor se exprimam, entendem a sua própria vida, apropriam-se dela, manifestam a sua verdade e descobrem a liberdade de aderirem a si próprios".
Um livro interessantíssimo, que nos ajuda a pensar, a crescer e a perceber o que se passa no momento em que a pessoa se torna naquilo para que foi chamada a ser, no pleno sentido da palavra, o momento da realização!
Além deste livro Hennezel também escreveu " Morrer de Olhos Fechados", " A Arte de Morrer" e " Nós não nos Despedimos".
Este não pretende ser um trabalho triste, não, nem os livros desta escritora o são, o que pretendo é lembrar-me e lembrar-vos que devemos aproveitar  ao máximo desta experiência maravilhosa que é a vida para sabermos partir em paz, quando chegar a nossa altura,

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Um presente de maracujás e o sótão da minha infância:


Que sentirias tu se recebesses inesperadamente em tua casa uma lindo presente de maracujás  como este que  recebi?
Ficarias feliz, naturalmente!
Pois foi o que me aconteceu, sente-se um calorzinho no coração quando se constata que alguém pensou em nós, não é?
A minha comadre e velha amiga Guida Gomes tendo vindo, da vizinha ilha de São Miguel, visitar-me, pensou em mim e na minha família e falou com o seu filho que seleccionou os melhores frutos  para nos mandar um presente de uma forma tão agradável que nos agradou e sensibilizou sobremaneira.
Quando comecei a escrever era só para te falar deste presente  mas, esta palavra presente "Guindou-me" a um episódio que me aconteceu no mês de Setembro há 60 anos passados:
Preparava-me para entrar na escola primária, como então se chamava, no dia 1 de Outubro, e assim iniciar o meu percurso académico, à altura não havia infantários, nem prés, nem nada dessas vantagens actuais, a que as pessoas de tão corriqueiras, já nem lhes dão o devido valor.
A minha mãe já me havia preparado a minha mala de cartão, não a da cantora, com o livro, um caderno de folhas de duas linhas, uma pedra com a sua esponja, como apagador, e o respectivo lápis e já me tinha feito a bata branquinha, pois à altura era assim, a bata nivelava e tapava as misérias ou necessidades, comprara-me também uma caixinha redondinha em alumínio, para eu levar um lanchinho para os intervalos, pois viria almoçar a casa. 
Muito previdente, a minha mãe, lembrando-se que " a luz que vai à frente é que ilumina", resolveu matricular-me o mês de Setembro na chamada "escola paga" , como então se dizia, para eu já ir um pouco preparada para a escola e não ter problemas de adaptação.
Lá vai a Clarinha, toda contente, com o seu avental com muitos folhos, um grande laço na cabeça, e a sua mala recheada de tesouros, para a escola da Professora Rita,que era uma regente em quem a minha mãe, e outras pessoas confiavam muito no aspecto pedagógico, chegando lá, encontra muitos alunos sentados em pequenos banquinhos à volta de uma sala e a professora, muito profissional, a chamar os nomes que tinha registado na sua lista:
- João,-presente, responde a criança! 
-Maria, -Presente,
- Ilda,-presente, 
-presente, 
-presente,
- presente, vão respondendo as crianças à chamada!
Eis se não quando, grande berreiro na sala, todos espantados sem saber o que se passava, era a Clarinha que chorava aflita por não ter levado um presente para a professora, pois só conhecia a palavra no sentido de oferecer algo a alguém quando a mãe lhe dizia:
-Vai levar este presente à vizinha, ou à tia, quando havia carne fruta, batatas,legumes ou algo mais para partilhar.
Vejam só como uns maracujás, vindos de São Miguel, tiveram o condão de me fazer voltar ao sótão da minha infância!
Obrigada amiga e comadre, pela tua visita, pelos lindos e saborosos maracujás e por me teres feito não sei porquê, talvez por estarmos no mês do regresso à escola,voltar ao sótão da minha infância!
Já agora mostro-te a caixinha de alumínio que eu levava para a escola, já tem sessenta anos, para mim é uma relíquia, com uns mimos que a minha mãe preparava, biscoitinhos e roscas feitos com a manteiga que se tirava do leite, depois de fervido, figos passados, pão com doce de uva, um ovinho cozido, fruta descascada e partida eu sei lá... os sabores, cheiros e recordações que, neste momento, me estão povoando a memória! 





segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Três lindas senhoras:


Estas três lindas senhoras 
Numa esplanada desta cidade
Deram gargalhadas sonoras
De pura felicidade.
Estas três lindas senhoras
Irmanadas pela idade
Passaram algumas horas
A falar de amizade.
Estas três lindas senhoras 
Sentiam muita saudade
De quando eram raparigas
Dos tempos de mocidade. 
E por isso se juntaram, 
E por isso muito riram,
E por isso tanto falaram,
E felizes se sentiram!

Clara Faria da Rosa,
Verão de 2015

domingo, 6 de setembro de 2015

Eu até rezava, à noite, as minhas orações!!!

Era dia de procissão em Santa Luzia da Praia da Vitória, depois do jantar, a minha avó vestia a sua casaca de brocado preto e a sua saia castanha, ajeitava o seu pelo com ganchos de osso e alisava bem o cabelo que prendia com bonitas travessas, punha a sua sombrinha no braço, pegava no missal e no seu terço e lá me levava a reboque para a missa - de - festa e sermão.

Era um martírio para mim, porque a avó era do tempo em que não havia carros e, por isso, tinha tendência para andar no meio da estrada e eu tinha que estar continuamente a puxá-la para a berma da estrada pois os carros dos americanos da base da Lajes, ali ao pé, quase no quintal, ferviam!
Na igreja era só gente de idade e adultos, as roupas cheiravam a naftalina e eu , aos pés da minha avó, sentada no pequeno banquinho de ajoelhar, olhava para o púlpito, para os torneados de madeira com uns anjinhos todos pretos, até as asas, e para o pregador, atónita sem perceber nada, mas pareceu-me, a certa altura, perceber que ele ameaçava os presentes! Mas porquê se eu até fazia tudo o que me mandavam e rezava à noite as minhas orações?

- Avó, ele está zangado comigo?
-Cala-te rapariga, isto não são assuntos para ti!!!
Vão-se lá entender os adultos...

Figos Pretos e Pudim Boca-Doce

Hoje  andei nostálgica.

Foi dia de festa, dia de procissão, em Santa Luzia da Praia da Vitória, terra natal da minha família materna, e não me canso de lembrar que sendo filha única gostava muito de ir para casa da minha avó para brincar com os meus primos que viviam uns em casa dela, outros nos arredores e de lembrar também o que se vivia neste dia.
Nas vésperas eu ia com a minha avó ao pomar, untar os figos da enorme e centenária figueira e lá ficavam eles a apanhar sol, esperando o dia de serem apreciados.
A minha tia Juvolina que vivia com a sua família em casa da minha avó, comprava na loja do Ratinho pudins boca-doce de variadas cores e sabores e, porque à altura não havia formas de alumínio, usava uma lata grande de conserva de frutas, frutas encanadas, como então se dizia, trazidas pelos americanos e lá punha os pudins às camadas, metendo a lata num cesto de vimes que pendurava pela asa com uma corda na cisterna, para se manter fresquinho, era o frigorífico daquele tempo!
No dia da procissão, o meio da casa tinha as cómodas enfeitadas com jarras antigas cheias de flores rústicas, que a minha tia apanhava à volta de casa, e uma grande mesa coberta com uma alva toalha de linho, de dois panos, como a minha mãe dizia, porque tinha uma costura ao meio, devido ao tear não fazer panos tão largos que cobrissem a mesa.
Vinha a família dos arredores, juncal, Canada dos Pastos, Fontinhas e sentáva-mo-nos todos a saborear a sopa de carne e o cozido feitos pela minha avó que era especialista, era mestra de funções. Depois era altura de se porem na mesa grandes pratadas de figos reluzentes que desapareciam como que por magia.
Mas o que eu esperava com impaciência, era pelo pudim boca-doce! Ainda me lembro da sensação de estar a olhar para ele enquanto a minha tia o punha ma mesa, firme, brilhante, colorido, apetitoso... e do êxtase que sentia enquanto a minha tia o repartia por pequenos pratos antigos da minha avó.
Esta história pode parecer ridícula, mas não nos podemos esquecer que naquela época, não se usavam as natas, as gelatinas, o leite condensado e quejandos e que não se faziam muitas sobremesas, só em dias muito especiais!
Infelizmente já nada disto existe, mas o meu coração permanece lá.
Sinto-me contente, por poder partilhar contigo esta história, esta vivência , este fragmento do meu passado, assim como a fotografia da minha avó com alguns dos seus netos, lembrando com muita saudade um que já partiu o José António, o menino lindo que na foto está à esquerda, de gravatinha escura.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Chapéus há muitos...


A propósito do meu trabalho anterior, em que falo do chapéu de Ana Zamperini, lembrei-me de uma frase, imortalizada pelo actor Vasco Santana no filme "A Canção de Lisboa", uma película a preto e branco com a duração de 1h e 58m. Este filme foi filmado em 1933 tendo sido a 1ª produção sonora integralmente realizada com meios técnicos portugueses.
Numa cena filmada no jardim Zoológico de Lisboa, Vasco Santana proferiu a célebre frase: "Chapéus há muitos, seu palerma!".
Pois é verdade, chapéus há muitos, de vários modelos, de diferentes materiais e para várias finalidades, para proteger do frio ou do calor, para decoração ou para embelezar  e complementar uma toalete, podem ser usados de várias maneiras com mais ou menos galantaria, enterrados na cabeça, para a frente, para trás ou sobre a orelha direita à semelhança do que fazia Ana Zamperini, contudo o que se vem verificando é que desgraçadamente cabeças há poucas, como diz o ditado, especialmente em pessoas que ocupam cargos de responsabilidade que mexem com o futuro de muita gente, e a minha já foi melhor do que agora, para mal dos meus pecados...





quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Meu lar, meu cantinho:


Cantinho da minha casa,
Silêncio doce e profundo
Bendita a porta da rua,
Que me separa do mundo!

Numa feira de antiguidades,  ao apreciar uma bancada de feirante, os meus olhos bateram num pequeno prato de louça de Alcobaça que mostrava a quadra que acima transcrevo e que me ficou a martelar na cabeça, de tal modo que tive que voltar atrás e discutir o preço com o feirante, para o comprar. É que a quadra teve o condão de me pôr a pensar e de avivar as saudades que eu, estando ausente, já tinha de casa...
Na verdade não há nada como o aconchego da nossa casa, do nosso cantinho, onde estão aqueles de quem gostamos , as nossas coisas e as nossas recordações e onde após fecharmos a porta da rua nos sentimos em segurança, longe do bulício e dos perigos do exterior, especialmente num dia como o de hoje, com chuva torrencial em que não se pode pôr o pé na rua...
Num dia destes é que percebemos a sério o valor da palavra "lar" a palavra que exprime o lugar onde amarramos uma das extremidades do fio da nossa vida, pois mesmo que o abandonemos, estaremos sempre a ele ligados, pelo coração, pelas recordações e especialmente pelas saudades.





Figos Cristalizados


Figos cristalizados (preparando o Natal...)

Agora que é tempo de figos e em que eles estão inchados e não amadurecem devido à chuva quero falar-te de 
 um hábito que trago do tempo da minha mãe em que se aproveitava tudo e não íamos aos supermercados comprar  frutas em conserva  pois o dinheiro não abundava e a minha mãe gostava de fazer estas coisas e de aproveitar, talvez porque também tivesse visto a sua mãe proceder assim.  Enfim, outros tempos, outras gentes, outros costumes....
Quando os figos estão inchados e já não amadurecem mais eu apanho alguns, os que me parecem melhores, como os da foto e escaldo-os com água a ferver, duas vezes.
Depois coloco-os numa panela, melhor se for de ferro, e ponho um pouco de água, sem cobrir os figos. Adiciono açúcar, + ou - 650g. por Kg. de figos. Ferve  3 ou 4 dias isto é por 3 ou 4 vezes, até fazer ponto e os figos ficarem brilhantes.
Coloco-os em recipientes e guardo-os no congelador para serem saboreados pelo Natal.
Gosto de os pôr, na mesa da consoada em pequenos pratinhos.
Os que não ficarem inteiros, como estes aqui em baixo, guardo-os com a calda restante e uso-os no bolo de Natal ou no bolo de figos. Fica uma delícia!

Amiga, ainda vais a tempo de aproveitar esta dica e de fazeres esta experiência para depois me dizeres se ficou bom.


Como se sabe, no tempo da minha mãe, ao princípio, quando eu era criança, não havia congeladores em casa, mas ela punha os figos em tabuleiros e secava-os ao sol e eles lá se conservavam.
É caso para se dizer que a necessidade aguça o engenho...



O tempo passa, chega rapidamente o Natal e lá  uso os ditos figos porque, como já te contei, tenho alguns hábitos culinários que repito nesta época, ponho sempre na mesa estes figos que muito nos agradam e que estou certa também agradarão à tua família e amigos.Vê como ficaram.
Pensas que vale a pena experimentar? 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Apontar o dedo...

Sabemos que quando apontamos o dedo para alguém temos  sempre três dedos apontados para nós, verdade que nunca deve ser esquecida porque em vez de criticarmos temos sempre oportunidade para aproveitar a ocasião e ajudar, desculpar, tentar perceber com tolerância, ensinar, fazer, ultrapassar etc. Contudo,esta coisa dos ordenados a baixarem,os impostos a subirem, o custo de vida cada vez pior, da falta de empregos, dos jovens licenciados com empregos precários sem vislumbrarem uma saída, dos medicamentos prementes a serem menos comparticipados, dos jovens casais a quererem comprar casa sem saberem como, atendendo à conjuntura económica em que se vive, das pensões dos idosos a serem penalizadas, dá-me uma comichão no dedo indicador e uma vontade de apontá-lo...
Mas a quem???
A quem se responsabilizou a proporcionar condições para que todos nós vivêssemos melhor, a quem está a ganhar muito dinheiro para pensar nos nossos problemas, a quem andou nas faculdades a estudar para se preparar para isso mesmo e agora está bem assessorado por pessoas que deveriam estar bem  preparadas e naturalmente são bem pagas para saberem o que fazer, a quem bem alimentado e bem vestido tem mais capacidade do que um pobre desgraçado mal alimentado e mal agasalhado, enfim ...já me dói o dedo  de tanto apontar!!! Sempre sem esquecer que os outros três estão continuamente apontados para mim que também tenho algo a fazer, todos temos algo a fazer mais que não seja do que cumprir bem os nossos deveres como donas de casa poupadas, conscientes  e regradas, funcionários pontuais assertivos, delicados, zelosos do património público e trabalhadores , pais que tentem incutir nos filhos princípios de cidadania para que não se vejam papeis e garrafas pelo chão, contentores de lixo novos estragados em poucos dias, montões de lixo ao lado dos contentores só por preguiça de se abrir a tampa ... isto são só alguns exemplos.
Enfim...de quem é a culpa de tudo isto? Em que direcção devemos apontar???
Minha mãe dizia que é feio apontar,contudo, sabendo que os impostos nos acompanham  até ao fim da vida, tenho medo que a situação ainda possa piorar...

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Figos pretos e pudim boca-doce

Hoje  andei nostálgica.

Foi dia de festa, dia de procissão, em Santa Luzia da Praia da Vitória, terra natal da minha família materna, e não me canso de lembrar que sendo filha única gostava muito de ir para casa da minha avó para brincar com os meus primos que viviam uns em casa dela, outros nos arredores e de lembrar também o que se vivia neste dia.
Nas vésperas eu ia com a minha avó ao pomar, untar os figos da enorme e centenária figueira e lá ficavam eles a apanhar sol, esperando o dia de serem apreciados.
A minha tia Juvolina que vivia com a sua família em casa da minha avó, comprava na loja do Ratinho pudins boca-doce de variadas cores e sabores e, porque à altura não havia formas de alumínio, usava uma lata grande de conserva de frutas, frutas encanadas, como então se dizia, trazidas pelos americanos e lá punha os pudins às camadas, metendo a lata num cesto de vimes que pendurava pela asa com uma corda na cisterna, para se manter fresquinho, era o frigorífico daquele tempo!
No dia da procissão, o meio da casa tinha as cómodas enfeitadas com jarras antigas cheias de flores rústicas, que a minha tia apanhava à volta de casa, e uma grande mesa coberta com uma alva toalha de linho, de dois panos, como a minha mãe dizia, porque tinha uma costura ao meio, devido ao tear não fazer panos tão largos que cobrissem a mesa.
Vinha a família dos arredores, juncal, Canada dos Pastos, Fontinhas e sentáva-mo-nos todos a saborear a sopa de carne e o cozido feitos pela minha avó que era especialista, era mestra de funções. Depois era altura de se porem na mesa grandes pratadas de figos reluzentes que desapareciam como que por magia.
Mas o que eu esperava com impaciência, era pelo pudim boca-doce! Ainda me lembro da sensação de estar a olhar para ele enquanto a minha tia o punha ma mesa, firme, brilhante, colorido, apetitoso... e do êxtase que sentia enquanto a minha tia o repartia por pequenos pratos antigos da minha avó.
Esta história pode parecer ridícula, mas não nos podemos esquecer que naquela época, não se usavam as natas, as gelatinas, o leite condensado e quejandos e que não se faziam muitas sobremesas, só em dias muito especiais!
Infelizmente já nada disto existe, mas o meu coração permanece lá.
Sinto-me contente, por poder partilhar contigo esta história, esta vivência , este fragmento do meu passado, assim como a fotografia da minha avó com alguns dos seus netos, lembrando com muita saudade um que já partiu o José António, o menino lindo que na foto está à esquerda, de gravatinha escura.

domingo, 30 de agosto de 2015


BRISA DO MAR...

- Se eu fosse a brisa do mar,
Murmurava bem baixinho,
À Lua, ao Sol e à Terra,
À paz, à calma e à guerra,
Aos montes, vales e cidades...
- Eu sou a brisa do mar,
E vejo o Mundo a Girar,
E os homens a sofrer,
As mulheres a gerar,
E as crianças a crescer...
- Eu sou a brisa do mar,
 E quero pedir ao Mundo,
Que olhe bem à sua volta
E acabe com a revolta
E semeie o perdão,
O amor e a gratidão,
E ouça o meu murmurar
Que a todos quer recordar
Os valores do passado,
E que o Mundo está mudado
Com falta de uma linda flor
Que lhe traga nova cor!

Clara Faria da Rosa

Quando a linha da vida se parte:

É, desde sempre, que me lembro desta caixa, no canto do estrado, na minha casa das Lajes; Era o trabalho leve da minha mãe! 
Aos Domingos íamos à missa, almoçávamos, a minha mãe levantava a mesa e lavava a louça e, como não se trabalhava ao Domingo, ela sentava-se a fazer um trabalhinho leve, o seu crochet... a minha mãe sempre foi uma mulher determinada que se deu à vida e ao trabalho, não era ociosa nem sequer tinha passatempos, estou em crer que ela nem conhecia esta palavra: Passatempo...
 E sempre foi assim, até ao fim, de tal modo que quando faleceu, andava a fazer uma renda para um lençol.
Partimos, mas as coisas ficam, e lá ficou a caixa, abandonada no canto do estrado, como se também tivesse perdido a vida .
Ao abri-la, deparei-me com o trabalho inacabado e pensei como é a vida  repleta de imprevistos e como nós nunca consideramos que a meta foi atingida, é muito difícil considerar que a nossa actividade terminou, só se por infortúnio do destino isso acontecer inesperadamente, como foi o caso.
Num rasgo de saudade e de impotência, perante a dura realidade, emoldurei, como recordação, o trabalho inacabado assim como a farpa com que a minha mãe fazia o seu crochet.
Já lá vão muitos anos, contudo ao olhar para estes objectos lembram-me sempre como é efémera a linha que nos agarra à vida,  a qual pode ser quebrada a qualquer momento. É por isso que te conto esta história de uma mulher que "crochetou" a vida com muita garra e determinação até que a linha se quebrou!








sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Hoje fiz doce de figo:

A minha figueira







Embora já velha, esta árvore, quando chega a Primavera dá sempre sinal de si e em Agosto/ Setembro oferece-nos os seus frutos que embora pequenos, pois penso que a árvore não é tratada convenientemente, lá vão dando para se comer e fazer doces, compotas e bolos,  também lá mais para a frente farei figos cristalizados como é habitual, para guardar para o Natal.
Enfim é uma árvore comum aqui nos Açores, que segundo pequena pesquisa que fiz, tem o nome científico de Ficus carica , da família moraceae e de origem asiática. É uma árvore que se adapta a qualquer tipo de solo embora se desenvolva melhor em terrenos profundos e permeáveis e em climas temperados.
O fruto da figueira a que chamamos figo, na verdade, não passa de um receptáculo de casca macia e fina onde se encontram os verdadeiros frutinhos, as sementinhas e os restos das flores da figueira, sendo todo o conjunto completamente comestível.
O conjunto referido é rico em açúcar, muito energético, possuindo potássio, cálcio, fósforo e outros sais minerais, contribui para a formação óssea e dos dentes e evita a fadiga mental, ajudando ainda à transmissão normal dos impulsos nervosos.
Tudo isto, para te falar do doce de figo que fiz hoje, e que ficou muito bom. Agora é só acompanhar com umas torradinhas e lentamente saborear esta delícia feita com o fruto da  ficus carica, também com um nome deste só podia ser bom! 

No dia dos meus anos:

Dos meus anos era dia,
E este colar recebi
Azul e pérola e alegria
Ai que bem eu me senti...
Por ser dia especial
Alguém de mim se lembrou
E em carinho sem igual
Este presente embrulhou...
O meu coração aqueceu
Fiquei feliz e contente,
Meu filho não esqueceu
O que a mãe aprecia e sente!

Clara Faria da Rosa
Agosto de 2015