quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Jantar de Natal

Mais um ano se passou, mais uma vez acompanhei o meu marido ao tradicional convívio de Natal da E.D.A., que este ano se realizou no Terceira Mar Hotel.
Adorei encontrar e reencontrar velhos amigos e conhecidos, o jantar foi  maravilhoso, a sala estava muito bem decorada assim como as mesas, houve distribuição de presentes, bingo, karaoke e no fim todos saíram de lá contentes e felizes.
Quero realçar e sublinhar a ideia de quem decorou a linda árvore de Natal que embeleza o átrio do hotel toda decorada com motivos feitos a partir de material reciclado como podem ver no pequeno vídeo que aqui anexo, uma beleza!
E por fim, quero desejar a todo estes amigos com quem passamos tão agradável serão, que este Natal e no Ano Novo possam tocar as estrelas sem terem necessidade de se porem em bicos de pés, se assim for tenho a certeza de que se sentirão alegres, felizes e realizados















































segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A linguagem dos pês

Ao ouvir falar, a  cantora e compositora portuguesa Luísa Sobral, sobre o seu novo single, que conta  episódios da respectiva infância e cujo titulo Lu-Pu-Í-Pi-Sa-Pa  remonta a uma linguagem usada na sua infância, deu-me uma saudade dos meus tempos passados e dei por mim a pensar que a vida não é só datada pelos anos mas também por vivências e acontecimentos que nos marcam mais do que o próprio calendário!
E que vivências tenho eu das brincadeiras e conversas com as minhas primas e amigas usando uma linguagem original para que os adultos não soubessem o que estávamos a dizer ou a tramar...
-Era a Língua dos pês:
Uma cifra fonética geralmente usada por crianças e jovens que consiste em em acrescentar a consoante p à  silaba precedente seguida da vogal anterior.
Para ver se ainda me recordo, e se tens lembrança dessa brincadeira  e actividade, tão interessante e simultâneamente pedagógica, pois desenvolvia a oralidade, a escrita e o raciocínio, resolvi enviar-te uma mensagem de Natal nesta linguagem:

--Bompom Napatalpal apa topodospos epe umpum Bompom apanopo Nopovopo compom muipuitapa sapaúpudepe epe muipuitapa apalepegripiapa. Compom muipuitapa apamipizapadepe tepe enpenvipiopo espestapa menpensapagempem epe compom depesepejopo depe quepe tepe enpenconpontrespes bempem àpa espesrapa dopo Napatalpal.Umpum beipeijipinhopo dapa apamipigapa Claparapa Faparipiapa dapa Roposapa!

Popodespes respesponponderper napa línpingupuapa dospos pêspes?
  

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Workshops e companhia

Na minha recente permanência em Lisboa tive conhecimento de que na junta de freguesia de Mina na Amadora, se iria realizar um workshop cujo tema era dobragens, isto é  origami, que é uma arte japonesa de dobrar papel, a partir de um quadrado, em dobras geométricas, criando determinadas representações.
Como entendo que o que distingue as pessoas é a originalidade e a abertura a novas fronteiras, novos horizontes, novas aprendizagens, fiquei logo em "pulgas" para frequentar o dito workshop.
Na verdade, fui também muito influenciada pelo termo workshop, que está muito em voga, como se o nosso velhinho  português não tivesse uma palavra que se adapte ao acto de algumas pessoas se juntarem para falarem, debaterem , aprofundarem, um determinado conhecimento, acabando com casos práticos e com participação bastante activa do público participante. 
Porque não- pensava eu- Formação, reunião, curso, encontro, palestra, mesa redonda, simpósio, congresso, experiência, sei lá, o português é tão rico e maleável!?...

Que não- dizia-me alguém- que no workshop há uma participação muito activa do público!

E como estava curiosa com o tema, e como sou entusiasta de experiências novas, atípicas e que surgem quando menos se espera lá me matriculei.

Foi engraçado, conheci pessoas, e aprendi a fazer uma grinalda de Natal. Vim para casa e pus mãos à obra, praticando o meu novo saber, assim tenho mimos de Natal para muita gente. Ora aprecia!



























Sabedoria antiga

A minha mãe costumava dizer que nunca devemos falar bem de nós porque isso é vaidade e não fica bem, que devemos deixar isso para os outros, mas também dizia que devemos fazer e mostrar que fazemos,é antagónico não é?
Pois eu desta vez vou esquecer o primeiro  conselho de minha mãe e seguir o segundo,  vou falar do aproveitamento que fiz  de umas camisolas  velhas que estavam um pouco abandonadas mas que tinham umas cores apelativas das quais resolvi fazer grandes pompões para um arranjo de Natal. Que o meu filho não me oiça, ou por outra, não me leia, pois as ditas camisolas eram dele que é muito cioso das suas coisas, mesmo as que já deram o que tinham a dar, e que a minha mãe me perdoe porque vou  ser insensata e  vaidosa e mostrar o dito arranjo que a meu ver ficou bem bonito para um trabalho de reciclagem 
Sei que os superlativos, vão na maioria das vezes, contra a verdade, e os antigos diziam  que as pessoas prudentes são comedidas, por isso sem exageros aqui ficam as fotos do trabalhinho de que te falo, para que possas avaliar por ti  e como também os antigos diziam que devemos sair enquanto estamos na mó de cima, aqui me vou, com votos de um Bom e Santo Natal .









quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Filosofando com o Pai-Natal

Pelos caminhos da acaso encontrei o Pai- Natal , anafado, luzidio, bem-posto e, embora apressado, com ar de que está de bem com a vida; daí o meu espanto!
-Como podes tu estar com esse ar calmo e  feliz, quando à nossa volta o que mais se vê são sinais de infelicidade, de tristeza, de faltas, de fome, de ódios e rancores? Pergunto eu indignada - tu que muito vês por esse Mundo fora, no teu périplo anual, que sabes bem que devias carregar nesse teu grande saco era um antídoto contra a infelicidade, a solidão, o desajustamento social, o desemprego, o ódio. a ganância, a inveja e a petulância e desvergonha de alguns governantes e de quem tem responsabilidades a nível alargado para com a sociedade e os cidadãos!
Foi aí que o homem de barbas me olhou calmo mas  displicente e se me dirigiu nestes ternos:
-Embora haja no Mundo muito desespero tenho a certeza de que não está condenado e de que muita coisa vai passar e mudar, com o tempo o equilíbrio e o bom senso vão prevalecer e  imperar!
-Não posso compreender nem acreditar no  que me acabas de dizer -digo-lhe eu, estupefacta, com aquela resposta inesperada.
-Há muita coisa sobre os outros e sobre o que nos rodeia que nunca chegaremos a compreender, é suficiente aceitarmos que todos somos às vezes irracionais, petulantes, infantis e injustos- responde o velhinho com quem começo a simpatizar, assim  como com a sua postura filosófica.
-Mas porquê- pergunto eu -porque é que os homens são assim?
-O saber  porquê, não é tão  importante, com o dever que  todos temos  de tentar impedir que os outros sofram por nossa causa!
-São  palavras sábias, Pai-Natal, de si não esperava outra coisa, atendendo à sua idade e experiência...
-Todos confundem a minha idade com sabedoria e maturidade por isso aproveito esta oportunidade para aconselhar que se amem muito, que ponham os conflitos de parte, que não se intrometam no que não lhes diz respeito e que compreendam que ninguém é sempre feliz, nem feliz para sempre. 
-E a mim, Pai-Natal, tem algum conselho em particular que me queira dar ?
-Sim, Clara, deves ter sempre em mente que a imperfeição é própria do ser humano e saber aceitar os desapontamentos e as frustrações com que te deparas no dia-a-dia!
-Mas eu sei isso, mas eu faço isso -balbucio eu muito envergonhada, por aquele homem conhecer tão bem os meus defeitos os quais por vezes até a mim escapam...
-Pensas que sabes, pensas que fazes, tens muito que  melhorar...
Após esta conversa pus-me a pensar e concluí que pelos vistos os anos que me restam de vida não vão chegar para o tanto  que tenho que melhorar, vou ser sempre aquela Clara trapalhona, impetuosa e faltosa!    

domingo, 26 de outubro de 2014

Mudanças

Mudanças...
Muda a Hora, muda o tempo ,
Muda o frio e o calor ,
Muda a idade e o vento,
Muda o carinho e o amor,
Muda o trabalho e a vontade
Muda a mãe natureza
Muda a coragem e a bondade
Muda a força e a beleza...
Só não muda a consciência
E uma grande evidência
De que há homens que não mudam
E os pobres e fracos humilham
São corruptos e indignos
Gananciosos e injustos...
Mas o tempo vai mudando,
Como a hora, os dias, meses e anos
E cada um vai caminhando
Para uma grande mudança
Para um crepúsculo que avança
Para a decadência, para o declínio
Para o ocaso da vida!
Clara Faria da Rosa
26/10/2014

domingo, 21 de setembro de 2014

Meninas- Pra - Escola
Pois é, ao ouvir falar do reinício do ano lectivo, que teve lugar hoje, lembrei-me das minhas bellas-donnas ou donnas- bellas de nome científico " Amaryllis belladonna" que este ano ainda não floriram talvez devido ao tempo instável que se tem verificado .
O nome popular de Meninas- pra -escola deve-se ao facto desta planta perene e bolbosa, parecida com o lírio e de tons rosáceos e branco, florescer, por cá nas bermas das estradas e em jardins, quintas e quintais, salpicando tudo de cor e alegria no mês em que começam as aulas , como que num aviso de que a escola está prestes a reiniciar e as férias a acabar!
Aqui estão Meninas -Pra- Escola com votos de feliz e profícuo ano lectivo para alunos e professores numa escola em que prevaleça um ensino de qualidade com oportunidades para todos quaisquer que sejam as condições sociais, económicas, culturais de raças ou credos e em que os professores se sintam apoiados, respeitados e valorizados !

Foto: Meninas- Pra - Escola
Pois é, ao ouvir falar do reinício do ano lectivo, que teve  lugar hoje, lembrei-me  das minhas bellas-donnas ou donnas- bellas de nome científico " Amaryllis belladonna" que este ano ainda não floriram talvez devido ao tempo instável que se tem verificado .
O nome popular de Meninas- pra -escola deve-se ao facto desta planta  perene e bolbosa, parecida com o lírio e de tons rosáceos e branco, florescer, por cá nas bermas das estradas e em jardins, quintas e quintais, salpicando tudo de cor e alegria no mês em que começam as aulas , como que num aviso de que a escola está prestes a reiniciar  e as férias a acabar!
Aqui estão Meninas -Pra- Escola com votos de feliz  e profícuo ano lectivo para alunos e professores numa escola em que prevaleça um ensino de qualidade com oportunidades para todos quaisquer que sejam as  condições sociais, económicas,  culturais de raças ou credos e em que os professores se sintam apoiados, respeitados e valorizados !

Olfactos e companhia:


Adoro ler, para mim ler ajuda-me a aprofundar, a pensar,  a compreender  a vida,  os sentimentos e os actos. Sem as leituras que tenho feito, não seria a pessoa que sou, porque a leitura ensinou-me a fazer a vida valer a pena e a entender o porquê da mesma.

Quando tenho um momento disponível e me sento com um livro aberto sinto-me num oásis e atinjo o céu quando posso aceder ao luxo de comprar um livro só para mim. Sim sou egoísta, podes pensar isso de mim, porque é verdade, adoro ter um livro onde  possa sublinhar, riscar, anotar, dobrar folhas, reler e treler certas passagens e claro que não vou fazer isso, num livro que não é meu!
Hoje, após o almoço, comecei a ler  um livro novo escrito por Valter Hugo Mãe, um dos principais nomes da actual literatura portuguesa e ao abri-lo lembrei-me de um trabalho que fazia com os meus alunos quando estudávamos os sentidos mais concretamente o olfacto. Após serem distribuídas pequenas tiras de papel cada aluno tinha a tarefa  de pensar no cheiro preferido e escrevê-lo. Ao serem lidos, em grupo, as preferências de cada um,  era um reviver de memórias e apareciam as preferências mais dispares:
Cheiro de:
 -Desinfectante,
- Batatas a fritar,
-Carne assada no forno,
-Sabão em pó.
-Rosas,
-Flores,
-Bolo no forno,
-O perfume da mãe,
-Gasolina,
-Laranja,
-Cachorro quente,
-Chuva a cair na terra,
-Bebé com pó de talco,
-Casa pintada de fresco.
Era então altura de todos se pronunciarem com mais esta ou aquela preferência após o que vinha a inevitável pergunta:
-E a professora , qual é o seu cheiro preferido?
Eu então fechava os olhos, via-me com um livro novo na mão, prestes a ser aberto, folheado, profanado, admirado, bebido, as minhas narinas absorviam o cheiro de tinta da impressão e da amálgama de cola e papel novo e  dilatavam-se numa delícia ante-gozada e respondia:
-O meu cheiro preferido é o cheiro  de um livro novo!
Esta era a minha resposta , agora a minha pergunta é a seguinte:
E tu, amiga que me lês, qual é o teu cheiro preferido?




quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Eu até rezava, à noite, as minhas orações!!!


Eu até rezava, à noite, as minhas orações...

Era dia de procissão em Santa Luzia da Praia da Vitória, depois do jantar a minha avó vestia a sua casaca de brocado preto e a sua saia castanha, ajeitava o seu pelo com ganchos de osso e alisava bem o cabelo que prendia com bonitas travessas, punha a sua sombrinha no braço, pegava no missal e no seu terço e lá me levava a reboque para a missa - de - festa e sermão.
Era um martírio para mim, porque a avó era do tempo em que não havia carros e, por isso, tinha tendência para andar no meio da estrada e eu tinha que estar continuamente a puxá-la para a berma da estrada pois os carros dos americanos da base da lajes, ali ao pé, quase no quintal, ferviam!
Na igreja era só gente de idade e adultos, as roupas cheiravam a naftalina e eu , aos pés da minha avó, sentada no pequeno banquinho de ajoelhar, olhava para o púlpito, para os torneados de madeira com uns anjinhos todos pretos, até as asas, e para o pregador, atónita sem perceber nada, mas pareceu-me, a certa altura, perceber que ele ameaçava os presentes! Mas porquê se eu até fazia tudo o que me mandavam e rezava à noite as minhas orações?- Avó, ele está zangado comigo?
-Cala-te rapariga, isto não são assuntos para ti!!!
-Vão-se lá entender os adultos...

Figos pretos e pudim boca-doce

Figos pretos e pudim boca - doce

Hoje tenho andado nostálgica.
É dia de festa, dia de procissão, em Santa Luzia da Praia da Vitória, terra natal da minha família materna, e não me canso de lembrar que sendo filha única gostava muito de
 ir para casa da minha avó para brincar com os meus primos que viviam uns em casa dela, outros nos arredores e de lembrar também o que se vivia neste dia.
Nas vésperas eu ia com a minha avó ao pomar, untar os figos da enorme e centenária figueira e lá ficavam eles a apanhar sol, esperando o dia de serem apreciados.
A minha tia Juvolina que vivia com a sua família em casa da minha avó, comprava na loja do Ratinho pudins boca-doce de variadas cores e sabores e, porque à altura não havia formas de alumínio, usava uma lata grande de conserva de frutas, frutas encanadas, como então se dizia, trazidas pelos americanos e lá punha os pudins às camadas, metendo a lata num cesto de vimes que pendurava pela asa com uma corda na cisterna, para se manter fresquinho, era o frigorífico daquele tempo!
No dia da procissão o meio da casa tinha as cómodas enfeitadas com jarras antigas cheias de flores rústicas que a minha tia apanhava à volta de casa e uma grande mesa coberta com uma alva toalha de linho, de dois panos, como a minha mãe dizia, porque tinha uma costura ao meio devido ao tear não fazer panos tão largos que cobrissem a mesa.
Vinha a família dos arredores, juncal, Canada dos Pastos, Fontinhas e sentáva-mo-nos todos a saborear a sopa de carne e o cozido feitos pela minha avó que era especialista, era mestra de funções. depois era altura de se porem na mesa grandes pratadas de figos reluzentes que desapareciam como que por magia.
Mas o que eu esperava com impaciência, era pelo pudim boca-doce! Ainda me lembro da sensação de estar a olhar para ele enquanto a minha tia o punha ma mesa, firme, brilhante, colorido, apetitoso... e do êxtase que sentia enquanto a minha tia o repartia por pequenos pratos antigos da minha avó.
Esta história pode parecer ridícula, mas não nos podemos esquecer que naquela época, não se usavam as natas, as gelatinas, o leite condensado e quejandos e que não se faziam muitas sobremesas, só em dias muito especiais!
Infelizmente já nada disto existe, mas o meu coração permanece lá.
Sinto-me contente, por poder partilhar contigo esta história, esta vivência , este fragmento do meu passado assim como a fotografia da minha avó com alguns dos seus netos,

Convívio da amigas

Foi uma tarde calma, ensolarada, entusiasmante e ternurenta.
Uma tarde de encontros de antigas alunas com uma ex colega que tendo saído de cá, regressou de férias, a Odete Laureano.
Doze mulheres a falarem da sua juventude, da escola comum a todas, a antiga Escola Industrial e Comercial de Angra do Heroísmo, dos seus sonhos alguns dos quais ficaram pelo caminho, dos seus objectivos atingidos, das suas famílias, todas irmanadas pela mesma gratidão a uma escola que as fez crescer como pessoas e que lhes alimentou o espírito em direcção ao saber ser tendo sempre em vista o saber fazer.
Sinto-me feliz por ter tido a sorte e a oportunidade de frequentar uma escola com o currículo que a Escola Industrial e Comercial apresentava e ter tido os professores que tive; Lá adquiri competências para a minha futura profissão mas sobretudo para a vida !
Tive a sorte de frequentar uma escola que funcionava num lindíssimo palacete e isso de certa forma em complemento do que acima menciono, marcou-me em direcção ao belo arquitectónico pois nada na minha casa rural e simples jamais me indicaria que existissem construções tão belas e requintadas ...
Lembro-me de em momentos de distracção dar por mim em plena aula a olhar para os relevos e pinturas da sala e pensar: - Que vida chique e faustosa viveram os antigos possuidores deste palacete!
Fui muito feliz naquela escola,que me ajudou a ser o que sou e como sou, com aquelas amigas que me ficaram para a vida e fui muito feliz nesta tarde calma, ensolarada, ternurenta, de convívio e de boas-vindas à nossa ex-colega Odete Laureano!


















Já chega!!!

Já Chega!!!
Quando tinha a idade que apresento nesta foto, era uma jovem tímida , calada, pensada, assertiva, corava com facilidade, não era mandona e penso que não ofendia propositadamente ninguém. Mas não era desadaptada nem agressiva e gostava de socializar e de fazer amigos que felizmente tinha, alguns dos quais mantive pela vida fora!
Não estou a dizer que era um anjo ou uma santa, não, tinha as minhas falhas, como todas as pessoas, especialmente sendo jovem e inexperiente mas também tinha uma mãe que me estava sempre a dizer o que era bom e mau, o que ficava mal a uma senhora, o que não devia dizer e um pai que me aconselhava a ouvir os outros que, dizia ele, sabiam mais do que eu...
Ainda hoje, com esta proveta idade e tendo certa opinião formada sobre um assunto, não gosto de fingir certezas absolutas que não tenho. Por isso, não tenho "a certeza de estar certa" no raciocínio que abaixo formulo e que vem a propósito de ter presenciado um dia destes um facto que me pôs a pensar nas diferenças de gerações:
Ia eu atravessando a praça que fica em frente à escola Jerónimo Emiliano de Andrade, antigo Liceu, quando vejo um grupo de jovens, de ambos os sexos, que conversavam animadamente. Achei graça, pois um bom convívio é sempre salutar contudo, depressa fiquei desalentada e estupefacta pois o tipo de conversa de vocabulário de agressividade era de tal modo grosseiro e impróprio e de certa forma intimo que me fez voltar ao passado . Nunca disse nem nunca vi nem ouvi amigas minhas terem tais conversas, tal palavreado e tais atitudes em frente aos nossos colegas rapazes.
Gente bem alimentada, bem vestida em frente a uma boa escola com professores que, tenho a certeza fazem o seu melhor...
Na verdade e pensando bem, talvez não sejam verdadeiramente culpados pois na actualidade a privacidade deixou de existir, com as celebridades falando de tudo em público desde a sua vida sexual, de gravidezes fora dos casamentos ilegítimos, posando para revistas em ambientes faustosos que não são os seus, fazendo acusações a uns e a outros e em alguns casos com uma falta de decoro e um palavreado de bradar aos céus.
Que fazer perante tais exemplos de pessoas que em muitas casos a juventude admira e idolatra???
Portanto é caso para se dizer:
- Chega!!!
-Precisamos é de pessoas que saibam ouvir em vez de se porem em bicos de pés para serem ouvidas, pessoas que valorizem a privacidade de actos e palavras e sobretudo que sejam mais selectivos nelas!!!


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A cor da amizade:

Alguém disse que " Na vida, como na paleta de um artista, há uma cor que dá todo o significado à vida e à arte, é a cor da amizade!"
Não imaginam como a minha tarde ficou mais colorida quando me deparei, nas festas da Praia da Vitória com estas três flores a enfeitar a varanda de um hotel à Beira mar, na cidade de Nemésio...
As dos Lados minhas amigas de infância a Idelmunda Rodrigues Mendonça e a sua prima Dulce Rodrigues Pinto imigradas na América do Norte há décadas, vieram até cá numa visita de saudade e a do meio a Hercília Aguiar, minha prima por afinidade, casada com o meu primo Francisco Aguiar Ramalho.
Ao olhar para as três concluí que, não estão impacientes para envelhecer, estão esperando com calma e serenidade tal era a bela aparência destas corajosas senhoras do Ramo Grande!
Que continuem a espalhar a cor da amizade à sua volta são os meus desejos e que eu desfrute dela!!!

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

30º Festival Internacional de Folclore

Muito se tem dito e muitas fotos  se têm mostrado do 30º festival internacional de folclore realizado em Angra do Heroísmo, Terceira, Açores e com muita razão, pois foi um acontecimento que não se pode deixar passar ao largo.
Tendo plena noção de que não podemos ficar à espera do conhecimento,antes pelo contrário, devemos sim, ir até ele , estive lá, no espectáculo de encerramento em que se exibiram treze grupos, onze grupos estrangeiros  vindos da Alemanha, da Colômbia, do Brasil, Coreia do Sul, Croácia, Espanha, México, Polónia, República Checa, Suíça Ucrânia, um do Continente, mais concretamente da Maia e outro  da vizinha ilha de São Miguel , Açores.  
O espectáculo iniciou-se com a apresentação de uma orquestra em que foram intervenientes músicos das várias nacionalidades presentes interpretando músicas regionais dos Açores e terminou, em jeito de despedida, com uma coreografia do tema Alegria.
Foi uma noite de cultura memorável que contou com o entusiasmo de todos os presentes, milhares de pessoas, que naturalmente compreendiam  e sabiam   que o que cada grupo representava era  a sua herança cultural e que com o seu esforço a nível individua e colectivo se dedicam a manter viva essa chama e a de passar adiante as suas culturas!
Um ano mais, um aplauso, mais que merecido,  ao COFIT ( Comité Organizador de Festivais Internacionais da Ilha Terceira) pelo excelente trabalho despendido na organização deste evento.


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A economia nacional e a ponta de um lápis...

A ponta de um lápis e a economia nacional...
Todos os que conhecem o meu marido sabem que ele é muito minucioso, selectivo nos gastos e costuma tomar nota de tudo especialmente de despesas e lucros relativos à nossa vida mas sobretudo no que toca a dinheiros de assuntos em que ele está envolvido. Não vou agora aqui discutir se isso é bom ou não mas o que é certo é que tem dado resultado ao longo destes anos! Para estar prevenido e apontar, para mais tarde, em casa, fazer as suas contas, usa sempre uma ponta de lápis e um pequeno caderno ou uma simples folha de papel, no bolso, chegando ao ponto de cortar um lápis em vários pedaços, para ser mais fácil usar no bolso, diz ele.
Este ano, como em anos anteriores, esteve envolvido nas festas da localidade em que vivemos, as Bicas de Cabo Verde, na ilha Terceira, Açores, com uma comissão de gente nova, Henrique Jorge Martins Brum, Luís Gabriel Gonçalves de Melo., João Homem Correia Meneses Simões e Paulino Roberto Sousa Vieira.
Gente nova, divertida, empenhada e respeitadora que apesar da diferença de idades sempre o ouviram e respeitaram, enquanto se riam, achando graça ao lápis minúsculo...
Aconteceu que um dia o meu marido perdeu o precioso lápis, procurou-o, perguntou por ele mas nada, ninguém o tinha visto! Lá teve ele que partir um novo lápis aos bocados e continuou com os seus apontamentos.
As festas acabaram, correndo tudo bem, fizeram-se e apresentaram-se as contas com lucro, ficando decidido que iriam empregar o mesmo na compra de loiças, bancos e mesas para que o império fique preparado para as suas funções.O trabalho despendido por todos com a ajuda da ponta do lápis tinha dado resultado!
Para consolidar as amizades feitas ao longo do ano juntaram-se, num jantar convívio, com as suas esposas que também se empenharam e ajudaram para que tudo resultasse. Eis senão quando, aparece no restaurante, o pequeno lápis, emoldurado, destacado, como que testemunhando que os jovens enquanto brincavam e riam valorizavam aquele pormenor sabendo que a melhor forma de fazer a economia resultar é o rigor, a minúcia e o critério assertivo nas despesas!
Seguindo este critério eu diria que o melhor remédio para a economia nacional é a economia, o rigor, a minúcia e a ponta de um lápis!
Ora Tomem!!!




terça-feira, 19 de agosto de 2014

Se Maluda tivesse vindo à Terceira

Se  Maluda tivesse vindo à Agualva na Ilha Terceira ...
Fui à abertura das festas da Agualva e dei por mim a  Pensar na Maluda, pintora muito premiada e admirada, nascida em 1934 em Goa na Índia quando ainda era   possessão portuguesa Tendo vivido a Partir de 1948 em  Maputo onde começou a pintar.
Viajou depois para Portugal onde começando a interessar-se pelo retrato e pela paisagem urbana. A Partir de 78 dedicou-se à temática das janelas procurando utilizá-las como metáfora da composição público privada, acabando por falecer em 1999 com 64 Anos.
Esta pequena biografia fui Pesquisá-la à Wikipédia porque não conhecia estes pormenores da vida da grande pintora, o que conheço muito bem são as reproduções dos seus trabalhos sobre as janelas que adoro e foi por isso que dei por mim a pensar na artista e a dizer  com com os meus botões:
Se Maluda tivesse  estado cá, téria de certeza, pintado esta Janela Agualvense !!!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Ser Sessentona:

Ser Sessentona:
Reflectindo no dia do meu 66º aniversário

Cá estou eu a reflectir  acerca de uma idade que considero fascinante, em que se pode ter  uma vida  intensa e variada e que deve ser vivida com orgulho.
Ser sessentona não é vergonha, antes pelo contrário é uma vitória porque já se ultrapassaram muitas barreiras com sucesso.
 Esta idade tem-me intrigado bastante porque sempre pensei que sendo sessentona iria ter uma vida sossegada e  tranquila. Nada disso, continuo activa a assoberbada com afazeres e interessada pelo que me rodeia e concluí, que não devo preocupar-me com a velhice, porque envelhecer é uma coisa natural e só acontece às pessoas com sorte e se por acaso caio na tentação de me preocupar com isso, começo a fazer planos para o futuro ou inicio um novo trabalho porque considero que a fé no futuro nos ajuda a viver mais anos para desfrutar das pessoas e tudo o mais que está à nossa volta.
O segredo é não pensar na idade ou considerá-la como um desafio, planear e fazer coisas interessantes  e viver a vida com naturalidade! É isto que tenho feito, tento fazer e espero fazer por muitos anos, pois não são os objectivos que nos propomos que interessam o que importa é, segundo creio, a nossa intenção de realizá-los.
No dia em que se celebra "o Dia da Juventude" reflecti sobre isso e concluí , que no meu caso, o entusiasmo da juventude, deu lugar  ao  encanto bem saboreado da idade madura, começo a sentir que diante de mim o tempo já não é infinito por isso aprecio e saboreio de um modo diferente cada dia, cada momento... e tenho sempre presente que na vida o mais importante, não é a idade, mas a própria vida!!!