sábado, 22 de fevereiro de 2014

Garrafas antigas, de grés

 Estas garrafas são de  uma cerâmica vidrada  chamada grés que é uma pasta de quartzo, feldspatos potássicos, argila e areia e  serviam para genebra e aguardentes vínicas. Em tempos idos, depois de consumida a bebida, eram usadas como botijas para aquecer as camas, agora são garrafas de colecção!
A genebra é uma bebida que remonta ao início dos destilados,  produzida nos Países Baixos,  a partir da destilação  de diferentes tipos de grãos como o trigo, centeio e milho e outras variantes de bagas de zimbro, ervas e especiarias.
Esta bebida surgiu depois da II Guerra , conflito militar global que durou de 1932 a 1945 e segundo julgo saber, é um tipo de gim, é uma bebida incolor ( por vezes com uma coloração amarelo palha, devido à adição de caramelo ) .
Não sou conhecedora,  nem apreciadora de bebidas alcoólicas o que quis, foi mostrar-te as minhas garrafas que acho muito bonitas e elegantes e compartilhar contigo a minha admiração por elas terem vindo de tão longe, algumas foram fabricadas na Holanda, há tanto tempo, algumas são anteriores ao meu nascimento e ainda se conservarem intactas. Se elas não se queixam com a idade e estão ali tão saudáveis e aprumadas porque é que eu me hei-de queixar que sou mais nova do que elas!!!
 Também quero  meditar contigo no facto de umas simples garrafas antigas poderem ser mote para nós nos debruçarmos sobre assuntos tão importantes, envolventes e aliciantes  como história, geografia, bebidas, coquetelaria, rochas, cerâmica, etc.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O espelho antigo( à minha amiga Liana Pimentel)


Adquiri há pouco este  espelho antigo  de que gostei muito, claro que não é de material nobre como o mármore ou a prata ou ouro, nem de  limoges ou vista alegre, mas a sua moldura, de plástico, é tão delicada e requintadamente trabalhada  e fez-me transportar a uma certa época, anos cinquenta do século passado que não resisti e lá o comprei, pois  dou muito valor às coisas e à sua história.
 Por curiosidade, consultei a Wikipédia para saber mais um pouco sobre este material e, muito resumidamente, fiquei sabendo que plásticos são matérias orgânicas, poliméricos ( Compostos químicos de elevada massa molecular ), sintéticos e maleáveis que se adaptam a diferentes formas mediante o emprego de calor e pressão.
A matéria prima do plástico é o petróleo e a palavra plástico deriva do grego "plassein".
Na origem do plástico esteve em 1839 Charles Goodyear quando adicionou enxofre à borracha bruta e ela se tornou mais resistente ao calor.
Em 1846 Christian Schonbein criou a nitroceluloide e em 1909 Leo Baekland criou a baquelite.
Na década de 30 foi criado um novo tipo de plástico o nylon, após o que apareceram outros tipos de plásticos como o drácon, o isopor, o poliesterino, o polietileno e o vinil.
Este material integrou-se de tal modo no mundo actual que não se pode imaginar o mundo sem ele.
Os plásticos são usados em diversas aplicações como na moda, no trabalho, agricultura, odontologia, decoração entre outros.
No princípio da década de 70 do século passado fui leccionar para a escola de porto Judeu de Baixo, na ilha Terceira, Açores onde privei com a colega Liana Pimentel, encontrávamo-nos ao almoço e eu gostava da falar com ela porque era muito engraçada e ainda é, graças a Deus, mais experiente e eu mais nova, com muito para aprender. Nunca me esqueci o que me contou certo dia:
- Quando me casei - Dizia ela - estava no auge a moda dos plásticos e eu decorei a minha cozinha com os mais modernos e brilhantes artigos, eram os electrodomésticos da altura! Certo dia, não sei como, o lume saltou a um objecto  e ardeu tudo, tudinho! Isto marcou-me muito, porque havia casado há pouco tempo e apetrechado a minha casa e nem queria pensar num acidente semelhante!
Pois é, este material arde com facilidade e levanta o problema do descarte, embora haja sempre a possibilidade da reciclagem o que felizmente não aconteceu ao meu lindo espelho de mão que conseguiu resistir intacto e sem qualquer " beliscadura" a várias décadas, mais de meio século, espelhando tanta coisa que se falasse não conseguiria revelar ao mundo todas as transformações  que presenciou ao longo da sua vida...

Tenho os olhos aos cubinhos!



Para lembrar o dia de  amigos/as, recebemos de um casal muito amigo, um cabaz com produtos do seu quintal, entre os quais vinha uma abóbora de tal maneiram grande que  para a cortar tive que contar com o homem da casa  o qual depois de tanto esforço teve que se sentar um pouco, como vês na foto, a descansar!
 Aproveitei a pausa para tirar a supra referida fotografia para mandar aos nossos amigos, em jeito de agradecimento, o que estou fazendo por esta via. Muito obrigada amigos, bendito seja o vosso quintal que tais abóboras produz!
Acompanhando o dito cabaz vinha um cartão que dizia o seguinte:
- Goza a vida e os bons amigos. A vida porque é curta e os bons amigos porque são poucos...
Nada mais certo. Contudo, enquanto tivermos amigos como estes penso que estamos garantidos , sobretudo se tiverem abóboras deste calibre.  
Estou, como certamente compreenderás, a brincar,  sei muito bem que a amizade é uma estrada de dois sentidos, que resiste à distância e é o que acontece com as nossas famílias.
Agora tenho abóbora por uns tempos,  para sopa, para fazer filhós de abóbora de que gostamos muito, tartes e tudo o que me apetecer mas, pobre de mim, tenho os olhos a ver cubinhos amarelos, de tanta abóbora picar!





sábado, 15 de fevereiro de 2014

O restauro da jarra verde


Era uma vez, uma bonita jarra verde muito antiga, mas bastante estragada. Já alindara bonitas salas, de várias gerações  e passara por mãos carinhosas de cuidadosas donas de casa. Contudo, parece que o seu fim estava à vista, a pintura, feita à mão, apresentava-se muito apagada e desmaiada, o seu rebordo, requintadamente trabalhado, mostrava sinais de muito uso e a sua  base partida  não lhe permitia que se  aguentasse de pé, o que a  deixava  triste e acabrunhada  prevendo  um triste fim que não se adequava ao  seu estatuto.
Foi aí que dei por ela prestes a ser rejeitada como jarra e talvez destinada a ser reciclada e transformada num objecto qualquer que ela , uma jarra daquela classe social, dificilmente previra.
 Foi então que percebi a "tragédia" prestes a acontecer e  apercebendo-me da importância do seu passado e da nobreza do seu material, lancei mão da dita, pensando em recuperá-la.
Do pensamento à acção foi um ápice. Pincéis, tintas, recuperadores, colas e um pouco de  galão dourado e aí está ela toda airosa com o seu amor próprio em alta !   
Ao olhar para a minha obra pensei numa frase que já ouvi muitas vezes:
- " Até prova em contrário todas as coisas  são possíveis" e muitas vezes, acrescento eu,  o que parece impossível não o é,  se para isso contribuirmos com  determinação, vontade, firmeza ,  gosto, sensibilidade e inteligência.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Milagres de S. Valentim???

Somos um casal normal, vivemos uma vida normal e ao longo dos anos,quarenta e dois, fomos lutando como os outros casais, para vivermos uma vida digna e podermos dar ao nosso filho o que julgávamos ser o melhor para ele. Também como todos os outros casais normais  temos tido, ao longo dos anos, os nossos dissabores as nossas querelas e desentendimentos e quando falamos sobre isso pensamos sempre que a culpa é do outro...
Por vezes, fico zangada, quando não me é dado o valor "que eu julgo ter", quando estou sobrecarregada, com os afazeres domésticos e o meu marido numa " boa vai ela " sem dar bola e a minimizar a situação. Gostava tanto naquele momento de uma palavra de conforto e de compreensão!!!
Gostava tanto que alguém percebesse que a roupa lavada e passada e as gavetas arrumadas não são efeito de magia, que sentados à mesa compreendessem que aquela refeição por mais simples , me deu uma trabalheira e que se apercebessem de que ao longo destes anos todos já preparei milhares e milhares de refeições, de sopas, guisados, bolos tartes pudins e quejandos, mas não... por cá é tudo à moda antiga!
Fico triste mesmo muito triste! Até fico com o coração partido, meio amuada, sentada no meu canto,  decidida a fazer greve e a que alguém sinta na pele, isto é, no estômago, o que é ter fome, ter a casa suja e desarrumada enfim tú que és mulher e que valorizas estas coisas compreendes-me ...
De repente ouço:
- Comprei hoje duas garrafas de gás. Gás? nem sei onde se compra, só sei rodar o botão do fogão. -Também paguei a água e a luz  e fui ao banco e  falei com os homens para virem retelhar a casa que estava a precisar e com os pintores e vou comprar tinta que está em promoção e aquela árvore que caiu, lá atrás, tem de ser serrada e aquela fechadura precisa de ser oleada e o carro tem de ir à revisão e isto e mais aquilo... 
Meu Deus e eu a pensar em greve! Cheia de "vento" e presunção a pensar que só eu trabalho, que sou eu roda que tem feito girar este lar!
 Uma relação de mais de quarenta anos é um mistério que muitos jovens não compreendem, eu diria mesmo, um mistério ou um milagre de São Valentim,  que  apesar de tudo,me tem permitido sentir-me feliz e grata por tudo o que o meu marido faz, bem ou mal, mas tenta e sei que ele também  me valoriza e dou graças por isso.
Só te posso dizer que quando as coisas não correrem bem no teu casamento, valoriza o que tens, minimiza os problemas e dificuldades, lembra-te de São Valentim  e ele misteriosamente fará um milagre  que permitirá que o teu  casamento ou relacionamento dure até às bodas de prata e quiçá às bodas de ouro! Afinal é para isso que o santo existe para valorizar o amor, o respeito, a interajuda  e a tolerância entre os casais
Feliz dia de São Valentim!!! 

Dia das amigas / 2014




 A tua amizade:

Sinto-me rica com tua amizade
Confiante, eufórica e segura
Cheia de orgulho e de ventura
Alegria, amor e felicidade!
Sinto-me rica com tua amizade
Que é para mim um presente
Onde não encontro maldade
E me deixa muito contente|!
Quero que também te sintas rica
Com minha sincera amizade,
Por isso, este diploma aqui fica
A comprovar a verdade...
E a verdade é que :
- Se não estendermos a mão,
Reinará a solidão,
A tristeza e a dor
Da falta dessa linda flor
Que se chama AMIZADE!


Clara Faria da Rosa 
12 de Fevereiro de 2014 / Dia das Amigas


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A respeito de "Bullying"

Parece-me que "bullying" é uma palavra que apareceu modernamente para designar falta de respeito para com o próprio e para com o outro; aquele que não gosta de si próprio dificilmente gostará do outro. É este o busílis da questão,  respeito, carácter, consideração, compaixão, tolerância são valores em certo desuso.
Contudo, segundo os especialistas, as causas deste fenómeno são muito mais profundas e carecem de um tratamento  e estudo urgentes e sérios.
Não tendo conhecimentos suficientes sobre a matéria atrevo-me  a citar Tolstoi:  " De todas as ciências que o homem pode e  deve aprender, a principal é a ciência de viver de maneira a praticar o mínimo de mal e o máximo de bem possível." 
Parece que a família e a escola se têm esquecido disto dando muito valor aos conhecimentos científicos, que são importantes, sem qualquer dúvida, e relegando o desenvolvimento espiritual e social.
Pensando nestes assuntos, sou levada aos meus tempos de criança e jovem, sim porque sendo sessentona também já atravessei essas fases, já frequentei uma turma como a que mostro acima, e que tão belas recordações me traz, e não me lembro de os  meus pais me dizerem que eu não deveria agredir física ou moralmente qualquer colega porque isso era uma situação que nem se punha.
Os meus colegas rapazes e raparigas eram os meus amigos de quem eu gostava e que me ajudavam se precisasse e pronto. Mesmo depois do tempo de escola sempre mantive e mantenho com muitos relações cordiais e de grande amizade.
 É a todas as amigas e amigos do meu tempo de estudante que dirijo este breve trabalho, que tem o valor que tem, mas que é muito sentido, porque me custa ver jovens irem à escola que é paga com o dinheiro que nos faz falta, para se agredirem e desrespeitarem. Claro que isto são excepções, acredito, mas que não deviam de existir, mesmo como excepções, porque a vida é para festejar e aproveitar e não para agredir ou desrespeitar quem quer que seja! 

A magia do meu sotão


Passada a época de Natal, subo as escadas em caracol, entro no sótão e deposito no chão um amontoado de artigos de natal , que costumo guardar, para no ano seguinte reciclar e fazer novas decorações, já sabem que não sou de deitar nada fora! Fico a olhar para aquele amontoado e a pensar como as  coisas mudam, e no facto de aquilo  que há dias tinha vida, colorido, impressionava e desempenhava a sua função apelativa agora não passar de um amontoado de coisas sem importância, que não nos despertam a atenção nem nos fazem bater o coração, é como com as pessoas - penso eu com os meus botões -  precisam de determinação, presença e de saberem ocupar o lugar certo no momento certo...
Agora, preciso de tempo, para acondicionar tudo, com cuidado... Antes porém, olho à minha volta e lembro-me do agradável que é ter um sótão e de como seria bom que os arquitectos, engenheiros e decoradores compreendessem a importância de subir a um  lugar como aquele, ouvindo as escadas rangerem,  ver as traves de madeira com algumas teias de aranha que lá se alojaram com o passar do tempo e ter oportunidade e tema para sonhar, sonhar .
O meu sótão, no Verão é tórrido, sufocante e no Inverno é de um frio glaciar mas é, para mim, um local de fantasia  e de sonho porque olho à volta e vejo tudo arrumado por "secções".Parece que a minha vida ali se apresenta num livro de vários capítulos ;   A um canto estão umas velhas arcas com coisas dos meus pais que só por si me contam velhas histórias e me despertam muitas emoções e saudades, então se as abrir, nem te conto, são lençóis bordados em serões que se faziam à luz de petróleo, são colchas e cobertores tecidos em velhos teares manuais, toalhas de linho cultivado por avós e trisavós, caixas com loiças que me lembram antigas mesas mais ou menos lautas mas sempre rodeadas de muito amor e respeito por quem lá se sentava , livros do meu tempo de escola, do meu marido e filho, talvez pedagogicamente desactualizados mas que ao serem abertos são como contos de fadas, os cadernos em que o meu filho traçou as primeiras letras e palavras, as suas roupas de bebé e brinquedos , o seu, primeiro triciclo, o parque onde ficava a brincar enquanto eu preparava os meus trabalhos para a aula do dia seguinte, os fatos e vestidos antigos que  lembram épocas diferentes da nossa história de vida...
O meu sótão é o meu museu etnográfico onde eu posso redescobrir a minha história e a da minha família, o local mais vital  e cheio de encanto da minha casa .

É por tudo isto que penso  que os projectos para casas novas e modernas, deveriam incluir novamente um sótão, com traves de madeira, com o soalho a ranger e raios de sol portadores de mensagens mágicas, alegres e fantasiosas a entrar por uma janelinha, de vidros pequeninos e coloridos.  

Pela escada em caracol acesso ao meu mundo de magia: o meu sótão!


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Esperança; A riqueza do pobre:

Desde sempre me habituei  a apreciar e a registar, num pequeno caderno, chavões, frases feitas e citações  que ouvia e lia, porque considerava essas frases como pérolas de sabedoria que de tão válidas e oportunas tinham  persistido através dos tempos, como  fruto de experiência conseguida  árdua e pacientemente.
Dou por mim, muitas vezes, a ler e a reler certas frases e a admirar a coerência e pertinência de certos ditos .
Neste momento de "desorientação" política e social, em que ninguém sabe o que nos reserva o futuro, visto que são tantas as informações e tantos os comentadores políticos que ficamos baralhados, lá fui eu folhear o meu velho caderno e  deparo-me com a seguinte frase:
-A  esperança é a riqueza dos pobres!  
Todos queremos ser ricos, ou pelo menos remediados, para podermos viver de forma decente e podermos fazer face aos problemas com que nos deparamos, muitos dos quais resultantes da moderna maneira de viver que adoptámos, contudo, nos tempos actuais em que todos os dias perdemos poder de compra, e em  que os nossos ordenados e ou pensões todos os dias mingam, só nos resta sonhar que somos ricos, pelo menos em persistência e tolerância e ter esperança em melhores dias...Também, quando lançamos uma semente à terra não sabemos se ela vai germinar mas confiamos, isto é, esperamos que vai germinar e dar frutos que providenciarão a nossa subsistência....
Confiemos em melhores dias e num bom ano!  

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Humorístico Apontamento de Natal

 Há um provérbio muito engraçado que diz o seguinte:
-"Desconfiai do homem para quem tudo está bem, do homem para que tudo está mal e ainda mais do homem para quem é indiferente que tudo esteja bem ou mal!"
Ora bem, tenho a certeza de que no meu caso, não podes desconfiar de mim visto que, não considero o vistoso arranjo que coloquei no meu portão para dar um ar de Natal à casa e as Boas Festas a quem nos visitar, uma obra prima, está um pouco "despenteado" desde o início, e o vento não tem ajudado, mas foi o melhor que  pude arranjar, com o tempo que tinha e com materiais reciclados à pressa na quinta e  uns restos do ano anterior. Contudo, também considero que  não está mau de todo , tem uns apontamentos coloridos, umas pinhas pintadas de várias cores , enfim, alegra o ambiente e mostra que é importante para mim alegrar os outros e que sinto prazer em ocupar-me destas coisas. Por fim, também te informo   que  não sou indiferente a esta situação, gostaria que estivesse melhor, se tivesse mais tempo disponível, materiais melhores e mais habilidade...
Enfim , Séneca dizia que: -  "um trabalho está meio acabado quando começou bem"  e este começou bem pelo menos na vontade e para o ano estará melhor com o que aprendi este ano, também não tem graça se for tudo igual e tudo muito bem feito e volto a fazer uma citação, desta vez de um provérbio  iídiche:- "se todos empurrassem numa só direcção o mundo acabaria por tombar", e eu não quero, de modo nenhum, que o mundo tombe devido ao meu pobre, diferente e despenteado arranjo de Natal.
BOAS - FESTAS!!! 

Licores Caseiros/A Mijinha do Menino




Licores são bebidas alcoólicas doces e aromatizadas, às quais se juntam os corantes adequados. Segundo apurei na Wikipédia o termo licor vem do latim  "liquifacere" isto é liquefazer ou dissolver.
Retenho recordações da minha infância  de licores caseiros feitos pela minha mãe para a "Mijinha do Menino Jesus" ,visto que à altura não havia destes produtos comercializáveis. Pelo Natal as pessoas amigas e familiares, aqui na ilha Terceira-Açores, iam de casa em casa para provar a "mijinha do Menino".
 Depois de ter a minha casa resolvi armar-me em esperta e fazer um licor de leite mas foi uma aventura que não deu certo e que não quis repetir.Contudo, nestes últimos anos, perto da época de Natal, dava por mim a olhar para algumas bonitas licoreiras que eram da minha mãe e pensava em licores das mais variadas cores e sabores, não de leite que aquilo é muito complicado!
Pois aí estão, coloridos, bastinhos e docinhos mas não muito fortes para todos os poderem saborear... 
A esperança média  de vida tem vindo a aumentar, penso que este fenómeno se está a verificar para que as pessoas tenham oportunidade de pôr em prática todas as experiências da sua juventude, como eu fiz este ano, com os licores de Natal e quanto a isso coragem experimenta e faz os mais variados licores pois uma característica da falta de experiência é que quando temos pouca podemos arranjar muita. 

Na Serra da Estrela

Estive na Serra da Estrela, encontrei o Pai Natal, muito cansado, de carregar e entregar  presentes e pedi-lhe um Bom Natal para todos e uma caixinha de sabedoria que nos ensine a ultrapassar as dificuldades com que o nosso país nos está a mimosear. 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Piodão - aldeia presépio

Na homilia da missa de hoje, própria do dia de Natal, o padre falou do nascimento de Jesus, numa pequena cidade do sul da Judeia chamada Belém, onde Maria e José se tinham deslocado para se recensearem  e de como Maria improvisou um berço numa manjedoura de um estábulo, por não terem encontrado lugar em qualquer estalagem.
Pus-me então a pensar em Piodão, uma freguesia do Concelho de Arganil, na encosta da serra do Açor com pouco mais de centena e meia de habitantes, cujas casas são feitas de xisto e os tectos de lajes e têm janelas e portas de madeira azul, onde estive  ainda não há um mês.
Este lugar pela sua peculiaridade é chamado aldeia presépio e, enquanto tentava prestar atenção à homilia, lembrei-me de que na altura pensara que as histórias antigas devem estar enganadas pois o Deus Menino deve ter nascido em Piodão.
Aquela pequenez, segurança, paz e singeleza levaram-me a concluir que só por mero acaso, ou por engano,  é que Deus não nasceu em Piodão!
Mas, pensando bem, o lugar do nascimento de Jesus não interessa, no fundo é só um facto histórico, o importante mesmo é que ele nasça nos nossos corações para  termos força e coragem de ultrapassar os problemas com que nos deparamos e para nos tornarmos melhores, tolerantes e compassivos com o passar do tempo.
Que Deus tenha nascido no teu e no meu coração são os meus votos de Natal...


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Quando se escreviam cartas


Cara/o  amiga/o

   Ainda te lembras do tempo em que não usufruíamos destas modernices do computador que nos permite enviar uma mensagem num ai, sem precisarmos sair de casa, nem comprar selo e sem termos de esperar pelo simpático carteiro? E do tempo em que não tínhamos telefone em casa, muito menos telemóvel, o que nos obrigava a recorrer aos correios ou aos postos públicos quando havia estrita necessidade de se comunicar com alguém?
   Tempos que já lá vão que deram origem  a inovações como os e mails, facebooks e outras simpáticas  facilidades que mudaram as nossas vidas!
   Pois estive muito tempo sem computador o que me fez reflectir e sonhar com  coisas deliciosamente antiquadas como cartas, cartões de aniversário e postais de Natal a jorrarem de um marco do correio de um avermelhado luzidio e de uma sumptuosidade imponente de quem manobra a vida dos seres humanos ...
  Pensei então que  para mim, nunca foi fastidioso escrever cartas e sempre considerei que as mesmas eram e são uma maneira de revelarmos com profundidade e intimismo o que nos vai no fundo do coração, assim como um veículo que nos liga ao nosso receptor de forma carinhosa e profunda assim como um meio de evasão da rotina quotidiana.
Até dos envelopes me lembro com saudade e de como ficava a olhar para eles quando os recebia, tentando adivinhar quantas páginas tinham,  e as mensagens que continham .
   Pelo Natal recebíamos muitos postais com ilustrações encantadoras que nos faziam sorrir e sonhar e logo corríamos a decorar a cómoda ou a árvore de natal com os mesmos. Pois este ano recebi  um único postal  com uma garbosa e dourada árvore de natal e corri logo a responder para não furar o esquema.
 Postas estas considerações sobre cartas e quejandos termino esta  não sem antes te desejar que tenhas recebido e enviado muitas cartas e postais de natal  , que a consoada te corra de feição, o bacalhau não esteja salgado, o peru seja tenro e coradinho e que não te esqueças que  esta festa celebra o nascimento do Menino Jesus . Quero também desejar-te que no Ano Novo continues a entusiasmar-te com determinação pela vida pois se te acomodares e desinteressares é sinal que a coisa não vai bem ...
Adeus e até à volta do correio,
Com um grande e saudoso abraço
A amiga
 Clara Faria da Rosa
P.S. Esqueci-me de dizer que este ano fiz licor de morango e de limão e que tenho um delicioso bolo de Natal que uma amiga me enviou pelo correio, acompanhado por uma garrafa de licor de vinho, por isso estás convidada/o a vir à mijinha do Menino.
O meu menino mija!!!
                           

   




sexta-feira, 3 de maio de 2013

Contando alguma coisa...

Passamos a vida a contar!
Contamos o tempo que  passa e o que temos para viver, as horas, os dias e  meses, contamos os sucessos e insucessos , os amigos e inimigos. Modernamente, contam-se muito os quilos e as calorias, os euros, os desempregados, as firmas que vão à falência e os que têm sorte contam as realizações pessoais.
Gosto de contar realizações pessoais, umas de mais valor do que  outras, porque entendo que devemos ter sempre um  objectivo a enfrentar que nos ajude a ficar mais fortes e realizados.
Posso dizer que enfrentei nos  últimos tempos um desafio que  me permite contar mais uma realização pessoal:
-Fiz uma coberta de cama à moda das nossas avós, aproveitando peças de vestuário que já não estavam boas para serem usadas. Fiz quadrados todos iguais , setenta e dois ao todo, e depois pintei-os cada um com o seu ramo diferente. Foi um trabalho moroso mas gratificante!
No fim lá pus todos os quadrados no chão, como podes ver no vídeo que anexo, acertando as cores e depois uni-os na horizontal e na vertical, depois de bem passado a ferro. pelo avesso, para abrir as costuras, foi altura de forrar e pôr a franja.
Como gosto de mostrar o que faço aproveitei para pôr o dito trabalho a decorar  num almoço almoço de Espírito Santo que o Império das Bicas de Cabo Verde realizou .
E agora mostro-te a ti para que me sigas o exemplo e aproveites as roupas que tens em casa e que já não usas para fazeres uma coberta de cama à moda das nossas avós que aproveitavam  tudo pois  não tinham dinheiro para ir à loja comprar.Este trabalho tanto pode servir para ser usado como coberta de cama , para usar na parede ou  para engalanar as nossas varandas em dias de festa.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

 
  Ndia  do teu aniversário:
Meu filho:
    Hoje é um dia feliz para mim, é o dia do teu  vigésimo quinto aniversário ! Quando  nasceste, pensei que não chegaria a viver este dia, mas quis Deus que tivesse saúde, forças e olhos  para te ver atingir esta etapa e para te  ajudar a realizar o teu percurso académico. Por isso, sinto-me feliz, realizada e grata por todas estas dádivas que a vida me proporcionou!!!
Agora que estás prestes a começar uma nova etapa da tua vida, em qualquer que  seja o lugar que isso possa acontecer, sinto-me no dever de, neste dia de aniversário, te alertar  para a necessidade, o dever e a obrigação de seres simpáticos  para com as pessoas com  quem conviveres e trabalhares quer sejam superiores, subalternos ou colegas, para a importância de seres bem disposto ao longo da  vida e também para o bem que fazemos aos outros quando quando nos interessamos por eles.
Nunca te esqueças meu filho que o dinheiro pode ser importante e  é-o, na verdade, pois sem ele não podemos ter acesso a muitas coisas que no mundo actual consideramos  essenciais, contudo, não há nada que pague o carinho, a consideração, a admiração e o respeito daqueles com quem passamos largas horas do nosso dia!
Lembra-te que te ensinei a ser trabalhador e optimista e  que sempre te disse  que, quando queremos, conseguimos . Nunca tenhas vergonha de pedir ajuda aos que sabem mais do que  tu, nem de assumir os  teus erros pois só assim crescerás!
Nunca te dês demasiada importância, deixa isso para os outros, se for caso disso, também se isso não acontecer não há mal nenhum porque  "É bom  ser importante, mas o importante mesmo é ser bom!"
Sê optimista , reage às desilusões e dificuldades, não te metas na vida dos outros, a não  ser para os ajudar e não te leves demasiado a sério, ri e aceita os teus fracassos aprendendo com eles e por favor, meu filho, não te esqueças de  ser feliz!!!
É o que te desejo, do fundo do meu coração, neste dia de  aniversário, que sejas feliz, muito feliz, pois a  vida é demasiado breve para  infelicidades...
PS: Este é o meu presente de aniversário, fruto da minha  experiência de vida, vai "envolto" em muito carinho, amor e afecto, espero que o guardes, no teu coração e que o "desembrulhes" quando te  sentires "atrapalhado",  no futuro, e te lembres da tua  mãe que te ama muito. 
Um grande beijinho.
29/04/2013

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Um dia em Albufeira

Sabendo que nunca se é demasiado velho para crescer, para aprender, para ver coisas novas e para apreciar o que a Natureza nos oferece, aproveito todas as oportunidades para usufruir deste maravilhoso dom que é a vida e para fazer jus ao meu estatuto de aposentada. Foi o que aconteceu neste dia 27 de Janeiro, tendo companhia , fui a Albufeira, cidade do distrito de Faro na região do Algarve que vem apostando ao longo dos últimos anos no  turismo tendo as suas infraestruturas hoteleiras bastante desenvolvidas.
Foi um dia muito agradável em que eu me senti bastante feliz, como se pode deduzir pelas fotos que mostro acima, especialmente porque no restaurante nos foi servido uma mariscada e outros acepipes dignos de registo. 




quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O Maior Presépio do Mundo em Movimento

Olá, já há dias que não contacto contigo, estive duas semanas em Lisboa na companhia do meu filho e aproveitei para dar alguns passeios por isso quero, a propósito, falar-te do dia em que tirei esta  pitoresca fotografia; Estava um frio de rachar  quando fui com uns primos e uma amiga à freguesia de S. Paio de Oleiros que pertence a Santa Maria da Feira  visitar o " MAIOR PRESÉPIO DO MUNDO EM MOVIMENTO", uma  maravilha que por mais que abrisse os olhos não conseguia abarcar tudo na sua minúcia e criatividade! Mais de sete mil peças em movimento que apresentavam quadros profanos representativos do quotidiano os quais se diluíam e misturavam com representações bíblicas de uma ingenuidade, eloquência e beleza que  me puseram a pensar no valor das pessoas que corajosamente e com grande espírito de aventura puseram mãos à obra dando corpo a  tal iniciativa .
Adorei, só vendo e apreciando, mas com tempo!
Espero que consigas ficar com um a pequena ideia, ao ver as fotos abaixo, do que vi no dia 25 de Janeiro p.p. em Santa Maria da Feira 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

No findar do ano

Neste último dia  do ano quero meditar contigo no facto de termos,  ao longo de 2012, mudado de algum modo quer fisicamente quer psicologicamente. Aprendemos, esquecemos , sofremos, tivemos perdas irreversíveis na nossa família, vizinhos ou amigos, ao mesmo tempo também algumas famílias foram bafejadas com o aparecimento de um novo membro  porque, onde há vida há morte. Contudo, não deixamos de ser quem somos e devemos ter sempre presente o que escreveu o prémio Nobel da literatura 2012 MO YAN no seu livro "Peito Grande, Ancas Largas" que estou a ler.
" Morrer é fácil, o difícil é viver. E quanto mais difícil, maior é a vontade de viver. E quanto maior o medo da morte, mais a gente luta para continuar viva."
Por alguma razão Mo Yan foi distinguido com tal honra, ele sabe o que diz, basta principiar a ler o livro donde tirei a citação acima, ficamos presos à sua fluência, ao encadeado dos factos do  espaço histórico da China e da sua sociedade!
Então, apesar do que se passou em 2012, vamos formular o propósito de lutar para  continuarmos vivos em todas as vertentes:
Vamos abusar do entusiasmo, da alegria, da boa-vontade e  tentar esquecer e ou não dar demasiada importância  às faltas que naturalmente vamos sentir no ano novo , é das dificuldades que nos virá a força de viver...


domingo, 30 de dezembro de 2012

A pedrinha do quintal


Numa pedra do quintal
Bem limpa e escolhida,
Fiz uma lapinha de Natal
Q'ao Menino deu guarida...
Numa pedra do quintal
Uma covinha encontrei,
E de um modo informal
O menino ajeitei...
Numa pedrinha do quintal
Pus pinhas e conchas do mar
Florinhas e muitos brilhos
Para o Menino adornar!
Mas na pedrinha do quintal
O Menino está só...
De certeza, sente-se mal
E a mim mete-me dó!
Porque na pedrinha do quintal
Faltam as figuras tradicionais,
Porque na lapinha de Natal
Falta a presença dos pais...
E na lapinha de Natal
Falta o burro e a vaquinha,
Faltam os reis e os pastores
As ovelhas e a galinha...
E também falta na lapinha
Que Francisco d'Assis criou,
Calor que aqueça o Mundo
Que o Menino muito Amou...
E falta amor e perdão
Compreensão e ajuda,
E o trabalho e o pão
Que são o esteio da vida!
Para o Ano, na lapinha
Tudo isto vou colocar,
Numa bonita pedrinha
Que no quintal hei-de encontar!

Natal de 2012
Clara Faria da Rosa







quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A minha amiguinha Bárbara

 A minha amiguinha Bárbara Coelho veio fazer-me uma visita de Natal, trouxe-me este delicioso bolo "embrulhado" em muito carinho e atenção. Fiquei contente  e pensei que quando era criança, a minha mãe  me mandava ir levar "presentes" às pessoas amigas, ela gostava de partilhar do que tínhamos, e eu ia muito contente . Diz-se que a saudade é a memória do coração e eu sinto muita saudade desse tempo, uma saudade, doce e quente que me envolve nas minhas memórias e me invade o coração...
Pús-me a pensar que, os pais da Bárbara ao incentivarem-na a vir até mim, estão a praticar uma atitude pedagógica que perdurará e a marcará pela vida fora, como aconteceu comigo, e também pensei na razão de gostar tanto desta menina encantadora o que me transportou uma vez mais à minha infância e aos dias que a minha mãe, tendo muito trabalho, pois tinha as lides domésticas e era costureira, me punha à janela, para que me distraísse e eu conversava com os nossos vizinhos que iam passando, sempre fui muito tagarela, não é de agora!
Já fui criança, como a Bárbara, por isso gosto de ser carinhosa com ela  e com todos os jovens e procuro ser compassiva com os idosos porque não tardarei lá e simpática com os que se esforçam para vencer e compreensiva com os fracos e injustos pois ao longo da vida passamos por tudo isto.
São estes valores, entre outros, que eu desejo muito que a Bárbara adquira, o carinho, a compaixão. a compreensão, a simpatia, a tolerância, entre brinquedos e presentes de Natal, claro!


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Subi a escada...

Subi a escada...
Para no cimo da árvore
Uma  estrela colocar
Q'a todos nós  ilumine
No Natal e em cada instante,
Subi a escada ...
Para bem alto gritar
Ao vento, continentes e oceanos
À família, amigos, vizinhos,
Feliz Natal, a todos vós,
Que nunca se sintam sozinhos!
Subi a escada...
Para a árvore decorar
E o local que habitamos
Ganhar cor, brilho e alegria,
E para que ninguém se esqueça
Que um nascimento celebramos,
Subi a escada...
Para ficar mais perto do céu,
E para ao Menino pedir
Que nasça no meu coração e no teu,
E que nos ensine a sentir
A alegria de viver
O Espírito de Natal!



E Deste modo num unir de boas vontades da comissão de festas  do império de  Bicas de Cabo Verde freguesia de São Pedro, Angra do Heroísmo, de um modo muito simples "pincelou-se" este pequeno apontamento que alegrou o lugar nesta época festiva.

Votos de um Bom-Natal

Desejamos a todos um Bom-Natal e que o Deus Menino nasça e permaneça nos corações de todos nós para nos ajudar a ultrapassar os obstáculos que encontraremos, de certeza, no novo ano que se aproxima.