terça-feira, 6 de setembro de 2011

Apadrinhando um casamento:

Sábado, dia 3, foi um dia diferente para nós; O meu marido foi convidado para padrinho de casamento do Henrique José de Sousa, filho de um amigo e ex colega e eu, já se sabe, aprontei-me logo para o acompanhar...
Porque sabemos que são as pessoas que dão brilho às festas, embora tenhamos a plena noção de que as coisas mais importantes na vida e num casamento, não são as coisas, nem a roupa, nem o jantar, também sabemos que é importante que um casal tenha boas recordações deste dia, que deve ser especial , pusemos-nos todos janotas, como podes ver:
Gostei muito desta cerimónia e estive bem disposta, esforcei-me para isso, para contribuir para o bom ambiente e porque sei que  a boa disposição e um sorriso franco são o melhor adereço que se pode pôr em qualquer vestido...
A cerimónia religiosa foi na igreja da Ribeirinha visto a noiva, Cátia Mavilde, ser natural daquela freguesia e foi abrilhantada com  a interpretação de obras de Schubert, Bach, Mandelson e interpretações a solo de flauta transversal e órgão. Gostei imenso de conhecer a sacristia que tem moveis lindíssimos creio que de pau santo:

Seguiu-se um momento de descontracção para se tomarem aperitivos, nos espaços verdes  do Terceira Mar Hotel e um requintado jantar numa das salas do referido hotel.Tudo muito bonito; agora só me resta desejar aos noivos que gozem em plenitude o amor e o tempo que têm à sua frente, que espero seja longo, pois o tempo e o amor são dois valores únicos no mundo  e na vida que podemos usufruir à vontade, sem precisarmos de os comprar, aproveitem e sejam felizes!!!! 

sábado, 27 de agosto de 2011

Quando os reis vieram à Terceira

D. Carlos, filho de D. Luís I e da princesa Maria Pia de Saboia, casou em 1886  com a princesa D. Amélia de Orleães, filha do conde de Paris, na igreja de S. Domingos, em Lisboa e tornou-se rei de Portugal em 1889.
Ficou conhecido na história pelo Oceanógrafo, cognome justificado pela sua paixão pela oceanografia, por Martirizado ou Mártir por ter morrido assassinado e por Diplomata devido às várias visitas de cortesia que fez a diversos países, e aos arquipélagos da Madeira e dos Açores onde aportou nos princípios de Julho de 1901.
São dessa época os saborosos bolinhos que todos conhecem feitos com farinha de milho, ovos, mel de cana e especiarias que foram baptizados com o nome da soberana, em sua honra; O que não se sabe ou não se diz é que as mulheres da freguesia da Ribeirinha , ilha Terceira, teceram uma colcha com a coroa real para lhes oferecer. 
Partiram os monarcas, levando a dita colcha e foram feitas cinco réplicas da mesma, para várias famílias da ilha.
Quando criança ouvia falar de uma dessas colchas, pertença de uma tia minha, cujo marido a herdara de seus pais, como criança não ligava ao assunto, contudo, morrendo a minha tia  e o marido, foi herdeiro o filho destes, o meu primo Francisco Fernandes Martins Aguiar ( Ramalho) casado com Hercília Aguiar os quais num momento de aflição prometeram rezar o terço ao Senhor Espírito Santo e dar um almoço a inocentes e a familiares.
Faz hoje um mês, fui lá rezar o terço e então ao ver a referida colcha, exposta,  fiquei a pensar na  história que te contei, nas transformações sofridas pela nossa sociedade no espaço de um século e nas nossas antepassadas que tanto trabalhavam e que segundo creio não o fizeram por acaso nem sem objectivo mas com muita coragem, dignidade e persistência...E aí senti um grande orgulho das nossas avós terceirenses cujo amor, força, e coragem faziam com que valesse a pena viver apesar das adversidades de então!!!
Cada vez mais tenho a certeza de que os costumes e instituições legados pelos nossos antepassados, constituem a sabedoria de muitas gerações após séculos de experiências o que ao fim e ao cabo é a nossa história. Temos obrigação de dar continuidade a essas tradições, pois  romper com o passado será pura loucura é como cortar as raízes de uma árvore sem as quais não se poderá sustentar!
Cá está a linda colcha feita nos teares da Ribeirinha há mais de cem anos( história pura...):
Antes do terço os donos da casa ofereceram um jantar aos criadores ( aqueles que criam o gado para a função ou colaboram de um modo especial) e para algumas pessoas mais intimas:
Não foi só conviver, depois rezou-se o terço, em cumprimento da promessa dos donos da casa, a noite estava muito quente, por isso a corôa do Senhor Espíritio Santo foi trazida para a rua e rezou-se com muita devoção:



sábado, 20 de agosto de 2011

A ausência que aumentou a amizade

No início da década de sessenta, tinha eu já feito o ensino primário, o chamado ciclo preparatório e estava a frequentar o Curso de Formação Feminina na querida e extinta Escola Industrial e Comercial que funcionou nesta cidade entre 1885 e 1978. Era um estabelecimento de ensino técnico/profissional, tendo sido a 1ª escola deste tipo a existir nos Açores e formado muitos operários  especializados e técnicos comerciais e industriais, oferecendo também cursos de Formação Feminina. Esta escola secundária funcionou no palacete do Comendador Silveira e Paulo ou Palacete dos Africanos situado ao cimo da Rua do Galo, junto à igreja de Nossa Senhora da Conceição e foi integrado no Liceu de Angra do Heroísmo por força de um Decreto de Abril de 1978.

 

Pois foi , portanto, este estabelecimento e este curso que eu frequentei antes de ingressar na escola do Magistério Primário de Angra, pois o meu sonho era ser professora mas os meus pais,  especialmente a minha mãe, mais atenta a estas coisas, entenderam que frequentando primeiro este curso ficava com mais competências e mais preparada para a vida. E em boa hora o fizeram pois eu senti-me muito feliz nesse período da minha vida. Adorava o lindo edifício para onde me dirigia todos os dias, que comparado com a simplicidade das casas rurais   da minha freguesia era uma coisa sumptuosa e gostava e respeitava de todos os meus professores e colegas que se foram tornando amigas e factores de satisfação e confiança na minha vida. Sei que é humanamente impossível dizer quando começa uma amizade, contudo o facto de ter sido aceite pelas minhas colegas de turma com delicadeza, carinho e tal como era , foi para mim um elogio e um factor de satisfação que me deu coragem e força para continuar a caminhada.
Nunca somos suficientemente ricos que possamos viver sem um amigo e eu era rica e feliz com aquelas amigas!
O tempo foi passando, cada uma foi para o seu lado, seguindo o seu destino, algumas já partiram desta vida, outras emigraram,  mas a ausência não fez diminuir a amizade, aumentou-a porque era autêntica e genuína tal como o vento que apaga a vela por ser  fraca e ateia os fogos  que são fortes.
Pois uma dessas amigas, radicada na Califórnia, Maria da Conceição Dias da Silva, esteve de passagem pelos nossos Açores e pela nossa cidade e nós quisemos dizer-lhe isso mesmo, que a amizade e admiração aumenta com a distância quando é verdadeira, reunimo-nos hoje com ela, a almoçar, num restaurante da nossa cidade e passeamos pela nossa marina, despretensiosas, despreocupadas e alegres como se fossemos as adolescentes de então.
Antes porém ao almoço dissemos à amiga Conceição que:

 Amizade:


Amizade é brisa suave,
Que ultrapassa os verdes montes,
Atravessa mares e oceanos
Palmilha Planícies e vales
Resiste ao tempo, aos anos…

Amizade é vento forte,
Que abana os mais distraídos,
Lembrando os tempos passados
Na cumplicidade vividos,
Com nostalgia recordados…

Amizade é um vento húmido,
Que entranha todo o nosso ser,
Transformando a ausência em presença,
E nos faz de saudade estremecer,
Envolvendo o amigo na lembrança…

Amizade é ventania,
Que ao passar do tempo resiste,
À Distância que a vida obriga
E à ausência que existe
E faz da saudade cantiga...



Esta nossa amizade,
Foi brisa suave,
Foi vento forte e húmido
E ventania….

Resistiu ao tempo,
À ausência,
À distância
À Vida…

E trouxe-nos este belo momento
Que não queremos esquecer…
Guarda-lo-êmos no pensamento
Enquanto pudermos viver!!!


Pois foi isto que dissemos à amiga Conceição Dias da Silva, por entre comoção e algumas lágrimas, com votos de que volte, para podermos, mais uma vez, estar com ela numa tarde tão agradável com a que vivemos hoje!
A nossa colega e amiga Conceição Dias em 1963, antes de emigrar:


Imagens do dia de hoje, um dia feliz:

domingo, 14 de agosto de 2011

27º festival internacional de folclore



Foi ontem, pelas  21h que se realizou na praça de touros de Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores este festival,organizado pelo cofit ( comité organizador de festivais internacionais). Não é em vão que este festival é considerado pelo CIOFF (Sigla usada para designar o Conselho Internacional da Organizações e Festivais de Folclore) um dos melhores festivais do mundo!
Foi a apoteose de uma semana em que grupos de diversas nacionalidades mostraram a toda a população terceirense a sua história, as suas tradições, culturas e maneiras de ser através da dança, da música e até do teatro, porque não? Houve também oficinas de dança e música que interagiram com a população local. Contudo o momento, para mim, mais especial foi o de ontem, fico sempre especialmente comovida com o início do espectáculo em que elementos dos vários grupos e dos vários países e línguas conseguem sob a batuta do maestro José João interpretar músicas regionais; Nesse momento penso sempre na magia da música que permite que as pessoas se liguem e comuniquem e que esta é uma linguagem universal, como o esperanto, pois  através dela todos pensam e sentem o mesmo, basta ter o mínimo de sensibilidade!
O momento final em que um par de cada grupo interage com os restantes grupos numa coreografia que exalta a alegria e a amizade também me sensibiliza sempre muito, assim como o espírito de equipa e a capacidade de doação que permite que se realizem espectáculos deste gabarito
Está o presidente  do Cofit,Cesário, de parabéns assim como todos os que colaboraram com ele , os grupos que cá estiveram e estamos nós terceirenses de vantagem por termos podido apreciar um espectáculo de tal qualidade que muito nos deliciou e enriqueceu.
Parabéns e muito obrigada por terem trabalhado, cantado e dançado para nós!

"1948, o ano em que eu nasci".

Como aqui já referi, celebrei no passado dia doze, o meu aniversário. Muitas mensagens, telefonemas, cumprimentos, flores e outros mimos e presentinhos que me aqueceram o coração e fizeram feliz , entre os quais um pequeno livro enviado pela minha amiga Maria José Azevedo, publicado pela editora "7 Dias e 6 Noites- Editores Unipessoal, Lda.2007"  com o título em epígrafe o qual  numa pequena resenha se refere aos  feitos e aspectos mais relevantes desse ano.
Fiquei então sabendo que nasci numa quinta- feira e que nesse ano a moda Dior alcançou o seu lugar cimeiro com o seu "new style" que se caracterizou pelos fatos de cinturas muito justas, que o Sporting conquistou o título de vencedor do campeonato nacional da primeira divisão  e que era
então presidente da república o general  Óscar Carmona, Portugal tinha à época, uma população de oito milhões e trezentas e cinquenta e nove mil pessoas  e que  a União Nacional de então organizou iniciativas públicas para comemorar os vinte anos de exercício do presidente da república e da nomeação de Salazar como membro do Governo e que Lisboa assinou com os EUA um acordo que concedeu facilidades militares nos Açores às forças armadas norte-americanas.
 A Califórnia revelou-se uma das zonas mais importantes de produção de petróleo, em Nova Deli foi assassinado Gandi, defensor dos métodos não violentos de contestação e da tolerância religiosa, na África do Sul iniciou-se o regime de apartheid, não foi, nesse ano, atribuído prémio Nobel da paz, o fast food mudou a história da alimentação com a inauguração de uma hamburgueria McDonald, em Londres houve a primeira reunião dos alcoólicos anónimos, foi criado, na Grã-Bretanha, o serviço de segurança social , o melhor filme do ano foi Hamlet e o melhor actor Lawrence Olivier, a Polaroid apresentou a 1ª máquina fotográfica para fotos instantâneas, foi criado o 1º relógio de precisão, enfim tudo isto e muitos mais  feitos de grande importância e valor para a sociedade e para o Mundo, mas o que não se pode negar é que o feito mais importante desse ano foi o do meu nascimento ( Presunção e água benta, cada um toma a que quer...), não fora isso, eu não estaria aqui a desejar-te, sinceramente, uma boa semana !
Um agradecimento especial a todos os que se lembraram de mim nesse dia.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Força, voluntariedade e tenacidade

Hoje foi o dia  do meu 63º aniversário, deveria estar triste porque na sociedade actual sobrevaloriza-se sobremaneira a juventude e a beleza que lhe está subjacente, em detrimento da sabedoria, da experiência, da capacidade de amar, tolerar, desculpar e ajudar ; Contudo, não estou nada triste, pelo contrário, sinto-me contente e realizada embora saiba que não posso viver eternamente, isso para mim não é importante, o que quero é viver bem enquanto puder. Não quero nem devo queixar-me da vida porque não sei como será a morte...
Ao olhar para trás vejo que caí muitas vezes mas que consegui levantar-me outras tantas, que disse sempre o que pensava ser o mais correcto, tentei dar sempre o máximo nos projectos profissionais ou comunitários em que me envolvi, tentando conservar-me fiel ao meu carácter, sempre consciente de que podia estar enganada  mas que como qualquer cidadão tinha e tenho o direito de estar enganada .
É por tudo isto que digo que estou feliz, contente comigo própria e com a minha vida que vou pintando com as cores que mais me agradam, não esquecendo nunca que nas árvores, mesmo após chuvadas abundantes e fortes rajadas de ventos há sempre folhas resistentes que se agarram tenazmente aos ramos para nos darem exemplos de força voluntariosa e de grande  tenacidade.
É isso mesmo,  força voluntariedade e tenacidade nos sessenta, nos setenta, nos oitenta, nos noventa, até que o vento, de mansinho, leve a folha por entre as nuvens de algodão , raios de luar e brilhos de estrelas até ao quentinho e dourado do Sol ! 

sábado, 6 de agosto de 2011

Cortejo de abertura das festas da cidade da Praia da Vitória

Numa noite calma e quente a Praia da Vitória fez desfilar um cortejo que considero pedagógico  pretendendo e  conseguindo lembrar as artes no seu todo; Estiveram presentes,a literatura, a música, a ópera a dança, a pintura, a escultura , o teatro e o cinema, tudo isto de mãos dadas com uma concepção de elegância, requinte, bom gosto, criatividade e magia de realçar, que nos fez arregalar os olhos e sonhar com pena de aquele momento ser efémero e de termos de esperar pelo ano seguinte para podermos admirar o talento a criatividade, espírito de trabalho e brio apanágio dos praienses.


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Angra,Festa Brava

E porque as palavras e as ideias são como as cerejas; atrás de uma vai outra, tendo estado nas postagens anteriores a falar de touradas, quanto a mim o ex-libris da ilha Terceira, lembrei-me do cortejo de abertura das Sanjoaninas 2011 subordinado a o tema acima referido.
Um cortejo simples, feito com a prata da casa como se costuma dizer, mas que cumpriu o seu objectivo e transmitiu a mensagem que se pretendia o que vem mais uma vez confirmar que quando há criatividade e boa vontade não são necessárias verbas anormais para a realização de um projecto ou de um sonho...
Aqui ficam algumas imagens demonstrativas, visto que não gostaria de me referir ao cortejo da Praia da Vitória sem aqui deixar um apontamento, por mais pequeno que seja, acerca deste evento.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Tourada nas Figueiras Pretas

Há um provérbio inglês que diz o seguinte:
-Muitas coisas se perdem por não serem ditas ou pedidas.
É o que se está a passar um pouco comigo, com tantos afazeres ou talvez por dar prioridade a outras coisas, tenho estado a descurar um pouco esta página e estão-me a passar ao lado coisas importantes que eu tenho vivido, aprendido e ou pensado e que embora me tenha proposto inicialmente registar aqui todas as minhas vivências, estão a perder-se. É o caso da tourada das Figueiras Pretas, incluída no programa das festividades das Bicas de Cabo Verde e que embora fique aqui muito perto de casa nunca tinha ido a essa tourada. Este ano fui  lá a convite de amigos nossos, o Victor e a Zélia Carreiro, foi muito engraçado porque estive e conversei com pessoas amigas e conhecidas muito simpáticas e fiquei num local previligiado que me permitiu observar as manobras do descarregar das gaiolas e o trabalho dos pastores na saída e entrada do animal. Os touros vieram da vizinha ilha de S. Jorge e eram da ganadaria do SR. Álvaro Amarante
Durante os intervalos foi distribuída massa doce nas casas da localidade, a filarmónica  da Serreta abrilhantou a tarde com os seus acordes e a festa em casa da Zélia e do Victor foi de arromba,como se diz por cá.  

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Apreciar o passado... (tourada das Bicas de Cabo Verde)

Faz hoje precisamente um mês que vivemos na nossa casa,  momentos ricos, embora fugazes que gostaria que fossem eternos.
Como gostamos muito de receber os nossos amigos aproveitamos o dia de tourada junto da nossa casa, para  convivermos, apreciando deste modo o que a vida nos oferece de bom.  Recordo e aprecio esses momentos passados, apreciando, saboreando e enaltecendo  assim a vida  visto que a nossa vida é composta de momentos passados que de tão marcantes  permanecem na nossa memória.
Para os que não são de cá informo que dia de tourada na ilha Terceira é dia de porta aberta e de mesa posta para todos; são corridos quatro touros atados a uma corda manobrada pelos pastores de chapéus abeiros e camisolões brancos, os quais são estimulados pelos capinhas que os trabalham em bonitos passes de guarda-sol em punho, sendo mimoseados com palmas e olés da multidão.
O que dá o toque final a toda esta alegria é o chamado "quinto touro" altura em que os convivas se juntam à volta da mesa para conviverem apreciando os tradicionais petiscos e refrescando a garganta com uma cervejinha bem geladinha.
Quero mostrar-te uma especialidade feita por uma amiga nossa do Porto Judeu " papas grossas", freguesia onde são confeccionadas como em lugar algum da ilha Terceira. Falo da minha amiga Maria de Lurdes Melo que as fez e decorou com um tema apropriado, cá está o capinha com o seu guarda-sol chamando o touro, isto em canela, claro, que dá aquele sabor inconfundível...
Agora é esperar pelo ano que vem para voltarmos a viver momentos semelhantes. Contudo e porque digo que a vida é feita de momentos passados não quero aqui deixar de referenciar que neste dia me lembrei bastante de um amigo que há um ano esteve connosco muito contente e satisfeito e que já não se encontra entre nós, o Victor Rocha. É por isso que devemos aproveitar cada segundo, cada momento, cada oportunidade!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Coroação nas Bicas de Cabo Verde

Depois da mudança da corôa a que já me referi, toda a semana de 18 a 25 de Junho se rezou o terço ao Divino Espírito Santo, pelas 19 h., um pouco cedo mas teve que ser pois estas festividades coincidiam com as Sanjoaninas e as pessoas queriam estar livres para ir até ao centro de Angra.
Aqui está a Senhora Maria Fernanda Teixeira, uma anciã que todos os anos se desloca, ao longo da semana, ao império, para oferecer o terço, e sempre de joelhos, enquanto que os mais novos, por vezes nem de pé se aguentam...
Chegou o Domingo, dia 26, pelas 11 horas , as pessoas foram chegando, para se formar o cortejo que se dirigiu até à ermida Jesus Maria José, onde iria ser rezada missa, depois de longos anos em que esta esteve inoperacional devido ao cismo se 1980. Com muita luta, muitos sacrifícios e muita persistência os seus donos, a família Carreiro conseguiu restaurá-la, vivendo neste dia da respectiva inauguração momentos de muita alegria e comoção.
Até eu me senti feliz  e comovida com a coragem destas pessoas que reergueram este património com tanta coragem dignidade e respeito pelo legado dos seus antepassados. Até o sol compreendeu que o dia era de festa e brilhou de modo a que tudo fosse perfeito neste dia especial para esta localidade, Bicas de Cabo Verde:

De São Pedro um cantinho
Q'avista a Penha de França
E o Monte Brasil Alcança
Até Angra, um instantinho!

É deste dia , deste momento e desta localidade onde vivo há largos anos que te mostro este pequeno vídeo para que recordes tempos passados, se for caso disso, fiques a conhecer os nossos costumes e tradições se não fores de cá e também para que concluas que os lugares são como as pessoas, mesmo pequenos têm a sua história, as suas características, os seus hábitos e tradições, enfim a sua alma que urge alimentar, temos obrigação disso, seguindo as pisadas dos nossos avós para que os nossos filhos se orgulhem e percebam a sua identidade!  

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Momentos felizes

Por vezes,  pensamos ser infelizes, porque estamos agarrados ao passado, pensando que este era melhor do que foi na realidade, pensamos que o presente é pior do que é e investimos  esperanças demasiado ambiciosas no futuro, esquecendo que podemos, em muitos casos, ter um certo controlo sobre as nossas vidas e que muitas vezes somos nós próprios criadores dos problemas que nos enegrecem e complicam a vida. Na verdade, nem sempre podemos fazer o que queremos e aquilo de que gostamos, mas se procurarmos com discernimento poderemos encontrar a felicidade na maioria das coisas que fazemos. A escolha é nossa, podemos produzir problemas ou desmontá-los!!!
É importante compreender que poucas coisas, poucas pessoas e poucos momentos, nas nossas vidas, podem ser considerados banais... Se os considerarmos como únicos nas nossas vidas  a nossa reacção passará a ser de apreço, de gratidão, de felicidade, por termos tido oportunidade de desfrutar daquelas coisas, daquelas pessoas, daquelas experiências, daqueles momentos...
Ontem desfrutei de um momento único, que quero preservar para sempre na minha memória! Fui convidada a participar no jantar de encerramento do ano lectivo dos professores da escola Infante D. Henrique, onde leccionei vários anos e onde leccionava quando me aposentei há dez anos atrás, compreendi que com o convite e com as flores que me ofereceram me quiseram mostrar com delicadeza, a sua gratidão por, modestamente, ter colaborado com eles na festa de fim de ano.
O jantar no restaurante" Casa do Peixe" estava uma delícia, especialmente as lulas na telha mas o que mais me fez sentir feliz foi reviver aquele ambiente de reunião de professores que só quem participou nelas sabe a que me refiro...  
Falou-se de tudo, pedagogia, psicologia, política, colocações de professores e até, pasme-se, da essência da felicidade!
Para mim, a essência da felicidade , é ser uma sessentona aposentada e saudável, participar numa reunião de professores novos no activo e sentir-me viva, entusiasmada, interessada e curiosa pelas coisas do ensino e da vida em geral, como me sinto e como me senti ontem, quando me reuni  com estes professores, que apesar de terem pelas costas um extenuante ano de trabalho, um desgastante dia a receber os encarregados de educação e a entregarem as avaliações dos alunos ainda discutiam com entusiasmo os problemas do ensino, as dificuldades de aprendizagem de determinadas crianças e a repercussão que o ambiente familiar e social tem nos alunos e no respectivo sucesso educativo.
Adorei e compreendi porque é que quando me dizem:
-A senhora era professora...
Eu respondo prontamente:
-Eu sou professora!
Para mim, esta profissão, foi como que uma segunda pele que eu vesti, quando pela primeira vez entrei numa sala de aula, repleta de crianças irrequietas e barulhentas e que só despirei quando partir desta vida ...
Obrigada pelo jantar, obrigada pelas flores e especialmente obrigada por me terem proporcionado um momento único de  tanta felicidade! 

Quero aqui realçar e registar, as simpáticas e oportunas palavras ditas pela Senhora Coordenadora de Núcleo, professora Helena Martins que de um modo descontraído e em tom de festa, dirigindo-se a alguns presentes em especial e a todos os presentes de modo geral versejou deste modo:
I
Bem haja professora Clara Faria
Por tão prestável colaboração
Emprestaste, à festa, fantasia
Desabrochada da tua imaginação.
II
P'rá festa, ternamente, foste convidada,
Preencheste d' alegria nossas almas
Por nós, serás sempre lembrada
Mereces uma salva de palmas!
III
A todos com sacrifício piedoso
Que d'alguma forma ajudaram
Obrigada Dulce Cardoso
Pelos tempos que te furtaram.
IV
Da música te ocupaste com engenho
Foste serviçal, dedicada e fiel
mostraste enorme empenho
Desempenhaste o teu papel.
V
Ao Altino felicidades desejamos
P'lo tão esperado casamento
Com muito gosto te ofertamos
p'ra não ficarmos no esquecimento.
VI
Colega Belarmino Ramos
Artista de enorme sensibilidade
Lágrimas juntos derramamos
De nostalgia e muita saudade.
VII
Meu Deus! Mais um ano findou,
Parece incrível mas é verdade,
Como o tempo depressa passou
Lutemos p'la nossa felicidade.
VIII
Que p'ró ano juntos possamos estar
Aqui ou em qualquer lugar
P'ra que com alegria festejar
Sempre com requintados jantares.
IX
Aos novos colegas aqui presentes
As maiores felicidades do Mundo
Mesmo que p'ró ano ausentes
Permanecerão em pensamento profundo.
X
Chegou a hora p'ra rir e brincar
Tirar partido da vida é virtude
Vamos todos neste momento brindar
À minha, à tua e à vossa saúde...
Sejam felizes!!!

E foi deste modo que alegremente se brindou aos colaboradores, aos presente e ausentes, aos novos e mais "entrados", ao casamento de um colega, aos que permanecerão juntos e aos que partirão por força das circunstâncias, enfim a momentos felizes como este !

Império de Bicas de Cabo Verde/Mudança da corôa

No Sábado, 18 de Junho, pelas 18 h., procedeu-se à mudança das coroas para o Império.
As pessoas foram chegando a casa do Senhor Victor Carreiro, procurador da festa, assim como a filarmónica da Serreta que abrilhantou este acto.
Houve um abundante lanche para todos os presentes e apreciou-se o restauro da ermida  Jesus Maria José, propriedade da família Carreiro que fora destruída pelo cismo de 1980 e agora restaurada, ficou linda! Vai ser inaugurada no Domingo da festa.
Após tudo isto formou-se um cortejo com as coroas e as bandeiras sempre acompanhado pela filarmónica até ao Império.
Todos os dias  foi rezado o terço ao Divino Espírito Santo.

sábado, 18 de junho de 2011

Decoração do altar do Império de Bicas de Cabo Verde


O calendário indica que está na altura deste império fazer a sua coroação...
Já se realizou a ceia dos criadores que este ano foi almoço, conforme já aqui dei conta, já se distribuiu pão, carne e vinho, por todos os habitantes da freguesia e irmãos do império, agora resta fazer a coroação e a função a todos os participantes  na coroação e demais habitantes, para tal havia que decorar o altar...
A Ana Soares que é muito habilidosa e tem vários talentos, idealizou a respectiva decoração e sendo amiga deste império e prima do procurador,  ficou incumbida desta delicada tarefa, sorte a dela que teve a visita da sua irmã,Teresa Teixeira que veio da Califórnia passar férias e que também tem muito jeito para decorações florais e que a ajudou muito. O resultado foi o que te mostro abaixo, embora faltem alguns pormenores, ficou lindo!
Quanto a mim, dei o meu apoio moral e dou-lhes os meus parabéns pelo seu talento e sobretudo pela disponibilidade em colaborar com o nosso império. Isto tudo em louvor Divino Espírito Santo cuja mudança,  está programada para amanhã,   Sábado,  dia 18, pelas 16 h. da ermida Jesus Maria José, propriedade da família do procurador senhor Victor Carreiro, para o império.
Se vives na localidade ou redondezas e me lês, não deixes de comparecer para abrilhantar este acontecimento e apoiar a comissão de festas que tanto se tem empenhado!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Império de Bicas de Cabo Verde, distribui carne pão e vinho.

Já se passaram 50 dias desde o dia de Páscoa e os cristãos celebram hoje o pentecostes, lembrando a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos de Jesus Cristo, reunidos no cenáculo, tendo estes experimentado uma renovação pessoal e espiritual.
Penso que os Açores são o lugar de Portugal onde mais se reverencia a terceira Pessoa da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo). Por isso hoje foi dia de Bodo, dia em que as ilhas se transformam numa grande mesa onde a partilha impera,  em louvor do Divino.
Longe vão os dias em que devido às grandes carências que se viviam, este dia era um dia especial e esperado em que as pessoas corriam as freguesia a apanhar o pão que era dado a todos os visitantes, distribuído em lindas cestas de vimes com alvas e arrendadas toalhas e provando o vinho de cheiro que era distribuído à farta.Nesse dia se se ficava um pouco "tocado" era desculpável e até certo ponto era sinal de que o vinho que o mordomo do bodo comprara nos Biscoitos era de boa cepa! 
  Foi  imbuída desse espírito também que a comissão de festas do império de Bicas de Cabo Verde decidiu, integrado no programa das suas festividades, distribuir nos dias 9 e 10, carne, pão e vinho a todos os habitantes das localidades de Bicas e Figueiras Pretas em São Pedro de Angra do Heroísmo, por todos os criadores e demais irmãos do império para que houvesse fartura à mesa de todos neste dia, tudo em louvor do Divino Espírito Santo.
Foi uma fartura de Carne e pão e vinho e um repetir dr tradições, cumprindo rituais ancestrais como abaixo podes ver:...

sábado, 11 de junho de 2011

EB1/JI Infante D. Henrique - Encerramento do ano lectivo 2010/2011



Vamos Salvar a Floresta!

Foi no passado dia 9, pelas 20h., no teatro Angrense que teve lugar este acontecimento,  já habitual e digamos que tradicional, para se encerrarem as actividades lectivas desta escola, em jeito de balanço, apresentando-se,  informalmente, as evoluções a vários níveis sofridas pelos alunos. Sim, porque ao longo de um ano lectivo, muita coisa muda na postura de uma criança, a nível físico e porque estamos a falar de uma escola, sobretudo  a nível cognitivo e de desenvolvimento de inúmeras competências.
Foi, na verdade, um serão maravilhoso, um sério investimento na educação destas crianças em que  se efectivou uma perfeita articulação entre a comunidade escolar, professores, pais, encarregados de educação, alunos e outros técnicos, num verdadeiro exemplo de uma escola pública verdadeiramente inclusiva e de qualidade.
Só de lamentar que quem de direito não estivesse lá para reconhecer e valorizar  o trabalho feito...
 Muito se tem escrito e falado do sistema de avaliação das escolas e dos professores, os quais têm sofrido  modificações, ao longo do tempo, cada ano que passa, ou quando há mudanças no respectivo ministério, contudo, este trabalho apresentado vem confirmar  que os professores, de modo geral,  colocam as crianças entre as suas prioridades, valorizam a sua carreira e que embora com condições de trabalho, a nível psicológico, inadequadas, e alguns em condições de trabalho precário, com os seus salários despudoradamente atacados, o aumento da duração de uma carreira verdadeiramente desgastante e cada vez menos valorizada, não cruzam os braços, esquecem tudo isso, vão em frente e cumprem o que pensam ser o seu dever!!! 
Muita cor, muita alegria, descontracção, música e dança "embrulharam" o tema central que pretendeu celebrar o "Ano Internacional da Floresta" o qual teve a sua apoteose a partir do tratamento,  da formação da Terra, do aparecimento do Homem, e da sua nefasta acção sobre o ambiente.
Conceitos, conclusões, chavões e palavras sábias, à volta destes temas, foram postos nas boca destas crianças; tenho a certeza, não cairão "em saco roto" , visto que todos sabemos que o ensino informal faz parte integrante da evolução continuada do indivíduo.
Parabéns a todos: Aos pais, por terem tais filhos, às crianças por terem tais professores, à comunidade por ter tal escola e aos professores por saberem  ser professores, erguendo a cabeça e esquecendo a política educativa que se desenrola à sua volta e que entristece, desencentiva e desmotiva cada dia que passa.
Estou convosco!