domingo, 14 de maio de 2023

Da cantaria à máquina de lavar:


 Quando, em Novembro de 1943, os ingleses chegaram à ilha Terceira, nos Açores, para construírem a pista da futura base das Lajes , as casa localizadas na àrea da pista foram desocupadas e posteriormente demolidas. O meu avô paterno Joaquim Fernandes Homem vivia no local, nas Bugias,  com a sua família e viu a sua casa ser demolida em 1944. Entretanto, os ingleses construíram habitações para os desalojados, duas aldeias, a aldeia Nova Das Lajes e a Aldeia Nova do Juncal.

Lá veio a minha família paterna, para a Aldeia Nova das Lajes,  com os seus carros de bois atulhados com os "trastes", porcos e galinhas, trazendo também algumas cantarias entre as quais uma enorme onde havia sido escavada uma pia para se lavar a roupa.
Dois anos depois casam os meus pais e a minha mãe "ganhou" uma máquina de lavar roupa... Muito lavou e esfregou nela e muita sabonária fez, com sabão azul e branco, que era o que havia, até eu também lá pratiquei e milagre dos milagres nunca avariou nestes  cerca de 80 anos! Portanto, se tens a tua máquina de lavar roupa avariada, empresto-te esta, é do coração!

sábado, 6 de maio de 2023

EM LOUVOR DO DIVINO ESPÍRITO SANTO:

 Ceia dos criadores,

Está tudo a postos  na dispensa do Império de Bicas de Cabo Verde para a tradicional ceia dos criadores. A comissão esmerou-se e empenhou-se e espera a presença de todos os convidados e familiares para abrilhantarem e colorirem este evento, tudo em louvor do DIVINO ESPÍRITO SANTO...

















sexta-feira, 5 de maio de 2023

 

No dia da mãe:




 Matrioskas:
Sempre que olho, abro ou manuseio, para limpar, esta tosca boneca de madeira, penso na maternidade e no facto de uma mãe dar à luz vários filhos que por sua vez se reproduzem, embora nunca tenha aprofundado o significado desta boneca, vai daí que no dia dedicado às mães, nem que nos outros dias as mães se despissem desta qualidade, decidi investigar  e fiquei sabendo o que já sabia empiricamente e por intuição que:
" Matrioska é um brinquedo artesanal russo  que se baseia na reunião de uma série de bonecas de tamanhos diferentes que são colocadas umas dentro das outras. Esta boneca simboliza a fertilidade, a ideia de maternidade, amor e amizade; O facto de uma boneca sair de dentro da outra representa o parto, quando a mãe dá à luz os seus filhos e depois as filhas repetem o exemplo das mães  e assim sucessivamente".
Afinal uma mãe não é mais nem menos do que uma Matrioska que dá vida aos filhos conservando-os dentro de si, protegendo-os no quentinho do seu coração, sofrendo as suas dores  e alegrando-se com os seus êxitos , esquecendo-se muitas vezes, de si, para que aos filhos não falte nada.




quinta-feira, 27 de abril de 2023

Os botões da minha infãncia:

 


Abri a caixa dos botões, e dei por mim a olhar um conjunto de botões que apertei na palma da minha mão, com carinho e saudade e me levaram à minha meninice e à história que te vou contar:

Era um Domingo de manhã e a minha mãe resolveu ir mais cedo para a igreja, na freguesia das Lajes, hoje vila, para rezar as suas orações, antes da missa. Lá me levou  a reboque, com o meu casaco de feltro vermelho, muito macio e quentinho, assertoado, com quatro botões que, com a luz, na minha imaginação, me pareciam estrelas. Naquele tempo havia botões muito bons e bonitos...

Chegadas, lá se pôs ela a rezar e eu, sentada  no  banco, com as pernas a balouçar, a olhar, com enfado, para todos os santos e à procura de distração. No banco à frente outra senhora, muito enroupada e bastante anafada, encorpada, também rezava muito concentrada. Sempre o mesmo, nada de diferente que me distraísse... eis se não quando, chega nova personagem, uma senhora com as mesmas características da primeira que  lhe pede para a deixar passar para se ajoelhar a seu lado, a senhora não se levantou, só se inclinou para trás e a desgraçada tenta passar, mas a roupa era tanta e o encorpamento não ajudava que ficaram ali as duas "entaladas" como sardinhas em lata, nem para trás nem para a frente e eu de olhos arregalados a rir, a rir que nem uma perdida...

Quando minha mãe se apercebeu do que se passava bem que me fazia cara feia e apertava o braço para que eu tivesse tino o que só passou quando a senhora lá  deu um certo jeito, deslizou e conseguiu libertar-se daquela prisão, vermelha nem um tomate, tal fora o esforço!

Vindas para casa, a minha mãe não se cansava de contar a meu pai, o vexame por que tinha passado comigo , ao que o meu pai dizia mais ou menos isto:

- Deixa lá mulher, contra um ataque de riso não se pode fazer nada! Ao que, eu à distância destes quase setenta anos, acrescentaria: - e contra um ataque de choro também não podemos fazer nada! Só nos resta rir ou chorar e no fim ficamos com a alma lavada...

Quem me dera ter vontade de rir, como naquela altura, aquele riso inocente, cristalino e saboroso, mas agora não é tão fácil!




domingo, 23 de abril de 2023

 A Grandeza de um livro:

Abro um livro
e fujo ao vazio, à monotonia,
à solidão e à melancolia
e, sem me aperceber,
afasto-me…
de dores, maldades, espinhos
das maledicências dos outros.
Folheio um livro
e logo, logo, percebo
a vida, a alegria e a tristeza,
a saudade, o amor e a beleza,
o horror de tanta maldade,
e o valor da igualdade,
porque ele me ajuda a perceber
as várias vertentes do meu percurso,
as diferentes cores de um discurso.
Acaricio um livro
e torno-me criativa,
imagino o Mundo, as culturas,
os povos e muitas aventuras…
e do livro brota uma semente
que lançada à terra quente
se torna em rica colheita
de plena satisfação,
de grande realização.
Olho um livro
e começa o meu sonho,
o meu acreditar,
que num livro há uma grandeza
que me puxa e me empurra
para um lugar de grande beleza
onde impera a verdade
a cultura e a felicidade!
Clara Faria da Rosa
23/04/2023
(Dia Internacional do Livro)
Todas as reações:
Marília Costa, AnaBela Mendonça e 41 outras pessoas
14 comentários
1 partilha
Partilhar

terça-feira, 11 de abril de 2023

 Brinquedo raro e histórico:

Lembro-me muito da minha infância, época calma em que era tratada com mimo e carinho e que, a esta distância, me parece ter sido maravilhosa. Quando a recordo sinto-me como que iluminada por uma luz interior que me deixa muito feliz.
Guardo uma recordação muito viva de Páscoas distantes em que não havia essas deliciosas amêndoas nem os coloridos ovos de chocolate que nos deliciam, ou talvez existissem só que não era com tanta abundância e também não abundava o dinheiro para os comprar que, como dizia a minha mãe, não era para gastar nessas "frescuras" mas em coisas mais necessárias! Pronto e lá ficávamos pelos folares, que ela cozia no formo de lenha, nos quais punha ovos em abundância porque não eram comprados.
Portanto a nossa Páscoa era: folares. igreja, igreja, igreja, a ceia grande e o dia de Páscoa com um almoço melhorado, mas tudo de casa... Lá ia a minha mãe ao curral e agarrava a melhor galinha para esse dia!
Porém, na primeira metade da década de cinquenta, calculo eu, aconteceu uma coisa extraordinária para mim, recebi de presente duas pequenas galinhas de plástico duro, uma branca e outra amarela, que ao serem pressionadas abriam as asas e punham pequenos ovos de plástico !
Passei toda a Páscoa sentada na mesa da cozinha a brincar, de tal modo que um dos brinquedos se partiu, ficou o que te mostro, que considero um brinquedo raro e histórico, quando o olho, um sorriso enorme desenhasse-me no meu rosto e rodeia-me um cheiro da minha infância que me lembra tudo o que se tinha apagado da minha memória!
Boa Pascoela.
Todas as reações:
Zélia E Victor Carreiro, Lisete Borges de Meneses e 54 outras pessoas
25
Partilhar

domingo, 9 de abril de 2023

Amores-perfeitos na mesa de Páscoa:



Na minha toalha de Páscoa

Pintei  amores-perfeitos

E usei  pratos coloridos,

Tudo para  nos alegrar

Tudo para  celebrar...

E sobre a linda toalha

Um douradinho folar

E um bolo a querer lebrar,

Muitos ovos num ninho

Tudo num carinhoso miminho...

E à volta da Toalha

Depois do almoço prolongado

Saboreámos com agrado

A sobremesa  variada

Com um licor acompanhada...

E perante a linda toalha

Esta Páscoa brindámos

A uma renovada esperança ... 

Porque Cristo Ressuscitou!

Porque Cristo voltou!

Clara Faria da Rosa,

Páscoa de 2023