domingo, 31 de outubro de 2021

 Dia Mundial da Poupança - 31 de Outubro

Celebra-se hoje o dia mundial da poupança, acabo de ouvir no noticiário, onde anunciaram também que para a maioria dos portugueses é : chapa ganha, chapa gasta...
Fiquei deveras admirada, pois não sabia que havia esta efeméride, naturalmente criada para chamar a atenção da população para a necessidade de poupar.
Fui criada a poupar, só se gastava se era extremamente necessário e se se podia e fiquei habituada! Agora tendo uma vida mais desafogada, não consigo gastar de forma perdulária, pensando sempre se é preciso fazer aquela despesa.
A respeito, queria contar-te uma história que li há muito tempo, mas que nunca esqueci, por ser bastante significativa para mim.
- Havia um casal que com grandes dificuldades e sacrifícios, conseguiu manter dois filhos, em simultâneo, na universidade até que estes se formaram e foram à sua vida. Então, com o orçamento mais desafogado, o marido resolveu oferecer à esposa uma noite diferente e marcou jantar num afamado restaurante. Lá foram todos elegantes, rumo a um prémio bem merecido só que as coisas não correram bem como haviam projectado porque ao entrarem no requintado espaço, a esposa começou a sentir-se muito mal , com falta de ar, tremores e suores a cobrir-lhe o rosto. Não conseguia entrar e puxava o marido para fora... Ao ser interrogada pelo marido sobre o que se estava passando esclareceu que não conseguia entrar e gastar tanto dinheiro, que estava viciada na poupança e que tinha feito tantos sacrifícios que se tornara avarenta!!!
Não precisamos, nem devemos chegar a este ponto, porque como diziam os antigos "dias não são dias", contudo, esses mesmos antepassados também diziam que quem não poupa nem herda não possui se não ....., e que grão a grão enche a galinha o papo, não precisavam do dia mundial da poupança, para eles todos os dias serviam, contudo os hábitos de poupança mudaram muito e os portugueses poupam muito pouco ou nada!
É preciso ter em conta que a estabilidade na vida não se conquista só com sorte, como muitos pensam, mas com muito esforço, trabalho e poupança.
Meus pais não me diziam como eu devia fazer no que respeita a esta matéria mas faziam-no e eu observava e segui-lhes as pegadas
Para se estar bem, felizes e confiantes temos que estar seguros e não ter problemas financeiros , no entanto queria frisar que esta matéria de poupança não se deve cingir à questão monetária. Poupa-se dinheiro, poupa-se na cozinha organizando-se sabiamente as refeições e reciclando comida isto é aproveitando o que sobrou, poupa-se a roupa, a água , a electricidade, o tempo e as palavras que quando são muitas e , por vezes a despropósito, muitas vezes caem mal...
É por isso que me vou calar, para não dizer coisas a mais e não me tornar maçadora nem gastadora de palavras, antes porém quero deixar este grito de alerta:
- Pensa como muitas pessoas sobreviveriam e ficariam felizes apenas com aquilo que tu desdenhas, estragas e ou rejeitas...
PS: É bom termos algumas poupanças para que o governo tenha algo para nos levar! Ele ficar-nos-à grato por isso...( isto sou eu e o meu sarcasmo...)
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Quelminda Homem, Eduarda Lourenço e 14 outras pessoas
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 No dia mundial da poupança:

Poupa a nobreza e o povo
Poupa o velho e o novo,
Poupa o adulto e a criança
Ai Jesus, tanta Poupança!
Poupa o pobre e o remediado
Poupa o rico e o abastado
Poupa quem pode poupar
Poupa quem tem para poupar!
Há quem poupe na comida,
Na roupa ou na bebida,
Há quem poupe no vestir
E saiba ao consumo resistir...
Saber poupar é uma arte
Nos Açores e em qualquer parte,
Há quem toda a vida poupou
E da miséria não passou!
Não poupes é no amor
Mas poupa o próximo à dor,
Gasta amizade à vontade
Esbanja sorrisos e bondade!
Clara Faria da Rosa

Atrasos...

 Ai quem me dera,

Voltar atrás na  minha vida

Meses, dias, anos e semanas ...

Ai quem me dera,

Poder torná-la mais comprida

Para saborear recordações e alegrias...

Ai quem me dera,

Na triste hora da partida

Poder atrasar a minha vida

Nem que fosse só uma hora

Para gozar esta dádiva...

Ai quem me dera,

Ter a tua companhia

Por muitos anos, meses e semanas,

Nem que fosse só mais um dia...

Para me encher de alegria,

Sentir ainda o pulsar da vida,

Este dom, esta maravilha,

Aceitar deveras resignada

E humildemente dizer

-Valeu a pena viver!


31/Outubro/2021

Clara Faria da Rosa





  À meia noite atrasou o relógio, mudámos para a hora de Inverno!

Mudanças…
Muda a Hora, muda o tempo ,
Muda o frio e o calor ,
Muda a idade e o vento,
Muda o carinho e o amor,
Muda o trabalho e a vontade
Muda a mãe natureza
Muda a coragem e a bondade
Muda a força e a beleza...
Só não muda a consciência
E uma grande evidência
De que há homens que não mudam
E os pobres e fracos humilham
São corruptos e indignos
Gananciosos e injustos...
Mas o tempo vai mudando,
como a hora, os dias, meses e anos
E cada um vai caminhando
Para uma grande mudança
Para um crepúsculo que avança
Para a decadência, para o declínio
Para o ocaso da vida!
Clara Faria da Rosa

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

 Esquerdinos , destros e a tesoura da minha mãe:

Calcula-se que 10 a 12% da população mundial seja esquerdina, os ditos em linguagem corrente, canhotos, ou seja os que têm mais habilidade na mão esquerda e nos membros do lado esquerdo e sofrem para se encaixar num mundo maioritariamente de destros, isto é dos que utilizam preferencialmente a mão direita.
Embora este seja um assunto que tem exigido aos especialistas muitos e aprofundados estudos, o que se refere logo à partida, é que se trata de uma predisposição genética que ao longo dos tempos causou muito sofrimento aos que a tinham, chegando-se ao ponto de punir as crianças por usarem a mão esquerda . Sabe-se que os esquerdinos têm mais tendência para a genialidade, bastando para o confirmar citar alguns esquerdinos famosos como:
-Einstein (Cientista)
-Angelina Jolie (Actriz)
-Napoleão Bonaparte (Imperador de França)
-I Newton (Cientista)
-Bill Gates ( fundador da Microsoft) e muitos mais...
Tem cabimento citar aqui os ambidestros , aqueles que têm capacidade de utilizar igualmente as duas mãos de forma normal e com a mesma habilidade, embora eu pense que essa característica tenha a ver com questões de educação e ou foram forçadas a contrariar a sua tendência natural tornando-se versáteis em ambas as mãos.
A minha mãe era esquerdina numa época em que isso era considerado um defeito grande e grave e não havia as respostas e os utensílios criados a pensar nessa diferença, sendo costureira de profissão, toda a vida cortou tecido com a mão esquerda, com uma tesoura fabricada para os destros, mas ela nunca desistiu, insistiu e acomodou-se de tal forma que ganhou uma calosidade no polegar esquerdo, que a acompanhou até à morte.
Guardo essa tesoura religiosamente sentindo que merecia estar num cofre ou numa vitrine pelo que representa para mim pois foi, em parte, graças a ela, que tive possibilidade de me deslocar para a cidade e frequentar o ensino secundário e o magistério primário e também ganhar a faculdade e a capacidade de comunicar contigo de forma simples, acessível e compreensiva!
Foi por isso que a emoldurei, e coloquei num local estratégico, para me lembrar que, quando queremos muito uma coisa, não há obstáculos que nos consigam derrubar!
Juraci Lima, Rosa Maria Raminha Mendes e 40 outras pessoas
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sábado, 9 de outubro de 2021

OS BRINCOS DA RAINHA:

AGARRAR A FELICIDADE,

Estou a ler um livro escrito por Maria Helena Ventura, escritora com trabalhos publicados nas áreas da sociologia, da educação e da cultura, intitulado  " ONDE VAIS ISABEL?" que narra a vida da rainha santa Isabel desde que proferiu, em Aragão, a fórmula de aceitação em presença dos procuradores do rei de Portugal, que  depois seria complementada com bênçãos nupciais numa igreja de Portugal e com a presença do noivo, o rei D. Dinis, passando pela descrição da viagem, pela sua vida dedicada aos pobres e à causa da igreja e pelo que sofreu com o rei que embora a amasse e admirasse era um mulherengo que fazia bastardos por todo o lado, até à sua morte.

Não é um livro de leitura fácil mas vicioso e, a páginas tantas , que é como que diz, em certo momento, a dada altura, a escritora conta-nos que, na sua longa caminhada para Portugal a rainha pernoitou, com o seu séquito em Vila-Flor e que pela manhã recebeu a visita de um judeu, ourives, para lhe ofertar uns brincos em forma de mão aberta, que fizeram  sorrir D. Isabel...

" -Para vós senhora, agarrai a felicidade, quando ela passar por perto!

-E porque o dizeis assim de modo triste?

-Porque poucos de nós o sabem fazer. Andamos tão distraídos com vontade de prosperar, que nem vemos o que  realmente importa!"

E lá se foi às arrecuas entre vénias e salamaleques deixando a rainha tão agradada com o presente e com a mensagem que, mais tarde, mandou desenhar o símbolo dos brincos num lote de papel de carta cor rosa malva desmaiado para si e outro lote verde muito esbatido para D. Dinis, para que nunca  se esquecessem de agarrar cada momento de felicidade...

Cinco séculos depois, já na IV dinastia, a rainha D. Maria II visitou Viana do Castelo onde lhe foram oferecidos uns brincos de filigrana, ouro ou prata rendilhada, trabalho de um saber intemporal, cujo modelo ficou conhecido por brincos de rainha que têm sido replicados ao longo dos tempos, até a rainha Letízia de Espanha recebeu um belo exemplar desses brincos oferecidos pelo presidente da República de Portugal Dr. Marcelo Rebelo de Sousa numa visita que efetuou ao país vizinho.

E, para terminar aqui te mostro os meus brincos, desse  modelo, que uso em dias especiais, que não fazem de mim  rainha mas, quando os uso sinto- me bem e tento viver e agarrar aquele momento especial e de felicidade.  Faz o mesmo com ou sem brincos, é só querer!



 

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

AVANTE...


Gosto muito de ver programas de culinária na T.V., contudo, fico sempre admirada pelos apresentadores não usarem avental, palavra que vem do latim "AB ANTES", à frente, a tal peça de pano, de plástico ou de outro material que usamos à frente para resguardar, imagina que há dias vi uma senhora apresentadora confecionar um prato de carne coberto com um suculento molho, usando uma linda blusa de chiffon preto com umas esvoaçantes e largas mangas que por pouco não saborearam o molho. Lembrei-me muito da minha mãe quando me advertia:
- Põe um avental, protege a roupa e os alimentos!
E, a propósito deste assunto, quero contar-te uma história de que foi protagonista a minha saudosa professora da escola primária, pessoa muito agradável, e informal, Dona Alvarina Pimentel :
Acontece que eu costumava ir, aos domingos, com o meu pai ao cinema, na Sociedade Nova das Lajes, ficávamos no sótão, porque era mais barato e via-se o mesmo... certo dia, ouvimos um burburinho, Dona Alvarina, tinha chegado, apressada e em cima da hora e despia o casaco, quando, para espanto de todos se mostra de avental que com as pressas se tinha esquecido de tirar, as pessoas riam e cochichavam, mas ela, não se inibiu, levanta a mão, cumprimenta todos e calmamente tira o avental, dobra-o e arruma-o na pequena mala que levava.
Está a fazer anos, não sei quantos, são muitos, lembro-me que foi por  altura da festa das Lajes.
Logo ali concluí,  que ela também valorizava, como a minha mãe, o uso do avental de que também sou fã. Para terminar, não te mostro os meus aventais, que estão um pouco gastos de tanto uso e a precisarem de substituição mas, mostro-te esta engraçada avozinha onde costumo guardar biscoitos, com o seu avantajado avental quadriculado, muito satisfeita e pronta para o combate com as panelas.
E avante ( AD+ANTE) que é como quem diz: - Para diante, para a frente, deixemos as tolices de lado e vivamos cada dia como se fosse o último, vê lá se a  minha saudosa professora se arreliou com aquele acontecimento que embora somenos, para algumas pessoas tinha sido o fim do mundo?!


















sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Que os anjos cantem e toquem para si!!

 Quando o Sr. Presidente veio à Terceira:

O 10 de Junho do ano de 2003,  foi celebrado na ilha Terceira, nos Açores, com a presença de Sua Excelência o Senhor Presidente da República Dr. Jorge Sampaio e respetiva comitiva, com um vasto programa  que incluiu  um espetáculo de música e poesia apresentado pelos alunos dos colégios de Santa Clara, do Baloiço, grupo Santo Agostinho e do clube Orpheu 2º geração da Escola secundária de Angra do Heroísmo na Igreja da Misericórdia de Angra do Heroísmo.

Todas aquelas crianças e jovens se sentiram muito honrados por terem atuado para o Sr. Presidente porque sabiam ser um melómano assumido e porque depois do espetáculo os cumprimentou de uma forma simples e despretensiosa que os orgulhou e marcou para a vida. Aqui vai um pequeno apontamento desse espetáculo que teve lugar no 10 de Junho de há 19 anos.

Que descanse em paz e que os anjos cantem e toquem para si, Sr. Presidente!!!













quarta-feira, 8 de setembro de 2021

 Do sótão da minha infância:

Por estarmos no mês do regresso à escola, voltei ao sótão da minha infância!
Preparava-me para entrar na escola primária, como então se chamava, no dia 1 de Outubro, e assim iniciar o meu percurso académico, à altura não havia infantários, nem prés, nem nada dessas vantagens atuais, a que as pessoas de tão corriqueiras, já nem lhes dão o devido valor.
A minha mãe já me havia preparado a minha mala de cartão, com o livro, um caderno de folhas de duas linhas, uma pedra com a sua esponja, como apagador, e o respetivo lápis e já me tinha feito a bata branquinha, pois à altura era assim, a bata nivelava e tapava as misérias ou necessidades, comprara-me também uma caixinha redondinha em alumínio, para eu levar um lanchinho para os intervalos, pois viria almoçar a casa.
Muito previdente, a minha mãe, lembrando-se que " a luz que vai à frente é que ilumina", resolveu matricular-me o mês de Setembro na chamada "escola paga" , como então se dizia, para eu já ir um pouco preparada para a escola e não ter problemas de adaptação.
Lá vai a Clarinha, toda contente, com o seu avental com muitos folhos, um grande laço na cabeça, e a sua mala recheada de tesouros, para a escola da Professora Rita, que era uma regente em quem a minha mãe, e outras pessoas, confiavam muito no aspecto pedagógico, chegando lá, encontra muitos alunos sentados em pequenos banquinhos à volta de uma sala e a professora, muito profissional, a chamar os nomes que tinha registado na sua lista:
- João,-presente, responde a criança!
-Maria, -Presente,
- Ilda,-presente,
-presente,
-presente,
- presente, vão respondendo as crianças à chamada!
Eis se não quando, grande berreiro na sala, todos espantados sem saber o que se passava, era a Clarinha que chorava aflita por não ter levado um presente para a professora, pois só conhecia a palavra no sentido de oferecer algo a alguém quando a mãe lhe dizia:
-Vai levar este presente à vizinha, ou à tia, quando havia carne, fruta, hortaliças, batatas, ou algo mais para partilhar.
Já agora mostro-te a caixinha de alumínio que já tem sessenta e oito anos - para mim é uma relíquia - que eu levava para a escola, com os mimos que a minha mãe preparava, biscoitinhos e roscas feitos com a manteiga que se tirava do leite, depois de fervido, figos passados, pão com doce de uva, um ovinho cozido, fruta descascada e partida eu sei lá... os sabores, cheiros e recordações que, neste momento, me estão povoando a memória!
Marcy Beaudry, Lisete Borges de Meneses e 56 outras pessoas
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