sexta-feira, 15 de outubro de 2021

 Esquerdinos , destros e a tesoura da minha mãe:

Calcula-se que 10 a 12% da população mundial seja esquerdina, os ditos em linguagem corrente, canhotos, ou seja os que têm mais habilidade na mão esquerda e nos membros do lado esquerdo e sofrem para se encaixar num mundo maioritariamente de destros, isto é dos que utilizam preferencialmente a mão direita.
Embora este seja um assunto que tem exigido aos especialistas muitos e aprofundados estudos, o que se refere logo à partida, é que se trata de uma predisposição genética que ao longo dos tempos causou muito sofrimento aos que a tinham, chegando-se ao ponto de punir as crianças por usarem a mão esquerda . Sabe-se que os esquerdinos têm mais tendência para a genialidade, bastando para o confirmar citar alguns esquerdinos famosos como:
-Einstein (Cientista)
-Angelina Jolie (Actriz)
-Napoleão Bonaparte (Imperador de França)
-I Newton (Cientista)
-Bill Gates ( fundador da Microsoft) e muitos mais...
Tem cabimento citar aqui os ambidestros , aqueles que têm capacidade de utilizar igualmente as duas mãos de forma normal e com a mesma habilidade, embora eu pense que essa característica tenha a ver com questões de educação e ou foram forçadas a contrariar a sua tendência natural tornando-se versáteis em ambas as mãos.
A minha mãe era esquerdina numa época em que isso era considerado um defeito grande e grave e não havia as respostas e os utensílios criados a pensar nessa diferença, sendo costureira de profissão, toda a vida cortou tecido com a mão esquerda, com uma tesoura fabricada para os destros, mas ela nunca desistiu, insistiu e acomodou-se de tal forma que ganhou uma calosidade no polegar esquerdo, que a acompanhou até à morte.
Guardo essa tesoura religiosamente sentindo que merecia estar num cofre ou numa vitrine pelo que representa para mim pois foi, em parte, graças a ela, que tive possibilidade de me deslocar para a cidade e frequentar o ensino secundário e o magistério primário e também ganhar a faculdade e a capacidade de comunicar contigo de forma simples, acessível e compreensiva!
Foi por isso que a emoldurei, e coloquei num local estratégico, para me lembrar que, quando queremos muito uma coisa, não há obstáculos que nos consigam derrubar!
Juraci Lima, Rosa Maria Raminha Mendes e 40 outras pessoas
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sábado, 9 de outubro de 2021

OS BRINCOS DA RAINHA:

AGARRAR A FELICIDADE,

Estou a ler um livro escrito por Maria Helena Ventura, escritora com trabalhos publicados nas áreas da sociologia, da educação e da cultura, intitulado  " ONDE VAIS ISABEL?" que narra a vida da rainha santa Isabel desde que proferiu, em Aragão, a fórmula de aceitação em presença dos procuradores do rei de Portugal, que  depois seria complementada com bênçãos nupciais numa igreja de Portugal e com a presença do noivo, o rei D. Dinis, passando pela descrição da viagem, pela sua vida dedicada aos pobres e à causa da igreja e pelo que sofreu com o rei que embora a amasse e admirasse era um mulherengo que fazia bastardos por todo o lado, até à sua morte.

Não é um livro de leitura fácil mas vicioso e, a páginas tantas , que é como que diz, em certo momento, a dada altura, a escritora conta-nos que, na sua longa caminhada para Portugal a rainha pernoitou, com o seu séquito em Vila-Flor e que pela manhã recebeu a visita de um judeu, ourives, para lhe ofertar uns brincos em forma de mão aberta, que fizeram  sorrir D. Isabel...

" -Para vós senhora, agarrai a felicidade, quando ela passar por perto!

-E porque o dizeis assim de modo triste?

-Porque poucos de nós o sabem fazer. Andamos tão distraídos com vontade de prosperar, que nem vemos o que  realmente importa!"

E lá se foi às arrecuas entre vénias e salamaleques deixando a rainha tão agradada com o presente e com a mensagem que, mais tarde, mandou desenhar o símbolo dos brincos num lote de papel de carta cor rosa malva desmaiado para si e outro lote verde muito esbatido para D. Dinis, para que nunca  se esquecessem de agarrar cada momento de felicidade...

Cinco séculos depois, já na IV dinastia, a rainha D. Maria II visitou Viana do Castelo onde lhe foram oferecidos uns brincos de filigrana, ouro ou prata rendilhada, trabalho de um saber intemporal, cujo modelo ficou conhecido por brincos de rainha que têm sido replicados ao longo dos tempos, até a rainha Letízia de Espanha recebeu um belo exemplar desses brincos oferecidos pelo presidente da República de Portugal Dr. Marcelo Rebelo de Sousa numa visita que efetuou ao país vizinho.

E, para terminar aqui te mostro os meus brincos, desse  modelo, que uso em dias especiais, que não fazem de mim  rainha mas, quando os uso sinto- me bem e tento viver e agarrar aquele momento especial e de felicidade.  Faz o mesmo com ou sem brincos, é só querer!



 

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

AVANTE...


Gosto muito de ver programas de culinária na T.V., contudo, fico sempre admirada pelos apresentadores não usarem avental, palavra que vem do latim "AB ANTES", à frente, a tal peça de pano, de plástico ou de outro material que usamos à frente para resguardar, imagina que há dias vi uma senhora apresentadora confecionar um prato de carne coberto com um suculento molho, usando uma linda blusa de chiffon preto com umas esvoaçantes e largas mangas que por pouco não saborearam o molho. Lembrei-me muito da minha mãe quando me advertia:
- Põe um avental, protege a roupa e os alimentos!
E, a propósito deste assunto, quero contar-te uma história de que foi protagonista a minha saudosa professora da escola primária, pessoa muito agradável, e informal, Dona Alvarina Pimentel :
Acontece que eu costumava ir, aos domingos, com o meu pai ao cinema, na Sociedade Nova das Lajes, ficávamos no sótão, porque era mais barato e via-se o mesmo... certo dia, ouvimos um burburinho, Dona Alvarina, tinha chegado, apressada e em cima da hora e despia o casaco, quando, para espanto de todos se mostra de avental que com as pressas se tinha esquecido de tirar, as pessoas riam e cochichavam, mas ela, não se inibiu, levanta a mão, cumprimenta todos e calmamente tira o avental, dobra-o e arruma-o na pequena mala que levava.
Está a fazer anos, não sei quantos, são muitos, lembro-me que foi por  altura da festa das Lajes.
Logo ali concluí,  que ela também valorizava, como a minha mãe, o uso do avental de que também sou fã. Para terminar, não te mostro os meus aventais, que estão um pouco gastos de tanto uso e a precisarem de substituição mas, mostro-te esta engraçada avozinha onde costumo guardar biscoitos, com o seu avantajado avental quadriculado, muito satisfeita e pronta para o combate com as panelas.
E avante ( AD+ANTE) que é como quem diz: - Para diante, para a frente, deixemos as tolices de lado e vivamos cada dia como se fosse o último, vê lá se a  minha saudosa professora se arreliou com aquele acontecimento que embora somenos, para algumas pessoas tinha sido o fim do mundo?!


















sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Que os anjos cantem e toquem para si!!

 Quando o Sr. Presidente veio à Terceira:

O 10 de Junho do ano de 2003,  foi celebrado na ilha Terceira, nos Açores, com a presença de Sua Excelência o Senhor Presidente da República Dr. Jorge Sampaio e respetiva comitiva, com um vasto programa  que incluiu  um espetáculo de música e poesia apresentado pelos alunos dos colégios de Santa Clara, do Baloiço, grupo Santo Agostinho e do clube Orpheu 2º geração da Escola secundária de Angra do Heroísmo na Igreja da Misericórdia de Angra do Heroísmo.

Todas aquelas crianças e jovens se sentiram muito honrados por terem atuado para o Sr. Presidente porque sabiam ser um melómano assumido e porque depois do espetáculo os cumprimentou de uma forma simples e despretensiosa que os orgulhou e marcou para a vida. Aqui vai um pequeno apontamento desse espetáculo que teve lugar no 10 de Junho de há 19 anos.

Que descanse em paz e que os anjos cantem e toquem para si, Sr. Presidente!!!













quarta-feira, 8 de setembro de 2021

 Do sótão da minha infância:

Por estarmos no mês do regresso à escola, voltei ao sótão da minha infância!
Preparava-me para entrar na escola primária, como então se chamava, no dia 1 de Outubro, e assim iniciar o meu percurso académico, à altura não havia infantários, nem prés, nem nada dessas vantagens atuais, a que as pessoas de tão corriqueiras, já nem lhes dão o devido valor.
A minha mãe já me havia preparado a minha mala de cartão, com o livro, um caderno de folhas de duas linhas, uma pedra com a sua esponja, como apagador, e o respetivo lápis e já me tinha feito a bata branquinha, pois à altura era assim, a bata nivelava e tapava as misérias ou necessidades, comprara-me também uma caixinha redondinha em alumínio, para eu levar um lanchinho para os intervalos, pois viria almoçar a casa.
Muito previdente, a minha mãe, lembrando-se que " a luz que vai à frente é que ilumina", resolveu matricular-me o mês de Setembro na chamada "escola paga" , como então se dizia, para eu já ir um pouco preparada para a escola e não ter problemas de adaptação.
Lá vai a Clarinha, toda contente, com o seu avental com muitos folhos, um grande laço na cabeça, e a sua mala recheada de tesouros, para a escola da Professora Rita, que era uma regente em quem a minha mãe, e outras pessoas, confiavam muito no aspecto pedagógico, chegando lá, encontra muitos alunos sentados em pequenos banquinhos à volta de uma sala e a professora, muito profissional, a chamar os nomes que tinha registado na sua lista:
- João,-presente, responde a criança!
-Maria, -Presente,
- Ilda,-presente,
-presente,
-presente,
- presente, vão respondendo as crianças à chamada!
Eis se não quando, grande berreiro na sala, todos espantados sem saber o que se passava, era a Clarinha que chorava aflita por não ter levado um presente para a professora, pois só conhecia a palavra no sentido de oferecer algo a alguém quando a mãe lhe dizia:
-Vai levar este presente à vizinha, ou à tia, quando havia carne, fruta, hortaliças, batatas, ou algo mais para partilhar.
Já agora mostro-te a caixinha de alumínio que já tem sessenta e oito anos - para mim é uma relíquia - que eu levava para a escola, com os mimos que a minha mãe preparava, biscoitinhos e roscas feitos com a manteiga que se tirava do leite, depois de fervido, figos passados, pão com doce de uva, um ovinho cozido, fruta descascada e partida eu sei lá... os sabores, cheiros e recordações que, neste momento, me estão povoando a memória!
Marcy Beaudry, Lisete Borges de Meneses e 56 outras pessoas
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quinta-feira, 2 de setembro de 2021

 Meu lar, meu cantinho:

Cantinho da minha casa,
Silêncio doce e profundo
Bendita a porta da rua,
Que me separa do mundo!
Numa feira de antiguidades, ao apreciar uma bancada de feirante, os meus olhos bateram num pequeno prato de louça de Alcobaça, que mostrava a quadra que acima transcrevo e que me ficou a martelar na cabeça de tal modo, que tive que voltar atrás e discutir o preço com o feirante, para o comprar. É que a quadra teve o condão de me pôr a pensar e de avivar as saudades que eu, estando ausente, já tinha de casa. Não há nada como o aconchego da nossa casa, do nosso cantinho, onde estão aqueles de quem gostamos, as nossas coisas e as nossas recordações e onde após fecharmos a porta da rua nos sentimos em segurança, longe do bulício e dos perigos do exterior. Refletindo seriamente percebemos a sério o valor da palavra "lar" a palavra que exprime o lugar onde amarramos uma das extremidades do fio da nossa vida, pois mesmo que o abandonemos, estaremos sempre a ele ligados, pelo coração, pelas recordações e especialmente pelas saudades.




sábado, 14 de agosto de 2021

 

Terceira-Idade!

O que é a terceira-idade?
Fazer-se o que se entende... nunca!
Não é segredo para ninguém que fiz anos no passado dia 12, pois fiz questão de o apregoar bem alto e fui parabaneada por amigos, conhecidos e familiares, o que agradeço do fundo do coração, enfim, passou-se o dia. Contudo, com esta história dos meus anos tenho meditado mais no assunto e para me consolar penso que a idade é como o whisky, quanto mais velho melhor e que os móveis antigos são os mais valiosos.
Tretas! A verdade verdadinha é que segundo várias cabeças pensantes terceira-idade é:
"Quando tudo começa a estalar: cotovelos, joelhos e pescoço".
"Quando percebemos que nunca viveremos o suficiente para experimentarmos todas as receitas que passámos os últimos 30 anos a compilar".
" Quando é não só mais tarde do que pensamos, mas mais cedo do que imaginamos".
"Quando estamos perante duas tentações e escolhemos a que nos leva para casa mais cedo".
E pronto, está tudo dito, resta viver conforme as circunstâncias e conforme a cabeça de cada um ditar!
O que eu te posso dizer, por experiência própria, é que nunca atingimos a idade de fazermos o que bem entendermos, há sempre algo que nos condiciona!!!

Antúrios de Moisés Leal - empresa agrícola,

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

 

O minuto que durou uma vida!


Hoje tenho-me lembrado muito, e já te explico porquê, de uma história que se passou há muitos anos numa classe que eu leccionava na Ladeira Grande, freguesia da Ribeirinha.
-Era uma criança linda, de olhos vivos e sorriso contagioso e doce mas, como todas as crianças e conforme a idade obrigava, era muito irrequieta. Eu, embora percebesse o que se passava com ela,  mas preocupada com a aprendizagem da classe e com o rendimento que deveria apresentar no fim do ano lectivo, irreflectidamente zangada digo:
Isto não pode ser, vais ficar 1 minuto  quieto e sem falar e eu vou estar atenta aos ponteiros do relógio e quando passar o minuto digo!
Lá ficou ele, muito sério, à espera que o tempo passasse até que, não aguentando, mais pergunta:
-Já passou o minuto?
-Não ainda falta um pouco - digo eu.
Ao que aquela criança, na sua inocência, olha para mim, de olhos muito abertos e espantada diz:
-Um minuto leva um tempão a passar, é mais do que um dia!
Fiquei desarmada, com imensa vontade de rir, sentindo uma imensa ternura, por aquele palmo de gente, para o qual o tempo custava imenso a passar. 
Pois eu hoje, dia do meu 73º aniversário, olho para trás e penso que tudo  se passou num minuto, que tudo não foi mais do que o tempo de um suspiro ou de um ai  e que a minha infância e juventude estão ali ao estender da mão...
Pois é verdade, penso, setenta e três ano da minha  vida passaram  num minuto, um minuto vivido com tenacidade e determinação que me ajudaram a ultrapassar temores, limitações, dificuldades, um minuto que me trouxe saúde,alegrias, sonhos, graças e respeito e também tristezas, dissabores e dores mas vivido com naturalidade, tentando sempre fazer-me respeitar , fazer das fraquezas forças , apreciando a caminhada e aceitando os seus obstáculos.
É isso aí! Afinal um minuto ainda deu para fazer muita coisa...  
Vamos a ver os restantes segundos o que me trarão...

Clara Faria da Rosa
12/08/2021
Dia do meu 73º aniversário