quarta-feira, 6 de outubro de 2021

AVANTE...


Gosto muito de ver programas de culinária na T.V., contudo, fico sempre admirada pelos apresentadores não usarem avental, palavra que vem do latim "AB ANTES", à frente, a tal peça de pano, de plástico ou de outro material que usamos à frente para resguardar, imagina que há dias vi uma senhora apresentadora confecionar um prato de carne coberto com um suculento molho, usando uma linda blusa de chiffon preto com umas esvoaçantes e largas mangas que por pouco não saborearam o molho. Lembrei-me muito da minha mãe quando me advertia:
- Põe um avental, protege a roupa e os alimentos!
E, a propósito deste assunto, quero contar-te uma história de que foi protagonista a minha saudosa professora da escola primária, pessoa muito agradável, e informal, Dona Alvarina Pimentel :
Acontece que eu costumava ir, aos domingos, com o meu pai ao cinema, na Sociedade Nova das Lajes, ficávamos no sótão, porque era mais barato e via-se o mesmo... certo dia, ouvimos um burburinho, Dona Alvarina, tinha chegado, apressada e em cima da hora e despia o casaco, quando, para espanto de todos se mostra de avental que com as pressas se tinha esquecido de tirar, as pessoas riam e cochichavam, mas ela, não se inibiu, levanta a mão, cumprimenta todos e calmamente tira o avental, dobra-o e arruma-o na pequena mala que levava.
Está a fazer anos, não sei quantos, são muitos, lembro-me que foi por  altura da festa das Lajes.
Logo ali concluí,  que ela também valorizava, como a minha mãe, o uso do avental de que também sou fã. Para terminar, não te mostro os meus aventais, que estão um pouco gastos de tanto uso e a precisarem de substituição mas, mostro-te esta engraçada avozinha onde costumo guardar biscoitos, com o seu avantajado avental quadriculado, muito satisfeita e pronta para o combate com as panelas.
E avante ( AD+ANTE) que é como quem diz: - Para diante, para a frente, deixemos as tolices de lado e vivamos cada dia como se fosse o último, vê lá se a  minha saudosa professora se arreliou com aquele acontecimento que embora somenos, para algumas pessoas tinha sido o fim do mundo?!


















sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Que os anjos cantem e toquem para si!!

 Quando o Sr. Presidente veio à Terceira:

O 10 de Junho do ano de 2003,  foi celebrado na ilha Terceira, nos Açores, com a presença de Sua Excelência o Senhor Presidente da República Dr. Jorge Sampaio e respetiva comitiva, com um vasto programa  que incluiu  um espetáculo de música e poesia apresentado pelos alunos dos colégios de Santa Clara, do Baloiço, grupo Santo Agostinho e do clube Orpheu 2º geração da Escola secundária de Angra do Heroísmo na Igreja da Misericórdia de Angra do Heroísmo.

Todas aquelas crianças e jovens se sentiram muito honrados por terem atuado para o Sr. Presidente porque sabiam ser um melómano assumido e porque depois do espetáculo os cumprimentou de uma forma simples e despretensiosa que os orgulhou e marcou para a vida. Aqui vai um pequeno apontamento desse espetáculo que teve lugar no 10 de Junho de há 19 anos.

Que descanse em paz e que os anjos cantem e toquem para si, Sr. Presidente!!!













quarta-feira, 8 de setembro de 2021

 Do sótão da minha infância:

Por estarmos no mês do regresso à escola, voltei ao sótão da minha infância!
Preparava-me para entrar na escola primária, como então se chamava, no dia 1 de Outubro, e assim iniciar o meu percurso académico, à altura não havia infantários, nem prés, nem nada dessas vantagens atuais, a que as pessoas de tão corriqueiras, já nem lhes dão o devido valor.
A minha mãe já me havia preparado a minha mala de cartão, com o livro, um caderno de folhas de duas linhas, uma pedra com a sua esponja, como apagador, e o respetivo lápis e já me tinha feito a bata branquinha, pois à altura era assim, a bata nivelava e tapava as misérias ou necessidades, comprara-me também uma caixinha redondinha em alumínio, para eu levar um lanchinho para os intervalos, pois viria almoçar a casa.
Muito previdente, a minha mãe, lembrando-se que " a luz que vai à frente é que ilumina", resolveu matricular-me o mês de Setembro na chamada "escola paga" , como então se dizia, para eu já ir um pouco preparada para a escola e não ter problemas de adaptação.
Lá vai a Clarinha, toda contente, com o seu avental com muitos folhos, um grande laço na cabeça, e a sua mala recheada de tesouros, para a escola da Professora Rita, que era uma regente em quem a minha mãe, e outras pessoas, confiavam muito no aspecto pedagógico, chegando lá, encontra muitos alunos sentados em pequenos banquinhos à volta de uma sala e a professora, muito profissional, a chamar os nomes que tinha registado na sua lista:
- João,-presente, responde a criança!
-Maria, -Presente,
- Ilda,-presente,
-presente,
-presente,
- presente, vão respondendo as crianças à chamada!
Eis se não quando, grande berreiro na sala, todos espantados sem saber o que se passava, era a Clarinha que chorava aflita por não ter levado um presente para a professora, pois só conhecia a palavra no sentido de oferecer algo a alguém quando a mãe lhe dizia:
-Vai levar este presente à vizinha, ou à tia, quando havia carne, fruta, hortaliças, batatas, ou algo mais para partilhar.
Já agora mostro-te a caixinha de alumínio que já tem sessenta e oito anos - para mim é uma relíquia - que eu levava para a escola, com os mimos que a minha mãe preparava, biscoitinhos e roscas feitos com a manteiga que se tirava do leite, depois de fervido, figos passados, pão com doce de uva, um ovinho cozido, fruta descascada e partida eu sei lá... os sabores, cheiros e recordações que, neste momento, me estão povoando a memória!
Marcy Beaudry, Lisete Borges de Meneses e 56 outras pessoas
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quinta-feira, 2 de setembro de 2021

 Meu lar, meu cantinho:

Cantinho da minha casa,
Silêncio doce e profundo
Bendita a porta da rua,
Que me separa do mundo!
Numa feira de antiguidades, ao apreciar uma bancada de feirante, os meus olhos bateram num pequeno prato de louça de Alcobaça, que mostrava a quadra que acima transcrevo e que me ficou a martelar na cabeça de tal modo, que tive que voltar atrás e discutir o preço com o feirante, para o comprar. É que a quadra teve o condão de me pôr a pensar e de avivar as saudades que eu, estando ausente, já tinha de casa. Não há nada como o aconchego da nossa casa, do nosso cantinho, onde estão aqueles de quem gostamos, as nossas coisas e as nossas recordações e onde após fecharmos a porta da rua nos sentimos em segurança, longe do bulício e dos perigos do exterior. Refletindo seriamente percebemos a sério o valor da palavra "lar" a palavra que exprime o lugar onde amarramos uma das extremidades do fio da nossa vida, pois mesmo que o abandonemos, estaremos sempre a ele ligados, pelo coração, pelas recordações e especialmente pelas saudades.




sábado, 14 de agosto de 2021

 

Terceira-Idade!

O que é a terceira-idade?
Fazer-se o que se entende... nunca!
Não é segredo para ninguém que fiz anos no passado dia 12, pois fiz questão de o apregoar bem alto e fui parabaneada por amigos, conhecidos e familiares, o que agradeço do fundo do coração, enfim, passou-se o dia. Contudo, com esta história dos meus anos tenho meditado mais no assunto e para me consolar penso que a idade é como o whisky, quanto mais velho melhor e que os móveis antigos são os mais valiosos.
Tretas! A verdade verdadinha é que segundo várias cabeças pensantes terceira-idade é:
"Quando tudo começa a estalar: cotovelos, joelhos e pescoço".
"Quando percebemos que nunca viveremos o suficiente para experimentarmos todas as receitas que passámos os últimos 30 anos a compilar".
" Quando é não só mais tarde do que pensamos, mas mais cedo do que imaginamos".
"Quando estamos perante duas tentações e escolhemos a que nos leva para casa mais cedo".
E pronto, está tudo dito, resta viver conforme as circunstâncias e conforme a cabeça de cada um ditar!
O que eu te posso dizer, por experiência própria, é que nunca atingimos a idade de fazermos o que bem entendermos, há sempre algo que nos condiciona!!!

Antúrios de Moisés Leal - empresa agrícola,

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

 

O minuto que durou uma vida!


Hoje tenho-me lembrado muito, e já te explico porquê, de uma história que se passou há muitos anos numa classe que eu leccionava na Ladeira Grande, freguesia da Ribeirinha.
-Era uma criança linda, de olhos vivos e sorriso contagioso e doce mas, como todas as crianças e conforme a idade obrigava, era muito irrequieta. Eu, embora percebesse o que se passava com ela,  mas preocupada com a aprendizagem da classe e com o rendimento que deveria apresentar no fim do ano lectivo, irreflectidamente zangada digo:
Isto não pode ser, vais ficar 1 minuto  quieto e sem falar e eu vou estar atenta aos ponteiros do relógio e quando passar o minuto digo!
Lá ficou ele, muito sério, à espera que o tempo passasse até que, não aguentando, mais pergunta:
-Já passou o minuto?
-Não ainda falta um pouco - digo eu.
Ao que aquela criança, na sua inocência, olha para mim, de olhos muito abertos e espantada diz:
-Um minuto leva um tempão a passar, é mais do que um dia!
Fiquei desarmada, com imensa vontade de rir, sentindo uma imensa ternura, por aquele palmo de gente, para o qual o tempo custava imenso a passar. 
Pois eu hoje, dia do meu 73º aniversário, olho para trás e penso que tudo  se passou num minuto, que tudo não foi mais do que o tempo de um suspiro ou de um ai  e que a minha infância e juventude estão ali ao estender da mão...
Pois é verdade, penso, setenta e três ano da minha  vida passaram  num minuto, um minuto vivido com tenacidade e determinação que me ajudaram a ultrapassar temores, limitações, dificuldades, um minuto que me trouxe saúde,alegrias, sonhos, graças e respeito e também tristezas, dissabores e dores mas vivido com naturalidade, tentando sempre fazer-me respeitar , fazer das fraquezas forças , apreciando a caminhada e aceitando os seus obstáculos.
É isso aí! Afinal um minuto ainda deu para fazer muita coisa...  
Vamos a ver os restantes segundos o que me trarão...

Clara Faria da Rosa
12/08/2021
Dia do meu 73º aniversário


 


No meu septuagésimo terceiro aniversário,

Refletindo:

Tenho por hábito, neste dia, refletir sobre o ano que passou e sobre o tempo que está para vir que pode ser muito  ou pouco mas é o que me está reservado, sobre isso  não tenho poder de decisão, só me resta aceitar. 

Sabendo que nunca se é demasiado velho para crescer, isto, como é  óbvio, no sentido do crescimento intelectual, pessoal e social, hoje subo mais um degrau na minha aprendizagem que espero tenha ainda mais alguns patamares pois ainda tenho muito a aprender, a  crescer,  a viver...

Graças a Deus vou-me aguentando, ainda não atingi a fase da rabugice e vou tentando envelhecer com  serenidade e elegância.

Para mim, fazer anos é bom, é sinal que ultrapassamos várias etapas que muitos não tiveram o privilégio de viver.

Viver é viver, existem coisas básicas e valores que nunca se alteram, quanto ao resto tento manter-me atualizada  através da  leitura de jornais, revistas e livros, da televisão e  muitas vezes concluo, com agrado, que o que se usa agora já foi moda na minha juventude

Tenho muita esperança no futuro e nos jovens que ocuparão os nossos lugares pois estão, regra geral, muito mais e melhor preparados do que nós sobretudo em relação ao meio ambiente e à sua preservação.

A idade não me preocupa , mas o  caminho que me leva ao crepúsculo, entretanto sinto-me feliz, pelas minhas faculdades e vou gozando o que a vida me proporciona, com o meu ser interior,  teimoso, que nunca cresce, a querer dizer-me que ainda estou com vinte ou trinta anos ...

Mas como diz o ditado: -Não vale a pena chorar sobre leite derramado! o que lá vai, lá vai, agora resta-me aproveitar tentando viver ao máximo pois ainda tenho muitas pessoas que quero conhecer, coisas a aprender, lugares a visitar e as minhas mãos a estender para ajudar quem precisa de mim, nunca  esquecendo que uma das maravilhas da vida é a própria vida.

E porque é dia de parabéns, plural da palavra parabém, que se formou  da palavra para mais a palavra bem, se me desejares bem agradeço e retribuo pois o que mais quero, meu amigo/a é ver-te bem, feliz e realizado/a.


quinta-feira, 5 de agosto de 2021

As sombras da vida:

Ponto-de-sombra,

Ao usar este bonito e requintado pano, bordado por mãos diligentes,  habilidosas e ancestrais, lembrei-me de uma bela e ensolarada  tarde de Primavera em que eu acompanhando um grupo de crianças no recreio, reparei num aluno que, afastado dos colegas, fazia movimentos anormais, chegando ao extremo de se deitar na relva de pernas e braços  abertos. Intrigada, perguntei-lhe o que se passava, por que procedia de tal forma, ao que me disse que estava a descobrir se a sua sombra andava sempre a persegui-lo e se cabia na mesma...  Já não me lembro o que lhe respondi, o que é certo é que isso me me marcou de tal modo que, passados tantos anos, ainda me lembro desse dia e desse acontecimento!

Sendo a sombra "Um espaço privado de luz ou tornado menos claro pela interposição de um corpo entre ele e o objecto luminoso", a sombra está sempre lá, embora saibamos que há objectos opacos, translúcidos e transparentes o que dá origem a  vários tipos de sombras, como acontece com o ponto, chamado de sombra, do  bordado que te mostro, feito numa cambraia fina, pelo avesso, podemos ver o bonito efeito, da sua sombra, pelo direito, vai daí que, estando em idade e tempo de reflexões, concluo que as sombras são como as nossas acções, as nossas atitudes, boas ou más, estarão sempre junto de nós, farão sempre parte da nossa vida e até mesmo para além dela! 

Pobre de mim, cujas sombras são por vezes, pouco claras, tristes e muitas vezes deploráveis! Estarei a tempo de retificar atitudes? diz o povo que nunca é tarde para quem quer... Veremos.









 

terça-feira, 20 de julho de 2021

 Duas mães e duas filhas vão à missa com três mantilhas ...


Lembrei-me desta velha adivinha quando, esta manhã, porque o tempo estava chuvoso, decidi abrir uma arca onde guardo roupas antigas, colchas mantas do tear e outras coisas e encontrei, muito bem resguardadas, por causa da traça, estas peças antigas que , para muitas pessoas que, porventura me venham a ler, não dirão nada mas que para mim têm muito significado .

Um xaile com a sua barra lustrosa, um cachené de lã, e uma longa  mantilha de algodão arrendada, tudo preto, tudo negro com devia ser a roupa das viúvas em tempos recuados. Xaile de pontas sobre a cabeça e o cachené, palavra que vem do francês cache-nez  que traduzido significaria, quanto a mim,  esconde nariz  e depois, mais leve, a mantilha que seria usada, também pelas viúvas, toda a vida a quem não era permitido saírem à rua de cabeça descoberta!

Em jeito de brincadeira, pus a mantilha,  só por uns momentos, ia desmaiando, com o calor e o ar abafado e a pensar o que sofreram as nossas antepassadas, sempre caladas e resignadas para não serem faladas... Outros tempos, outras gentes!

E agora, a resposta à adivinha?









domingo, 27 de junho de 2021

Nunca fiando...

 Quando os avós do meu marido vieram da América, bem no início do séc. passado, fixaram residência na freguesia do Raminho, na costa noroeste da ilha Terceira, limitada a leste pela freguesia dos Altares e a oeste pela freguesia da Serreta, numa casa erguida num local alto, calmo e soalheiro onde se vislumbra o Oceano Atlântico com as ilhas Graciosa e S. Jorge no horizonte. Constatando que a localidade precisava de um local que prestasse serviços na área do comércio, abriram uma mercearia ou como então se dizia, uma venda. O tempo foi passando, o avô faleceu e a avó aguentando estoicamente até que, dando a mão à palmatória, teve que abandonar tudo e deslocar-se para junto da filha.

Uma História muito vulgar e comum a muitas famílias e anciãos que, involuntariamente,  se despedem das suas casa e haveres à procura de ajuda e apoio dos mais novos, quem sabe a história não está prestes a repetir-se para muitos de nós!?

Lá ficou a casa vazia, sem alma, a degradar-se até que, estando  em vias de recuperação lá fui com o meu marido e os técnicos competentes, vai daí que os meus olhos deram com um quadro muito maltratado, de fiados e haveres, peça tradicional do início do séc. passado em tudo o que era comércio, que era como que um amuleto para os comerciantes quando instados a fiarem respondiam:

- Aqui não se fia, olha para a parede e vê em que estado fica quem fia!...

Ao olhar aquela estampa lembrei-me dos meus tempos de meninice, do rol que havia nas mercearias, pois os merceeiros fiavam  só às pessoas da sua confiança, que pagavam no fim do mês ou da semana, e das compras que ia fazer a mando da minha mãe, que não tinham nada a ver com as compras que se fazem atualmente. 

Meio Kg de açúcar, um quarto de kg de arroz, petróleo, um pouco de temperos, nem farinha, nem ovos, nem grão, nem manteiga, nem vinagre, nem banha nem frango nem carne, nem leite, nem hortaliças, nem legumes, tudo isso era de casa , tudo isso era fruto do trabalho resiliente, persistente e de muito amor com que os meus pais se dedicavam à vida...

Ai, mas que alegria quando eu tinha 10 centavos e ia à venda do Sr. Guilherme ou do Sr. José Linhares comprar alfarrobas que eram embrulhadas em papel pardo que o merceeiro fechava com um jeito dos dedos que me fascinava! No regresso, os calcanhares batiam-me no rabo de tanto correr para chegar a casa e a minha mãe permitir que eu comesse algumas e guardasse as restantes para outro dia...

Estou a ver, as mãos calejadas, de trabalho, da minha mãe, a alisar docemente, o pedaço de papel pardo que guardava cuidadosamente, na gaveta do louceiro para ser usado novamente... Estou em crer que foi por causa desse pedaço de papel que me ficou este jeito de poupar, guardar, reciclar e de olhar as coisas que, para muitas pessoas são imprestáveis, com uma vontade de lhes proporcionar uma segunda oportunidade, de lhes dar crédito!









quinta-feira, 24 de junho de 2021

 


Saudades,

Ai que saudades eu tenho

De uma gargalhada sentida,

De um bater palmas divertida,

De uma vida colorida,

De sentir a multidão unida...

Ai que saudades eu tenho

Dos bons tempos que já se foram,

Das festas que não vieram,

Dos desfiles com muita gente,

De ver tudo alegre e contente...

Ai, eu tenho esperança e certeza

Que atrás de tempo, tempo virá,

Assim o espero ardentemente,

Em que o meu gargalhar soará

E o meu bater palmas  será estridente...

Ai, eu tenho esperança e certeza

Que aproveitarei cada minuto,

Sempre alegre, sempre a sorrir,

Porque o futuro é imprevisto,

Não sabemos o que está para vir...

Ai, eu tenho esperança,

e quero ter a certeza...

Que quando esse tempo  vier,

Meus olhos estarão abertos,

Para esta alegria viver,

Nas Sanjoaninas,  que voltarão!

CLARA FARIA DA ROSA,

24/JUNHO/2021







sábado, 12 de junho de 2021

 

Santo António o auxiliar nas causas e coisas perdidas


Quando eu era criança, havia o hábito de se solicitar a ajuda de Sto. António
no caso de se ter perdido alguma coisa, ou quando se estava com qualquer problema de difícil solução, na ocasião, prometia-se uma esmola em louvor do santo que se colocava em cima do muro, junto à nossa casa, caso a graça fosse concedida, o objeto perdido aparecesse e, o problema se resolvesse.
Normalmente era um pão que era levado por qualquer pessoa que passasse e que conhecia a tradição.
Lembro-me muito bem deste hábito, porque a minha mãe era muito devota deste santo, que  amanhã, dia 13,  se venera, e adepta desta tradição, quando se via aflita lá prometia um pãozinho e normalmente tudo acabava em bem, era tão devota  que até comprou esta imagem para ter em cima da cómoda e podem crer que, naquela altura, uma compra destas não era lá muito fácil, teve de se privar de algumas coisas para poder fazer tal aquisição.
Em Angra do Heroísmo, há a ermida de Santo António, no sopé do monte Brasil, onde se reza missa no seu dia e se distribuem pequenas brindeiras em sua honra .