domingo, 7 de março de 2021

 

Ser Mulher…


Ser Mulher
Ser Mulher
É ser um mundo
Que gira à volta de Todos,
É ser profundo
Que entende os pensamentos,
É navegar
Contra e a favor dos ventos,
É alcançar
Porto seguro
E levar consigo os outros,
É ser agente
De paz, amizade e afectos,
É ser um ser
Que os seus filhos ensina
A construir o próprio mundo,
 É ser tão fundo
Que segue dos filhos os passos
Do princípio até ao fim,
É saber pintar o feio
De delicadas tonalidades,
Para o mundo transformar
Em leito macio e ternurento
Onde se possa viver
Uma verdadeira aventura,
Toda a força da ternura,
Amor, delicadeza, verdade
E onde não haja maldade!

Clara Faria da Rosa

 

De meninas a mulheres

E as meninas
Sorriram,
Sonharam,
Desabrocharam,
Cresceram,
Aprenderam
Floriram,
Amaram,
Deram-se
E agora mulheres
Esperam, exigem, reclamam:
Que a vida lhes sorria,
Que a vida as recompense,
Que a vida  lhes floresça,
Que a vida lhes seja leve,
Por todas as amarguras,
Por todas as dores,
Por todas as lutas,
Por todas as aprendizagens,
Por todas as lágrimas,
Por todas as dádivas!!!

Clara Faria da Rosa

7/03/2021 - Dia da Mulher
à minha amiga Lulu,
Uma amiga de sempre e para sempre e uma grande Mulher
a quem muito devo.

terça-feira, 2 de março de 2021

Chapéu à Zamparina

 Como todos os que me conhecem bem sabem, adoro chapéus, de Inverno de Verão de palha ou de feltro, não interessa é um chapéu...Aqui é que entra a história de que te quero falar:

Num dia invernoso saí de chapéu, um lindo e airoso chapéu de feltro de um verde garrafa muito escuro e fui visitar uns amigos que ao chegar me disseram:
-Estás muito bonita, com o teu chapéu à zamparina!
Fique admirada sem saber se o comentário era elogioso ou depreciativo. Então, decidi investigar o significado e a origem da expressão, pois hão-de chamar-me nomes mas eu ao menos hei-de saber o que querem dizer! Sou assim, curiosa...
À zamparina quer então dizer:
De forma atabalhoada, coisa mal feita, mal amanhada, mas também correspondia, em tempos idos, e em linguagem de moda à forma como se usava o chapéu ligeiramente inclinado para a frente, cobrindo um pouco a orelha direita, uma forma inusitada de usar o chapéu nos séculos XVIII e XIX.
E a responsável de tudo isto, quer dizer, desta expressão, é a senhora cuja gravura mostro que foi uma muito famosa cantora de ópera que veio de Veneza para Portugal em 1772, no tempo do Marquês de Pombal Chamada ANNA ZAMPERINI, uma figura muito controversa que ficou famosa pelos seus dotes artísticos, teatrais e musicais, pela sua irreverência, inusitada à época, e pelo seu poder de sedução que incluía o uso do chapéu inclinado. Parece que Anna Zamperini se enamorou do filho do Marquês de Pombal o qual desagradado com este romance a mandou atabalhoadamente de volta para a Itália e interrompeu a contratação de mulheres estrangeiras, para dançar e ou cantar nos palcos portugueses.
Assim, e concluindo, passou a chamar-se a forma como se usa o chapéu mas também uma coisa feita de forma atabalhoada isto é a forma como foi feita a expulsão da cantora Anna Zamperini de Portugal.
E cá estou eu numa tarde soalheira, mas fria, do final de Janeiro, passeando pela baixa de Lisboa com o meu chapéu à zamparina , que agora já sabemos que é à "Zamperini" 
Enquanto passeava ia pensando, também, se Anna Zamperini teria passeado com o seu amado, o filho do marquês de Pombal, por aquelas ruas, o que terá sido pouco provável, devido ao caos que se vivia na altura com a reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

"Domesteque"

 Se houve coisa boa, saída desta pandemia, se é que pode sair algo de bom de tão triste situação, foi que este ano não se falou de gripes, aquela epidemia que costuma aparecer por esta altura do ano,  com tosses, rouquidões, espirros e dores de cabeça. Não, não se falou disso porque, as pessoas estiveram confinadas, usaram máscaras e desinfetantes e tiveram outros cuidados…

Não se ouviu tossir nem espirrar  e por isso a expressão normalmente usada quando alguém espirra também ficou a aguardar nova oportunidade:

-"DOMESTEQUE!"

Esta expressão sempre me fez confusão e, embora me "cheirasse" a derivado do latim, sempre pensei que havia de aprofundar o assunto, hoje, com alguma disponibilidade de tempo, levei a cabo esta tarefa e debrucei-me sobre os antigos missais e livros de orações, que guardo religiosamente, do tempo das nossas mães e avós, pois não havia senhora que se prezasse  que não fosse para a igreja munida  do seu missal.

Vai daí que depois de muito rebuscar, dou de caras com a Ave Maria em latim:

"Avé Maria, grátia plena, dóminus tecum, benedicta tu in muliéribus et benedictus fructus ventris tui Jesus"

Voltei à minha meninice e, vi-me ajoelhada ao lado da minha mãe, na nossa igreja das Lajes, entre a luz das velas que iluminavam o saudoso padre Gregório Rocha, de costas voltadas para os seus fieis, lá ao longe, ladeado pelo sacristão que repetia a oração num latim atabalhoado.

Estava então, explicada a minha dúvida, sempre que alguém espirra, lançamos mão dessa língua morta e saudamos a pessoa com um pomposo "domesteque" , saudação latina que se traduz pela expressão " Dóminus Tecum" - O senhor esteja contigo!

Ora digam lá se não vale a pena guardar as coisas?! Como teria eu oportunidade de aprofundar este assunto se não tivesse à mão estes velhos e preciosos livros, entre os quais se encontra o livro que usei na minha comunhão solene, de capa branca?

Um abraço amigo e DOMINUS TECUM - O SENHOR ESTEJA CONTIGO!
















terça-feira, 23 de fevereiro de 2021


 Dia de Festa !

Hoje é dia de festa para mim, faz treze anos que o meu blogue "O Estrado da Avó" deu à luz com estas palavras:
O primeiro dia:
Em nome de Deus começo
Padre Filho e Espírito Santo,
E aos amigos agradeço
Por me ajudarem tanto.
___________________
Sendo professora aposentada
gostando muito de escrever
sentia-me inconformada
por informática não saber…
____________________
Apareceu a oportunidade
Da academia frequentar
Dirigida à terceira idade,
o que interessa é caminhar!
____________________
Avançar com os amigos
que entretanto ganhei
portos, docas e abrigos
que jamais esquecerei!
_____________________
Não olvidarei também
os empenhados formadores
que não ganhando vintém
transmitiram seus saberes.
___________________
E é assim, deste modo
que nesta terra de Jesus
no segundo mês do ano
este blogue dá à luz!
____________________
Com nome original
pretende a todos lembrar
o passado regional
e os costumes preservar.
Bicas de Cabo Verde, 23/2/2008
Comemoração:
Há treze longos anos, dáriamente, muitas são as visitas que costumo receber no blogue "O Estrado da Avó"; São às dezenas, aqueles que mostram a sua preferência pelos meus pobres escritos, feitos mais com o coração e com o entusiasmo de transmitir as minhas experiências, vivências, aprendizagens alegrias e algumas tristezas do que com preocupações de sintaxe e retórica.
É com muito gosto que vos recebo e se tiver a honra de influenciar, uma pessoa que seja, de modo positivo, já me sinto feliz.
É por isso que comemoro e que brindo à vossa saúde e à vossa disponibilidade para vir até mim. Muito obrigada e continuem a visitar-me, cá estarei para vos receber em: http://www.xn--oestradodaav-cib.blogspot.com/


Connie Toste, Juraci Lima e 43 outras pessoas
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domingo, 21 de fevereiro de 2021

ATÉ QUANDO?


Até  quando riremos juntos,
Até quando a cumplicidade ?
Até quando sairemos juntos, 
Até quando a amizade?

Até quando?

Até quando nos zangaremos 
E depois as pazes faremos?
Sim, até quando?
Até quando juntos estaremos
Até quando esta caminhada faremos?

Até quando?

Até quando partilharemos  amor,
O perdão, a  saúde, a doença e a dor?
Até quando esta  grande aventura,
Este partilhar a tristeza e a ventura?

Até quando? Não sabemos

Não queremos pensar em partir,

Nem queremos pensar em deixar,

Comprometemo-nos a serenamente viver,

E a aceitar o que há-de vir!!!


Clara Faria da Rosa,

21/02/2021

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Esperar sentada:


 

No Teatro Angrense sentada

Pelas danças esperei,

De tanto esperar desesperei

Fiquei mesmo desapontada …

Nem uma dança apareceu

Por causa do vírus maldito,

Nunca tal Carnaval se viveu 

Ai que tempo esquisito!

Mas vou continuar sentada

Não sou mulher de desistir

Vou guardar a gargalhada

Para o ano que há - de vir …

Não vou desesperar

Nem  a tradição esquecer,

Tudo isto vai passar

Vamos voltar a viver…

E a dança vai dançar

Dança dançarino, dança,

Um tema de encantar

Um tema  de muita esperança!!!

 

Clara Faria  da Rosa,

Carnaval de 2021


 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

 

O puxador da dança.


O puxador da dança
O palco e plateia abraça,
E transmite-nos a certeza
De confetis de beleza.

O puxador da dança
Faz sonhar velhos e novos,
Com toda a sua pujança
Faz lacrimejar nossos olhos.

O puxador da dança
Ali é senhor e rei,
Os dançarinos comanda
E o  seu apito é lei.

E logo ao som do apito
Do puxador da dança,
De um novelo, de uma teia
Uma renda se entrança.

E o puxador da dança
Com seu punho ergue a espada,
Cumprimenta e  saúda
E aos presentes agrada.

Com sua voz maviosa
O puxador da dança 
O assunto apresenta
Que nos fica na lembrança

E depois de muito agrado 
O puxador agradece,
E de todos se despede
E a atenção enaltece.

E  parte o puxador da dança
Os dançarinos e músicos,
Outro palco vão pisar
Decerto vão agradar. 

Oh, tradição maravilhosa
Desta ilha preciosa,
Que nossos avós legaram
E os seus netos seguiram!

Clara Faria da Rosa

 

O restauro da jarra verde.
Era uma vez, uma bonita jarra verde muito antiga, mas bastante estragada. Já alindara bonitas salas, de várias gerações e passara por mãos carinhosas de cuidadosas donas de casa. Contudo, parece que o seu fim estava à vista, a pintura, feita à mão, apresentava-se muito apagada e desmaiada, o seu rebordo, requintadamente trabalhado, mostrava sinais de muito uso e a sua base partida não lhe permitia que se aguentasse de pé, o que a deixava triste e acabrunhada prevendo um triste fim que não se adequava ao seu estatuto.
Foi aí que dei por ela prestes a ser rejeitada como jarra e talvez destinada a ser reciclada e transformada num objecto qualquer que ela , uma jarra daquela classe social, dificilmente previra.
Foi então que percebi a "tragédia" prestes a acontecer e apercebendo-me da importância do seu passado e da nobreza do seu material, lancei mão da dita, pensando em recuperá-la.
Do pensamento à acção foi um ápice. Pincéis, tintas, recuperadores, colas e um pouco de galão dourado e aí está ela toda airosa com o seu amor próprio em alta !
Ao olhar para a minha obra pensei numa frase que já ouvi muitas vezes:
- " Até prova em contrário todas as coisas são possíveis" e muitas vezes, acrescento eu, o que parece impossível não o é, se para isso contribuirmos com determinação, vontade, firmeza , gosto, sensibilidade e inteligência.


domingo, 14 de fevereiro de 2021

 

E o amor aconteceu...


 Eu vi nas festas das Lajes
O amor acontecer,
Eu vi nas festas das Lajes
O que é o amor bem viver
Nestas festas da Terceira
Linda ilha dos Açores,
Vi uma idosa à maneira,
Devido ao Sol e aos calores,
O seu amor resguardar
Sentado numa cadeira
Um amor bem guardado 
E sempre muito bem cuidado
Com carinho, com respeito
Em anos e anos a eito
E logo ali concluí:
Que o amor não são flores
Nem joias, carros ou casas
Nem despiques, nem rancores 
Nem lindas e caras oferendas
O amor é bem cuidar, 
O amor é muito querer,
O amor é atento estar,
E o outro proteger!

Clara Faria da Rosa,