domingo, 21 de fevereiro de 2021

ATÉ QUANDO?


Até  quando riremos juntos,
Até quando a cumplicidade ?
Até quando sairemos juntos, 
Até quando a amizade?

Até quando?

Até quando nos zangaremos 
E depois as pazes faremos?
Sim, até quando?
Até quando juntos estaremos
Até quando esta caminhada faremos?

Até quando?

Até quando partilharemos  amor,
O perdão, a  saúde, a doença e a dor?
Até quando esta  grande aventura,
Este partilhar a tristeza e a ventura?

Até quando? Não sabemos

Não queremos pensar em partir,

Nem queremos pensar em deixar,

Comprometemo-nos a serenamente viver,

E a aceitar o que há-de vir!!!


Clara Faria da Rosa,

21/02/2021

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Esperar sentada:


 

No Teatro Angrense sentada

Pelas danças esperei,

De tanto esperar desesperei

Fiquei mesmo desapontada …

Nem uma dança apareceu

Por causa do vírus maldito,

Nunca tal Carnaval se viveu 

Ai que tempo esquisito!

Mas vou continuar sentada

Não sou mulher de desistir

Vou guardar a gargalhada

Para o ano que há - de vir …

Não vou desesperar

Nem  a tradição esquecer,

Tudo isto vai passar

Vamos voltar a viver…

E a dança vai dançar

Dança dançarino, dança,

Um tema de encantar

Um tema  de muita esperança!!!

 

Clara Faria  da Rosa,

Carnaval de 2021


 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

 

O puxador da dança.


O puxador da dança
O palco e plateia abraça,
E transmite-nos a certeza
De confetis de beleza.

O puxador da dança
Faz sonhar velhos e novos,
Com toda a sua pujança
Faz lacrimejar nossos olhos.

O puxador da dança
Ali é senhor e rei,
Os dançarinos comanda
E o  seu apito é lei.

E logo ao som do apito
Do puxador da dança,
De um novelo, de uma teia
Uma renda se entrança.

E o puxador da dança
Com seu punho ergue a espada,
Cumprimenta e  saúda
E aos presentes agrada.

Com sua voz maviosa
O puxador da dança 
O assunto apresenta
Que nos fica na lembrança

E depois de muito agrado 
O puxador agradece,
E de todos se despede
E a atenção enaltece.

E  parte o puxador da dança
Os dançarinos e músicos,
Outro palco vão pisar
Decerto vão agradar. 

Oh, tradição maravilhosa
Desta ilha preciosa,
Que nossos avós legaram
E os seus netos seguiram!

Clara Faria da Rosa

 

O restauro da jarra verde.
Era uma vez, uma bonita jarra verde muito antiga, mas bastante estragada. Já alindara bonitas salas, de várias gerações e passara por mãos carinhosas de cuidadosas donas de casa. Contudo, parece que o seu fim estava à vista, a pintura, feita à mão, apresentava-se muito apagada e desmaiada, o seu rebordo, requintadamente trabalhado, mostrava sinais de muito uso e a sua base partida não lhe permitia que se aguentasse de pé, o que a deixava triste e acabrunhada prevendo um triste fim que não se adequava ao seu estatuto.
Foi aí que dei por ela prestes a ser rejeitada como jarra e talvez destinada a ser reciclada e transformada num objecto qualquer que ela , uma jarra daquela classe social, dificilmente previra.
Foi então que percebi a "tragédia" prestes a acontecer e apercebendo-me da importância do seu passado e da nobreza do seu material, lancei mão da dita, pensando em recuperá-la.
Do pensamento à acção foi um ápice. Pincéis, tintas, recuperadores, colas e um pouco de galão dourado e aí está ela toda airosa com o seu amor próprio em alta !
Ao olhar para a minha obra pensei numa frase que já ouvi muitas vezes:
- " Até prova em contrário todas as coisas são possíveis" e muitas vezes, acrescento eu, o que parece impossível não o é, se para isso contribuirmos com determinação, vontade, firmeza , gosto, sensibilidade e inteligência.


domingo, 14 de fevereiro de 2021

 

E o amor aconteceu...


 Eu vi nas festas das Lajes
O amor acontecer,
Eu vi nas festas das Lajes
O que é o amor bem viver
Nestas festas da Terceira
Linda ilha dos Açores,
Vi uma idosa à maneira,
Devido ao Sol e aos calores,
O seu amor resguardar
Sentado numa cadeira
Um amor bem guardado 
E sempre muito bem cuidado
Com carinho, com respeito
Em anos e anos a eito
E logo ali concluí:
Que o amor não são flores
Nem joias, carros ou casas
Nem despiques, nem rancores 
Nem lindas e caras oferendas
O amor é bem cuidar, 
O amor é muito querer,
O amor é atento estar,
E o outro proteger!

Clara Faria da Rosa,

 o menino sonhava:

E o o menino desfilava
Na festa de Carnaval,
E a mãe, feliz, gozava 
Aquele momento especial,,,
E o Menino passava
E a mãe com comoção,,
Aquele momento guardava
No fundo do coração.
A mãe, ingénua, pensava
Que o tempo iria parar,
Mas muitos anos passaram
E o desfile agora é outro,,,
Já não é soldado o menino
Mas está sempre bem guardado
No coração de sua mãe!
Clara Faria da Rosa





sábado, 13 de fevereiro de 2021

Ai que saudades do bolo amor!

 Não quero ser saudosista mas hoje deu-me uma saudade  dos Carnavais da minha meninice, é uma saudade que mói cá dentro e que me dá vontade de partilhar com alguém essas memórias que me acompanharão até ao fim.

Naquele tempo, festejava-se mais o Carnaval do que o Natal, havia sempre uma mesa preparada para quem aparecesse, ele eram as queijadas de côco e de feijão, ele eram os caramelos, os rebuçados de vinagre muito bem embrulhados em papel de seda de várias cores e com as pontas cortadas às tiras, que faziam um vistão, as filhós fritas, que a minha mãe fazia questão de ficarem com uma tira mais clara nos lados, as filhós tendidas que iam ao forno de lenha em grandes tabuleiros de lata, os coscorões feitos numa panela meia bojuda e com uma pequena cana que a minha mãe metia no meio da massa e dava um jeito contra a panela para ficarem como uma flor, e no meio da mesa o rei do nosso Carnaval - O BOLO AMOR! Que delícia, para mim, era uma coisa do outro mundo que lembro com muita saudade, da receita perdi-lhe o rasto, nem sei se alguma vez teve a honra de ser escrita, só sei que levava chocolate em pó, manteiga feita das natas, que a minha mãe aproveitava do leite das nossas vacas, e ia ao forno de lenha, numa lata redonda, pois não havia formas de alumínio, untada de banha que era o que havia. . . Não sei o que lhe punha mais para além da farinha e dos ovos, tudo caseiro, e com muito amor, daí o nome, ficava macio e húmido, uma delícia!

Tudo a postos, sobre a mais rica e bonita toalha que havia em casa, convidavam-se, familiares e amigos:

-Vem à nossa mesa!

Este Carnaval nem os amigos podem vir à nossa casa. . .

Saudades desses tempos, do bolo , de que não tenho fotografia, e deste meu dançarino preferido do Carnaval 2001, já lá vão 20 anos.


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

 Dia de comadres.

Por cá, nos Açores, é tradicional festejarem-se as quatro quintas-feiras que antecedem o Carnaval , as quais são conotadas, com esta ordem, com o dia das amigas, dos amigos, dos compadres e das comadres.
Ontem, comemoram-se as comadres isto é a madrinha em relação aos pais do afilhado/a ou a mãe do afilhado/a em relação aos padrinhos. Então, se não vivêssemos confinados devido a esta triste pandemia, juntavam-se comadres, em almoços, jantares e lanches, fazem-se telefonemas e trocam-se mensagens e prendas para lembrar uma função tão importante, pois se pensarmos bem na palavra, concluímos que a mesma significa estar com a mãe ou no lugar desta para a ajudar, coadjuvar ou substituir nas suas funções. Que isto não seja necessário, mas se pensarmos a sério no assunto é isto mesmo que significa.
Quanto a mim pensei a sério nas minhas comadres quer nas madrinhas do meu filho, quer nas mães dos meus afilhados/as que, no fundo, acumulam essas funções fazendo o favor de serem minhas amigas…
Esta é a minha maneira singela de lembrar o dia, embora não seja uma comadre conforme estipula a lei, mandando a todas, à minha cunhada Nélia Faria da Rosa que é uma madrinha na verdadeira aceção da palavra, à Sr.ª enfermeira Gorette Mendes na Fonte do Bastardo, à minha prima Hercília Aguiar nas Lajes, à velha Amiga Guida Gomes na Ribeirinha, S. Miguel, à Isabel Sousa em São Bento, um abraço desta comadre com votos de que vivam muitos dias de comadres !
Lembro também com saudade, neste dia de forma especial, as minhas comadres que já não estão entre nós.
Já agora, cito alguns ditados populares usados em relação a este parentesco, acrescentando que o substantivo também se usa para classificar uma amizade por vezes associada à coscuvilhice ou maledicência.
-Comadres, comadres, segredos à parte…
-Brigam as comadres, descobrem-se as maldades…
-Comadre zangada o que viu e ouviu transmitiu…
Rosas para as minhas comadres com muito carinho e amizade.
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Maria De Jesus Ju, Ana Rocha Meneses e 16 outras pessoas
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

A MÁSCARA:

 A máscara

Do rosto esconde:
Os olhos, a tristeza e a saudade
A idade, preocupações e maldade
A máscara a pessoa transforma
E nova personagem aparece:
- Folgazona e irreverente,
- Trapalhona e divertida,
- Brincalhona e desinibida;
No Carnaval com a máscara
A pessoa se descobre,
Acredita ser capaz,
Acredita ser diferente
E como num sonho liberta-se
E até se torna jovem
Quando a juventude já passou!

  
Carnaval de 2021
CLARA  FARIA DA ROSA

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Cara de doença:

 Já a minha mãe dizia que "a doença nunca fez boa cara a ninguém", pura verdade, há três anos, altura em que esta foto foi tirada, eu andava com graves problemas de coluna e dores atrozes que quase nem me permitiam andar o que, graças a Deus, foi ultrapassado. Na altura  e escrevia o seguinte:

"Cá estou eu na capital, esperando por exames e consultas para tratar da saúde, que afinal não ficou nada tratada, há que esperar, compreendendo que a vida é feita de capítulos, que vão sendo lidos aos poucos, uns mais agradáveis do que outros, mas contra isso não há nada a fazer, só esperar e aceitar…."

Pois é, tudo isso já lá vai , passaram-se  três longos anos, e embora já esteja tudo bem , quero lembrar esse episódio triste, para ter sempre presente que  nesta vida não podemos ter nada como completamente adquirido, em especial a saúde e que, quando estamos em baixo, temos  que espernear, esbracejar,  lutar muito, com esperança de virmos à superfície!

domingo, 31 de janeiro de 2021

 

E a menina sonhava...

E a menina sonhava,
Tinha estrelas nas mãos,
E o luar no olhar,
O Mundo era todo seu!
E a menina esperava,
Por um Mundo a descobrir
Lindo, justo, especial,
Com crianças a sorrir!
E a menina acreditava,
Doce, esforçada e confiante
Que todos eram iguais,
Que a diferença não importava,
Que o Mundo ninguém rejeitava!
E a menina, sã, confiava, sonhava, esperava...
Mas a menina aprendeu,
Que os sonhos são só sonhos,
Que as estrelas brilham menos,
E que o Mundo é só de alguns,
E que rejeita os restantes!

Clara Faria da Rosa

 E a menina sonhava

E a menina sonhava,
Tinha estrelas nas mãos,
E o luar no olhar,
O Mundo era todo seu!
E a menina esperava,
Por um Mundo a descobrir
Lindo, justo, especial,
Com crianças a sorrir!
E a menina acreditava,
Doce, esforçada e confiante
Que todos eram iguais,
Que a diferença não importava,
Que o Mundo ninguém rejeitava!
E a menina, sã, confiava,
Sonhava, esperava…
Mas a menina aprendeu,
Que os sonhos são só sonhos,
Que as estrelas brilham menos,
E que o Mundo é só de alguns,
E que rejeita os restantes!
Clara Faria da Rosa
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sábado, 30 de janeiro de 2021

 O que dirias se num Sábado de manhã te tocassem a  campainha para te deixar este mimo, este requinte, esta gentileza? ficarias comovida, agradecida e com o coração apertadinho por receber tal carinho, foi como fiquei e só me apetece dizer o que aí vai:

A tua amizade,

Vanda,

Sinto-me rica com tua amizade
Confiante, feliz e segura
Cheia de orgulho e de ventura
Alegria, amor e felicidade!
Sinto-me rica com tua amizade
Que é para mim um presente
Que me deixa muito contente
Onde não encontro maldade!
Quero que também te sintas rica
Com minha sincera amizade
Por isso esta mensagem aqui fica
A comprovar a verdade…
E a verdade é que:
-Se não estendermos a mão,
Reinará a solidão,
A tristeza e a dor
Da falta dessa linda flor
Que se chama amizade!
Clara Faria da Rosa