domingo, 1 de março de 2020

As mãos do amor:


Olho as minhas mãos e vejo-as:
Grosseiras, ásperas, cansadas,
Olho as minhas unhas e vejo-as:
Baças, rombas, maltratadas...
Tento escondê-las e penso:
-Onde estão aquelas mãos
Finas, esguias e lindas
E aquelas brilhantes unhas
Rosadas e bem-tratadas?
-Aquelas mãos de menina,
Meu orgulho, meu tesouro,
Aquelas unhas de ouro...
Tudo isso já se foi,
Tudo isso é passado.
Aquelas mãos de então,
já muito, muito, amaram,
já muita massa amassaram,
já muita sopa prepararam,
Já muita mesa puseram,
já muita roupa lavaram,
já muitas tartes fizeram,
já muito bolo bateram,
já muito chão varreram,
já muita cera puxaram,
já muita erva arrancaram,
já muitos pontos deram,
Já muita mão encaminharam
E a escrever puseram,
Já muita palma bateram,
já muito, muito escreveram...
Aquelas mãos do passado 
Meu orgulho, meu tesouro, 
já muito, muito, amaram,
Já muito muito acarinharam,
já o meu pai lavaram,
já os seus olhos fecharam,
E continuam abertas 
Embora ásperas e cansadas
Para muito, muito amar
Para alegremente ajudar...
Porque amar vai muito além
De beijar docemente alguém,
Amar é agente esquecer
Que as mãos vão envelhecer
Amar é dar e amparar,
Ajudar,estar presente e  prever
Que o outro vai precisar
Das nossas mãos 
Ásperas e cansadas,
Das nossas mãos 
Grosseiras e calejadas!
 Clara Faria da Rosa

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Não sou malacozoófaga!


Apetecia-me ler, mas não tinha nada de novo, atendendo à  minha idade, estou a esforçar-me para não comprar mais livros, o que para mim, leitora compulsiva, é um grande sacrifício! Olho para as prateleiras dos livros lidos, relidos e alguns trelidos e lanço mão de "Uma Família Inglesa" de Júlio Dinis, embrenho-me na leitura quando a certa altura  Júlio Dinis diz: 
-" O mercado do Porto a custo pode satisfazer as exigências dos numerosos malacazoófagos da colónia inglesa entre os quais Mr. Richard Whitestone ocupa lugar eminente"
Ups! Grito no meu subconsciente, malacazoófagos, que palavra tão estranha, e logo os meus olhos "voam" até às notas de rodapé e lá está a definição: - malacozoófago - O que gosta de mariscos.
Não sou malacozoófaga pois não fui habituada a comer  mariscos, comíamos o que a terra dava que era fruto do trabalho árduo do meu pai e que a minha mãe se esmerava a pôr na mesa e não havia, ao contrário da família  Whitestone, posses para comprar os produtos do mar que eram muito caros. Contudo, actualmente, por vezes compro, para o meu marido que  aprecia ou quando recebemos visitas e amigos e nessas alturas uso este serviço da V.A. com lindos desenhos de mariscos que só por si despertam os sentidos!
Ora digam lá se não  vale a pena ler e reler os clássicos, temos sempre oportunidade de aprender qualquer coisa, temos é de manter a mente e os olhos bem abertos...

















domingo, 23 de fevereiro de 2020

Carnaval no Teatro Angrense


É neste teatro que festejo o Carnaval.  Situado na rua da Esperança em Angra do Heroísmo e que faz esquina com as escadas que dão acesso  ao mercado Duque de Bragança desta mesma cidade,  edificado num terreno  onde em  1534 existia um prédio que servia de armazém para  mercadorias, tendo sido numa caixa de fazenda,  originária da Índia,  que deflagrou a epidemia da peste, nesta ilha, que vitimou milhares de pessoas,  tendo sido o edifício, como medida profilática,  destruído pelo fogo. Passados os anos deliberou a Câmara de Angra, em 1851, aforar o dito espaço,  para ali se construir um teatro "onde pudessem os cidadãos achar decente divertimento e simultâneamente presenciar exemplos de virtude, como existiam em cidades de maior civilização". A 22 de Novembro de 1860, depois de muitas peripécias, foi finalmente inaugurado o dito "entre os acordes musicais da Harmonia Terceirense, girândolas de foguetes e um indescritível entusiasmo da população", foi reinaugurado em  1993, após cinco anos de obras, necessárias pelos danos causados pelo cismo de 1980
Este teatro tem, ao longo dos anos, conhecido noites de glória e contado com os aplausos do público que a ele acorre como os que se têm feito sentir neste Carnaval de 2017, cujos espectadores não se fazem rogados a manifestar a sua aprovação perante esta grandiosa mostra de teatro popular tão característica do nosso Carnaval terceirense.
 Este é um resumo muito pobre da interessante história deste nobre edifício onde passo quatro noites seguidas, mas foi dela que me lembrei, quando confortavelmente sentada, esperava, a noite passada, as danças de Carnaval, das quais te mostro alguns aspectos:

sábado, 22 de fevereiro de 2020


Baú das memórias: 

Nenhum ano, nenhum mês nem nenhum dia é igual ao outro, contudo, não podemos fugir deles, ficam a fazer parte de nós, da nossa história depois de os vivermos, não podemos fugir disso e muitas vezes, é difícil esquecer o nosso passado, os momentos da nossa vida que já acabaram .Hoje deu-me para relembrar, para visitar o baú das minhas memórias e este dia em que com os alunos da escola Infante D. Henrique  e as suas professoras percorri a rua da Sé, em Angra do Heroísmo com a minha colega e amiga Cecília Couto e a Fátima Couto, num quadro que pretendia  representar uma família antiga, isto em 1999, nessa passada sexta feira que antecede o Carnaval.Não tendo grande habilidade/ criatividade para fantasias, fui ao sótão da minha sogra e o resultado foi este. Saudades!








quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Dia de comadres


Dia de comadres:
Por cá, nos Açores, é tradicional festejarem-se as quatro quintas-feiras que antecedem o Carnaval , as quais são conotadas, com esta ordem, com o dia das amigas, dos amigos, dos compadres e das comadres.
Hoje, comemoram-se as comadres isto é a madrinha em relação aos pais do afilhado/a ou a mãe do afilhado/a em relação aos padrinhos. Então, juntam-se comadres, em almoços, jantares e lanches, fazem-se telefonemas e trocam-se mensagens e prendas para lembrar uma função tão importante, pois se pensarmos bem na palavra, concluímos que a mesma significa estar com a mãe ou no lugar desta para a ajudar, coadjuvar ou substituir nas suas funções. Que isto não seja necessário, mas se pensarmos a sério no assunto é isto mesmo que significa.
Quanto a mim pensei a sério nas minhas comadres quer nas madrinhas do meu filho, quer nas mães dos meus afilhados/as que no fundo acumulam essas funções fazendo o favor de serem minhas amigas...
Esta é a minha maneira singela de lembrar o dia, embora não seja uma comadre conforme estipula a lei, mandando a todas, à minha cunhada Nélia Faria da Rosa que é uma madrinha na verdadeira acepção da palavra, à Srª enfermeira Gorette Mendes na Fonte do Bastardo, à minha prima Hercília Aguiar nas Lajes, à velha Amiga Guida Gomes na Ribeirinha, S. Miguel, à Isabel Sousa em São Bento, um abraço desta comadre com votos de que vivam muitos dias de comadres !
Lembro também com saudade, neste dia de forma especial, as minhas comadres que já não estão entre nós.
Já agora, cito alguns ditados populares usados em relação a este parentesco, acrescentando que o substantivo também se usa para classificar uma amizade por vezes associada à coscuvilhice ou maledicência.
-Comadres,comadres, segredos à parte...
-Brigam as comadres, descobrem-se as maldades...
-Comadre zangada o que viu e ouviu transmitiu...

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

No Dia Mundial do Doente

                                            

Rangem os ossos,
Roda a cabeça
E falta o pé?
-É a doença!
Temos tremores,
Dores Atrozes
E o coração acelera?
-É a doença!
A cama chama,
Falta a alegria
E sobra a tristeza?
-É a doença!
Já não se pode
 Responder à vida
Com prontidão?
-É a doença!
Começa a luta,
Procuram-se médicos 
E tomam-se drogas?
-É a doença!
...........
E uma infinita tristeza,
Uma insegurança e frieza,
Segredam muito mansinho...
-Que tudo se esvai devagarinho,
Que a juventude depressa voou,
Que a saúde também se esfumou,
E que agora só podemos contar
Com as recordações a passar,
Com nossas lembranças e sonhos
E com o apoio dos outros!


Dia Mundial do Doente,
Clara Faria da Rosa
Celebrando-se amanhã 11 de Fevereiro o dia mundial do doente, mostro-te esta pequena peça perguntando se sabes o que é. Algumas pessoas saberão para que serve, outras desconhecerão a utilidade deste objecto que é uma peça da vista alegre, muito fina e com um suave desenho,  conhecida por bule de acamados o qual possibilita que, o doente deitado, possa beber alimentos líquidos sem que estes entornem como acontece com um copo vulgar. 
Neste dia dedicado ao doente, formulo votos de que não necessitemos de o usar, mas se caso for, que a providência nos proporcione um caridoso cuidador que nos sirva um caldinho, leite ou um reconfortante chá que faça esquecer, por momentos, a difícil fase que vivemos!  

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

DIA DE AMIGAS 2020

Por se festejar a amizade
Na nossa ilha Terceira,
Digo com sinceridade:
- A nossa ilha é a primeira!

Encontram-se mulheres novas
Casadas. viúvas e solteiras,
Em almoços e jantares
Chás. tertúlias e lanches...

E porquê isto tudo?
- Porque a amizade é um valor,
Que está acima de tudo
E é parente do amor...

A amizade é um laço
Para manter bem apertado,
É mão estendida, é abraço
É ajudar com agrado.

É nó, é fita, é corrente
Que transmite segurança,
Ao velho, ao novo, a toda a gente...
Trazendo ao Mundo esperança .

A amizade não é falsa
Soberba, mesquinha ou invejosa,
A amizade a tolerância realça
De forma meiga e graciosa.

Amizade é orquídea em haste
Exótica, colorida e perfumada,
Envolta em carinho que baste
E de respeito acompanhada.

Clara Faria da Rosa



sábado, 1 de fevereiro de 2020

Espelho meu, espelho meu...


(À minha colega e amiga Liana Pimentel)

Adquiri há pouco este  espelho antigo, de toucador,  de que gostei muito, claro que não é de material nobre como o mármore ou a prata ou ouro, nem de  limoges ou vista alegre, mas a sua moldura, de plástico, é tão delicada e requintadamente trabalhada  e fez-me transportar a uma certa época, anos cinquenta do século passado que não resisti e lá o comprei, pois  dou muito valor às coisas e à sua história.
 Por curiosidade, consultei a Wikipédia para saber mais um pouco sobre este material e, muito resumidamente, fiquei sabendo que plásticos são matérias orgânicas, poliméricos ( Compostos químicos de elevada massa molecular ), sintéticos e maleáveis que se adaptam a diferentes formas mediante o emprego de calor e pressão.
A matéria prima do plástico é o petróleo e a palavra plástico deriva do grego "plassein".
Na origem do plástico esteve em 1839 Charles Goodyear quando adicionou enxofre à borracha bruta e ela se tornou mais resistente ao calor.
Em 1846 Christian Schonbein criou a nitroceluloide e em 1909 Leo Baekland criou a baquelite.
Na década de 30 foi criado um novo tipo de plástico o nylon, após o que apareceram outros tipos de plásticos como o drácon, o isopor, o poliesterino, o polietileno e o vinil.
Este material integrou-se de tal modo no mundo actual que não se pode imaginar o mundo sem ele.
Os plásticos são usados em diversas aplicações como na moda, no trabalho, agricultura, odontologia, decoração entre outros.
No princípio da década de 70 do século passado fui leccionar para a escola de Porto Judeu de Baixo, na ilha Terceira, Açores onde privei com a colega Liana Pimentel, encontrávamo-nos ao almoço e eu gostava da falar com ela porque era muito engraçada e ainda é, graças a Deus, mais experiente e eu mais nova, com muito para aprender. Nunca me esqueci o que me contou certo dia:
- Quando me casei - Dizia ela - estava no auge a moda dos plásticos e eu decorei a minha cozinha com os mais modernos e brilhantes artigos, eram os electrodomésticos da altura! Certo dia, não sei como, o lume saltou a um objecto  e ardeu tudo, tudinho!
 Isto marcou-me muito, porque havia casado há pouco tempo e apetrechado a minha casa e nem queria pensar num acidente semelhante!
Pois é, este material arde com facilidade e levanta o problema do descarte, embora haja sempre a possibilidade da reciclagem o que felizmente não aconteceu ao meu lindo espelho de mão que conseguiu resistir intacto e sem qualquer " beliscadura" a várias décadas, mais de meio século, espelhando tanta coisa que se falasse não conseguiria revelar ao mundo todas as transformações  que presenciou ao longo da sua vida...
É caso para concluir, parafraseando a malvada da madrasta da Branca de Neve, no conto infantil que todos nós conhecemos, deste modo:
-Espelho meu, espelho meu, não há nenhum mais bonito do que tu!!!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Senti-me uma Princesa!
Acabei de ler o romance histórico de Isabel Stilwell "Entre o Céu e o Inferno" que nos conduz através da vida de Isabel de Aragão que nós vulgarmente conhecemos por Rainha Santa Isabel. Nascida em 1270 em Saragoça, criada pelo avô Jaime I de Aragão, o conquistador, e que casou com D. Dinis, rei de Portugal.
A certa altura, conta então Isabel Stilwell, que no Natal de 1281, ia Isabel fazer 12 anos, foi combinado o seu casamento com o rei de Portugal. Os homens de D. Dinis chegaram com a procuração para receber o dote e conduzir a então princesa a Portugal. Fizeram-se as negociações, o dote seria de trinta mil libras ao câmbio de Barcelona, fora as pratas, os ouros, as baixelas, os tecidos ricos e as jóias, esperou-se que a rainha fizesse 12 anos, conforme a igreja o exigia e marcou-se o casamento para o próprio dia do aniversário,11 de Fevereiro, uma Quarta-Feira de cinzas.
Foi então que o velho mordomo-mor de seu falecido avô Jaime I de Aragão se apresentou a cumprir uma missão, sendo fiel depositário do presente de casamento da neta mais velha e mais amada do falecido rei de Aragão, junto da princesa depositou uma linda caixa de madeira decorada com rosas pintadas.
Isabel rodou a chave e devagarinho levantou a tampa vendo a coroa da tia-bisavó Constança com um diadema de ouro, pérolas e gemas e, logo ali, decidiu que a iria usar no dia do seu casamento...
Esta caixa que escondia um tesouro, fez-me lembrar de um simples presente que recebi no Passado recente Natal e do qual demorei em falar por muitos afazeres...
Sim, à semelhança da princesa, também recebi uma linda e antiga caixa de costura com embutidos na tampa, e que trazia não ouro, pérolas nem esmeraldas mas o que para mim é também um tesouro...
Ao abri-la deparei-me com muito carinho, muita cultura, muito saber... Botões antigos de modelos e materiais que já não se encontram, um agulheiro e um furador de marfim, rendas e galões antigos e lindos, "samplers" palavra que vem do francês "exemplaire" onde se registavam os modelos de desenhos, bordados e pontos para depois serem copiados e até, imagina uma pequena chave com uma delicada fita cor-de-rosa. Senti-me uma princesa!
É caso para dizer que todas as mulheres se podem sentir princesas, é só procurar a ocasião ou o motivo!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Dia de amigos /2020:
Lembrando que hoje,quinta feira, se festejam os amigos que se juntam em jantares e outras tertúlias, dando-se assim início à quadra carnavalesca. Seguem.se as quintas feiras de amigas, compadres e comadre.
AMIGOS:
Os amigos riem juntos
À volta da mesa se reúnem,
E estão uns para os outros
Quando preciso, a mão estendem!
Os amigos choram juntos
Mesmo sem a lágrima correr,
E sofrem os males dos outros
Sem poder nada fazer!
Mas há sempre uma palavra
Um sorriso,uma companhia
Uma gargalhada sonora...
E também muita alegria
Num encontro, a qualquer hora
E viva, viva a folia!

A Misteriosa Mulher de Vermelho (ficção)

Era um mistério aquela mulher. De passo miúdo mas apressado, cintura fina, saia larga e flutuante, cabelo apanhado e coberto com uma fita do mesmo tecido do elegante vestido vermelho, calcorreava ruas e avenidas, saindo e entrando , olhando, voltando a olhar, falando ao telemóvel e muitas vezes consultando um pequeno bloco negro que dava a sensação de ser uma calculadora ou um caderno de notas .
Estavam todos intrigados! No canto das ruas e avenidas vigiavam e comentavam, chegando-se ao ponto de se organizar uma lista , de voluntários, que rotativamente lá estivessem a observar e a tentar decifrar aquele grande e inquietante mistério...
Uns diziam ser uma agente secreta investigando as compras que os políticos , banqueiros e suas elegantes e requintadas esposas faziam, outros que era uma cientista a estudar o impacto que certos tecidos têm no comportamento, mais ou menos invulgar,  do ser humano, alguém afirmava convictamente, ser uma inspectora das finanças à caça dos comerciantes que não passavam factura aos clientes, conforme o estipulado, havia quem adiantasse que em  sua opinião era uma assistente social ou uma psicóloga, a estudar a reacção dos clientes ao atendimento pouco ético de muitos balconistas, mas a opinião mais consensual e generalizada era a de que se tratava de uma actriz de gabarito,  uma diva de alto coturno, disfarçada, para poder usufruir das belezas daquela centenária cidade, dos seus edifícios históricos, das suas ruas características, dos seus belos pregões e do talento dos vitrinistas que ornamentavam como em nenhuma cidade do mundo! 
Foi então que alguém, mais perspicaz reparou, que a bela dama de vermelho era seguida por um elegante carro preto, conduzido por um homem fardado que, parando amiudadas vezes, ia recolhendo embrulhos e embrulhinhos, caixas e caixinhas e sacos de todas as cores, tamanhos  e feitios.
Estava desfeito o mistério...
Andava aos saldos, a elegante mulher de vermelho!
Os saldos, o inimigo número um das mulheres do século XXI...

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Tentações...







A tarde estava boa, se  comparada com a manhã, saio à rua e vou até ao pomar, olho para a goiabeira e para os respectivos frutos mas de uma forma indolente e desprendida; Aconteceu então, que um anjo bom me tocou no ombro e disse:
- Então Clara, e se aproveitasses os frutos para fazer uma compota?
Logo um anjo mau me cutucou o outro ombro dizendo:
- Deixa-te disso, os frutos ainda estão pouco maduros...
o anjo bom insistia:
- Não sejas preguiçosa, tens que os apanhar assim, para que os pássaros não os estraguem e deixá-los amadurecer em casa...
O anjo mau não desistia:
- Vai mas é descansar ou passear e deixa os frutos para os pássaros, para que vais fazer compota que só faz mal?
Então o anjo bom insistia novamente:
- Podes aproveitar alguns frutos, que ainda ficam muitos para os pássaros,  e  ficas com abundância  para rechear alguma torta ou bolo, acompanhar umas torradinhas ou então oferecer a alguém...
- Para fazer goiabada, demora imenso tempo até que fique durinha de cortar à faca e gasta muito gás! - diz o anjo mau, sem desistir de me tentar!
- Não desistas, sê forte e presta homenagem  aos colonos portugueses  no Brasil que inventaram a goiabada quando substituíram  os marmelos da marmelada pelas goiabas por não encontrarem marmelos por lá...
Foi uma luta terrível, mas  o anjo bom venceu.  Lá fui munida de um cesto apanhar as ditas goiabas, que dois dias depois já estavam bem amarelinhas e maduras   e depois tive que separar a polpa das cascas, para ferver e coar a primeira por causa das muitas sementes, picar a casca e juntar tudo , levei um bom bocado e fiquei com as mãos e unhas com muito má apresentação.
Lá foram as desgraçadas para a panela levando bastante tempo a fazer o ponto porque nestas coisas de doces sou um pouco aldrabona e nunca junto o açúcar recomendado por lei.
Não fiz marmelada dura porque isso leva muito tempo, mas fiz um doce delicioso e 
no fim, pressenti que o anjo bom, a minha consciência, se regozijava com a minha atitude e com o facto de eu, que sou um pouco preguiçosa, ter conseguido levar avante o meu projecto, de cujo resultado te mostro algumas fotos