terça-feira, 22 de outubro de 2019



Toucados e Toucadores...

Quando vi a apresentadora Cristina Ferreira , nos globos de Ouro da SIC com o seu extravagante toucado, palavra que designa um adereço para a cabeça, gostei porque gosto de coisas diferentes e aprecio a criatividade na moda mas, logo me lembrei de uma palavra da mesma família de toucado que é toucador a qual designa uma peça de mobiliário, em desuso, que é um pequeno móvel que se usa sobre uma cómoda, havendo também alguns que se sustentam com pés mais ou menos trabalhados, tendo em comum o facto de possuírem um pequeno espelho basculante apoiado em elegantes e, por vezes, trabalhadas traves, sobre uma pequena caixa com uma gavetinha onde as nossas antepassadas guardavam as suas escovas, pentes, fitas, ganchos e outros adereços e que serviam para as senhoras arrumarem os seus cabelos, ajeitarem os seus toucados ou retocarem o ruge que lhes dava um ar saudável às faces deslavadas, por falta de sol.
Adoro estes pequenos móveis, muitas vezes relíquias, que estavam muito em moda nos séculos XVIII e XIX, mas entraram em desuso, sendo substituídos por riquíssimas casas de banho e vestiários com enormes espelhos, e ainda bem, porque como podes ver não haveria toucador que suportasse o toucado de Cristina Ferreira!

Vê lá se não tenho razão!!?

























quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Galhetas e galheteiros

Levas um par de galhetas!
Iam os dois jovens, à minha frente, discutiam futebol e não se entendiam... A certa altura, e porque as palavras já não eram suficientes, o mais agressivo volta-se para o companheiro:
- Só um cego é que não vê. levas um par de galhetas e logo, logo, concordas comigo!
Vai daí, começo a pensar:
- Galheta? O que é que pequenos frascos de vidro ou de louça para o azeite e vinagre têm a ver com este desentendimento futebolístico?
Pensando bem, as galhetas andam sempre aos pares e vão à mesa num suporte a que chamamos galheteiro, portanto, compreende-se que, coloquialmente, se use a expressão, visto que se dá uma bofetada de cada lado da cara, ficando no meio o nariz que é , como quem diz, o galheteiro.
E pronto, está explicada a expressão, embora a sua prática seja desaconselhada, há sempre outras vias para se chegar a consenso...
Há também quem defenda que o termo galheta vem do espanhol galleta que significa: - bolacha.
Com azeite, com vinagre ou comestíveis as gallhetas são sempre melhores do que na cara embora, já tenha ouvido dizer muitas vezes, e a muito boa gente, perante determinada e delicada situação:
- Fiquei pior do que se me tivessem dado duas galhetas!
E aqui vão elas!!!







sábado, 5 de outubro de 2019

Dia da Procissão
na Vila das Lajes/Terceira

Nas Lajes eu nasci,
Nas Lajes me fiz mulher,
Nas lajes alegre vivi,
Até meu caminho escolher.

Sou lajense, com orgulho,
Nas Lajes encontro raízes,
Se na saudade mergulho,
Lembro tempos bem felizes!

Lembro carinho e amizade,
Abnegação e tolerância
E com abertura e verdade
Sinto o tempo sem distância.

Lembro o sino a repicar,
Na torre alta de igreja,
A novos e velhos chamar,
Assim o céu me proteja!

Lembro a linda procissão
E os homens com lanternas
E à frente o grande pendão,
Ai que saudades, eternas...

E dos Andores enfeitados,
Muito bonitos, um primor!
Pelos homens transportados,
com respeito e muito amor.

E do arcanjo S. Miguel
Levando sua balança,
E de S.Gabriel e Rafael
Que transmitiam esperança.

Da Senhora do Rosário
Com seu menino nos braços,
E depois lá vinha o pálio
E nós todos de joelhos!

Nas alas mulheres lindas...
Vestidas muito a rigor,
E um grupo de meninas
Logo a seguir ao andor.

Stª Teresinha sorria
E nas mãos flores levava
Muito alegre parecia
E a todos abençoava.

Ai que saudades eu tenho,
Ai não escondo nem minto,
Faltam-me jeito e engenho
Para transmitir o que sinto!

Clara Faria da Rosa

sábado, 21 de setembro de 2019

No Dia Internacional da Paz
A Paz é luz que aquece,
Ilumina, e engrandece...
A Paz é luz que nos guia,
Na caminhada dia-a dia.
A Paz faz-se na estrada,
Faz-se do tudo e do nada...
A Paz faz-se à volta da mesa,
Na rua, na escola e em casa.
A Paz faz-se na esperança,
No perdão, na tolerância,
E também na temperança.
A Paz não é arrogância,
É flor, é simples criança,
E amor em abundância!
Clara Faria da Rosa
21/09/2019
(Dia Internacional da Paz)

domingo, 8 de setembro de 2019

Do sótão da minha infância


Por estarmos no mês do regresso à escola, voltei ao sótão da minha infância!
Preparava-me para entrar na escola primária, como então se chamava, no dia 1 de Outubro, e assim iniciar o meu percurso académico, à altura não havia infantários, nem prés, nem nada dessas vantagens actuais, a que as pessoas de tão corriqueiras, já nem lhes dão o devido valor.
A minha mãe já me havia preparado a minha mala de cartão, não a da cantora, com o livro, um caderno de folhas de duas linhas, uma pedra com a sua esponja, como apagador, e o respectivo lápis e já me tinha feito a bata branquinha, pois à altura era assim, a bata nivelava e tapava as misérias ou necessidades, comprara-me também uma caixinha redondinha em alumínio, para eu levar um lanchinho para os intervalos, pois viria almoçar a casa.
Muito previdente, a minha mãe, lembrando-se que " a luz que vai à frente é que ilumina", resolveu matricular-me o mês de Setembro na chamada "escola paga" , como então se dizia, para eu já ir um pouco preparada para a escola e não ter problemas de adaptação.
Lá vai a Clarinha, toda contente, com o seu avental com muitos folhos, um grande laço na cabeça, e a sua mala recheada de tesouros, para a escola da Professora Rita,que era uma regente em quem a minha mãe, e outras pessoas confiavam muito no aspecto pedagógico, chegando lá, encontra muitos alunos sentados em pequenos banquinhos à volta de uma sala e a professora, muito profissional, a chamar os nomes que tinha registado na sua lista:
- João,-presente, responde a criança!
-Maria, -Presente,
- Ilda,-presente,
-presente,
-presente,
- presente, vão respondendo as crianças à chamada!
Eis se não quando, grande berreiro na sala, todos espantados sem saber o que se passava, era a Clarinha que chorava aflita por não ter levado um presente para a professora, pois só conhecia a palavra no sentido de oferecer algo a alguém quando a mãe lhe dizia:
-Vai levar este presente à vizinha, ou à tia, quando havia carne, fruta, hortaliças, batatas, ou algo mais para partilhar.
Já agora mostro-te a caixinha de alumínio que já tem sessenta e cinco  anos, para mim é uma relíquia, que eu levava para a escola, com os mimos que a minha mãe preparava, biscoitinhos e roscas feitos com a manteiga que se tirava do leite, depois de fervido, figos passados, pão com doce de uva, um ovinho cozido, fruta descascada e partida eu sei lá... os sabores, cheiros e recordações que, neste momento, me estão povoando a memória!


segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Meu lar, meu cantinho:
Cantinho da minha casa,
Silêncio doce e profundo
Bendita a porta da rua,
Que me separa do mundo!

Numa feira de antiguidades, ao apreciar uma bancada de feirante, os meus olhos bateram num pequeno prato de louça de Alcobaça, que mostrava a quadra que acima transcrevo e que me ficou a martelar na cabeça de tal modo, que tive que voltar atrás e discutir o preço com o feirante, para o comprar. É que a quadra teve o condão de me pôr a pensar e de avivar as saudades que eu, estando ausente, já tinha de casa. 
Não há nada como o aconchego da nossa casa, do nosso cantinho, onde estão aqueles de quem gostamos, as nossas coisas e as nossas recordações e onde após fecharmos a porta da rua nos sentimos em segurança, longe do bulício e dos perigos do exterior.
Estando longe é que percebemos a sério o valor da palavra "lar" a palavra que exprime o lugar onde amarramos uma das extremidades do fio da nossa vida, pois mesmo que o abandonemos, estaremos sempre a ele ligados, pelo coração, pelas recordações e especialmente pelas saudade.



Vão-se lá entender os adultos! 

Estes são os meu avós maternos Maria Borges de Meneses 1895-1969 e António Machado de Almeida 1880-1949 que viveram e criaram os seus filhos em Santa luzia da Praia da Vitória, ilha Terceira. Por agora serem as festas nesta localidade, deu-me para pensar neles, sobretudo na minha avó pois do meu avô não tenho memórias, por ter falecido, tinha eu um ano.
Ia sempre passar as festas para casa da minha avó, o que para mim era uma alegria, pois era também uma oportunidade de conviver com os meus primos.
Guardo na minha memória muitas histórias desses tempos e hoje lembrei-me especialmente que no dia da procissão, depois do jantar, a minha avó vestia a sua casaca de brocado preto e a sua saia castanha, ajeitava o seu pelo com ganchos de osso e alisava bem o cabelo que prendia com bonitas travessas, punha a sua sombrinha no braço, pegava no missal e no seu terço e lá me levava a reboque para a missa - de - festa e sermão.
Era um martírio para mim, porque a avó era do tempo em que não havia carros e, por isso, tinha tendência para andar no meio da estrada e eu tinha que estar continuamente a puxá-la para a berma da estrada pois os carros dos americanos da base da Lajes, ali ao pé, quase no quintal, ferviam!
Na igreja era só gente de idade e adultos, as roupas cheiravam a naftalina e eu , aos pés da minha avó, sentada no pequeno banquinho de ajoelhar, olhava para o púlpito, para os torneados de madeira com uns anjinhos todos pretos, até as asas, e para o pregador, atónita, sem perceber nada, mas parecendo-me, a certa altura, perceber que ele ameaçava os presentes! Mas porquê se eu até fazia tudo o que me mandavam e rezava à noite as minhas orações?
- Avó, ele está zangado comigo?
-Cala-te rapariga, isto não são assuntos para ti!!!
Vão-se lá entender os adultos...

domingo, 1 de setembro de 2019

Procura:

Olho o teclado e procuro:
Procuro o A que escreve amor,
Procuro o A de amizade,
Procuro o grito que exprime a dor,
Ao saber tanta maldade!
Procuro, 
Procuro,
Procuro...
E apago e corrijo e reescrevo:
A tolerância que afasta a dor,
O L de livro e liberdade,
A flor no seu esplendor,
A paz na nossa cidade!

Onde Deverei procurar?
Quanto terei de esperar?
Para encontrar neste teclado,
Dentro de mim e no mundo,
O sorriso que nos aquece,
A mão que se estende,
O ódio que se esquece
E o erro que se entende?...
Procuro, apago, corrijo e reescrevo!

 Clara Rosa
01/09/2019


sábado, 31 de agosto de 2019

Quando a linha da vida se parte:

É, desde sempre, que me lembro desta caixa, no canto do estrado, na minha casa das Lajes; Era o trabalho leve da minha mãe! 
Aos Domingos íamos à missa, almoçávamos, a minha mãe levantava a mesa e lavava a louça e, como não se trabalhava ao Domingo, ela sentava-se a fazer um trabalhinho leve, o seu crochet... a minha mãe sempre foi uma mulher determinada que se deu à vida e ao trabalho, não era ociosa nem sequer tinha passatempos, estou em crer que ela nem conhecia esta palavra: Passatempo...
E sempre foi assim, até ao fim, de tal modo que quando faleceu, andava a fazer uma renda para um lençol.
Partimos, mas as coisas ficam, e lá ficou a caixa, abandonada no canto do estrado, como se também tivesse perdido a vida .
Ao abri-la, deparei-me com o trabalho inacabado e pensei como a vida é repleta de imprevistos e como nós nunca consideramos que a meta foi atingida, é muito difícil considerar que a nossa actividade terminou, só se por infortúnio do destino, isso acontecer inesperadamente, como foi o caso.
Num rasgo de saudade e de impotência, perante a dura realidade, emoldurei, como recordação, o trabalho inacabado assim como a farpa com que a minha mãe fazia o seu crochet.
Já lá vão muitos anos, contudo ao olhar para estes objectos lembram-me sempre, naturalmente, a minha mãe e, como é efémera a linha que nos agarra à vida, a qual pode ser quebrada a qualquer momento.
É por isso, para que tenhamos esta realidade sempre presente, que conto esta história de uma mulher que "crochetou" a vida com muita garra e determinação, até que a linha se quebrou!




segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Com vinagre não se apanham moscas!
Sempre que, nas andanças pela minha casa, os meus olhos dão com esta lindíssima peça que, à primeira vista parece uma licoreira, penso no ditado antigo:
- "Com vinagre não se apanham moscas", porque afinal, este utensílio em forma de garrafa de vidro transparente, muito fino, bojudo, com ressalto no fim do gargalo alongado e que apresenta uma reentrância, no fundo, para o interior, aberta na parte central, possuindo três pequenos pés em vidro e uma rolha também de vidro, muito elegante, é um mosqueiro dos princípios do séc. XX no qual se introduzia uma substância doce e pegajosa, de preferência, que atraía as moscas que lá ficavam presas. Penso que a rosca no gargalo servia para se pendurar com um barbante no tecto e lá ficava, o dito cujo, à espera das moscas...
Pois é, ao olhá-lo, dou comigo a dizer para mim própria:
-Clara, deixa-te de azedumes, pois a vida é como um mosqueiro, não se compadece com azedumes que só atraem dissabores, inimizades e mal-estar afinal até as moscas são atraídas pela doçura, embora isso seja nefasto para elas!
De qualquer modo, cuidado com os azedumes constantes e especialmente com algumas moscas impertinentes...





sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Os Dons do Espírito Santo:


































Embora extemporâneo, não posso deixar de registar a alegria que sentimos, faz hoje precisamente  dois meses, ao levarmos na coroação das Bicas de Cabo Verde, São Pedro de Angra do Heroísmo a corôa comprada com o fruto do nosso trabalho a ser benzida após a missa da coroação. A comissão irmanada por esta devoção centenária, e crente que os dons do Divino Espírito Santo são o esteio que ajudará a levar os açorianos, continentais e o mundo em geral a bom porto e a uma vivência sã dentro dos valores que nos foram legados pelos nossos antepassados, numa atitude de partilha deste entendimento, que ao longo do ano foi tratado, imprimiu em fitas estes valores que irradiavam da corôa e que cada elemento transportava conforme podes ver pelas fotos.
Sabedoria, Entendimento,  Conselho, Ciência, Piedade, Fortaleza, Temor de Deus - Os dons do Espírito Santo que precisamos caiam sobre nós !