sábado, 13 de abril de 2019

Beijinhos doces
Neste dia especial, dedicado ao beijo, não posso deixar passar a oportunidade de registar aqui a minha receita de beijinhos, aqui vai ela:
Aqui vão estes beijinhos,
que levam leite condensado,
côco e muitos miminhos
e açúcar cristalizado.
É tudo bem misturado,
com açúcar e carinhos,
ao microondas é levado.
para depois fazer bolinhos.
Envolva no açúcar cristalizado,
no cimo coloque um cravinho,
sempre com muito cuidado,
decore com um beijinho!
13/Abril/2018
Clara Faria da Rosa
E tudo por causa de uma redacção !!!
Que me desculpem os que me costumam ler, mas tenho mesmo de partilhar este comentário de um antigo aluno que reencontrei devido ao texto que recentemente publiquei e que falava de uma criança que frequentou a escola de Ribeira da Areia na Vila Nova, Terceira, Açores, à qual tinha perdido o rasto...Não sei se tenho vontade de chorar, de rir, ou de bater palmas, o que sei é que estou verdadeiramente feliz por o ter reencontrado e por saber que de certo modo toquei a tua vida, que é um homem de sucesso e que continua sensível e criativo. 
Jose Barcelos:
Essa criança - Sou Eu
Uma criança com sua bata branca, às vezes descalço com seus olhos vazios de solidão, olhando para uma Herói alta, elegante, magrinha , cabelo forte preto partado ao lado tocando nas suas mãos sentido protegido a entrada da aula.
Essa criança - Sou Eu
Creativa, sensível com vontade de ser o melhor e aceito pelos seus colegas.
Essa criança - Sou Eu
Um dia essa Herói professora mandou escrever uma redação sobre vegetais, onde eu escolhi as favas, meus vegetais preferidos no tempo de criança, dias depois essa Herói professora mandou chamar minha mãe para o dizer que seu filho tinha feito uma redação super creativa ou algo parecido.
Essa criança - Sou Eu
Acho todos quando crianças temos uma professora ou professor que nos marca, pois para mim foi a minha Herói senhora professora Clara das Lajes, andei muito tempo à procura de essa Herói onde hoje me sinto FELIZ de a ter encontrado.
Essa criança - Sou Eu
Adulto eu estou, creativo, sucessor e sensível, onde acredito que tudo começou preparando pro meu futuro naquela escrita redação das favas.
Hoje vivendo nos Estados Unidos desde 14 anos de idade nunca esquecerei da minha Herói professora Clara das Lajes.
Obrigada por existir e ter tocado no início da minha vida com essa redação das favas.
Saudades seu aluno
José Barcelos

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Espelho meu, espelho meu...









A "Branca de Neve e os Sete Anões" é um conto com origem na tradição oral alemã que, em conjunto com outros contos, foi  compilado pelos irmãos Grimm, no principio do século XIX. Nele  conta-se, como muitos saberão, que tendo uma rainha sido mãe de uma criança muito linda e branca lhe pôs o nome de "Branca de Neve". Ora,sucedeu que falecendo a rainha, o rei casou com uma mulher muito má e vaidosa que levava a vida a contemplar-se no seu lindo e valioso espelho de mão ao qual frequentemente perguntava:
-Espelho meu,espelho meu, há alguém mais bonito do que eu?
Ao que o espelho respondia que ela era de facto a mais bela.
O tempo passou e a Branca de Neve atingiu os seus 18 anos, a partir daí a resposta do espelho à frequente pergunta da rainha passou a ser outra.
-Vós sois muito bela,senhora, mas a Branca de Neve é ainda mais bela!
Ora isto encolerizou de tal modo a rainha madrasta que mandou matar a jovem...
Quando olho estes espelhos que conseguiram resistir intactos e sem qualquer"beliscadura" a várias décadas,espelhando tanta coisa que se falassem não conseguiriam revelar ao mundo todas as transformações que presenciaram ao longo das suas vidas,lembro-me sempre da malvada da madrasta da Branca de Neve e ao contemplar-me penso no que fui, no que sou, no que serei e no que poderia ter sido e também que sempre tentei dar uma nota de cor, confiança e  significado à minha vida! 
Imagina se os meus espelhos me dizem que estou enganada,que não encarei as mudanças com coragem,que andei muitas vezes iludida pensando estar no caminho certo e ser dona de uma verdade que,na verdade,não o era,que não aproveitei os recursos que tive ao meu dispor... 
Que fazer??? Quebrar os espelhos, que não mentem, ou tentar redimir-me, modificar-me, melhorar?
Estamos sempre a tempo...

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Uma caixinha aveludada:

Criatividade e sensibilidade:
Estive a descascar favas, nada de especial para esta época do ano, especial foi o facto de, enquanto fazia este moroso trabalho, me ter posto a pensar, e de repente a minha cabeça ter voado para o princípio da década de setenta do século passado e me ter levado à escola da Ribeira da Areia na freguesia de Vila Nova onde eu dava os primeiros passos como professora, profissão que sempre me realizou sobremaneira. Pena é que ao longo dos anos e com a experiência adquirida e as aprendizagens feitas conclua, com muita pena minha, que poderia ter feito melhor, mas já a minha mãe que era costureira, dizia, quando deixou de trabalhar, que naquela altura é que se sentia apta para começar na sua profissão.
Mas isto tudo são desvios do assunto e do título em epígrafe. O que eu te quero contar é que, enquanto descascava as ditas favas, me lembrei de um aluno que frequentava, com os seus irmãos aquela escola, e que emigrou com a família, pelo que lhe perdi o rasto, que era uma criança muito sensível, me ter escrito numa redacção, aquilo a que hoje se chama expressão escrita, o seguinte:
---- O meu pai trouxe para casa uma saca muito grande cheia de favas e ontem à noite estivemos, todos juntos, a descascá-las.
As favas são muito engraçadas porque vêm numa caixinha verde, forrada de veludo, para não se estragarem, e têm na ponta uma boquinha que está sempre a rir.
Isto dito, mais ou menos por estas palavras, por uma criança de oito anos, em cuja família não havia o hábito de leitura, quando ainda não se via televisão e os estímulos intelectuais ainda eram poucos, deixou-me de tal modo admirada que nunca me esqueci, passados que são quarenta e cinco anos.... Quem soubesse dele e que rumo escolheu!
A criatividade e a sensibilidade são características que embora possam ser trabalhadas, são muitas vezes inatas, e podem encontrar-se nas mais humildes famílias, nas mais humildes escolas como nos colégios mais caros, até se podem encontrar numa casca de fava, transformada em caixinha de jóias, aveludada!!!


segunda-feira, 8 de abril de 2019

Folares no Império das Bicas:



É tradicional, por esta altura, fazerem-se folares que são um pão feito com farinha água, ovos, sal, fermento, manteiga e outras variantes, conforme a localidade, há com vários formatos, folares salgados, com carnes e enchidos mas, os típicos da nossa terra são redondos, bem docinhos e levam no meio um ou mais ovos cozidos, com a casca, numa clara alusão à ressurreição do Senhor, visto que o ovo é sinal de vida. Adoro um bom folar e especialmente a massa que fica à volta dos ovos, mais pesada e consistente.
Conhecedores de toda esta tradição, a comissão de festas do Império de Bicas de Cabo Verde, resolveu distribuir folares com dois objectivos, angariar algum fundo para ajudar à festa em louvor do Divino Espírito Santo e enviar uma mensagem de votos de Páscoa Feliz a todos os que se nos juntaram em mais esta cruzada. Agradecemos a ajuda e mais uma vez vos desejamos uma Santa e Feliz Páscoa!











  

sábado, 6 de abril de 2019

MEU FILHO:
Meu filho, meu amigo,
Sabes que conto contigo,
Para a nossa casa alegrar,
E a saudade afastar...
Meu menino, meu tesouro,
Meu sonho de rubi e ouro,
Meu futuro, meu projecto,
Meu amor e meu afecto!
Menino em homem transformado,
Muito, muito tens mudado,
Mas sempre sempre muito amado,
És meu caminho esperado.
Para mim, menino, sempre serás, 
E o meu coração aquecerás,
Que teu rumo saibas escolher,
E nunca saboreies o sofrer.
Mas se o sofrimento encontrares,
Tem coragem, não desanimes...
Pois a tempestade traz a bonança,
E a bonança a luz da esperança!

Clara Faria da Rosa

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Búzio do mar

 O búzio do mar:

Ó lindo búzio do mar
Que lembras fuso de fiar,
Dá-me notícias do passado
que recordo com agrado.
Ó lindo molusco do mar
No teu constante marulhar,
Das ondas que batem sem parar
E que vão a areia beijar...
Sabes coisas de espantar
Que nos fazem rir e chorar
E que a mim podes contar
Para saber meu fim aguardar...
Diz-me tu, molusco mágico
No teu som Hipnotizador,
No meu ouvido, devagarinho
Muito suave e de mansinho...
- Como será o meu futuro
Se dorido, resignado e duro,
Ou suave, calmo e digno...
- Se as dores saberei enfrentar
Se terei noção do degradar,
Se saberei bom exemplo deixar
Quando deste mundo  me apartar?!

Clara Faria da Rosa,
05/04/ 2019


Ocupada a viver...

Coisas imprestáveis??
Não, para mim, não há coisas imprestáveis, quando olho para os objectos, por mais insignificantes que sejam, penso logo nos seus préstimos e, quando os vejo abandonados, penso no que se pode fazer com eles para que se tornem úteis. Foi o caso destes objectos que não faziam conjunto com nada, dois pratos antigos, muito bonitos, uma tigela de sopa  com umas flores muito alegres e apelativas, uma peça de estanho de um velho candeeiro e um pequeno mas mimoso "bibelot".
Vai daí, toca de os juntar e de fazer deles um conjunto utilitário e até certo ponto com um certo requinte, penso eu, tu o dirás!
Isto tudo para contrariar uma frase que li um dia destes, "aquele que não estiver ocupado a nascer, está ocupado a morrer!" 
Ora, não estando ocupada a nascer, já o tendo feito há muitos anos, se bem que se nasça todos os dias, mas isto são outros assuntos, pelos quais não quero entrar agora e, também não estando ocupada a morrer, graças a Deus, se bem que também se morra todos os dias, estou ocupadíssima a viver, e espero que ainda continue ocupada por largos anos, é por isso que me ocupo a dar préstimo  e valor às coisas...





segunda-feira, 1 de abril de 2019

1º de Abril - Dia de petas

Hoje, 1º de Abril, é dia de se pregarem petas ou mentiras aos mais desprevenidos; Quando era criança gostava imenso de pregar as minhas partidas e ainda acho engraçado porque muitas vezes estas brincadeiras mostram criatividade e engenho. 

Tudo isto é muito engraçado mas faz-me reportar à realidade diária a qual se for bem analisada é um nunca acabar de petas de fazer bradar aos céus, porque, na maior parte das vezes têm carácter perigoso e vêm de pessoas e quadrantes com obrigação de seriedade e lisura de comportamentos . Se não vejamos, a título de exemplo,   como
diariamente nos tentam mentir e aldrabar com os mais estranhos e rebuscados argumentos e estratagemas:

São os gananciosos banqueiros, em quem confiamos, a enganar o sistema , são os anúncios a impingirem créditos mentirosos que levam à falência os cidadãos e as famílias mais crédulas e desprevenidas, são privatizações que se fazem para bem do país mas que só servem para dar lucros garantidos às grandes empresas e ou investidores é o nosso dinheiro que indirectamente é usado para salvar bancos que uns tantos espertalhões e mentirosos levaram à falência depois de terem atafulhado os seus bolsos e as respectivas contas bancárias, enfim, são só alguns exemplos, não vale a pena alongar mais para que percebamos que, na prática, não  tem cabimento um dia das mentiras visto que o vivemos diariamente, proponho, por isso que futuramente celebremos o dia 1 de Abril como o dia da verdade !

terça-feira, 26 de março de 2019

Tem cacau? Hum...que delícia!



Comemorou-se hoje o dia do cacau que é um fruto típico da América Central e do Sul mas que também se encontra em algumas regiões da Ásia e da África. Este fruto é a principal matéria prima para a produção do chocolate. Não sou especialista de nada, muito menos nesta matéria de culinária, contudo não resisto, neste dia,  a passar-te a minha receita de bolo de cacau. que também me foi passada por alguém, pois muito dificilmente inventamos algo, tudo o que fazemos é baseado em experiências e aprendizagens de outros.
Cá vai a dita receitinha que sai sempre bem:
- Sete ovos,
-Meia chávena de óleo,
-Duas chávenas de farinha peneirada,
-Duas chávenas de açúcar,
-Uma pitada de baunilha (facultativo)
- Três quartos de chávena de água quente,
- Meia chávena de cacau,
- Uma carteira de fermento,
Batem-se as gemas com o açúcar e o óleo, depois adiciona-se o cacau desfeito na água, vai-se misturando  a farinha aos poucos o fermento com cuidado e, por fim, as claras batidas em castelo. Vai ao forno em forma untada e polvilhada de farinha.
Facílimo, não é? receitas destas há-as aos montes, mas é a minha modesta contribuição, já que não te posso oferecer chocolates, para adoçar este dia!


domingo, 24 de março de 2019



Primavera
Se eu fosse a Primavera:
____________
Ai, se eu fosse a Primavera
de verde, eu tudo pintava
um verde alegre e cintilante
e velhos e novos alegrava.
____________________
Ai, se eu fosse a Primavera
numa pincelada, num instante
a maldade e a guerra eu mudava
em bondade e paz constante.
____________________
Ai, se eu fosse a Primavera
convocaria o Sol a florir
todos os pássaros a chilrear
e os tristes e doentes a sorrir.
__________________
Ai, eu sou a Primavera
há bancos e flores nos jardins
e a humanidade a delirar
com diálogos, namoros e afins...
Clara Faria da Rosa


quinta-feira, 21 de março de 2019

Poesia:
A poesia lê o mundo
O homem e a alma a fundo,
A poesia vê a dor
A fome, a tristeza e o amor,
A poesia a paz canta
E a bondade que encanta,
A poesia chora a guerra
Derramada sobre a terra,
A poesia é sentimento
Que expressa o sofrimento
Com arte, sentido, emoção,
Com alma , corpo e coração.
Poesia...
É vida é saúde, é morte
É falar da alegria e da sorte
Da inveja e da maldade
Da amizade, do amor e da saudade!
Clara Faria da Rosa

quarta-feira, 20 de março de 2019

No Dia Mundial da Felicidade:
O que é a felicidade?
É um dom a felicidade
É um dom uma conquista
Que se baseia na verdade
Que de dentro de nós brota
É um dom que não se herda
Conquista que não se compra
É um saber aceitar
De forma harmoniosa
O que a vida nos promete
E o que afinal nos dá
É um saber compreender que:
A felicidade não tem cor
Não tem raça nem dinheiro
A felicidade não é rica
Mas também não é pobrezinha
A felicidade não é adjectivo
Também não é substantivo
A felicidade é um enorme querer
Que vive na nossa vontade
E que chegando ao nosso rosto
Desfolha num agradável sorriso
Numa gargalhada gostosa
Num maroto piscar de olho
E numa grande vontade
De bater palmas e dizer
- Ai que bom, estou e sou feliz!!!

terça-feira, 19 de março de 2019

Para ti pai,
Que muito soubeste amar
fazendo da terra brotar
plantas e flores a sorrir,
sem nunca desistir.
Para ti pai,
Que foste homem a valer
que não poderei esquecer,
fica aqui esta lembrança
repleta de grande esperança...
Tu pai,
Espero que aí me vejas
e que como sempre me protejas,
das agruras desta vida,
até à hora da partida.
Para ti pai,
Aqui fica esta flor,
com todo o meu amor,
e um obrigado enternecido,
por tal pai teres sido!
***************
A tua filha Clara,

segunda-feira, 18 de março de 2019

O rádio do meu pai:

 Tenho, ao longo da minha vida lido muito, e tenho com isso aprendido alguma coisa, contudo o que vivi e o que retive na  minha memória é que me tornou forte, cristã, rica e erudita . Vem esta afirmação a propósito de me lembrar, embora já se tenham passado sessenta anos, como se fosse hoje, do dia em que o meu pai trouxe este rádio para casa.
O meu pai não tinha cultura musical, mas gostava muito de música, comovia-se e vi-o chorar várias vezes, ao ouvir determinadas peças de música, também gostava de ouvir notícias, o sonho dele era possuir um rádio  que tivesse um bom som e onde pudesse saber o que se passava por este mundo de Deus - como dizia. 
Como trabalhava para os americanos na Base aérea nº 4, nas  Lajes, ilha Terceira, depois de a minha mãe ter amealhado no canto da gaveta alguns dólares, pediu a um americano amigo que lhe comprasse um rádio, tinha que ser  Philips, não sei porquê tal exigência, talvez por ter ouvido falar da marca, e o amigo americano fez-lhe esse favor e ainda o veio trazer cá fora, porque tal compra era considerada contrabando e o meu pai não podia sair no Posto um com a mercadoria, ainda por cima uma compra tão grande, que dava imenso nas vistas, ainda se fossem uns chocolates americanos...
Vai daí que, quando o meu pai se apanhou na posse da dita compra, pernas para que te quero, não tardou em casa, foi um dia de alegria!
Foi esse dia e muitos outros que se seguiram, muitos serões passámos ao redor do rádio, e até quando o meu pai estava a sachar as batatas no quintal, ou sentado no muro a falar com os vizinhos e ou com os amigos, punha o rádio bem alto para que se pudesse ouvir bem.
Saudosos tempos, saudosas recordações e saudoso pai que tanto rica de memórias me deixaste!
Deixaste muitas pegadas visíveis na tua caminhada pela vida fora e algumas invisíveis que só eu posso ler e sentir, enquanto viver, bem no fundo do meu  no meu coração...


Sou a Clara, mulher madura,
Ai, vivo alegre e contente,
Tentando espalhar ternura
E sorrisos a toda a gente...

Sou a Clara,  afugento a tristeza
Ai,  ao que tenho dou valor,
Tento apreciar a beleza
A bondade, a amizade e o amor...

Sou a Clara, a saúde valorizo
Ai, o maior bem que posso ter,
Peço sempre a Deus  meu juízo
Para o fim da caminhada  viver...

Sou a Clara, quando a saúde faltar
Ai, alegria  e sorrisos perderei
Mudarei completamente o meu pensar
Mas, com teu carinho, sempre contarei...

Clara Faria da Rosa

sexta-feira, 15 de março de 2019

Mulheres das Lajes
As mulheres da vila das Lajes
São sorridentes e bem dispostas,
Discretas e coerentes
Amigas, e bem jeitosas!
São fortes estes valores
Que herdaram de seus pais,
Que os encontraram nas Bugias
E nas suas negras cantarias .
Ai linda vila das Lajes
Que me trazes tantas recordações...
Onde guardo minhas raízes,
Grandes amizades e afeições.
Na tua igreja me baptizei
E também aí me casei
O cemitério tu abrigas
E dos meus pais suas cinzas...
E mais não posso dizer
Já sangra meu coração,
De ti nunca me vou esquecer
Tenho-te carinho e devoção!
Clara Faria da Rosa,
Março de 2019

quinta-feira, 14 de março de 2019

Miguel Torga e a minha ida à Feira da Ladra...

Num Sábado já distante, fui até ao Martim Moniz onde apanhei o eléctrico 28 para ir até à Feira da Ladra. Ao apear-me deparei-me com a fachada simples e simétrica mas sumptuosa, da igreja ou mosteiro de São Vicente de Fora, com as suas torres aos lados e sobre a entrada as estátuas de São Vicente, Santo Agostinho e São Sebastião, fica à entrada para a Feira da Ladra na freguesia de São Vicente, concelho de Lisboa, no bairro de Alfama.
Em 1173  São Vicente foi proclamado padroeiro de Lisboa quando as suas relíquias foram transferidas do Algarve.
Este mosteiro começou a ser construído em 1582 no local onde D. Afonso Henriques havia mandado construir um primeiro templo em honra deste santo.





Embora o dia estivesse chuvoso e frio e com pouca afluência, lá fui deambulando por entre as várias bancas e barracas até que, numa banca de alfarrabista, encontrei um livro de Miguel Torga, um escritor de quem gosto muito, a 12ª edição de Contos da Montanha, lá regateei o preço e acabei por comprar. O que é engraçado é que o mesmo incluía o prefácio à segunda edição, escrito em 1945, um prefácio à terceira edição feito em 1952, e um à quinta edição de 1966.
O que me chamou a atenção foi o prefácio à segunda edição quando Torga dizia:
"Escrevo-te da Montanha, do sítio onde medraram as raízes deste livro, encontrei tudo como deixei quando escrevi a primeira edição. Apenas vi mais fome, mais ignorância e mais desespero.Corre por estes montes um vento desolador de miséria que não deixa florir as urzes nem pastar os rebanhos"Isto em 1945! palavras proféticas...
Pensando bem, em 20019 poder-se- ia reescrever Torga fazendo umas ligeiras substituições:
Corre neste país um vento desolador de miséria que não deixa florir os cravos de Abril, nem viver com dignidade.

quarta-feira, 13 de março de 2019

No dia em que a minha mãe chorou:
Em criança era muito tagarela, depois tive um período de maior timidez e reflexão e agora é o que se sabe, já não há remédio...
Como dizia então, em criança, era uma grande tagarela e a minha mãe, coitada, tendo sempre muito trabalho, pois era costureira, aproveitava-se dessa minha característica, punha-me à janela do quarto de cama e eu ia falando com a vizinhança que passava a tratar da sua vida, e eles também se metiam comigo, pois naturalmente, achavam-me graça!
Aconteceu certo dia, que eu não satisfeita com a conversa, ou porque não passasse ninguém para eu falar, não tive mais que fazer se não descer da cadeira onde me encontrava à janela, e pegar num menino de louça que estava sobre a mesa de cabeceira, e lá subi a cadeira, pondo-me de novo à janela com aquela imagem, à laia de boneca.
Foi então, que a minha mãe, ouvindo um barulho muito peculiar, se apressou a saber o que se passava. Tudo eram cacos na varanda, e eu lá ia dizendo que o menino tinha caído.
No inicio do séc. passado, na fábrica de louça de Coimbra fabricavam-se uns meninos de mãos postas, em terracota, com uma policromia muito suave, de olhos de vidro e com um cabelo muito encaracolado e uma inscrição na base que dizia ORAÇÃO. Eram lindos!
Tendo a minha mãe casado no segundo quartel desse século, os padrinhos de casamento haviam oferecido duas dessas imagens -uma de roupa azul e outra cor- de - rosa que a minha mãe usava nas mesas de cabeceira. Era o luxo de decoração na altura, e agora são peças de colecção, visto serem muito raros.
Ainda hoje me lembro, do rosto triste de minha mãe, onde corriam lágrimas que ela não conseguia controlar, tal foi a desolação...
Passaram-se muitos anos, e embora eu fosse muito criança quando isto aconteceu, nunca me esqueci desse dia e desse acontecimento, e foi por isso que, tendo encontrado num antiquário uma imagem semelhante, me apressei a comprá-la. Sinto que isto atenuou, um pouco, o pesar que senti, por muito tempo, por ter feito a minha mãe chorar!