sexta-feira, 5 de abril de 2019

Búzio do mar

 O búzio do mar:

Ó lindo búzio do mar
Que lembras fuso de fiar,
Dá-me notícias do passado
que recordo com agrado.
Ó lindo molusco do mar
No teu constante marulhar,
Das ondas que batem sem parar
E que vão a areia beijar...
Sabes coisas de espantar
Que nos fazem rir e chorar
E que a mim podes contar
Para saber meu fim aguardar...
Diz-me tu, molusco mágico
No teu som Hipnotizador,
No meu ouvido, devagarinho
Muito suave e de mansinho...
- Como será o meu futuro
Se dorido, resignado e duro,
Ou suave, calmo e digno...
- Se as dores saberei enfrentar
Se terei noção do degradar,
Se saberei bom exemplo deixar
Quando deste mundo  me apartar?!

Clara Faria da Rosa,
05/04/ 2019


Ocupada a viver...

Coisas imprestáveis??
Não, para mim, não há coisas imprestáveis, quando olho para os objectos, por mais insignificantes que sejam, penso logo nos seus préstimos e, quando os vejo abandonados, penso no que se pode fazer com eles para que se tornem úteis. Foi o caso destes objectos que não faziam conjunto com nada, dois pratos antigos, muito bonitos, uma tigela de sopa  com umas flores muito alegres e apelativas, uma peça de estanho de um velho candeeiro e um pequeno mas mimoso "bibelot".
Vai daí, toca de os juntar e de fazer deles um conjunto utilitário e até certo ponto com um certo requinte, penso eu, tu o dirás!
Isto tudo para contrariar uma frase que li um dia destes, "aquele que não estiver ocupado a nascer, está ocupado a morrer!" 
Ora, não estando ocupada a nascer, já o tendo feito há muitos anos, se bem que se nasça todos os dias, mas isto são outros assuntos, pelos quais não quero entrar agora e, também não estando ocupada a morrer, graças a Deus, se bem que também se morra todos os dias, estou ocupadíssima a viver, e espero que ainda continue ocupada por largos anos, é por isso que me ocupo a dar préstimo  e valor às coisas...





segunda-feira, 1 de abril de 2019

1º de Abril - Dia de petas

Hoje, 1º de Abril, é dia de se pregarem petas ou mentiras aos mais desprevenidos; Quando era criança gostava imenso de pregar as minhas partidas e ainda acho engraçado porque muitas vezes estas brincadeiras mostram criatividade e engenho. 

Tudo isto é muito engraçado mas faz-me reportar à realidade diária a qual se for bem analisada é um nunca acabar de petas de fazer bradar aos céus, porque, na maior parte das vezes têm carácter perigoso e vêm de pessoas e quadrantes com obrigação de seriedade e lisura de comportamentos . Se não vejamos, a título de exemplo,   como
diariamente nos tentam mentir e aldrabar com os mais estranhos e rebuscados argumentos e estratagemas:

São os gananciosos banqueiros, em quem confiamos, a enganar o sistema , são os anúncios a impingirem créditos mentirosos que levam à falência os cidadãos e as famílias mais crédulas e desprevenidas, são privatizações que se fazem para bem do país mas que só servem para dar lucros garantidos às grandes empresas e ou investidores é o nosso dinheiro que indirectamente é usado para salvar bancos que uns tantos espertalhões e mentirosos levaram à falência depois de terem atafulhado os seus bolsos e as respectivas contas bancárias, enfim, são só alguns exemplos, não vale a pena alongar mais para que percebamos que, na prática, não  tem cabimento um dia das mentiras visto que o vivemos diariamente, proponho, por isso que futuramente celebremos o dia 1 de Abril como o dia da verdade !

terça-feira, 26 de março de 2019

Tem cacau? Hum...que delícia!



Comemorou-se hoje o dia do cacau que é um fruto típico da América Central e do Sul mas que também se encontra em algumas regiões da Ásia e da África. Este fruto é a principal matéria prima para a produção do chocolate. Não sou especialista de nada, muito menos nesta matéria de culinária, contudo não resisto, neste dia,  a passar-te a minha receita de bolo de cacau. que também me foi passada por alguém, pois muito dificilmente inventamos algo, tudo o que fazemos é baseado em experiências e aprendizagens de outros.
Cá vai a dita receitinha que sai sempre bem:
- Sete ovos,
-Meia chávena de óleo,
-Duas chávenas de farinha peneirada,
-Duas chávenas de açúcar,
-Uma pitada de baunilha (facultativo)
- Três quartos de chávena de água quente,
- Meia chávena de cacau,
- Uma carteira de fermento,
Batem-se as gemas com o açúcar e o óleo, depois adiciona-se o cacau desfeito na água, vai-se misturando  a farinha aos poucos o fermento com cuidado e, por fim, as claras batidas em castelo. Vai ao forno em forma untada e polvilhada de farinha.
Facílimo, não é? receitas destas há-as aos montes, mas é a minha modesta contribuição, já que não te posso oferecer chocolates, para adoçar este dia!


domingo, 24 de março de 2019



Primavera
Se eu fosse a Primavera:
____________
Ai, se eu fosse a Primavera
de verde, eu tudo pintava
um verde alegre e cintilante
e velhos e novos alegrava.
____________________
Ai, se eu fosse a Primavera
numa pincelada, num instante
a maldade e a guerra eu mudava
em bondade e paz constante.
____________________
Ai, se eu fosse a Primavera
convocaria o Sol a florir
todos os pássaros a chilrear
e os tristes e doentes a sorrir.
__________________
Ai, eu sou a Primavera
há bancos e flores nos jardins
e a humanidade a delirar
com diálogos, namoros e afins...
Clara Faria da Rosa


quinta-feira, 21 de março de 2019

Poesia:
A poesia lê o mundo
O homem e a alma a fundo,
A poesia vê a dor
A fome, a tristeza e o amor,
A poesia a paz canta
E a bondade que encanta,
A poesia chora a guerra
Derramada sobre a terra,
A poesia é sentimento
Que expressa o sofrimento
Com arte, sentido, emoção,
Com alma , corpo e coração.
Poesia...
É vida é saúde, é morte
É falar da alegria e da sorte
Da inveja e da maldade
Da amizade, do amor e da saudade!
Clara Faria da Rosa

quarta-feira, 20 de março de 2019

No Dia Mundial da Felicidade:
O que é a felicidade?
É um dom a felicidade
É um dom uma conquista
Que se baseia na verdade
Que de dentro de nós brota
É um dom que não se herda
Conquista que não se compra
É um saber aceitar
De forma harmoniosa
O que a vida nos promete
E o que afinal nos dá
É um saber compreender que:
A felicidade não tem cor
Não tem raça nem dinheiro
A felicidade não é rica
Mas também não é pobrezinha
A felicidade não é adjectivo
Também não é substantivo
A felicidade é um enorme querer
Que vive na nossa vontade
E que chegando ao nosso rosto
Desfolha num agradável sorriso
Numa gargalhada gostosa
Num maroto piscar de olho
E numa grande vontade
De bater palmas e dizer
- Ai que bom, estou e sou feliz!!!

terça-feira, 19 de março de 2019

Para ti pai,
Que muito soubeste amar
fazendo da terra brotar
plantas e flores a sorrir,
sem nunca desistir.
Para ti pai,
Que foste homem a valer
que não poderei esquecer,
fica aqui esta lembrança
repleta de grande esperança...
Tu pai,
Espero que aí me vejas
e que como sempre me protejas,
das agruras desta vida,
até à hora da partida.
Para ti pai,
Aqui fica esta flor,
com todo o meu amor,
e um obrigado enternecido,
por tal pai teres sido!
***************
A tua filha Clara,

segunda-feira, 18 de março de 2019

O rádio do meu pai:

 Tenho, ao longo da minha vida lido muito, e tenho com isso aprendido alguma coisa, contudo o que vivi e o que retive na  minha memória é que me tornou forte, cristã, rica e erudita . Vem esta afirmação a propósito de me lembrar, embora já se tenham passado sessenta anos, como se fosse hoje, do dia em que o meu pai trouxe este rádio para casa.
O meu pai não tinha cultura musical, mas gostava muito de música, comovia-se e vi-o chorar várias vezes, ao ouvir determinadas peças de música, também gostava de ouvir notícias, o sonho dele era possuir um rádio  que tivesse um bom som e onde pudesse saber o que se passava por este mundo de Deus - como dizia. 
Como trabalhava para os americanos na Base aérea nº 4, nas  Lajes, ilha Terceira, depois de a minha mãe ter amealhado no canto da gaveta alguns dólares, pediu a um americano amigo que lhe comprasse um rádio, tinha que ser  Philips, não sei porquê tal exigência, talvez por ter ouvido falar da marca, e o amigo americano fez-lhe esse favor e ainda o veio trazer cá fora, porque tal compra era considerada contrabando e o meu pai não podia sair no Posto um com a mercadoria, ainda por cima uma compra tão grande, que dava imenso nas vistas, ainda se fossem uns chocolates americanos...
Vai daí que, quando o meu pai se apanhou na posse da dita compra, pernas para que te quero, não tardou em casa, foi um dia de alegria!
Foi esse dia e muitos outros que se seguiram, muitos serões passámos ao redor do rádio, e até quando o meu pai estava a sachar as batatas no quintal, ou sentado no muro a falar com os vizinhos e ou com os amigos, punha o rádio bem alto para que se pudesse ouvir bem.
Saudosos tempos, saudosas recordações e saudoso pai que tanto rica de memórias me deixaste!
Deixaste muitas pegadas visíveis na tua caminhada pela vida fora e algumas invisíveis que só eu posso ler e sentir, enquanto viver, bem no fundo do meu  no meu coração...


Sou a Clara, mulher madura,
Ai, vivo alegre e contente,
Tentando espalhar ternura
E sorrisos a toda a gente...

Sou a Clara,  afugento a tristeza
Ai,  ao que tenho dou valor,
Tento apreciar a beleza
A bondade, a amizade e o amor...

Sou a Clara, a saúde valorizo
Ai, o maior bem que posso ter,
Peço sempre a Deus  meu juízo
Para o fim da caminhada  viver...

Sou a Clara, quando a saúde faltar
Ai, alegria  e sorrisos perderei
Mudarei completamente o meu pensar
Mas, com teu carinho, sempre contarei...

Clara Faria da Rosa

sexta-feira, 15 de março de 2019

Mulheres das Lajes
As mulheres da vila das Lajes
São sorridentes e bem dispostas,
Discretas e coerentes
Amigas, e bem jeitosas!
São fortes estes valores
Que herdaram de seus pais,
Que os encontraram nas Bugias
E nas suas negras cantarias .
Ai linda vila das Lajes
Que me trazes tantas recordações...
Onde guardo minhas raízes,
Grandes amizades e afeições.
Na tua igreja me baptizei
E também aí me casei
O cemitério tu abrigas
E dos meus pais suas cinzas...
E mais não posso dizer
Já sangra meu coração,
De ti nunca me vou esquecer
Tenho-te carinho e devoção!
Clara Faria da Rosa,
Março de 2019

quinta-feira, 14 de março de 2019

Miguel Torga e a minha ida à Feira da Ladra...

Num Sábado já distante, fui até ao Martim Moniz onde apanhei o eléctrico 28 para ir até à Feira da Ladra. Ao apear-me deparei-me com a fachada simples e simétrica mas sumptuosa, da igreja ou mosteiro de São Vicente de Fora, com as suas torres aos lados e sobre a entrada as estátuas de São Vicente, Santo Agostinho e São Sebastião, fica à entrada para a Feira da Ladra na freguesia de São Vicente, concelho de Lisboa, no bairro de Alfama.
Em 1173  São Vicente foi proclamado padroeiro de Lisboa quando as suas relíquias foram transferidas do Algarve.
Este mosteiro começou a ser construído em 1582 no local onde D. Afonso Henriques havia mandado construir um primeiro templo em honra deste santo.





Embora o dia estivesse chuvoso e frio e com pouca afluência, lá fui deambulando por entre as várias bancas e barracas até que, numa banca de alfarrabista, encontrei um livro de Miguel Torga, um escritor de quem gosto muito, a 12ª edição de Contos da Montanha, lá regateei o preço e acabei por comprar. O que é engraçado é que o mesmo incluía o prefácio à segunda edição, escrito em 1945, um prefácio à terceira edição feito em 1952, e um à quinta edição de 1966.
O que me chamou a atenção foi o prefácio à segunda edição quando Torga dizia:
"Escrevo-te da Montanha, do sítio onde medraram as raízes deste livro, encontrei tudo como deixei quando escrevi a primeira edição. Apenas vi mais fome, mais ignorância e mais desespero.Corre por estes montes um vento desolador de miséria que não deixa florir as urzes nem pastar os rebanhos"Isto em 1945! palavras proféticas...
Pensando bem, em 20019 poder-se- ia reescrever Torga fazendo umas ligeiras substituições:
Corre neste país um vento desolador de miséria que não deixa florir os cravos de Abril, nem viver com dignidade.

quarta-feira, 13 de março de 2019

No dia em que a minha mãe chorou:
Em criança era muito tagarela, depois tive um período de maior timidez e reflexão e agora é o que se sabe, já não há remédio...
Como dizia então, em criança, era uma grande tagarela e a minha mãe, coitada, tendo sempre muito trabalho, pois era costureira, aproveitava-se dessa minha característica, punha-me à janela do quarto de cama e eu ia falando com a vizinhança que passava a tratar da sua vida, e eles também se metiam comigo, pois naturalmente, achavam-me graça!
Aconteceu certo dia, que eu não satisfeita com a conversa, ou porque não passasse ninguém para eu falar, não tive mais que fazer se não descer da cadeira onde me encontrava à janela, e pegar num menino de louça que estava sobre a mesa de cabeceira, e lá subi a cadeira, pondo-me de novo à janela com aquela imagem, à laia de boneca.
Foi então, que a minha mãe, ouvindo um barulho muito peculiar, se apressou a saber o que se passava. Tudo eram cacos na varanda, e eu lá ia dizendo que o menino tinha caído.
No inicio do séc. passado, na fábrica de louça de Coimbra fabricavam-se uns meninos de mãos postas, em terracota, com uma policromia muito suave, de olhos de vidro e com um cabelo muito encaracolado e uma inscrição na base que dizia ORAÇÃO. Eram lindos!
Tendo a minha mãe casado no segundo quartel desse século, os padrinhos de casamento haviam oferecido duas dessas imagens -uma de roupa azul e outra cor- de - rosa que a minha mãe usava nas mesas de cabeceira. Era o luxo de decoração na altura, e agora são peças de colecção, visto serem muito raros.
Ainda hoje me lembro, do rosto triste de minha mãe, onde corriam lágrimas que ela não conseguia controlar, tal foi a desolação...
Passaram-se muitos anos, e embora eu fosse muito criança quando isto aconteceu, nunca me esqueci desse dia e desse acontecimento, e foi por isso que, tendo encontrado num antiquário uma imagem semelhante, me apressei a comprá-la. Sinto que isto atenuou, um pouco, o pesar que senti, por muito tempo, por ter feito a minha mãe chorar!


sexta-feira, 1 de março de 2019

Museu do Carnaval
Em 2010, por esta altura, fui com um casal amigo, de autocarro turístico a Badajoz. Visitei uma pastelaria artesanal datada de 1890, onde se podem comprar rebuçados, caramelos e pastelaria tradicional tudo manufacturado!
Visitei também a catedral de São João Baptista cuja construção foi iniciada no séc. XIII sendo concluída somente no séc.XVI, devido às inúmeras batalhas ocorridas nesta cidade.
Contudo, o que me agradou mais foi a visita que fiz ao Museu do Carnaval de Badajoz , um museu vivo e dinâmico que mostra como se vive o Carnaval em Badajoz. No referido museu exibem-se os bonitos disfarces, as composições musicais, letras engenhosas e os artefactos usados ao longo dos anos.
Os efeitos de luz, som e o ambiente realçavam o património carnavalesco que lá se tem vivido ao longo dos tempos. Este espaço moderno e atractivo está situado num edifício histórico da cidade de Badajoz: A POTERNA.
Gostei imenso, aliás para mim, como terceirense, foi o ponto alto deste passeio, no entanto fique com um certo desconsolo, uma certa tristeza ao pensar no que se tem perdido ao longo dos tempos, na nossa terra, da riqueza do nosso Carnaval.
Fiquei estupefacta com o modo entusiasmado e com o tom orgulhoso como o guia apresentava aquele seu Carnaval como se não houvesse no Mundo nada semelhante ou melhor. Na verdade fiquei deveras surpreendida com toda aquela riqueza etnográfica e sobretudo com o cuidado e amor com que são aproveitados e valorizados todos os pormenores que se relacionam com aquela festa tradicional, mas com uma grande vontade de gritar bem alto que o Carnaval Terceirense é tão rico e
diferente que daria um museu digno de grande referência a nível Nacional e Europeu e não digo mundial porque não sou assim tão conhecedora do que se passa no planeta a este nível, assim os homens quisessem!
Já lá vão vários anos mas não esqueci esta experiência e, o que pensei e senti na altura é o que penso e sinto hoje,  porque o nosso património carnavalesco terceirense está a ser aumentado...

Bom Carnaval|




quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019



O CARNAVAL DA TERCEIRA
O Carnaval na Terceira
É música cor e magia,
É festa alegre e brejeira
É tempo de alegria.

No Carnaval da Terceira
Há filhós e coscorões,
Amizade e brincadeira
Apitos, foguetes e bombões.
Guitarras, violas, acordeões
Sedas lantejoulas, veludos,
Acorrem aos salões
Seguindo o som dos apitos.
No Carnaval da Terceira
O puxador é o rei.
E prós dançarinos em fileira
A fantasia é lei.
Na Quarta-feira de cinzas
Será tempo de descansar,
Lá se foram as cantigas
É tempo de meditar.
Meditar na felicidade
De na Terceira viver,
Com tamanha qualidade
E tal património ter!!!

Clara Faria Da Rosa

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Uma almotolia que rima com melancolia:


Uma almotolia é um pequeno recipiente para aplicar óleos lubrificantes. Esta palavra, almotolia é de origem árabe, o al no início da palavra é um artigo, portanto a palavra original era AL-MUTLIA, nome dado pelos árabes a certos recipientes de argila onde acondicionavam o azeite. Ainda hoje, no nosso linguarejar corrente usamos muitas palavras deixadas por esses povos, como por exemplo: alface, alecrim, alfaiate, alfenim, alguidar, alcatra, algema, algodão, alfarrábio etc:
 Fui às Lajes, minha terra natal, à casa da minha infância e,  na velha casa de arrumos que também servia de adega,  abri uma caixa carunchosa, encontrei esta almotolia de marca EAGLE, made in U:S:A. Que saudades, parece que naquele momento vi as mãos calejadas do meu pai  a lubrificarem as dobradiças e as fechaduras das portas! Aí compreendi porque se diz que as pessoas são imortais, na verdade as pessoas não morrem enquanto permanecem no nosso coração e na nossa memória...
Então, cheia da melancolia, trouxe aquela velha peça para minha casa, lavei-a e limpei-a muito bem, como estás a ver.  Não sei é para quê, embora saiba muito bem porquê!




sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

A mãe do menino sonhava:
E o o menino desfilava
Na festa de Carnaval,
E a mãe, feliz, gozava 
Aquele momento especial,,,
E o Menino passava
E a mãe com comoção,,
Aquele momento guardava
No fundo do coração.
A mãe, ingénua, pensava
Que o tempo iria parar,
Mas muitos anos passaram
E o desfile agora é outro,,,
Já não é soldado o menino
Mas está sempre bem guardado
No coração de sua mãe!
Clara Faria da Rosa





quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

MINHA AMIGA...

Quando te vejo, minha amiga
Sinto-me alegre e enternecida,
Sinto-me contente e comovida,
Quando te vejo, minha amiga
Sinto-me em paz e segura,
Sinto-me cheia de ventura.
Mas quando não te vejo, amiga
Sinto tua ajuda e presença,
Sinto tua compreensão e confiança,
Quando não te vejo, amiga
Sinto que estás junto de mim,
Sinto um carinho sem fim,
Porque amizade é assim...
A presença na ausência,
Uma presença constante,
Muito ouvir com paciência,
Um ombro forte e confiante,
Presença mesmo distante!

Clara Faria da Rosa
14/Fevereiro/2019 - DIA DE AMIGAS

sábado, 9 de fevereiro de 2019

 O meu marido costuma dizer, a brincar, que eu depois de ter operado as cataratas estou a ver de mais!!!
A ver de mais não diria, porque a bem da verdade, nunca se vê de mais, há sempre coisas lindas a apreciar, trabalhos minuciosos a fazer, textos bonitos a escrever, bons livros a ler e rostos queridos a memorizar, o que me aconteceu, foi que vi ontem com estes meus olhos reciclados, o que não queria nem nunca pensei ver na nossa ilha Terceira!
Ontem ao entardecer, vi uma anciã de rosto triste, olhar cansado e andar trémulo, vasculhar o lixo, à procura de latas e outros recipientes metálicos, que pudesse vender para ficar com mais alguns euros que complementassem a sua mísera pensão de reforma...
Foi aí que me lembrei de Saramago, o nossa Nobel da Literatura, e de uma passagem do seu livro "Memorial do Convento" que me divertiu e ao mesmo tempo me levou a uma profunda reflexão:
Conta ele que Dona Maria Ana de Áustria filha do Imperador Leopoldo de Áustria casada em 1708 com o 24º rei de Portugal, D. João V, quando queria sair do paço para as suas devoções em várias capelas, ermidas e igrejas, acontecia o seguinte:
(e passo a citar Saramago)
"Põem-se em ala os alabardeiros, e estando as ruas sujas, como sempre estão, por mais avisos e decretos que as mandem limpar, vão à frente da rainha os mariolas com umas tábuas largas às costas, sai ela do coche e eles colocam as tábuas no chão, é um corrupio, a rainha a andar sobre as tábuas, os mariolas a levá-las de trás para diante; Ela sempre no limpo, eles sempre no lixo!" 
Pois é, já se passaram mais de três séculos, e continua tudo na mesma, uns sempre no limpo e outros sempre no lixo!
E eu operei os meus olhos para ver isto...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Um quiproquó:

Ontem, estando a ler, deparei-me com este termo que já não ouvia há muito tempo, talvez há muitos anos!
Quiproquó, palavra engraçada e musical, ao ser pronunciada, que nos põe a imaginar coisas especiais e mirabolantes, divago eu, dando por mim a sonhar com a minha mãe ainda nova...
Recebia uma cliente, pois era costureira, para uma prova, e de joelhos , sobre um pequeno tapete, tentava ajeitar a saia , da senhora impaciente e agastada com o resultado do trabalho e então a minha mãe afogueada e, também descontente, dizia:
-Houve aqui um pequeno quiproquó, estou em crer que dizia quiprocó, com estas medidas... e lá se munia da sua caixa de alfinetes e da sua agulha e linhas de alinhavar para levar aquela peça de vestuário para o corpo da exigente cliente.
E depois de muitos quiproquós, lá ficava o trabalho certo e pronto para os pespontos finais e para a Clara, que sou eu,  tirar os alinhavos, coser a bainha, fazer os arremates ou remates  finais e passar com pano húmido, para ficar tudo impecável e agradar a cliente. E eu esforçava-me muito, oh, como me esforçava, porque afinal era o produto daquele trabalho que me iria pagar as propinas e os livros para eu tirar o meu curso! 
Naquela altura, definia, na minha cabeça, esta palavra como insignificância ou pormenor de pouca importância, mais tarde fiquei a saber que afinal a palavra tem a ver com pequenos enganos, equívocos ou confusões e que vem do latim "quid pro quo" que significa trocar uma coisa por outra.
Tenho a certeza que a minha mãe não sabia latim, e que até talvez nem tivesse plena noção do significado do termo, e também tenho a certeza de que ela se esforçou muito por mim, do que nunca me esqueço, e também sei, por experiência própria que a vida é feita de muitos quiproquós  que no fundo são marcas que afinal somadas constituem o sentido da vida humana, e nos fazem aprender e crescer até ao fim.  
 

Em dia  de Amigos:

Orquídeas com Perfume de Amizade

Orquídeas são plantas predominantes em climas tropicais, que dão vários tipos de flores, as quais apresentam as mais variadas formas, cores e tamanhos,  que fascinam as pessoas pelo seu exotismo.
Hoje tocaram a sineta do meu portão e uma amiga veio oferecer-me uma haste de orquídea, ainda pouco aberta, para durar mais tempo, fiquei sensibilizada, com aquele carinho e mimo e apeteceu-me partilhar contigo o que senti no momento sobre aquele gesto que muito me sensibilizou:

A amizade é um laço
Para manter bem apertado,
É mão estendida, é abraço
É ajudar com agrado.

É nó, é fita, é corrente
Que  transmite segurança,
Ao velho, ao novo, a toda a gente...
Trazendo  ao Mundo esperança .

A amizade não é falsa
Soberba, mesquinha ou invejosa,
A amizade a tolerância realça
De forma meiga e graciosa.

Amizade é orquídea em haste
Exótica, colorida e perfumada,
Envolta em carinho que baste
E de respeito acompanhada.

Clara Faria da Rosa