sexta-feira, 1 de março de 2019

Museu do Carnaval
Em 2010, por esta altura, fui com um casal amigo, de autocarro turístico a Badajoz. Visitei uma pastelaria artesanal datada de 1890, onde se podem comprar rebuçados, caramelos e pastelaria tradicional tudo manufacturado!
Visitei também a catedral de São João Baptista cuja construção foi iniciada no séc. XIII sendo concluída somente no séc.XVI, devido às inúmeras batalhas ocorridas nesta cidade.
Contudo, o que me agradou mais foi a visita que fiz ao Museu do Carnaval de Badajoz , um museu vivo e dinâmico que mostra como se vive o Carnaval em Badajoz. No referido museu exibem-se os bonitos disfarces, as composições musicais, letras engenhosas e os artefactos usados ao longo dos anos.
Os efeitos de luz, som e o ambiente realçavam o património carnavalesco que lá se tem vivido ao longo dos tempos. Este espaço moderno e atractivo está situado num edifício histórico da cidade de Badajoz: A POTERNA.
Gostei imenso, aliás para mim, como terceirense, foi o ponto alto deste passeio, no entanto fique com um certo desconsolo, uma certa tristeza ao pensar no que se tem perdido ao longo dos tempos, na nossa terra, da riqueza do nosso Carnaval.
Fiquei estupefacta com o modo entusiasmado e com o tom orgulhoso como o guia apresentava aquele seu Carnaval como se não houvesse no Mundo nada semelhante ou melhor. Na verdade fiquei deveras surpreendida com toda aquela riqueza etnográfica e sobretudo com o cuidado e amor com que são aproveitados e valorizados todos os pormenores que se relacionam com aquela festa tradicional, mas com uma grande vontade de gritar bem alto que o Carnaval Terceirense é tão rico e
diferente que daria um museu digno de grande referência a nível Nacional e Europeu e não digo mundial porque não sou assim tão conhecedora do que se passa no planeta a este nível, assim os homens quisessem!
Já lá vão vários anos mas não esqueci esta experiência e, o que pensei e senti na altura é o que penso e sinto hoje,  porque o nosso património carnavalesco terceirense está a ser aumentado...

Bom Carnaval|




quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019



O CARNAVAL DA TERCEIRA
O Carnaval na Terceira
É música cor e magia,
É festa alegre e brejeira
É tempo de alegria.

No Carnaval da Terceira
Há filhós e coscorões,
Amizade e brincadeira
Apitos, foguetes e bombões.
Guitarras, violas, acordeões
Sedas lantejoulas, veludos,
Acorrem aos salões
Seguindo o som dos apitos.
No Carnaval da Terceira
O puxador é o rei.
E prós dançarinos em fileira
A fantasia é lei.
Na Quarta-feira de cinzas
Será tempo de descansar,
Lá se foram as cantigas
É tempo de meditar.
Meditar na felicidade
De na Terceira viver,
Com tamanha qualidade
E tal património ter!!!

Clara Faria Da Rosa

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Uma almotolia que rima com melancolia:


Uma almotolia é um pequeno recipiente para aplicar óleos lubrificantes. Esta palavra, almotolia é de origem árabe, o al no início da palavra é um artigo, portanto a palavra original era AL-MUTLIA, nome dado pelos árabes a certos recipientes de argila onde acondicionavam o azeite. Ainda hoje, no nosso linguarejar corrente usamos muitas palavras deixadas por esses povos, como por exemplo: alface, alecrim, alfaiate, alfenim, alguidar, alcatra, algema, algodão, alfarrábio etc:
 Fui às Lajes, minha terra natal, à casa da minha infância e,  na velha casa de arrumos que também servia de adega,  abri uma caixa carunchosa, encontrei esta almotolia de marca EAGLE, made in U:S:A. Que saudades, parece que naquele momento vi as mãos calejadas do meu pai  a lubrificarem as dobradiças e as fechaduras das portas! Aí compreendi porque se diz que as pessoas são imortais, na verdade as pessoas não morrem enquanto permanecem no nosso coração e na nossa memória...
Então, cheia da melancolia, trouxe aquela velha peça para minha casa, lavei-a e limpei-a muito bem, como estás a ver.  Não sei é para quê, embora saiba muito bem porquê!




sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

A mãe do menino sonhava:
E o o menino desfilava
Na festa de Carnaval,
E a mãe, feliz, gozava 
Aquele momento especial,,,
E o Menino passava
E a mãe com comoção,,
Aquele momento guardava
No fundo do coração.
A mãe, ingénua, pensava
Que o tempo iria parar,
Mas muitos anos passaram
E o desfile agora é outro,,,
Já não é soldado o menino
Mas está sempre bem guardado
No coração de sua mãe!
Clara Faria da Rosa





quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

MINHA AMIGA...

Quando te vejo, minha amiga
Sinto-me alegre e enternecida,
Sinto-me contente e comovida,
Quando te vejo, minha amiga
Sinto-me em paz e segura,
Sinto-me cheia de ventura.
Mas quando não te vejo, amiga
Sinto tua ajuda e presença,
Sinto tua compreensão e confiança,
Quando não te vejo, amiga
Sinto que estás junto de mim,
Sinto um carinho sem fim,
Porque amizade é assim...
A presença na ausência,
Uma presença constante,
Muito ouvir com paciência,
Um ombro forte e confiante,
Presença mesmo distante!

Clara Faria da Rosa
14/Fevereiro/2019 - DIA DE AMIGAS

sábado, 9 de fevereiro de 2019

 O meu marido costuma dizer, a brincar, que eu depois de ter operado as cataratas estou a ver de mais!!!
A ver de mais não diria, porque a bem da verdade, nunca se vê de mais, há sempre coisas lindas a apreciar, trabalhos minuciosos a fazer, textos bonitos a escrever, bons livros a ler e rostos queridos a memorizar, o que me aconteceu, foi que vi ontem com estes meus olhos reciclados, o que não queria nem nunca pensei ver na nossa ilha Terceira!
Ontem ao entardecer, vi uma anciã de rosto triste, olhar cansado e andar trémulo, vasculhar o lixo, à procura de latas e outros recipientes metálicos, que pudesse vender para ficar com mais alguns euros que complementassem a sua mísera pensão de reforma...
Foi aí que me lembrei de Saramago, o nossa Nobel da Literatura, e de uma passagem do seu livro "Memorial do Convento" que me divertiu e ao mesmo tempo me levou a uma profunda reflexão:
Conta ele que Dona Maria Ana de Áustria filha do Imperador Leopoldo de Áustria casada em 1708 com o 24º rei de Portugal, D. João V, quando queria sair do paço para as suas devoções em várias capelas, ermidas e igrejas, acontecia o seguinte:
(e passo a citar Saramago)
"Põem-se em ala os alabardeiros, e estando as ruas sujas, como sempre estão, por mais avisos e decretos que as mandem limpar, vão à frente da rainha os mariolas com umas tábuas largas às costas, sai ela do coche e eles colocam as tábuas no chão, é um corrupio, a rainha a andar sobre as tábuas, os mariolas a levá-las de trás para diante; Ela sempre no limpo, eles sempre no lixo!" 
Pois é, já se passaram mais de três séculos, e continua tudo na mesma, uns sempre no limpo e outros sempre no lixo!
E eu operei os meus olhos para ver isto...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Um quiproquó:

Ontem, estando a ler, deparei-me com este termo que já não ouvia há muito tempo, talvez há muitos anos!
Quiproquó, palavra engraçada e musical, ao ser pronunciada, que nos põe a imaginar coisas especiais e mirabolantes, divago eu, dando por mim a sonhar com a minha mãe ainda nova...
Recebia uma cliente, pois era costureira, para uma prova, e de joelhos , sobre um pequeno tapete, tentava ajeitar a saia , da senhora impaciente e agastada com o resultado do trabalho e então a minha mãe afogueada e, também descontente, dizia:
-Houve aqui um pequeno quiproquó, estou em crer que dizia quiprocó, com estas medidas... e lá se munia da sua caixa de alfinetes e da sua agulha e linhas de alinhavar para levar aquela peça de vestuário para o corpo da exigente cliente.
E depois de muitos quiproquós, lá ficava o trabalho certo e pronto para os pespontos finais e para a Clara, que sou eu,  tirar os alinhavos, coser a bainha, fazer os arremates ou remates  finais e passar com pano húmido, para ficar tudo impecável e agradar a cliente. E eu esforçava-me muito, oh, como me esforçava, porque afinal era o produto daquele trabalho que me iria pagar as propinas e os livros para eu tirar o meu curso! 
Naquela altura, definia, na minha cabeça, esta palavra como insignificância ou pormenor de pouca importância, mais tarde fiquei a saber que afinal a palavra tem a ver com pequenos enganos, equívocos ou confusões e que vem do latim "quid pro quo" que significa trocar uma coisa por outra.
Tenho a certeza que a minha mãe não sabia latim, e que até talvez nem tivesse plena noção do significado do termo, e também tenho a certeza de que ela se esforçou muito por mim, do que nunca me esqueço, e também sei, por experiência própria que a vida é feita de muitos quiproquós  que no fundo são marcas que afinal somadas constituem o sentido da vida humana, e nos fazem aprender e crescer até ao fim.  
 

Em dia  de Amigos:

Orquídeas com Perfume de Amizade

Orquídeas são plantas predominantes em climas tropicais, que dão vários tipos de flores, as quais apresentam as mais variadas formas, cores e tamanhos,  que fascinam as pessoas pelo seu exotismo.
Hoje tocaram a sineta do meu portão e uma amiga veio oferecer-me uma haste de orquídea, ainda pouco aberta, para durar mais tempo, fiquei sensibilizada, com aquele carinho e mimo e apeteceu-me partilhar contigo o que senti no momento sobre aquele gesto que muito me sensibilizou:

A amizade é um laço
Para manter bem apertado,
É mão estendida, é abraço
É ajudar com agrado.

É nó, é fita, é corrente
Que  transmite segurança,
Ao velho, ao novo, a toda a gente...
Trazendo  ao Mundo esperança .

A amizade não é falsa
Soberba, mesquinha ou invejosa,
A amizade a tolerância realça
De forma meiga e graciosa.

Amizade é orquídea em haste
Exótica, colorida e perfumada,
Envolta em carinho que baste
E de respeito acompanhada.

Clara Faria da Rosa




sábado, 2 de fevereiro de 2019

Como fiquei na bancarrota:
Ia andando,olhando e pensando com os meus botões:
É só para ver, não é para comprar! 
Eis senão quando, os meus olhos batem numa pequena, rara e amorosa caixa de um vidro que adoro. - O vidro casca de cebola, que é muito procurado por coleccionadores e se apresenta em lindíssimas peças vintage como cachepots, garrafas, jarras e conjuntos para licores, água e vinho.
No início do século passado, talvez na década dos anos vinte, o vidro branco t
ransparente, era tratado quimicamente, de modo a adquirir o tom da casca de cebola que depois podia ser gravado ou tratado com jactos de areia que lhe conferiam artísticos desenhos.
Como podia deixar de comprar tal preciosidade, que me lembra o passado tranquilo, tornando-o em simultâneo presente e permanente?!!! E como deixar para trás a linda e dourada caixa que lhe fazia companhia, de louça alemã com o carimbo BAVÁRIA?!!!
Não resisti...
Fiquei na bancarrota!

Esta expressão bancarrota, vem do facto de na idade média os negociantes de câmbio e empréstimos se colocarem, nas feiras, atrás de uma mesa, para efectuarem os seus negócios, eram os avós, bisavós ou trisavós dos bancos actuais, se os negócios iam mal, eles quebravam a própria mesa, daí a palavra bancarrota, do italiano banca rota, que se traduz como banca partida ou banca quebrada.









quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

E a menina sonhava...

E a menina sonhava,
Tinha estrelas nas mãos,
E o luar no olhar,
O Mundo era todo seu!
E a menina esperava,
Por um Mundo a descobrir
Lindo, justo, especial,
Com crianças a sorrir!
E a menina acreditava,
Doce, esforçada e confiante
Que todos eram iguais,
Que a diferença não importava,
Que o Mundo ninguém rejeitava!
E a menina, sã, confiava, sonhava, esperava...
Mas a menina aprendeu,
Que os sonhos são só sonhos,
Que as estrelas brilham menos,
E que o Mundo é só de alguns,
E que rejeita os restantes!

Clara Faria da Rosa
Senti-me uma Princesa!

Acabei de ler o romance histórico de Isabel Stilwell "Entre o Céu e o Inferno" que nos conduz através da vida de Isabel de Aragão que nós vulgarmente conhecemos por Rainha Santa Isabel. Nascida em 1270 em Saragoça, criada pelo avô Jaime I de Aragão, o conquistador, e que casou com D. Dinis rei de Portugal.
A certa altura, conta então Isabel Stilwell, que no Natal de 1281, ia Isabel fazer 12 anos, foi combinada o casamento de Isabel com o rei de Portugal. Os homens de D. Dinis chegaram com a procuração para receber o dote e conduzir a então princesa a Portugal. Fizeram-se as negociações, o dote seria de trinta mil libras ao câmbio de Barcelona, fora as pratas, os ouros, as baixelas, os tecidos ricos e as jóias, esperou-se que a rainha fizesse 12 anos, conforme a igreja o exigia e  marcou-se o casamento para o próprio dia do aniversário,11 de Fevereiro, uma Quarta-Feira de cinzas.
Foi então que o velho mordomo-mor de seu falecido avô Jaime I de Aragão se apresentou a cumprir uma missão, sendo fiel depositário do presente de casamento da neta mais velha e mais amada  do falecido rei de Aragão, junto da princesa depositou uma linda caixa de madeira decorada com rosas pintadas.
Isabel rodou a chave e devagarinho levantou a tampa vendo a coroa da tia-bisavó Constança com um diadema de ouro, pérolas e gemas e, logo ali, decidiu que a iria usar no dia do seu casamento...
Esta caixa que escondia um tesouro, fez-me lembrar de um simples presente que recebi no Passado recente Natal e do qual demorei em falar por muitos afazeres...
Sim, à semelhança da princesa, também recebi uma linda caixa com embutidos na tampa, e que trazia não ouro, pérolas nem esmeraldas mas o que para mim é também um tesouro...
Ao abri-la deparei-me com muito carinho, muita cultura, muito saber... Botões antigos de modelos e materiais que já não se encontram,  um agulheiro e um furador de marfim, rendas e galões antigos e lindos, "samplers" palavra que vem do francês "exemplaire" onde se registavam os modelos de desenhos, bordados e pontos para depois serem copiados e até, imagina uma pequena chave com uma delicada fita cor-de-rosa. Senti-me uma princesa!
É caso para dizer que todas as mulheres se podem sentir princesas, é só procurar a ocasião ou o motivo!
























quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Império de Bicas de Cabo Verde

Padre Filho Espírito Santo - Que Deus te Acrescente!|

Ontem foi dia de cozer pão no forno da despensa do Império de Bicas de Cabo Verde. O forno já não era usado há algum tempo por isso estávamos com algum receio mas afinal correu bem.
A minha vizinha Isolina Fialho foi a mestra e eu a ajudante, o forno teve que ser bem aquecido, o rodo bem molhado pois estava muito seco , fizemos um varredouro com faias e foi então altura de se amassar usando um fermento que a Isolina fez com batata doce-
Tuca, tuca, tuca, toca a amassar, acrescentando água de vez em quando, não é tarefa fácil pois exige esforço, mas serviu para pensarmos nas nossas antepassadas que faziam isto regularmente.
Ao acabar de amassar, Lá se fez o sinal da cruz, e abafou-se bem, Enquanto isso preparou-se o tendal , foi então altura de se esperar que levedasse.
Quando demos por nós - Louvado seja Deus! - já a massa quase transbordava do alguidar... Foi altura de tender bolos de tamanhos semelhantes e de, passado pouco tempo, os colocar na pá enfarinhada para se meterem no forno. esta tarefa exige perícia e experiência...
Que Deus te acrescente!- disse a Isolina ao olhar o pão todo arrumadinho, a gostar daquele quentinho e a ficar corado pensando quiçá no milagre da vida e na maravilha da transformação dos produtos...
Esperou-se e então, ficámos maravilhadas com o produto do nosso trabalho. Diz lá se não ficaram lindos os nossos pães? Ainda antes de saírem do forno, já estavam todos vendidos! Agora que conhecemos o forno estamos prontas a repetir a experiência.