quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

MINHA AMIGA...

Quando te vejo, minha amiga
Sinto-me alegre e enternecida,
Sinto-me contente e comovida,
Quando te vejo, minha amiga
Sinto-me em paz e segura,
Sinto-me cheia de ventura.
Mas quando não te vejo, amiga
Sinto tua ajuda e presença,
Sinto tua compreensão e confiança,
Quando não te vejo, amiga
Sinto que estás junto de mim,
Sinto um carinho sem fim,
Porque amizade é assim...
A presença na ausência,
Uma presença constante,
Muito ouvir com paciência,
Um ombro forte e confiante,
Presença mesmo distante!

Clara Faria da Rosa
14/Fevereiro/2019 - DIA DE AMIGAS

sábado, 9 de fevereiro de 2019

 O meu marido costuma dizer, a brincar, que eu depois de ter operado as cataratas estou a ver de mais!!!
A ver de mais não diria, porque a bem da verdade, nunca se vê de mais, há sempre coisas lindas a apreciar, trabalhos minuciosos a fazer, textos bonitos a escrever, bons livros a ler e rostos queridos a memorizar, o que me aconteceu, foi que vi ontem com estes meus olhos reciclados, o que não queria nem nunca pensei ver na nossa ilha Terceira!
Ontem ao entardecer, vi uma anciã de rosto triste, olhar cansado e andar trémulo, vasculhar o lixo, à procura de latas e outros recipientes metálicos, que pudesse vender para ficar com mais alguns euros que complementassem a sua mísera pensão de reforma...
Foi aí que me lembrei de Saramago, o nossa Nobel da Literatura, e de uma passagem do seu livro "Memorial do Convento" que me divertiu e ao mesmo tempo me levou a uma profunda reflexão:
Conta ele que Dona Maria Ana de Áustria filha do Imperador Leopoldo de Áustria casada em 1708 com o 24º rei de Portugal, D. João V, quando queria sair do paço para as suas devoções em várias capelas, ermidas e igrejas, acontecia o seguinte:
(e passo a citar Saramago)
"Põem-se em ala os alabardeiros, e estando as ruas sujas, como sempre estão, por mais avisos e decretos que as mandem limpar, vão à frente da rainha os mariolas com umas tábuas largas às costas, sai ela do coche e eles colocam as tábuas no chão, é um corrupio, a rainha a andar sobre as tábuas, os mariolas a levá-las de trás para diante; Ela sempre no limpo, eles sempre no lixo!" 
Pois é, já se passaram mais de três séculos, e continua tudo na mesma, uns sempre no limpo e outros sempre no lixo!
E eu operei os meus olhos para ver isto...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Um quiproquó:

Ontem, estando a ler, deparei-me com este termo que já não ouvia há muito tempo, talvez há muitos anos!
Quiproquó, palavra engraçada e musical, ao ser pronunciada, que nos põe a imaginar coisas especiais e mirabolantes, divago eu, dando por mim a sonhar com a minha mãe ainda nova...
Recebia uma cliente, pois era costureira, para uma prova, e de joelhos , sobre um pequeno tapete, tentava ajeitar a saia , da senhora impaciente e agastada com o resultado do trabalho e então a minha mãe afogueada e, também descontente, dizia:
-Houve aqui um pequeno quiproquó, estou em crer que dizia quiprocó, com estas medidas... e lá se munia da sua caixa de alfinetes e da sua agulha e linhas de alinhavar para levar aquela peça de vestuário para o corpo da exigente cliente.
E depois de muitos quiproquós, lá ficava o trabalho certo e pronto para os pespontos finais e para a Clara, que sou eu,  tirar os alinhavos, coser a bainha, fazer os arremates ou remates  finais e passar com pano húmido, para ficar tudo impecável e agradar a cliente. E eu esforçava-me muito, oh, como me esforçava, porque afinal era o produto daquele trabalho que me iria pagar as propinas e os livros para eu tirar o meu curso! 
Naquela altura, definia, na minha cabeça, esta palavra como insignificância ou pormenor de pouca importância, mais tarde fiquei a saber que afinal a palavra tem a ver com pequenos enganos, equívocos ou confusões e que vem do latim "quid pro quo" que significa trocar uma coisa por outra.
Tenho a certeza que a minha mãe não sabia latim, e que até talvez nem tivesse plena noção do significado do termo, e também tenho a certeza de que ela se esforçou muito por mim, do que nunca me esqueço, e também sei, por experiência própria que a vida é feita de muitos quiproquós  que no fundo são marcas que afinal somadas constituem o sentido da vida humana, e nos fazem aprender e crescer até ao fim.  
 

Em dia  de Amigos:

Orquídeas com Perfume de Amizade

Orquídeas são plantas predominantes em climas tropicais, que dão vários tipos de flores, as quais apresentam as mais variadas formas, cores e tamanhos,  que fascinam as pessoas pelo seu exotismo.
Hoje tocaram a sineta do meu portão e uma amiga veio oferecer-me uma haste de orquídea, ainda pouco aberta, para durar mais tempo, fiquei sensibilizada, com aquele carinho e mimo e apeteceu-me partilhar contigo o que senti no momento sobre aquele gesto que muito me sensibilizou:

A amizade é um laço
Para manter bem apertado,
É mão estendida, é abraço
É ajudar com agrado.

É nó, é fita, é corrente
Que  transmite segurança,
Ao velho, ao novo, a toda a gente...
Trazendo  ao Mundo esperança .

A amizade não é falsa
Soberba, mesquinha ou invejosa,
A amizade a tolerância realça
De forma meiga e graciosa.

Amizade é orquídea em haste
Exótica, colorida e perfumada,
Envolta em carinho que baste
E de respeito acompanhada.

Clara Faria da Rosa




sábado, 2 de fevereiro de 2019

Como fiquei na bancarrota:
Ia andando,olhando e pensando com os meus botões:
É só para ver, não é para comprar! 
Eis senão quando, os meus olhos batem numa pequena, rara e amorosa caixa de um vidro que adoro. - O vidro casca de cebola, que é muito procurado por coleccionadores e se apresenta em lindíssimas peças vintage como cachepots, garrafas, jarras e conjuntos para licores, água e vinho.
No início do século passado, talvez na década dos anos vinte, o vidro branco t
ransparente, era tratado quimicamente, de modo a adquirir o tom da casca de cebola que depois podia ser gravado ou tratado com jactos de areia que lhe conferiam artísticos desenhos.
Como podia deixar de comprar tal preciosidade, que me lembra o passado tranquilo, tornando-o em simultâneo presente e permanente?!!! E como deixar para trás a linda e dourada caixa que lhe fazia companhia, de louça alemã com o carimbo BAVÁRIA?!!!
Não resisti...
Fiquei na bancarrota!

Esta expressão bancarrota, vem do facto de na idade média os negociantes de câmbio e empréstimos se colocarem, nas feiras, atrás de uma mesa, para efectuarem os seus negócios, eram os avós, bisavós ou trisavós dos bancos actuais, se os negócios iam mal, eles quebravam a própria mesa, daí a palavra bancarrota, do italiano banca rota, que se traduz como banca partida ou banca quebrada.









quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

E a menina sonhava...

E a menina sonhava,
Tinha estrelas nas mãos,
E o luar no olhar,
O Mundo era todo seu!
E a menina esperava,
Por um Mundo a descobrir
Lindo, justo, especial,
Com crianças a sorrir!
E a menina acreditava,
Doce, esforçada e confiante
Que todos eram iguais,
Que a diferença não importava,
Que o Mundo ninguém rejeitava!
E a menina, sã, confiava, sonhava, esperava...
Mas a menina aprendeu,
Que os sonhos são só sonhos,
Que as estrelas brilham menos,
E que o Mundo é só de alguns,
E que rejeita os restantes!

Clara Faria da Rosa
Senti-me uma Princesa!

Acabei de ler o romance histórico de Isabel Stilwell "Entre o Céu e o Inferno" que nos conduz através da vida de Isabel de Aragão que nós vulgarmente conhecemos por Rainha Santa Isabel. Nascida em 1270 em Saragoça, criada pelo avô Jaime I de Aragão, o conquistador, e que casou com D. Dinis rei de Portugal.
A certa altura, conta então Isabel Stilwell, que no Natal de 1281, ia Isabel fazer 12 anos, foi combinada o casamento de Isabel com o rei de Portugal. Os homens de D. Dinis chegaram com a procuração para receber o dote e conduzir a então princesa a Portugal. Fizeram-se as negociações, o dote seria de trinta mil libras ao câmbio de Barcelona, fora as pratas, os ouros, as baixelas, os tecidos ricos e as jóias, esperou-se que a rainha fizesse 12 anos, conforme a igreja o exigia e  marcou-se o casamento para o próprio dia do aniversário,11 de Fevereiro, uma Quarta-Feira de cinzas.
Foi então que o velho mordomo-mor de seu falecido avô Jaime I de Aragão se apresentou a cumprir uma missão, sendo fiel depositário do presente de casamento da neta mais velha e mais amada  do falecido rei de Aragão, junto da princesa depositou uma linda caixa de madeira decorada com rosas pintadas.
Isabel rodou a chave e devagarinho levantou a tampa vendo a coroa da tia-bisavó Constança com um diadema de ouro, pérolas e gemas e, logo ali, decidiu que a iria usar no dia do seu casamento...
Esta caixa que escondia um tesouro, fez-me lembrar de um simples presente que recebi no Passado recente Natal e do qual demorei em falar por muitos afazeres...
Sim, à semelhança da princesa, também recebi uma linda caixa com embutidos na tampa, e que trazia não ouro, pérolas nem esmeraldas mas o que para mim é também um tesouro...
Ao abri-la deparei-me com muito carinho, muita cultura, muito saber... Botões antigos de modelos e materiais que já não se encontram,  um agulheiro e um furador de marfim, rendas e galões antigos e lindos, "samplers" palavra que vem do francês "exemplaire" onde se registavam os modelos de desenhos, bordados e pontos para depois serem copiados e até, imagina uma pequena chave com uma delicada fita cor-de-rosa. Senti-me uma princesa!
É caso para dizer que todas as mulheres se podem sentir princesas, é só procurar a ocasião ou o motivo!
























quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Império de Bicas de Cabo Verde

Padre Filho Espírito Santo - Que Deus te Acrescente!|

Ontem foi dia de cozer pão no forno da despensa do Império de Bicas de Cabo Verde. O forno já não era usado há algum tempo por isso estávamos com algum receio mas afinal correu bem.
A minha vizinha Isolina Fialho foi a mestra e eu a ajudante, o forno teve que ser bem aquecido, o rodo bem molhado pois estava muito seco , fizemos um varredouro com faias e foi então altura de se amassar usando um fermento que a Isolina fez com batata doce-
Tuca, tuca, tuca, toca a amassar, acrescentando água de vez em quando, não é tarefa fácil pois exige esforço, mas serviu para pensarmos nas nossas antepassadas que faziam isto regularmente.
Ao acabar de amassar, Lá se fez o sinal da cruz, e abafou-se bem, Enquanto isso preparou-se o tendal , foi então altura de se esperar que levedasse.
Quando demos por nós - Louvado seja Deus! - já a massa quase transbordava do alguidar... Foi altura de tender bolos de tamanhos semelhantes e de, passado pouco tempo, os colocar na pá enfarinhada para se meterem no forno. esta tarefa exige perícia e experiência...
Que Deus te acrescente!- disse a Isolina ao olhar o pão todo arrumadinho, a gostar daquele quentinho e a ficar corado pensando quiçá no milagre da vida e na maravilha da transformação dos produtos...
Esperou-se e então, ficámos maravilhadas com o produto do nosso trabalho. Diz lá se não ficaram lindos os nossos pães? Ainda antes de saírem do forno, já estavam todos vendidos! Agora que conhecemos o forno estamos prontas a repetir a experiência.




















segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Uma segunda oportunidade!



                                      
Tinha sido um lindo vestido, de bom tecido, bom corte, bem confeccionado e com um brilho apelativo; Tinha ido a festas e casamentos, fizera a sua época, sentira-se bem no corpo da sua dona, ajudando-a a fazer boa figura e a atrair olhares, mas tudo isto passara... Agora não passava de um trapo, amarrotado, estragado e com passagem de traças que tinham deixado as suas marcas!
E foi aí que eu, tendo pena e apreciando aquele lindo tecido, resolvi desmanchá-lo, lavá-lo e reaproveitá-lo. Enquanto procedia a esta reciclagem pensava:
- Na verdade, o que se está a passar com este velho vestido é o que se passa com a vida que oferece sempre segundas oportunidades para quem tiver capacidade para reconhecê-las e coragem, força e vontade para agir! Temos é que saber procurar o que nos está faltando naquilo que temos... quer seja  na felicidade, na  realização pessoal ou num simples acto de reciclagem.
O meu vestido parece ter tido sorte, transformou-se num lindo pano de mesa que servirá de base a um agradável encontro aquecido por um cafezinho fumegante .
Ora diz lá se não valeu a pena esta segunda oportunidade que dei ao vestido, foi tudo aproveitado, até a fita da bainha serviu para debruar à volta. Ousa dar uma segunda oportunidade às roupas  que já não usas e faz lindos trabalhos quiçá bonitos presentes de Natal!









Quando a linha da vida se parte:
É, desde sempre, que me lembro desta caixa, no canto do estrado, na minha casa das Lajes; Era o trabalho leve da minha mãe!
Ao
s Domingos íamos à missa, almoçávamos, a minha mãe levantava a mesa e lavava a louça e, como não se trabalhava ao Domingo, ela sentava-se a fazer um trabalhinho leve, o seu crochet... a minha mãe sempre foi uma mulher determinada que se deu à vida e ao trabalho, não era ociosa nem sequer tinha passatempos, estou em crer que ela nem conhecia esta palavra: Passatempo...
E sempre foi assim, até ao fim, de tal modo que quando faleceu, andava a fazer uma renda para um lençol.
Partimos, mas as coisas ficam, e lá ficou a caixa, abandonada no canto do estrado, como se também tivesse perdido a vida .
Ao abri-la, deparei-me com o trabalho inacabado e pensei como a vida é repleta de imprevistos e como nós nunca consideramos que a meta foi atingida, é muito difícil considerar que a nossa actividade terminou, só se por infortúnio do destino, isso acontecer inesperadamente, como foi o caso.
Num rasgo de saudade e de impotência, perante a dura realidade, emoldurei, como recordação, o trabalho inacabado assim como a farpa com que a minha mãe fazia o seu crochet.
Já lá vão muitos anos, contudo ao olhar para estes objectos lembram-me sempre, naturalmente, a minha mãe e, como é efémera a linha que nos agarra à vida, a qual pode ser quebrada a qualquer momento.
É por isso, para que tenhamos esta realidade sempre presente, que conto esta h
istória de uma mulher que "crochetou" a vida com muita garra e determinação, até que a linha se quebrou!