segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

A magia do meu sótão


Passada a época de Natal, subo as escadas em caracol, entro no sótão e deposito no chão um amontoado de artigos de natal , que costumo guardar, para no ano seguinte reciclar e fazer novas decorações, já sabem que não sou de deitar nada fora! Fico a olhar para aquele amontoado e a pensar como as  coisas mudam, e no facto de aquilo  que há dias tinha vida, colorido, impressionava e desempenhava a sua função apelativa agora não passar de um amontoado de coisas sem importância, que não nos despertam a atenção nem nos fazem bater o coração, é como com as pessoas - penso eu com os meus botões -  precisam de determinação, presença e de saberem ocupar o lugar certo no momento certo...
Agora, preciso de tempo, para acondicionar tudo, com cuidado... Antes porém, olho à minha volta e lembro-me do agradável que é ter um sótão e de como seria bom que os arquitectos, engenheiros e decoradores compreendessem a importância de subir a um  lugar como aquele, ouvindo as escadas rangerem,  ver as traves de madeira com algumas teias de aranha que lá se alojaram com o passar do tempo e ter oportunidade e tema para sonhar, sonhar .
O meu sótão, no Verão é tórrido, sufocante e no Inverno é de um frio glaciar mas é, para mim, um local de fantasia  e de sonho porque olho à volta e vejo tudo arrumado por "secções".Parece que a minha vida ali se apresenta num livro de vários capítulos ;   A um canto estão umas velhas arcas com coisas dos meus pais que só por si me contam velhas histórias e me despertam muitas emoções e saudades, então se as abrir, nem te conto, são lençóis bordados em serões que se faziam à luz de petróleo, são colchas e cobertores tecidos em velhos teares manuais, toalhas de linho cultivado por avós e trisavós, caixas com loiças que me lembram antigas mesas mais ou menos lautas mas sempre rodeadas de muito amor e respeito por quem lá se sentava , livros do meu tempo de escola, do meu marido e filho, talvez pedagogicamente desactualizados mas que ao serem abertos são como contos de fadas, os cadernos em que o meu filho traçou as primeiras letras e palavras, as suas roupas de bebé e brinquedos , o seu, primeiro triciclo, o parque onde ficava a brincar enquanto eu preparava os meus trabalhos para a aula do dia seguinte, os fatos e vestidos antigos que  lembram épocas diferentes da nossa história de vida...
O meu sótão é o meu museu etnográfico onde eu posso redescobrir a minha história e a da minha família, o local mais vital  e cheio de encanto da minha casa .
É por tudo isto que penso  que os projectos para casas novas e modernas, deveriam incluir novamente um sótão, com traves de madeira, com o soalho a ranger e raios de sol portadores de mensagens mágicas, alegres e fantasiosas a entrar por uma janelinha, de vidros pequeninos e coloridos.  

Pela escada em caracol acesso ao meu mundo de magia: o meu sótão!


sábado, 12 de janeiro de 2019

Império de Bicas de Cabo Verde .

Chá convívio:












É hoje, pelas 17 horas, o chá que a comissão de festas organizou. Uma oportunidade de convívio diferente que esperamos seja  calma e relaxante  e também uma ocasião de angariação de algum lucro para a festa a realizar em fins do próximo mês de Junho.
Os bules estão enfileirados, nem soldados na parada à  espera de cumprirem a sua missão, as mesas estão postas, as chávenas engalanadas...enfim, tudo a postos à espera de se cumprir a missão estipulada.
Esperamos que corra bem e que todos se divirtam!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Esperança;A riqueza dos pobres.
Desde sempre me habituei a apreciar e a registar, num pequeno caderno, chavões, frases feitas e citações que ouvia e lia, porque considerava essas frases como pérolas de sabedoria que de tão válidas e oportunas tinham persistido através dos tempos, como fruto de experiência conseguida árdua e pacientemente.
Dou por mim, muitas vezes, a ler e a reler certas frases e a admirar a coerência e pertinência de certos ditos .
Neste momento de "desorientação" política e social, em que ninguém sabe o que nos reserva o futuro, visto que são tantas as informações e tantos os comentadores políticos que ficamos baralhados, lá fui eu folhear o meu velho caderno e deparo-me com a seguinte frase:
-A esperança é a riqueza dos pobres! 
Todos queremos ser ricos, ou pelo menos remediados, para podermos viver de forma decente e podermos fazer face aos problemas com que nos deparamos, muitos dos quais resultantes da moderna maneira de viver que adoptámos, contudo, nos tempos actuais em que todos os dias perdemos poder de compra, e em que os nossos ordenados e ou pensões todos os dias mingam, só nos resta sonhar que somos ricos, pelo menos em persistência e tolerância e ter esperança em melhores dias...Também, quando lançamos uma semente à terra não sabemos se ela vai germinar mas confiamos, isto é, esperamos que vai germinar e dar frutos que providenciarão a nossa subsistência....
Confiemos em melhores dias e num bom ano!

domingo, 6 de janeiro de 2019

Dia da Reis


À procura da nossa estrela!
O dia de reis é no dia 6 de Janeiro, como todos sabemos, partindo-se do princípio de que este facto é histórico assenta-se que  os reis chegaram finalmente junto do Menino neste dia. Contudo, há quem defenda que a existência dos Reis Magos que nem eram reis, é meramente simbólica e deve lembrar a todos que  devemos aceitar e respeitar as diferenças.
A igreja católica estipulou que o  dia seria celebrado no domingo entre o dia 1 e o dia 8.
Deste modo, celebra-se hoje o domingo da Epifania, que significa a aparição de Jesus Cristo aos gentios, a festa religiosa para celebrar esta aparição, Dia de Reis, pois epifania significava apresentar alguém à sociedade.
O povo, em várias regiões do nosso país, canta as Janeiras de porta em porta no dia 6, evocando os reis magos e, os donos da casa, retribuem a visita com alguma bebida que aqueça, frutos secos, bolo-rei ou qualquer guloseima.
Nesta data encerram-se os festejos natalícios, desarmam-se os presépios, assim como as restantes decorações de Natal.
Supostamente, segundo a tradição cristã, este seria o dia em, que o Menino, recém - nascido, numa gruta, em Belém recebeu a visita dos três Reis Magos, Belchior, Gaspar , vindos do Oriente e Baltazar de Sabá, terra situada no Sul da Península Arábica ou da Abissínia.
Estes reis simbolizam as tês raças biblicas:
Gaspar, os Semitas descendentes de Sem - Raça amarela  - Asiática.
Belchior, os Jafetistas descendentes de Jafé- Raça branca - Europeia
Baltazar, os Camitas descendentes de Cam - Raça negra - africana
É uma homenagem de todos os homens da Terra ao Rei dos Reis! Mago significava astrólogo, termo que à altura se confundia com sábio, erudito e filósofo.
De qualquer forma facto histórico, bíblico ou simbólico, já o ouvi narrar muitas vezes atendendo à minha idade  e a também ter frequentado a igreja desde criança e neste dia, 
dou sempre por mim a pensar que os magos  ao perscrutarem o firmamento, avistando uma estrela diferente  e seguindo-a à procura de um novo Rei são como que um incentivo para todos nós que devemos procurar, encontrar e seguir a nossa luz que nos encaminhará à realização pessoal, à felicidade e ao amor, mesmo que pelo caminho encontremos alguns Herodes, devemos tentar escamotear esses obstáculos e seguir a nossa estrela, a nossa luz!!!
Mostro-te fotografias representativas deste acontecimento; a primeira de um presépio ao ar livre, no adro da igreja do colégio em Ponta Delgada,  a segunda de um presépio  da Sé de Angra do Heroísmo, e por ultimo  um presépio da igreja paroquial das Lajes na ilha Terrceira. Gravuras copiadas do Livro Natal Açoriano de  João Bosco Mota Amaral  - ultimo quartel do séc. passado







quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Na lapinha, os reis estão a chegar...
Define-se "lapa" como: pedra ou laje grande que sobressai de um rochedo formando um abrigo, uma gruta ou cavidade"claro, é uma definição entre outras, que têm diferente sentido e significado, como sabemos.
Explicado o sentido de lapa, quero mostrar-te um presépio que fiz numa lapinha, que é como quem diz, numa pequena pedra. Quando o meu marido foi, há tempos atrás, a São Miguel trouxe-me, a meu pedido, pequenas figuras de barro que se vendem lá e logo pus mãos à obra:
Procurei uma pedra que me pareceu apropriada, com um abrigo para fazer a gruta do nascimento e outros pequenos socalcos onde se colocassem as diferentes figuras e ficou com este aspecto:
Não é que  ao ir mudar as camélias que costumo pôr às volta da lapinha , verifiquei estupefacta que os Reis Magos se encontravam muito próximos do Menino, estando mesmo um deles já ajoelhado a reverenciá-Lo e a oferecer-Lhe o seu presente!?
Corri logo a acender uma vela para iluminar este encontro, desejando que ele se dê no coração de todos os homens... e que os presentes que estes magos, cuja palavra significa sabedoria, trazem para o Menino, ouro, incuta realeza e fortaleza nas atitudes dos homens, o incenso, transmita fé e a mirra, a pureza necessária para se viver neste mundo, e neste momento  em que todos estes valores estão sendo muito menosprezados...
FELIZ DIA DE REIS!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

À Espera do Ano Novo:



Sentada numa cadeira
O Ano Novo esperei
Cheia de muita esperança
Em tempos de paz e bonança,
E fiquei sempre sentada
Assistindo a grandes coisas...
No céu, o fogo estrelas criava 
E espumantes rebentavam
E logo as taças se encheram
Que negras passas adornavam
E felicidades se desejavam
Lindos trajes - pensava agradada...
Penteados, jóias e caras lindas!
As cidades  luminosas rivalizavam
Em festas, concertos e bandas
E eu sempre sentada pensava:
-Será para durar esta euforia?
-Será para durar esta alegria?
E veio o primeiro dia
E  veio o  seguinte dia
E aquela alegria.
E aquela euforia
Já têm outra cor, outro sabor:
Noticiam-se mortes, acidentes dor...
Catástrofes, falta de civismo, desamor.
São anunciadas Greves e manifestações
Pobreza, falta de senso, tentações...
Concluo então tristemente:
-Posso ficar nesta cadeira o ano inteiro
-Posso ficar nesta cadeira eternamente
-O mundo será sempre triste e desordeiro
-Porque cada homem se  põe à frente
-Do fraco, do humilde e até do companheiro!!! 

Clara Faria da Rosa
02/01/2019

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Nesta vida tudo passa!

Nesta vida tudo passa!
Passa a juventude e a beleza,
O ódio, a inveja, a malquerença,
Também passa a tristeza,
Por vezes também a esperança...
Nesta vida tudo passa!
Passa o vento, e a  tempestade,
A pobreza e o sofrimento,
O calor, o frio, a humidade
E o impulso do momento...
Nesta vida tudo passa!
Passa a mágoa e a saudade, 
Às vezes também a coragem, 
O amor e a liberdade,
E tudo vai na aragem...
Nesta vida tudo passa!
Passam os minutos e as horas, 
Os dias os anos e os meses, 
E levianas e loucas  promessas 
Que se fazem muitas vezes... 
Nesta vida tudo Passa!
A  escassez e a abundância,  
A força e os ressentimentos,
A compreensão e a tolerância,
As oportunidades e os erros...
Nesta vida tudo passa!
Passa a música da gargalhada,
E a humidade da lágrima,
Os sonhos em desfolhada,
E a dor da saudade extrema...
Nesta vida tudo passa!
E está um ano a passar,
Outro já está a nascer,
Por isso te venho desejar:
Tudo de bom - Podes crer!!!

Noite da passagem de ano 
Clara Faria da Rosa

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Magia de Natal


Porque sei que é Natal 
E porque quero cultivar
Desta época a magia, 
O meu portão quis decorar
Com muita cor e alegria.

Porque sei que o Pai-Natal
Vem da Lapónia distante
E porque  não faz mal sonhar, 
Espero ansiosa seu presente
Que me venha alegrar.

E para dar cor a este Natal
Fiz um arranjo bem vistoso
Com pompões e um laço airoso,
Numa moldura envernizada
Ao portão bem amarrada.

Meu querido Pai-Natal
Este é um sinal para cá deixares
Saúde, paz , amor e ternura,
Não deixes desilusão nem amargura,
Mas muitos sonhos e ventura !

Natal de 2018
Clara Faria da Rosa









segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

O Menino que Festejamos


O Menino que festejamos:

O Menino que festejamos é Deus!
E Deus é a bondade, 
A cor e a amizade,
E também alegria e amor,
A chuva o vento e o calor,
O perdão e serenidade,
Paz e igualdade,
A simplicidade da Natureza,
O talento, o esforço e a beleza...
É para tudo isto celebrar,
Que nos juntamos a consoar,
Para o Menino lembrar,
E porque somos filhos seus
E porque ele é Deus
E Deus é tudo isto!!! 

Clara Faria da Rosa,

domingo, 23 de dezembro de 2018

Quando se escreviam cartas e postais de Natal:
Bicas de Cabo Verde, 23 de Dezembro de 2018
Cara/o amiga/o
Ainda te lembras do tempo em que não usufruíamos destas modernices do computador que nos permite enviar uma mensagem num ai, sem precisarmos sair de casa, nem comprar selo e sem termos de esperar pelo simpático carteiro? E do tempo em que não tínhamos telefone em casa, muito menos telemóvel, o que nos obrigava a recorrer aos correios ou aos postos públicos quando havia estrita necessidade de se comunicar com alguém ou quando queríamos dar as Boas-Festas e desejar um Feliz Ano Novo?
Tempos que já lá vão que deram origem a inovações como os e mails, facebooks e outras simpáticas facilidades que mudaram as nossas vidas!
Pois hoje deu-me para reflectir e sonhar com coisas deliciosamente antiquadas como cartas, cartões de aniversário e postais de Natal a jorrarem de um marco do correio de um avermelhado luzidio e de uma sumptuosidade imponente de quem manobra a vida dos seres humanos ...
Pensei então que para mim, nunca foi fastidioso escrever cartas ou cartões e sempre considerei que as mesmas eram e são uma maneira de revelarmos com profundidade e intimismo o que nos vai no fundo do coração, assim como um veículo que nos liga ao nosso receptor de forma carinhosa e profunda e um meio de evasão da rotina quotidiana.
Até dos envelopes me lembro com saudade e de como ficava a olhar para eles quando os recebia, tentando adivinhar quantas páginas tinham, e as mensagens que continham .
Pelo Natal recebíamos muitos postais com ilustrações encantadoras que nos faziam sorrir e sonhar e logo corríamos a decorar a cómoda ou a árvore de natal com os mesmos.
Postas estas considerações sobre cartas e quejandos termino esta, não sem antes te desejar que tenhas recebido e enviado muitas cartas e postais de natal , que a consoada te corra de feição, o bacalhau não esteja salgado, o peru seja tenro e coradinho e que não te esqueças que esta festa celebra o nascimento do Menino Jesus . Quero também desejar-te que no Ano Novo continues a entusiasmar-te com determinação pela vida pois se te acomodares e desinteressares é sinal que a coisa não vai bem ...
Adeus e até à volta do correio,
Com um grande e saudoso abraço
A amiga
Clara Faria da Rosa

A pedrinha do quintal


Numa pedra do quintal
Bem limpa e escolhida,
Fiz uma lapinha de Natal
Que ao Menino deu guarida...
Numa pedra do quintal
Uma covinha encontrei,
E de um modo informal
O menino ajeitei...
Numa pedrinha do quintal
Pus pinhas e conchas do mar
Florinhas e muitos brilhos
Para o Menino adornar!
Mas na pedrinha do quintal
O Menino está só...
De certeza, sente-se mal
E a mim mete-me dó!
Porque na pedrinha do quintal
Faltam as figuras tradicionais,
Porque na lapinha de Natal
Falta a presença dos pais...
E na lapinha de Natal
Falta o burro e a vaquinha,
Faltam os reis e os pastores
As ovelhas e a galinha...
E também falta na lapinha
Que Francisco d'Assis criou,
Calor que aqueça o Mundo
Que o Menino muito Amou...
E falta amor e perdão
Compreensão e ajuda,
E o trabalho e o pão
Que são o esteio da vida!
Para o Ano, na lapinha
Tudo isto vou colocar,
Numa bonita pedrinha
Que no quintal hei-de encontrar!

Clara Faria da Rosa

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

A ubiquidade do Menino


Meti  meu lindo Menino
Em redoma de vidro fino,
Muito bem acomodado
Para ficar bem guardado.

Só que este ubíquo Menino
Estando na redoma de vidro fino,
Ao mesmo tempo vai-se embora
Está em toda a parte à mesma hora.

Ele sobeja nos campos
Nos mares, rios e oceanos,
Espalhando votos de alegria
E também muita magia.

Ele nasceu no Brasil, no Senegal,
Na Rússia e em Portugal,  
E também na Itália e em França
Como promessa de esperança.

Tão longos braços tem o Menino
Que mesmo sendo pequenino
Este grande Mundo abraça
Com sua Divina graça.

 É luz e espírito candente,
É fogo, é chama ardente,
É a imagem da perfeição
Que guia meu pobre coração.

Ai meu lindo e doce Menino
Fica na tua redoma de vidro fino,
Mas em simultâneo vai-te embora 
Por este triste Mundo Fora!

Clara Faria da Rosa

Nota: Ubiquidade-Capacidade ou propriedade de estar ao mesmo tempo em toda a parte ou em diversos lugares.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Uma luz ao fundo do túnel...

A minha amiga e ex colega Alda Dias Fonseca, publicou na sua página, no passado dia 15, um post muito engraçado chamando a atenção para a comemoração do Dia Internacional do Chá.
- Como foi possível - Pensei eu - Que sendo tão chazeira, me tenha passado despercebida esta data ?!
Vai daí, toca de pesquisar...
Fiquei então sabendo, que esta efeméride foi criada, não para se tomar chá nesse dia, o que naturalmente e muito bem se pode fazer, mas sim como uma chamada de atenção aos governos, organizações e população mundial para os graves problemas que os trabalhadores das plantações de chá, assim como os pequenos produtores atravessam. Garantir os direitos destes trabalhadores e alcançar preços justos para os produtores são alguns dos objectivos deste dia 15 de Dezembro - Dia Internacional do Chá.
Nos milhares de chávenas de chá, bebidas ao longo da minha existência, vergonhosamente, jamais me lembrei destes problemas, o que prova que consideramos o que temos como um dado adquirido a que temos direito, sem nos lembrarmos do que está por detrás de tudo isso, assim como dos que trabalharam para que pudéssemos usufruir regaladamente desse bem.
Por coincidência, nesse mesmo dia, tinha colocado um serviço de chá, de forma mais ou menos harmoniosa, conforme o engenho permitiu, no centro de uma mesa, e pendurado as chávenas que por serem douradas pretendi fazer referência às estrelas que brilham no céu e a uma estrela em especial que segundo reza a história brilhou sobre a gruta onde nasceu o Menino guiando os pastores e os Reis Magos até ao local sagrado.
Na verdade,  não sei bem o que me deu, com tantas ideias geniais, de centros de mesa, que aparecem na Internet, logo tive que fazer o que me veio à cabeça! Sempre fui assim voluntariosa que é como quem diz, teimosa, e independente - Já o dizia a minha mãe...
No  fundo, no fundo, o que desejo ardentemente é que as minhas chávenas douradas, à semelhança da Estrela de Belém, guiem os plantadores de chá, todos os homens de modo geral, e tu minha amiga/o em especial, até ao fundo do túnel da intolerância, da prepotência, da maldade, da tristeza, da inveja enfim da infelicidade porque é sabido que a luz está ao fundo do túnel!
BOM NATAL



















Arranjo de Natal






Arranjo em manhã  de Natal

Numa arca de madeira 
Fiz para o  Natal um arranjo,
Com brilhos bem à maneira,
Foi pena não ter um anjo.

Os brilhos anunciavam 
Que estava perto o Salvador,
E as lindas pérolas lembravam
Os presentes para o Senhor...

Havia  sinos e estrelas,
Magia, alegria e cor,
Pinhas, azevinho e bolas, 
Saúde, festa e amor.

Mas pela manhã ao acordar
Surpreendeu-me o meu arranjo,
pareceu-me mais brilhar 
E vislumbrei um lindo anjo...

Parece que anunciava
Que se cumprira as profecias,  
E dele alegria e cor brotava
Porque nascera o Messias.

Não há arca, nem há cor
Nem verdes, pinhas ou  brilhos
Que venerem o Senhor...
Nem  sequer pérolas ou sinos!

Só muito amor e humildade
Perante mistério tão grande 
Esta surpreendente natividade
Que no Natal celebramos!


Clara faria da Rosa 

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

A simplicidade do meu presépio:



O meu presépio é muito simples
Como as estrelas cadentes,
O meu presépio é transparente
De uma transparência incandescente,
O meu presépio é luminoso
Mas também harmonioso...
É esta simples transparência
É esta luminosa incandescência
É esta  alegria na pobreza
E na eventual riqueza,
Que aos homens dá a vontade
De praticarem a bondade...
É tudo isto que me diz em  segredo
De modo a que eu não sinta medo 
Este meu pequeno presépio,
Que lembra da Lua  o nascer 
E  do Sol o desaparecer, 
E tem no meu coração 
Um efeito tão incrível
E me torna tão sensível 
Que me leva à oração !

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

O talento de um bom vitrinista


Passeava eu, na baixa de Lisboa, quando me deparei com esta montra que  me fez parar e observar com atenção a arte do decorador, sim porque para se ser vitrinista é preciso ter preparação, sensibilidade e arte!
Na verdade, esta montra estava decorada com muita simplicidade, mas uma simplicidade apelativa. A decoração tinha tudo a ver com o tipo de estabelecimento, com o tipo de materiais existentes, que utilizava e com a época  que se queria celebrar. 
Isto é que é arte e saber em vitrinismo! Isto é que é saber lembrar e festejar a  época, assim como desejar um Bom Natal sem palavras...

domingo, 16 de dezembro de 2018

As Mães Natal da actualidade:

 A figura da Mãe Natal não tem, contrariamente à figura do Pai Natal, origem em qualquer símbolo religioso nem no catolicismo, ela aparece em meados do séc XIX, referida em certas obras literárias infantis, mais tarde , já para os finais do século XX, começou a aparecer em filmes e  desenhos animados, livros e a ser referida em certas  obras musicais. 
Era apresentada como uma velhinha anafada de cabelos brancos e sempre muito ocupada a ajudar o Pai Natal, visto a criatividade literária lhe ter atribuído o papel de ajudante do velhinho de barbas brancas... Esta pequena introdução, tem a ver com o facto de te querer contar que eu com a minha amiga Maria de Fátima Ribeiro Martins termos, na tarde do  passado sábado, desempenhado o papel de Mães Natal!
Não tínhamos roupas vermelhas, nem cabelos brancos repuxados num pêlo, nem óculos redondos na ponta do nariz mas muita vontade de embrulhar, com graciosidade e muito carinho, os "mimos" com que a comissão de festas do Império de Bicas decidiu brindar os seus colaboradores, nomeadamente os criadores de gado, que vão possibilitar a distribuição de carne pelos irmãos e quem sabe a realização de uma função, por altura da festa, se as coisas correrem bem...
Deste modo, desejamos um Feliz Natal a todos os irmão e colaboradores do Império de Bicas de Cabo Verde assim como a toda a população da localidade.