sábado, 11 de agosto de 2018

                                                      No meu septuagésimo aniversário

Eu vos dou graças Senhor
Pelos meus setenta anos
Sinto-me muito feliz e grata,
Por tudo o recebido
Por uma vida completa...
Pelos meus setenta anos
Agradeço e dou vivas,
Pelo carinho amor e saúde
Nos meses semanas e dias...
Pelos meus setenta anos
Humildemente louvo o Senhor,
Pelas dores tristezas e mágoas
Ingratidões e faltas de calor...
Pelos meus setenta anos
Prometo, firmemente, Senhor,
Ser forte e corajosa
E fazer da vida louvor...
Pelos meus setenta anos
Prometo ainda Senhor,
Colorir e alegrar os meus dias
E dos que estão ao meu redor...
Pelos anos que me restam
Muitos ou poucos? Não sei!
Lutarei com todas as forças,
Farei da bondade lei
E pela vida darei graças

12/08/2018
Clara Faria da Rosa 






sexta-feira, 22 de junho de 2018

São João, santo festeiro:
Esta é a imagem de São João que todos os anos regressa à esquina da rua da Sé com a rua com o nome do Santo, isto em Angra do Heroísmo, Terceira Açores. É o Patrono das festas que estão a decorrer com um vasto programa as quais, por tradição, festejam o solstício de Verão, que tem lugar a 21 de Junho e é celebrado até ao fim do mês, é o momento em que, segundo os estudiosos, o Sol perde o controlo e atinge o máximo da sua força. Nessa noite a ordem das coisas é alterada e tudo pode acontecer...
São João, segundo São Lucas, foi o precursor de Cristo, tendo sido a voz que clamava no deserto, anunciando a vinda do Messias. Filho de Zacarias e Isabel, só mais tarde, depois de ter baptizado Jesus é que recebeu o cognome de "O Baptista". No calendário religioso está-lhe reservado o dia 24 de Junho por ter sido o dia do seu nascimento. Tem o titulo de santo festeiro por isso há muita festa no seu dia em especial muita dança, daí as marchas com o seu nome. Este ano em Angra do Heroísmo, atendendo ao elevado número de marchas, desfilam nas noites de 23 e 24, para que se torne menos moroso, menos cansativo e sejam melhor apreciadas..
Em Lisboa compram-se manjericos, cravos, alhos-porros e martelinhos para bater nas cabeças de quem se encontra, naturalmente, para os manter bem acordados para a folia. Comem-se sardinhas assadas, saltam-se fogueiras, enchem-se e largam-se balões, fazem-se concursos de janelas alusivas ao São João, e marchas populares em vários locais do país quero contudo, destacar aqui o que se passará em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, a minha cidade nas próximas noites que serão repletas de magia, cor alegria, criatividade, pedagogia, arte e são convívio que dificilmente se pode explicar por palavras, só vendo, vivendo, sentindo, presenciando se pode ficar com a ideia do que se passará que impregnará a alma da multidão presente da alegria atribuída a este santo.
Vem até cá, estás convidado/a, se este ano não tiveste essa possibilidade, programa a tua vida para que possas juntar-te ao povo terceirense no próximo ano!!!

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Baile de roda:
As Sanjoaninas da Terceira
Ai, são um baile de roda,
Em que todos em fileira
Ai, dançam a mesma moda.
Nas Sanjoaninas da Terceira
Ai, tudo de mão dada dança,
E Angra é um palco de primeira
Ai, onde impera a esperança.
As sanjoaninas da Terceira
Ai, são música, canto e alegria,
E é assim desta maneira
Ai, que se vive a fantasia.
Ai, eu quero ouvir as vozes da Terceira,
Ai, eu quero ouvir os sons da Terceira,
Ai, eu quero viver na Terceira,
Ai, eu quero morrer na Terceira,
Ai, eu Tenho Esperança
De que a fantasia,
Ai, não acabará na Terceira!
De que a fantasia,
Ai, viverá nas Sanjoaninas!
Clara Faria da Rosa

domingo, 3 de junho de 2018

Bicas de Cabo Verde - 2018

Em véspera da coroação: 

A Ana Soares retoca os arranjos do altar,  alinda-se a capela, coloca-se uma alva toalha no altar, mãos amigas do Divino Espírito Santo enfeitam as janelas da capela num gesto simbólico de fé e amor e reza-se no império o último terço. Amanhã, Domingo, será o dia maior desta pequena localidade que teima em manter vivas as suas tradições e o cortejo sairá pelas 11h. e 30m..Após a missa haverá coroação e distribuição de bodo a todos os presentes. 
 É caso para dizer cada terra com seu uso cada crente com sua fé!
















  

sábado, 2 de junho de 2018

Festas das Bicas 2018

Em Bicas de Cabo Verde, freguesia de São Pedro na ilha Terceira, Açores, tem-se rezado, no império, todos os dias o terço ao Divino Espírito Santo, agradecendo as graças concedidas e pedindo pelos irmãos deste império já falecidos, pelos que andam por cá  e para que o Divino desça sobre a cabeça e o coração das pessoas da localidade e se forme comissão de festas para o próximo ano e não se acabe a tradição. Ontem, finalmente, parece que se vislumbrou fumo branco e já está uma nova comissão mais ou menos delineada. Depois do terço tem-se convivido um pouco, com os que aparecem, pena que sejam poucos, mas o lugar é pequeno em tamanho e população. 
Ontem depois do terço houve lugar para uma sessão de fotografias para a posteridade.




















sexta-feira, 1 de junho de 2018

No dia Mundial da Criança / Gostava de continuar criança

Neste dia Mundial da criança dei por mim a pensar, em como foram bons os meus tempos de criança. E os teus, ainda te lembras?
O tempo em que eu era fresquinha como água da torneira, naquele tempo era água do poço, mas não interessava, nada me preocupava, não tinha responsabilidades familiares nem financeiras e tudo se desenrolava na minha ainda curta vida de uma  forma espontânea, simples e maravilhosa.
Naquele tempo, eu não me apercebia da riqueza que tinha no amor e carinho dos meus pais. Agora compreendo porque ria com gosto, por tudo e por nada, simplesmente porque estava alegre e feliz.
Quando eu era criança, sonhava com mundos coloridos e diferentes, fantasiava e imaginava o meu futuro, é por isso, calculo, que ainda sou uma pessoa criativa e fantasiosa.
Em criança eu era espontânea, impulsiva, aventureira e curiosa sem me preocupar com as reacções dos outros e nunca ofendi ninguém com isso!
Em criança eu não planificava a minha vida, nem tinha objectivos pré determinados, queria simplesmente brincar e ser criança, aceitando naturalmente, o que surgia na minha vida, confiando que o mundo me iria tratar bem e que os meus pais velariam por mim e me livrariam de todos os perigos.

Claro que não desgosto de ser adulta e da segurança que isso me oferece, porque penso que na vida todas as etapas devem ser vividas com entusiasmo e seriedade mas sempre com um pouquinho de loucura e fantasia para que nos sintamos bem com a vida e connosco.
É uma infância semelhante à que vivi que desejo, neste dia a todas as crianças do Mundo, com muito amor, confiança, espontaneidade, aventura, respeito, sonho e brincadeira.
E nós adultos, continuemos a sonhar como em criança e a tentar que todas as crianças vivam felizes e sejam tratadas com a dignidade e segurança que um ser humano merece e que todas tenham a possibilidade de absorver educação e exemplos que as façam crescer e realizar-se em plenitude para bem do seu futuro e do Mundo...
Um beijinho para todas as crianças!!!

quinta-feira, 31 de maio de 2018

 Eu Queria  Ter Um Irmão...

Um irmão não se escolhe,

Um irmão alegremente se acolhe,
Um irmão se abandona
Quando nova vida se abraça
quando novo mundo se alcança...  
Mas, mesmo assim...
Porque os olhos o mesmo viram, 
Porque os ouvidos o mesmo ouviram, 
Porque no mesmo berço se embalaram,
Porque do mesmo ventre saíram,
Quando os olhos se encontram...
Tristezas e mágoas se abandonam,
E a boca em flor se transforma
Quando meigamente se informa:
-É o meu irmão!
E é por saber tudo isto
Que desolada, não resisto
A dizer do fundo do coração,
Que dor por não ter um irmão,
Que dor por neste dia
Não ter para  te mostrar 
Do meu irmão, uma fotografia,
Da qual pudesse falar,
E ternamente, pudesse anunciar:
-É o meu irmão!

Clara Faria da Rosa
31 de Maio 
Dia do Irmão

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Foto de Clara Rosa.
À vizinha e vizinhança
Já o meu falecido pai dizia que vizinhos, às vezes, são mais do que família, por isso mesmo, porque são vizinhos, isto é, estão próximos de nós, estão ali à mão, quando precisamos, habitam na vizinhança e vê-mo-los muitas vezes, com facilidade, basta querermos!
É por tudo isso, e por hoje ser dia dos vizinhos, que te falo da Isolina Fialho, aqui à janela, toda vaidosa a mostrar um lindo trabalho que fez , foi minha colega na escola primária e agora é minha vizinha, 
basta chegar à varanda e vejo-a nas suas tarefas domésticas ou sentada à janela a fazer os seus trabalhos manuais tarefa em que é exímia. Quando preciso, basta chamá-la e ela aparece logo e ajuda com prontidão, como é muito habilidosa tem-me incentivado e ensinado na execução de alguns trabalhos.
Tenho outros vizinhos e vizinhas de quem gosto muito e respeito, porque também me tratam bem e com muito carinho, não só no dia do vizinho mas ao longo de todo o ano.
A toda a vizinhança mais ou menos próxima um caloroso bem haja e que sejam felizes, pois acredito que a felicidade dos que nos são próximos reflecte-se na nossa própria felicidade

segunda-feira, 28 de maio de 2018


O vestido azul


Soneto azul : 

Quando meu vestido azul usei,
Senti-me bem e pensei:
- Sendo o azul celeste cor,
Porque não reflecte amor?

-Porque é que o azul das  nuvens
Não traz paz aos inquietos homens?
-E porque é que o azul do mar
Não aumenta a sede de amar?

- É porque o azul precisa  ser forte
Anilado, como preciosa safira, 
E fazer do mundo tela colorida, 

Para conduzir o Mundo ao Norte
Sem invejas, maldade ou ira,
Onde o importante seja a Vida!

terça-feira, 22 de maio de 2018

Abraços...
Devemos saber abraçar
Com carinho, devagar...
E tudo e todos aceitar,
Por isso venho anunciar:
-Abraço-te a ti , meu amigo
e a ti meu inimigo,
Neste dia especial
abraço a todos por igual,
Abraço a opulente riqueza
e a miserável pobreza,
Abraço tudo o que vier
tudo o que tiver que viver,
A saúde e a doença
a bem e a má-querença,
Tudo faz parte do mundo
até a dor mais profunda,
Abraço as palavras elogiosas
e as criticas mais odiosas,
Abraço as alegrias da vida
e os dias tristes sem medida,
Abraço hoje e todos os dias
as novidades e mudanças,
Abraço o que me calhar na sorte
até a negra hora da morte!
Clara Faria da Rosa
22/Maio/2018

domingo, 20 de maio de 2018

Pão do bodo...

No dia que antecedia o Domingo do Espírito Santo e o Domingo da Trindade a minha mãe levantava-se bem cedo, para fazer a amassadura e cozer o pão para o bodo. 
Quando os encarregados de distribuir o pão no bodo, os chamados mordomos, tinham passado a pedir, os meus pais haviam-se comprometido a colaborar com um determinado número de pães, havia quem desse dinheiro, mas os meus pais gostavam de continuar as tradições...
Depois do forno bem quente lá ia o pão muito bem tendido, com as suas cabeças airosas, para o forno, e a minha mãe deitava nas brasas uma mão de sal e dizia:
- Que Deus te acrescente! 
E lá ia crescendo, enquanto a minha mãe vigiava não fosse ficar muito escuro, pois era coisa de responsabilidade!
Enquanto isso preparava-se o açafate, um lindo cesto redondo de vimes finos sem tampa e sem asa, mais bonito do que o  da foto, por acaso ainda o tenho embora com xilófagos, a tal palavra científica para o popular caruncho, que há dias tratei, na antiga casa dos meus pais, com um produto apropriado, e uma linda toalha branca, com uma artística barra de renda, do enchoval da minha mãe e lá se punham os pães na vertical, muito encostadinhos uns aos outros, com a cabecinha de fora e a minha mãe, num gesto de requinte, ia à roseira do quintal e apanhava as melhores rosas, que ela chamava rosas do bodo, por florirem naquela altura, para decorar todo aquele mimo, toda aquela doação, todo aquele gesto de cidadania, palavra que eles desconheciam embora soubessem e levassem bem a sério o facto de que deviam contribuir para que a tradição não se perdesse e para que todas as pessoas que passassem no bodo  da  à altura freguesia hoje vila das Lajes tivesse o seu pão.
E lá ia o meu pai, com o açafate às costa, para a despensa, entregar o pão que, em conjunto com o das outras famílias e com o que o mordomo tinha cozido, seria distribuído, no bodo a todas as pessoas que por lá passassem.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

A caminho de um casamento na família real inglesa:
Toucados...
Estava mesmo muito triste por não ter sido convidada para o casamento do príncipe Harry com Meghan Markle, não é que à ultima hora recebi o tão ansiado convite para ir ao dito enlace, talvez por não terem nº suficiente de convidados para preencherem o espaço... Comecei logo a pensar como me deveria apresentar e constatando que todas as convidadas terceirenses se iam apresentar com chapéus iguais, pus mãos à obra e confeccionei este toucado que como sabemos é um adorno para cabeça de mulher. Que tal, estou apresentável? Também não pretendo ofuscar as nobres damas que lá estarão, com exóticos toucados feitos por artistas de renome!
Beber água do poço:
Tivemos cá em casa uns problemas de derrame de água pelo que  foi necessário proceder-se à substituição de alguma canalização, com aquela sensação de num impulso repetido e impensado abrir a torneira e só sair vento, fiquei nem uma barata tonta sem saber o que fazer...
Vai daí, que me veio à memória, os tempos em que eu ia com a minha mãe ao poço tirar água, que depois transportávamos para casa em grandes baldes, cada uma do seu lado, numa agradável cumplicidade a ver se não derramávamos nada porque, naquela altura, água era ouro e ao chegar a casa era muito poupada, não era como agora que se deixa a torneira a correr e se gasta imensa água só para lavar os dentes!
Também me lembrei do Senhor Teotónio Meneses, um Senhor que tinha uma casa com loja por baixo na praça em frente ao lar D. Pedro V, Largo da Luz, na Praia da Vitória onde a minha mãe ia fazer compras e do diálogo que se travou entre os dois:
- Então como vai a pequena nos estudos?- já se sabe que a pequena era eu!
-Vai indo devagarinho - respondeu a minha mãe que não era de muitos superlativos, nem de fazer grandes alardes dos resultados que eu porventura obtivesse, porque ela considerava que eu não fazia mais do que a minha obrigação...
-Ela vai conseguir- dizia o Senhor- E sabe Porquê? perguntava ele para a minha mãe, de olhos curiosos, postos nele:
-Porque bebeu água do poço!!!
Agora era a minha vez de comentar, com os meus botões, porque na minha insignificância, não me atrevia a fazer parte daquela filosófica conversa de adultos:
-O que tem a água do poço a ver com os meus êxitos escolares???!!!!
Passaram-se os anos, já não estão entre nós os interlocutores deste curioso diálogo e hoje, porque faltou água em casa dei por mim a pensar nisto tudo e a concluir que temos que saber tirar partido da situação que vivemos, até mesmo da escassez, e temos que parar e pensar que os nossos problemas não são assim tão terríveis como parecem e tornam-se mais fáceis se os encararmos de uma forma aceitável .
A arte de saber viver está no facto de nos concentrarmos nas nossas dificuldades, aceitando-as e resolvendo-as da melhor maneira possível e assim nos tornamos auto-confiantes, fortes e serenos perante a vida.
Agora é que eu percebo como foi bom para mim, acartar e beber água do poço!

sábado, 12 de maio de 2018


BRISA DO MAR...

- Se eu fosse a brisa do mar,
Murmurava bem baixinho,
À Lua, ao Sol e à Terra,
À paz, à calma e à guerra,
Aos montes, vales e cidades...
- Eu sou a brisa do mar,
E vejo o Mundo a Girar,
E os homens a sofrer,
As mulheres a gerar,
E as crianças a crescer...
- Eu sou a brisa do mar,
 E quero pedir ao Mundo,
Q'olhe bem à sua volta
E acabe com a revolta
E semeie o perdão,
O amor e a gratidão,
E ouça o meu murmurar
Que a todos quer recordar
Os valores do passado,
E que o Mundo está mudado
Com falta de uma flor
Que lhe traga nova cor!

quinta-feira, 10 de maio de 2018

E a menina sonhava...

E a menina sonhava,
Tinha estrelas nas mãos,
E o luar no olhar,
O Mundo era todo seu!
E a menina esperava,
Por um Mundo a descobrir
Lindo, justo, especial,
Com crianças a sorrir!
E a menina acreditava,
Doce, esforçada e confiante
Que todos eram iguais,
Que a diferença não importava,
Que o Mundo ninguém rejeitava!
E a menina, sã, confiava, sonhava, esperava...
Mas a menina aprendeu,
Que os sonhos são só sonhos,
Que as estrelas brilham menos,
E que o Mundo é só de alguns,
E que rejeita os restantes!

Clara Faria da Rosa