terça-feira, 10 de abril de 2018

Quando os reis vieram à Terceira
D. Carlos, filho de D. Luís 1º e da princesa Maria Pia de Saboia, casou em 1886 com a princesa D. Amélia de Orleães, filha do conde de Paris, na igreja de São Domingos, em Lisboa, e tornou-se rei de Portugal em 1889.
Ficou conhecido na história pelo Oceanógrafo, cognome justificado pela sua paixão pela oceanografia, por Martirizado ou Mártir por ter morrido assassinado e por Diplomata devido às várias visitas de cortesia que fez a diversos países, e aos arquipélagos da Madeira e dos Açores onde aportou nos princípios de Julho de 1901.
São dessa época os saborosos bolinhos que todos conhecem feitos com farinha de milho, ovos, mel de cana e especiarias que foram baptizados com o nome da soberana, em sua honra; O que não se sabe ou não se diz é que as mulheres da freguesia da Ribeirinha, ilha Terceira, teceram uma colcha com a coroa real, para lhes oferecer.
Partiram os monarcas, levando a dita colcha da qual foram feitas cinco réplicas, para várias famílias da ilha.
Quando criança ouvia falar de uma dessas colchas, pertença de uma tia minha, cujo marido a herdara de seus pais, como criança não ligava ao assunto, contudo, morrendo a minha tia e o marido, foi herdeiro o filho destes, o meu primo Francisco Fernandes Martins Aguiar ( Ramalho) casado com Ercília Borges Aguiar.
   Esta história que te conto, leva-me a meditar nas transformações sofridas pela nossa sociedade, no espaço de um século, e nas nossas antepassadas que tanto trabalhavam e que segundo creio, não o fizeram por acaso nem sem objectivo, mas com muita coragem, dignidade e persistência...É por isso que sinto  um grande orgulho das nossas avós terceirenses cujo amor, força, e coragem faziam com que valesse a pena viver apesar das adversidades de então!!!
Cada vez mais tenho a certeza de que os costumes e instituições legados pelos nossos antepassados, constituem a sabedoria de muitas gerações após séculos de experiências o que ao fim e ao cabo é a nossa história. Temos obrigação de dar continuidade a essas tradições, pois romper com o passado será pura loucura, é como cortar as raízes de uma árvore sem as quais não se poderá sustentar!
Cá está a linda colcha, feita nos teares da Ribeirinha, há mais de cem anos!

domingo, 8 de abril de 2018

Viajando de chávena até Massarelos




Há quem viaje da barco, de avião, de comboio, de autocarro, de balão a pé ou até mesmo, como no caso das bruxas, de vassoura; Pois é, a vida tem destas coisas, eu hoje deu-me para viajar de chávena, o que não é caso para admirar, visto neste mundo, haver lugar para as mais diversas e variadas extravagancias.
Pois lá vou eu muito bem acondicionada, nem galinha choca no seu linheiro, até um  antiga freguesia de Portugal, situada nas margens do rio Douro, pertencente ao concelho do Porto, chamada Massarelos e que actualmente pertence à União da Junta de Freguesia de Lordelo,Ouro e Massarelos.
Fui à procura da origem, ou da árvore genealógico das minhas chávenas, porque foi  nesta localidade de Massarelos que funcionou a mais antiga fábrica de faiança do norte de Portugal, fundada em no SÉC.XVIII em 1763 ou 1766 ( Encontrei as duas datas ), até que o primitivo edifício foi consumido por um incêndio em 1920 tendo depois em 1926 sido vendida à Companhia da Fábrica de Cerâmicas Lusitana que numa fase de expansão, comprou fábricas falidas por todo o país.
São desta época as chávenas de chá/almoçadeiras que te mostro, peças vintage, da fábrica Lusitânia período Massarelos, decoradas com motivos orientais e carimbo do início de séc. XX, uma das quais me serviu de meio de transporte, nesta aventura .
Sendo uma sentimentalona,  gosto especialmente   de trazer o passado para o presente, sobretudo quando se trata de peças de encanto, que como estas, continuam maravilhosas após tantos anos.
Depois desta breve viagem por um mundo que para mim é mágico, faço-te o seguinte convite:
Que tal vires cá a casa tomar um chá numa Massarelos, embarcas também nesta aventura e no gosto por estes assuntos? A água já ferve, traz uns bolinhos!!!







sábado, 7 de abril de 2018

Os Colchões da nossa memória:


Parece incrível mas a verdade é que os colchões nem sempre foram o que são hoje, no tempo da minha avó e da minha mãe e quando eu era criança eram de folha, da folha do milho, escolhida da mais fina e branquinha que no Verão era lavada, posta ao sol e renovada, então estes ficavam altos e cheirosos e quando nós nos deitávamos, faziam um barulhinho que chamava o sono, ficávamos muito aconchegadinhos e dormíamos que nem justos. 
Ainda me lembro da trabalheira que era todos os dias ter que remexer a folha para os colchões ficarem fofos e até me lembro que a minha mãe tinha uma cana da largura da cama, preparada para os nivelar e assim ficar tudo muito direitinho. Enfim, outros tempos...
A folha era metida em colchões feitos de linho cultivado, tratado e fiado por essas mãos ancestrais e esse tecido cá na Terceira era quadriculado em tons de azul .
Pois é disso que te quero falar, no fundo de uma arca que herdei da casa dos meus pais, havia um desses colchões, sem a folha, claro, que nunca fora usado e eu sempre que o olhava lembrava-me com uma certa nostalgia destas coisas que te estou a contar. Receosa que mais tarde alguém se desfaça dele por não  estar ligado a estas recordações e por isso não compreender o seu valor, resolvi aplicá-lo, quer dizer fazer uma reciclagem e o colchão virou toalha rústica, uma toalha bastante grande para usar numa mesa no terraço onde comemos nos dias agradáveis de Verão.
Fiz um entremeio e uma renda para pôr à volta e ficou com este aspecto:

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Ocupada a viver...

Coisas imprestáveis??
Não, para mim, não há coisas imprestáveis, quando olho para os objectos, por mais insignificantes que sejam, penso logo nos seus préstimos e, quando os vejo abandonados, penso no que se pode fazer com eles para que se tornem úteis. Foi o caso destes objectos que não faziam conjunto com nada, dois pratos antigos, muito bonitos, uma tigela de sopa  com umas flores muito alegres e apelativas, uma peça de estanho de um velho candeeiro e um pequeno mas mimoso "bibelot".
Vai daí, toca de os juntar e de fazer deles um conjunto utilitário e até certo ponto com um certo requinte, penso eu, tu o dirás!
Isto tudo para contrariar uma frase que li um dia destes, "aquele que não estiver ocupado a nascer, está ocupado a morrer!" 
Ora, não estando ocupada a nascer, já o tendo feito há muitos anos, se bem que se nasça todos os dias, mas isto são outros assuntos, pelos quais não quero entrar agora e, também não estando ocupada a morrer, graças a Deus, se bem que também se morra todos os dias, estou ocupadíssima a viver, e espero que ainda continue ocupada por largos anos, é por isso que me ocupo a dar préstimo  e valor às coisas...


















segunda-feira, 2 de abril de 2018

Depois da Páscoa, nos Açores:

Depois da Páscoa, nos Açores:
Logo depois da Páscoa,
Nos Açores,
O arquipélago é um altar
E cada ilha é uma mesa
Para o Espírito Santo louvar,
São cortejos para a igreja
Onde o imperador vai coroar,
E depois a mesa posta
Numa fartura sem par...
Massa doce, carne
E esculturas de alfenim,
Muito pão
Em arrendados açafates,
Vinho a borbulhar
No canjirão,
E copos enfeitados
De alvos e doces confeitos.
É o povo ilhéu
Religioso e profano
Na sua fé,
Crente e festeiro,
O terço rezando,
Com muito fervor,
Numa sentida prece,
Num hino, num louvor
Ao Divino Espírito Santo!
Então, no sétimo domingo,
No terreiro do local,
É o culminar
Da abundância e da partilha,
É a terceira pessoa louvar...
Em cada casa, em cada ilha!
Clara Faria da Rosa 





domingo, 1 de abril de 2018

Páscoa

Olhar de Páscoa


 Olho as pessoas 
 e nelas vejo a Páscoa...
 No brilho dos seus olhares,
 No sorriso dos seus lábios,
 No cumprir dos seus deveres,
 No ajudar os seus amigos.
 Olho à minha volta
 e vejo a Páscoa...
 Na  Primavera a despontar,
No colorido das flores,
 Na  Natureza a pintar
A vida de todas as cores.
Olho para dentro 
e em mim vejo a Páscoa...
Com  uma vontade forte
De o grande mistério anunciar,
Da vitória sobre a morte
E de a vida celebrar.
Penso na vida 
e sinto a Páscoa
Como um mágico segredo
Que não consigo guardar
E anuncio sem medo
É um milagre, ressuscitar!


Clara Faria da Rosa

sexta-feira, 30 de março de 2018

Semana Santa


A Semana Santa, é o período religioso em que a igreja celebra a subida de Jesus Cristo ao Monte Calvário, a sua crucificação e ressurreição.
Ao longo da semana realizam-se várias cerimónias, todas elas com, um significado e simbolismo muito especial. Começa com o cerimonial da bênção e procissão dos ramos no Domingo, na Quinta-Feira de manhã benzem-se os óleos e à tarde há o lava-pés, teatralização do acontecido durante a ceia da Páscoa que Cristo celebrou com os seus seguidores mais próximos, na Sexta-Feira comemora-se a paixão e morte de Jesus Cristo, não há a celebração da missa, apenas as leituras apropriadas, Sábado é dia de luto e no Domingo é dia de festa porque se comemora a ressurreição de Jesus, a vitória sobre a morte.
Associadas à Páscoa apareceram várias tradições como o hábito de se oferecerem ovos decorados, que em princípio eram ovos de galinha e mais tarde os franceses começaram a fabricá-los de chocolate, relacionando o ovo com o início da vida assim como coelhos de chocolate porque este simboliza fertilidade, associada à criação, por causa da sua grande prole.
Que tenhas uma Feliz Páscoa e que Jesus ressuscite no teu coração e te encha de força para que possas enfrentar as adversidades do dia a dia!

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Carnaval da Terceira
















No Carnaval da Terceira
puxador é o rei,
E p'rós dançarinos em fileira
A fantasia é lei.
Guitarras, violas, acordeões,
Sedas, lantejoulas, veludos,
Acorrem aos salões
Seguindo o som do apito.
No Carnaval da Terceira ,
Há  filhós e coscorões,
Amizade e brincadeira,
Apitos foguetes e bombões.

O Carnaval na Terceira
É música cor e magia,
É  festa alegre e brejeira,
É tempo de alegria.


Depois, na Quarta-feira de cinzas
É tempo de descansar,
Lá se foram as cantigas,
Agora... toca a meditar.

Meditar na felicidade
De na Terceira viver,
Com tamanha qualidade
E tal património ter!!!

Clara Faria da Rosa

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Dia de comadres




Dia de comadres:
Por cá, nos Açores, é tradicional festejarem-se as quatro quintas-feiras que antecedem o Carnaval , as quais são conotadas, com esta ordem, com o dia das amigas, dos amigos, dos compadres e das comadres.
Hoje, comemoram-se as comadres isto é a madrinha em relação aos pais do afilhado/a ou a mãe do afilhado/a em relação aos padrinhos. Então, juntam-se comadres, em almoços, jantares e lanches, fazem-se telefonemas e trocam-se mensagens e prendas para lembrar uma função tão importante, pois se pensarmos bem na palavra, concluímos que a mesma significa estar com a mãe ou no lugar desta para a ajudar, coadjuvar ou substituir nas suas funções. Que isto não seja necessário, mas se pensarmos a sério no assunto é isto mesmo que significa.
Quanto a mim pensei a sério nas minhas comadres quer nas madrinhas do meu filho, quer nas mães dos meus afilhados/as que no fundo acumulam essas funções fazendo o favor de serem minhas amigas...
Esta é a minha maneira singela de lembrar o dia, embora não seja um comadre conforme estipula a lei, mandando a todas, à minha cunhada Nélia Faria da Rosa que é uma madrinha na verdadeira acepção da palavra, à Srª enfermeira Gorette Mendes na Fonte do Bastardo, à minha prima Hercília Aguiar nas Lajes, à velha Amiga Guida Gomes na Ribeirinha, S. Miguel, à Isabel Sousa em São Bento, um abraço desta comadre com votos de que vivam muitos dias de comadres !
Lembro também com saudade, neste dia de forma especial, as minhas comadres que já não estão entre nós.
Já agora, cito alguns ditados populares usados em relação a este parentesco, acrescentando que o substantivo também se usa para classificar uma amizade por vezes associada à coscuvilhice ou maledicência.
-Comadres,comadres, segredos à parte...
-Brigam as comadres, descobrem-se as maldades...
-Comadre zangada o que viu e ouviu transmitiu...
Rosas para as minhas comadres com muito carinho e amizade.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

A Máscara:

A máscara

Do rosto esconde:
Os olhos, a tristeza e a saudade
A idade, preocupações e maldade...
A máscara a pessoa transforma
E nova personagem aparece:
- Folgazona e irreverente,
- Trapalhona e divertida,
- Brincalhona e desinibida;
No Carnaval com a máscara
A pessoa se descobre,
Acredita ser capaz,
Acredita ser diferente...
E como num sonho liberta-se
E até se torna jovem
Quando a juventude já passou!

  
Carnaval de 2018
CLARA  FARIA DA ROSA

Um substantivo bem terceirense

Um substantivo bem terceirense:
Numa fresca e ensolarada manhã de Inverno, era eu então uma jovem professora cheia de entusiasmo e vontade de fazer bem as coisas, e apostando no sucesso presente e futuro das crianças que me tinham sido confiadas, recebia-as com carinho, enquanto ia preparando o trabalho.
-Hoje vamos  falar de gramática, vamos continuar a falar  de substantivos - dizia eu - Substantivos são palavras, que como todos sabem, nomeiam seres, indivíduos, objectos ou um estado e podem ser próprios comuns e colectivos e ainda concretos e abstractos.
- Ainda se lembram? -
-Sim, Sim! Responderam em coro...
Então, vamos fazer várias colunas no quadro, vão dando exemplos, para serem  registados também  nos vossos cadernos.
Lá foram surgindo as mãos no ar e lá vinha o aluno ao quadro escrever a palavra na coluna apropriada,  gato, janela, mesa, rua, Fevereiro, Terceira...até que um rostinho redondo se anima, como se tivesse despertado subitamente, no cimo de dois palmos de gente, se levanta e grita com entusiasmo:
-Carnaval da Terceira!!!
Carnaval só, basta - digo eu...
Na, na, na, tem que ser Carnaval da Terceira! Os colegas riem...
-Calados por favor!
E eu, estupefacta com a perspicácia daquele "cinco reis de gente" com os meus botões repito: - Carnaval da Terceira!
Como eu o estendi, naquele momento... a palavra Carnaval é um nome próprio que individualiza uma época do ano muito característica em várias partes do mundo, mas como o Carnaval da Terceira não há, carismático, cultural, característico que movimenta grupos de teatro,este ano prevêem-se cerca de sessenta, músicos e dançarinos em torno de uma ilha ao longo de quatro noites, é inigualável! É por isso que eu, de regresso à minha terra, me estou preparando para viver com alegria, sorrindo e gargalhando com vontade este substantivo próprio, mais próprio não há! - O Carnaval da ilha Terceira, nos Açores. 


segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

gizando...


A  Isolina Fialho é uma "rapariga"  da minha idade e além de sermos vizinhas, temos alguma cumplicidade porque somos da mesma freguesia e fomos condiscípulas na escola primária; É muito prendada de mãos e, acabando de fazer muitos fuxicos que juntou em quadrados, pediu-me para eu ir lá a casa ajudar a gizá-los que é como quem diz a organizar, delinear ou projectar o trabalho, de modo a que fique com bom aspecto e, embora o  tivesse sido feito com restos de tecido ficou bonito, como podes ver, faltando ainda prender os quadrados uns aos outros.
Este verbo gizar é uma palavra derivada da palavra primitiva giz e faz-me lembrar a minha mãe, de giz na mão, pondo os moldes sobre o tecido da cliente, dizendo:
- Vou gizar o tecido, para ver se dá o que queremos!
Quem diria que um trabalho de fuxicos me levaria a pensar em  gramática?!!
O que eu queria mesmo, mesmo, era saber gizar o resto da minha vida, com a mestria com que a Isolina fez o seu trabalho, para que o tempo que me resta viver,  tenha o mesmo colorido, a mesma alegria e a mesma beleza que o trabalho da minha vizinha!!!

   

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Como fiquei na bancarrota:

Ia olhando e pensando:
É só para ver, não e para comprar! 
Eis senão quando, os meus olhos batem numa pequena, rara e amorosa caixa  de um vidro que adoro. - O vidro casca de cebola,  que é muito procurado por coleccionadores e  se apresenta em  lindíssimas peças vintage  como cachepots, garrafas,  jarras e conjuntos para licores, água e vinho.
 No início do século passado, talvez na década dos anos vinte, o vidro branco transparente, era tratado quimicamente, de  modo a adquirir o tom da casca de cebola que depois podia ser gravado ou tratado com  jactos de areia que lhe conferiam artísticos desenhos.
Como podia deixar de comprar tal preciosidade, que me  lembra o passado  tranquilo, tornando-o em simultâneo presente e permanente?!!! E como deixar para trás a linda e dourada caixa que lhe fazia companhia, de louça alemã  com o carimbo BAVÁRIA?!!! 
Não resisti...
Fiquei  na bancarrota!
Esta expressão bancarrota, vem do facto de na idade média os negociantes de câmbio e empréstimos  se colocarem, nas feiras, atrás de uma mesa, para efectuarem os seus negócios, eram os avós ou trisavós dos bancos actuais, se os negócios iam mal eles quebravam a própria mesa, daí a palavra bancarrota, do italiano banca rota, que se traduz como banca partida ou banca quebrada.