sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

O meu Menino mija!

Tradicionalmente, nos Açores, faziam-se licores caseiros e eram tantos! ( de laranja,de café, de anis, de banana,cacau, de leite, de maracujá, de poejo, de tangerina, de vinho e outros). Estes licores, alguns dos quais feitos propositadamente para o Natal, eram dados a provar  nesta época ao que se chamava a mijinha do Menino.
Convidavam-se familiares para a mijinha do Menino:
- O meu Menino Mija!
-Vai à mijinha do meu Menino!
-O meu menino não está mal das urinas!
-Vai provar a mijinha do nosso Menino!
Era um carinho, uma doçura...
E lá se faziam agradáveis visitas, para desejar as boas- festas, apreciar o presépio, armado a um canto da casa com muitas leivas e musgos e coloridas figuras de barro ou então sobre a cómoda antiga,  coberta com bonita toalha de linho e decorada com camélias, tangerinas e pratinhos de trigo a rodear o Menino, e provar a mijinha à mistura com alguns figos-passados, rebuçados caseiros, caramelos, bolacha republicana e outros doces tradicionais.
Actualmente, ainda se mantém essa tradição, embora com alguns cambiantes ...Talvez já não se façam tantos licores que são substituídos pelos comprados e os doces e aperitivos sejam de outro tipo e com novas receitas , o presépio mantém-se e o hábito de se visitarem as casa de familiares, colegas e amigos, assim como o calor humano que se gera à volta dessa tradição,  continua, felizmente!
Quanto ao meu menino, aliás aos meus meninos, estão bem saudáveis, com os aparelhinhos como Deus manda, expelindo o precioso líquido que aquecerá os amigos, neste Natal.

- O meu menino mija !!!

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Magia de Natal





Porque sei que é Natal 
E porque quero cultivar
Desta época a magia, 
O meu portão quis decorar
Com muita cor e alegria.

Porque sei que o Pai-Natal
Vem da Lapónia distante
E porque  não faz mal sonhar, 
Espero ansiosa seu presente
Que me venha alegrar.

E para dar cor a este Natal
Fiz um arranjo bem vistoso
Com flores e um laço bem airoso,
E uns sapatos dourados
Ao portão bem amarrados.

Meu querido Pai-Natal
Neles podes deixar, saúde
E também paz e ternura,
E nos dourados sapatos
Não deixes desilusão nem amargura,
Mas ventura e muitos sonhos!

Natal de 2017
Clara Faria da Rosa










sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Bons momentos:



Acredito que os bons momentos são os actuais e que outros melhores estão ainda para vir. Li há dias que  H. Humphrey, ex vice-presidente dos estados Unidos  dizia que " As nossas melhores canções ainda não foram cantadas!" Pois é, estou sempre à espera de melhores momentos e é por isso que me divirto sempre que tenho oportunidade para isso, sem grandes alaridos mas em plenitude, foi o que aconteceu no passado fim-de-semana, no jantar de natal da E.D.A.. Serão muito agradável, muita gente conhecida e amiga com quem estivemos e conversámos animadamente, comida muito boa, sorteios, prémios e ofertas aos funcionários e no ar uma serena e descontraída alegria própria da época.
No fim, só resta desejar Um feliz Natal e que tenhamos oportunidade de voltar a viver esta experiência no próximo ano, porque nunca se sabe quando será cantada a nossa última e melhor canção! ...















quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Bolo de Natal da Clara (receita)

 Agora que toda a gente anda numa grande azáfama para fazer o seu bolo de Natal, com a antecedência requerida para que fique húmido e muito saboroso, é com muito gosto que te passo a minha receita que acerta sempre e costuma ser muito apreciada:
 Bolo de Natal da Clara ( Receita):

Deves deixar de infusão
Quantos mais dias melhor,
Paciência e compreensão
Muita amizade e amor...

Não ligues aos dissabores,
Vive com muita humildade,
Envolvendo estes valores
Sempre com muito cuidado.

Unta a forma alegremente
Com calma e muito humor,
Verte o bolo lentamente
Fazendo da vida louvor!

O forno deve estar quente
Com um calor moderado,
E tu, sempre contente
Vivendo com muito agrado...

Resulta sempre esta receita
Que partilhada deve ser,
E se for muito bem feita
Tua vida vai crescer!...
 6º
Põe a mesa a toda a gente
Deseja um bom Natal,
Sempre alegre e contente
Aberta, simples e informal!
 7º
Quando deres a provar
Deste bolo uma fatia,
Deves sempre recordar
A amiga Clara Faria !!!

domingo, 3 de dezembro de 2017

A luz que ilumina e conduz

Entramos no último mês de 2017! Muitas dificuldades encontrámos ao longo destes meses;  Lutámos, trabalhámos e saltámos obstáculos difíceis mas, não desanimámos, apoiá-mo-nos na nossa experiência, na nossa família, enfim, naquilo que tínhamos e encontramos pelo caminho.  
Hoje celebra-se o 1º Domingo do  Advento, palavra que significa vinda ou chegada. Esta época, que abarca as quatro semanas antes do Natal, tem a finalidade de se preparar a chegada de Jesus Cristo assim como as celebrações do Natal.
Deve ser um tempo de meditação, de recolhimento interior isto é de preparação para receber de forma aberta, sã, simples e luminosa  aquele que consideramos o redentor! É por isso que te mostro esta lanterna e te conto a sua história: 
Estava abandonada na casa onde os meus pais viveram e onde eu vivi até tomar o meu rumo, e ajudada pelo meu marido,  restaurei-a; Foi o cabo dos trabalhos porque, quando começámos a limpá-la ela desmoronou-se, e quando pregávamos de um lado despregava-se do outro. Não foi uma tarefa fácil, mas no fim ficámos contentes porque sabemos que a Câmara Municipal, para contenção de despesas, tem cortado na iluminação  pública, esta está a rarear e a escassear e então, quem sabe, nas noites escuras, sairemos à rua, de lanterna na mão, como  o filósofo grego Diógenes que andava de lanterna na mão, mesmo durante o dia, à procura da sabedoria..
Era do meu pai,  foi usada em tempos também difíceis em que não havia electricidade,  e os caminhos eram muito irregulares e cheios de obstáculos imprevisíveis, para se sair à noite , nos dias de matanças, para os ranchos, para se fazerem visitas aos familiares e vizinhos, pelo Natal, à mijinha do Menino, para se ir às novenas preparatórias para o Natal, pelo Carnaval e para ir aos ensaios das danças ou para ir muito cedo para os trabalhos da terra e tratar do gado, o combustível usado penso que era óleo de peixe gato ou de baleia contudo, não tenho a certeza.
A luz era fraca, mas a vontade forte, e fazia-se da fraqueza força, penso que este tempo que vivemos é um tempo idêntico , tempo  de pisar as pegadas dos nossos antepassados que não viravam a cara às adversidades mas que sabiam encontrar a luz nem que fosse numa pobre lanterna...
Que cada um de nós saiba encontrar, neste Advento, A luz que nos permitirá estar preparados para receber com humildade mas de coração aberto e luminoso o Menino.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Tête-à-Tête

Esta é uma expressão francesa, que se fosse traduzida à letra, significaria cabeça  à cabeça ou coisa semelhante, contudo, não é isso que significa, nem tão pouco cara a cara no sentido físico, mas sim uma conversa particular, íntima entre duas pessoas, expressão que embora de origem francesa é usada em variados países  e que quanto a mim tem paralelo na nossa expressão "frente a frente".
Vai daí que a fábrica Vista Alegre criou, baseada nesta expressão, este belíssimo serviço de chá, para duas pessoas, a que deu o nome de Tête-à-Tête, isto entre 1881/1921 conforme o carimbo verde fogo que podemos observar no fundo das suas peças. Assim as nossas antepassadas, que não as minhas, que essas não tinham tempo nem posses para tantas finezas, mas as damas das classes abonadas, podiam tomar o seu chá nos seus salões em amena e intima cavaqueira que é como quem diz Tête-à-Tête. Um belíssimo exemplar, repara no pormenor do tabuleiro desenhado de modo a que todas  as peças se encaixassem sem desperdício de espaço, o segundo exemplar com a mesma finalidade mas de época  posterior, menos valioso, com menos requinte  mas também, quanto a mim, muito bonito.
Um pouco de história, à minha maneira, para te dizer, caro amigo/a que, depois desta ausência já tinha saudades dos nossos "Tête-à-Tête" em que eu, de forma "íntima e reservada" que só este meio de comunicação permite!... aproveito para partilhar contigo os meus sonhos, as minhas experiências, aprendizagens, os meus pensamentos e os meus votos de que ao longo destes tempos, em que não nos falámos, tenhas estado bem.







quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Tipicidade e simbolismo

Conhecem algo mais típico, mais simbólico mais característico na Vila das Lajes ilha Terceira Açores do que um panelão de ferro ao lume a cozer milho para o dia de Pão-por-Deus, abóboras  ao sol em cima do cu do forno, ou no chiqueiro do porco feito de cantarias e a antiga pia de lavar roupa, escavada numa só pedra, vinda das Bugias das Lajes, hoje transformada em linda floreira!?
Foi esta tipicidade toda, esta simplicidade dos que souberam aprender com o passado este pôr em prática costumes ancestrais bem enraizados  na nossa cultura que presenciei em véspera de Dia-de- Todos-os-Santos:
Os meus primos  à volta do panelão, imaginem, revezavam-se para  deitar lenha, e mexer o milho, que vai ser repartido por várias famílias, levaram um dia inteiro,  e à mistura iam conversando, descansando, recebendo visitas, como eu, que iam dando palpites. Foi uma festa, foi tempo bem passado, tempo de qualidade,  e de entusiasmo, acredito, que me fez pensar que o entusiasmo é que liga o interruptor da vida...





  

Escaldadas



Aqui estão as escaldadas que se costumam fazer por cá pelo Pão-Por-Deus, em tempos idos, de fabrico caseiro,actualmente, são cada vez mais produto de fabrico industrial. Gosto muito, mas sou mais especialista no comer do que no fazer, contudo, sei que são uns bolos que levam farinha de trigo e de milho em proporções que desconheço, ovos, leite, manteiga, açúcar e erva doce, o que lhes dá um sabor muito especial. O nome de escaldadas vem do facto de esta mistura ser escaldada com água a ferver com a erva doce, há quem lhes junte também algumas sementes desta planta.
Erva doce ou funcho, é uma planta cuja semente é utilizada com fins medicinais no combate à má digestão, aos gases, dores de barriga, inchaços, resfriados e também na confecção de confeitos e no fabrico de licores.

sábado, 28 de outubro de 2017


Sou a Clara, mulher madura,
Ai, vivo alegre e contente,
Tentando espalhar ternura
E sorrisos a toda a gente...

Sou a Clara,  afugento a tristeza
Ai,  ao que tenho dou valor,
Tento apreciar a beleza
A bondade, a amizade e o amor...

Sou a Clara, a saúde valorizo
Ai, o maior bem que posso ter,
Peço sempre a Deus  meu juízo
Para o fim da caminhada  viver...

Sou a Clara, quando a saúde faltar
Ai, alegria  e sorrisos perderei
Mudarei completamente o meu pensar
Mas, com teu carinho, sempre contarei...

Clara Faria da Rosa
28/10/2017

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Os meus óculos novos:

Encomendei uns óculos novos
Não para ficar mais bonita
Não para ficar toda catita,
Encomendei uns óculos novos
Para pintar o meu país,
E vê-lo assim mais feliz!
Agora com meus óculos novos
Tudo é verde e colorido
Tudo é fresco e bem bonito...
Adoro estes óculos novos
Que escondem a tragédia
A miséria e a desgraça
A maldade e a vingança... 
Quando ponho meus óculos novos
Não vejo fumo nem fogo,
Nem bombeiros em sufoco,
Nem mortos, nem desalojados, 
Nem rostos desalentados...
Ai estes meus óculos novos
Que me permitem sonhar,
Que me permitem pensar,
Que o meu país não sofreu,
Que o meu país não ardeu!!!

Clara Faria da Rosa
17/10/2017


Dia Mundial da luta Contra a Pobreza:
Diz-se que há fome no Mundo,
Diz-se que no Mundo há pobreza,
E que há homens imundos
Sem carácter, sem nobreza...
A corrupção e falsidade,
A fraude e opressão,
A ganância e a maldade
Fazem com que falte o pão.
Falta o pão ao mendigo,
A escola à criança,
A casa ao sem abrigo
E falta também a poupança!
Há os que sabem poupar,
Outros que enchem a pança,
Outros é um tal estragar...
E a maioria sem esperança!
Os homens têm o dever
De a vida gerir com regra
P'ra com dignidade se viver
Sem pobreza, fome ou guerra...
Este dia lembra a fome e a pobreza
E o dever que temos todos
De com vontade e firmeza
Sermos conscientes, modestos e parcos!
Clara Faria da Rosa

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Heróis de Portugal ( de ontem e de hoje )

Portugal está de luto, todos estamos de luto e, de tal forma  tristes e desanimados,  que nem sabemos bem o que dizer perante esta catástrofe que  assolou, mais uma vez, o nosso país, varrendo e destruído tudo à sua frente. O inimigo chegou e  sem pedir licença, causou mortes e tragédias difíceis de esquecer e de ultrapassar. 
Perante esta triste evidência,lembrei-me que em tempo não muito distante, visitei o Museu dos Coches em Belém, onde está patente um interessante espólio usado pelos bombeiros em tempos idos. Ao deparar-me com tais alfaias não pude deixar de pensar que ou não havia fogos à altura,ou não havia florestas, ou ardia tudo, ou então os bombeiros nossos avós, eram ainda mais corajosos, mais abnegados, mais heróis do que os actuais soldados da paz, coisa que considero impossível, face ao trabalho que têm vindo a desenvolver perante o qual, na minha insignificância, me curvo e lanço um grito aos ventos, na esperança de que o mesmo chegue até eles:
- Bravo, bravo, bem hajam e obrigada pelo que têm feito pelos outros, e pelo nosso país em geral !!!
Abaixo, um pequeno apontamento, do espólio, patente ao público,no Museu dos Coches em Belém.








No dia mundial do pão

Pela televisão, fiquei sabendo que se comemora hoje dia 16, o Dia Mundial do Pão; Curiosamente, nem sabia da existência desta efeméride, mas afinal , nada é  mais justo, pois o pão é a base da alimentação de muita gente e, tanto é verdade e tão grande a sua importância, que quando rezamos a oração do pai nosso pedimos  a  Deus: " o pão nosso de cada dia nos dai hoje"
Por coincidência,comprei hoje , um  pão de milho, a chamada broa, ainda quentinho, e que prevejo delicioso!

Naturalmente, não encontraria maneira melhor de celebrar este dia,  dedicado ao pão, do que  a saborear uma boa fatia do mesmo, com chicharros fritos, pensava eu, enquanto  em simultâneo ouvia algumas crianças que ao serem questionadas, por um programa de televisão, sobre a origem do pão dizerem que o mesmo vinha do Pingo Doce, do padeiro, da pastelaria etc. Claro que falavam das suas vivências, do que vêem, do que é a vida actual...
Então, divagando, o meu pensamento leva-me à minha infância, vejo o meu pai a semear o trigo e o milho,vejo estes cereais crescerem, o dia de ceifar o trigo e as desfolhadas que se faziam no nosso quintal, ouço o chiar do carro de bois carregadinho de molhos de trigo a caminho da debulhadora,  e vejo  sacos de trigo, como os da foto, empilhados a um canto, donde a minha mãe ia tirando o suficiente, que media nas "rasoiras " cuja foto mostro, para o moleiro levar e transformar em farinha, ficando o sobejante para a sementeira do ano seguinte.Lembro a minha mãe toda empoada peneirando a farinha






para fazer o pão que amassava, de mangas arregaçadas, em alguidares de barro, sobre rodelas de trabalho louco, que fazia aos domingos , sentada no canto do estrado e lembro o cheiro do pão quentinho ao sair do forno, que a minha mãe abafava  com os abafadores, também feitos por ela, para que o pão ficasse muito maciinho, como  dizia .
Então dou por mim a pensar:
- Que infância enriquecedora foi a minha! Como estou grata por ter tido oportunidade de vivenciar tudo isto! Eram  tempos difíceis, se compararmos com as actuais facilidades,  contudo, não podemos esquecer que "sem os rochedos as ondas nunca seriam tão altas"!