quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Procura:

Olho o teclado e procuro:
Procuro o A que escreve amor,
Procuro o A de amizade,
Procuro o grito que exprime a dor,
Ao ver tanta maldade!
Procuro, procuro, procuro...
E apago e corrijo e reescrevo:
A tolerância que afasta a dor,
O L de livro e liberdade,
A flor no seu esplendor,
A paz na nossa cidade!
Onde deverei procurar? 
Quanto terei de esperar?
Para encontrar neste teclado, 
Dento de mim
À minha volta, enfim,
O sorriso que nos aquece,
A mão que se estende,
O ódio que se esquece,
E o erro que se entende...
Procuro, apago, corrijo e reescrevo!

Clara Faria da Rosa
17/08/2017

domingo, 13 de agosto de 2017

No dia dos meus anos:

Ontem, dia dos meus anos...
Não tive bolo nem festa,
Não tive flores nem palmas,
Nem houve música nem orquestra,
Nem presentes nem vivas...
Mas ontem, dia dos meus anos...
Sentia uma  grande alegria
E uma imensa gratidão
Por viver esta harmonia
E apeteceu-me a todos dizer: 
Estou viva, tenho liberdade...
Para escolher,  falar e sentir,
Para a maldade repudiar,
Para andar, pensar e sorrir.
Tenho de esta dádiva apreciar.
E também no dia dos meus anos...
Apetecia-me gritar a toda a gente:
-Vive em plenitude cada dia,
Mostra-te alegre e contente,
E desperdiça gentileza e alegria.
Porque no dia dos meus anos...
Percebi e concluí, de verdade
Que não interessa o que já passou 
Mas o que temos pela frente
Que pode ser muito ou pouco
Mas é o que nos pertence! 

12/08/2017
Clara Faria da Rosa

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

O minuto que durou uma vida!


Hoje tenho-me lembrado muito, e já te explico porquê, de uma história que se passou há muitos anos numa classe que eu leccionava na Ladeira Grande, freguesia da Ribeirinha.
-Era uma criança linda, de olhos vivos e sorriso contagioso e doce mas, como todas as crianças e conforme a idade obrigava, era muito irrequieta. Eu, embora percebesse o que se passava com ela,  mas preocupada com a aprendizagem da classe e com o rendimento que deveria apresentar no fim do ano lectivo, irreflectidamente zangada digo:
Isto não pode ser, vais ficar 1 minuto  quieto e sem falar e eu vou estar atenta aos ponteiros do relógio e quando passar o minuto digo!
Lá ficou ele, muito sério, à espera que o tempo passasse até que, não aguentando, mais pergunta:
-Já passou o minuto?
-Não ainda falta um pouco - digo eu.
Ao que aquela criança, na sua inocência, olha para mim, de olhos muito abertos e espantada diz:
-Um minuto leva um tempão a passar, é mais do que um dia!
Fiquei desarmada, com imensa vontade de rir, sentindo uma imensa ternura, por aquele palmo de gente, para o qual o tempo custava imenso a passar. 
Pois eu hoje, dia do meu 69º aniversário, olho para trás e penso que tudo  se passou num minuto, que tudo não foi mais do que o tempo de um suspiro ou de um ai  e que a minha infância e juventude estão ali ao estender da mão...
Pois é verdade, penso, sessenta e nove anos da minha  vida passaram  num minuto, um minuto vivido com tenacidade e determinação que me ajudaram a ultrapassar temores, limitações, dificuldades, um minuto que me trouxe saúde,alegrias, sonhos, graças e respeito e também tristezas, dissabores e dores mas vivido com naturalidade, tentando sempre fazer-me respeitar , fazer das fraquezas forças , apreciando a caminhada e aceitando os seus obstáculos.
É isso aí! Afinal um minuto ainda deu para fazer muita coisa...  
Vamos a ver os restantes segundos o que me trarão...

Clara Faria da Rosa
12/08/2017 
Dia do meu 69º aniversário

E o teatro acontece...


E o teatro acontece...
Ai nas nossas festas da Praia
Houve uma noite maior,
No ar navegou o amor
Desembarcou o teatro,
E as as ruas foram o palco
De música, criatividade e fantasia...
Ai na Praia de Nemésio,
Desfilaram filarmónicas e charangas
Veludos, sedas e cambraias,
Descontração, alegria e cor
Com muito requinte e sabor...
Ai na Praia da Vitória
Sendo lugar de grande história
Que por duas vezes caiu
E ao absolutismo resistiu
O teatro foi celebrado
E nas ruas representado:
- Expressão corporal,sapateado e musical
Mímica, marionetas e teatro popular
Fantoches e teatro de sombras
Revista à portuguesa com corpo de baile
Para a tristeza foram remédio,
E afastaram muito tédio...
Ai as Torres da nossa Praia,
Do Hospital, Câmara e Matriz
Avistando a cidade até à areia,
Viram o povo muito feliz ...
Porque as gentes da nossa Praia
São pessoas de garra, e querer
E num assomo de saber
Todo o pormenor foi lembrado
E com algum material reciclado
Fizeram do desfile um hino à magia
E a festa deu as mãos à pedagogia!
Agosto de 2017
Clara Faria da Rosa
Nas festas da Praia da Vitória, Terceira - Açores
















terça-feira, 25 de julho de 2017

Sonhos e lembranças...

Minha avó paterna vivia connosco. Era uma velhinha desprovida de carnes, que usava saia comprida e uma casaquinha curta com uma aba em viés ao jeito da anca e com muitos botões que não deixavam ver um pouco de pele, mesmo no pino do Verão, tinha cabelo branco que usava preso num pelo no cocuruto, e nunca saía de casa de cabeça descoberta pois era viúva e naquela altura as viúvas enlutavam-se para o resto da vida. Dizia-se, à boca pequena, que o meu avô tinha morrido de desgosto por ter sido desalojado da sua casa e despojado das suas terras que foram ocupadas pela Base Aérea das Lajes. Mas, adiante, como vivia na nossa casa eu adorava estar com ela, e sorrateiramente, encruzava-me, junto dela, no estrado,coisa que as raparigas de hoje não sabem fazer, enquanto fiava e dobava  as meadas neste interessante aparelho giratório que me fazia sonhar com contos de fadas, tão imaginativos e interessantes como as histórias que ela me contava.
É que os nossos avós enchem-nos de sonhos enquanto somos crianças e de belas e doces lembranças quando somos adultos.
E a dobadoira girava e eu sonhava, sonhava,sonhava... Sonhos que realizei e outros que ainda estão por realizar, quem sabe um dia, quando eu viajar para além da estratosfera  ?!!!


domingo, 23 de julho de 2017

Homens das Lajes!


Numa velha caixa de fotografias, na casa dos meus falecidos pais, encontrei esta relíquia da filarmónica  da Sociedade Progresso Lajense tirada,  penso que em  1973 do século passado, embora não tenha a certeza, alguém fará o favor de corrigir ou confirmar, tendo como pano de fundo, parece-me, a casa do Sr. João João Cardoso e da Srª Vielmina, na Aldeia Nova. Ainda me afirmei bastante para confirmar se ela estava à janela  a apreciar este reboliço, mas não, agora está a ver-nos noutro lugar, espero que em paz!
Pois esta genuína  fotografia teve o condão de me pôr a pensar no grupo de homens valentes, entre os quais esteve o meu pai que em 1947, abnegadamente trabalharam para pôr de pé uma obra de cariz cultural e físico que tem marcado presença até hoje.
Quase todas as freguesias açorianas têm a sua filarmónica, que são o espelho da sua cultura, pois a Vila das Lajes possui duas filarmónicas  a Recreio Lajense fundada em 1931 conhecida por Sociedade Velha em oposição à Sociedade Progresso Lajense - a  Sociedade Nova.
Quando eu era criança ouvia falar muito do afastamento e mau relacionamento entre os sócios e famílias das duas sociedades culturais, o que felizmente foi ultrapassado, e os sócios de uma colectividade não frequentavam a outra, conheci até, bem de perto,  um pai que se zangou com o filho por este  namorar uma rapariga cujos familiares eram da outra, como se dizia... Outras gentes, outros tempos!
O que interessa é que as tradições se mantenham e que os jovens continuem a  juntar-se com os mais velhos   e "bebam" dos seus ensinamentos e do seu exemplo.
 E viva a Vila das Lajes e as suas Sociedades Recreativas!  




sábado, 22 de julho de 2017

Gente simpática e gentil.

Fui à farmácia, comprar medicamentos, já se sabe, que é o lugar onde eles se vendem, uma farmácia que tem como norma fazer descontos aos clientes com mais de sessenta anos. Sou lestamente aviada após o que a funcionária com um ar simpático e gentil me pergunta:
-Dª Clara, já tem mais de sessenta anos - perguntou de sorriso rasgado? E rimos as duas numa cumplicidade despretensiosa. 
Claro que ela sabe que já ultrapassei há muito essa etapa, e eu sei que ela sabe e, também é claro, que isso não me preocupa, tendo eu saúde! Contudo, fiquei feliz por perceber que aquela funcionária tinha a intenção de me agradar e de me fazer, por uns instantes, esquecer que os melhores anos já lá vão...
Resultou! 


sexta-feira, 21 de julho de 2017

Meu filho, meu amigo!

No dia do amigo:

Meu filho, meu amigo,
Meu sonho, meu tesouro,
Para mim és prata e ouro,
Meu presente e meu futuro...
Conto sempre contigo
Para  teus erros admitires
E para a verdade seguires.
Amo-te pelo que és
E pelo que virás a ser
Um amor de lés-a-lés
Sem fronteiras, podes crer,
Conto sempre contigo
Para na vida seguires
De forma paciente e racional
Que prefiras o amor ao mal
E saibas ser indulgente
Com os amigos e toda a gente...
Meu filho, meu amigo
Conta sempre comigo
Que conto sempre contigo
Meu  calmo porto de abrigo!


Clara Faria da Rosa
20/07/2017
DIA DO AMIGO

domingo, 16 de julho de 2017

Para a Virgínia.

 Da Terceira emigraste
Criança de tenra idade,
Mas no meu coração ficaste
Que te lembra com saudade
**********
Nesta ilha dos Açores
Nasceste, correste, brincaste,
Por cá bebeste valores
Que nunca mais esqueceste!
**********
Nesta ilha dos Açores
Deixaste tuas raízes.
Lembranças a preto e a cores
De muitos momentos felizes...
***********
Desta ilha dos Açores
Aqui vai o nosso abraço
Com um braçado de flores
Para guardares no regaço.
***********
Desta ilha dos amores
Os parabéns te mandamos
Para jamais esqueceres
Que muito, muito te amamos!
***********
Um beijinho de: Clara, Ivo e Carlos Francisco;

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Momentos de magia:


Não sendo velhas nem novas
Não sendo bonitas nem feias,
Somos um grupo de mulheres
Qual bouquet de malmequeres...
Cada flor tem seu odor
Cada flor tem sua cor,
Nos tivemos um passado
Que neste dia foi lembrado...
Foi um momento de magia
De pura e simples alegria,
Que estas lajenses viveram
E sua juventude lembraram...
Que venham mais momentos assim
que venham muitos anos pela frente...
Para podermos nossas taças erguer
E alegremente à alegria brindar
E este momento mágico lembrar!

Clara Faria da Rosa,
Julho de 2017

Na Coroação das Sanjoaninas 2017






Na coroação participámos
E o Divino Louvámos
Que sempre seja lembrado
Que sempre seja louvado,
A nossa fé celebrámos
E o Espírito Santo adorámos
Que seja sempre celebrado 
Que seja sempre adorado,
Por este povo da Terceira 
Que reza à sua maneira 
Que sabe sempre enaltecer
Que sabe sempre agradecer ... 
E enquanto a coroa transportava
Meu coração recolhido implorava:
-Divino Espírito Santo 
Alva pomba de encanto 
Espalha tuas bênçãos e graças
Sobre nossas famílias e casas,
Divino Espírito Santo
Que da Trindade és o encanto
Não esqueças os Açores
Com suas alegrias e dores
Não esqueças Portugal
Livrai-nos a todos do mal
Nãp te esqueças de ninguém
Do velho, do novo e do jovem
Agora e para sempre ámen!

Clara Faria da Rosa
Julho de 2017



sexta-feira, 23 de junho de 2017

Baile de roda:

As Sanjoaninas da Terceira
Ai, são um baile de roda,
Em que todos em fileira
Ai, dançam  a mesma moda.
Nas Sanjoaninas da Terceira
Ai, tudo  de mão dada dança, 
E Angra é um palco de primeira
Ai, onde impera a esperança.
As sanjoaninas da Terceira
Ai, são música, canto e alegria, 
E é assim desta maneira
Ai, que se vive a fantasia.
Ai, eu quero ouvir as vozes da Terceira,
Ai, eu quero ouvir os sons da Terceira,
Ai, eu quero viver na Terceira,
Ai, eu quero morrer na Terceira,
Ai, eu Tenho Esperança 
De que a fantasia,
Ai, não acabará na Terceira!
De que a fantasia, 
Ai, viverá nas Sanjoaninas!

Clara Faria da Rosa





















Sanjoaninas 2009/ 2017 - Cortejo de abertura





































Ao assistir, ao  lindíssimo desfile de abertura das Sanjoaninas 2017,  embora pela televisão, o que me permitiu ter uma ideia mais precisa do que o evento queria transmitir, graças aos oportunos e esclarecedores comentários que se iam desenrolando, o meu pensamento assim como o meu coração  recuaram  a oito anos atrás em que eu escrevia o seguinte:
"E lá ia, o nosso filho, o nosso principezinho, como eu o chamava em criança, já um homem, mas para os pais sempre um menino, precedido de um bailado simbolizando o dia e a noite, no meio de muita luz e de muita cor, muita música e também de muitos olhares...
Como foi possível, nós que sempre o protegemos tanto, e eu como mãe galinha que por vezes me apetecia estender as minhas asas para o defender de todos os males, embora ele reagisse, e ainda bem, a essa tendência protectora que todos os pais e sobretudo as mães sentem e compreendem certamente, como foi possível , pensava eu, que ele se dispusesse, sem necessidade, a não ser o dever que todos nós temos de exercer o nosso papel de cidadania na comunidade em que estamos inseridos, a expor-se assim, a tanta pressão, a tantos olhares, a tantas criticas!
Bem, mas estes foram pensamentos filosóficos de ocasião, de uma mãe preocupada com as opiniões dos outros, o que interessava, na verdade, é que o meu filho se divertisse, se sentisse bem e enriquecesse, dentro das suas possibilidades, o nosso cortejo, as nossas Sanjoaninas, a nossa cidade de Angra, a nossa ilhaE foi isso que aconteceu!", tal como sucedeu este ano, todos contribuíram para o engrandecimento da nossa cidade pondo em prática um tema riquíssimo que fará certamente com que todos os que presenciaram este cortejo se sintam mais orgulhosos  do nosso rico passado histórico. A todos , criativos, executantes  e participantes um grande bem hajam e parabéns à nossa cidade por tal gente possuir...  

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Véspera de Santo António

Amanhã é dia de Santo António, e hoje celebraram-se , com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa Os casamentos de Santo António.
Nascido a 15 de Agosto de 1195 , diz-se protector dos pobres, auxiliar das coisas e pessoas perdidas e amigo nas causas do coração , sendo por isso que se celebram os casamentos em sua honra.
Nascido numa família abastada, foi baptizado com o nome de Francisco, mudando de nome ao entrar para a ordem Franciscana.
Foi para Marrocos onde adoeceu gravemente tendo sido, por isso, obrigado a regressar a casa, no entanto, uma grande tempestade obrigou-o a aportar em Sicília, na Itália, onde entrou na ordem de Assis tendo conhecido S. Francisco de Assis, seu mestre e inspirador.
Começou a pregar tornando-se num grande e inspirado orador, de tal modo que as suas pregações chegavam a alterar a rotina das cidades onde pregava.
Pregando chegou a Pádua, morrendo no convento de Santa Maria de Arcella às portas dessa cidade, com 36 anos de idade, no dia 13 de Junho, tendo sido mais tarde, transladado para a Basílica de Pádua.
Dedicou-se ao serviço de Deus e dos pobres, pelo que uma das tradições mais antigas, em sua homenagem,consiste na distribuição de pães aos necessitados, em sua homenagem como se  faz, junto à ermida com o seu nome no sopé do Monte Brasil em Angra do Heroísmo, Terceira, Açores.