quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Ladainha à Senhora da Conceição

Doce senhora minha
Que de Portugal és rainha,
Dirige teu olhar profundo
Para este pobre mundo!

Senhora da Conceição
Estende tua nobre mão,
Aos pobres e desamparados
Aos tristes e isolados!

Mãe de toda a humanidade
Incute em nós a humildade,
Faz que o amor nunca morra
E que haja paz sobre a terra!

Tu és a Virgem das virgens
A senhora das origens,
Traz aos povos a bondade
Afasta de todos a maldade! 

Hoje é teu dia Senhora
Todos pelo mundo fora
Hosanas nas alturas clamam
E perante ti se curvam!

Desta terra és padroeira 
Faz dela grande clareira,
Onde em cada lar haja calor 
E em cada coração muito amor!

É com  afecto profundo, Senhora
Neste dia especial, e nesta hora,
Que vimos à tua presença, celestial
Para rogar: - Salvai Portugal!

Clara Faria da Rosa,8/12/2016




terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Os meus meninos de biscuit:





São lindos estes  meninos
Que a minha casa alegram,
Muito bem comportados
Um nascimento anunciam...
Batem palmas,cantam, dançam,
Muito alegres e rosados,
Os nossos olhos encantam,
Meus meninos  abençoados... 
Os seus instrumentos tocam,
Porque é tempo de alegria,
Porque é tempo de ternura,
E porque a beleza é magia
Que afasta a amargura...
São um primor estes meninos,
Que cantam, dançam e tocam,
Hinos de glória e louvor
Ao  Deus-Menino redentor...
- Ai meus ricos meninos
Nunca deixem de encantar,
Nunca deixem de anunciar,
Que há sempre  um resplendor,
Bem podemos acreditar,
Que ilumina cada interior!

Clara Faria da Rosa,
Natal de 2016 









segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Pela boca morre o peixe:

Este provérbio, tão bem conhecido de todos nós, tem a ver com bocas, sim bocas, grandes ou pequenas, bonitas ou feias, novas velhas ou nem tanto assim, e reporta-nos a situações de pesca profissional, desportiva, ou artesanal em que o pescador coloca o isco no anzol para atrair o peixe que  atraído pela cor, cheiro, ou pelo instinto de sobrevivência, abre a boca e zás é logo fisgado e era uma vez um peixe, isto  lembra-nos que do mesmo modo que o peixe abriu a boca e comeu o que não devia também nós muitas vezes abrimos demasiado a boca, dizemos o que não devíamos e depois pronto, as palavras são como o vento e não voltam atrás...
Pois eu, à semelhança dos peixes, quando era nova, abria demasiado a boca e criticava as senhoras que gostavam de se enfeitar demasiado com colares, brincos e outros adereços ao gosto da época.
- Parecem árvores de natal - dizia.
- É porque gostam - respondia a minha mãe.
Bem, o tempo foi passando, o meu gosto mudando, e vá de usar tudo o que tenho, para não morrer sem usar as minhas coisas, justifico-me. A situação chegou a tal ponto que, actualmente no Natal, gosto de usar na lapela do casaco um apontamento natalício como que a dar as boas - festas a quem encontro, até uma pequena árvore de natal, Imagina!
Agora já não critico, calo-me muito bem caladinha, porque me lembro sempre deste provérbio e de outro relacionado com o assunto em questão: 
- até velho se aprende!
E eu aprendi que é bom manter a boca fechada ou falar com moderação mas  também que, na nossa caminhada pela vida fora deixamos pegadas  de vários tipos, algumas são quase invisíveis, outras  nas quais nem reparamos, mas que constituem o sentido da nossa vida , e uma das características da minha vida, da minha caminhada, do meu ser, é esta fantasia que foi desabrochando no meu interior e que parece que se alonga, que se alastra, que se desdobra com a idade.  
Aqui vão os meus natalinos ou natalícios  "broches" francesismo que eu prefiro substituir por pregadeira ou alfinete de peito, expressões bem portuguesas  que ficam bem ao peito de qualquer mulher, em Jeito de votos de um bom advento!




















































sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Um dia diferente:

O lume  crepita no forno e a alcatra espera a sua hora: 



Hoje resolvi fazer  alcatras, claro que não comemos tudo agora , congelo e quando chegar à altura é só descongelar e aquecer no forno ou na chama do fogão, quando ela borbulhar um agradabilíssimo cheirinho pairará no ar e toda a gente adivinhará qual a ementa .
Em certos dias de festa faço sempre comida tradicional, como a minha mãe fazia: sopa, cozido, alcatra acompanhada com massa sovada e arroz doce.
Tudo isto regado com vinho de cheiro da casa. Normalmente sirvo uma angelica caseira como aperitivo.
Gosto muito deste dia e uso as toalhas, louças, copos , jarros e talheres que eram da casa dos meus pais.
Mas vamos lá falar da alcatra que é o prato característico por excelência da ilha Terceira que nos faz voltar ao tempo da passagem das naus portuguesas nos Açores, vindas da Índia e das Américas, no tempo dos descobrimentos, pois utiliza  especiarias tornando-o num prato delicioso e muito aromático.
A palavra alcatra vem do árabe AL-KATRA que significa parte ou pedaço e designa a parte do animal onde acaba o lombo, é uma das melhores partes do animal, há quem defenda que este prato tem como antepassado a chanfana trazida pelos povoadores que para cá vieram das beiras e que depois foi sofrendo alterações e adquiriu um sabor muito característico devido ao recipiente onde é cozinhado, o alguidar de barro, que para mim, quanto mais usado melhor.  As melhores alcatras são cozinhadas no forno a lenha, como faziam as nossas avós e mães, pois não havia casa que se prezasse sem forno para cozer o pão, assar batatas doces, mogangos, alcatras da carne, de feijão, de peixe etc.
Neste momento estou a sentir o sabor do bolo-de-pé-de-torresmo que era feito com massa de pão e com o apuro dos torresmos que eram guardados em boiões de louça grosseira. Uma delícia, só provando, mas infelizmente o tempo não volta para trás, só na canção...
Mas vamos lá à dita alcatra:
À volta da ilha as receitas variam em alguns procedimentos, variando também em algumas especiarias, mas o básico mantém-se, não havendo casa que não tenha o seu alguidar de alcatra!
Quanto a mim faço como a minha mãe fazia e não me tenho dado mal...

Cá estão os alguidares à espera de serem utilizados e a carne a marinar em vinho de cheiro e sal, há quem use vinho branco mas eu uso o nosso vinho de cheiro, costumo pôr uma mão cheia de sal para cada alcatra e gosto de deixar a carne algumas horas neste preparo para ir embebendo o vinho e tomar o sabor do sal.
Há quem ponha uma parte de água mas eu não ponho porque gosto de pôr um pouco de água quando a aqueço.
Gosto de limpar bem a carne para não ficar gorduroso e uso normalmente carne de alcatra, cachaço, chambão com osso... Aqui na Terceira se for ao talho diz que quer carne para uma alcatra e o talhante serve tudo à maneira.

Agora a preparação dos ingredientes: alho picado, cebola picada, Bacon aos cubos, pimenta da Jamaica em grão e louro.
Barro o alguidar com manteiga e no fundo coloco a pele do bacon, louro, uns grãos de pimenta,depois uma camada de cebola, alho , bacon, uns grãos de pimenta sobre o que ponho uma camada de carne 
, volto a pôr cebola alho Bacon e pimenta e cubro com a restante carne, no fim coloco sobre a carne o vinho com o sal, onde esteve a carne tentando que este se introduza pelos orifícios até ao interior, agora uso o resto da cebola do alho,Bacon, pimenta, louro e uns cubinhos de manteiga.




Cubro com papel metalizado e faço uns buracos com um garfo para a carne cozer melhor. Leva uma três a quatro horas no forno 
muito quente e bem fechado.
Aproveitei e já que tinha o forno quente assei carne e batatas doces.
No forno crepita o fogo até este estar bem quente e cá estão as ditas perfilhadas  à espera de entrarem no forno 















Leva uma três a quatro horas no forno muito  quente e bem fechado.
Quanto ao cheiro e sabor, é melhor não falar, só provando