domingo, 2 de outubro de 2016

 Dia da Procissão 

na Vila das Lajes/Terceira

Nas Lajes eu nasci,
Nas Lajes me fiz mulher,
Nas lajes alegre vivi,
Até meu caminho escolher.


Sou lajense, com orgulho,
Nas Lajes encontro raízes,
Se na saudade mergulho,
Lembro tempos bem felizes!

Lembro carinho e amizade,
Abnegação e tolerância
E com abertura e verdade
Sinto o tempo sem distância.


Lembro o sino a repicar,
Na torre alta de igreja,
A novos e velhos chamar,
Assim o céu me proteja!


Lembro a linda procissão
E os homens com lanternas
E à frente o grande pendão,
Ai que saudades, eternas...


E dos Andores enfeitados,
Muito bonitos, um primor!
Pelos homens transportados,
com respeito e muito amor.


E do arcanjo S. Miguel
Levando sua balança,
E de S.Gabriel e Rafael
Que  transmitiam esperança.


Da Senhora do Rosário 
Com seu menino nos braços,
E depois lá vinha o pálio
E nós todos de joelhos!


Nas alas mulheres lindas...
Vestidas muito a rigor,
E um grupo de meninas 
Logo a seguir ao andor.


Stª Teresinha sorria
E nas mãos flores levava
Muito alegre parecia
E a todos abençoava.


Ai que saudades eu tenho,
Ai não escondo nem minto,
Faltam-me jeito e engenho
P´ra transmitir o que sinto!

Clara Faria da Rosa

sábado, 1 de outubro de 2016

Faz Hoje um mês...


À Margarida e José Humberto Sousa:

Nas suas bodas de prata
O casal muito dançou,
Nas suas bodas de prata
O casal muito rodopiou,
Porque era dia de louvor
À vida, à amizade e ao amor!
Naquelas bodas de prata 
Toda a gente estava grata
Porque a felicidade abundava,
E porque o casal abraçado 
Sereno, o futuro esperava,
E grato o passado guardava!
E naquele dia especial,
Naquele dia sem igual...
O casal sonhava,
O casal dançava,
E imaginava, 
E desejava,
Que a terra fosse sua,
Que seu leito fosse a lua,
E que nos braços do seu par
Eternamente iam ficar!

Clara Faria da Rosa



Um ponto a seguir do outro...









Faz hoje um mês, o casal Cecília e João Couto celebraram as suas bodas de ouro, em simultâneo com a sua filha Margarida e o genro José Humberto Sousa que festejaram as suas bodas de prata. Depois da missa de acção de graças na igreja da sé seguiu-se uma recepção  aos familiares e amigos.
No pátio empedrado de uma casa solarenga, onde funciona o clube de ténis de Angra do Heroísmo, de cujas varandas pendiam lindas e alvas colchas de crochet, a minha amiga Cecília numa atitude muito pedagógica, como não podia deixar de ser, atendendo à sua longa carreira de professora e educadora, quis dar testemunho da experiência dos seus cinquenta anos de casada e fê-lo, ladeada pelo seu marido, e acompanhada pelos seus filhos, comparando a vida às ditas colchas de crochet que se foram executando ponto por ponto e que quando um ponto caía havia que levantá-lo para que tudo saísse na perfeição; e foi assim a vida deste casal ao longo destes cinquenta anos " Crochetada" um dia de cada vez, levantando-se corajosamente, quando alguma coisa corria mal, alegrando-se com os sucessos, e deste modo, ponto a ponto, foram passando os anos, construindo uma família maravilhosa, e granjeando muitas e verdadeiras  amizades.
Um bravo  e um aplauso muito grandes, e um obrigada pelas palavras e pelo exemplo, que estou certa, muitos dos presentes prometeram, lá bem no íntimo, seguir porque compreenderam que o casamento não é  o meio de homens e mulheres se abrigarem das tempestades da vida, antes porém, é a oportunidade de enfrentarem essas tempestades juntos , com esperança e serenidade!
   

Ser idoso:

Celebra-se hoje o dia internacional do idoso.
Mas afina,l quando é que se considera um ser humano um idoso?
Acho que, quando chega aquela etapa da vida em que a pessoa se sente trôpega, vacilante, se segura aos móveis, em parentes e amigos e lhe oferecem como presente de aniversário uma bengala, entrou naquela idade geriátrica em que nos hospitais se aconselha a ter paciência, a adaptar-se, a aceitar, a conformar porque afinal ter muitos anos é bom, é sinal que se sobreviveu...
É verdade que existem pessoas entre os setenta e os cem anos que conseguem viver eficientemente e sozinhas e funcionam sem esforço mas isso são raras excepções.
Fala-se em sabedoria adquirida, em serenidade, diz-se que ter sobrevivido é uma bênção mas o que os anos acarretam geralmente não é aquela tranquila doçura enquanto se percorre o caminho do crepúsculo, que muitos livros, que falam do assunto, anunciam .
As deficiências, as dores, a dependência dos outros, a diminuição da mobilidade, da visão , da audição são condições e características desta etapa da vida que preocupam os que dela se aproximam .
Creio que apesar disto, há sempre um raio de luz interior que faz a pessoa sentir-se jovem, aquele jovem que nunca cresce !
A esse raio chamaria saudade, realização pessoal, doação, experiência vivida enfim...VIDA.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A senhora fina e a sua cheleira:

Entrando o Outono, embora muito suave, senti logo vontade de fazer um chá. Sim, porque todos os que me conhecem sabem que sou muito chazeira... adoro chá, chá verde, chá preto, de ervas, de frutos e ou destas infusões modernas tão aromáticas e saborosas de que há inúmeras variedades. Gosto daquele ritual de pegar no  bojudo bule cuidadosamente, de o acariciar, aquecendo as mãos, e de verter aquele líquido fumegante e dourado na chávena. Às vezes até penso que terei sido, noutra encarnação, inglesa visto ser conhecida a tradição que este povo tem de quando os ponteiros ingleses marcam as 17 horas, fazerem uma pausa  no trabalho, para apreciarem uma chávena de chá com bolinhos, tradição esta que vem do longínquo séc. XVII mas que ganhou mais habituação no séc.XIX por causa da duquesa de Bedford, Anna Maria Russel que sentia sempre umas " agasturas no estômago", como diria o meu pai, entre o almoço e o jantar, e vá daí de tomar um chá com qualquer coisinha que confortasse o estômago! E como eu a compreendo...
Por analogia, também gosto muito de bules e de serviços de chá e também de chaleiras, vasos metálicos onde se ferve água para o chá, que não vêm à mesa, mas que têm muita e relevante importância nesta função. A propósito, quero-te contar uma história da minha meninice em que conheci uma senhora tão fina, mas mesmo tão fina e elegante, e de certa classe social, que sempre que ia fazer chá dizia:
 - Vou pôr a Cheleira ao lume para fazer chá!  Então eu muito atenta e "bispeta", olhava para a minha mãe, abria a boca para corrigir mas a minha mãe arregalava-me os olhos e baixinho dizia-me:
- Cala-te que é uma senhora muito fina, ela lá sabe o que diz!
O que prova que muitas vezes as aparências são isso mesmo aparências, o que interessa é o que vai dentro da pessoa.
E agora, se me permites vou pôr água na chaleira para fazer chá porque sou muito chazeira  e depois tomá-lo-ei numa bela e quente chávena!










quarta-feira, 28 de setembro de 2016

29 de Setembro, dia dos Arcanjos:







Porque não vou à procissão da  Vila das Lajes ...
A igreja católica venera a 29 de Setembro os três arcanjos: São Miguel, São Rafael e São Gabriel. A igreja cultiva esta devoção considerando estes arcanjos protectores e intercessores que, acredita, vêm do Céu em nosso socorro.
Anjo significa mensageiro mas arcanjo é o anjo principal.
 A respeito desta efeméride lembrei-me, que no local onde nasci, que então era freguesia e agora é a vila das Lajes, na ilha Terceira, Açores, no domingo a seguir a este dia, se venera o arcanjo São Miguel que é o orago da Vila.
Quando eu  era criança não sabia que os arcanjos ocupam um lugar cimeiro em relação aos anjos na corte celestial,o que agora me orgulha muito, por ter convivido na minha infância com um anjo principal....contudo,  admirava esta imagem pela sua postura, pois ele equilibra-se continuamente só num pé, o que para uma criança é um feito notável, diga-se de passagem, e policromia muito suave e quando ia à igreja nunca a olhava directamente nos olhos  pois tinha medo que ele lesse o meu olhar e se apercebesse das minhas faltas e as pesasse na balança que segurava continuamente com o indicador e o polegar da mão esquerda, fazendo a balança oscilar perigosamente, pois eu na minha inocência infantil pensava ser uma grande pecadora...
São Miguel Arcanjo, segundo a bíblia é um dos sete espíritos assistentes ao trono do altíssimo, um dos grandes príncipes do Céu e ministro de Deus.
É por isto que domingo próximo, é dia de procissão de São Miguel Arcanjo na vila das Lajes e a sua imagem vai em andor percorrer a artéria principal da vila a abençoar os seus habitantes e forasteiros que nesse dia tradicionalmente a visitam. Então, estou em crer, que a balança vai-se inclinar pesando as faltas dos lajenses e visitantes e eu não vou, porque tenho medo, que o arcanjo ao dar por mim, pese os meus pecados, e a balança não aguente, caia com grande estrondo e todos ficarão sabendo que sou grande pecadora !
Esta é a imagem de São Miguel arcanjo da igreja da minha terra natal que costuma estar no altar- mor mas a fotografia foi tirada no dia anterior à procissão e ele foi apeado do seu lugar para ser colocado no andor e decorado a rigor, no que os lajenses são exímios!

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Outono...

Ouves?
A folha caiu
Grávida de luz e de sol,
Com saudade lá partiu
Dourando o chão com lençol.
Ouves?
O vento apressado sopra,
Querendo ser o primeiro,
Diligente mensageiro,
Dos bons tempos de outrora.
Sentes?
O frio já arrepia,
Anunciando noites longas
De aconchego e alegria,
Encantadoras,
Mágicas, 
Calmas!

Clara Faria da Rosa


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

No Dia Internacional da Paz

A Paz é luz que aquece,
Ilumina, e engrandece...
A Paz é luz que nos guia,
Na caminhada dia-a dia.

A Paz faz-se na estrada,
Faz-se do tudo e do nada...
A Paz faz-se à  volta da mesa,
Na rua, na escola e em casa.

A  Paz faz-se na esperança,
No perdão, na tolerância,
E também na temperança.

A Paz não é arrogância,
É flor, é simples criança,
E amor em abundância!

Clara Faria da Rosa
21/09/2016
(Dia Internacional da Paz)

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Esquerdinos e destros e a tesoura da minha mãe




Calcula-se que 10 a 12% da população mundial seja esquerdina, os ditos em linguagem corrente, canhotos, ou seja os que têm mais habilidade na mão esquerda e nos membros do lado esquerdo e sofrem para se encaixar num mundo maioritariamente de destros, isto é dos que utilizam preferencialmente a mão direita.
Embora este seja um assunto que tem exigido aos especialistas muitos e aprofundados estudos, o que se refere logo à partida, é que se trata de uma predisposição genética que ao longo dos tempos causou muito sofrimento aos que a tinham, chegando-se ao ponto de punir as crianças por usarem a mão esquerda . Sabe-se que os esquerdinos têm mais tendência para a genialidade, bastando para o confirmar citar alguns esquerdinos famosos como:
-Einstein (Cientista)
-Angelina Jolie (Actriz)
-Napoleão Bonaparte (Imperador de França)
-I Newton (Cientista)
-Bill Gates ( fundador da Microsoft)  e muitos mais...
Tem cabimento citar aqui os ambidextros , aqueles que têm capacidade de utilizar igualmente as duas mãos de forma normal e com a mesma habilidade, embora eu pense que essa característica tenha a ver com questões de educação e ou foram forçadas a contrariar a sua tendência natural tornando-se versáteis em ambas as mãos.
A minha mãe era esquerdina numa época em que isso era considerado um defeito grande e grave e não havia as respostas  e os utensílios criados a pensar nessa diferença, sendo costureira de profissão, toda a vida cortou tecido com a mão esquerda, com uma tesoura fabricada para os destros, mas ela nunca desistiu, insistiu e acomodou-se de tal forma que ganhou uma calosidade no polegar esquerdo, que a acompanhou até à morte.
Guardo essa tesoura religiosamente sentindo que  merecia estar num cofre ou numa vitrine pelo que representa para mim pois foi, em parte, graças a ela que  tive possibilidade de me deslocar para a cidade e frequentar o ensino secundário e o magistério primário e também ganhar a faculdade e a capacidade de comunicar contigo de forma simples, acessível e compreensiva!
Foi  por isso que a emoldurei, e coloquei num local estratégico, para me lembrar que, quando queremos muito uma coisa, não há obstáculos que nos consigam derrubar!


sábado, 3 de setembro de 2016





Chapéus há muitos...
A propósito do meu trabalho anterior, em que falo do chapéu de Ana Zamperini, lembrei-me de uma frase, imortalizada pelo actor Vasco Santana no filme "A Canção de Lisboa", uma película a preto e branco com a duração de 1h e 58m, filme filmado em 1933 tendo sido a 1ª produção sonora integralmente realizada com meios técnicos portugueses.
Numa cena filmada no jardim Zoológico de Lisboa, Vasco Santana proferiu a célebre frase: "Chapéus há muitos, seu palerma!".
Pois é verdade, chapéus há muitos, de vários modelos, de diferentes materiais e para várias finalidades, para proteger do frio ou do calor, para decoração ou para embelezar e complementar uma toalete ou toilette ( Forma também aceite , que vem do francês, não confundir com o s. m. - o toalete( banheiro). Estes, os ditos chapéus, podem ser usados de várias maneiras com mais ou menos galantaria, enterrados na cabeça, para a frente, para trás ou sobre a orelha direita, à semelhança do que fazia Ana Zamperini, contudo o que se vem verificando é que desgraçadamente, cabeças há poucas, como diz o ditado, especialmente em pessoas que ocupam cargos de responsabilidade que mexem com o futuro de muita gente, e a minha já foi melhor do que agora, para mal dos meus pecados...Não sei porquê, a propósito de cabeças, dou por mim a pensar nas muitas cabeças que integram as várias listas, dos vários partidos às eleições regionais, umas novas, outras nem tanto, que se propõem apostar na qualificação, requalificação e desenvolvimento das várias ilhas dos Açores, só não percebo porque isso já não foi feito. pois tiveram todos oportunidades para o fazerem , terá sido falta de chapéus, de cabeças ou de vontade?

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Nas bodas de ouro da Cecília e João Couto


Caros amigos, hoje é um dia especial para vós, dia de celebrar a alegria, o amor e a amizade, conforme diziam no cartão que nos convidava a juntar-mo-nos  a vós nos cinquenta anos da vossa vida em comum,
Às vezes descuidamos as nossas amizades,  e poucas pessoas conservam as amizades antigas, contudo ao sermos colegas de trabalho permitiu-me ganhar a  tua amizade Cecília que muito prezo, muito significou para mim e que quero conservar...
Lembro-me muito do que dizias sobre a felicidade:
- Construir a felicidade dá muito trabalho!!!
Pois vocês conseguiram, construíram uma família linda, viveram ao longo destes cinquenta anos de forma exemplar e digna, ultrapassaram corajosamente e de forma airosa desaires e momentos menos bons e aí estão para nos mostrar que querendo podemos vencer! 
Parabéns e que venham muitos mais anos para mostrarem a todos que a felicidade dá trabalho mas é muito gratificante...

terça-feira, 30 de agosto de 2016


Quando a linha da vida se parte:
É, desde sempre, que me lembro desta caixa, no canto do estrado, na minha casa das Lajes; Era o trabalho leve da minha mãe!
Ao
s Domingos íamos à missa, almoçávamos, a minha mãe levantava a mesa e lavava a louça e, como não se trabalhava ao Domingo, ela sentava-se a fazer um trabalhinho leve, o seu crochet... a minha mãe sempre foi uma mulher determinada que se deu à vida e ao trabalho, não era ociosa nem sequer tinha passatempos, estou em crer que ela nem conhecia esta palavra: Passatempo...
E sempre foi assim, até ao fim, de tal modo que quando faleceu, andava a fazer uma renda para um lençol.
Partimos, mas as coisas ficam, e lá ficou a caixa, abandonada no canto do estrado, como se também tivesse perdido a vida .
Ao abri-la, deparei-me com o trabalho inacabado e pensei como a vida é repleta de imprevistos e como nós nunca consideramos que a meta foi atingida, é muito difícil considerar que a nossa actividade terminou, só se por infortúnio do destino, isso acontecer inesperadamente, como foi o caso.
Num rasgo de saudade e de impotência, perante a dura realidade, emoldurei, como recordação, o trabalho inacabado assim como a farpa com que a minha mãe fazia o seu crochet.
Já lá vão muitos anos, contudo ao olhar para estes objectos lembram-me sempre, naturalmente, a minha mãe e, como é efémera a linha que nos agarra à vida, a qual pode ser quebrada a qualquer momento.
É por isso, para que tenhamos esta realidade sempre presente, que conto esta história de uma mulher que "crochetou" a vida com muita garra e determinação, até que a linha se quebrou!

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Conversa de comadres:







Falares de outrora (Expressões usadas na freguesia da Ribeirinha, ilha Terceira Açores):
Na sequência do que ontem te dei conta acerca do trabalho realizado na escola da Ladeira Grande, os alunos fizeram uma recolha de algumas expressões, as quais empreguei, então, neste texto, tentando imitar e acertar com a realidade não sendo contudo tarefa fácil com o tempo e os meios disponíveis.
Devo dizer que não sendo um trabalho profundo,exaustivo, que necessitava de mais pesquisas, nos divertimos muito, enquanto um aluno ia ao quadro e os colegas davam palpites:
Conversa de Comadres:
-T'esconjuro! Cum Nossa Senhora!
Aqueles professores pintam a manta c'os rapazes!
É de pegar de cabeça! Fui lá só pa dá fé.E poderio de gente que tava lá?!!
-P'ra quê mulhé?...
-Pa vê a exposição, tanto linda!...
Ó mulhé, diabos te carregue, vai lá só pa dá gaitadaria de mei-moi...
Tava lá tudo de ponto em branco, inté parecia que tava in casa da minha avó, que Deus tenha; Ê sei lá, ele era alguidares,peniques de barro, roipa de tear!...
-No meu tempo na isquiola era só levá lenha; agora? Têm biche fervedoiro e a canalha atanto os professores que não sabe o que hão-de fazer...
-Ó mulhé, antes assim que nanja!
Basta que sim,muito me contaste, vou até lá.
- Adês aquela.
Escola de Ladeira Grande Junho de 1992








Conversa de comadres:






Falares de outrora (Expressões usadas na freguesia da Ribeirinha, ilha Terceira Açores):
Na sequência do que ontem te dei conta acerca do trabalho realizado na escola da Ladeira Grande, os alunos fizeram uma recolha de algumas expressões, as quais empreguei, então, neste texto, tentando imitar e acertar com a realidade não sendo contudo tarefa fácil com o tempo e os meios disponíveis.
Devo dizer que não sendo um trabalho profundo, que necessitava de mais pesquisas, nos divertimos muito, enquanto eu ia escrevendo do quadro e os alunos dando palpites:
Conversa de Comadres:
-T'esconjuro! Cum Nossa Senhora!
Aqueles professores pintam a manta c'os rapazes!
É de pegar de cabeça! Fui lá só pa dá fé.E poderio de gente que tava lá?!!
-P'ra quê mulhé?...
-Pa vê a exposição, tanto linda!...
Ó mulhé, diabos te carregue, vai lá só pa dá gaitadaria de mei-moi...
Tava lá tudo de ponto em branco, inté parecia que tava in casa da minha avó, que Deus tenha; Ê sei lá, ele era alguidares,peniques de barro, roipa de tear!...
-No meu tempo na isquiola era só levá lenha; agora? Têm biche fervedoiro e a canalha atanto os professores que não sabe o que hão-de fazer...
-Ó mulhé, antes assim que nanja!
Basta que sim,muito me contaste, vou até lá.
- Adês aquela.
Escola de Ladeira Grande Junho de 1992