quarta-feira, 18 de maio de 2016

Beber água do poço:

Beber água do poço:
Esta manhã faltou água , na minha zona, por curto espaço do tempo, talvez para trabalhos de manutenção da rede pública, não sei ao certo, o que sei é que fiquei nem uma barata tonta sem saber o que fazer...
Vai daí, que me veio à memória, os tempos em que eu ia com a minha mãe ao poço tirar água, que depois transportávamos para casa em grandes baldes, cada uma do seu lado, numa agradável cumplicidade a ver se não derramávamos nada porque, naquela altura, água era ouro e ao chegar a casa era muito poupada, não era como agora que se deixa a torneira a correr e se gasta imensa só para lavar os dentes!
Também me lembrei do Senhor Teotónio Meneses, um Senhor que tinha uma casa com loja por baixo na praça em frente ao lar D. Pedro V, na Praia da Vitória onde a minha mãe ia fazer compras e do diálogo que se travou entre os dois:
- Então como vai a pequena nos estudos?- já se sabe que a pequena era eu!
-Vai indo devagarinho- respondeu a minha mãe que não era de muitos superlativos, nem de fazer grandes alardes dos resultados que eu porventura obtivesse, porque ela considerava que eu não fazia mais do que a minha obrigação...
-Ela vai conseguir- dizia o Senhor- E sabe Porquê? perguntava ele para a minha mãe ,de olhos curiosos, postos nele:
-Porque bebeu água do poço!!!
Agora era a minha vez de comentar, com os meus botões, porque na minha insignificância, não me atrevia a fazer parte daquela filosófica conversa de adultos:
-O que tem a água do poço a ver com os meus êxitos escolares???!!!!
Passaram-se os anos já não estão entre nós os interlocutores deste curioso diálogo e hoje, porque faltou água em casa dei por mim a pensar nisto tudo e a concluir que temos que saber tirar partido da situação que vivemos, até mesmo da escassez, e temos que parar e pensar que os nossos problemas não são assim tão terríveis como parecem e tornam-se mais fáceis se os encararmos de uma forma aceitável .
A arte de saber viver está no facto de nos concentrarmos nas nossa dificuldades, aceitando-as e resolvendo-as da melhor maneira possível e assim nos tornamos auto-confiantes, fortes e serenos perante a vida.
Agora é que eu percebo como foi bom para mim, acartar e beber água do poço!

terça-feira, 17 de maio de 2016

Dona Presbiopia e os meus óculos de ver ao perto

Quando fui ao oftalmologista, ficámos um pouco preocupados quando ele me informou que precisava de ser operada aos olhos, eu com certo receio da operação, embora toda a gente me dissesse ser uma operação simples e o meu marido, com medo, dizia ele, que eu passasse a ver demais, o que lhe poderia complicar a vida...
Lá fui operada,  e o médico todo contente informou que não precisava usar mais óculos, somente para ler, letrinhas miudinhas - dizia ele satisfeito!
O pior foi que, na verdade, fiquei a ver demais, e ao sair à rua  ou em recintos muito iluminados, a luz incomodava-me de tal sorte que tinha que usar lentes escuras, e quando me vi ao espelho!!?, nem imaginas a minha decepção...
A juntar a estes infortúnios, acrescento o facto de andar sempre à procura dos óculos:
- Se estou no computador e toca o telefone lá vou eu de óculos encavalitados no nariz e deixo-os lá;
- Se quero olhar para dentro da panela lá vou à procura dos óculos, que estão na mesa de cabeceira;
- Se preciso procurar um número na lista telefónica ou ler o jornal, aquid'el rei que não encontro os óculos:
- Se vou às compras e quero comparar os preços dos produtos, esqueci os óculos em casa;
Se, ao sair, levo os óculos na mala, quando chego a casa não os tiro de lá, e quando deles necessito,  já não me lembro onde estão...
Naturalmente, estás a pensar e com razão, que posso arranjar um fio para os poder pendurar ao pescoço, o que já fiz mas não resulta, na maior parte das vezes.
 E a culpada  de todos estes infortúnios sabes quem é?
Dona Presbiopia!!!
 Quando o médico todo pimpolho me disse que eu precisava de ser operada logo o interroguei:
- Mas afinal, senhor Doutor,  que mal terrível tenho eu?
Muito cheio  de si e da sua importância e sabedoria , logo pressuroso  me respondeu em voz grossa:
- A senhora sofre de presbiopia!
- Presbiopia - pensei, mas que palavra simpática, elegante, diferente e musical!
E logo eu, que sempre gostei de coisas diferentes, tinha sido bafejada com tal requinte! O que diriam as pessoas amigas e familiares quando eu toda vaidosa , os informasse:
-Tenho presbiopia!
Não quis dar parte de fraca nem que o médico me julgasse ignorante e, durante o trajecto para casa,  fui repetindo a palavra, para não me esquecer:
- Presbiopia, presbiopia, presbiopia...
Cada vez a achava mais requintada, enchia a boca e dava um certo prazer em pronunciá-la, logo a mim me havia de calhar coisa tão especial!
Ao chegar a casa, não me contive, fui ao dicionário, lá estava a palavra bem escarrapachada:
-Presbiopia: - diminuição progressiva da capacidade de ver com nitidez, provocada por perda de elasticidade do cristalino - Depois, vinha o sabor amargo da verdade, tão amargo como fel : " A palavra deriva do grego, presbus - velho"
Afinal era a PDI!!! 
  



quinta-feira, 12 de maio de 2016


BRISA DO MAR...

- Se eu fosse a brisa do mar,
Murmurava bem baixinho,
À Lua, ao Sol e à Terra,
À paz, à calma e à guerra,
Aos montes, vales e cidades...
- Eu sou a brisa do mar,
E vejo o Mundo a Girar,
E os homens a sofrer,
As mulheres a gerar,
E as crianças a crescer...
- Eu sou a brisa do mar,
 E quero pedir ao Mundo,
Que olhe bem à sua volta
E acabe com a revolta
E semeie o perdão,
O amor e a gratidão,
E ouça o meu murmurar
Que a todos quer recordar
Os valores do passado,
E que o Mundo está mudado
Com falta de uma linda flor
Que lhe traga nova cor!

Clara Faria da Rosa

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Função da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo

Aqui estou eu, toda janota, à espera do meu marido para irmos, no Domingo passado, à Função  da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo. Gosto imenso deste acontecimento pelo que representa em termos de tradição e de espiritualidade mas também pelo convívio, pois neste dia encontramos muitos conhecidos e amigos que já há muito não víamos. 
Um dos momentos a realçar foi o cortejo com o provedor e mesários  a levarem as coroas seguidos pelas mordomas que tiveram a seu cargo a organização de uma semana de festas que culminou com um lauto e tradicional almoço.Foi muito agradável, a comida estava boa, tudo muito bem organizado e decorado não faltando os  confeitos, para adoçarem o vinho de cheiro, conforme é tradicional.
Para mim o ponto alto foi a missa na igreja da Misericórdia, presidida pelo bispo de Angra D. João Lavrador, um templo belíssimo do séc. XVII, pertencente à Santa Casa da Misericórdia de Angra , classificado como imóvel de Interesse público, de uma só nave, mas com uma capela-mor muito espaçosa. Como havia muitos fiéis, subimos ao coro-alto, sobre o pára-vento, por uma linda escadaria de cantarias  e ali pudemos apreciar  a nave central e o sumptuoso órgão assim como as capelas laterais encimadas por galerias em arcadas com varandins muito trabalhados, entre outros pormenores
O provedor, após a missa, dirigiu  palavras de agradecimento e de boas-vindas a D. João lavrador, aos presentes e agradeceu também a todos os que prestaram a sua colaboração para que tudo tivesse o brilhantismo verificado, não esquecendo os irmãos que ficaram retidos na casa por doença prolongada ou por dificuldade de mobilidade o que me fez pensar que muitos dos presentes incluindo eu, logo, logo estaremos lá... Entretanto, vamos vivendo e sorrindo pois o sorriso é como que uma estrela que brilhando  ilumina a nossa vida e a dos outros!






domingo, 1 de maio de 2016

Monogramas e homenagens

 Denomina-se por monograma a união de dois nomes ou de iniciais de nomes, da mesma pessoa ou de duas pessoas diferentes, através da sobreposição ou agrupamentos artísticos e trabalhados, havendo monogramas que são autênticas peças de arte. Em tempos idos, os enchovais dos noivos eram marcados com monogramas a ponto de cruz, ou a ponto de cheio ou rechilieu, com as iniciais dos nubentes, pois aquelas peças passariam a ser um bem comum, penso que este hábito tem a ver com o facto de se mandar a roupa para as lavadeiras a qual, se fosse marcada, não corria o perigo de ser trocada; Enfim, outros tempos, outros costumes...
A propósito, e por ser dia da mãe, mostro-te um monograma com o nome da minha mãe - Maria Almeida - bordado por ela, numa toalha de lavatório que era peça usual em tempos recuados, não querendo com isto dizer que já não se usem lavatórios nem toalhas, os modelos e materiais é que são outros.
E pronto, aqui fica a minha lembrança, num jeito de homenagem a minha mãe Maria Almeida, já falecida há vinte e quatro anos, e a muitas outras Marias entre as quais a minha sogra Maria Angelina,muito grata por ter criado um filho para me dar e por ser avó do meu filho, assim como a todas as mães do mundo inteiro, quer tenham ou não o seu monograma em toalhas de lavatório, o que é um mal menor, o importante é ter-se sido mãe que é uma condição tão gratificante, prazenteira e de realização pessoal de difícil explicação! 






domingo, 24 de abril de 2016

Fomos às sopas do Espírito Santo


As sopas do Espírito Santo
Na nossa ilha Terceira
Têm Um sabor de Primeira
Ai eu gosto tanto, tanto!
As sopas do Espírito Santo
Na nossa ilha Terceira
Têm o sabor da ilha inteira
Ai elas são um espanto!
As sopas do Espírito Santo 
Em casa do Victor Carreiro
Regadas com vinho de cheiro
Ai sabiam a fé e encanto!
As sopas do Espírito Santo
Tinham um sabor apurado
A lava, maresia e prado,
Promessa, devoção e preito!


Clara Faria da Rosa,
24/Abril/2016

Dia de função em casa do Vítor e Zélia Carreiro


Depois da Páscoa, nos Açores:

Logo depois da Páscoa,
Nos Açores,
O arquipélago é um altar
E cada ilha é uma mesa
Para o  Espírito Santo louvar,
São cortejos para a igreja
Onde o imperador vai coroar,
E depois a mesa posta
Numa fartura sem par...
Massa doce, carne 
E  esculturas de alfenim,
Muito pão
Em arrendados açafates,
Vinho a borbulhar
No canjirão,
E copos enfeitados
De alvos e doces confeitos.
É o povo ilhéu
Religioso e  profano
Na sua fé,
Crente e  festeiro,
O terço rezando,
Com  muito fervor,
Numa sentida prece, 
Num hino, num louvor  
Ao Divino Espírito Santo!
Então, no sétimo domingo,
No terreiro do local,
É o culminar
Da abundância e da partilha,
É a terceira pessoa louvar...
Em cada casa, em cada ilha!


 Clara Faria da Rosa 














segunda-feira, 18 de abril de 2016

Considerações sobre o Flautista de Hamelin


No âmbito do plano de desratização que a junta de freguesia se São Pedro de Angra, à semelhança de outras localidades, está a desenvolver, tocam o sino do meu portão e deparo-me com os funcionários que vêm proceder à aplicação do raticida competente. Lá fico eu debruçada de varanda, vendo a operação da distribuição dos saquinhos cor-de rosa, que enchiam grandes recipientes, por mãos devidamente protegidas por luvas apropriadas.
 Eis senão quando, dou por mim a pensar numa lenda alemã, contada pelos irmãos Grimm que nos relatam que, na cidade alemã de Hamelin grassava uma praga de ratos que muito incomodava e assustava a população; Vai daí, apareceu um homem que se ofereceu para eliminar tal praga em troco duma recompensa, uma moeda por cada rato e assim o fez, pegou na sua flauta e de tal sorte tocou que os roedores hipnotizados, pois sabe-se que os ratos podem ser levados à loucura com sons de alta frequência, o seguiram até ao rio Weser,  em cujas margens se situava a cidade, morrendo todos afogados. Acabada a tarefa, voltou o flautista para receber a paga combinada, mas os governantes fizeram-se de esquecidos, e não cumpriram o prometido isto é a paga pelo serviço prestado. Então o flautista irritado, pegou na sua flauta e tocou de novo de tal forma que 130 crianças o seguiram sem que nunca mais se soubesse delas. A cidade, embora com os celeiros cheios e as hortas viçosas, ficou deserta e triste com tal acontecimento.
Isto é o que reza a lenda e o conto, contudo estudos posteriormente efectuados chegam  à conclusão que não eram crianças, mas jovens adolescentes  aborrecidos, desempregados e com sede de aventura ,
 que saíram da cidade, deslocando-se para leste à procura de maior liberdade, mais abundância, trabalho, enfim à procura da sorte. Esta lenda data  do séc. XIII, mais propriamente de 1284 no entanto ao vermos os noticiários actuais, que relatam o drama de milhares de refugiados que saem descontentes das suas terras à procura de vida melhor  e dos jovens portugueses que emigram procurando trabalho que lhes possibilite uma vida digna, concluímos que oito séculos passados não representaram nada, e não foi preciso flautistas nem flautas, bastou somente que alguns governantes e poderosos ambiciosos, gananciosos, se considerassem donos do Mundo para que a situação descambásse até esta situação em que os povos se encontram
Parece-me que a ganância, a falta de escrúpulo, de ética e de respeito é de tal ordem que o que eles querem é que apareça um flautista que toque a sua flauta e leve os pobres, os velhos, as crianças indefesas e os desempregados até aos rios e mares, para assim eles ficarem sozinhos, palitando os dentes, de panças bem cheias, tão cheias como as suas extraordinárias contas bancárias!
Não é que ao chegar a esta conclusão ouço a voz dos homens que dizem:
- Pronto senhora, já acabámos a nossa tarefa, agora vamos esperar para ver se eles gostam do "pitéu", pode fechar o portão, tenha um bom dia!     

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Alfenim

Agora que estamos a reviver novamente, nos Açores, o Ciclo do Espírito Santo, convém recordar que aqui na ilha Terceira, Açores, é hábito as pessoas oferecerem aos impérios peças de alfenim, em cumprimento de promessas feitas ao Divino Espírito Santo, em momentos de aflição e ou de dor. Estas peças depois são  arrematadas ( leiloadas ), normalmente à porta do império, momento que muitas vezes se reveste de imensa graça, atendendo ao clima de descontracção que se vive, porque normalmente todos se conhecem, e ao que o leiloeiro diz para captar a atenção dos presentes para que  licitem e  entrem em despique para ver se o lance vai aumentando. 
Estas são algumas das peças representativas desta tradição, normalmente o formato tem a ver com o tipo de promessa que se faz e então tomam a forma de membros do corpo, de animais e ou outros.
O alfenim é um doce de tacho, feito com açúcar e água suficiente para o cobrir e vinagre. Após tomar o ponto ideal é trabalhado quente de modo a serem modeladas as peças pretendidas. Este doce como o nome indica é de origem árabe (al-fenid).Alfenim e significa "aquilo que é branco".
O alfenim era uma guloseima oriental muito popular, em Portugal, nos fins do séc. XV e inícios do séc, XVI. Esta receita veio para os Açores trazida por elementos mouriscos que cá se fixaram. Era prenda de luxo, servindo para presentear pessoas distintas, também era usada para ornamentar as mesas dos noivos,


Alfenim:

As mulheres da terceira
Linda ilha dos Açores
Em jeito de brincadeira
Fazem do açúcar flores.

 

Flores, frutos e animais
Tudo branquinho e doce
Finura vista jamais
E prometidas em prece.

 

São mãos de fada ágeis
Que com habilidade e gosto
Fazem estas peças frágeis
De requintado bom-gosto.

 

O calor suas mãos queima
Em tal artístico labor
Aquece o coração e teima
Fazer do trabalho louvor!



11/04/2016
Clara Faria da Rosa

         Eu queria ter um irmão!

Irmão, palavra musical e linda
Que rima com a palavra mão
Aquela mão 
Que estendida e aberta ajuda,
E com a palavra  coração
Aquele coração
Que desculpa, compreende e  ama!
Um irmão não briga,
Um irmão perdoa,
Um irmão abraça
Até que o peito doa!
Irmãos se ajudam
irmãos se amam 
irmãos brincam muito
irmãos riem junto!
Eu queria ter um irmão
Para com ele rir e chorar,
Eu queria ter um irmão
Para o poder muito amar,
E para junto com ele
O mundo poder vencer,
E para junto com ele
O mal nunca temer...
 11/04/2016 - dia do irmão
Clara Faria da Rosa



quinta-feira, 7 de abril de 2016



Se a tristeza fosse...
Se a tristeza fosse uma flor...
Teria as pétalas caídas,
A olhar a terra escura,
Esquecendo a frescura,
Que nos trazem nossos dias.
Se a tristeza fosse o mar...
Seria negra, revolta, escura,
Beijaria com força as rochas,
Esmagando altas ondas,
Uivando com amargura.
Se a tristeza fosse uma lágrima...
Seria viscosa, grossa, pesada,
Correria lenta e sem vontade ,
Denunciando toda a maldade,
Que a faz correr agoniada.
Se a tristeza fosse a noite...
Duraria eternamente,
Sem deixar o Sol sorrir,
Nem a maldade partir,
Num escuro permanente.
Mas..
A tristeza não é noite, nem é flor,
Não é lágrima, nem é mar,
É muitas vezes grande dor,
Que nos vem de muito AMAR!
Clara Faria da Rosa

Viajando de chávena até Massarelos




Há quem viaje da barco, de avião, de comboio, de autocarro, de balão a pé ou até mesmo, como no caso das bruxas, de vassoura; Pois é, a vida tem destas coisas, eu hoje deu-me para viajar de chávena, o que não é caso para admirar, visto neste mundo, haver lugar para as mais diversas e variadas extravagancias.
Pois lá vou eu muito bem acondicionada, nem galinha choca no seu linheiro, até um  antiga freguesia de Portugal, situada nas margens do rio Douro, pertencente ao concelho do Porto, chamada Massarelos e que actualmente pertence à União da Junta de Freguesia de Lordelo,Ouro e Massarelos.
Fui à procura da origem, ou da árvore genealógico das minhas chávenas, porque foi  nesta localidade de Massarelos que funcionou a mais antiga fábrica de faiança do norte de Portugal, fundada em no SÉC.XVIII em 1763 ou 1766 ( Encontrei as duas datas ), até que o primitivo edifício foi consumido por um incêndio em 1920 tendo depois em 1926 sido vendida à Companhia da Fábrica de Cerâmicas Lusitana que numa fase de expansão, comprou fábricas falidas por todo o país.
São desta época as chávenas de chá/almoçadeiras que te mostro, peças vintage, da fábrica Lusitânia período Massarelos, decoradas com motivos orientais e carimbo do início de séc. XX, uma das quais me serviu de meio de transporte, nesta aventura .
Sendo uma sentimentalona,  gosto especialmente   de trazer o passado para o presente, sobretudo quando se trata de peças de encanto, que como estas, continuam maravilhosas após tantos anos.
Depois desta breve viagem por um mundo que para mim é mágico, faço-te o seguinte convite:
Que tal vires cá a casa tomar um chá numa Massarelos, embarcas também nesta aventura e no gosto por estes assuntos? A água já ferve, traz uns bolinhos!!!









segunda-feira, 4 de abril de 2016

Já se passaram faz hoje sete anos que partiu a minha amiga Bélia Barcelos Cota e não a esqueci...
Lembro-me de lhe dizer muitas vezes que gostava de saber passar o tempo como ela, com a mesma força, a mesma inteligência, a mesma curiosidade e a mesma elegância. Sim, porque a Dona Bélia, como eu lhe chamava , apesar de sermos muito amigas, era uma anciã, ( palavra que por definição significa pessoa velha e veneranda), mas era mais nova do que muitos jovens, arranjava-se com elegância, recebia os amigos sempre com muita alegria, era uma pessoa que lia muito, por isso informada e actualizada, corajosa e que tinha sonhos e projectos... Que viveu como eu gostaria de viver mas que morreu de uma forma imerecida e cruel, que quero esquecer! Agora percebem porque sinto muito a falta desta amiga e não a esqueço .
Pois é, a amizade é isto mesmo, recordações, alegrias e tristezas, preocupações,ajuda e conforto ou desconforto mas é um sentimento gratificante que nos enriquece, engrandece, purifica e nos une para além da vida, pelo que nunca vou esquecer a minha querida amiga Bélia Barcelos Cota!

domingo, 3 de abril de 2016

Uma mulher de trabalho,sonhadora e excêntrica:

Considero-me ser o que, à moda antiga, se dizia  uma mulher de trabalho, não viro a cara a nada do que é preciso fazer, quer seja nas lides caseiras, na cozinha, no quintal, também dou uma mãozinha na costura simples isto entre outros afazeres, tendo perfeita noção de que não me devo vangloriar disso, pois essas competências só são possíveis levar a cabo quando há saúde, quando ela falta vai-se tudo, e como se sabe, isso não podemos, nem eu nem ninguém, controlar, de um momento para o outro aparece a doença que traz, em muitos casos, a incompetência perante a realização das tarefas mais comezinhas.
Como ia dizendo sou uma mulher trabalhadora, contudo há uma tarefa que detesto, detesto mesmo, que é aspirar, não sei se é devido ao barulho que não me deixa pensar enquanto faço esse trabalho, se é por causa de ter que andar com aquele "Trambolho" de um lado para o outro, não sei, o certo é que abomino esta tarefa. Não é que ontem, enquanto aspirava o tapete na entrada, comecei a pensar: 
- O que este tapete precisava agora era de uma boa lavagem de joelhos, com escova,  bastante água, sabão e depois sol...
- Deixa-te disso, tu é que precisavas de um tapete mágico que não precisasse ser aspirado!
- Um tapete  mágico...que delícia! Um tapete onde os pés pisassem e que ficasse sempre limpo, com as cores vivas e os desenhos bem visíveis a dar as boas-vindas a quem entra.  
- E se for um tapete mágico e voador que me leve a outros mundos, a outros povos a outras aprendizagens, a vencer a minha ignorância contra a qual luto diariamente, a descobrir coisa novas, coisa maravilhosas e imprevistas??!!
-E um tapete voador que me transporte aos meus amigos ausentes, e ao passado que eu adoraria trazer de volta, e a recordações que adoraria reviver, e ao futuro que me revele o que o destino me reserva??!!
Eis senão quando, ouço o forte ronronar do aspirador que  fazendo-me acordar do meu sonho e voltar à dura realidade daquela detestável tarefa, exclama:
- Deixa-te disso, não sejas parva, aproveita o momento presente e o que tens, o passado e o futuro são apenas uma sucessão de momentos presentes na vida que vamos atravessando, exageras a sua importância  porque eles já se foram, ou porque ainda estão para vir...
-Não é que o danado do aspirador tem razão! -Pensei eu continuando a aspirar... se bem que esteja certa, de que ter razão não é tudo na vida, é sempre agradável viver um pouco de fantasia mesmo que excêntrica e irracional como esta que acabo de partilhar.