segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

E a menina sonhava...

E a menina sonhava,
Tinha estrelas nas mãos,
E o luar no olhar,
O Mundo era todo seu!
E a menina esperava,
Por um mundo a descobrir
Lindo, justo, especial,
Com crianças a sorrir!
E a menina acreditava,
Doce, esforçada e confiante
Que todos eram iguais,
Que a diferença não importava,
Que o Mundo ninguém rejeitava!
E a menina, sã, confiava,
Sonhava e esperava...
Mas a menina aprendeu,
Que os sonhos são só sonhos,
Que as estrelas brilham menos,
E que o Mundo é só de alguns,
E que rejeita os restantes!

Clara Faria da Rosa,
22/02/2016

domingo, 21 de fevereiro de 2016

A estação do Rossio e 

os seus painéis de azulejos

Como açoriana, todas as vezes que utilizo esta estação, fico deslumbrada com a sua beleza e com pesar que os restantes utilizadores, talvez porque estão muito atarefados no cumprimento das suas tarefas diárias ou pelo uso repetido deste local não pareçam aperceber-se da riqueza deste património, construído em 1886/87, inaugurado em 1890 e recentemente reconstruído.
Adoro-a, acho-a linda, sobretudo a sua fachada de estilo neo-manuelino, desenhada pelo arquitecto Luís Monteiro e os seus painéis no interior .

Classificada como imóvel de utilidade pública, dela saem os comboios da linha de Sintra, fica situada num local estratégico de Lisboa entre a praça do Rossio e os Restauradores.
Sempre que a utilizo fico encantada com os lindíssimos painéis de azulejos que adornam o seu interior e costumava interrogar-me acerca do termo azulejo pois pensava eu que deveria vir da palavra azul porque costumam ser azulados, contudo, recentemente  li que a palavra vem do árabe "azzelij" que quer dizer: PEQUENAS PEDRAS POLIDAS.

De meados do século passado, oferecidos pelo fundo de fomento de exportação, representam o que se produzia naquela data e que contribuía para a riqueza nacional: Tecelagem e bordados, oleaginosas, sisal, pratas, filigranas, frutas, vinhos de mesa, da Madeira e do Porto, conservas de peixe, cortiça, café, enfim uma gama de produtos que servindo para exportar enriqueciam o país e davam trabalho a muitos braços!
Apetece-me, atendendo ao que se ouve, vê e lê diariamente na comunicação social, perguntar:
- E agora, como vão as referidas produções e as respectivas exportações?

Um Passeio a Belas/ Fofos de Belas


A minha amiga Mila convidou-me a ir a Belas que é uma vila do Concelho de Sintra, para visitar uma casa de antiguidades que ela conhecia.
Lá fomos, vimos coisas lindíssimas, mas foi só ver porque dos preços nem quero falar; como a tarde já ia longa resolvemos lanchar na casa dos fofos de Belas que são uma importante referência na riqueza gastronómica do concelho sintrense.
Pequenos pães-de-ló, feitos com farinha,gemas,claras em castelo.açúcar, fermento e raspa de limão, vão a forno de lenha em pequenas formas enfarinhadas e depois são abertos e recheados com um creme feito com amido de milho, leite açúcar e gemas após o que são polvilhados com açúcar.

Claro que não resistimos e fizemos honras  aos ditos bolos que na verdade, embora simples, são uma especialidade.
O local é uma antiga padaria que foi reformulada mas ainda se podem ver os pés das mesas antigas, que são uma delícia como podes constatar.
Enfim, uma tarde que não quero esquecer assim como não quero deixar  de agradecer à minha amiga o amável convite e a simpática companhia.

No Dia Mundial do Doente

                                            

Rangem os ossos,
Roda a cabeça
E falta o pé?
-É a doença!
Temos tremores,
Dores Atrozes
E o coração acelera?
-É a doença!
A cama chama,
Falta a alegria
E sobra a tristeza?
-É a doença!
Já não se pode
 Responder à vida
Com prontidão?
-É a doença!
Começa a luta,
Procuram-se médicos 
E tomam-se drogas?
-É a doença!
...........
E uma infinita tristeza,
Uma insegurança e frieza,
Segredam muito mansinho...
-Que tudo se esvai devagarinho,
Que a juventude depressa voou,
Que a saúde também se esfumou,
E que agora só podemos contar
Com as recordações a passar,
Com nossas lembranças e sonhos
E com o apoio dos outros!


11 de Fevereiro de 2016
Dia Mundial do Doente,
Clara Faria da Rosa


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016


                                            
Objectos inanimados:

Temos as nossas casas cheias de objectos inanimados:
- Alguns funcionam e cumprem a sua função,
-Outros não funcionam e estão à espera de reparação, 
-Há os  que se quebram e ficam no "limbo" porque ainda estamos um pouco apegados aquela peça e temos pena de a deitar fora.
- Há os que se perdem e estamos largo tempo sem sabermos onde estão,é por isso que, de vez em quando, faço  uma arrumação geral em armários e gavetas e encontro aquele objecto que julgava perdido.
- Há os que trazem vantagens à nossa vida diária,
-Os que  não nos trazem vantagens de espécie alguma...
Pode dizer-se que um objecto que costuma cumprir em pleno com as suas funções trazendo vantagens de peso  à  nossa vida diária é  uma  terrina, e há-as das mais variadas fábricas, louças,  tamanhos e feitios, desenhos e cores ...
Quem não gosta de se sentar à mesa, especialmente num dia invernoso, olhar parra uma terrina fumegante que deixa antever quente e saborosa sopa, levantar a tampa e apreciar o fumo e aroma que  dela evoluem? 
Contudo, Como sabemos, uma terrina sem tampa não cumpre a sua plena  função,não funciona, não  traz vantagens à  vida das pessoas, assim como uma tampa sem terrina  não traz qualquer benefício, para o comum dos mortais é lixo, e não se fala mais nisso ...!
 Mas, e há sempre um mas nas minhas histórias, não sou mulher de ficar parada perante qualquer problema ou desaire, não  baixo os braços perante uma adversidade, para mim, é sempre uma satisfação tirar partido de uma desvantagem. Foi por isso  que a partir de uma tampa de terrina de loiça de Coimbra, que havia esquecida no  fundo de um armário, comecei a pequena colecção que te mostro.
Espero que gostes e se, por acaso,  tiveres alguma,  dá-lhe utilidade ou então, fala comigo.

Esta conversa toda  não foi bem par te mostrar as  ditas tampas, foi mais para meditarmos no facto de que saber tirar partido das vantagens é fácil, mas das desvantagens com que nos deparamos  em qualquer circunstância, exige inteligência, força,atenção vontade e dedicação!
          

domingo, 14 de fevereiro de 2016

"O Amor "


Sendo hoje  dia de S. Valentim, dia dos namorados, dia de festejar e lembrar o amor que se reveste de muitas formas, aproveito então para te mandar uns recadinhos amorosos através de frases escolhidas do escritor Paulo Coelho seleccionadas no livro  "AMOR".

-"O amor nunca impede um homem de seguir a sua lenda pessoal. Quando isso acontece, é porque não é o verdadeiro amor, aquele que fala a linguagem do Mundo".
-"O amor é a única coisa que estimula a inteligência e a criatividade, algo que nos purifica e liberta".
-"O amor é a força que transforma e melhora a alma do Mundo".
-"O amor é a chave para a compreensão de todos os mistérios".
-"O amor não tem ódios, está acima de tudo".
-" O amor é a semente do nosso crescimento, quanto mais amamos, mais próximo estamos da experiência espiritual".
-"O amor não é um hábito, um compromisso ou uma dívida".
-"O amor não tem definições, ame e não faça muitas perguntas".
Ame apenas!!!".

Muito mais se poderia escrever, sobre o assunto, citando o escritor em causa, parecendo-me contudo que o que  se celebra hoje  foge , de um modo geral, ao espírito do que aqui foi dito.
Resta-nos meditar sobre o assunto ficando contudo com a certeza de que o verdadeiro amor engloba valores como:

Dádiva,
Transformação,
Superação,
Solidariedade,
Afinidade,
Busca,
Arte de convívio,
Grandeza...

O puxador da dança.


O puxador da dança
O palco e plateia abraça,
E transmite-nos a certeza
De confetis de beleza.

O puxador da dança
Faz sonhar velhos e novos,
Com toda a sua pujança
Faz lacrimejar nossos olhos.

O puxador da dança
Ali é senhor e rei,
Os dançarinos comanda
E o  seu apito é lei.

E logo ao som do apito
Do puxador da dança,
De um novelo, de uma teia
Uma renda se entrança.

E o puxador da dança
Com seu punho ergue a espada,
Cumprimenta e  saúda
E aos presentes agrada.

Com sua voz maviosa
O puxador da dança 
O assunto apresenta
Que nos fica na lembrança

E depois de muito agrado 
O puxador agradece,
E de todos se despede
E a atenção enaltece.

E  parte o puxador da dança
Os dançarinos e músicos,
Outro palco vão pisar
Decerto vão agradar. 

Oh, tradição maravilhosa
Desta ilha preciosa,
Que nossos avós legaram
E os seus netos seguiram!

Clara Faria da Rosa

sábado, 13 de fevereiro de 2016

De Choro Fácil

Sou uma pessoa que chora facilmente. Este Carnaval tive que me conter para não chorar ao assistir à apresentação da dança de pandeiro da escola básica integrada dos Biscoitos / 2016, com o titulo " Terceira,o Paraíso dos Ratos ". Uma dança com a duração de 45 minutos e a intervenção de 33 elementos de palmo e meio, aliás, alguns nem a um palmo chegavam... Só não desatei a chorar com vergonha e ou medo de ser mal compreendida. É que fico sempre com um nó na garganta, muito comovida,  quando vejo alguém no seu melhor a realizar importantes proezas, seja homem, mulher ou criança, não tendo isso nada a ver com o serem pessoas notáveis, o que para mim  é outra coisa completamente diferente.
Desde essa hora, tenho meditado frequentemente no esforço, coragem e disponibilidade que os professores dispensaram para  com o seu empenho conseguirem apresentar um trabalho de tal envergadura. São professores na verdadeira acepção da palavra!
Como professora que sou, embora aposentada, sei dar o valor ao que foi necessário para se atingir tal nível; é que no palco é uma coisa mas na escola, nos ensaios, é outra coisa completamente diferente...
Um trabalho pedagógico que  teve, tenho a certeza, o dom de despertar naqueles alunos e na restante comunidade escolar, o gosto, amor e respeito pela nossa cultura e pelas nossas tradições, incutindo-lhes em simultâneo o sentido estético e harmonioso interior.
Tenho a certeza que daquele grupo sairão futuros dançarinos, puxadores, ensaiadores e actores. Uma verdadeira escola que nos dá a certeza de que com semelhantes atitudes o Carnaval terceirense, nos moldes tradicionais, não acabará.
Não posso continuar, tenho os olhos inundados de lágrimas.
Bem hajam!!!



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Uma coisa boa em excesso...

Uma coisa boa em excesso, é maravilhosa!




Uma coisa boa em excesso...
Uma coisa boa em excesso, é maravilhosa!
Lá se foi o Carnaval que para mim, foi um período bom em excesso, portanto maravilhoso!
Desde criança que me habituei a apreciar esta manifestação tão rica e tão peculiar, por isso tudo para mim é um factor digno de apreço, de estudo, de admiração, de aplauso...
É que não é à toa que interagem tantas artes; A música, a dança, o teatro, a costura, o desenho, a criatividade, a postura, a maquilhagem, os penteados,a dicção, o humor, a crítica ...isto tudo conjugado com uma paleta de alegria, camaradagem e vontade de agradar, por parte dos participantes, e de respeito, admiração e cumplicidade por parte dos que assistem ao desfile deste maravilhoso Carnaval Terceirense, ao longo de quatro noites consecutivas.
Agora é esperar pelo próximo ano, fico com pena e quase que me apetece dizer como dizia a minha falecida mãe quando recebia em nossa casa amigos ou familiares e se sentia feliz e depois com pena de se irem embora:
- Quase que me apetece dizer que antes não tivessem vindo, para agora não ter que me despedir de vocês!
Na altura, não percebia bem o que isto queria dizer, nem me apercebia de que era uma frase sentida e lisonjeira, mas agora percebo-o perfeitamente e sinto o mesmo, muitas vezes, senti-o na Terça-Feira gorda ao correr o pano após a exibição da última dança e ouvi o meu marido dizer:
-Para o ano que vem há mais!
Então pensei:
-Foi como quem comeu um doce muito bom e lhe apeteceu repetir sem ter essa possibilidade! Os meus sentidos ficaram viciados a apreciar tanta coisa maravilhosa, antes não tivesse visto nada!
Mas, pensando melhor, compreendo que a vida não é só festa, que tem que haver um tempo de calma, repouso e de reflexão e para isso veio a Quarta Feira de Cinzas para iniciar a Quaresma, época que antecede a maior festa do Cristianismo - a Páscoa que celebra a Ressurreição de Jesus Cristo.
Foi-se o Carnaval, virá a Páscoa e outras festividades que na voragem do tempo lembram as árvores que florescem na Primavera, dão frutos no Verão, deixam cair as folhas no Outono e ficam nuas no Inverno, isto tudo muito naturalmente, sem sobressaltos, atropelos, exaltações, orgulhos, medos ou vergonhas!




quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

À janela do comboio:

O comboio corre veloz,
Pouca terra, pouca terra...
Grita ele em alta voz,
E vai atravessando a serra.

E eu calma e serena,
Olho através da janela...
Penso que a terra é pequena,
Penso em quem vive nela. 

Penso como  bom seria,
Que muito amor transportasse,
A todos os lares da terra...

Penso como bom seria,
Que alegria e paz levasse,
A todos os povos em guerra!

Clara faria da Rosa
10 de Fevereiro de 2016


Virgílio Ferreira, a minha bisavó materna e Quarta Feira de Cinzas.


Acabei de ler, pela segunda vez, APARIÇÃO (1959) de Virgílio Ferreira, escritor português que viveu entre 1916 e 1996. Desta vez fiz uma leitura diferente, pois a minha idade agora vai muito para lá  da que tinha quando o li em tempos idos. Um escritor clássico e difícil, que discute teorias filosóficas relacionadas com o existencialismo, fazendo uma radiografia da relação do homem com a sociedade, com Deus, consigo mesmo e com a morte, tendo-o feito, no caso deste livro, na primeira pessoa. Vai daí que, nesta quarta Feira de Cinzas, primeiro dia da quaresma, dia de se fazer uma reflexão  sobre o dever da conversão e mudança de vida que todos nós temos, recordando que a nossa passagem por este mundo é transitória, efémera e frágil ( é por isso que são impostas as cinzas, para nos lembrarmos que não somos nada, que logo, logo, nos tornaremos em pó que é como que diz em cinzas) , me lembrei de algumas passagens da minha leitura especialmente quando o autor se refere à morte do pai e diz:
" - Aí estás à beira da cova, na urna aberta, para te reconhecermos pela última vez, onde está a tua pessoa, onde está o que tu eras? Agora és apenas uma imagem. Que é de ti? ouço para além dos teus lábios cerrados a tua palavra grave, vejo as tuas mãos erguerem-se, povoadas de um gesto que eras tu. Não! quem te habitava já não é. Viverás ainda na memória dos que te conheceram. Depois esses hão-de morrer.Depois serás exactamente um nada, como se não tivesses nascido! Eis que começa a tua longa viagem para a vertigem das eras, para a desaparição no silêncio dos milénios. Sim, agora ainda vives para mim porque te sei.........."
Como eu, Clara, sei desta foto de tantos que já lá vão, que foram esquecidos na voragem do tempo, no meio dos quais está a minha bisavó materna Maria José, de pé, no meio dos seus irmãos, de quem tenho memória breve, de ouvir falar, não de conhecer, perturbando-me pensar que o rasto dela está suspenso de mim, porque eu tenho ainda uma pequena notícia da sua vida, um ligeiro e quase que apagado eco do que foi a massa complexa do seu ser e sentir, depois...ficará como os seus irmãos da foto, ficará nessa amarelecida fotografia de forma absurda, inquietante, incrível, com uma face a falar ainda e com um olhar que procura os que a olham, que a fitam, mas  não a sabem!
Como eu, como quem me lê neste momento, somos pessoas vivas, podemos, pensamos ter o mundo nas mãos, porque temos saúde, não pensamos na morte mas... sem que nos perguntem chegará a morte e não seremos fisicamente nada, seremos o mesmo que éramos antes de termos nascido! Então ficaremos pendentes dos nossos descendentes olharem as nossas fotos, lembrarem os nossos feitos e depois seremos cinza para lembrar neste dia ...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

As costureiras do Carnaval terceirense:






Tesoura, dedal e agulha de ouro para as Costureiras
do Carnaval terceirense 2016

Uma profissão, quanto a mim, constrói-se com muito amor, gosto e persistência, o que leva obrigatoriamente à eficiência. A profissão é, muitas vezes a fotocopia do carácter da pessoa ou grupo, pois através do modo como os mesmos desempenham o seu múnus ficamos com uma ideia precisa do individuo ou grupo e daquilo que representam para a sociedade em que se inserem.
Vem isto a propósito, do Carnaval terceirense de 2015, embora este já esteja no seu rescaldo e estejamos já a caminho do 2º domingo de Quaresma; É que, muito se falou e fala, em termos eufóricos, do convívio salutar dos ensaios, das vivências de aprendizagens e afectos gratificantes dos elementos participantes nas danças e bailinhos de Carnaval, dos  autores das músicas, cantigas e enredos, fala-se de estilos de bailinhos tradicionais e inovadores e das novas abordagens que se têm apresentado, das rimas, dos puxadores e das suas vozes , da poesia das cantigas, enfim isto e muito mais, contudo, pouco se fala das costureiras que muito e bem e bom fazem para enriquecer este nosso Carnaval. Tenho pena que ao correr do pano não se anuncie a autora ou autoras de trabalhos que nos enchem os sentidos de cor e magia tal é, em certos casos o requinte a originalidade e a perfeição dos trajes que se apresentam.
Para as costureiras, obreiras deste Carnaval da ilha Terceira, que nos encheram os olhos de tanta beleza e nos provaram que o trabalho de cada um é uma força que faz avançar a humanidade, aqui vai a tesoura, o dedal e a agulha de ouro, bem merecidos, por sinal!

A minha boneca teve alta do hospital.

Como te disse estive ausente uns dias, em Lisboa e aproveitei , para ir ver a minha boneca que esteve de novo no hospital das bonecas, na Praça da Figueira nº 7.
Embora já muito antiga, fez no Natal passado sessenta anos, resolvi investir nela porque me traz muitas felizes e gratas recordações... Ainda sinto o coração aos pulos quando me lembro do momento em que os meus pais ma ofereceram nesse longínquo Natal de cinquenta e três , tinha eu cinco anos.
Ponho-me a pensar que se nós perguntarmos a um jovem ou a uma criança que presente teve neste  ou no Natal passado provavelmente não se lembrarão, tal é a abundância que muitas vezes banaliza momentos que deveriam ser eternos; Mas para mim, foi um momento mágico que me massajou o coração de tal forma que ainda me alegra.
Como te disse acima, a minha boneca esteve no hospital na cama sessenta e sete, já lá havia estado mas teve uma recaída e voltou a ser internada. Quando lá cheguei fui informada que iria ter alta pois o tratamento estava completo e já tinha recuperado.
Foi um tratamento complicado porque teve que fazer " terapia da fala" porque tinha perdido a voz, também teve que tratar duma perna porque atendendo à idade tinha arteroses e repetiu um "pelling" completo, como a Lili Caneças. Está boa, graças a Deus mas isto nunca se sabe, atendendo à idade, qualquer dia está com incontinência urinária...
Fiquei contente, com a notícia da alta e trouxe-a para casa, já muito bonita com o seu vestido cor-de-rosa, que a minha mãe tinha feito de um vestido meu e ao pescoço uma renda de bilros, muito antiga. Vê se não está pimpolha a minha amiga de infância!
Agora está resguardada numa vitrine, como me recomendaram no hospital porque é uma peça de muito valor estimativo e considerada uma antiguidade.
As coisas que a Clara te conta!

sábado, 6 de fevereiro de 2016

 Este ano, ainda não se tinham arrumado as decorações de Natal, já se viam nas montras, máscaras, filhós e coscorões assim como fitas, sedas, veludos e brilhantes galões que iriam vestir primorosamente e a rigor os nossos dançarinos e logo, logo, se anunciaram a venda dos bilhetes do Teatro Angrense para se assistir à exibição das danças de Carnaval.Lá foi o meu marido, assim como outras pessoas, costume que não vou comentar nem aqui nem agora, porque já dizia o meu pai,- Quem corre por gosto não cansa, ou então, - O corpo padece por causa da cabeça!.E foi assim; comprados os ditos e preciosos bilhetinhos, regalar-me-ei ao longo de quatro noites e na Quarta-feira de cinzas, tristinha por já se ter acabado aquele lindo e tradicional espectáculo,pensarei que:














I
O Carnaval na Terceira
É música cor e magia,
É festa alegre e brejeira,
É tempo de alegria.

II

No Carnaval da Terceira
puxador é o rei
E p'rós dançarinos em fileira
A fantasia é lei.

III
No Carnaval da Terceira ,
Há filhós e coscorões,
Amizade e brincadeira,
Apitos foguetes e bombões.

IV

Guitarras, violas, acordeões,
Sedas, lantejoulas, veludos,
Acorreram aos salões
Seguindo o som do apito.

V

Na Quarta-feira de cinzas
É tempo de descansar,
Lá se foram as cantigas,
Agora... toca a meditar.
VI

Meditar na felicidade
De na Terceira viver,
Com tamanha qualidade
E tal património ter!!!

Clara Faria da Rosa
6/02/2015